sábado, 16 de dezembro de 2017

LITERATURA | O Bosque dos Murmúrios | ANITA DOS SANTOS


SINOPSE

“E assim os dias foram-se escoando para o André, até aquela bendita noite em que já se lhe tinham acabado as últimas nozes que tinha encontrado, dos víveres que tinha trazido, já nada restava, e até as pederneiras para fazer a fogueira desapareceram sem ele saber como nem porquê… e agora ali estava ele, noite serrada, enrolado no cobertor com as costas encostadas ao tronco de uma árvore, a barriga aos roncos e a tiritar de frio.
Uma lástima!
E nem um miserável vislumbre do que quer que se assemelhasse a um feérico… Era mesmo falta de sorte…” 

André e Vicente são dois jovens amigos que se propõem ir em auxílio da povoação onde estão a morar.
Não estão lá há muito tempo, mas já são queridos por todos.
Por todos?
Quando o verde começa a desaparecer são os primeiros a procurar encontrar o Senhor dos Bosques, personagem das histórias que os antigos contavam à lareira, e que habita no Bosque dos Murmúrios.
Só ele detém o poder de derrotar o Senhor das Trevas e recuperar o verde.




OPINIÃO | O Espirito de Natal de uma Super-Hiper-Mega-Mãe-Parvalhona | ANA KANDSMAR

Adoro o Natal. Isto das luzes, os brilhos, o quentinho da casa a contrastar com as temperaturas siberianas da rua é consolador. E por isso, mal chegamos a novembro e já andam os miúdos a perguntar quando é que começamos com as decorações que são a melhor forma de celebração do espírito da família, e que as ruas da cidade já piscam por todos os lados… blábláblá…Começamos mal entra dezembro.

Imbuídos daquele espírito maravilhoso de sermos um nichozinho familiar fortificado pelo amor, pela alegria e por outras utopias que tais, toca de enviar o entusiasmo inicial à garagem e mandá-lo trazer as caixas todas para cima. A princípio, a malta ajuda e participa: pega daqui, escorrega dali, empurra dacolá, se preciso for até ao infinito e mais além. Ao entrarmos em casa, já estamos mais mortos que vivos que os lances de escadas são três e não há elevador.

Colo a cuspo (e muito latim) as vontades que começam a dispersar-se ao primeiro trim-trim do telemóvel que chama a Mariana para um café com a amiga que já não vê há uma eternidade! (desde ontem), e o chat no Facebook que desafia o Rafa para uma conversa muitooooo importante sobre o estado da nação (que ele pode ter dali a 1 hora ou 1 mês, que o estado da nação continua o mesmo).

Ora bem, abrir as ramagens de uma árvore de natal de metro e setenta com a consistência de um abeto adulto dos apeninos, é tarefa, no mínimo, chata como a potassa: raminho a raminho, abre e puxa, abre e puxa, até ficar tudo redondinho e com o formato devido, que é parecer o mais natural possível. Por esta altura, quase sempre valores mais altos se levantam, normalmente, uns providenciais trabalhos para a faculdade, ou compromissos inadiáveis no circuito Pool- Berska- Stradivárius, que isto de centros comerciais é preciso monitorizar os modelitos que entram e saem, não vá aquele casaco castanho lindo de morrer, o ÚNICO da loja e de um Portugal inteiro, desaparecer nas mãos da primeira pita dondoca vampiresca que consegue sacar aos pais o equivalente ao meu salário para o comprar, e lá me desaparecem eles para os respectivos afazeres importantíssimos, de última hora. Quando acham que aqui a moira já abriu e puxou todos os fucking raminhos da puta da arvorezinha, aparecem alegremente na sala, de volta ao convívio natalício-familiar.

Então e agora, mãe? Agora é pôr as luzes, mas primeiro temos de as desenrolar.

