sábado, 24 de junho de 2017
OPINIÃO | O Azar de Pedrogão | ANA KANDSMAR
Azar? Talvez. Incúria? De certeza!
Ninguém que eu conheço está disposto a pagar salários a um
funcionário/colaborador/ trabalhador, caso este não desempenhe as suas funções
com rigor e competência. Todavia, no que toca a governantes pagos por todos
nós, desfazemo-nos em cortesias, salamaleques, vénias práqui e prácoli, façam
eles a merda que fizerem. Desde presidentes de juntas, de câmaras, da
república, ministros e deputados, tudo gentinha paga do nosso bolso, gentinha
que ocupa cargos para nos servirem, servem-se descaradamente das posições que
lhes confiamos, e a nossa voz em uníssono, "Sim, Sr. Doutor, sim Sr.
Presidente, sim Sr. Ministro."
Respeitinho! Estudaram, são importantes, usam fatinho e
gravata, falam bem, sorriem, distribuem beijinhos e abraços, arvoram-se de
cultos e sapientes, a última bolachinha do pacote e o povo elege-os. Mas elege
para quê? Para salvarem bancos enquanto a saúde, a educação e os meios
operacionais de socorro sofrem cortes? Os bombeiros que vão de comboio, os
bombeiros que arrisquem a vida com mangueirinhas, os bombeiros que se lixem?
Onde está a planificação florestal? Não sabemos já os
malefícios de tanto pinheiro e eucalipto?
Onde está a mão pesada sobre os infractores, os incendiários,
os proprietários (incluindo o próprio Estado) que não limpam as matas? Onde
está a inclusão da Força Aérea no combate aos incêndios?
Todos os anos falamos
disto. Todos os anos se repete isto. E todos os anos é mais do mesmo. Os
doutores que nós elegemos, os doutores que se tornam presidentes de freguesias,
de municípios, de países, os que ministram, os que legislam, não são mais
importantes que nós. São pagos por nós!
Somos nós que lhes pagamos as gravatas
com que se pavoneiam nas ruas, os almoços, as jantaradas, as viagens e os
pópós. É do nosso bolso que sai o charuto do Sr. Costa e as peúgas que ele
calça. Não me lixem! Neste preciso momento há 64 mortos confirmados em Pedrógão
Grande! 64! E os números ainda podem subir porque dos 200 feridos vários estão
em estado crítico! O momento é de dor mas também de pedir responsabilidades!
Pedir, não! Exigir! Não ganhou a Seleção Nacional, não ganhámos a Eurovisão,
mas perdemos a nossa gente! E perder, principalmente quando são vidas que
perdemos, é um motivo ainda maior para sair à rua do que quando se ganha
qualquer coisa.
Sem cortesias, sem
vénias, sem salamaleques! Não há governante que mereça o nosso respeito quando
pela sua mão morrem filhos de Portugal!
Autora
Ana Kandsmar
sexta-feira, 23 de junho de 2017
LITERATURA | Bela Gil | CASA DAS LETRAS
Nas Livrarias a 27 de Junho
Através de Bela Cozinha, a autora brasileira Bela Gil, filha do cantor Gilberto Gil, dá a conhecer uma visão mais ampla da alimentação saudável e mostra às pessoas que a escolha da nossa comida tem impacto no mundo de diversas maneiras. Bela Gil considera que a comida e o acto de cozinhar são ferramentas políticas, económicas, sociais e ambientais de saúde. Por isso, defende que devemos escolher bem o que comemos e oferecemos à nossa família.
Um livro onde são apresentados pratos muito saborosos e confeccionados com ingredientes saudáveis que irão beneficiar a nossa saúde e o planeta.
Na sua maioria, as receitas deste livro são baseadas em frutos, legumes e verduras, sempre frescos, naturais e livres de pesticidas. São pratos versáteis e práticos, para serem servidos tanto no dia a dia como em ocasiões especiais.
Bela Gil estará em Lisboa, em finais de Junho, para promover este seu livro que, só no Brasil, vendeu mais de 100 mil exemplares.
OPINIÃO | PO.RO.S | MARGARIDA VERÍSSIMO
A animação da conversa abafava os
sons do frenesim da cidade naquele fim de tarde de junho.
A frescura do jardim interior,
com os lagos ajardinados e repuxos, amenizava o calor sufocante que ainda se
fazia sentir apesar de se aproximar a hora da ceia. As cortinas vermelhas abertas,
permitindo que aquela divisão se enchesse dos aromas do início de verão e da
frescura do jardim interior, permaneciam imóveis tal a total ausência de brisa.
