domingo, 4 de fevereiro de 2018

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA | Um Gentleman em Moscovo de Amor Towles | DOM QUIXOTE - Tradução de Tânia Ganho

Nas livrarias a 6 de Fevereiro


Por causa de um poema, um tribunal bolchevique condena o conde Aleksandr Rostov a prisão domiciliária. Ficará retido, por tempo indeterminado, no sumptuoso Hotel Metropol. A prisão pode ser dourada. Mas é uma prisão.

Estamos em Junho de 1922. Despejado da sua luxuosa suíte, o conde é confinado a um quarto no sótão, iluminado por uma janela do tamanho de um tabuleiro de xadrez. É a partir dali que observa a dramática transformação da Rússia. Vê com tristeza os magníficos salões do hotel, antes animados por bailes de gala, serem agora esmagados pelas pesadas botas dos camaradas proletários. E vê-se obrigado a negociar a sua sobrevivência, num ambiente subitamente hostil.

Aos poucos, porém, o aristocrata descobre aliados no hotel, com quem partilha o seu amor pelo belo – e a defesa de valores morais que nenhuma ideologia poderá vergar. Faz-se amigo do chef, dos porteiros, do barbeiro, do encarregado da garrafeira, e com eles conspira para devolver ao Metropol a sua antiga e majestosa glória. Ao mesmo tempo, toma sob a sua proteção uma menina desamparada, a quem provará que a vida não se resume à luta de classes.

ESCRITORA VANESSA LOURENÇO NOVA CRONISTA

A partir do próximo dia 05 de Fevereiro, passamos a contar com a presença semanal da escritora Vanessa Lourenço como cronista do nosso Jornal.



Vanessa Lourenço nasceu em Lisboa nos anos 80 e possui um mestrado em psicologia clínica. Contudo as suas grandes paixões sempre foram as artes e os animais, e no ano de 2015 a perda de um gato preto que lhe era muito querido impulsionou a sua entrada no mercado literário com “A cria negra de Felis Mal’ak”, o primeiro de uma trilogia.

No seguimento deste projecto, publicou em 2016 o segundo volume, “A batalha de Sekmet”.
Encontra-se neste momento a trabalhar no último volume da trilogia, a par de outros projectos a serem revelados brevemente.






CRÓNICA | As “Super Nannies” das nossas vidas | CRISTINA DAS NEVES ALEIXO


A polémica é recente, o programa televisivo que lhe deu origem também, mas o problema de fundo que veiculou tudo isto talvez não seja tão novo assim. Tem crescido ao longo de décadas e é algo que tem inquietado a minha mente em diversos aspectos, qual monstro que um dia nos vem assombrar os sonhos.

Qual é a novidade de crianças mais ou menos problemáticas e birrentas? Nenhuma. A novidade está nas nossas vidas a mil, na valorização exacerbada do multitasking, na busca cada vez mais incessante do ser-se perfeito – quando já somos perfeitos nas nossas imperfeições, pois a vida é uma aprendizagem, e nem nos damos conta -, no querer cada vez mais, sem limites, levando-nos a um estado de exaustão onde algo tem que, obrigatoriamente, ficar para trás. Curiosamente, normalmente o que é relegado para segundo plano é, inconscientemente, aquela parte das nossas vidas a que deveríamos dar mais tempo e paciência: a nossa família e a formação dos nossos filhos. Formar e educar uma criança é algo extremamente sério e que obriga a uma disponibilidade física e emocional muito grande, algo que, nos dias de hoje, sejamos francos, a maioria dos pais não tem; não por culpa deles, bem entendido, mas por culpa do sistema de vida, que obriga a que estejamos disponíveis para tudo menos para aquilo que, de facto, mais importa para o ser humano: os afectos, os laços familiares profundos, aquela estrutura inabalável onde todos se respeitam e admiram mutuamente e que produz seres humanos capazes e dignos desse nome.

À falta de tempo e de paciência, delega-se o acompanhamento e a educação – erradamente - para os professores, para os vários educadores, para quaisquer terceiros – incluindo programas televisivos - que nos aliviem o fardo que carregamos diariamente na alma. E os miúdos apenas querem e precisam dos seus pais, devidamente disponíveis para eles. Sim, há crianças extremamente difíceis de educar; sempre houve; o que não havia era a falta de respeito, de formação, de amor e admiração pelo outro.

