sábado, 15 de julho de 2017

OPINIÃO | Duas coisas que ninguém nos obriga a ser: Hipócritas e Bestas | ANA KANDSMAR

Lembro-me de ter visto na televisão um programa em que uma gralha, equilibrada no braço de um semáforo que atravessava a via rápida, num momento calculado, deixa cair no asfalto uma noz que tem no bico e vê-a ser esmagada pelo pneu de um carro que passa. Depois, num ruminar estratégico digno de um Júlio César às portas da Gália, a gralha espera que o sinal fique vermelho e mergulha em voo picado para o chão, recolhendo apressadamente os bocados esmagados da noz.

Recordo-me de uma outra que, em cativeiro olha com olhos de ver um tubo de vidro estreito em cujo interior é colocado um cesto pequenino com comida. O cesto tem asa e tudo. Em cima do tubo, na horizontal, está um arame fino e direito com cerca de vinte centímetros.

A gralha olha para aquilo e pensa, imagina, coloca hipóteses… Primeiro, pega no arame com o bico e introdu-lo certeiro no tubo, mas não consegue sacar o cesto. Tira o arame, pensa mais um bocadinho, voa com ele no bico até ao poleiro, preso a uma parede com fissuras, e enfia-o num pequeno orifício. Empurra-o com o bico até lhe curvar a ponta em forma de anzol, retira-o, voa de novo até ao tubo, espeta com o arame por ali adentro e engancha a parte retorcida na pega do cesto, puxando-o para cima. Come o que estava lá dentro, regala-se de se ver tão esperta.

Enquanto engulo mais uma garfada de bife do lombo, recordo os chimpanzés, capazes de interiorizar um léxico superior a sete mil palavras e que, carregando nas letras de uma máquina, compõem frases como: eu quero água (assim mesmo, com sujeito, predicado e complemento directo), gosto de ti ou estou triste.

Sim, esses mesmos chimpanzés, que encarceramos nos zoos para gáudio das nossas criancinhas, e que embalam os seus bebés, atrás das grades, como nós as embalamos a elas (parecendo, até, que também lhes cantam ao ouvido). E as formigas? Que, em África, constroem formigueiros gigantes dotados de sistemas de ar condicionado, cuja sofisticação é digna de um open space no centro de Manhattan? E a cadela da minha amiga Vera? Uma pequinois gentil que um dia se travou de amores por uma ninhada de gatinhos órfãos com empenho tal que ela, que nunca havia sido mãe, encheu as maminhas de leite e alimentou-os a todos até lhe terem o dobro do tamanho.

Ainda hoje, quando brigam com o outro cão lá da casa, preto e grande, ela atira-se-lhe ao focinho até que ele, esparvoado com tamanho arrojo, desiste dos seus intuitos trucidantes e mastigadores. E lá acaba a lamber os gatos, como uma mãe que seca as lágrimas do filho com as costas da mão e lhe sussurra "pronto, pronto, já passou". Ok, ok, nunca vi um porco a andar de bicicleta, mas já vi um polvo a desatarrachar um frasco com os tentáculos e a abrir a fechadura de uma porta de entre várias, aprendendo que era aquela que lhe permitiria sair (ou entrar). E bastou-lhe uma única vez, sem estímulos repetidos ou qualquer outro engodo pavloviano, uma única vez, caraças! E o bicho ficou a saber para sempre qual era o caminho da liberdade.

E aquele mistério dos elefantes, que vão todos morrer ao mesmo sítio, e o das baleias, que se suicidam aos molhos de encontro à praia, e o dos golfinhos, que derramam ternura sobre crianças doentes e as ajudam à cura, sem nada pedirem em troca?

Por tudo isto, lamento não me conseguir livrar do pé para a mão de tantos milénios de escravidão à voragem carnívora que os antepassados me inscreveram no ADN, e de me vergar amiúde, ao peso de uma gula que me deixa à mercê de um bom bife do lombo com molho à café.

