quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CRÓNICA | Infância | MBARRETO CONDADO

“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”

*
A infância do Nunes decorreu dentro da normalidade podre que reinava na sua casa. O menino não podia correr porque o velho pai não gostava, não podia falar porque a sua voz o irritava, não podia tocar em nada porque podia partir o espólio que tanta lábia lhe custara a amealhar às já parcas velhas senhoras endinheiradas de Lisboa.

Uma coisa era certa com a sabedoria e sageza do velho pai quando o menino morresse tinha diversos jazigos bem localizados dentro do cemitério do Alto de São João por onde escolher passar a eternidade, até porque como se sabe na alta roda lisboeta mesmo depois de morto tem que se manter a posição social independentemente de como esta tenha sido adquirida. Já as idosas senhoras e as suas respectivas famílias não teriam a mesma sorte, teriam sim o privilégio de escolher um qualquer lote suburbano onde penar pelo seu triste fadário.

O velho pai mantinha, no entanto, enormes expectativas para este filho, tentando criá-lo à sua imagem e semelhança não fosse a diferença de alturas que por esta altura já os separava por uns bons dez centímetros a favor do Nunes. Pouco letrado, mas com o douto conhecimento que a vida lhe dera, o velho pai conseguiria incutir-lhe o mesmo princípio pelo qual regera toda a sua vida: “Não interessava como obtinha tudo o que se queria ter desde que o fizesse”. E assim Nunes aprendeu a sua primeira grande lição, isso e aprender a dizer restaurant carregando bens os erres e a usar o plastron a envolver-lhe o pescoço cheio de acne por não deixar a pele respirar devidamente.

O Nunes entrava na adolescência com as expectativas do pai a cairem por terra tal como a presunção de o vir a casar um dia com a princesa Vitória da Suécia e poder assim, ter um filho a quem todos chamariam de rei ainda que fosse consorte. 

Nunes acabava por ser também ele a sua má sorte.


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA| Apagar Estocolmo de Jens Lapidus | Editora Suma de Letras

A história de pessoas que tentam apagar o seu passado..


Finalista Prémio da Academia sueca de Escritores de crime

(como melhor romance policial sueco).

Sobre o autor:

Jens Lapidus, brilhante advogado criminalista em Estocolmo, serve-se da sua experiência profissional, que lhe oferece uma visão privilegiada, para escrever as histórias cruas e realistas que estão a conquistar o mundo. Autor comparado com James Ellroy pela crueza e realismo da sua prosa, os seus thrillers são aclamados pela crítica e pelo público nos mais de 20 países onde é publicado. Algumas das suas obras foram adaptadas para o cinema e os direitos de “Apagar Estocolmo” já foram também vendidos para o cinema.

Sinopse da Obra:


Quando o alarme de uma casa dispara em Värmdö, uma ilha do arquipélago de Estocolmo, um guarda acode, temendo uma invasão. Mas o que encontra está longe de ser comum: um corpo não identificável, brutalmente assassinado. Para complicar ainda mais as coisas, depara-se com um jovem ferido perto da cena do crime — um homem que a Polícia considerará o principal suspeito.
Emelie Jansson, uma jovem e prometedora advogada, recém-admitida numa conhecida firma de advogados, assume o caso do jovem, apesar da discordância do seu chefe. A apoiá-la está Teddy, um ex-presidiário que tenta permanecer no lado certo da lei, trabalhando como investigador para a firma de advogados. Mas Teddy tem os seus próprios problemas — nomeadamente, o seu rebelde sobrinho, que está prestes a seguir os passos criminosos do tio.
Quem é a vítima do assassinato e quem é o assassino? E por que é que todos os caminhos parecem conduzir a Mats Emanuelsson, um homem que Teddy sequestrou em tempos? Enquanto Emelie investiga, Teddy deve confrontar-se com o passado e salvar o sobrinho de um destino problemático. Rapidamente, os três ficam presos num jogo arriscado que ameaça desfazer as suas vidas.





