domingo, 7 de janeiro de 2018

TELEVISÃO | Ficheiros Secretos regressam com mais uma temporada | FOX


Texto: Isabel de Almeida

Foto: Créditos The X-Files 2018


Com estreia nos Estados Unidos no dia 3 de Janeiro, Portugal Esperou mais dois dias pela chegada da 11ª Temporada da Série de Culto The X-Files - Ficheiros Secretos à Fox.

O primeiro episódio desta nova temporada, sob o título original My Struggle III traz de volta ao convívio com os inúmeros fãs da série os agentes do FBI Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) como protagonistas, assim como outras personagens marcantes da trama como Walter Skinner (Mitch Pileggi) o eterno chefe da dupla de agentes. Também está de volta uma das personagens mais sinistras mas clássicas de toda a série, e parece que terá um papel relevante na dinâmica narrativa.

Muita tensão, acção e perigo, e uma introdução muito interessante que podemos considerar ter um toque elegante de crítica à política nacional e ao panorama politico internacional num mundo global ( na perspectiva dos Estados Unidos).

A premissa que serve de trigger ao desenrolar da história, onde não poderia faltar o clássico e expectável clima de suspeição e conspiração ao mais alto nível institucional e até supranacional é a busca pelo desaparecido filho de Dana e Fox - William - que pode mesmo ser a chave para a solução de questões relacionadas com o futuro da  humanidade.

Trata-se de uma oportunidade de manter acesa a chama da nostalgia de uma série de culto, mas apenas poderá entender o enredo e especular acerca da sua próxima evolução quem conheça a série e as personagens centrais desde o início.

Os fãs querem acreditar que ainda não seja o fim e seria bem vindo um novo filme! I Want to Believe it!


sábado, 6 de janeiro de 2018

CRÓNICA | Reflexões Ocasionais - Redes Sociais... que limites? | ISABEL DE ALMEIDA

   As redes sociais foram-se instalando no nosso quotidiano, e actualmente são quase incontornáveis para a grande maioria das pessoas, seja por lazer ou por trabalho, são poderosos instrumentos de comunicação e de divulgação de informação, infelizmente nem sempre bem filtrada e nem sempre credível.

   Banalizou-se o gesto de, antes de deitar e ao acordar, ver o que está no foco de atenção dos imensos súbditos da corte de E-Rei D. Facebook, que entre si esgrimem argumentos (como se de justas medievais se tratassem) opinam com e sem conhecimento de causa sobre as mais diversas temáticas e, tantas vezes partilham com o mundo o que de bom e de menos bom os atormenta.

 Existem, é certo,  diversos perfis de utilizadores. Naturalmente, num universo tão vasto,  alguns zelam pela sua privacidade, só aceitam amigos reais, fechando as portas aos conhecimentos meramente virtuais, e mantêm uma neutralidade helvética quando se  trata de comentar assuntos mais ou menos polémicos.

  O tema dos limites na utilização de redes sociais, mormente, da mais abrangente e com maior amplitude de possibilidades ao nível comunicacional (imagens, música, gifs, gravações de audio e vídeo em directo ou diferido) é vasto e daria para várias crónicas e aturadas reflexões ( e é bem provável que lá voltemos de quando em vez), mas começo hoje por destacar um dos fenómenos que mais tenho observado e a que sou mais sensível (talvez devido ao olhar clínico decorrente da minha formação em Psicologia). Há quem crie uma verdadeira persona ( uma personagem fictícia) nas redes sociais com os mais diversos interesses (tantas vezes obscuros e outros a roçar a patologia do foro mental). Assusta-me a displicência com que se ofende verbalmente pessoas que não conhecemos e sobre as quais não temos o bastante conhecimento de fundo para avaliar muitas das suas opiniões, atitudes ou decisões !

   Banalizou-se o insulto virtual, mas que potencialmente causa danos reais (eventualmente em termos de imagem) e até emocionais  a quem esteja mais fragilizado psicologicamente, por exemplo.

