sexta-feira, 2 de junho de 2017

LITERATURA | Carlos Quevedo | DESASSOSSEGO - GRUPO SAÍDA DE EMERGÊNCIA





A nova chancela da SDE, a Desassossego, publica hoje o livro E Deus Criou o Mundo de Carlos Quevedo. Um livro essencial para percebermos as diferenças e semelhanças entre os principais credos monoteístas: o Judaísmo, Cristianismo e Islão.


Carlos Quevedo é jornalista. É autor e produtor do programa de rádio E Deus Criou o Mundo, na Antena 1, no qual se promove o diálogo inter-religioso.
Vive em Lisboa. Foi um dos fundadores da revista Kapa. Foi crítico de televisão no jornal O Independente e na revista Visão. Foi crítico de teatro e redactor principal n’O Independente.
Em 1978, mudou-se para Portugal, onde fundou a Companhia de Teatro de Lisboa. Encenou peças de Samuel Beckett, Henrik Ibsen e Harold Pinter, entre outros. Estudou Sociologia e, em Paris, Teoria da Literatura.

Nasceu em 1952, em Buenos Aires





Numa altura em que vivemos tempos de insegurança devido aos ataques terroristas é importante percebermos a base de cada uma das religiões.
O jornalista Carlos Quevedo conversou com três membros influentes dessas comunidades religiosas em Portugal acerca das suas diferentes perspectivas, dos desafios com que os crentes se confrontam todos os dias e do contributo da religião para o mundo moderno. O resultado é este livro que mostra bem as diferenças e semelhanças entre os três credos.

LITERATURA | Eduardo Gomes | SAÍDA DE EMERGÊNCIA



Eduardo Gomes, alfacinha, nascido em 1956. Cursou Direito e formou-se mais tarde em Administração e Gestão de Marketing no IPAM. Na longa carreira profissional, exerceu cargos de chefia em grandes multinacionais da área da electrónica de consumo. Actualmente é autor e dinamizador do projecto As Voltas da História, em colaboração com a Biblioteca Municipal de Cascais - Casa da Horta da Quinta de Santa Clara, série de contos originais com base na História de Portugal apresentados às crianças do concelho.
Terra Queimada é a sua primeira obra.






O romance definitivo sobre as invasões francesas.
O momento mais negro da História de Portugal. Uma das guerras mais cruéis da Europa.


Novembro de 1807. As tropas de Junot chegam a Lisboa e deparam-se com uma estranha situação: a corte havia zarpado para o Brasil; o clero virava a casaca e preparava-se para colaborar com os “diabólicos jacobinos”; maçons e intelectuais exultavam com a esperança de um futuro feito de liberdade, fraternidade e solidariedade. Mas o povo, esse, olhava furioso para as tropas maltrapilhas de Napoleão. Uma das portas de entrada em Portugal para os exércitos inimigos passava em Almeida. E é aí que encontramos uma população disposta a lutar pela independência do país, mas também por uma nova ordem social que os inclua.

Com Portugal à mercê das crueldades dos franceses e sob uma política de terra queimada ordenada por Arthur Wellesley, como resistiram os nossos antepassados a tanta humilhação, fome e morte? É a essa questão que Eduardo Gomes responde com um romance épico, meticulosamente pesquisado e assente numa galeria de personagens inesquecíveis. Se quiser receber um exemplar e falar com o autor, contacte-me. Obrigada!

ARTES | 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa | GRUPO SAÍDA DE EMERGÊNCIA


Se ainda não tem programa para este fim de semana recomendamos os pavilhões do grupo SAÍDA DE EMERGÊNCIA onde poderão encontrar um programa repleto de boas ideias. Deixamos aqui algumas ideias para os próximos dias 03 e 04 de Junho.



OPINIÃO | Livros que nos fazem água na boca | MARGARIDA VERÍSSIMO


Pelo título que escolhi poderia parecer que falo de livros de culinária, daqueles cheios de receitas e principalmente fotos de deliciosas e suculentas iguarias, doces ou salgadas, daqueles que nos dão uma vontade enorme de ir a correr saciar uma fome repentina…e que nos fazem meter à boca o primeiro alimento que se atravessar no nosso caminho.

