domingo, 19 de novembro de 2017

LITERATURA | A Batalha de Sekmet | VANESSA LOURENÇO




SINOPSE

Poderá um deus com coração de herói ser o vilão da sua própria história? Os heróis não são sempre heróis, mesmo os de natureza divina. Mas a perseverança, o companheirismo e a fé em tudo o que nos move, fazem milagres. 
Das areias de um deserto longínquo do passado chega-nos a promessa de uma batalha que ameaça a permanência de toda uma espécie na terra. 
Conseguirão os nossos heróis contrariar esse destino e ultrapassar todos os desafios que vão encontrar para lá chegar?

OPINIÃO | "Planeta Terra" | MAFALDA PASCOAL

Era uma vez um planeta muito colorido...

Lá dentro tem muita água, muito gelo, solo firme, vegetação, muitas cavernas e tuneis, pirâmides, vulcões, desertos de areia, areias movediças, muitos animais, muitos insectos, muitas aves, muitos repteis, muitos peixes, muitos seres humanos...

Onde existe água, lá dentro tem muitas qualidades de peixe e não só, ainda estão por descobrir muitas muitas coisas nos lugares mais reconditos do oceano...

Onde existe gelo, muita coisa por descobrir ainda existe, cidades e civilizações congeladas e alguns animais que desconhecemos...

Onde existe solo firme também tem coisas suterradas que desconhecemos, até porque este solo firme, já não está tão firme assim...

Onde existe muita vegetação, estão escondidas entradas para grutas, cavernas ou simplesmente estão um conjunto de arvores centenárias que, cada vez são menos devido aos fogos...
Onde existem muitas cavernas e tuneis, estes últimos feitos plo homem ou pla natureza, também não se conhecem na sua totalidade e também lá existem coisas que desconhecemos, talvez ovnis ou outros artefactos estranhos para a nossa percepção presente...

Onde existem pirâmides, esses monumentos que tanto intrigam o ser humano, também lá dentro estão fenómenos inalcansáveis para nós, em algumas pirâmides estão guardados objectos que a nossa presente inteligência não poderia deparar-se com tamanha evolução, dado que, enquanto tivermos em mente fabricar uma arma mais mortífera que a do vizinho, não podemos ter em mãos algo tão potente assim...

Ainda assim me pergunto porque existe tanta ambição em descobrir fora do planeta! Tantos biliões a serem gastos...quando cá dentro existe uma infinidade a ser explorado e descoberto...uma infinidade de pessoas a morrer de fome e de sede...uma infinidade de velhos sem família e sem condições de sobrevivência...uma infinidade de crianças sem família e a aguardar por um lar de acolhimento... 
E em última análise, uma infinidade de animais há espera de um lar...

Claro que o ser humano nada vai mudar...mas a natureza?! Ah a natureza...essa tudo vai mudar e assim como nós não temos tido dó em fazer o que nos dá na real gana, porque o que nos interessa são os dividendos  que podemos tirar  de toda a exploração da natureza deste planeta, agora vai ser a natureza a reabilitar-se, a reorganizar-se, a reenergizar-se e não vai ter dó de nós...

Assim como quando temos que mudar algo em nós e não temos coragem de o fazer, vem a vida e muda o que deve ser mudado e dessa forma faz-nos doer mais, assim fará a natureza, já que a humanidade não tem coragem de se unir e fazer algo para poupar o planeta, a natureza irá fazê-lo por nós...e vai doer muuuito...      


Mafalda Pascoal | Poetisa | Colunista Nova Gazeta


sábado, 18 de novembro de 2017

OPINIÃO | " Sexy-Fresh-Pop" | ANA KANDSMAR

Se eu mandasse em Portugal, a ASAE deixava de fiscalizar casas de pasto e os respetivos prostíbulos anexos. Deixava de implicar com madeiras emporcalhadas e cagava na cena dos PPL-PPP-PPC (pia-para-legumes; pia-para-peixe e o resto já sabem). 

A ASAE para já, mudava logo de nome porque eu não o entendo na sua totalidade: “Autoridade de Segurança Alimentar e Económica” -eu entendo o que seja segurança alimentar, afinal temos de estar atentos ao que metemos na boca, na medida do possível. Mas segurança económica? São poucos os que podem dizer “sinto-me seguro economicamente”. E esta (in)segurança nada parece ter a ver com a ASAE.

