segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

LITERATURA| "ENIGMA DA MENTIRA" de PAULO DA COSTA GONÇALVES | CLÁUDIA DE ANDRADE


Foi no Café Literário da Chiado Editora, que tive o prazer de apresentar a mais recente aventura do Inspector Alexandre Melo – “Enigma da Mentira”, e o autor, o meu caro colega e amigo Paulo Costa Gonçalves.

Foi uma sessão relaxada, informal, que facilitou grandemente a minha apresentação pois assumiu um ritmo de partilha e de conversa casual, em que todos os presentes colocaram as suas questões ao autor acerca da sua inspiração, quer do livro alvo do presente lançamento como a ambos os que o antecederam e de planos futuros.
Paulo Costa Gonçalves é formado em Sociologia, tendo vindo a desenvolver trabalho na área da investigação, e a sua motivação principal para este, que o próprio intitula de hobby, vem da necessidade que o autor sentiu de encontrar um tipo de leitura fácil, leve, mas com uma velocidade e uma cadência narrativa fluída que permitisse algumas horas de diversão despreocupada, mas que prendesse o leitor ao “enigma” a resolver.
O “Enigma da Mentira”, o seu terceiro livro, é isso mesmo, um livro que se lê de uma forma quase cinematográfica, em que não existem pausas, nem momentos mortos, em que oscilamos de suspeito em suspeito, tentando enquadrar o facto histórico que inicia a narrativa, no móbil que levaria algum deles ao homicídio.
Um desaparecimento a bordo vem exigir a intervenção do inspector da polícia judiciária Alexandre Melo, durante a sua lua-de-mel. Só ao mesmo são apresentadas evidências de que se poderá tratar de um homicídio, mas inconscientemente ele sabe que nada é tão fácil nem tão óbvio como aquilo que as pistas parecem apontar.
Será que se investiga um desaparecimento ou um homicídio? Será que o motivo sofre contornos sobrenaturais, percorrendo as eras, enterrado fundo nas malhas do passado, ou, pelo oposto, tratar-se-á de uma razão bem mais terrena e banal? É isso que o convidamos a descobrir no “Enigma da Mentira”.


Fotos: Cláudia de Andrade


domingo, 28 de janeiro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | A geração actual está a viver uma crise de valores? | ISABEL DE ALMEIDA

Quem tem contacto com crianças e adolescentes acaba por construir o seu olhar muito próprio acerca das perspectivas de entretenimento, atitudes, desempenho escolar e esquema de valores dos jovens e dos seus pais ou encarregados de educação, podendo esta experiência ser adquirida através da observação mais ou menos casual, ou ainda por ligações familiares, de amizade ou profissionais.

Não generalizando, e aceitando, desde já, louváveis excepções, devo referir que, de um modo geral, as gerações mais jovens vivenciam uma nítida crise de valores, e tal é fácil de concluir se compararmos as nossas infância e juventude com as actuais.

Tomemos como primeiro exemplo o desempenho escolar em termos de resultados e de atitudes e comportamentos perante pais ou encarregados de educação, professores, auxiliares de acção educativa e os pares, e logo encontramos diferenças abissais entre o modo como nos comportávamos nós enquanto filhos e alunos, e o modo como hoje se comporta grande parte dos jovens nesses mesmos papéis sociais.

Talvez porque a tecnologia era muito mais rudimentar e menos envolvente, e os meios mais sofisticados de entretenimento eram menos acessíveis à classe média (quem se lembra do célebre ZX Spectrum, e dos seus jogos em cassetes que tinham de ser utilizadas através de um gravador, e o televisor era o écran de computador?) também porque o ritmo de vida era menos acelerado, havia mais disponibilidade para o convívio pessoal, o ambiente era também mais propício a levar facilmente um jovem a interessar-se pela leitura e a conversar com a família.