Mas não. Os livros podem (e devem) despertar os nossos sentidos, as nossas emoções. Adquiri um gosto especial por livros que me despertam os sentidos do paladar e do olfato. Livros cuja história e personagens se envolvem de cheiros, sabores, em confeções de refeições, de aromas. Por vezes as descrições são tão pormenorizadas e as evocações aos aromas são tão intensas que as nossas papilas gustativas entram em ação reconhecem e sentem de imediato as substâncias descritas. Situações há em que se faz a descrição de aromas ou sabores que não conhecemos totalmente e então entra também em ação a nossa imaginação e já nos estamos a ver como chefes de renome no ato criativo de uma nova iguaria.

O livro que me despertou completamente estes sentidos e que me fez querer persistir na procura de livros que o continuassem a fazer foi “Como água para chocolate” da Laura Esquivel.

Descobri Joanne Harris com “O vinho mágico”. Não, não foi com “chocolate” por incrível que pareça, eu que tanto gosto de chocolate. A autora é mestre no que diz respeito em nos despertar os sentidos do paladar e do olfato e como tal lá vou alternando os seus livros com outros menos sensoriais. Recordo “Cinco quartos de laranja” e “O aroma das especiarias”.

Há alguns livros, sem que tivesse de antemão qualquer referência, que, ou pelo título sugestivo ou pela sua descrição me levaram a que os adquirisse e se revelaram agradáveis surpresas. Deles destaco “Onde crescem limas não nascem laranjas” de Amanda Smyth, “A viagem dos cem passos” de Richard Morais e “Ingredientes para o amor” de Erica Bauermeister.

Mas falar de livros sensoriais e não referir “O perfume” de Patrick Suskind é impensável. “O perfume” é O livro! Como adorei este livro! É simplesmente genial. Quando derretida olho cheia de amor para os meus filhos e penso “Gosto tanto deles que só me apetece trincar” lembro-me logo deste livro….








Autora
Margarida Veríssimo

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ARTES | Dia Internacional da Criança e Feira do Livro de Lisboa





Este ano e pela primeira vez a Feira do Livro de Lisboa tem o seu início no dia Internacional da Criança. 

Conta com um programa variado, vocacionado neste dia para os mais novos e com o apoio das Bibliotecas de Lisboa.

O programa deste primeiro dia tem o seu início às 10h30 e conta com um concerto da Orquestra Tradicional da Casa Pia seguida de uma parada de mascotes, um Mural de ilustrações que ao longo do dia irá sendo colorido com imagens alusivas ao livro e à leitura pelos ilustradores portugueses Paula Galindro, André da Loba e João Rodrigues. 

Serão ainda realizados durante o dia jogos tradicionais e de lógica. Existirá uma oficina de ilustração e outra de reciclagem e contará ainda com a presença do Chapitô, com várias actividades onde o público presente é sempre convidado a participar.

E se ler é um prazer, fazê-lo com o riso das crianças ganha uma nova dimensão.


Autora
Madalena Condado

quarta-feira, 31 de maio de 2017

OPINIÃO | Margarida Veríssimo


A partir da próxima sexta-feira dia 02 de Junho, Margarida Veríssimo começará a sua colaboração semanal com o Jornal Nova Gazeta.





Margarida Veríssimo nasceu em Lisboa há 47 anos. Licenciada em arquitetura deixou Lisboa aos 24 anos para ir morar na aldeia, na casa onde seu pai nasceu em Ansião. Em 1998 muda-se, já casada, para Condeixa onde nascem os seus 2 filhos. Estas mudanças permitiram-lhe a vivência de 3 realidades distintas: viver na cidade, na aldeia e numa vila.

ENTREVISTA | Paulo Costa Gonçalves "...só posso ir longe com este género e com o inspetor Alex se for acompanhado."