  Nestas últimas eleições autárquicas, que tive a oportunidade de acompanhar de muito perto enquanto jornalista ao nível local, assisti em alguns grupos no Facebook a  ataques pessoais e personalizados que me deixaram absolutamente boquiaberta, pela violência verbal, pela intrusão na esfera pessoal das pessoas visadas, e pelo facto de as pessoas envolvidas chegarem ao ponto de criar perfis falsos para darem livre curso a delírios de intenção persecutória, sempre escudadas na impunidade de estarem escondidas atrás de um ecran de computador, na aparente tranquilidade das suas existências, diabolizando os adversários políticos, alimentando guerras e, quem sabe, aproveitando para trazer um pouco de adrenalina a vidas sociais inexistentes no mundo real, que fazem substituir de forma pouco saudável pelo mundo virtual (porque aí exercem um poder perverso de conseguir ofender, captar a atenção que não alcançam noutras esferas quase sempre a troca da mais absoluta impunidade).

   Também no desporto os ódios clubísticos extremados levam a combates de gladiadores que trocam entre si galhardetes capazes de fazer corar a mais pura donzela, num destrutivo e , afinal, estéril exercício de libertação de testosterona (embora possam existir incidências femininas neste tipo de discurso, são ainda assim menos visíveis em termos de números, mas concedo que o estrogénio também se deixe cair no engodo fácil deste tipo de causas). E aqui, o adepto de futebol que nunca chamou nomes menos próprios (usando um eufemismo em nome da moral e bons costumes) à mãe de um árbitro que atire e primeira pedra!

   Todos os temas que apaixonam levam a excessos, e nunca antes das redes sociais se encontrava um palco tão propício ao insulto gratuito, abusivo e absolutamente impune ( futebol, política, media ou mesmo uma simples democrática diferença de opinião).

   Entre os mais jovens as redes sociais, tantas vezes utilizadas sem a desejável supervisão parental, são também o cenário de exposição arriscada (com reconhecidos riscos para a segurança de crianças e jovens) e de bullying cibernético, mas só este tema dará para uma futura reflexão mais alargada, que prometemos iniciar aqui num futuro próximo.

  Também é comum a divulgação de Fake News nestes mesmos cenários virtuais, mas mais uma vez, deixamos em aberto esta questão para outra oportunidade de análise crítica.

E hoje? Já abriu o seu Facebook? Já escolheu uma foto para partilhar com o mundo via instagram?




ACTUALIDADE | Moita mantém tradição das Janeiras | MOITA


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista

Foto: Câmara Municipal da Moita | Direitos Reservados


   A tradição do Canto das Janeiras será recuperada no próximo dia 8 no edifício dos passos do Concelho da Moita.
 Diversas instituições e colectividades darão voz ao canto das Janeiras, formulando votos de bom ano novo ao Presidente da e Vereadores da autarquia, bem como a todos os trabalhadores  e a todo o público anónimo que desejar assistir a esta iniciativa, que decorrerá entre as 14:00h e as 16:30h.

Presentes estarão o Centro de Convívio dos Reformados e Idosos da Vila da Baixa da Banheira, a EB nº 4 da Baixa da Banheira, a Tuna da UNISEM, “O Norte” Grupo Coral, a turma de Danças e Cantares da UNISEM e o Centro de Reformados e Idosos do Vale da Amoreira, que irão cantar diversos temas tradicionais alusivos à época.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA | "Conclave", de Robert Harris chegou para conquistar os fãs de thrillers religiosos | EDITORIAL PRESENÇA



Texto: Redacção Nova Gazeta

Fotos: Editorial Presença | Direitos Reservados


Conclave, de Robert Harris, é um thriller religioso que promete muita acção, intriga política e tensão psicológica, e chega este mês de Janeiro às livrarias nacionais com a chancela de qualidade da Editorial Presença.

Será uma das leituras escolhidas aqui na redacção e brevemente integrará a nossa rubrica de crítica literária.

Sinopse da Obra:

O Papa morreu.

Por detrás das portas trancadas da Capela Sistina, cento e dezoito cardeais vindos de todo o planeta preparam-se para votar na eleição mais secreta do mundo.

São homens santos. Mas têm ambições. E têm rivais. 

Ao fim das próximas setenta e duas horas, um deles tornar-se-á a figura espiritual mais poderosa da Terra.

