segunda-feira, 20 de novembro de 2017

LITERATURA | O Herdeiro de Antioquia | PAULO COSTA GONÇALVES





SINOPSE

Cruzar a História com as histórias, recriando um enredo complexo e interessante, é um desafio nada fácil de concretizar mas que dá forma ao livro “O Herdeiro de Antioquia”, da autoria de Paulo Costa Gonçalves, lançado recentemente pela Chiado Editora.

Conjugando uma trama que perpassa quase mil anos de História, a partir da invasão da Cidade de Antioquia no ano de 1098 até à Lisboa cosmopolita de 2013, Paulo Costa Gonçalves atravessa de forma arrepiante as paixões e os sentimentos de uma família marcada por uma lendária maldição. 

Num ritmo frenético que prende quem a lê, a história enreda-se em pistas e contra-pistas, dando forma a laivos de inesperada surpresa que surgem a cada momento da acção, conjugando-se num clímax imprevisível que garante emoções fortes até à última página. Os protagonistas, centrados num humanismo que explica a força e a determinação com que lidam com os muitos percalços que os envolvem, oferecem-nos uma perspectiva diferente de uma Lisboa moderna e em que muito se passa para além daquilo que nos é dado ver.

CRÍTICA LITERÁRIA | " Quando éramos mentirosos", de E. Lockhart | ASA


Texto e Foto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista


   Quando Éramos Mentirosos, de E. Lockhart [Pseudónimo de Emily Jenkins, autora Norte-Americana a residir em Nova Iorque, detentora de um Doutoramento em Literatura Inglesa] constituiu uma excelente surpresa, tratando-se de um romance contemporâneo que pode ser inserido na categoria de Young Adult, mas que se destaca pela originalidade, pela especificidade, beleza e pelo carácter sui generis da escrita da autora, capaz de nos prender de forma verdadeiramente inebriante às páginas do livro.

   Como cenário central da narrativa vamos encontrar a bela ilha privada de Beechwood, no Massachusets, propriedade da poderosa, abastada e aparentemente perfeita família Sinclair, e o local de eleição para as férias de Verão deste clã.

  Os Sinclair ostentam e alimentam uma imagem pública de classe, beleza, bom gosto e fortuna, mas vamos ter oportunidade de ir desvendando obscuros segredos familiares, ao travarmos conhecimento com a narradora, e participante na trama, a jovem adolescente Cadence Sinclair Eastman, uma jovem inquieta, que evidencia uma nítida perturbação do foro psicológico ou mesmo psiquiátrico, mas que nos transmite o seu olhar sobre a intimidade familiar, convidando-nos a desvendar o que se esconde por detrás das belas mansões familiares e do universo à parte que constitui a Ilha privada da família.

  Logo no início do livro encontramos uma árvore genealógica dos Sinclair, e uma planta da Ilha, que nos facilitam a compreensão da história e o modo como se articula o dinamismo narrativo de todas as personagens. Iremos conhecer o rígido patriarca da família - Harris Sinclair e a esposa Tipper, bem como as suas filhas e sua descendência - Carrie Sinclair [mãe de Johnny e Will]; Bess Sinclair [mãe de Mirren, das gémeas Liberty e Bonnie, e do pequeno Taft], e Penny Sinclair [mãe da protagonista Clarence].

  À família juntar-se-á Gat, um jovem de ascendência Indiana, sobrinho de Ed [negociante de arte e companheiro de Carrie, por sua vez tia de Cadence] um jovem considerado pela família, intimamente, como um outsider de inferior classe social, mas que é acolhido para passar o verão, a partir dos oito anos, tendo perdido recentemente o pai. Gat revelar-se-á um jovem bastante atento, inteligente e culto, e a paixão que surge entre Cadence e Gat irá abalar, de algum modo, a estrutura familiar dos Sinclair, já bastante frágil, uma vez que vivem todos isolados em ridículas disputas pelo poder e pelo "ter", escondendo tudo o que é negativo e evidenciando uma perfeição que é completamente ilusória.

  Num mundo onde impera a dissimulação, a futilidade e a perturbação mental, Gat e Clarence, apesar de jovens, irão conseguir descortinar que muitos dos princípios e pressupostos ali vigentes estão, à partida, errados e são bastante limitadores em relação aquilo que é o mundo real cá fora!

  Os mais jovens vão reflectir, inevitavelmente, a instabilidade latente resultante de um mundo de aparências, de casamentos desfeitos, de relações afectivas falhadas desde a origem, e a narrativa divide-se entre o tom intimista, perturbador e perturbante tantas vezes assumido por Clarance, e o clima de mistério que se vai adensando até ao desenlace verdadeiramente genial e inesperado.

