quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

EM 2026, QUE NÃO NOS FALTE O ESSENCIAL, de MBARRETO CONDADO


À porta de um novo ano, há sempre um instante silencioso em que cada um de nós se questiona:
o que realmente desejo para o que vem aí? É nesse intervalo entre despedida e recomeço que ganhamos coragem para escutar o que nos falta, o que queremos manter e o que esperamos transformar.

Para 2026, desejo que cada um encontre tempo — tempo para respirar, para sentir, para estar verdadeiramente presente com quem importa. Que haja espaço para conversas que aproximam, abraços que sossegam e encontros que lembram que ninguém caminha sozinho.

Desejo-vos dias mais leves, mesmo quando o mundo insistir em ser pesado. Que não falte coragem para recomeçar quando necessário e serenidade para aceitar o que não conseguimos mudar. Que 2026 vos traga saúde, paz interior e a delicadeza de saborear as pequenas coisas: um café quente, um riso inesperado, um final de tarde que acalma.

Que este novo ano seja um convite à autenticidade — para vivermos como somos, para cuidarmos de nós e dos outros, e para não deixarmos passar despercebidos os momentos que nos constroem.

Aos leitores da Nova Gazeta, deixo um abraço sincero e o desejo profundo de que 2026 seja um ano gentil, luminoso e cheio de motivos para agradecer.

Feliz Ano Novo. Que seja verdadeiramente bom.

MBarreto Condado

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O NATAL DE POIROT, de AGATHA CHRISTIE | EDIÇÕES ASA


Um policial de Natal. Na noite de consoada, a família Lee está reunida. Subitamente ouve-se um enorme barulho de mobília que se parte. Segue-se um grito de agonia. No andar de cima, Simeon Lee, pai tirano, jaz morto, num lago de sangue, a garganta cortada. Chega o inspector Hercule Poirot para desvendar o caso e encontra uma família cheia de mútuas suspeitas.
Para ler nestes dias de frio e chuva, no aconchego da casa.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

UM CONTO DE NATAL, de CHARLES DICKENS | CLÁSSICA EDITORA

 

Um Conto de Natal ou O Natal do Sr. Scrooge é talvez um dos mais conhecidos contos da literatura universal e, sem dúvida, o mais conhecido conto de Natal.

Nele, todo o sortilégio do Natal é tratado na prosa de um dos melhores caricaturistas sociais de todos os tempos, que foi talvez aquele que melhor soube apreender e transmitir o espírito do Natal!

Inúmeras vezes adaptado ao teatro, cinema e televisão, poucos serão aqueles que ainda não ouviram falar do fantasma do Natal Passado, do fantasma do Natal Presente e do Fantasma do Natal Futuro e do velho avarento que é visitado por estes espíritos que lhe transmitirão o verdadeiro sentido do Natal.

Escrito por Charles Dickens em 1843, salienta-se que esta edição inclui as ilustrações originais, concebidas por John Leech, ilustrador preferido de Dickens.

domingo, 28 de dezembro de 2025

GLORIA IN EXCELSIS - AS MAIS BELAS HISTÓRIAS PORTUGUESAS DE NATAL, de VASCO GRAÇA MOURA | QUETZAL EDITORES

 


«[…] a festividade religiosa (do presépio à missa do Galo) e a sua paralela celebração secular e jubilante quase sempre no plano da família; o contraste mais ou menos chocante entre Graça e desgraça, ou entre grupos e condições sociais; o regresso de alguém que, regra geral, estava ausente havia muito; a evocação do tempo e das vivências do passado; a reconciliação entre os homens; por vezes o sofrimento, a tragédia ou a violência numa quadra que não deveria comportá-los; quase sempre a ruralidade do meio em que a acção decorre (nesta colectânea, todavia, com algumas excepções nítidas); como cenário de fundo, é frequente a contraposição do mau tempo (chuva, frio, neve, ventania) a um ambiente aconchegado e familiar.»

Mais de quarenta histórias natalícias da pena dos grandes clássicos portugueses dos séculos XIX e XX, escolhidas por Vasco Graça Moura.
Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, José Régio, Vitorino Nemésio, Gaspar Simões, Miguel Torga, Alves Redol, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, José Saramago, Natália Nunes, Maria Ondina Braga, Isabel da Nóbrega e José Eduardo Agualusa, entre muitos outros.

sábado, 27 de dezembro de 2025

PORTO - CIDADE DE NÉVOA E PEDRA, de MBARRETO CONDADO | COLECTÂNEA PORTO UMA CIDADE COM ALMA | CHIADO BOOKS

 

Há cidades que se mostram de imediato, outras que se revelam devagar. O Porto, não — o Porto não é nenhuma delas — habita nas entranhas da pedra, dissolve-se na bruma, paira no silêncio húmido que desce do Douro e cobre os telhados rubros como um manto de memória ancestral. É uma cidade que se sente antes de se compreender, onde o granito tem voz e o vento murmura histórias que ninguém ousou escrever.