Quem nasceu até ao fim da década de 80 sabe que as “Super Nannies” sempre existiram. Davam todas pelo mesmo nome: mãe, e bastava um olhar mais sério para se sentir um formigueiro interior – respeito -, ao mesmo tempo que rapidamente se vasculhava a mente à procura de alguma falta. Elas resolviam qualquer problema, na hora, e quando sentiam que o caso ultrapassava os seus poderes pediam ajuda, sim, mas sem alaridos, sem dar a conhecer ao mundo a vida familiar, sem nos fazerem sentir miseráveis e alvos fáceis dos nossos amigos na escola. E nós amávamo-las e respeitávamo-las por isso e tudo o mais. Era Deus no céu e a nossa mãe, a nossa “Super Nanny”, na terra. 

O sistema de vida permitia que elas existissem em todo o seu esplendor. Nós, crianças, depois jovens adultos, verdadeiros seres humanos em formação, crescíamos felizes, sentindo-nos protegidos, amparados e amados, apesar dos raspanetes, castigos e olhares mais duros, muitas vezes, que não maculavam, em absolutamente nada, os valores incutidos diariamente.

Mas o mundo e as suas necessidades mudaram, dirão. Com certeza que sim. Seria uma parvoíce não perceber e aceitar essa realidade. O que se pode questionar é se ao mudarmos o fizemos de forma estruturada. Não deveríamos tentar encontrar um meio-termo? Tentar melhorar o sistema de vida, de modo a ser possível colmatar essa falha, tão essencial ao equilíbrio das nossas crianças e do futuro de todos nós? Será legítimo sujeitar os nossos filhos à humilhação de toda a gente ver a sua vida exposta num écran de televisão? em situações que todos nós, depois do momento passado, gostaríamos de apagar das nossas vidas?

Já diz o velho ditado: é no meio que está a virtude.

Os extremos nunca prestaram para nada.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | A anti-cultura televisiva dos "reality shows" | ISABEL DE ALMEIDA

Já se vislumbram anúncios televisivos a convidar as hostes para as inscrições no próximo "Secret Story" ou Casa dos Segredos, o que faz pensar que, em nome das audiências lá vamos nós regressar ao Vale Tudo. A maioria dos concorrentes deste tipo de programa são pessoas "escolhidas a dedo" pela capacidade de gerar polémica, criar ou alimentar escândalos, gerar empatia por compaixão junto do público, isto sem esquecer algumas edições de reality shows com figuras mediáticas ou relativamente mediáticas (por boas ou más razões) e depois vão surgir os romances construídos "a martelo" ou quem sabe, a pedido da produção. 

Aliás, até já se nota alguma proximidade neste mundo televisivo, onde há sempre alguém que foi, é ou alegadamente terá sido namorado de outra pessoa que já passou por estes circuitos.

Confesso que, à laia de curiosidade mórbida desde já assumida, adorava ler os contratos entre concorrentes e produção destes programas, e daria certamente um tema interessante para uma investigação psicológica acompanhar diariamente, in loco, as gravações e proceder a uma análise científica séria de todos os participantes que aceitassem colaborar em tal estudo, respeitando as questões éticas atinentes a um contexto deste género (admito que se trata, por enquanto, de uma mera hipótese que não tive ainda oportunidade de aprofundar minimamente em termos concretos), e para quem considere abusivo um estudo deste género, deixo aqui um convite à reflexão: não estará a televisão a sobrepor-se à ciência, descontextualizando factos, promovendo conflitos pré-existentes, alimentando verdadeiras guerras que em alguns momentos já conduziram a agressões físicas (e a expulsões)? Não serão a pressão psicológica e até alguma manipulação mais ou menos assumida em termos de produção limites tão graves quanto o da violência física, mas que se convencionou ignorar em prol das audiências?

Depois temos o reverso da medalha, a fama destes concorrentes costuma, por norma, ser efémera. E os "feitos" pelos quais se tornam famosos não são propriamente as "obras valerosas" a que aludia Luís de Camões em "Os Lusíadas". Já alguém parou para pensar no antes e no depois desta mediatização e das repercussões da mesma na vida destas pessoas "cronologicamente" adultas?

Neste âmbito, há algo que me incomoda como cidadã com formação em Psicologia e como profissional ligada também à área da educação: será correcto expor as nossas crianças e jovens à visualização destes conteúdos televisivos? E numa segunda abordagem, ainda que a supervisão parental o impeça, é possível isolar alguém destes conteúdos na era global onde grande parte da população juvenil e até infantil facilmente acede à internet, quer através de tablets, telemóveis ou computadores pessoais, ou porque há sempre aquele amigo mais velho que, até por afirmação pessoal mostra os conteúdos?

As conversas de café em zonas mais pequenas onde as pessoas se conhecem são também povoadas por estas personagens que invadem os nossos écrans para gáudio de muitos. As revistas ditas cor-de-rosa esfregam as mãos pois já pressentem ir vender mais uns exemplares entrevistando os concorrentes, descobrindo segredos mais ou menos sórdidos das suas vidas, alimentando também os conflitos que chegam a envolver familiares, ou expondo e lucrando com os dramas pessoais que sempre acabam por vir a lume nestes contextos.

