quinta-feira, 11 de outubro de 2018

LITERATURA | A Menina que sorria contas de Clemantine Wamariya e Elizabeth Weil | Objectiva

A  MENINA QUE SORRIA CONTAS
de Clemantine Wamariya e Elizabeth Weil
A história de uma menina que sobreviveu ao genocídio do Ruanda


Clemantine Wamariya tinha seis anos quando o destino do seu país deu uma reviravolta dramática: começou a faltar água e electricidade, as lojas fecharam, os pais passaram a falar em sussurros e os vizinhos começaram a desaparecer. Em 1994, ela e a irmã de quinze anos, Claire, não tiveram opção senão fugir ao genocídio do Ruanda, umas das maiores calamidades humanitárias do século XX, em que se calcula terem morrido perto de um milhão de pessoas. Perdidas dos pais, passaram os seis anos seguintes em fuga, atravessando sete países africanos. Sempre com fome, constantemente violentadas e aprisionadas, vítimas da mais desumana crueldade, mas também testemunhas da mais abnegada bondade e dos mais inesperados sorrisos.

Quando Clemantine fez doze anos, chegou finalmente a boa notícia: ela e a irmã receberam o estatuto de refugiadas e partiram para os Estados Unidos da América. Já em Chicago, as vidas de ambas divergiram. Clemantine foi adoptada por uma família que a acolheu com uma generosidade sem reservas. Frequentou escolas privadas, fez parte de claques, formou-se pela famosa universidade de Yale, até ser o que é hoje: activista de direitos humanos, oradora em conferências e nomeada por Barack Obama para o Conselho do Museu em Memória do Holocausto.


Clemantine Wamariya é activista pelos direitos humanos e uma excelente contadora de histórias. Nasceu em Kigali, no Ruanda, e viu-se obrigada a fugir por causa do sangrento conflito no seu país. Clemantine passou a sua infância em migração por sete países africanos. Aos doze anos, foi-lhe concedido o estatuto de refugiada pelos Estados Unidos, país que a viu formar-se em Literatura Comparada pela Universidade de Yale. Vive actualmente em São Francisco.

Elizabeth Weil escreve para o New York Times Magazine, para a revista Outstanding e para a Vogue, entre outras publicações. As suas reportagens valeram-lhe inúmeros prémios.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

LITERATURA | A Ordem do Tempo de Carlo Rovelli | Objectiva

A ORDEM DO TEMPO
de Carlo Rovelli
Autor de Sete Breves Lições de Física


Numa abordagem luminosa e apaixonante, o físico Carlo Rovelli traz-nos um novo entendimento sobre o maior mistério da humanidade. Um mistério que diz respeito a todos nós, porque o experienciamos a todo o momento. O tempo.

O que é o tempo e até que ponto o compreendemos? Temos uma existência no tempo ou o tempo existe dentro de nós? O que significa a ideia do «correr» do tempo? Estará o passado realmente fechado e o futuro tão em aberto como julgamos? E o tempo existe, de facto?

Escrito com a vitalidade poética que imprimira anteriormente a Sete breves lições de física, este é o ensaio científico e filosófico que mudará para sempre a nossa relação com a vida e com o Universo, porque para compreender o tempo precisamos de reflectir sobre nós. Combinando arte, filosofia e ciência, Carlo Rovelli transforma esta missão divulgadora sobre o mistério do tempo no maior dos prazeres, na mais bela das histórias.


Sobre o autor:

Carlo Rovelli é físico teórico e membro do Instituto Universitário de França e da Academia Internacional de Filosofia e das Ciências. Trabalhou em Itália, Estados Unidos e França. Com vários livros publicados na área, Sete Breves Lições de Física trouxe-lhe a merecida admiração de académicos e leigos, conquistando mais de um milhão de leitores à volta do mundo.





LITERATURA | A Distância entre mim e a cerejeira de Paola Peretti | Penguin Random House

Uma história verídica de superação






A história da pequena Mafalda é inspirada na vida da autora deste livro, Paola Peretti que é portadora da Doença de Stargardt, que causa a perda progressiva da visão até à cegueira completa.


A coragem e determinação desta menina iluminam aquilo que já desconfiávamos: que o verdadeiro sentido da vida está dentro de cada um de nós, que somos sempre mais fortes do que aquilo que imaginávamos, e que só com a ajuda de todos podemos ser inteiros, livres e felizes. 





terça-feira, 9 de outubro de 2018

LITERATURA | Frida Kahlo de Maria Hesse | PENGUIN RANDOM HOUSE


À VENDA DIA 16 DE OUTUBRO



Uma bela biografia da pintora mexicana Frida Kahlo ilustrada com as imagens evocativas de Maria Hesse. A vida de Kahlo, desde a sua infância ao acidente traumático que mudaria sua vida e sua arte, seu amor complicado por Diego Rivera e a feroz determinação que a levou a se tornar uma grande artista...