Mas, como dizia, a ASAE transmutar-se-ia para a Autoridade de Segurança Auditiva e Económica (afinal não interessa se uma pessoa entende ou não o termo, acabo de aprender que o que importa é soar bem) e passava a fiscalizar locais de diversão diurna de entrada livre, como a Stradivarius ou a Bershka. Licença comercial só após o emudecer de uma Rihanna esganiçada em alto volume de som. Logo teríamos uma larga massa de adolescentes em crise existencial. Eu tenho uma filha adolescente. Sei bem do que falo e arrisco aqui algumas razões:

a. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude a esquecer a falta de dinheiro para comprar metade da loja.

b. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude as adolescentes a sentirem-se sexy-fresh-pop ao espelho com os trapinhos igualmente sexy-fresh-pop (é todo um universo…)

c. talvez uma toada sexy-fresh-pop deixe os funcionários sem qualquer capacidade para pensar  na miséria do salário que ganham e consequente merda de vida que levam.

d. talvez uma toada sexy-fresh-pop abafe os comentários das fêmeas mais ranhosas (“o cu dela não cabe ali…” ou “que mau gosto, a pindérica!

Fortes neuras e stresses domésticos fazem parte das rotinas dos progenitores atuais. Mais uma vez, sim, eu sei bem do que falo. Se pensarmos em pequena escala, mesmo em pequena escala vamos dar ao fim do mundo! Ora vejamos:

100 adolescentes ficam histéricas porque a Pull está em total silêncio. Cada uma delas fica frustrada porque esteve atenta o suficiente para ler as etiquetas dos preços. Depois de toda a tensão para largar o molho infindo de roupa que quase lhe despenca o braço e escolher apenas uma peça, apercebe-se que terá de fazer uma cirurgia para ter mamas. Sai do vestiário e ouve uns risinhos trocistas que põem fim à amizade de semanas e semanas! (nestas idades a intensidade das coisas não está mesmo no tempo que elas duram). Continuando… Estas 100 adolescentes seguem em fúria para casa, depois de com os nervos, terem partido duas ou três unhas de gel. Uma desgraça!

Já estão a ver o filme – mães em pânico, pais que não cedem ao diálogo, tias que põem água na fervura, uma tensão de morte durante dias até que, 100 adolescentes resolvem deprimir…automutilam-se, fazem greve de fome, ameaçam fugir de casa… é uma bola de neve. Se isto ocorre em dezembro, (está quase aí) época da febre das comprinhas para o Natal, o vestidinho curto (muito curto) cheio de lantejoulas para o réveillon mais “In”de todo o sempre (para os pirralhos tudo tem que ser o best do the best), numa discoteca supermega bem frequentada pelos magníficos sexy-fresh-pop do Love on Top… imaginem…! É o estado de sítio para um número considerável de famílias e um acréscimo exponencial de clientes na psiquiatria! De modos que a minha teoria bate certo. A música imprópria para consumo nos estabelecimentos comerciais tem tudo a ver com o lado ordeiro de um povo. Tenho dito.

Ana Kandsmar - Escritora | Colunista Nova Gazeta


LITERATURA | A Cria Negra de Felis Mal'Ak | VANESSA LOURENÇO



SINOPSE

Uma aventura entabulada a quatro patas, numa escolha decisiva entre o medo e o amor. Esta é a história de um gatinho negro que,na companhia de outros felinos muito especiais, se prepara para travar a batalha que decidirá o futuro de todos os gatos no nosso planeta. 
E talvez até para lá dele. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

LITERATURA | A Cidade das Brumas | ANITA DOS SANTOS



SINOPSE

É chegado o momento de ser cumprida a profecia que foi feita setenta anos antes do nascimento dos dois jovens por um druida vidente, que predizia que ambos seriam os guardiões e guias da Gente Pequenina. Mas foram feitas mais previsões das quais os dois jovens não têm ainda conhecimento.
Deles irá depender a continuidade da Cidade do Norte, da Cidade das Brumas, como sede da guilda dos druidas.
Tudo lhes é revelado nas cartas enviadas pelas Escolhidas, as suas progenitoras.
E enquanto o caminho para a Cidade das Brumas se revela pleno de surpresas, quer para os feéricos, quer para os humanos que os acompanham, o perigo faz-se sempre presente entre eles.
Na Cidade do Norte, a intriga, a traição vai minando por entre os elementos do Circulo dos Sete, o órgão máximo da Cidade dos druidas. E como tinha sido também previsto, a Cidade está em risco.
André e Vicente têm de chegar à Cidade das Brumas a tempo de prestar auxílio ao Circulo dos Sete.

Haverá mais surpresas e peripécias a aguardar os dois amigos?

OPINIÃO | Maternidade | MARGARIDA VERÍSSIMO

Há dias fui a um jantar só de mulheres. Não era um “jantar de mulheres”, mas um encontro das turmas de fitness que, vai-se lá saber porquê, são só de mulheres, com exceção dos professores que são homens. Reformulo a primeira frase: há dias fui a um jantar de 1 homem entre mulheres, mas como o único homem se sentou no extremo mais afastado da mesa relativamente ao local onde me sentei, acabei por conviver e falar só com mulheres. Entre vários temas de conversas, um que acaba sempre por surgir naturalmente é a maternidade.