E lá está: desenrolar as luzes (mal enroladas e à pressa no fim do Natal anterior) é uma graaaande chatice. As lâmpadas prendem-se umas nas outras, metade delas estão partidas e eu nunca me lembro de as ligar antes de as enrolar na árvore; depois, quando constato que estão fundidas, fico fodida porque tenho que as desenrolar, e a minha língua também se desenrola em meia dúzia de asneiras, pouco condizentes com a quadra e com o momento, que se quer de alegria e paz. Ultrapassado o pseudo-drama da iluminação, chega a altura dos enfeites. A Mariana apruma-se então na decoração da árvore enquanto o Rafa mantém os olhos pregados ao computador, não vá uma de nós apanhá-lo a olhar de esguelha e convidá-lo para trabalhar.

Por esta altura, já a minha adorável filha esgotou o léxico de injúrias e ameaças ao irmão, porque nunca ajudas e tenho que ser sempre eu a ajudar, já ele devolveu os “elogios” com redobrada “simpatia”, já eu começo a ter palpitações e falta de ar, levada pela impaciência e pela raiva até que os expulso dali para fora e com indisfarçável alívio, acabo por fazer em agradável solidão o que era suposto fazermos os três. Há data a que escrevo isto, já a árvore dançarinou pelos cantos da sala uma três vezes, obedecendo às superiores indicações (quais policias sinaleiros) dos putos maravilha. Há data a que escrevo isto doem-me as costas, ou andar quase de cócoras a puxá-la 10cm de cada vez para não se escangalhar toda, não fosse um verdadeiro teste à minha resistência física.

Nos dias seguintes, como para tudo o que dá trabalho nesta casa, prevalece unanimemente a versão oficial: foram eles que alancaram com as caixas escadas acima, foram eles que montaram a árvore, foram eles que a enfeitaram e foram eles tudo o resto. Eu, basicamente, ter-me-ei limitado a supervisionar a operação. Ou nem isso: se formos a ver bem, nem lá estive!


Tenho dias em que a sensação de ser uma super-hiper-mega-mãe-parvalhona agrava-se. Tenho dito.











Ana Kandsmar

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

CULTURA | Exposição "Entre Chamas" Homenageia vítimas dos incêndios e soldados da paz | SETÚBAL


Texto: Isabel de Almeida | Colaboradora Nova Gazeta | Jornalista Diário do Distrito

Fotos: Câmara Municipal de Setúbal | Direitos Reservados


A exposição de pintura "Entre Chamas", da artista plástica Vanda Pereira, natural de Setúbal, encontra-se patente desde dia 12 de Dezembro, e poderá ser visitada até dia 5 de Janeiro de 2018 na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal.


"Entre Chamas" é uma exposição de pintura alusiva aos incêndios que este ano devastaram Portugal, sendo propósito da artista plástica Vanda Pereira prestar a sua homenagem a todas as vítimas que perderam a vida ou bens nos incêndios, bem como aos Bombeiros Portugueses, e à nossa Floresta, que ficou mais pobre com milhares de hectares consumidos pelas chamas.

Esta exposição poderá ser visitada de segunda a sexta-feira das 09h00 às 19h00 e aos sábados das 14h00 às 19h00.


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

ESCAPADINHAS | Presépio Vivo irá animar a baixa do Montijo no próximo fim - de - semana | MONTIJO


Texto: Isabel de Almeida | Colaboradora Nova Gazeta | Jornalista Diário do Distrito

Foto: Câmara Municipal do Montijo | Direitos Reservados


O Presépio Vivo será o ponto alto da iniciativa Natal com Arte promovida pela Autarquia Montijense. No fim - de - semana de 16 e 17 de Dezembro, na Praça da República, em pleno coração da Cidade do Montijo, haverá lugar à  recriação do local do nascimento de Jesus, com figurantes trajados a rigor, animais e vários outros detalhes. 

Na Praça da República, Sexta, Sábado e Domingo, entre as 10h00 e as 22h00 pode também visitar o Mercado de Natal, e pode levar os mais pequenos a visitar a Casinha do Pai Natal

A música será um dos destaques da programação de Natal, e durante o próximo fim - de - semana poderá assistir a três espectáculos  de qualidade:

No Montijo, a música é uma forte aposta da programação de Natal e no próximo fim de semana terão lugar três excelentes espetáculos. No dia 16 de Dezembro, pelas 21h30, no Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida, o Grupo Coral do Montijo convidou o Coro Staccato e o Grupo Coral de Sesimbra para um Concerto de Natal.