Às vezes, no entanto, sou atacada pela calada da noite por estertores franciscanos e dou por mim a pensar que isto de comer animais mortos que são quase meus irmãos e que de mim diferem, apenas, por milionésimos de ADN, é assim como que uma espécie de canibalismo e que, para além de os comer, ainda os destrato com aquela sobranceria própria dos humanos, o que não está nada bem.

O prólogo é sempre o mesmo: determinada, a cada ataque sorrateiro de culpa, acabo na fila de um qualquer restaurante vegetariano e finjo proveito, embora quase vomite com a consistência espumosa do tofu e do seitan. Ao fim de uma semana de jejum vegetariano a experimentar todas as receitas de massa e batata com courgettes que me aparecem nas revistas femininas, começo a ter sonhos eróticos com bifinhos de perú e bitoques, de preferência com ovo a cavalo. Não sem deixar de admirar profundamente quem o consegue, diga-se. Acho, aliás, que um vegan convicto se encontra num estádio superior da existência: mais perto da perfeição, de Deus ou seja lá do que for que represente aquele todo místico em que eu própria acredito. Mas eu por aqui continuo, no meu limbo moral privado, resignando-me à ideia de, na reencarnação seguinte, vir a este mundo sob a forma de uma aranha peluda, nojenta e potencialmente espezinhável logo na primeira semana de vida.

Não obstante esta fraqueza assumida, intuo facilmente que somos todos muito estúpidos e que, se não conseguimos deixar de os fazer sofrer para nosso prazer (nos matadouros, nas touradas, na caça, no circo), ao menos que não estejamos tão contentes com a nossa presunçosa superioridade no pódium da cadeia alimentar e tão convencidos de que somos muito mais espertinhos do que eles, os animais, essas bestas irracionais que sobreviveram ao dilúvio na arca flutuante de um velho lunático, apenas para se reproduzirem e nos servirem.

Quando se fala de defender animais, defender os seus direitos, não significa que estamos a tentar dar-lhes direitos de cidadania. Apenas e só, quem defende o seu direito à vida, defende apenas isso: O seu direito à vida. Não se entende por isso, que todos passemos a ser vegetarianos e que não os possamos matar para consumo. Apenas que, aos animais criados para consumo seja dada a dignidade de uma existência pacífica e digna e na morte lhes seja dado um fim, o mais indolor possível. A isto chama-se respeito por seres que, não sendo iguais a nós, não são também inferiores. São apenas diferentes. A nossa pretensa “superioridade” devia permitir-nos perceber isso.

Um porco consegue memorizar entre 500 a 600 palavras e entender os seus significados. Tem um ADN muito idêntico ao dos humanos e imaginem, se o porco aprendesse a verbalizar como nós, poderíamos com as suas 500 palavras, conversar com ele. Claro que todas as limitações do porco o impedem de dialogar com os humanos. Mas nós também nada sabemos dos seus roncos, ou o que significam, nem tão pouco aprendemos a sua forma de comunicar. E somos “superiores”. Outra coisa que sabemos: Somos 7 mil milhões de humanos no planeta. Conseguiríamos alimentos se abdicássemos todos de consumir carne? Não creio. Com tantas bocas para alimentar será viável, desistir da criação de animais em bloco, compactada em espaços infernalmente exíguos? Talvez isso não seja possível. Pelo menos para já.

Se eu pensar que nos aviários os frangos nascem e morrem sempre na mesma posição, sem qualquer hipótese de se movimentarem 1metro que seja, durante toda a sua vida, e que, para que eles se mantenham imóveis e não constituam ameaça para os seus pares, lhes são cortados os bicos e as patas (em vida) … Que aos patos lhes são enfiados tubos pelas goelas abaixo, e que assim passam toda a sua existência sobre este planeta, sendo incessantemente alimentados, para depois da morte, se transformarem em foie gras, que as vaquinhas que nos dão a carne e o leite vivem da mesma forma, toda a sua vida em espaços exíguos, sem o vislumbre de um raio de sol, ou relva fresca…bem… nós somos umas bestas. Mas esta bestialidade justifica-se infelizmente pela necessidade de alimentar 7 mil milhões de bocas.