Maria Hesse (1982). Trabalha há três anos com a editora Edelvives na produção de livros didáticos e também realiza trabalhos de ilustração para as revistas Jot Down, Maasui Magazine ou Glamour. Maria publicou as suas obras ilustradas em várias editoriais como "Orgullo y Prejuicio" e "Frida Kahlo. Uma biografia ".

LITERATURA | A Bailarina de Auschwitz de Edith Eger | GRUPO SAÍDA DE EMERGÊNCIA


Bailarina_de_Auschwitz.jpg
Em A Bailarina de Auschwitz, Edith Eger partilha a sua experiência do Holocausto e as histórias extraordinárias das pessoas que ajudou desde essa altura, explica como a mente de muitos de nós se tornou numa prisão e mostra como a liberdade é possível quando nos confrontamos com o nosso sofrimento.


A Bailarina de Auschwitz é um livro transformador, um exame profundo do espírito humano e da nossa capacidade de cura.













Edith_Eger.jpgEdith Eger nasceu na Hungria e era apenas uma adolescente quando foi enviada para Auschwitz, em 1944.

Atualmente tem uma clínica de psicologia em La Jolla, na Califórnia, trabalha na Universidade da Califórnia, em San Diego, e dá palestras regularmente nos Estados Unidos e por todo o mundo. Trabalha igualmente como consultora para o exército e marinha dos EUA, em treino de resistência e tratamento de distúrbio de stresse pós-traumático. Edith Eger foi eleita Professora de Psicologia do Ano (1972), Mulher do Ano em El Paso (1978) e recebeu um Prémio Humanitário do Senado do Estado da Califórnia (1992). 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | " As Irmãs - As irmãs Albright - Série Completa, de Jess Michaels - " Tabu"| QUINTA ESSÊNCIA


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista
Foto: Direitos Reservados | Grupo LeYa


Tabu, de Jess Michaels, corresponde ao terceiro romance da série das irmãs Albright agora integrado na colectânea "As Irmãs", este ano publicada pela Quinta Essência, chancela do Grupo LeYa.

  Tabu é um sensual romance histórico, cuja acção decorre no período da Regência, em Inglaterra [1811-1820], o que se depreende não por referências temporais explícitas, mas através de referências textuais, e ainda pelas descrições de usos e costumes , e das normas sociais tão típicas deste momento histórico que a autora - Jess Michaels - tão sabiamente soube inserir na narrativa.

   A estrutura narrativa é a habitual neste género de romance, encontrando destaque especial os dois protagonistas Nathan Manning [Conde de Blackhearth], um jovem aristocrata Britânico que passou quatro anos em exílio, mais ou menos forçado, na Índia, como forma de tentar exorcizar uma desilusão amorosa provocada pela bela Cassandra Willows, a filha de um simples alfaíte, com a qual manteve um relacionamento amoroso na juventude mais precoce de ambos, mas que acredita tê-lo atraiçoado ao não cumprir uma promessa.

   Assim, quatro anos após a separação e exílio de Nathan na Índia, os dois antigos amantes reencontram-se, por mero acaso, na residência de Lady Bethany Worthington [Tia de Nathan], que é cliente de Cassandra, uma prestigiada modista, bastante requisitada pelas damas da sociedade Londrina.

   Um detalhe curioso, e que confere à trama uma intriga adicional, é a circunstância de Cassandra manter também um rentável negócio paralelo, que corresponde à criação de lingerie ousada e uma vasta gama de brinquedos eróticos, que inflamam as alcovas mais e menos legítimas da Londres da Regência.

  Ao reencontrar Cassandra, e vendo-se dominado por um súbito e pérfido desejo de vingança, Nathan força a jovem a manter com ele diversos encontros de cariz sexual, procurando, por essa via humilhar, dominar e retribuir-lhe a frustração que sofreu no passado interrompido de ambos [ou pelo menos, assim acredita o Conde que são estes os reais intuitos que o movem].

  Mas será Nathan assim tão frio e indiferente, ao nível emocional, e conseguirá manter os seus perversos intentos, quando descobre na ex-amante uma mulher determinada, inteligente, madura e bastante experiente sexualmente?

