terça-feira, 13 de junho de 2017
LITERATURA | Juva Batella | NUVEM DE TINTA
O autor
brasileiro Juva Batella estará em Lisboa de 16 de Junho a 2 de Julho, para
apresentar o romance juvenil A Língua de Fora
Juva Batella nasceu em 1970, falou a primeira
palavra em 1972, escreveu o primeiro caderno de caligrafia em 1976 e aprendeu a
andar de bicicleta em 1980. Depois cresceu a sério e estudou. Fez um
Doutoramento no Rio de Janeiro e um Pós-Doutoramento em Lisboa. Publicou vários
livros no Brasil e, em 2009, publicou em Portugal, o seu romance O verso da língua. A língua de fora foi selecionado para o PNBE 2013 (Programa
Nacional Biblioteca da Escola). Morou em Portugal por nove anos e voltou a
morar no Brasil, onde trabalha na Rede Globo.
Era uma vez,
num reino longínquo, um rei tirano, uma princesa prisioneira e um jovem
revolucionário.
À partida,
este parece um romance como tantos outros. No entanto, quando a princesa
prisioneira é a Língua Portuguesa, o rei tirano é o Verbo e o jovem
revolucionário é o Tom Coloquial, é legítimo desconfiarmos de que esta não é
uma história de encantar vulgar. No Reino das Palavras Contadas, a luta pela
libertação da língua e pela liberdade de expressão é real – e literal! Pelo
meio — como em todas as histórias —, nasce uma paixão eterna, rebenta uma
guerra civil e decide-se o futuro de um idioma.
Se tens
dificuldade em perceber o quem é quem da gramática portuguesa,
distinguir as Gírias das Metáforas, o Purismo do Preciosismo e o Pleonasmo do
Eufemismo, depois de leres A Língua de Fora tudo te parecerá,
pleonástica e metaforicamente, claro como água.
Esta fábula
sobre a formação e a evolução da língua portuguesa prende-nos à leitura, desde
a primeira página, pela insuperável originalidade e pelo insólito humor do
texto. Porém, mais do que isso, mostra-nos a importância da resistência à
opressão; mostra-nos o valor de todas as formas de liberdade; o valor da união.
Esta narrativa é uma lição — gramatical e de vida — de que nunca mais irás
esquecer.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
OPINIÃO | ANA EMAUZ
A partir da próxima semana, Ana Emauz começará a sua colaboração semanal com o Jornal Nova Gazeta.
Licenciada em Biologia, Mestrado em
Ecologia e Conservação pela universidade de East Anglia, Reino Unido.
Doutoramento em Psicologia (ISCTE) sobre a relação da empatia entre humanos e
outros animais.
É uma das fundadoras da associação sem
fins lucrativos GARRA selvagem, a qual tem como objetivo criar o primeiro
santuário para animais selvagens e exóticos em Portugal. Trabalha atualmente na
área de comportamento e treino canino.
Mãe de três, vive na serra da Arrábida
rodeada do que mais gosta, a família, os seus animais e a natureza.
sábado, 10 de junho de 2017
OPINIÃO | O sofrimento pode medir-se? | ANA KANDSMAR
Ainda ontem, depois de mais uma visita aos meus pais,
comentava com o meu filho como uma boa dose de desumanização ou inconsciência
sobre o valor real da vida, sobretudo da vida daqueles que amamos, nos pode
ajudar a manter-nos à superfície dos “tsunamis” que nos apanham quase sempre
desprevenidos.
Revi uma mulher, vizinha já de certa idade, que deu à luz uma
prole que só as mulheres de antigamente ousavam dar. 11 filhos. Apenas 4 deles
estão vivos. Todos os outros deixaram esta vida cedo demais, a maioria ainda
bebés que não tiveram tempo para assistir às vagas de terror que hoje varrem o
mundo. Foram eles os baldões gigantescos de desgosto e sofrimento, para a
mulher que os gerou e pariu. Agora, quando vejo a Alice a rir-se de tudo e de
nada, quando a ouço gargalhar, mostrando sem pudor a boca desdentada, entregue
às piadas rasas e vazias que a enchem de um alegre frenesim, pergunto-me se ela
alguma vez amou os seus filhos, os seus filhos mortos, porque eu, -penso para
os meus botões - se fosse eu a viver tamanhas desgraças enlouqueceria e ficaria
para sempre e irremediavelmente infeliz e demente, como uma casca de noz à
deriva.
A Europa tem perdido muitos dos seus filhos nos últimos
tempos. A Europa tem-se perdido nos últimos tempos e os europeus sentem-se como
cascas de noz à deriva. E se nos sentimos assim, é porque ainda mantemos viva
essa tal consciência do valor real da vida. E isso não nos facilita em nada a
tarefa de nos mantermos à superfície quando apanhados pelas enxurradas da
desgraça.