O sentido de respeito pelos mais velhos estava interiorizado de tal forma nas nossas mentes, que por vezes, um simples olhar era o suficiente para travar algum disparate próprio da tenra idade. Na escola, os professores e os auxiliares de acção educativa ( então chamados de "contínuos") conseguiam conquistar o respeito e até a admiração da maioria dos alunos, e consequentemente, as gerações dos anos 70, 80 e 90 têm uma visão muito diferente das atitudes aceitáveis e não aceitáveis no meio escolar, ou, de um modo geral, na maneira de conviver com as gerações anteriores.

A disciplina na escola era factível, não havia cadernetas do aluno, os pais podiam dirigir-se a qualquer professor com o qual precisassem de falar ou esclarecer dúvidas, ou mesmo contestar algum sentimento de injustiça para com os seus educandos escrevendo um simples recado no caderno, ou no teste, ao qual o professor respondia. E o mesmo era aplicável ao professor. Os casos de indisciplina ( que existiam, mas em menor quantidade do que hoje em dia, eram confiados à direcção das escolas, e só o peso da expressão "direcção" era, muitas vezes, o bastante para dissuadir naturalmente alguns atrevimentos).

Em termos de linguagem, usar calão, ou vernáculo, era muito menos usual principalmente no ensino primário ( hoje designado primeiro ciclo do ensino básico) e era mesmo inimaginável para a maioria das crianças que davam os primeiros passos na sua aprendizagem.

Hoje é fácil encontrar conversar entre crianças do 1º Ciclo que então fariam corar as próprias pedras da calçada. Em toda a escolaridade, os professores eram vistos como figuras de autoridade, e embora nem todos fossem adorados, a discordância com estes raramente era manifestada com claro e ostensivo desrespeito, o mesmo podendo dizer-se do relacionamento com familiares mais velhos ( por exemplo, avós ou bisavós), pois havia um julgamento social negativo nítido relativamente a quem era "mal comportado".

Era impensável nestes tempos dizer uma asneira e não ser repreendido severamente (obviamente também com excepções, mas o que então eram excepções correspondem hoje, lamentavelmente, à regra).

As crianças hoje usam vernáculo com  mesma displicência com que dizemos um simples "Bom dia" ao entrarmos num local público, contestam frontalmente a autoridade dos adultos ( sejam pais, avós, professores, vizinhos, explicadores ou outros), e mais grave, muitas delas são autênticos pequenos ditadores, com hábeis e eficazes capacidades de manipulação dignas de causar inveja ou admiração junto de quaisquer candidatos a líderes políticos em regimes autocráticos ( em muitas famílias as crianças ou jovens têm sempre razão, têm autonomia de decisão que chega mesmo a sobrepor-se à vontade dos pais, e estes cedem, ou porque estão em negação e se recusam a ver o óbvio, ou porque estão tão exaustos e tão imersos nos seus próprios problemas e afazeres domésticos e profissionais que se demitem inconscientemente de contestar essa nova figura que poderemos apelidar de "suprema autoridade filial", ou porque estão separados do outro progenitor e receiam, ao impor autoridade assumir o papel de "maus da fita" para os seus rebentos.

O desfasamento dos programas escolares da realidade dos alunos propicia também um desempenho abaixo do expectável, porque convenhamos que até nós adultos, conseguimos perceber que há um sem número de programas escolares pouco ou nada motivadores, em especial, se estivermos perante casos especiais de crianças que podem ser sobredotadas ou, ao invés, ter reais dificuldades de aprendizagem.

Quando há uns anos se aproximava o 12º ano, a maioria dos jovens já tinha, pelo menos, algumas ideias acerca do curso superior que queria tirar, hoje a maioria dos alunos está ansioso por acabar o ensino obrigatório, e estamos perante uma geração que parece andar perdida, sem ambições a não ser tornar-se rico e famoso sem grande esforço (veja-se, a título de exemplo, a maioria das pessoas que encontramos a concorrer em reality shows que revelam precisamente a falta de cultura e de valores que antes estavam bem presentes).