Conclave é o novo thriller do mestre da intriga e acção, Robert Harris.

O que diz a imprensa internacional?



«O maior escritor britânico de thrillers.» | Daily Telegraph

«Um mestre da narrativa de acção e suspense.» | Observer

«O nosso expoente máximo do thriller literário.» | Sunday Times

«Um livro verdadeiramente apaixonante, com revelações súbitas e inesperadas nas páginas finais.» | The Times Books of the Year

«Há uma única expressão para descrever este romance de Robert Harris: impossível parar de ler.» | The Guardian

«Não é apenas um thriller de acção, é um thriller psicológico e político... Conclave é um novo triunfo na obra de Robert Harris.» | The Sunday Times


Sobre o Autor:



   Robert Harris é o autor britânico de diversos romances históricos, entre os quais a trilogia constituída por Imperium, Lustrum e Dictator, e O Oficial e o Espião, tendo esta obra sido distinguida com vários prémios literários, incluindo o Walter Scott Prize para ficção histórica. Alguns dos seus livros foram adaptados ao cinema, como The Ghost, realizado por Roman Polanski. As suas obras estão traduzida em trinta e sete línguas e venderam mais de 10 milhões de exemplares. Robert Harris é Fellow of the Royal Society Literature. Vive em West Berkshire com a mulher, Gill Hornby.

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Ficha Técnica do Livro:

Título: Conclave

Autor: Robert Harris


Tradutora: Ana Saldanha

1ª Edição: 04.01.2017

Nº de Páginas: 272

Colecção: Grandes Narrativas (nº 678)

Preço c/ IVA: 17,50€


TELEVISÃO | Supernanny chega dia 14 de Janeiro à SIC para ajudar os pais Portugueses | SIC




Texto: Isabel de Almeida | Jornalista

Foto: SIC | Direitos Reservados


A Psicóloga Clínica Teresa Paula Marques, presença assídua nas manhãs da SIC, aceitou um novo desafio televisivo e terá a seu cargo a condução do novo programa da SIC - Supernanny - chega aos nossos ecrans no próximo dia 14 de Janeiro, e promete ajudar os pais a controlar a rebeldia dos filhos.

Com vasta experiência clínica e académica no âmbito da Psicologia Clínica e Educacional, contando com diversos livros publicados e habituada a "traduzir" a linguagem técnica da Psicologia para o grande público, assegurando  a colaboração com diversos formatos media, desde a imprensa escrita à televisão, Teresa Paula Marques está à altura deste formato, que corresponde à versão nacional de um original Inglês.

“Supernanny” é um formato  no qual a emoção e a surpresa estão garantidas. Nada ficará por dizer, assumindo-se como principal objectivo do programa a orientação de pais, educadores e filhos tendo em vista uma meta comum: a harmonia da vida familiar.

ESTREIA DIA 14 de JANEIRO NA SIC, um programa a seguir e com uma forte componente prática que o tornará bastante apelativo ao público interessado nesta temática.

Siga a página oficial da Supernanny no Facebook: Supernanny - Portugal

sábado, 30 de dezembro de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "Reino de Feras", de Gin Phillips | SUMA DE LETRAS



Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista

Foto Capa: Suma de Letras | Penguin Random House | D.R.


   Reino de Feras, de Gin Phillips, é uma das apostas editoriais da Suma de Letras (Chancela do Grupo Editorial Penguin Random House) para 2018, constituindo uma nova incursão no género Thriller, uma tendência que parece estar de volta no âmbito das novidades  literárias no mercado editorial Português. 

Primeiro ponto forte da obra, apesar de acção decorrer em poucas horas, é a tensão é permanente, e sendo as personagens colocadas num cenário de elevado risco de vida e de luta pela sobrevivência após ficarem retidos inadvertidamente num jardim zoológico, espaço onde habitualmente se deslocam para alguns momentos  de lazer, o leitor fica facilmente envolvido nesta tensão, o que leva a que a leitura tenha mesmo de ser rápida, pois ficamos ansiosos para saber o desenlace final da trama e sofremos com o perigo constante que correm os nossos protagonistas. O ritmo narrativo chega a ser alucinante, o que estimula a leitura contínua, sendo o livro ideal para ler num único dia (ou noite).