As gentes do Porto dispensam ornamentos: dizem o que pensam e cumprem o que prometem. São austeras como as fachadas da Ribeira, mas com um coração doce. Falam com voz rouca de quem viveu muito e sorriem com dignidade, sem pedir licença para existir. Nos olhos guardam ternura, nos gestos, uma franqueza que embriaga mais que o próprio vinho do Porto. Aqui, a hospitalidade não se mostra — pratica-se.

A cidade ergue-se em socalcos e vontades, resistindo a cercos, séculos e à pressa dos tempos. Por isso é Invicta — não por vaidade, mas por justiça. Em 1832, durante o Cerco do Porto, suportou bombardeamentos e privações para defender a liberdade constitucional. Foi aqui que D. Pedro IV foi aclamado, e quis repousar simbolicamente o seu coração — um raro gesto de amor político. Séculos antes, nas margens do Douro, nasceu o berço da nação. Daqui partiram navios que rasgaram mares e mapas, e chegou a modernidade com fábricas, comboios e indústria a transformar a cidade.

Nos muros e varandas cruzaram-se fidalgos, mercadores, espadas e ideias. O Palácio da Bolsa guarda essa nobreza ativa, unida ao labor tenaz dos homens livres. Nos seus salões ecoam passos de reis, palavras de diplomatas e juras de alianças. O Porto foi palco de revoltas operárias, bastião republicano e berço estudantil. Resistiu à censura e floresceu com o 25 de Abril. O passado não descansa: molda, arde e permanece.

Também nos muros se escreveram versos. Do Porto saiu Almeida Garrett, mestre do romantismo combativo. Aqui nasceu Sophia de Mello Breyner Andresen, que ouve o mar como quem escuta o destino. Camilo Castelo Branco viveu nestas ruas as suas paixões e tormentos — ora cúmplice, ora verdugo. Ainda hoje, o Porto é berço de autores: livrarias respiram entre pedras, cafés e ideias. Cada rua é um poema por escrever. O Porto transforma a dor em literatura eterna.

À mesa, outra epopeia — íntima e heroica. Há séculos, os portuenses cederam a melhor carne às naus, ficando com as tripas. Da escassez nasceu um prato símbolo: as tripas à moda do Porto. Nada descreve melhor a alma da cidade — que transforma pouco em muito, rude em belo. A gastronomia é resistência: a francesinha desafia, o caldo verde conforta, o bacalhau, eterno companheiro, renasce sempre. Em cada tasca pulsa uma alma, um aroma que fica na roupa e no coração.

E há o vinho do Porto, que desce do Douro em tonéis e repousa nas caves de Gaia, como quem adormece para sonhar. Não se bebe só — contempla-se. Doce, escuro, profundo. Como a cidade.

Os costumes nascem de festa e fé. No São João, sagrado e profano abraçam-se, e o Porto transforma-se em espanto. Balões sobem como preces, martelinhos e alhos-porros dançam entre gargalhadas, e o rio espelha as estrelas. É a noite em que a cidade se entrega, e por um instante, todos são filhos do mesmo chão.

O clima é um personagem à parte. Não se limita a estar — impõe-se. Os verões cheiram a sal e sol, os invernos colam-se à pele. Mas é no nevoeiro que o Porto encontra o seu rosto. Esse manto espesso que desce sem ruído envolve tudo, desfoca os contornos e devolve à cidade o seu mistério. No Porto, o nevoeiro não oculta — revela. Nas manhãs brancas, ouve-se melhor o tempo antigo, e cada beco parece um segredo em suspensão.

Na bruma, o Porto adormece,

com o Douro a sussurrar,

e um coração que nunca esquece

o que sempre há-de amar.


À beira-rio, os barcos rabelos contam outro tempo. Os degraus que descem à água falam de homens que lavraram o Douro com mãos calosas e coragem. Do alto da ponte D. Luís I vê-se a cidade em camadas: velha, eterna, resistente. Lá em cima, os telhados desenham uma colcha de ferrugem e sonho.

Se o passado é pedra, o futuro vibra nos corredores da Universidade, nas livrarias, nos cafés onde fermentam ideias. A vida académica é pulso, juventude, reinvenção. Chegam estudantes de todo o mundo, misturam línguas, sonhos, culturas. Enchem jardins, ocupam teatros, desafiam praças. Diz-se que é nos olhos deles que o Porto reaprende a ver o futuro — com ciência, arte e ousadia feroz.

O Porto escuta, mas também se transforma. Inova sem ruído, respeitando o que foi para erguer o que há-de vir. Cresce para o mundo, sem perder o cais da sua identidade.

E entre os heróis de outrora, também o presente se projeta. O futebol — paixão visceral — reflete a alma combativa da cidade. O azul e branco do F. C. Porto não é apenas cor — é nervo, é orgulho tatuado no peito de milhares.