A 17 de Dezembro, às 16h00,  será o Coro Polifónico da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro a oferecer um Concerto de Natal na Igreja Matriz. No mesmo local, mas no dia 18 de Dezembro, às 21h30, o Coro e Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Artes do Montijo vão realizar um Concerto de Natal com temas musicais alusivos aos Natais dos vários cantos do mundo.

As crianças terão a oportunidade de participar na animação infantil com pinturas faciais, no dia 16 de Dezembro, a partir das 10h30, na Praça da República. 

Com um programa bastante diversificado, que abrange actividades como música, animação de rua, actividades para crianças a iniciativa Natal com Arte traz ao centro da cidade do Montijo e às freguesias a magia e o brilho próprios desta época do ano.

Fica a sugestão, venha ao Montijo viver um Natal com Arte em família!


Fonte: Câmara Municipal do Montijo | Gabinete de Comunicação e Relações Públicas

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA | Thriller "O Homem de Giz" chega a Portugal em Janeiro e promete surpreender os leitores | PLANETA


Texto: Redacção Nova Gazeta  com Editorial Planeta Portugal

Fotos: Blog Os Livros Nossos e Editorial Planeta Portugal | Direitos Reservados


No dia 16 de Janeiro de 2018 chegará às livrarias um thriller que promete surpreender os leitores Portugueses e dar muito que falar. 

"O Homem de Giz", da autora Britânica C. J. Tudor chega a Portugal com chancela Planeta e vai agitar o panorama literário nacional.

Se é fã de um bom thriller não vai ficar indiferente.


Estamos perante um fenómeno mundial que começou antes da Feira de Frankfurt 2016.
A obra tem Direitos vendidos para 48 países, entre eles Portugal. 


Toda a gente tem segredos.
Toda a gente é culpada de alguma coisa.
E as crianças nem sempre são inocentes.




NINGUÉM FICARÁ INDIFERENTE

[Sobre o Livro]:

O livro de estreia de C. J. Tudor é um thriller com uma atmosfera densa e viciante que se passa em dois registos, em 1986 e nos nossos dias.
A história começa em 1986 e, após um hiato de trinta anos, o passado surge para transformar a vida de Eddie.
As influências de Stephen King e o toque de Irvin Welsh, conferem ao livro não só um tipo de narrativa diferente como um suspense ao limite.
O que contribui para que a história tenha um desfecho muito real e chocante. O Homem de Giz conta-nos a história de um grupo de crianças, não poupando nos pormenores sociais onde estão inseridas e em como as influências de famílias disfuncionais contribuem para exacerbar o
imaginário infantil.

O que dizem outros autores?

«[Há] muito tempo que não tinha uma noite em branco devido a um livro.
O Homem de Giz mudou isso. Muitos parabéns C. J Tudor!»

Fiona Barton, autora best-seller de A Viúva e O Silêncio


«Há muito tempo que não lia uma estreia tão impressionante. O ritmo foi perfeitamente delineado, as personagens desenhadas soberbamente e há uma sensação de desconforto que começa com o prólogo e cresce ao longo do livro. E esse fim é tão diferente que o livro merece ser um êxito.»

James Oswald, autor best-seller do Sunday Times da série Inspector McLean


«Que estreia impressionante! Que ideia tão hábil e engenhosa! Fiquei
absorvida desde a primeira página. Adorei como as histórias de 1986 e as de
hoje se unem e criam este fim inesquecível e inesperado. Apelativo, tenso e
muito muito arrepiante. Este livro irá assombrá-lo!»

Claire Douglas, autora best-seller do Sunday Times de Irmãs

« C. J. Tudor brilha intensamente e apresenta uma história assustadora e
vividamente imaginada. Muito mais do que um mistério de assassínio é uma
exploração inteligente e aterrorizante dos laços e limitações das amizades de
infância e de segredos que se recusam a permanecer enterrados. Apaixoneime
pela voz que nos guia no romance, Eddie, pensativo e solitário. Prepare-se
para se surpreender uma e outra vez, até à última página!»