.Mas não justifica a crueldade com que tratamos os animais noutras circunstâncias. Arrepia-me a festa em que se celebra a perícia de um cavaleiro, espetando farpas no lombo de um animal, que antes disso já foi electrocutado nos testículos, (não importa se o animal é um bovino preto, um touro bravo, um crocodilo ou uma toupeira), é estúpido! Se o objectivo maior do sofrimento que infligimos seja a quem for, é o nosso prazer imediato e não uma necessidade, é estúpido! Ontem mesmo recebi uma mensagem de alguém que dizia: “ Você nem sequer sabe o que é um touro bravo!” Apeteceu-me mandá-lo catar-se! Defendam os senhores da tauromaquia, a sua arte, da forma que entenderem. Mas não digam que um touro bravo é uma raça distinta optimizada para sofrer na arena, geneticamente modificada para não sentir dor! Nem tão pouco digam que hoje ainda é aceitável que se torturem animais gratuitamente, porque a actividade faz parte das tradições ou da cultura de um povo. Ao longo da nossa história, o homem bem ou mal, tem evoluído no sentido de perceber que o que já não nos serve deve ser mandado fora. É esta a luta dos que condenam as touradas. Queremos apenas que se comece finalmente a perceber que há que separar o trigo do joio. Sermos bestas por necessidade, é um mal, mas é um mal menor. O mal maior é sem dúvida, sermos bestas por hedonismo.


Porque (quem sabe?) talvez os touros, sejam eles quais forem, temam as multidões e aterrorizados tentem defender-se como podem da perseguição do cavalo, das farpas e do barulho ensurdecedor à sua volta, (levando por vezes à morte, cavaleiros e forcados). Talvez as preguiças gostem de sexo tântrico e por isso demorem horas a assegurar a sua descendência; e talvez os leões, bichos gregários por natureza, tenham problemas com a sogra e já não a possam ver à frente; e os ursos, quando hibernam, sofram de claustrofobia e depois tenham pesadelos; e os pinguins, todos iguais e aos milhões, tenham crises de identidade; e os salmões, tenham tendências depressivo-suicidas e por isso venham morrer rio acima; e as baleias, saibam de facto cantar, e algumas de entre elas sejam prima donnas com direito a privilégios especiais de diva e a camarote individual; e as coelhas só tenham orgasmos múltiplos e por isso fodam tanto; e os gatos sintam um profundo desprezo pelos humanos e por isso não os olhem quando eles os chamam; e as formigas não gostem de estar sozinhas; e as toupeiras sofram de agorafobia; e os cães se comportem como groupies à beira da histeria porque nos adoram, e quando crescerem querem ser como nós, as pessoas, os seus maravilhosos donos. Quem pode garantir que não seja assim? Quem? Talvez que o universo em que se move esta Terra onde nos encontramos mais não seja do que um grão de poeira reflectido na retina de um grilo e, este, um habitante microscópico de um outro planeta, em órbita numa galáxia diferente e encaixada num universo muito maior. Portanto, "bora" aí apanhar do chão um bocadinho de humildade, dessa que anda por aí espalhada, que todos espezinham e ninguém quer, assumir a nossa ignorância no que respeita a esta merda toda e ter algum respeitinho, designadamente, pelo grilo.

