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terça-feira, 19 de abril de 2016

[Cultura - Crítica Literária] "Vamos Comprar um Poeta", de Afonso Cruz [Editorial Caminho]

Crítica Literária 

Texto: Isabel Alexandra Almeida/Nova Gazeta/Os Livros Nossos

Foto: Direitos Reservados - Editorial Caminho [Grupo LeYa]

Vamos Comprar um Poeta é um surpreendente grande pequeno livro da autoria de Afonso Cruz. Porque os livros, tal como as pessoas, não se medem pela extensão, mas pela qualidade, pela essência, pela personalidade própria, pela originalidade e pela capacidade de nos tirar da zona de conforto e de nos abanar a alma, e é precisamente isto que este pequeno grande livro faz connosco.

A premissa inicial é, desde logo, interessante, numa sociedade em tempo indeterminado, algures no futuro, a narradora participante descreve-nos uma sociedade materialista onde tudo é visto de modo quantificado ou quantificável, até mesmo as emoções, e os nomes sujeitos são meras combinações de números onde o peso das dízimas diz algo sobre a preponderância social de cada indivíduo.

Numa elegante prosa plena de ironias e toques de humor, entramos na intimidade de uma família [ a da nossa narradora] constituída pela própria, pelos pais e pelo irmão, e iremos conhecê-los quando se predispõem  a comprar um Poeta, visto que não suja e é relativamente fácil de manter em casa para entretenimento da família, sem consequências de maior na rotina de cada um [assim pensam os membros desta família].

E o Poeta chega a instala-se, ou melhor dizendo, é instalado num espaço exíguo num vão de escada e irá revolucionar a vivência economicista, quantificada e limitada deste núcleo familiar.

A sociedade imaginária narrada neste livro tem algo de assustadoramente familiar...embora esteja caricaturada e levada ao extremo, perdeu valores culturais, menospreza o conhecimento, a criatividade o peso e a relevância da imaginação, sendo impensável e mal visto socialmente desenvolver uma actividade intelectual que se afaste do campo dos números, da economia, da lógica fria do lucro e dos ilusórios prosperidade e crescimento.

Com inúmeras referências culturais, que são depois esmiuçadas em notas no final da obra, este livro tem o condão de nos fazer rir de nós próprios e do mundo que estamos a construir, sendo um belíssimo exercício contemporâneo do lema ridendo castigat mores de Gil Vicente.

A ler, a reler, a coleccionar, a recomendar e a reflectir de quando em vez! Parabéns Afonso Cruz.


Ficha Técnica da Obra:


Título: Vamos Comprar um Poeta


Autor: Afonso Cruz


Editora: Caminho [Grupo Leya]


Edição: Março de 2016


Páginas: 104


Género: Juvenil/ficção contemporânea

Nota de redacção: O exemplar da obra foi gentilmente cedido pelo editor para artigo de crítica literária.



terça-feira, 22 de março de 2016

[Os Livros Nossos - Crítica Literária] “Duas Irmãs e um Duque”, de Eloisa James [Quinta Essência/LeYa]



Duas Irmãs e um Duque correspondeu à nossa estreia com a autora Eloisa James, e foi uma agradável surpresa descobrir mais uma variante na ficção histórica ou de época, com cenário na Inglaterra do Século XIX, sendo este assumidamente um dos nossos géneros literários de eleição


A narrativa tem início em Março de 1812, em Mayfair, Londres, na residência da família Lytton, uma família abastada, aparentada com a aristocracia, mas destituída de título nobiliárquico, e que investiu grande parte dos respectivos recursos financeiros na "Duquesificação" [termo usado pela autora no romance, e que achámos verdadeiramente genial] das duas filhas gémeas  - Olivia e Georgiana Mayfield Lytton.

As Gémeas, bastante cúmplices entre si, foram criadas com o intuito de serem o exemplo máximo da virtude, educação, contenção emocional e cumprimento rigoroso dos preceitos sociais bastante rígidos da aristocracia Britânica, sendo ambicionada claramente uma ascensão na escala social.

Olívia, a irmã mais velha (alguns minutos), está prometida desde tenra idade ao herdeiro do Duque de Canterwick - Rupert Forrest G. Blakemore - um rapaz mais jovem do que Olívia e que apresenta uma perturbação ao nível intelectual, pese embora seja uma alma sensível e doce, porém, muito simples e incapaz de raciocínios mais elaborados. O pai de Olívia foi colega de estudos e é amigo do Duque de Canterwick, e ambos fizeram um pacto de fazer casar um das filhas de Mr. Lytton com o herdeiro do Duque.

Georgiana, a irmã mais nova, receberá um dote, após o casamento da irmã, que lhe permitirá, posteriormente ser elegível para ascender também na escala social, contraindo matrimónio.

As duas irmãs são o oposto uma da outra. Olívia, a futura Duquesa, é divertida, pouco dada a cumprir à risca as apertadas regras sociais que a mãe ensinou, assumindo uma postura mais informal (excessivamente para os preceitos da época), expressando emoções, e preferindo brincar com rimas, trocadilhos e poemas alguns até algo brejeiros, sendo bastante sarcástica e crítica em relação à aristocracia sua contemporânea, o que causa desgosto à sua severa e ambiciosa mãe. A mãe da jovem chega mesmo a criticar a figura mais redonda da mesma, levando a filha a sentir-se por vezes desanimada e com a auto-estima algo abalada pelo facto de ter curvas e  a sua estrutura corporal não ser considerada a mais desejada para os padrões da época, que evidenciavam a extrema magreza com ideal de beleza para as damas da alta sociedade. Olivia é dona de uma personalidade bem vincada e é bastante efusiva e brincalhona.