   Um livro que se lê de um ápice, que nos fará pensar sobre um certo estilo de vida que, estando aqui centrado na classe alta norte-americana, tantas vezes pode ser transversal a vários outros meios sociais e culturais, onde o poder, a riqueza e o sucesso aparentes escondem, muitas vezes, ocultas fragilidades.

Sublime,sui generis e um verdadeiro must read de indiscutível qualidade literária!


Ficha Técnica do Livro:


Autora: E. Lockhart

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: Maio de 2014

Páginas: 312

Classificação: 5/5 Estrelas

Género: Romance contemporâneo


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domingo, 19 de novembro de 2017

LITERATURA | A Batalha de Sekmet | VANESSA LOURENÇO




SINOPSE

Poderá um deus com coração de herói ser o vilão da sua própria história? Os heróis não são sempre heróis, mesmo os de natureza divina. Mas a perseverança, o companheirismo e a fé em tudo o que nos move, fazem milagres. 
Das areias de um deserto longínquo do passado chega-nos a promessa de uma batalha que ameaça a permanência de toda uma espécie na terra. 
Conseguirão os nossos heróis contrariar esse destino e ultrapassar todos os desafios que vão encontrar para lá chegar?

OPINIÃO | "Planeta Terra" | MAFALDA PASCOAL

Era uma vez um planeta muito colorido...

Lá dentro tem muita água, muito gelo, solo firme, vegetação, muitas cavernas e tuneis, pirâmides, vulcões, desertos de areia, areias movediças, muitos animais, muitos insectos, muitas aves, muitos repteis, muitos peixes, muitos seres humanos...

Onde existe água, lá dentro tem muitas qualidades de peixe e não só, ainda estão por descobrir muitas muitas coisas nos lugares mais reconditos do oceano...

Onde existe gelo, muita coisa por descobrir ainda existe, cidades e civilizações congeladas e alguns animais que desconhecemos...

Onde existe solo firme também tem coisas suterradas que desconhecemos, até porque este solo firme, já não está tão firme assim...

Onde existe muita vegetação, estão escondidas entradas para grutas, cavernas ou simplesmente estão um conjunto de arvores centenárias que, cada vez são menos devido aos fogos...
Onde existem muitas cavernas e tuneis, estes últimos feitos plo homem ou pla natureza, também não se conhecem na sua totalidade e também lá existem coisas que desconhecemos, talvez ovnis ou outros artefactos estranhos para a nossa percepção presente...

Onde existem pirâmides, esses monumentos que tanto intrigam o ser humano, também lá dentro estão fenómenos inalcansáveis para nós, em algumas pirâmides estão guardados objectos que a nossa presente inteligência não poderia deparar-se com tamanha evolução, dado que, enquanto tivermos em mente fabricar uma arma mais mortífera que a do vizinho, não podemos ter em mãos algo tão potente assim...

Ainda assim me pergunto porque existe tanta ambição em descobrir fora do planeta! Tantos biliões a serem gastos...quando cá dentro existe uma infinidade a ser explorado e descoberto...uma infinidade de pessoas a morrer de fome e de sede...uma infinidade de velhos sem família e sem condições de sobrevivência...uma infinidade de crianças sem família e a aguardar por um lar de acolhimento... 
E em última análise, uma infinidade de animais há espera de um lar...

Claro que o ser humano nada vai mudar...mas a natureza?! Ah a natureza...essa tudo vai mudar e assim como nós não temos tido dó em fazer o que nos dá na real gana, porque o que nos interessa são os dividendos  que podemos tirar  de toda a exploração da natureza deste planeta, agora vai ser a natureza a reabilitar-se, a reorganizar-se, a reenergizar-se e não vai ter dó de nós...

Assim como quando temos que mudar algo em nós e não temos coragem de o fazer, vem a vida e muda o que deve ser mudado e dessa forma faz-nos doer mais, assim fará a natureza, já que a humanidade não tem coragem de se unir e fazer algo para poupar o planeta, a natureza irá fazê-lo por nós...e vai doer muuuito...      


Mafalda Pascoal | Poetisa | Colunista Nova Gazeta


sábado, 18 de novembro de 2017

OPINIÃO | " Sexy-Fresh-Pop" | ANA KANDSMAR

Se eu mandasse em Portugal, a ASAE deixava de fiscalizar casas de pasto e os respetivos prostíbulos anexos. Deixava de implicar com madeiras emporcalhadas e cagava na cena dos PPL-PPP-PPC (pia-para-legumes; pia-para-peixe e o resto já sabem). 

A ASAE para já, mudava logo de nome porque eu não o entendo na sua totalidade: “Autoridade de Segurança Alimentar e Económica” -eu entendo o que seja segurança alimentar, afinal temos de estar atentos ao que metemos na boca, na medida do possível. Mas segurança económica? São poucos os que podem dizer “sinto-me seguro economicamente”. E esta (in)segurança nada parece ter a ver com a ASAE.