Texto e Fotos: Madalena Condado


Para quem ainda não o conhece, Paulo Costa Gonçalves é sociólogo e autor, mas acima de tudo um apaixonado pela vida. Bom companheiro de conversas, costuma descrever-se como um aprendiz, uma espécie de escritor que adora a nossa História colocando-a sempre como fio condutor em todos os seus livros.
Através da sua escrita conhecemos e aprendemos a amar o inspector Alexandre Melo, este investigador que tem a singular capacidade de nos entrar pela imaginação como um pensamento tornando-se num vicio difícil de saciar. Se nos seus anteriores livros começámos a acompanhar as aventuras e desventuras deste homem que aprendemos carinhosamente a tratar por Alex, no “Enigma da Mentira”, voltarmos a sentir-nos novamente catapultados para as suas investigações, acompanhando cada momento como se fosse o último, vibrando com as suas decisões, opondo-nos a algumas delas, mas acabando sempre por nos sentirmos parte integrante daquele mundo enquanto devoramos as suas páginas na ânsia de saber mais. Damos por nós a ler como se um filme se desenrolasse na nossa imaginação e começamos a refrear a nossa leitura quando sentimos que nos aproximamos do seu último capítulo. A verdade é que é difícil resistir à escrita criativa do seu criador.
Por saber que o Paulo vende muito bem em países como a Argentina e o Brasil, perguntei-lhe para quando os seus livros em outros idiomas. Garantiu-me que poderá estar para breve apesar de sentir que a sua escrita acabará por perder muito com as traduções. 
O “Enigma da Mentira”, o terceiro livro de Paulo Costa Gonçalves foi apresentado no passado dia 9 de abril no café literário da Chiado Editora, o local ideal para receber mais uma aventura do nosso inspector, numa sala cheia de leitores ávidos onde a conversa fluiu como é habitual com o Paulo. Ficou ainda no ar a possibilidade de enveredar por outro género literário mantendo sempre o nosso apetite saciado no que diz respeito ao inspector Alex Melo.
Mas nada melhor do que falarmos com ele.

MBC - Para os leitores que ainda não te conheces como te apresentarias?
PCG - Apresentar-me-ia como um autor que passo a passo, neste caso livro a livro, tenta singrar no panorama literário português e num género, o romance policial, onde não existem referências nacionais ao nível da ficção o que leva muitos dos leitores a fazerem comparações com autores internacionais e com uma maior incidência no Dan Brown, talvez pelos acontecimentos históricos que uso para criar os enredos das histórias dos meus livros. Ou seja, como costumo dizer: histórias que se cruzam com a História. Sou ainda alguém que tem consciência do panorama literário nacional, distribuição, etc., e por isso com os pés bem assentes no chão e que estranhamente ou talvez não tem inúmeras encomendas de livros vindas dos quatro cantos do mundo. Em suma, por mais estranho que possa parecer tenho mais encomendas via redes sociais do que o que se vende nas lojas.

MBC - Porquê um inspector Alexandre Melo? Foi uma personagem baseada em alguém que conheças? Talvez um pouco em ti mesmo?
PCG - O inspetor Alexandre Melo, Alex para os amigos, foi pensado um pouco como um género de Hercule Poirot contemporâneo. No entanto enquanto o personagem da Agatha Christie era um detective particular, o meu inspetor é um mero agente da polícia judiciária portuguesa, com vida pessoal e o oposto do super-herói, e conjuga a sua intuição com a ciência forense, não deixando, contudo, de mesmo contra todas as provas por vezes bem fundamentadas na ciência forense de seguir a sua intuição e com isso fazer a diferença. Se há nele um pouco de mim? Sim, penso que sim, mas também um pouco de cada um de nós. No meu caso e sendo sociólogo que trabalha muito no terreno e numa contemporaneidade em constante mutação há alturas em que também tenho que sair das ditas “conchas teóricas” onde assenta muita da investigação sociológica para uma melhor obtenção de resultados. No de todos nós, porque o Alex é um homem normal, inspetor da polícia que tem uma vida normal com amores e desamores como qualquer comum mortal com quem nos podemos cruzar na rua, assim como todos os personagens dos meus livros. 