CRÓNICA | Noturno arco-íris | HÉLDER MENOR



A primeira viagem oficial do Presidente da Republica foi uma romaria ao representante de Deus na Terra. Acalmem-se os beatos crismados, os moralistas republicanos e os mata-frades de serviço, que não pretendo teorizar sobre o catolicismo num país laico. Apenas constatar. Constatado está.

Aqui há uns anos, assisti de longe à penitente e pedonal peregrinação de um vereador que depois de ser eleito, caminhou da margem-sul até à Cova de Iria. O autarca peregrino era militante comunista.

Ambos, presidente e vereador, foram agradecer a um remoto divino a graça da acumulação dos votos na urna.

Debaixo das pedras de mil anos de catolicismo romano, que incluem os duzentos anos de santo-oficio, não foi possível, ainda (e felizmente!) converter completamente este povo aparentemente submisso. Por mais que sejam as camadas de asséptica cal sobrepostas no painel de azulejos, não se conseguiu ainda estripar aquilo a que o racionalismo chama arrogantemente de superstição. Batizados e confessados, muitos casados pela igreja mas de uma religiosidade popular politeísta, somos um povo de blasfemos com fé. 

Comunistas assumidamente ateus, fazem romagens à campa da Catarina Eufémia. Os socialistas em cargos oficiais são presença assídua nas  barrocas procissões do Santo Cristo nos açores. Muitos sociais-democratas fazem questão de, ao domingo, assistirem circunspectos à santa missa. Os centristas, antes de serem populares já eram católicos apostólicos.

Quando chega à altura das eleições é um corrupio de promessas. Para lá das públicas promessas eleitorais, estão as secretas promessas mágicas e religiosas, negociadas taco a taco com um qualquer Deus. Há nas vidas, praticas politicas e dos políticos, todo um registo transversal de recorrência a alianças com o sagrado. Velinhas e galinhas na encruzilhada para ganhar eleições.

Tudo normal e natural numa terra de milagres. Mas tudo feito com o pudor e o secretismo necessário à imagem pública do racionalismo cientifico obrigatório, aqueles que querem ser levados a sério. Seja o que for que isto quer dizer.

Um presidente de camara do norte do país, todas as primeiras segundas-feiras do mês, vai dar as sete voltas à capela do senhor da pedra em Matozinhos. Fá-lo em segredo, naturalmente. Há um conhecido deputado social-democrata que é visita frequente no gabinete de reconhecido astrólogo nas Amoreiras..., mas evita falar sobre o que vai lá fazer. Há uma senhora que foi ministra pelo partido socialista que participa recorrentemente em rituais de evocação das forças da natureza na noturna beleza romântica da serra de Sintra. Vai anonimamente e nunca entra nas fotografias do grupo. Diz quem sabe, que muitos comunistas deixam como vontade explicita de, após a sua morte, serem cremados e que as suas cinzas sejam depositadas na quinta da atalaia durante a festa do avante... Se acontece ou não, não sabemos. Diz-se que uma reunião da direção nacional do BE foi adiada porque duas pessoas da sua direção estavam num retiro de ayhuasca, procurando no êxtase e nas visões autoconhecimento e caminho. Diz-se porque as próprias não comentam sobre isso publicamente.

Nas áreas mais emocionais, como por exemplo, o universo desportivo, também o mágico e o sobrenatural emergem de mão dada na turbulência dos confrontos. Ainda com mais intensidade do que na politica. Ou com igual intensidade mas com menos pudor. No desporto as pessoas são mais genuínas do que na política e revelam mais de quem são.

Temos em direto um treinador que ganhou o campeonato europeu, a dizer, que o relacionamento que mantem com Deus (o seu Deus), foi fundamental para alcançar os resultados desportivos. Acredito que sim, que foi. E temos os bruxos e os mágicos, que se assumem como fornecedores de serviços aos clubes. E os jogadores que se benzem antes de entrar em campo. E as medalhas ao pescoço. E os galos e cordeiros sacrificados antes do jogo. E as chuteiras benzidas. E os concelheiros espirituais dos jogadores. A memória do Zandinga é algo que muitos de nós temos presente. E há o polvo vidente que adivinha resultados.