Hoje, turistas chegam de todas as latitudes e perdem-se encantados entre a Ribeira e a Foz, entre travessas escondidas e o brilho dos azulejos ao entardecer. Espantam-se com a força do vinho, com a alma da comida, com a forma como o passado habita cada esquina. E os próprios portugueses, olham para o Porto com respeito e um fascínio silencioso — como se ali residisse uma verdade antiga, que todos reconhecem mas poucos conseguem nomear.

No fim, o que fica é um sentimento sem nome — um Fado quieto. O Porto não é só cidade: é forma de ser, de estar, de amar em silêncio. Quem aqui nasce, nunca parte por inteiro. E quem chega, se souber escutar, encontrará sempre um lugar onde pousar o coração.

O Porto é nevoeiro e luz, dureza e abraço. É pedra, rio, vinho e gente. Passado que pulsa, presente que arde, futuro que sonha — sempre com alma.

MBarreto Condado


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O DIA EM QUE O PAI NATAL SE DESLIGA DO MUNDO, de MBARRETO CONDADO


Dia 26 de dezembro.

As sobras do bacalhau ainda ocupam meia cozinha, os brinquedos estão espalhados pela casa como se tivesse passado um furacão infantil… e há uma pergunta que ecoa pelo mundo inteiro:

“E agora… onde está o Pai Natal?”

Depois de dois dias de autêntico caos logístico — milhões de presentes, renas stressadas, chaminés estreitas e GPS’s avariados na Lapónia — o Pai Natal está finalmente OFFLINE.

Completamente.
Indisponível.
Inalcançável.
Nem o WhatsApp mostra “última vez online”.

Neste momento, o Pai Natal está provavelmente:

• enfiado no sofá da Lapónia com uma manta,

• a beber um chocolate quente extra-forte,

• a ver séries em modo maratona,

• e a repetir para si próprio:

“Nunca mais como um bolo-rei deixado no parapeito. Nunca.”

As renas, coitadas, estão num spa especializado em animais exaustos, a fazer hidroterapia e massagens nas patas — principalmente Rudolph, que tem tendência para se queixar mais.

A Mãe Natal, essa sim, é a verdadeira heroína. Passou dois dias em gestão de crise, a atualizar listas, a coordenar elfos em burnout e agora olha para o marido e diz apenas:
— “Amanhã começas a dieta.”

Os elfos, libertos finalmente, estão em modo festa total: karaoke, jogos, biscoitos… e zero trabalho até fevereiro. É praticamente o verão das férias deles.

E nós?

Nós recuperamos lentamente, digerimos o peru, arrumamos brinquedos, e olhamos para o calendário a pensar:

“Como é possível ainda faltar uma semana para o Ano Novo?”

Mas lá longe, na Lapónia, entre neve, mantas e ressonares épicos, o Pai Natal repousa.
Porque sabe que para o ano vai tudo recomeçar.

E porque, sinceramente… se o homem não descansasse hoje, ninguém aguentava o Natal de 2026.

MBarreto Condado

 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

ENTRE VÍRGULAS E AFETOS, de MBARRETO CONDADO

Há amizades que nascem no acaso, outras na necessidade, e há aquelas que florescem na palavra. Vocês, meus amigos escritores — Fernando, Vanessa, Mafalda, Anita e Cecília — pertencem a esse último e raro tipo. Vieram primeiro como companheiros de letras, cúmplices de textos e conversas intermináveis, mas permaneceram — e permanecerão — como muito mais do que isso. Tornaram-se família: um irmão e irmãs.

Irmão e irmãs não apenas de caneta e papel, mas, sobretudo, de sentimentos. Vocês estão sempre presentes nos momentos melhores e piores da minha vida, encorajando-me com palavras sábias que tocam a alma, e que nunca me permitem desistir. Entendem o silêncio que precede uma ideia, a inquietação de um parágrafo inacabado, a alegria quase infantil de quando uma frase finalmente encontra o seu lugar. Sabem que escrever não é só técnica; é entrega, é fragilidade exposta, é coragem partilhada.

Estiveram sempre comigo — nos dias de inspiração, e nos de cansaço; nas páginas que brilhavam, e nas que tremiam. Souberam ouvir quando as palavras doíam, celebrar quando elas voavam, e, acima de tudo, acompanhar quando elas simplesmente não vinham.

A literatura aproximou-nos, mas foram a sensibilidade, o respeito, e o carinho que nos uniram de vez. Hoje, olho para cada um de vocês — Fernando, Vanessa, Mafalda, Anita e Cecília — e vejo não apenas escritores admiráveis, mas pessoas raras, cuja presença consola, inspira, e transforma.

Se a vida é feita de capítulos, vocês são aqueles que nunca deixaram de aparecer nas minhas páginas. Obrigada por serem porto, riso, reflexão, e abrigo. Obrigada por serem mais do que amigos: por serem verdadeiros irmão e irmãs de alma, e de sentimento.

Que continuemos a escrever juntos — histórias, dias, e afetos — por muito tempo, porque a nossa vida já é um parágrafo em comum, cheio de vírgulas, sem ponto final, sempre aberto a novas linhas, novas histórias, e novos momentos partilhados.

MBarreto Condado