Michelle Richmond, autora de O Pacto

« Uma narrativa tensa e inteligente.»

Ali Land, autora de Menina Boa, Menina Má

[A Autora]:


C. J. Taylor é natural de Salisbury e cresceu em
Nottingham, onde ainda vive com o companheiro e a filha pequena. O seu amor pela escrita, em especial pelo macabro e pelo sinistro, manifestou-se desde cedo. Enquanto os jovens da
sua idade liam Judy Blume, ela devorava as obras de Stephen King e de James Herbet.
Ao longo dos anos, envolveu-se em tarefas tão diferentes como jornalista estagiária, empregada de mesa e de loja, autora de textosradiofónicos, voz off, apresentadora de televisão, redactora publicitária e agora escritora. Vencedora da competição nacional de escrita de Twenty7,
em 2016, O Homem de Giz é o seu livro de estreia.

Ficou curioso? Fique atento, pois estamos na posse de informações exclusivas que iremos revelando aos nossos leitores, e iremos publicar alguns excertos da obra bem como a sua crítica literária.

[Booktrailler Já disponível no Canal da Nova Gazeta no Youtube]:





terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ACTUALIDADE | Alunos Baptizam Golfinhos do Estuário do Sado | SETÚBAL


Texto: Isabel de Almeida | Colaboradora Nova Gazeta | Jornalista Diário do Distrito

Foto: Câmara Municipal de Setúbal | Direitos Reservados


   Os alunos do Agrupamento de Escolas Luísa Todi escolheram os nomes de Bolinhas, Sereia e Lua para baptizar três crias de golfinhos que nasceram este ano no Estuário do Sado. A iniciativa decorreu na tarde da passada Segunda-Feira no auditório da Escola Básica Luísa Todi, em Setúbal.

   Coube à Presidente do Município de Setúbal - Maria das Dores Meira - proceder ao anúncio dos nomes seleccionados, na sequência de votação levada a efeito por mais de seis dezenas de crianças dos 3º e 4º anos de Escolaridade tendo por base listagem de nomes facultada pelo ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

   A Presidente do Município Sadino lançou às crianças uma importante questão: “Vocês são os padrinhos destes três novos residentes do Sado. A responsabilidade é muito grande! O que é que não podem fazer na água?”, à qual as crianças prontamente responderam de forma entusiasta "poluir !"

   Esta actividade foi organizada pelo ICNF numa parceria firmada com a Câmara Municipal de Setúbal, e contou também com uma apresentação cuja dinamização esteve a cargo de Ana Cristina Falcão, Técnica que integra a equipa de monitorização dos Roazes do Sado da Reserva Natural do Estuário do Sado, a qual referiu “Em 2015, o ICNF decidiu que as crias de golfinhos serão sempre baptizadas nas escolas. Por isso, estamos aqui hoje”

   Destacando a importância da protecção ambiental, a Presidente da autarquia afirmou “Desde muito cedo temos de ensinar as crianças que elas são peça fundamental no futuro, para a mudança de mentalidades e para a preservação do ambiente. É para nós motivo de grande alegria e orgulho que sejam elas a escolher os nomes das novas crias.”

   Neste evento marcaram ainda presença o Vereador responsável pelo Pelouro da Educação, Ricardo Oliveira e a jovem Setubalense Filipa Barroso, Miss Portugal e antiga aluna daquele agrupamento escolar. 

