quinta-feira, 31 de maio de 2018

LANÇAMENTO DO LIVRO A Lenda de Havn de ANA KANDSMAR

LANÇAMENTO 16H DO DIA 03 DE MAIO 
CAFÉ CONCERTO DO CENTRO CULTURAL CONGRESSOS DAS CALDAS DA RAINHA





A Lenda do Havn
Ou de um amor que (se) perdeu (n)o norte

A guerra cegou-a para a eternidade mas isso não a impede de ver o que o coração lhe quer mostrar!


Sofia, a esposa de Samuel, um Oficial da Marinha Inglesa, durante a Primeira Guerra Mundial, vivia em 1914, um amor intenso num lugar idílico. Entre o amor pelo marido e pelo belo Solar onde vive, há ainda espaço para outras paixões: A escrita e a pintura. Mas a Primeira Grande Guerra na segunda década do século XX, alterou profundamente a sua história. Um bombardeamento rouba-lhe tudo o que mais ama e deixa-a completamente cega.

Em 2017, Gonçalo é um jornalista que escreve um livro a partir dos relatos de uma mulher que vive num asilo para cegos. Ela tem um admirável talento para a pintura. Será que Sofia regista nos desenhos o que os seus olhos nunca viram mas o coração sente, ou as paisagens verdejantes do Havn são apenas fruto da sua imaginação?
Desde o horror da guerra aos dias felizes, o mural que ela vai pintando, conta uma história que tem tanto de fascinante quanto de inacreditável. Quem será Sofia, afinal? A esposa do Almirante inglês do início do séc. XX que fantasia o futuro, ou a cega do séc. XXI que relembra o passado? E Gonçalo? Estará preparado para o descobrir?

Depois do livro, A Guardiã- O livro de Jade do Céu, Ana Kandsmar apresenta aos leitores um romance que os leva numa viagem entre Portugal e Inglaterra, entre o século XX e o Século XXI, entre a paz e a guerra.



segunda-feira, 28 de maio de 2018

LITERATURA | Fabián e o Caos de Pedro Juan Gutiérrez | DOM QUIXOTE - Tradução de Jorge Pereinha Pires

Nas livrarias a 29 de Maio



Cuba na década de 1960. A revolução triunfou e dois jovens que aparentemente não têm nada em comum tornam-se amigos. Pedro Juan, um velho conhecido dos leitores do autor, é atlético, corpulento e tornar-se-á um sedutor amante de mulheres voluptuosas. Fabián é exatamente o oposto: fracote, assustadiço e míope, toca piano, é homossexual e a sua família – uma mãe madrilena e um pai catalão que emigrou para a ilha nos anos vinte – viveu tempos melhores na Cuba pré-revolucionária. Esta amizade improvável é resistente ao tempo, e as vidas destes dois rapazes voltam a cruzar-se passados anos. Pedro Juan é agora um hedonista que desfruta do sexo com mulheres de seios generosos e que não pedem compromissos, incluindo uma sexagenária desaforada. Fabián tornou-se um artista sem capacidade para enfrentar uma realidade hostil: tendo sido preso pela sua homossexualidade, o medo apodera-se dele e vive cada vez mais fechado sobre si próprio. Ambos se reencontram numa fábrica de conservas de carne, onde trabalham os párias da nova sociedade revolucionária, mas o destino de cada um será irremediavelmente diferente.

LITERATURA | Fora de Si de Sasha Marianna Salzmann | DOM QUIXOTE - Tradução de Paulo Rêgo

Nas livrarias 29 de Maio



Quem nos diz quem somos?

No presente romance, Sasha Marianna Salzmann explora esta questão, mostrando como a vida é um imenso desafio e os nossos anseios muitas vezes insaciáveis.

Fora de Si explica como alguns episódios do século xx influenciaram decisivamente o novo milénio. Conta a história de quatro gerações de uma família – a história do anti-semitismo latente e indisfarçado na União Soviética; a história da emigração e da esperança de uma vida melhor num país estrangeiro; a história de uma geração educada no país de acolhimento que perdeu o rasto da pátria e procura, mesmo assim, um lugar de pertença; a história de uma busca: de um irmão desaparecido, de auxílio, de identidade e, claro, de resposta para a pergunta: quem somos?

O romance vai de Odessa, na época da Revolução Russa, até Istambul, nas vésperas do golpe de Estado de 2016.

sábado, 26 de maio de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | A Democracia no seu melhor... | ISABEL DE ALMEIDA

   Pensamos nós Portugueses, ingenuamente, que vivemos numa democracia, mas a cada dia que passa, em especial em meios mais sensíveis como a política ou a justiça, ironicamente, a democracia está bastante debilitada, encontrando-se em sério risco de ser destronada por insidiosas e agressivas formas de censura, só suspeito que, fruto dos tempos, o lápis azul deu lugar aos novos meios tecnológicos como tablets, computadores pessoais e smartphones!