MBC - Fala-nos um pouco do teu processo criativo. O que te inspira, qual o segredo para manteres os teus leitores agarrados à leitura sempre com receio de que a estória tenha um fim.
PCG - Desde criança que sempre gostei muito de ler e as minhas leituras também desde cedo foram transversais a todos os géneros literários, contudo houve sempre alguma preferência pela História e pelos policiais. A História pelo conhecimento mais dos acontecimentos e o que influenciaram o percurso da humanidade e menos do herói, e os policiais pelo entretenimento de horas bem passadas. Digamos que é um misto disso que tento passar nos meus livros. Isto é, dar a conhecer alguns acontecimentos históricos e praticamente desconhecidos de todos e depois o entretenimento de um enredo policial com base nesses mesmos acontecimentos. Por exemplo, em O Herdeiro de Antioquia, e a sequela. Sob estranhos céus, a base foi a conquista da cidade de Antioquia em 1098, durante a primeira cruzada e o que aconteceu e que por muito que não se queira acreditar aconteceu. Já no recente Enigma da Mentira a base é um documento que relata uma incursão viking em 1015 na zona onde se situava e ainda se situa a cidade do Porto e a história de um lavrador que viu as suas três filhas serem raptadas pelos invasores e tudo o que ele passou para as resgatar. Depois pego nesses acontecimentos e em descendentes contemporâneos de quem os viveu e crio uma história onde esses descendentes fazendo uso dos mais diversificados ardis tentam tirar benefícios próprios. Acontece que como tento escrever sobretudo histórias que sejam de fácil leitura e para entretenimentos dos leitores e onde eles passem umas horas, digamos desligados dos problemas da vida, os livros acabam por ter um ritmo que muitos consideram algo cinematográfico. Inclusive muitos dos feedbacks dos leitores sublinham, por um lado, precisamente isso e a sensação que têm de estar a ver um filme e até se esquecerem das horas, de trocarem de transportes ou passarem a noite em branco embrenhados na leitura e, por outro lado, confidenciam que por vezes têm a sensação que conhecem aquele personagem, que têm a ideia de já se terem cruzado com ele na rua, etc.    

MBC - Planos para um futuro próximo. Podes garantir-nos que independentemente de enveredares por outros géneros de escrita continuaremos a vibrar com as fantásticas aventuras do inspector Melo?
PCG - Sim, as histórias do inspetor Alex que se cruzam com a História são para continuar enquanto os leitores assim o desejarem e existam editoras dispostas a apostar, porque como disse anteriormente trata-se de um género sem referencial nacional e pelo que julgo saber existem apenas dois ou três autores, pelo menos com o seu nome real e sem disfarces de pseudónimos anglo-saxónicos, a tentar singrar neste género, inclusive no passado Dinis Machado com o pseudónimo de Dennis McShade também fez algumas incursões no género mas sem grande sucesso. O que quero dizer é que como diz um proverbio africano: se queres ir depressa vai sozinho, mas se quiseres ir longe vai acompanhado. No fundo é isso, só posso ir longe com este género e com o inspetor Alex se for acompanhado tanto pelos leitores, como pelas editoras que queiram apostar num “terreno ainda virgem”. No entanto gostava também de abordar um outro género que embora tenha já o enredo na cabeça e algumas coisas no papel ainda não consegui fazer a abordagem que realmente me satisfaça. Não é um género fácil e tem alguma complexidade porque é algo relacionado com segundas oportunidades que nos podem ser proporcionadas após a morte.


MBC - O próximo passo lógico para quem já leu os livros seria uma série televisiva. Podes adiantar-nos algo acerca disso?
PCG - Bem… é algo que não desdenharia até porque como já referi os leitores referem-se aos meus livros como: terem a sensação de estar a ver um filme. Apenas posso dizer que após o lançamento de O Herdeiro de Antioquia houve alguém bem conhecido no panorama televisivo e das novelas que, após ter lido o livro, me contactou e questionou a minha opinião sobre o assunto, mas foi algo que não passou disso mesmo, de uma mera abordagem, talvez prematura ou talvez como uma ideia de futuro. Honestamente não sei porque a coisa ficou por ali mesmo e já se passaram dois anos.