   Ana Kandsmar

sexta-feira, 14 de julho de 2017

OPINIÃO | Cheiros, sabores e teletransporte | MARGARIDA VERÍSSIMO

Adoro o cheiro a éter! O cheiro a éter conforta-me, transmite-me a sensação de segurança, de bem-estar, de alegria, de me sentir amada. O cheiro a éter transporta-me para outros tempos, faz-me viajar até à infância, quando tudo se curava com um abraço... Com um abraço a cheirar a éter. Adoro pegar em bolinhas de algodão embebidas em éter e sentir o seu aroma, sentir aquela tontura que só um amor tão grande nos faz sentir. Adoro recordar o cheiro da minha mãe quando chegava a casa depois de uma manhã de sábado a trabalhar no posto médico...cheirava a mãe...e a éter!

Como já referi noutro texto os cheiros e aromas têm o poder de nos transportar para situações e lugares vividos. Inspiro, fecho os olhos, e volto a estar lá, no passado, naquele momento.

É incrível como ao sentir o cheiro a terra molhada, que é uma situação bastante comum e recorrente, volto a estar com 4 anos nas férias de verão no quintal da casa dos meus tios e primos onde aprendi a andar de bicicleta. Aquele cheiro a chuva de verão! Páro, fecho os olhos por instantes e por instantes volto a sentir as mesmas sensações e emoções dessas férias, acho que até chego a ouvir as vozes dos meus irmãos e dos 8 primos com quem partilhei tantas aventuras.

Curiosamente também o cheiro ao fumo de fogueira me transporta para esses tempos de verão. Foi uma memória que retive muito tempo, uma vez que vivia na cidade e só no verão, quando íamos para casa dos meus tios, sentia esse aroma. Passados tantos anos, agora a viver na província, sinto esse cheiro muitas vezes…é tão bom recordar!

Mas se há cheiro que me transporta e quase teletransporta para essa casa dos meus tios, em Canas de Senhorim, é o cheiro a fraldas sujas! Tiveram 8 filhos, 4 deles mais novos do que eu. Sempre que para lá íamos nas férias de verão ou a minha tia estava grávida ou havia um bebé novo. Como se pode imaginar, era portanto uma casa onde havia sempre, por essa altura, alguém que usava fraldas. Desta forma, a tão caraterística fragrância a fraldas sujas, tornou-se para mim, um cheiro agradável… ou pelo menos um cheiro que me transporta para recordações muito agradáveis!

Mas também há sabores que têm essa fantástica capacidade de teletransporte. Aquela sopa de sabor único, delicioso, que só a nossa avó conseguia fazer e que por mais que tentemos reproduzir a receita nunca conseguimos igualar. Às vezes lá aparece, como que por magia, alguém que o consegue fazer e então lá vamos numa maravilhosa viagem ao passado. Fechamos os olhos, claro, teletransportamo-nos para outro local, noutro tempo, e somos recebidos pelo olhar carinhoso de quem já não está ente nós.


Mas há um sabor que não me transporta para nenhuma época específica da minha vida…porque é um sabor transversal a toda ela. O sabor a chocolate!















Margarida Veríssimo

quinta-feira, 13 de julho de 2017

OPINIÃO | ADN | MAFALDA PASCOAL

Toda a escrita, falada ou mantida num computador, é uma forma codificada de linguagem. A linguagem em que o ADN codifica as instruções para o fabrico de proteínas (o código genético), é extraordinariamente simples. Cada filamento de dupla hélice é uma cadeia de subunidades químicas ligadas, sendo a ordem destas subunidades ao longo do filamento de ADN o que constitui o código genético.

O ADN é o arquivo de informação permanente de uma célula e nunca sai do núcleo. A sua função é armazenar com segurança o plano genético e transmiti-lo sem alterações de célula para célula e de geração em geração.

Uma única célula humana contém 4m de ADN (acido desoxirribonucleico), acondicionados dentro de um núcleo com apenas cinco milionésimos de milímetro de diâmetro. Nesta massa de fios emaranhados está contida toda a informação necessária para produzir um ser humano.