   E Cassandra, que vive atormentada por segredos do passado, que receia afectem Nathan, será capaz de resistir ao inegável desejo, e a algo bem mais sólido e forte, que nutre pelo homem que mais a marcou e a quem verdadeiramente amou?

   Ao longo da acção, temperada com as suspeitas de amigos de Cassandra - Ellinor Clifford, e Stephen Undercliffe - com a oposição evidente dos país de Nathan, a verdade é que os dois protagonistas envolvem-se em escaldantes encontros sensuais e sexuais.

  E a autora sabe, num estilo que lhe é muito próprio, usar uma linguagem bastante explícita e detalhada sob o ponto de vista sexual, mas que não chocará os apreciadores deste género literário, visto ser evidente o profundo envolvimento físico e também emocional entre  os protagonistas, sendo bastante perceptível a química que os une.

  Cassandra e Nathan irão envolver-se numa sensual disputa pelo poder, entre lençóis, onde se irão revelar ambos deliciosamente vencidos.

  Mas, segredos obscuros e a implacável sociedade da época, assim como a família de Nathan, irão revelar-se fortes oponentes ao futuro do casal, desde logo, porque ambos pertencem a diferentes classes sociais - numa sociedade bastante estratificada, com claros limites de actuação e relacionamento entre classes.

   Sempre presente, encontra-se também o risco de se tornar abertamente do conhecimento público o negócio paralelo de Cassandra Willows, bem como o seu passado como amante de vários homens.

   Ora, quebrar este Tabu é, para o leitor, deixar-se envolver numa saborosa onda de sensualidade, desejo e intriga, plena de mistérios a desvendar.

   Deixe-se levar ao sabor desta maré sensual!

Ficha Técnica da Obra:


Autora: Jess Michaels

Série: As irmãs Albright (agora editada numa colectânea num volume único)


Edição: Março de 2018

Páginas: 752 (obra completa)

Género: Romance erótico de época

Classificação: 5/5 estrelas



domingo, 30 de setembro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS-Especial | O jogo das cadeiras | ISABEL DE ALMEIDA e CARMEN COUTINHO MATOS


Mais uma novidade na rubrica, mensalmente teremos um autor convidado para o desafio de escrever uma reflexão conjunta. Desta feita, a Dra. Carmen Matos aceitou o nosso desafio! Segue-se uma reflexão em parceria!


O JOGO DAS CADEIRAS

Vivemos numa sociedade que se diz moderna mas na verdade oculta em si um lado, profundamente, obscuro, o “lado lunar”, o “dark side” parece começar a fazer parte da maioria da humanidade, a aparência começa a sobrepor-se à essência, nada é certo, tudo é volúvel, mutável, instável e… pouco fiável.

Diante de uma era muito cuidadora e zelosa dos seus direitos são precludidos os seus deveres e assim, sem pudor ou respeito, quer por terceiros ou quer por si próprio, o ser humano enverga e mantém uma máscara, a máscara do “ eu sou”.

Por séculos se viveram tempos falaciosos e difíceis, onde se vivia na base da “lei do mais forte”, do “nacional porreirismo”, do “Olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço!” Todavia, esperava-se que em pleno Século XXI, já se tivesse perdido algum do espírito da época dos Borgia, dos Tudor e de tantos outros exemplos semelhantes que encontramos na história, mas em termos de jogos de bastidores, estratégias, contra-estratégias, intrigas palacianas dignas das melhores cortes Absolutistas o registo retratado em tantas páginas da História Universal parece-nos vivo e de excelente saúde. O amigo de ontem pode revelar-se o inimigo de hoje, mas quem sabe, até, o melhor aliado estratégico de amanhã! Confuso!? Talvez, mas uma realidade irrefutável dos nossos dias! Basta atentarmos, por exemplo, em estranhas alianças na política nacional que conseguiram surpreender pelo inesperado dos resultados…

Impera, sem dó nem piedade, uma época em que a diplomacia, aparente, generalizada se instala sem contudo ser corroída pelos sentimentos mais comezinhos do ser humano, a ganância e o egocentrismo.

Socializamos com o outro sempre tendo por base o que se pode alcançar ou ganhar com tal “amizade” ou aliança, de tão enraizada que está na nossa mente a ideia de que nada tem de mal que possam advir proveitos daquela particular situação, sem que tal seja passível de beliscar a nossa honra, carácter ou fortaleza de espírito. Ser egoísta, oportunista, intelectualmente desonesto ou mesmo egocêntrico ou até narcísico é encarado como banal, aceitável e, pasme-se, natural!