   Quando entre forças políticas ou instituições de génese Corporativa que representam Classes profissionais, ou clubes de futebol nos deparamos com um clima de alta tensão perante naturais movimentos de contestação e quando presenciamos, ao nível institucional ou mesmo perante os media e em redes sociais, atitudes ostensivamente repressivas, ditatoriais, de notória censura a quem se atreve a ser crítico, pensar pela própria cabeça e defender, contra ventos e marés, os direitos e interesses legalmente protegidos, paramos para pensar e ficamos boquiabertos com esta debilidade democrática em pleno Século XXI.

  Acho de uma ousadia assustadora e inconsciente que institucionalmente se adoptem comportamentos de censura e cuja pretensão é intimidar quem assume publicamente, por palavras e actos, posição contrária à assumida pelas aludidas instituições!

    É, tão simplesmente, uma questão de princípios e coerência defender aquilo em que acreditamos sem medos, sem recuos, e utilizando todos os meios legais ao nosso alcance para combater a censura, para combater os possíveis efeitos dilatórios das manobras de diversão cujo fito é retirar o foco do essencial (promovendo o acessório).

   Ainda estamos no âmbito dos princípios quando rejeitamos aceitar que sejamos acusados de delitos de opinião contrária a poderes instituídos, ou seja, perante ataques torpes à democracia, perante tentativas de silenciamento (nomeadamente, filtragem de comentários em sites, bloqueios de perfis em redes sociais apenas baseados em opiniões distintas e não em quaisquer perseguições ou intrusões, frise-se) que oscilam entre a negação da realidade, uma postura agressiva perante vozes críticas, tentativas de desmobilização de movimentos de oposição, medidas de censura activa com o fito de tentar impedir que temas de relevo, por exemplo para classes profissionais, sejam debatidos e livremente discutidos entre pares (como seria desejável e legítimo), com vista a uma futura decisão informada e , assim se espera, democrática!

  Muitas vezes, perde-se a noção do ridículo ao promover a censura, o que só atesta a perturbação e a incapacidade notória de gerir instituições, crises profundas e contestações em crescendo, porque desengane-se quem pense que não surgem resistências no seio das maiores catástrofes anunciadas.

Haverá sempre quem não aceite passivamente imposições castradoras, dignas de outros tempos ditos de trevas ou cinzentismo e lápis azuis.

Haverá sempre quem se atreva a combater atrevimentos,aparentemente, maiores!

Haverá sempre quem não se cale!

Haverá sempre quem se permita discordar e enfrentar injustiças, combatendo-as no terreno!

Haverá sempre quem se una em prol de algo que faz parte da sua identidade como ser humano!

Haverá sempre quem não esteja disposto a vender a sua consciência!

Haverá sempre quem não se conforme perante traições e as denuncie publicamente!

Haverá sempre quem defenda e exerça o seu Direito à liberdade de expressão sem ceder ao politicamente correcto!


   Será também importante lembrar os mais esquecidos (e isto é um dejá vu) de que o artigo 37º da nossa lei fundamental consagra como Direito Fundamental a Liberdade de expressão, e aproveita-se o ensejo para recordar que a censura é penalizada criminalmente neste país! Cabe a cada cidadão não deixar morrer a democracia das instituições quando esta se apresenta doente!


"Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo."
                                    
Gandhi

terça-feira, 22 de maio de 2018

LITERATURA | A Chegada das Tevas de Catherine Nixey









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A Chegada das Trevas é a história largamente desconhecida – e profundamente chocante – de como uma religião militante pôs deliberadamente fim aos ensinamentos do mundo clássico, abrindo caminho a séculos de adesão inquestionável à “única e verdadeira fé”. 


O Império Romano foi generoso na aceitação e assimilação de novas crenças. Mas com a chegada do Cristianismo tudo mudou. Esta nova fé, apesar de pregar a paz, era violenta e intolerante. Assim que se tornou a religião do império, os zelosos cristãos deram início ao extermínio dos deuses antigos – os altares foram destruídos, os templos demolidos, as estátuas despedaçadas e os sacerdotes assassinados. Os livros, incluindo grandes obras de Filosofia e de Ciência, foram queimados na pira.

Levando os leitores ao longo do Mediterrâneo – de Roma a Alexandria, da Bitínia, no norte da Turquia, a Alexandria, e pelos desertos da Síria até Atenas –, A Chegada das Trevas é um relato vívido e profundamente detalhado de séculos de destruição.


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Catherine Nixey formou-se em Estudos Clássicos em Cambridge e foi professora nessa área durante vários anos antes de se tornar jornalista no The Times, onde ainda trabalha.
Vive em Londres com o marido.
 

































segunda-feira, 21 de maio de 2018

LITERATURA | Estuário de Lídia Jorge | DOM QUIXOTE


Nas livrarias a 22 de Maio


Edmundo Galeano andou pelo mundo, esteve numa missão humanitária e regressou à casa do pai sem parte da mão direita. Regressou com uma experiência para contar e uma recomendação a fazer por escrito, e na elaboração desse testemunho passou a ocupar por completo os seus dias.