Quando os filhotes são mais pequenos as mães falam mais das proezas dos seus rebentos. Com um brilho cintilante no olhar descrevem orgulhosas, as conquistas, brincadeiras e episódios brilhantes ou insólitos protagonizados pelos seus ímpares e fantásticos filhos. Falam do cansaço e das noites mal dormidas ou da sorte e mérito que têm por os seus filhotes dormirem a noite toda. Fala-se de roupinhas e de comidas, de escolas, de atividades, de tudo e de nada. À medida que os filhos crescem a necessidade de exteriorizar a imensidão de espaço e tempo que os filhos preenchem nas nossas vidas diminui. Depois do assombro inicial aprendemos a gerir este impulso e a distinguir as nossas próprias vidas das vidas dos nossos filhos, até porque que interesse poderá ter para alguém o facto de o nosso filho ter conseguido resolver sem ajuda uma inequação fracionária do 2.º grau ou da nossa mais nova conseguir distinguir os protozoários dos vírus, bactérias e fungos?

Mas seja qual for a idade dos filhos um tema épico de conversa, fascinante, que nunca fica desatualizado nem perde interesse com o distanciar do acontecimento é o parto! Há partos para todos os gostos e para todos os estômagos. Independentemente de quantos filhos se teve, cada parto foi único, irrepetível, especial e homérico! Há histórias incríveis de partos, aliás, todas as histórias de partos são incríveis: dos rápidos, fáceis e indolores aos morosos, penosos, difíceis e arriscados. E há histórias terríveis e dramáticas de partos. Tanto num parto vaginal, com ou sem instrumentos de auxílio, com ou sem anestesia, dentro ou fora de água, como numa cesariana, sentimos que os médicos tratam o nosso corpo, o corpo da mãe, como se de um mero invólucro do bebé se tratasse, que é preciso rasgar, cortar, torcer, puxar, empurrar, alargar para que o bebé nasça, para que o bebé finalmente chore a plenos pulmões, respire e abra os olhos para este mundo novo que o acolhe.

O parto é um momento único na vida de uma mãe. Também o será para o bebé, mas desse momento não guardamos memória. É vivido e sentido com um misto de felicidade e melancolia, medo e coragem, ansiedade e serenidade, prazer e sofrimento. Quando finalmente podemos envolver nos nossos braços o filho recém-nascido, sabemos que deixámos de o envolver com todo o nosso corpo, apesar de o envolvermos com todo o coração. Deixou de ser o nosso corpo para ser um corpinho pequeno e frágil, do mundo, que crescerá e, se Deus quiser, se tornará forte, livre e independente.

A verdade é que após o nascimento do filho, somos nós que tentamos adiar o corte psicológico do cordão umbilical, a separação física, o assumir o filho como indivíduo autónomo do nosso ser, das nossas vontades. Queremos preservá-lo para nós pois faz parte integrante da nossa existência, transborda-nos e transborda da nossa essência. Fundimo-nos e tentamos preservar a entidade física una mãe/filho que não somos.

O filho, que durante nove meses se alimenta do nosso corpo, do nosso sangue, que nos suga a energia, que nos condiciona as ações e a alimentação, que nos enche de desejos e nos esvazia de enjoos, que nos provoca carências, cãibras, peso a mais, cálcio a menos, que nos rasgou o corpo e o tatuou em forma de cicatriz, que nos rouba o sono tranquilo, oferece-nos uma nova dimensão de viver, uma dimensão suprema, plena do que é existir, existir dentro e fora de nós, existir por dois, por três, sem deixarmos, contudo, de sermos nós.

















Margarida Veríssimo

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

LITERATURA | O Bosque dos Murmúrios | ANITA DOS SANTOS


SINOPSE

“E assim os dias foram-se escoando para o André, até aquela bendita noite em que já se lhe tinham acabado as últimas nozes que tinha encontrado, dos víveres que tinha trazido, já nada restava, e até as pederneiras para fazer a fogueira desapareceram sem ele saber como nem porquê… e agora ali estava ele, noite serrada, enrolado no cobertor com as costas encostadas ao tronco de uma árvore, a barriga aos roncos e a tiritar de frio.
Uma lástima!
E nem um miserável vislumbre do que quer que se assemelhasse a um feérico… Era mesmo falta de sorte…” 

André e Vicente são dois jovens amigos que se propõem ir em auxílio da povoação onde estão a morar.
Não estão lá há muito tempo, mas já são queridos por todos.
Por todos?
Quando o verde começa a desaparecer são os primeiros a procurar encontrar o Senhor dos Bosques, personagem das histórias que os antigos contavam à lareira, e que habita no Bosque dos Murmúrios.
Só ele detém o poder de derrotar o Senhor das Trevas e recuperar o verde.