Por sua vez, Georgiana Lytton, é, ironicamente, uma jovem que apresenta a personalidade contida em público, e interiorizou na perfeição os ensinamentos dados pela mãe, estando, de longe, mais apta a assumir a posição de Duquesa, por comparação com a mais extravagante irmã. Também a figura da jovem, em termos físicos, é consentânea com o ideal de beleza defendido.

As jovens são cúmplices, trocam confidências e desabafos entre si, e têm uma boa relação, apesar de todas as diferenças que as caracterizam.

Subitamente, o prometido de Olivia decide partir para a Guerra com a França, para alcançar honra militar antes que ambos se casem, o que vem adiar ou até mesmo, quem sabe, deitar por terra os planos de casamento e a "Duquesificação" de Olivia, pois existe o sério risco de Rupert não sobreviver.

Georgiana é convidada para passar alguns dias em Littlebourne, em Kent, a residência do viúvo Duque de Sconce - Tarquin Brook-Chatfield - onde será submetida a alguns testes de conduta social, para aferir da sua elegibilidade para ser a segunda esposa do Duque, tendo de passar pelo apertado crivo da avaliação dura de Amaryllis - a mãe do Duque. Assim, Georgiana parte para a residência do Duque de Sconce, na companhia da irmã Olivia, e de uma tia do Duque - Lady Cecilia.
  
E estão lançados os dados para uma série de deliciosos diálogos, entre os convivas, o Duque e as duas irmãs.

Quin - Duque de Sconce, é um homem marcado pelo passado, por alguns eventos trágicos, e pela crença errada, incutida pela mãe, de que o amor é algo negativo e destrutivo. É contido, rígido, mas irá evoluir e mostrar o carácter apaixonado e reconciliar-se com o passado e consigo próprio.

Uma personagem também habilmente construída é Rupert, o herdeiro do Duque de Canterwick, que vai surpreender os leitores, e que é inspirada numa fascinante personagem do cinema contemporâneo.

O ritmo narrativo, inicialmente algo mais rotineiro, quando a acção decorre na residência da família Lytton, começa a acelerar quando o cenário social e espacial muda para a residência de Quin - Duque de Sconce.

Uma das características mais bem conseguidas, originais e especiais deste romance são as inúmeras graças, trocadilhos e poemas, com tiradas verdadeiramente hilariantes, muitas vezes da parte de Olivia, secundada por um primo do Duque - Justin - filho de mãe Francesa, também ele mais exuberante socialmente. Estes trocadilhos, segundos sentidos e humor evidente, redundam também, quase sempre, numa mordaz crítica social aos maneirismos da época, à excessiva rigidez, e à frieza e hipocrisia que caracterizavam a vivência das classes mais altas da sociedade, onde o parecer deveria muitas vezes suplantar o ser, em nome de uma apregoada dignidade que era mesmo artificialmente construída. E aqui o livro pode sempre ter duas leituras, o humor que nos diverte, e o foco na crítica social que nos faz pensar criticamente.

As personagens estão muito bem elaboradas, são densas ao nível psicológico, e é evidente a arte de Eloisa James ao brincar com as palavras, e o quão bem a autora se sai deste desafio literário.

A história corresponde a um reconto do clássico conto de Hans Christian Andersen "A Princesa e a Ervilha", mas existem inúmeras outras inspirações literárias, cuja explicitação a autora resume numa nota final que adicionou ao romance, e que mais ainda nos faz aumentar a admiração pelo trabalho desenvolvido.

Também não ficam de fora momentos de tensão, aventura e perigo, e um muito inesperado twist final.

Uma brilhante mistura de humor, amor, sensualidade, sátira social, cultura literária clássica (a servir de mote e inspiração) e cultura cinematográfica contemporânea (a inspirar uma personagem em especial) mas respeitando sempre os detalhes históricos do tempo da narrativa.

Estamos perante uma leitura agradável, divertida e inteligente! Mais uma autora de excelência, e que sabe conferir um estilo muito pessoal à sua escrita.

Esta e outras críticas literárias disponíveis no blogue parceiro http://www.oslivrosnossos.blogspot.pt

Artigo publicado ao abrigo de parceria com Diário do Distrito e Os Livros Nossos

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

[Os Livros Nossos] Nuno Nepomuceno lança último volume da trilogia Freelancer


 O autor Português Nuno Nepomuceno vê hoje chegar às livrarias a sua mais recente obra "A Hora Solene", título que encerra a trilogia Freelancer, a qual apresenta como personagem central André Maeques-Smith, o carismático e charmoso espião Português, que tem sabido conquistar diversos fãs entre os leitores nacionais.

  Com uma capa graficamente bastante apelativa, e tendo sido o seu lançamento anunciado através de uma original e envolvente campanha de marketing que fez chegar às redacções de diversos jornais e blogues literários nacionais misteriosas cartas, chega agora o momento de ser revelado o muito aguardado mistério desta obra, aguardada com muita expectativa pelo público.

Aqui na redacção conseguimos espreitar o exemplar da nossa directora, e administradora do blog Os Livros Nossos, e prometemos partilhar a nossa opinião sobre esta obra com chancela Topbooks.