Dizia o escritor baiano de Itaparica, João Ubaldo Ribeiro, que se a macumba vencesse jogos de futebol, o campeonato estadual da Bahia acabava com empate técnico. Provavelmente terá razão.

Claro que enquanto povo, quando falamos nestes temas, no coletivo do café ou na impunidade das redes sociais, alteramos entre o jocoso e o criticismo. Mas em privado é diferente... Como povo bem-comportado que somos, obedecemos à imagem de um institucional catolicismo tradicional ou a um generalizado ateísmo cientifico social. Estatisticamente, somos católicos não praticantes, o que quer que seja que isto queira dizer. Mas para lá da estatística, e quando a incerteza e a adversidade aperta, está todo um manancial de magia e superstição para nos servir e a mostrar quem realmente somos:
-- "Doí-me a cabeça, vou pedir a alguém que me tire o quebranto!"
-- "Amanha, faço exame de condução, acende-me uma velinha"
-- "Será que ele tem outra? Veja lá aí nas cartas!"
-- "Caraças, esta equipa é só derrotas, temos de ir à bruxa".

E vamos às bruxas, às videntes, aos tarólogos e aos astrólogos.

Desenganados das científicas batas brancas, no silêncio com que lemos os horóscopos dos jornais, la vamos. E aprendemos onde moram os chakras. E recorremos aos templos e aos santos. E à corrente de libertação da quinta-feira. E fazemos promessas e mezinhas. E recorremos a feitiços e fetiches. E engolimos o corpo de deus materializado em pão. E usamos a figa. E desviamos os olhos quando nos cruzamos com um carro funerário.

Porque todas as ações e decisões são por si um infinito universo de possibilidades.

Se um decisor se vai consultar com uma vidente, está a assumir, mais que não seja perante ele próprio, a sua fragilidade e falibilidade das suas escolhas. E isso é bom. É bom quando quem exerce o poder, se apercebe da relatividade e do caracter efémero de todas as ações humanas, incluindo as suas.

Que venha a magia e o sobrenatural tempere o insonso cinzento dos dias.


Porque no fundo, bem lá no fundo, só há uma certeza: todas as certezas estão erradas!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PORTUGAL MAIS QUE SOL | Convidamos-vos a conhecer: O CROMELEQUE DOS ALMENDRES o Stonehenge do Alentejo | PAULO DA COSTA GONÇALVES



Mais antigo que o famoso Stonehenge, o Cromeleque dos Almendres, descoberto pelo investigador Henrique Leonor Pina, em 1964, aquando do levantamento da Carta Geológica de Portugal e reclassificado como Monumento Nacional a 29/01/2015 pelo Conselho de Ministros, é um dos maiores e mais importantes monumentos megalíticos do mundo, está localizado na Herdade dos Almendres, a cerca de 12 Km de Évora e a 4,5 Km da aldeia de Nossa Senhora de Guadalupe, faz parte do denominado "universo megalítico eborense", sendo um sítio arqueológico fácil de encontrar bastando seguir as indicações a partir da aldeia de Nossa Senhora de Guadalupe.


Como recinto megalítico, edificado entre o final do 6º e o 3º milénio a.C., é o resultado, por um lado, de uma evolução construtiva de vários milénios e, por outro lado, das transformações vividas pelos seus construtores nas vertentes económicas, sociais e ideológicas originadas pela sedentarização dos povos ibéricos durante o Neolítico.
Constituído por dois recintos distintos, dos que se pensa terem sido mais de cem monólitos graníticos das mais diversas formas e tamanhos, restam hoje noventa e cinco situados ao longo de uma suave encosta tipicamente alentejana e cujo local mantém uma mística de tempos esquecidos, mas que facilmente nos transporta às suas origens. Ou seja, à era de encantamento pagão onde o homem de caçador que acompanhava as migrações sazonais das suas presas, passou a cultivar a sua própria terra e a criar os seus próprios animais para pastoreio e consumo fazendo então nascer e crescer populações com personalidades bem definidas.