   Para concluir o evento, o Vereador Ricardo Oliveira e Ana Cristina Falcão ( do ICNF) entregaram às crianças diverso material informativo e ludo-pedagógico, tendo havido lugar ainda a um apontamento musical a cargo do Grupo de Bombos da Escola Básica Luísa Todi.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | " O Rapaz do Caixote de Madeira", de Leon Leyson, Marilyn J. Harran, Elisabeth B. Leyson | EDITORIAL PRESENÇA


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária - Nova Gazeta


O Rapaz do Caixote de Madeira, de Leon Leyson com Marilyn J. Harran e Elizabeth B. Leyson é um relato autobiográfico bastante emotivo e esclarecedor sobre uma das fases mais negras e aterradoras da nossa história Contemporânea - o Holocausto promovido pela Alemanha Nazi que ceifou as vidas de milhares de Judeus, deixando em cada sobrevivente uma memória bem presente dos horrores vividos, dos limites que a crueldade humana consegue ultrapassar, mas também, e em especial nesta obra, da extrema capacidade de resiliência e de adaptação às novas realidades que os seres humanos conseguem demonstram perante situações extremas de violência, carências diversas e discriminação religiosa e cultural.

O narrador desta história real é também o seu protagonista. Leon era uma criança Judia igual a tantas outras, nasceu numa pequena aldeia rural no Nordeste da Polónia - Narewka - sendo o mais jovem de cinco irmãos ( Hershel, o mais velho, um rapaz forte e rebelde; Tsalig, dócil e sensível, visto por Leon como um herói a imitar; Pesza, humilde e responsável e a única rapariga entre a prole; David, pouco mais velho do que Leon e o seu habitual companheiro de aventuras e traquinices). Viveu um início de infância despreocupado, inserido numa sociedade  de cariz patriarcal, os pais casaram jovens ( a mãe - Chanah - com 16 anos e o pai - Moshe - com 18) e ao pai cabia o papel social de sustentar a família, ao passo que a mãe tinha por papel social cuidar do marido e dos filhos, dedicando a sua vida à família. A aldeia apenas recebeu energia eléctrica em 1935, e não estava dotada de estruturas hoje tão básicas para a sobrevivência como água canalizada e saneamento individualizado por cada casa, mas a existência era serena, havia um forte espírito de entre-ajuda e a comunidade judaica local, constituída por cerca de 1000 pessoas investia na sua formação religiosa e cultural, os jovens frequentavam o ensino público e também o heder (escola judaica), e os mais velhos eram muito respeitados e até mesmo venerados.

Moshe, o pai de Leon, era funcionário de uma fábrica de vidro e foi convidado pelo patrão a trabalhar em Cracóvia, o que foi considerado uma honra na aldeia. Durante uns anos visitava a família de seis em seis meses, e a sua vinda era um acontecimento que deixava toda a família muito animada. O filho rebelde, Hershel, acabou por acompanhar o pai  estabeleceu-se em Cracóvia, e logo que as poupanças permitiram, todo o agregado vai viver para Cracóvia, deixando para traz a aldeia natal.

O fantasma da Guerra começa a pairar, mas é com alguma nostalgia que Leon recorda a sua entrada em Cracóvia (em 1938), uma bela cidade histórica, que era também um importante centro cultural.  Já na cidade começa a sentir a discriminação durante a sua frequência da escola primária, em simultâneo, Hitler começa a por em prática o seu horrendo plano de perseguição aos Judeus, marginalizando-os e diabolizando este povo. Em 1939 a guerra é já inevitável e a cidade começa a preparar-se para este conflito, e a 1 de Setembro desse mesmo ano tem início a ocupação Alemã da Polónia. A partir daqui, o mundo conforme Leon sempre conhecera começa a ficar irreconhecível, há espancamentos de Judeus por soldados Alemães na Rua, e em breve é criado o Gueto de Cracóvia, para onde são deslocadas as famílias judias às quais, ainda assim, é reconhecida uma fraca e instável legitimidade para permanecer na Cidade, mas dentro dos muros do Gueto, como que num mundo à parte, onde começam a notar-se toda uma série de privações e de ataques à dignidade de qualquer ser humano: habitações sobrelotadas, carência de bens alimentares e de aquecimento, o que rapidamente leva à doença nos mais frágeis, mas que, em simultâneo, activa um sistema colectivo de solidariedade e entre-ajuda, pois os Judeus do Gueto contribuem para ajudar quem precisa com os recursos que cada um tem, nem que sejam os conhecimentos das respectivas profissões, e surgem mesmo escolas secretas, numa clara reacção silenciosa à opressão Nazi.