Gera-se toda uma economia paralela aliada a este fenómeno, nomeadamente, são famosos os elevados valores que, enquanto dura o fogo fátuo desta fama, os concorrentes cobram por presenças em espaços de entretenimento nocturno, ou em festas diversas.

E pergunto eu, se efectivamente estes programas são "reality shows" (espectáculos da vida real, numa tradução assumidamente literal) está o nosso nível cultural assim tão mal de saúde? É assim viável o exercício da função pedagógica e aculturadora do mais poderoso e eficaz meio de comunicação social que dá pelo nome de televisão?

Tudo vale em nome das sagradas audiências? ... Parece que sim!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

CRÓNICA | Tejo: Oh, minhas putrefactas Tágides! | R.C. VICENTE


O fumo do cachimbo. Voluptuoso, moroso, com notas de morte em cada uma de suas argênteas linhas. Não se deixem por ele intimidar, distintos cavalheiros, incomparáveis damas. Sentem-se à minha modesta mesa, ignorem as manchas rançosas que tingem a sua toalha plastificada, bebam do meu vinho de travo amargo, aceitem a minha lúgubre companhia, pois hoje quero-vos falar das águas onde habitam as ninfas.    

Contam as más-línguas que após o senhor, seu paizinho, ter falecido, nunca mais as meninas Tágides foram as mesmas. Nas primeiras décadas de solidão ainda mantiveram um pouco da compostura pelo papá ensinada, mas logo a esqueceram. Primeiro vieram os desvarios provocados pela herança famosa do paizinho, que fizeram delas sensíveis como as mais mimadas menininhas ricas; começaram a ter chiliques cada vez que viam um bichinho nas suas águas e não tardaram em derramar nelas os mais impensáveis insecticidas. Anos depois, tiveram a sua fase rebelde e, aos venenos, juntaram os óleos e petróleos, e sabe-se lá que outras coisas, dos carros dos seus namoradinhos ainda mais rebeldes. Depois da fase rebelde, veio a modernice e, nuns acessos de hipsters, termo finamente utilizado nos dias de hoje para caracterizar os hipócritas materialistas que se regem por absurdas tendências, começaram a tomar longos banhos de espuma. Tão longos que já nem um mísero peixinho no Tejo se pode pescar…

Mas estas Tágides do século XXI têm mais malvadez do que misticismo, e honrando isto lá teceram o plano perfeito para se livrarem das culpas. Eu sei, isto é um choque para todos vós, distintos cavalheiros e incomparáveis damas. No entanto, a verdade tem de ser dita. Se a água do nosso Tejo está emporcalhada, a culpa é das Tágides filhas do Camões! Dos seus caprichos! Do seu humor inconstante! Das suas almas contaminadas pela famosa herança do falecido paizinho! Não só as mui perversas conspurcaram tudo, como têm agora o desplante de culpar os inocentes, gentis, honrados e correctos, senhores das fábricas! Essa gente humilde que acata toda a lei, cujo lema é a preservação da natureza! Esses honrados cavalheiros, alguns deles que até parecem ser donos de quase meio Portugal, que não possuem conhecimentos alguns para manipularem as aplicações das leis ambientais do nosso país, muito menos influência para saírem livres de qualquer penalização. Nada disso. Gente honrada, meus caros, muito correcta e amiga da natureza! A culpa é apenas das Tágides! Essa badalhocas mimadas, que embora lhes chamemos meninas já estão tão velhas que se podem caracterizar como putrefactas, que andam para aí a tomar os seus banhos de espuma, a espalhar os seus venenos para matarem os bichinhos, a passearem pelo Tejo nos carros dos seus pares nocturnos!       

O horror! Como se não lhes bastasse culpar os inocentes senhores fabris deste nosso Portugal, as malvadas Tágides putrefactas ainda têm a ousadia de empinar o nariz para os lados de Espanha, insinuar que também eles andaram a tomar banhos de espuma onde ao Tejo se lhe chama Tajo!

Distintos cavalheiros e incomparáveis damas, isto é um ultraje. Coitadinho do nosso ministro do ambiente, sua excelência João Pedro Matos Fernandes! Coitadinho! Teve de aplicar a terrível medida de precaução que consiste em ‘reduzir para metade o volume do efluente rejeitado, implicando a redução da laboração durante dez dias’ a uma fábrica inocente! O ministro, a indústria da pasta de papel, os espanhóis! Todos eles inocentes! Pessoas de bem, sem dúbios interesses, com as mãos limpas de obscuras negociatas milionárias, sem qualquer tipo de influência nas leis, livres de qualquer culpa!