   As personagens centrais desta trama, são Joan e o seu precoce e inteligente filho Lincoln, uma criança bastante perspicaz, criativa e intuitiva. 

   Joan é uma mãe cuidadosa e que mantém uma relação deveras próxima e simbiótica  com o filho, investindo bastante na relação entre ambos, e retirando enorme gratificação emocional de cada segundo que passa na companhia do filho, aderindo às suas brincadeiras e estimulando o seu imaginário e os seus conhecimentos e referências mesmo ao nível cultural, sendo evidente ao leitor que é muito em função desta relação que Lincoln é uma criança bastante precoce e dotada de um vocabulário bastante mais elaborado e alargado do que o de muitas crianças da sua idade.

   Em termos psicológicos, é muito interessante analisar esta ligação visceral entre mãe e filho, chegando a ser perceptível que estes, muitas vezes, quase se fundem, funcionando como a extensão ou complemento um do outro, ao ponto de ser insuportável para a mãe a sensação de que a sua pele deixe de estar em contacto com a pele do filho, o que poderá simbolicamente interpretado como uma relação de simbiose psicológica entre ambos, numa interpretação à luz da psicologia dinâmica (de base Freudiana) que aqui não resistimos a evocar.

   As personagens centrais são bastante densas, e fica perfeitamente caracterizado o seu espaço psicológico (forte ligação entre mãe e filho) e social (família de classe média alta). Interessante também são as recordações de Joan acerca da sua própria infância, e das figuras de referência que a povoaram, que nem sempre corresponderam ao que ela idealizava, notam-se indícios de uma relação com uma mãe pouco próxima, pouco marcante, pouco interventiva, o que poderá ser uma das explicações para a postura de Joan como mãe que quer ser perfeita e estar sempre presente. O pai de Joan surge sempre mencionado aludindo à sua qualidade de caçador, denotando-se que não haveria muitos interesses em comum para partilhar de forma construtiva com a filha ( e aqui podemos também especular acerca de ser esta uma razão adicional para Joan procurar suprir todas as necessidades de "nutrição" intelectual do filho).

   Perante uma situação limite, onde se encontra colocada em crise a própria sobrevivência, o livro suscita também, da parte do leitor, uma aturada reflexão acerca de quais os limites morais e éticos de conduta quando está em causa a diferença entre sobreviver ou morrer. Até onde pode ou deve ir uma mãe leoa-humana para proteger a sua cria? São legítimas todas as suas acções para proteger o filho? O que faria o leitor numa situação limite?

   O Vilão é, por si só, quase uma personagem tipo, alguém que sendo ainda jovem, e não tendo tido um processo de desenvolvimento estruturado, não tendo tido modelos parentais competentes, revela falhas na formação da sua identidade, e tem tanto de cruel quanto de ingénuo e influenciável, apostando na violência como forma de afirmação pessoal e acreditando, ingenuamente e contra toda a lógica racional, que achou o caminho certo para ser reconhecido pelos outros, pois apresenta uma vivência de negligência dos pais, parecem-nos reunidos indícios de ter sido vítima de bullying escolar, e não consegue ser valorizado em nenhum contexto dito normativo, dai ser perfeitamente verosímil a sua opção pela violência como alternativa a uma eterna insignificância, numa lógica retorcida que poderá até manifestar algum nível de défice cognitivo.

   Aliás, o título da obra acaba por conter em si uma metáfora, se o enquadrarmos à luz da narrativa, na medida em que as "feras" a que o título se refere não são tout court os animais do Jardim Zoológico, existem feras humanas, e quantas vezes estas são as mais temíveis e predatórias?

   Uma história forte, personagens bem construídas, uma escrita cuidada e com evidente qualidade literária, um clima de tensão permanente, muito perigo e suspense, a receita certa para começar o ano literário, se estiver preparado para emoções fortes!


Ficha Técnica do Livro:


Título: Reino de Feras (nas livrarias a 2 de Janeiro)

Autora:  Gin Phillips

Editora: Suma de Letras

ISBN: 978 989 6655 259

Nº de Páginas: 270  Páginas

PVP c/ IVA: 17,45€

Nota de redacção: a Nova Gazeta agradece à Suma de Letras a disponibilização de exemplar para leitura antecipada da obra.