Entretanto, o pai de Leon conhece Óskar Schindler, um empresário Nazi que ficará célebre por salvar a vida de muitos judeus que, através das suas empresas, conseguiu manter sobre a sua protecção, e será este homem a ter mais adiante um papel de relevo na sobrevivência de Leon e de muitos membros da sua família.

As deportações dos Judeus considerados menos úteis são um prenúncio de que algo vai piorar ainda mais, e após o fim do Gueto de Cracóvia Leon e a família seguem para o Campo de Plaszów, esta mudança de cenário simboliza o que de mais cruel e desumano ainda espera muitos Judeus, e este perigo foi percepcionado pelo então jovem Leon que se refere assim à entrada em Plaszów: " (...) transpor aqueles portões era como chegar ao mais profundo círculo do Inferno." p. 93

Sujeito a trabalhos forçados, a violência gratuita a castigos sem sentido, muitas vezes o desespero extremo e o sentido de união familiar levaram Leon a arriscar a sua própria vida apenas para garantir que se mantinha próximo dos pais e dos irmãos, o que bem demonstra o sentido de união e de sociedade patriarcal na qual foi educado desde tenra idade. 

Tem tanto de assustador como de admirável o relato que Leon nos faz de tudo o que viveu no Campo de Trabalho de Plaszów, e fica evidenciada a extrema inteligência e a coragem de um homem como Óskar Schindler, que com a sua astúcia, conseguiu manter muitas vidas judias sendo um empresário Nazi que se movimentava bem dentro do sistema instalado pelo domínio político, militar e ideológico sob os comandos de Adolfo Hitler, um líder político para quem a loucura não conhecia limites.

Foi a mão protectora de Schindler sobre os seus empregados e as suas famílias que marcou a diferença entre a vida e a morte para Leon e alguns dos seus familiares, e ao usar um caixote de madeira para conseguir trabalhar numa máquina na fábrica de Schindler o jovem Leon chamou a atenção do empresário, que evidenciou admiração perante a astúcia da criança: " (...) eu tinha de me empoleirar num caixote de madeira para poder alcançar os controlos da máquina que estava encarregado de operar." Este simples facto que dá o título ao livro faz-nos também pensar na extraordinária capacidade de adaptação dos seres humanos ao sofrimento e à força que, muitas vezes, encontramos vinda nem se sabe bem de onde, mas que nos permite ir em frente e querer sobreviver a todo o custo, mesmo quando as probabilidades de sobrevivência são cada vez mais reduzidas.

Sobre a atitude dos Nazis, Leon reflecte sobre a mesma referindo: " Que a nossa miséria, o nosso confinamento e a nossa dor fossem irrelevantes para as suas vidas era simplesmente incompreensível." 

Estamos perante um livro dirigido ao público jovem, é uma leitura que recomendamos e que sugerimos até possa ser debatida em família. É um livro duro, muitas vezes chocante, e tantas outras enternecedor pela empatia que o corajoso Leon nos suscita sem esforço. Este livro abala-nos por dentro, faz-nos chorar, ter raiva, respirar de alívio, e pensar muito seriamente acerca de até onde podem ir os limites da maldade humana em nome de uma ideologia política, de uma fantasia desvairada e homicida de um psicopata que conseguiu arrastar multidões de seguidores, e faz soar campainhas de alerta num mundo cada vez mais desumanizado e carente de valores, e onde muitos líderes, em nome da religião, da mentalidade ou mesmo da ideologia podem estar, neste exacto momento, a arrastar a humanidade para algo que pode fazer repetir partes da história universal num dos seus piores e mais aterradores momentos.

É uma leitura incontornável, e que com toda a justeza faz parte do actual Plano Nacional de Leitura, estando recomendada para todos os alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico.

Ficha Técnica.


Autores: Leon Leyson, Marilyn J. Harran, Elisabeth B. Leyson


1ª Edição: Janeiro de 2014 | Livro na 6ª Edição

Nº de Páginas: 188

Género: Biografia

Classificação Atribuída: 5/5 Estrelas