Morte às Tágides! Elas que nos fazem buscar culpados entre inocentes! Elas que querem obscurecer a imagem de anjos de justiça enviados para a terra pelo mesmíssimo Jesus Cristo! Elas, distintos cavalheiros e incomparáveis damas, que no fim são as únicas culpadas de tudo…!

Ah… Que cansaço… Que aborrecimento… Que tema carunchoso…. Era o meu desejo ter-vos aqui apresentado, ilustres figuras, argumentos de peso, ter aqui mostrado as leis, os artigos, as coimas… Mas para quê? Mais vale culpar as Tágides, mais vale sorrir. O século XXI é a escola primária do mundo, onde, em vez de a justiça ser aplicada como era esperado, em vez dos factos serem analisados com correcção, se aponta o dedo e diz ‘Ele fez pior!’ ou ‘Ele bateu-me primeiro!’, e as figuras da acusação passam a mão pelas cabeleiras lustrosas e dizem ‘Vá, desculpamos o menino, que até é de boas famílias e pode beneficiar a minha vida privada!’.

Senhores e senhoras, damas e cavalheiros, ergamos os nossos cálices bafientos! Brindemos à hipocrisia do século XXI! Celebremos esta justiça coxa, maneta e zarolha, mais zarolha que o Camões! E deitemos a culpa às Tágides, e façamos o luto ao nosso Tejo! Façamos luto, pois as suas águas continuarão a ser torturadas, violadas, e os seus criminosos continuarão livres e impunes! Façamos luto ao Tejo, a Mulher de todos os rios! E brindemos com os nossos cálices bafientos, celebremos! porque de nada nos servem já as lágrimas.              

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ESCRITORA R.C. VICENTE NOVA CRONISTA

A partir do próximo dia 02 de Fevereiro, passamos a contar com a presença semanal da escritora R. C. Vicente como cronista do nosso Jornal




R.C. Vicente nasceu a 20 de Setembro de 1995 na cidade de Santarém, Portugal. Por volta dos seus cinco anos começou a criar as suas primeiras histórias. Contos esses que se desenvolveram com o passar dos anos e deram origem a “As Crónicas de Amindrius, Bérnia e Efendes”. Passou quatro anos da sua vida em Espanha, onde se tornou fluente em castellano. E com quinze e dezasseis anos, já em Portugal, venceu dois primeiros prémios literários na sua cidade. Participou ainda em diversas iniciativas literárias. “O Ressurgir dos Eternos Titãs” é a sua primeira obra e o primeiro volume de “As Crónicas de Amindrius, Bérnia e Efendes”. 

ESCRITORA CRISTINA DAS NEVES ALEIXO NOVA CRONISTA

A partir do próximo dia 04 de Fevereiro, passamos a contar com a presença semanal da escritora Cristina Das Neves Aleixo como cronista do nosso Jornal. 

Nasceu e cresceu no Barreiro. Já adulta toma-se de amores por Lisboa e aí reside até hoje. Profissionalmente desempenhou cargos tão diversos como os de escrituraria, recepcionista, tradutora, secretária, assistente de direcção. Chefiou departamentos empresariais, brincou com a locução de rádio e aos modelos fotográficos e publicitários, foi empresária.

Durante quase 30 anos fez do mundo empresarial privado a sua casa, enquanto, secretamente e desde a adolescência, se realizava verdadeiramente com a escrita. Academicamente brilhava na área de eleição: letras. A formação em escrita criativa foi inevitável.

O seu primeiro livro publicado em Maio de 2015, com a chancela da Capital Books, "Joaninha e o jardim encantado", alerta os jovens, e também os adultos, para os valores da amizade, da diversidade e incute o gosto pela aprendizagem. Em Julho do mesmo ano dá a sua contribuição em "Todos por um", uma antologia de contos comemorativa do aniversário da editora, com um policial ligeiro: "O caso das pedras preciosas".

Um ano depois, em Junho de 2016 e num registo mais uma vez diferente, mantém os laços com a editora que a viu nascer e lança, na Feira do Livro de Lisboa, "Por amor, tudo(?)" com prefácio do Dr. Daniel Cotrim da APAV. Esta é uma estória centrada na violência doméstica, fruto de um trabalho de campo muito sério junto de vítimas reais e que lhe valeu um elogio público. Este é, também, um livro que a autora fez questão que fosse solidário e apresenta o selo da APAV - uma parte das receitas reverte para a instituição. Diz que para si "escrever é como respirar: uma necessidade"; diz, a brincar, que "talvez sejam os genes" - é prima de António Aleixo.