Mas, como dizia, a ASAE transmutar-se-ia para a Autoridade de Segurança Auditiva e Económica (afinal não interessa se uma pessoa entende ou não o termo, acabo de aprender que o que importa é soar bem) e passava a fiscalizar locais de diversão diurna de entrada livre, como a Stradivarius ou a Bershka. Licença comercial só após o emudecer de uma Rihanna esganiçada em alto volume de som. Logo teríamos uma larga massa de adolescentes em crise existencial. Eu tenho uma filha adolescente. Sei bem do que falo e arrisco aqui algumas razões:

a. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude a esquecer a falta de dinheiro para comprar metade da loja.

b. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude as adolescentes a sentirem-se sexy-fresh-pop ao espelho com os trapinhos igualmente sexy-fresh-pop (é todo um universo…)

c. talvez uma toada sexy-fresh-pop deixe os funcionários sem qualquer capacidade para pensar  na miséria do salário que ganham e consequente merda de vida que levam.

d. talvez uma toada sexy-fresh-pop abafe os comentários das fêmeas mais ranhosas (“o cu dela não cabe ali…” ou “que mau gosto, a pindérica!

Fortes neuras e stresses domésticos fazem parte das rotinas dos progenitores atuais. Mais uma vez, sim, eu sei bem do que falo. Se pensarmos em pequena escala, mesmo em pequena escala vamos dar ao fim do mundo! Ora vejamos:

100 adolescentes ficam histéricas porque a Pull está em total silêncio. Cada uma delas fica frustrada porque esteve atenta o suficiente para ler as etiquetas dos preços. Depois de toda a tensão para largar o molho infindo de roupa que quase lhe despenca o braço e escolher apenas uma peça, apercebe-se que terá de fazer uma cirurgia para ter mamas. Sai do vestiário e ouve uns risinhos trocistas que põem fim à amizade de semanas e semanas! (nestas idades a intensidade das coisas não está mesmo no tempo que elas duram). Continuando… Estas 100 adolescentes seguem em fúria para casa, depois de com os nervos, terem partido duas ou três unhas de gel. Uma desgraça!

Já estão a ver o filme – mães em pânico, pais que não cedem ao diálogo, tias que põem água na fervura, uma tensão de morte durante dias até que, 100 adolescentes resolvem deprimir…automutilam-se, fazem greve de fome, ameaçam fugir de casa… é uma bola de neve. Se isto ocorre em dezembro, (está quase aí) época da febre das comprinhas para o Natal, o vestidinho curto (muito curto) cheio de lantejoulas para o réveillon mais “In”de todo o sempre (para os pirralhos tudo tem que ser o best do the best), numa discoteca supermega bem frequentada pelos magníficos sexy-fresh-pop do Love on Top… imaginem…! É o estado de sítio para um número considerável de famílias e um acréscimo exponencial de clientes na psiquiatria! De modos que a minha teoria bate certo. A música imprópria para consumo nos estabelecimentos comerciais tem tudo a ver com o lado ordeiro de um povo. Tenho dito.

Ana Kandsmar - Escritora | Colunista Nova Gazeta


LITERATURA | A Cria Negra de Felis Mal'Ak | VANESSA LOURENÇO



SINOPSE

Uma aventura entabulada a quatro patas, numa escolha decisiva entre o medo e o amor. Esta é a história de um gatinho negro que,na companhia de outros felinos muito especiais, se prepara para travar a batalha que decidirá o futuro de todos os gatos no nosso planeta. 
E talvez até para lá dele. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

LITERATURA | A Cidade das Brumas | ANITA DOS SANTOS



SINOPSE

É chegado o momento de ser cumprida a profecia que foi feita setenta anos antes do nascimento dos dois jovens por um druida vidente, que predizia que ambos seriam os guardiões e guias da Gente Pequenina. Mas foram feitas mais previsões das quais os dois jovens não têm ainda conhecimento.
Deles irá depender a continuidade da Cidade do Norte, da Cidade das Brumas, como sede da guilda dos druidas.
Tudo lhes é revelado nas cartas enviadas pelas Escolhidas, as suas progenitoras.
E enquanto o caminho para a Cidade das Brumas se revela pleno de surpresas, quer para os feéricos, quer para os humanos que os acompanham, o perigo faz-se sempre presente entre eles.
Na Cidade do Norte, a intriga, a traição vai minando por entre os elementos do Circulo dos Sete, o órgão máximo da Cidade dos druidas. E como tinha sido também previsto, a Cidade está em risco.
André e Vicente têm de chegar à Cidade das Brumas a tempo de prestar auxílio ao Circulo dos Sete.

Haverá mais surpresas e peripécias a aguardar os dois amigos?