No escritório os homens discutiam assuntos relacionados com as suas
propriedades rurais e, enquanto esperavam que os servos servissem a ceia,
saboreavam o tão afamado vinho do senhor da casa. Um néctar digno dos deuses,
de facto. O pão embebido em azeite aromatizado com ervas apaziguava os
estômagos lânguidos.
Lá fora, no peristilo, as
crianças brincavam com as suas pedrinhas coloridas e iniciavam-se em jogos de
estratégia, observadas pelas orgulhosas mães, que alternavam elogios às suas
crias com comentários dissimulados de cobiça relativamente às joias que tão
orgulhosamente exibia a matrona recém-chegada à cidade…
Esta poderia ter sido uma
qualquer cena da vida quotidiana de Conímbriga no ano 77.d.c, mas é apenas uma
das cenas que recriei na minha imaginação quando, este domingo, visitei com os
meus filhos o museu PO.RO.S.
A missão de nos reportar para estes espaços,
para estas vivências, para este tempo, está agora mais eficaz com a abertura do
novo museu em Condeixa-a-Nova, o PO.RO.S – Portugal Romano em Sicó. Este espaço
museológico funciona em articulação com as ruínas e o museu de Conímbriga, um
dos maiores sítios arqueológicos do país, em Condeixa-a-Velha.
O museu PO.RO.S ocupa a antiga
casa da Quinta de S. Tomé em Condeixa-a-Nova e, para além do espaço museológico,
contempla ainda uma sala para exposições temporárias, um auditório, uma sala de
oficinas criativas, uma cafetaria com a agradável vista para o parque verde e
ribeira de Bruscos e ainda um amplo pátio que permite eventos e espetáculos ao
ar livre.
O museu é interativo, é dinâmico,
é moderno e ajuda-nos a apreender tudo o que na escola aprendemos sobre a
civilização romana e a romanização. A viagem à época dos romanos começa no
túnel do tempo em que, através de acontecimentos e sons, vamos regredindo nos
séculos. Depois temos filmes, maquetas, vídeos interativos, objetos, réplicas
que nos permitem sentir as texturas das suas esculturas, dos mosaicos, da
escrita na pedra….do peso das armas. Recordamos a arte, a cultura, o engenho e
a construção das cidades, a política e a religião, a agricultura e o comércio,
as legiões e a astúcia militar. Somos confrontados com a grandiosidade do
império, com a sua influência na região e passamos ao pormenor de espreitar (literalmente)
a sua vida privada.
Autora
Margarida Veríssimo
quinta-feira, 22 de junho de 2017
CRÓNICA | Pedrógão Grande - Memórias coladas à pele | FERNANDA PALMEIRA
Texto e Fotos : Fernanda Palmeira
Direitos Reservados
Num primeiro impacto visual uma nuvem da cor do fogo, um denso capacete de fumo, quase palpável. Visibilidade a média distância quase nula. O cenário habitual de qualquer incêndio ativo. Uma experiência, uma vez mais, repetida.
Paramos para fotografar um foco ativo, logo ali, a poucos metros, e tomar algumas notas, com o alerta veemente de zona de risco e o pedido de curta permanência.
No caminho poucas são as árvores que sobreviveram ao fogo, há casas e barracos queimados, mas muitos resistiram de forma inexplicável e estão intactos no meio da destruição.
À medida que avançamos algo de diferente, a cada 5, 10 metros, um carro, um camião, uma alfaia agrícola, completamente queimados. Um verdadeiro cenário de catástrofe.
Placas toponímicas quase irreconhecíveis. Não fosse dar-se o caso de conhecer as localidades e não saberia onde estávamos. Chegamos à primeira aldeia e parece que o fogo resolveu dar tréguas à sua porta. Um carro completamente destruído quase se cola às casas intactas. As gentes estão na rua, ainda incrédulas.
Quando abrimos a porta do nosso carro o impacto do calor e, sobretudo, o ar denso e quase irrespirável, e o cheiro, o intenso cheiro a fumo que se entranha pelas narinas e se cola à pele, ao cabelo, à roupa, e que há-de perdurar muito para além do espaço. Colado à memória olfativa.
O olhar perde-se na destruição, instala-se um peso no peito, árvores, carros, histórias de mortes mesmo ao nosso lado, de alguém que ficou ali. Mostram-nos os locais onde alguém foi encontrado, no chão, no carro. O peso das histórias a gravar-se na nossa mente, no nosso coração, para sempre na nossa memória. Os rostos contraídos de quem nos fala, o semblante carregado.