Tendo tido o seu início há cerca de 7.000 anos, mais 2000 que Stonehenge, o Cromeleque dos Almendres foi erigido em três etapas: os três círculos concêntricos de monólitos em forma ovóides remontam ao Neolítico Antigo; o recinto com duas elipses irregulares terá sido construído durante o Neolítico Médio; e no Neolítico Final, ambos os recintos terão sido modificados para a forma que mantêm até aos nossos dias.



Na sua maioria os monólitos são em forma mais ovoide, no entanto existem inúmeras pedras de proporções maiores, designados megálitos de forma fálica. Uma dessas pedras alçadas e de tamanho descomunal, embora estando isolada é o Menir dos Almendres que quando visto a partir do Cromeleque no solstício de verão aponta ao nascer do sol (no hemisfério norte o solstício de verão ocorre por volta do dia 21 de junho).

 


A verdadeira função do Cromeleque e do Menir dos Almendres não é precisa, até porque na “decoração” dos monólitos, do cromeleque, constata-se a presença das denominadas "covinhas" ou linhas sinuosas e radiais. Muitos deles, quer pela profusão da “gramática decorativa”, quer, pelo seu posicionamento estratégico no seio de todo o conjunto, parecem assumir o papel de autênticos "Menires-Estelas”, mas, os historiadores acreditam que tratando-se de um sítio cultural com uma forte carga mágico-simbólica para os povos que por ali se estabeleceram, ao longo dos séculos, com raízes seguras o fecundar das terras via falos em pedra seria um culto à fertilização das mesmas para a lavoura pelo que parece inegável que ambos aparentam uma forte ligação à agricultura e pastoreio desse período.
Disponível às visitas 24h e guardando o respeito, que é devido pelo lugar em si, é também um local sossegado e com um esplendor cuja aura mágica envolvente propícia a um piquenique enquanto aprecia a vista.


Fotos: Paulo Da Costa Gonçalves


Diagrama (foto 2): Anyforms, de acordo com proposta de datação de Mário Varela Gomes

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CINEMA | As Estrelas não Morrem em Liverpool | NOS CINEMAS A 8 FEVEREIRO

Baseado na autobiografia de Peter Turner, AS ESTRELAS NÃO MORREM EM LIVERPOOL, conta a história da alegre e muito apaixonada relação entre Turner (Jamie Bell) e Gloria Grahame (Annette Bening) uma excêntrica atriz outrora vencedora de um Óscar, mas já afastada da ribalta e que tenta relançar a carreira nos palcos de Liverpool.
O que começa como um vibrante caso amoroso entre uma lendária femme fatalle do grande ecrã e um jovem ator, depressa se torna em algo mais profundo, com Turner a tornar-se na única pessoa em que Gloria pode confiar. A sua paixão e sede de viver serão, contudo, postas à prova por eventos fora do seu controlo.

Realizado por Paul McGuigane, o filme conta ainda no elenco com Julie Walters, Vanessa Redgrave e Stephen Graham.