Muitas vezes fico seriamente alarmada com as expectativas e os comportamentos que encontro nos mais jovens. E o leitor já pensou nisto?

sábado, 27 de janeiro de 2018

PORTUGAL MAIS QUE SOL | Villa Romana de Torre de Palma | PAULO DA COSTA GONÇALVES



Convidamos-vos a conhecer: A VILLA ROMANA DE TORRE DE PALMA

Apesar de Zeus e Baco se confundirem sob o sol do nosso país Portugal é mais que sol não sendo necessário ser um "homo muito sapiens", para conhecer os nossos ancestrais mais distantes cujos monumentos megalíticos, as pinturas, as “Villas”, os teatros, os fóruns, as termas e os mosaicos, testemunham ainda grandezas desaparecidas neste cantinho ibérico.
Através de testemunhos únicos na Europa e praticamente desconhecidas de todos esperamos que este nosso contributo venha a despertar o vosso interesse por um encontro com a história, através do património paisagístico, arquitetónico e museológico, assim como do enológico e gastronómico, contribuindo para o combate à desertificação e aos constrangimentos de algumas zonas rurais.
  
Integrada nos “Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve” a vasta “vila” de Torre de Palma, classificada como Monumento Nacional, fica situada a 5 km de Monforte (junto à EN 369 que liga a aldeia de Vaiamonte a Monforte no distrito de Portalegre).

Desenvolvendo-se sobre uma colina, junto de um pequeno riacho, em torno de um vasto pátio interior, denominada “vila” em peristilo, é um espaço organizado cuja propriedade foi atribuída a uma poderosa família romana, os BASÍLII, cujo nome é conhecido através de uma inscrição encontrada no local, mandaram construir uma grandiosa residência, e aí se estabeleceram talvez desde o Séc. II até ao Séc. IV d.C. explorando um vasto latifúndio, que incluía lagares, celeiros e outras dependências agrícolas, sempre rodeados de servos sendo também local de recolhimento e de lazer do proprietário.
A Norte da “vila” encontraram-se as ruínas de uma Basílica Paleocristã, construída sobre um templo romano e objeto de várias reestruturações entre finais do século IV e o século VII, com três naves, e absides contrapostas, a qual tem um batistério em forma de cruz de Lorena, com dois lanços opostos de quatro degraus, do qual até há pouco tempo só se encontravam paralelos na Palestina e no Norte de África, que documenta o esforço e a consolidação do Cristianismo nesta região, tendo a sua importância perdurado até à Idade Média, com o reaproveitamento de partes das paredes da antiga basílica para edificação da capela de São Domingos.
Inicialmente escavada entre 1947 e 1962, o estudo da “vila” romana de Torre de Palma foi particularmente privilegiado devido aos seus mosaicos profusamente decorados e que se pensa serem dos finais do século III ou inícios do século IV d.C. De entre estes, não podemos deixar de mencionar os mosaicos dos cavalos vitoriosos e o das Musas, realizados por uma “oficina” itinerante africana.

Acolhimento de Visitantes:

·         Centro de Acolhimento e Interpretação onde se disponibiliza informação sobre o sítio arqueológico;
·         Loja, publicações de apoio aos visitantes, materiais de divulgação;
·         Percurso de visita sinalizado;
·         Estacionamento para ligeiros e autocarros;
·         Visitantes com mobilidade reduzida: certos troços do percurso de visita podem apresentar algumas dificuldades.

Horário:

Inverno - Outubro a Abril
Segunda a Sábado – 09h00 / 16h00
Domingo – 09h00 / 13h00
Verão - Maio a Setembro
Segunda a Sábado – 10h00 / 13h00 - 15h30 / 19h00
Domingo – 09h00 / 13h00
Encerramento ao público
1 de Janeiro
Feriado Municipal - Segunda Feira de Pascoela
24 . 25 . 31 de Dezembro


Fotos: Paulo Da Costa Gonçalves