Porém, ao encontro deste irmão mais novo da família, vêm ter sem remédio as vicissitudes diárias que desequilibram a grande casa do Largo do Corpo Santo. Edmundo vai-se apercebendo, então, que as atribulações longínquas mantêm uma relação directa com as batalhas privadas que são travadas a seu lado.

E a sua mão direita, desfigurada, transforma-se numa defesa da invenção literária perante a crueza da realidade.

Em outros dos seus livros costuma Lídia Jorge dar rosto à modernidade para dela desocultar os seus efeitos escondidos. Mas neste caso promete mais. Estuário pertence à categoria dos livros de premonição, através do enlace entre o desenho do futuro e a Literatura.

domingo, 20 de maio de 2018

CRÓNICA | A família de ontem e a família de hoje | CRISTINA DAS NEVES ALEIXO


Esta semana comemorou-se o Dia Internacional da Família e, logo que tomei conhecimento desse facto, dei por mim a reflectir no conceito familiar da actualidade – ou não fosse eu dona de uma “mente inquieta”. Os neurónios, frenéticos, alternavam entre o modelo do passado e o do presente e nas suas implicações nas famílias e na sociedade.

Antigamente vivia-se para a família, para a ordem, a harmonia e a paz no lar. Tudo o que se fazia era pensado em termos familiares. Todos os seus elementos tinham papéis bem definidos e a vida decorria de forma tranquila. Os homens saiam de casa e iam prover o sustento, o conforto e travavam todas as lutas necessárias para a protecção e bem-estar daqueles que amavam. As mulheres, na sua maioria, ficavam em casa a construir e a manter a união, a acompanhar e a educar os filhos, a prepará-los para serem gente decente – alguns iriam, mesmo, decidir os destinos de todos nós -, e a acarinhar e a amparar aqueles que, já gastos e sem forças, lhes tinham dado a possibilidade de pisar este mundo. Não havia cá lugar a abandonar os velhos pais num qualquer lugar inumano ou a deixar os filhos entregues à sua sorte, à mão de semear de todas as tentações e perigos.

O resultado era um respeito generalizado, velhos a acabarem os seus dias com conforto e dignidade e crianças a crescerem fortes, felizes, bem preparadas para o futuro e que respeitavam e idolatravam os pais, os seus modelos.

Durante muito tempo viveu-se neste equilíbrio de valores, como uma máquina com várias engrenagens que se encaixam e completam para um único objectivo: funcionar bem, com o mínimo de percalços e esforço. E depois tudo mudou. As mulheres começaram a sair de casa para ocuparem os lugares até então dos homens, mas estes não ocuparam os das mulheres. Elas viram-se sobrecarregadas, forçadas a desempenhar dois papéis distintos em simultâneo, consecutivamente, e as fundações familiares deixaram de ter sustentação e abanaram por todos os lados.

De repente já não havia tempo para um carinho aos velhos, que passaram a morrer no abandono e tristeza, nem para uma formação adequada dos novos, que se afastavam cada vez mais dos progenitores e se tornavam verdadeiros estranhos que apenas partilhavam o mesmo espaço; passaram a crescer “à rédea solta”, com os exemplos e “ensinamentos” dos amigos, vazios de respeito, empatia, honra e espírito de sacrifício, acreditando veementemente que tinham um estatuto igual ao dos seus pais sem nada fazerem para isso.

De repente as pessoas já não tinham paciência umas para as outras, nem respeito, nem vontade e, à mínima contrariedade, divorciavam-se e “mandavam às urtigas” o equilíbrio em prol do recém-descoberto “eu”. Os nossos descendentes passaram a considerar normal que cada um vivesse para seu lado, com as suas necessidades sempre em primeiro lugar, que o individualismo era a base de tudo, fomentando o egocentrismo e egoísmo.

De repente vivíamos numa sociedade que o era só de nome, onde éramos cada vez mais em número mas estávamos cada vez mais distantes, sós e infelizes, mais intolerantes e beligerantes, onde o negrume do caos aumentava dia a dia. Tudo isso estava bem patente nas incompreensíveis guerras, na corrupção instalada em todas as áreas, nos assassinatos pela mais pequena disputa e nas diversas injustiças sociais. Cada vez mais abríamos o mundo a gente sem conteúdo valoroso.

Cheguei à conclusão que é urgente repensarmos os nossos valores, as nossas escolhas. A família é a base de tudo, é o nosso norte. Não pode ser descurada. Se o fizermos corremos o risco de perdermos a nossa identidade e nos tornarmos verdadeiras bestas. Sim, o mundo muda e temos que nos adaptar, mas há coisas que não devem, nunca, perder a importância que na realidade têm. Esta é uma delas.

Ainda me lembro das estórias que a minha mãe me contava tranquilamente, com todo o tempo do mundo, antes de adormecer. Recordo, com carinho, de irmos passeando e conversando até à mercearia para fazer compras a meio do dia. E dos lanches que me dava quando chegava da escola, enquanto me perguntava o que tinha aprendido. Quantos dos nossos filhos poderão, daqui a cinquenta anos, como eu, dizer o mesmo?