CRÓNICA | Entrelinhas | VANESSA LOURENÇO


O cão velho atravessou-se no meu caminho e informou-me educadamente que seria da sua autoria a minha primeira crónica neste jornal. Não que tenha dito muito para me convencer, era de poucas palavras. Trancou nos meus os seus olhos parcialmente vidrados e ramelosos, e disse apenas:
- Tens alguma ideia melhor?
Durante alguns segundos quis contrariá-lo e apresentar-lhe uma alternativa digna de um filme de cinema ou de uma história daquelas que alimenta a fogueira uma noite inteira, mas não me surgiu nada. Frustrada e irritada com a impertinência, devolvi-lhe:
- Aposto que tens pulgas.
Inclinou ligeiramente a cabeça e estreitou os olhos, e a infantilidade da minha resposta atingiu-me como uma paulada nas costas. Envergonhada, mas sem querer dar parte fraca, revirei os olhos e acrescentei:
- Se tiveres pulgas, posso ajudar-te com isso.
Ergueu um sobrolho grisalho e escancarou os olhos, antes de rebentar numa gargalhada. Eu nem sabia que os cães se podiam rir e senti-me corar. Rodou sobre si mesmo várias vezes e por fim lançou as patas dianteiras às minhas pernas, de uma forma surpreendentemente ágil para um cão velho. Ainda envergonhada, acariciei-lhe a cabeça por trás das orelhas e sentei-me no chão arenoso à frente dele. Pousou nas minhas pernas as patas encardidas, munidas de unhas compridas, e disse-me:
- Aqui tens a tua primeira crónica. A primeira de muitas.
Surpreendida, ergui o sobrolho e cruzei os braços sobre as pernas, inclinando-me para a frente para o ouvir melhor. Perguntei-lhe:
- O que queres dizer? Não me contaste história nenhuma!
Estreitou os olhos, mas desta feita não havia uma gota de sarcasmo neles. Apenas sabedoria, e uma secreta satisfação. Disse-me:
- Existem outros como tu, não duvides. Seres humanos cujas vidas são salvas e inspiradas todos os dias pelos animais que amam e se cruzam no seu caminho. Pessoas que páram na rua para falar com animais desconhecidos, e que partilham os seus sonhos e anseios com os animais que partilham as suas vidas. Essas pessoas precisam de saber que fazem parte de um grupo imenso de seres humanos que não só respeita os animais com quem partilha a vida todos os dias, como lhes reconhece uma complexidade que a sociedade tarda em lhes atribuir.
Abri a boca para falar, mas não saiu nenhum som. Ele colocou de novo uma das patas na minha perna e estreitou os olhos num sorriso. Acrescentou:
- Existem pessoas que falam connosco e esperam para nos ouvir. É com essas pessoas que vais partilhar estas crónicas e partilhar sorrisos de reconhecimento, com essas pessoas que acreditam que por vezes, os maiores tesouros da vida são deixados nas entrelinhas... e nos são desvendadas por aqueles que caminham em quatro patas ou nasceram para cruzar os céus com as suas próprias asas.




domingo, 4 de fevereiro de 2018

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA | Um Gentleman em Moscovo de Amor Towles | DOM QUIXOTE - Tradução de Tânia Ganho

Nas livrarias a 6 de Fevereiro


Por causa de um poema, um tribunal bolchevique condena o conde Aleksandr Rostov a prisão domiciliária. Ficará retido, por tempo indeterminado, no sumptuoso Hotel Metropol. A prisão pode ser dourada. Mas é uma prisão.

Estamos em Junho de 1922. Despejado da sua luxuosa suíte, o conde é confinado a um quarto no sótão, iluminado por uma janela do tamanho de um tabuleiro de xadrez. É a partir dali que observa a dramática transformação da Rússia. Vê com tristeza os magníficos salões do hotel, antes animados por bailes de gala, serem agora esmagados pelas pesadas botas dos camaradas proletários. E vê-se obrigado a negociar a sua sobrevivência, num ambiente subitamente hostil.

Aos poucos, porém, o aristocrata descobre aliados no hotel, com quem partilha o seu amor pelo belo – e a defesa de valores morais que nenhuma ideologia poderá vergar. Faz-se amigo do chef, dos porteiros, do barbeiro, do encarregado da garrafeira, e com eles conspira para devolver ao Metropol a sua antiga e majestosa glória. Ao mesmo tempo, toma sob a sua proteção uma menina desamparada, a quem provará que a vida não se resume à luta de classes.