Nos mais variados contextos: escolares, académicos, profissionais, políticos, económicos os valores tradicionais vêm sendo perdidos, a competitividade sobrepõe-se à consciência e à honestidade, os interesses pessoais e os egos inflamados mostram-se hierarquizados em escala superior aos interesses coletivos!

A mentalidade que impera, hoje ainda, procede a uma análise da realidade circundante em termos de “ganhos versus perdas”, de aproveitamento do mais forte pelo mais fraco, de maldade disfarçada de simpatia, cada vez mais,  nos cruzamos com os chamados “lobos com pele de cordeiro”.

Na era em que o “parecer” é sobejamente mais importante do que o “ser” eis que se vive, quotidianamente, no jogo das cadeiras. Sorrisos, simpatias, diplomacia, gentileza,  são as palavras de ordem, enquanto se escondem  nas sombras os instintos mais básicos e obscuros, onde se exploram fragilidades alheias para, quando o momento for conveniente, se desferir o golpe fatal no inimigo!

Se porventura hoje nos podemos encontrar numa posição de grande destaque no que tange a determinados contextos, ou perante algumas pessoas, sabemos de antemão que amanhã poderemos já ter perdido essa mesma posição em termos de relevo ou apreço, apenas e só porque em algum momento, ainda que fugaz, algo dissemos, fizemos ou não fizemos que nos levou a perder o valor, a ser olhados como inconvenientes, incómodos, o que quer dizer que na verdade perdemos a cadeira, ou até mesmo que esta nos foi retirada. Em suma, é fácil “passar de bestial a besta” em pouco tempo.
Embora sabendo que nada é imutável e que a vida em si significa movimento, é-nos ainda pouco percetível a fluidez com que todas as relações, sejam elas profissionais, de amizade, amorosas, de circunstância, com muita durabilidade ou pouca, se transformam, terminam, começam ou mantêm.

Política é a palavra de ordem! Este conceito que era tão circunscrito, adapta-se hoje em dia por interpretações, abusivamente extensivas, a toda a nossa vida e a todos os nossos círculos de atuação.
Ocorre-nos um exemplo histórico fascinante, mas com o seu quê de aterrador, Sebastião de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras, Ministro de D. José, delineou um plano com vista a destruir a família Távora, uma das casas nobres mais poderosas de Portugal, porque o fez? Porque a família Távora era ostensivamente crítica à sua política, à sua forte influência sobre o Monarca e porque em termos de egos, a diferença de classes era, ao que parece, fonte de exaltadas críticas e até humilhações, pois a família Távora considerava Sebastião José inferior socialmente, por ser membro da baixa nobreza, algo que também poderá ainda mais ter alimentado o espírito persecutório de um homem, frio, sagaz, mas também muito racional e pragmático! Às vezes, em certos jogos políticos não há, propriamente, uniformidade no papel de vilões e vítimas, embora seja certo que o mais forte vencerá a dado ponto desta alternância de papeis sociais!

A determinação do cidadão comum em se transformar num ser socialmente aceite pode tentar algumas almas a incorrer no pecado de alpinismo social, isto  é algo que ainda hoje, ou não, nos escapa aos radares intuitivos com que vivemos, não descartando, obviamente, aqueles que por motivos diversos já conseguiram alcançar um estado em que tais comportamentos são detetados à distância.

Proferem-se chavões comuns e afirmações de perpetuidade são proferidas sem qualquer pudor, pois são um meio para atingir um fim e obviamente, hoje, o fim justifica-se a si mesmo.

Neste turbilhão de acontecimentos e em estrita observância à máxima” nada se perde, tudo se transforma”, percebe-se claramente que existimos e sobrevivemos numa era em que, gradualmente, embora cada vez mais aceleradamente, estamos sozinhos e ninguém nos vem salvar.

A distorção de valores é avassaladora e inquietante, o próprio relacionamento social é oco, as alianças são estrategicamente delimitadas no tempo e a abertura ou disponibilidade e solidariedade pode mesmo vir a revelar-se, apenas e só, um ato de instrumentalização momentânea por motivos egoístas e convenientes a interesses ou agendas pessoais, rapidamente é substituível.

Bem sabendo que tais factos não se de agora e se perpetuam no tempo desde que o ser humano é quem é, tal não é justificável face à enorme evolução que temos assistido.

O mundo evoluí, a globalização instala-se, tudo se torna mais rápido, tudo se torna mais acessível, a informação brota em catadupa mas, na verdade, o ser humano, na sua essência mais primitiva, permanece em estado latente de evolução. 


"A Auto-consciência substituiu a consciência de classe, a consciência narcísica substitui a consciência política."

Gilles Lipovetsky, In "A Era do Vazio" (1983)