O ADN dirige o desenvolvimento e mantém a vida de um organismo dando instruções às células para fabricarem proteínas, as moléculas versáteis de que toda a vida depende.

O ADN da célula é uma grande biblioteca de comandos codificados: as moléculas longas são arrumadas em cromossomas, nos quais os genes estão organizados como contas num colar.

Visto com um microscópio pouco potente, um cromossoma de uma célula em divisão tem uma forma simples de uma cruz1 que sublinha o modo complexo mas elegante como está «empacotado» o ADN. A ampliação de uma pequena secção2 mostra um filamento de cromatina apertadamente enrolado, constituída por ADN intimamente ligado à proteína.

Uma ampliação maior de um segmento de cromatina3 mostra que é uma espiral apertada de cromómeros, subunidades semelhantes a contas, compostas por um grânulo de proteína envolto pela molécula de ADN4. O grânulo de proteína tem uma carga positiva, que lhe permite ligar-se à molécula de ADN de carga negativa5, com a sua estrutura em dupla hélice. É fundamental para a organização da célula que o ADN esteja condensado. Se não o estivesse, a dupla hélice do ADN ocuparia milhares de vezes mais espaço. Ao arrumar o ADN em feixes compactos, a célula consegue manobrá-lo muito melhor, desenrolando algumas partes quando os genes nelas contidos são necessários.

O crescimento de um organismo, o seu aspecto e o seu funcionamento diário são, em última analise, controlados pelos genes, as instruções biológicas codificadas em cada célula do seu corpo. Os genes conseguem fazer isto através do controlo de tipos e quantidades de proteínas produzidas em cada célula do corpo. São as próprias moléculas de proteínas que formam as estruturas e a mecânica do corpo.

O aspecto e o comportamento final de um organismo são determinados simultaneamente pelos seus genes e por uma variedade impossível de conhecer, de influências exteriores, incluindo a quantidade de comida que come, o clima em que vive e se sofreu de alguma doença ou ferimento, durante o desenvolvimento. Mas só as características directamente determinadas pelos genes podem ser herdadas.

As sementes de alguns alguns alimentos transgénicos, são geneticamente modificadas em laboratório para as plantas poderem resistir às pragas de insectos e a grandes quantidades de pesticidas. Por outro lado, podem causar riscos ambientais, na medida em que as ervas daninhas ficam mais resistentes aos herbicidas, os lençóis de água ficam poluídos com produtos tóxicos advindos dessas modificações e o solo vai perdendo a fertilidade, entre outros riscos. Em relação à saúde também não favorece muito, pois alguns destes alimentos contêm genes que são resistentes aos antibióticos, provocam alterações no sistema imunológico e em vários órgãos vitais, também provoca alergias entre outros sintomas. Seria bom que não consumíssemos alimentos transgénicos pois dessa forma ajudávamos a evitar que fossem plantados e ajudávamos a proteger a saúde e o meio ambiente.

Agora uma boa notícia recente, finalmente foi criada a base de dados portuguesa de perfis de ADN para identificação civil criminal. Esperemos que agora seja um pouco mais fácil apanhar os criminosos, pois o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) está agora apto a recolher a informação genética de todos os condenados por crimes com penas de prisão concreta igual ou superior a três anos de prisão. Desta forma será possível fazer identificações de pessoas desaparecidas e recolher amostras de cadáveres, já que acontecia amiúde cadáveres serem enterrados sem ser possível identificá-los, assim, cruzando os perfis genéticos com os pedidos da polícia ou de famílias de desaparecidos poderá haver menos corpos por identificar e menos crimes por resolver especialmente no caso de crimes que tenham deixado vestígios biológicos como sangue ou esperma. Portanto, sendo “um instrumento essencial à investigação criminal, pelo qual nos vínhamos batendo há vários anos", como disse ao jornal o Público o presidente do INML, Duarte Nuno Vieira, aplaude de pé (e nós também) a criação desta base genética.








Mafalda Pascoal