CRÓNICA | Reflexões Ocasionais - Ano Novo, Vida Nova? | ISABEL DE ALMEIDA

   A chegada de um novo ano é propícia a balanços do ano que finda e a grandes expectativas relativamente ao ano que agora começa. Trata-se de um lugar-comum, mas é algo que está tão programado na nossa cultura que damos por nós, ainda que inconscientemente, a deixar-nos arrastar para tal ilusão anual de um futuro melhor. 

   Com alguma ingenuidade pensamos sempre, com mais ou menos variantes, coisas deste género: desta é que vai ser! Vou cumprir as metas que tracei! Vou conseguir realizar velhos sonhos! Vou alcançar a desejada estabilidade profissional! Vou arriscar e ganhar! Vou cortar relações com todos aqueles que só se lembram de mim quando precisam e porque precisam! Vou fazer um detox mental! Vou, finalmente, escrever o livro que ando há anos a adiar! Vou ter perfeitamente em dia as listas de leituras, séries televisivas e filmes! Vou disciplinar-me e não trazer trabalho para casa, libertando mais tempo para estar com a família e amigos! Vou reaproximar-me de familiares e amigos que tenho negligenciado em atenção! Vou retomar contacto com aqueles amigos da faculdade que, há anos, não vejo!

   Certamente, numa lista tão extensa, vamos acreditar que algumas das metas podem e vão ser alcançadas, mas nunca porque as planeámos ou porque tenhamos em mãos o mágico comando à distância que permite, com uma simples pressão no botão certo, controlar a nossa vida, a nossa disponibilidade, a conjuntura familiar, relacional e profissional de cada um de nós,

   Nunca vamos conseguir libertar-nos da pressão e do ritmo vertiginoso de vida que a sociedade, e nós que nela estamos inseridos, imprimimos às nossas pobres existências.

   Diariamente, um cruel e perverso determinismo sobrepõe-se e asfixia o nosso livre arbítrio, leva-nos a aceitar, em regime de voluntariado à força, as regras do socialmente correcto (coisas tão banais como aceitar a mudança da hora, cumprimentar quem connosco se cruza na rua, sorrir em público e calar a angústia que possa oprimir-nos porque "chorar é feio", evitar contestar algumas instituições, mesmo quando falham redondamente, porque podemos sofrer retaliações, atender o telemóvel ou abrir a porta quando a campainha começa a retinir no exacto momento em que nos sentámos no sofá com o nosso livro do momento na mão).

   Fica-me a assombrar a eterna dúvida: valerá a pena mudar de ano? Ou mudar pode piorar mais o contexto actual?

   Devíamos ter o direito de optar por deixar ou não que os anos passem. Eu continuo a achar que o ano novo é a parte ilusória e visível de uma conspiração obscura onde tudo o que pagamos aumenta e, consequentemente, o pouco que ganhamos diminui. 

   A ilusão está em, inevitavelmente, reunirmos em nós as forças da esperança de que tudo melhore e mude. Ou muito me engano, ou tudo tende a mudar, sim, para pior, pelo menos à partida (assim de repente, vão subir os combustíveis, o preço dos transportes, a conta da luz, a conta da água, vivemos num país onde a expressão "Estado de Direito Democrático" é letra morta, pelo menos no que diz respeito à prática de diversas profissões liberais, e já agora também gostaria de perceber o que se entende hoje por "profissão liberal") o problema é que só saberemos quando estivermos a olhar para trás no habitual balanço do que passou.

   Em suma, controlamos tão pouco ou nada as teias que tecem o nosso destino, que livre, livre,  e por enquanto também isento de tributação fiscal, só o nosso pensamento, e a nossa capacidade de evasão através de actividades que nos permitam manter o equilíbrio psicológico num pais tão sui generis como o nosso (e sui generis nem sempre pelos melhores motivos).

   Sonhar, desejar, projectar podem ser soluções, quanto à concretização, só o tempo o dirá!

   Ousem sonhar e, já agora, Feliz Ano Novo!