E, no meio de tudo, e apesar de tudo, e, num rasgo de puro egoísmo, um sobressalto no meu coração ao ver um primo e depois outro. Sobreviventes, todos. E algum sentimento de culpa, um porquê o outro e não eu… um porquê outras famílias e não a minha. E a consciência de ter uma família fortemente implantada na região que passou incólume pela catástrofe.
Perdas materiais e animais, não há quem as não tenha. Desvalorizadas, todas, por cruel que possa ser, porque afinal, entre parentes e amigos se perdeu, para sempre, alguém.
Seguimos rumo aos sobreviventes, são essas as histórias que queremos ouvir. Gente resiliente que se há-de reerguer como fénix. É essa a grande diferença que sinto e vivencio ao acompanhar jornalistas de outras latitudes.
Prosseguimos por entre o ambiente espesso que nos rodeia com alma de jornalista, em busca do facto, recalcando as emoções. É por isso e para isso que lá estamos. É essa a frieza que nos é exigida. O distanciamento possível. Entre árvores queimadas, carros, casas, no verdadeiro inferno.
No caminho muitos rostos se cruzam com os nossos já sem curiosidade perante estranhos, afinal são, neste momento, mais os forasteiros jornalistas que os habitantes, numa proporção nunca vista. O atropelo entre pares, a visão necrófila, a devassa, é algo que não move a equipa em que me integro. Agradeço.
Já vivi esta história neste local e mais a sul, não com esta gravidade, única, espero irrepetível, mas já estive frente a frente com o fogo mais de uma vez, num medir de forças desigual, e também eu fugi, exatamente do mesmo modo que os que desta vez foram por ele cercados. Porquê eles e não eu será sempre algo para que não terei resposta.
O meu agradecimento vai inteiro para o Dagen Nyheter porque o “bicho” jornalista é imortal, porque ir à terra onde está o meu cordão umbilical neste momento era vital, porque saber/ver dos ‘meus’ era essencial.
_____________________
Nota de redacção: Fernanda Palmeira é Licenciada em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, foi Jornalista e trabalhou em Assessoria de Imprensa. Leitora ávida, encontra-se associada a projectos de divulgação Literária de que é exemplo a Roda dos Livros e integrará, de ora em diante, a equipa de colaboradores do Jornal Nova Gazeta, como colunista. A crónica que hoje publicamos foi originalmente publicada pela autora no seu blogue pessoal Ir à Lua e Voltar sob o título " Crónica de Uma Ida ao Hades".
Esta publicação é feita em sentida homenagem às vítimas da Tragédia de Pedrógão Grande, e ninguèm melhor para lhes dar vós do que uma conterrânea.
OPINÃO | Filosofar | MAFALDA PASCOAL
Sabiam
que nós viemos trazer Amor ao Mundo?!
Pois
é!
Num
mundo onde todos procuram quem os possa entender.
Onde
todos procuram quem lhes dê amor.
Onde
todos procuram encontrar a sua cara metade...
E
se todos nós invertermos esses paradigmas?!
Em
vez de procurar quem nos entenda, irmos em busca de quem se sente só, e
mostrar-lhe que dentro dele/a encontra tudo o que necessita...
Em
vez de procurar amor, espalharmos Amor por todos os cantos, mostrarmos que
temos um Amor infinito a brotar do nosso coração...
É
que, à força de sentirmos tanto Amor, inevitavelmente atraímos o Amor
verdadeiro...à força de tanto amar tudo se transforma em paz, Amor fraternal,
equilíbrio...
Este
nosso belo planeta em tons turquesa, que nos abriga e alimenta, é o exemplo
para qualquer um de nós...ao longo dos séculos temos vindo a maltratá-lo...mas
ele continua a dar-nos o fruto, a alimentação, a água... por isso, não podemos
desistir, porque é tarefa do ser humano mostrar que não é mal agradecido, não
importa quão difícil é espalhar Amor, o que importa é o Amor que sentimos no
auxílio, na compaixão, na humildade de Ser... a terra tem um Amor infinito pelo
Ser humano...seria bom para todos nós, que cada um se interiorizasse e
reconhecesse todas as capacidades inerentes a si próprio...
Já
repararam como os animais também evoluíram?!
Podemos
observar, nas redes sociais, os pequenos filmes que são partilhados onde se vêm
cães e gatos a brincarem com aves... animais que salvam outros animais...eles
estão a dar-nos o exemplo...
Porque
é que o ser humano teima em construir cidades e destruir cidades?! Porque é que
o ser humano teima em ignorar a sua essência tão cristalina?! Porque é que o
ser humano teima em ignorar que tudo faz parte do mesmo e tudo se encaixa!
Autora
Mafalda Pascoal
quarta-feira, 21 de junho de 2017
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