Se pudéssemos medir o sofrimento, eu diria que existem - na
minha particular concepção do sofrimento humano -, dois tipos do mesmo. O
grande sofrimento, aquele que vem de rompante, quando menos o esperamos e nos
obriga a reavaliar tudo e a observar a vida sobre novas perspectivas e o pequeno,
mas constante sofrimento, que nos corrói diariamente como uma moinha, uma dor
crónica que nos acompanha sempre e à qual nos acostumamos. Neste segundo grupo,
estamos em certa medida, todos incluídos. Nós que com a frequência com que
comemos, bebemos e dormimos, também nos lastimamos de tudo e mais alguma coisa:
O emprego que vai mal, o chefe que é exigente, o patrão que não paga, o
dinheiro que é escasso, as contas que não param de aumentar, os sonhos que
todos os dias adiamos por mais um dia, mais um mês, mais um ano. Mas há o grupo
dos outros. Daqueles que volta e meia têm a vida “virada de pernas para o ar”
de forma violenta, inesperada, arbitrária. Este é o sofrimento que a Alice não
conhece, porque apesar de ter sofrido as maiores perdas - os próprios filhos-,
a sua vida simples e unívoca tendo como único foco o sustento para o dia-a-dia,
não mais que isso, nunca a levou a questionar-se ou a revoltar-se com a vida ou
com Deus que tão injustamente lhe tirou tantos descendentes. Ela não tinha
tempo para isso. No dia seguinte era preciso de novo amassar o pão e cuidar de
que o básico, o mais básico, não faltasse aos que, sangues do seu sangue ainda
respiravam neste mundo. Pois que então, na minha particular percepção do
sofrimento humano, entendo que apenas um grande sofrimento tem o poder de nos
regenerar, se não estivermos demasiado distraídos. Porque nos abala com tal
força que nos recicla. Humaniza. Ou re-humaniza. E assim lembro-me da Fénix que
das cinzas volta à vida, renovada.
Espero que não precisemos de passar pelo sofrimento
transformador para nos transformarmos, para deixarmos de ser as “Alices” deste
mundo. Já é tempo de sermos humanos de H grande, despertos e conscientes. As
grandes guerras; os Setembros Negros; os conflitos no Médio Oriente; Faixa de
Gaza; Chernobyl; Madrid; a mortandade em África; Charlie Hebdo; Paris; os botes
do mar Egeu; os pedidos de socorro que nos chegam através do próprio planeta…
Todo o universo conspira para nos exigir essa mudança. Do que estamos à espera
se é da Vida, da nossa Vida que falamos?
Autora
Ana Kandsmar
sexta-feira, 9 de junho de 2017
LITRATURA | Marcello Duarte Mathias | DOM QUIXOTE
Nas livrarias a 13 de Junho
Das cartas de amor de Fernando Pessoa à diplomacia da Geração de 70, dos caminhos de Portugal aos destinos europeus, de Miguel Torga a Arthur Koestler, da arte fotográfica à pessoalíssima evocação de Biarritz, diversos são os temas que preenchem as páginas deste volume de crónicas e ensaios.
Livro que é também – por entre escritores e políticos, a memória de uns e o percurso de outros – um determinado retrato do nosso tempo.
LITERATURA | Maria Teresa Horta | DOM QUIXOTE (Poesia)
Nas livrarias a 13 de Junho
O novo livro de Maria Teresa Horta, Poesis, é uma reflexão sobre a poesia e, também, um retrato poético sobre a vida da própria autora enquanto poetisa, com vários poemas alusivos ao seu percurso pessoal, abordando as dificuldades e as perseguições de que foi alvo enquanto mulher e autora de poesia erótica.
LITERATURA | Paulo M. Morais | CASA DAS LETRAS
Nas livrarias a 13 de Junho
Um médico octogenário, cansado de lutar contra os bichos que imagina devorarem-lhe o corpo, decide que não quer continuar a viver. Metódico e informado, prepara a sua morte: ocupa um quarto da casa, comunica à família as suas intenções e deixa, pura e simplesmente, de se alimentar.
Apesar do choque inicial que a notícia provoca, um dos netos resolve ajudá-lo a cumprir a sua última vontade. Visita-o diariamente, e as horas que passam juntos a rememorar o passado e a conversar sobre os tempos que se aproximam constituem uma terna despedida, uma espécie de luto pacificado.
Mas eis que, numa reviravolta inesperada, o médico acorda um dia com uma súbita vontade de viver… E essa atitude intempestiva, em lugar de representar um alívio, abala a já conquistada serenidade, dando lugar a uma convulsão em que mesmo o afeto é posto em causa.
Num momento em que a eutanásia e a qualidade de vida dos mais velhos estão na ordem do dia, o autor constrói neste romance uma narrativa fulgurante que nos leva a pensar como a família – e a sociedade – se deve estruturar para lidar com a morte próxima de um dos seus elementos.
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