segunda-feira, 17 de setembro de 2018

LITERATURA | A Nossa Alegria Chegou de Alexandra Lucas Coelho

O esperado regresso de Alexandra Lucas Coelho ao romance
Nas livrarias a 18 de Setembro


Sobre o livro:


Três jovens amigos, Ira, Ossi e Aurora, juntam-se num pacto: fazer uma revolução em Alendabar, o lugar onde moram, no primeiro dia do Outono. Nesse dia, uma mulher do outro lado do mundo chega a Alendabar com as cinzas do marido, trazendo o filho de ambos. E, no mesmo dia ainda, o dono de todas as terras em volta, conhecido como Rei, recebe um convidado do Oriente. O destino de todos vai cruzar-se ao longo das doze horas de luz deste equinócio.

Em A nossa alegria chegou, Alexandra Lucas Coelho cria pela primeira vez um lugar, com a sua fauna, a sua flora e o que sobra de uma língua perdida. Há deuses antigos, servos, pirâmides. Também há helicópteros, mortes em série, inteligência artificial. Não sabemos em que ano a história acontece, nem em que parte da Terra. O mal de toda a parte está em Alendabar, o mal de Alendabar está em toda a parte. Mas Ira, Ossi e Aurora acreditam que o bem está na luta.

Sobre a autora:

A nossa alegria chegou é o quarto romance de Alexandra Lucas Coelho e o seu décimo livro. O romance de estreia, E a noite roda (2012), ganhou o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. O livro de não-ficção Viva México (2010) foi finalista do Prémio Portugal Telecom (actual Prémio Oceanos). Vários dos seus livros estão publicados no Brasil, e o segundo romance, O meu amante de domingo (2014), está traduzido em França (Éditions du Seuil). Em 2017, iniciou uma série infanto-juvenil com Orlando e o rinoceronte. É cronista semanal da RDP-Antena 1 e do site de notícias SAPO24. Trabalhou trinta anos como jornalista, cobrindo diversas zonas do mundo. Foi correspondente em Jerusalém e no Rio de Janeiro.

LITERATURA | Caros Fanáticos de Amos Oz | DOM QUIXOTE - Ensaio (Traduzido do Hebraico por Lúcia Liba Mucznik)

Nas livrarias a 18 de Setembro


Este conjunto de três ensaios foi escrito a partir de um sentido de urgência e preocupação, e na crença de que um futuro melhor ainda é possível. O traço comum é a análise do fanatismo combinada com uma apologia à moderação. Independentemente do tipo de fé e do contexto em que o fanatismo – religioso, político ou cultural – se expressa, ele é, para Amos Oz, o verdadeiro inimigo do presente. Juntamente com este tema, Oz aborda a atual situação no Médio Oriente e o conflito israelo-árabe, apresentando com ousadia o seu argumento da existência de dois estados como solução para o que ele chama «a questão de vida ou de morte para o Estado de Israel».

Sábios, provocantes, comoventes e inspiradores, estes ensaios iluminam a discussão sobre a existência israelita, judaica e humana, lançando uma luz clara e surpreendente sobre questões políticas e históricas vitais. Um livro essencial, corajoso e nunca tão urgente como hoje.

domingo, 16 de setembro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | Mudança: porque resistimos e porque devemos mudar ?| ISABEL DE ALMEIDA



O curso de vida leva-nos a passar por distintas fases, e a cada uma destas fases correspondem, naturalmente, diferentes perspectivas quanto às metas que queremos alcançar, por exemplo, em áreas tão distintas como a realização pessoal, intelectual, profissional e afectiva/emocional.

o Trajecto pelas diferentes etapas do ciclo de vida humano implica, a cada passo, a necessidade de aceitar ou promover mudanças, em nós próprios ou no nosso modo de vida, em suma, as mudanças, quer queiramos ou não aceitar este facto, são parte do nosso património vivencial!

Assumindo como ponto assente as mudanças, genericamente consideradas, que nos afectam ao nível físico, desde logo, aquelas que são inerentes à assustadora mas inegável realidade de que vamos amadurecendo e envelhecendo, importa aqui apelar a uma reflexão acerca de mudanças psicológicas strictu sensu,  bem como a todas as alterações que as mesmas possam implicar em termos de processos de tomada de decisão, capacidade de auto-conhecimento, insight (aqui considerado no sentido de consciencialização de que algo nas nossas condutas, pensamentos, estilo de vida não segue os padrões considerados normativos, desejáveis ou, em última análise, saudáveis).

Tenhamos presente que muitos detalhes da nossa existência não estão, com efeito, sujeitos ao nosso controlo, não temos o poder de com os mesmos interferir, assim, quando estes nos assaltam resta-nos apenas ter plena consciência de que é de extrema importância gerir a forma como encaramos e como lidamos com as situações problemáticas que escapam à nossa capacidade de influência, intervenção e acção directa sobre as mesmas.

Quantas vezes, por exemplo, em termos profissionais nos vemos forçados a aceitar imposições fruto de diversas variáveis?

Quantas vezes fazemos planos, definimos objectivos e elaboramos projectos pessoais que nem sempre conseguimos concretizar, ou que não correm como desejado?

Quantas vezes entramos numa espiral de insatisfação, normalmente acompanhada de crises de ansiedade e mesmo de focos depressivos porque receamos enfrentar mudanças? 

Há momentos na vida em que seriamente temos de reunir a força, coragem e motivação necessárias para mudar ou para aceitarmos mudanças. A nossa resistência resulta do medo, de uma pouco saudável ligação às chamadas "zonas de conforto". Mas façamos a desconstrução deste aparente beco sem saída: e se aquilo a que damos o nome de "zona de conforto" começar a causar-nos antes desconforto? E se sentirmos que o nosso bem-estar, os nossos pontos de equilíbrio estão postos em crise? E se as "zonas de conforto", o medo como factor de bloqueio à tomada de decisões (é certo numa isentas de risco, mas aqui está algo que faz parte da própria vida no seu todo, viver é arriscado) estiver antes a impedir a nossa realização pessoal, a perturbar a nossa paz de espírito? Poderemos então afirmar que resistimos à mudança porque o que se lhe segue pode ser pior, mas, e se não for?

Não temos o dom de adivinhar o futuro, mas temos para connosco próprios o dever de fazer um balanço sobre nós mesmos e sobre o nosso enquadramento nos contextos onde nos movemos e ,na sequência desse balanço, tentarmos apurar se a resistência a mudar o estado de coisas não é causadora de maiores angústias que se arrastam indefinidamente no tempo.

O que preferimos? Ser infelizes e insatisfeitos para sempre, ou aceitarmos a hipótese de quebrar as nossas próprias barreiras internas e termos a oportunidade de evoluir em todos os sentidos? 

O nosso livre arbítrio deve ser capaz de fazer escolhas! O que preferimos: Sobreviver ou Viver? Só na nossa essência podemos encontrar a resposta a esta questão fulcral! E temos de estar preparados para o facto de não estar ao nosso alcance saber se vamos ser bem sucedidos na sequência da decisão que tomarmos. Mas nunca é tarde para evoluir, nunca é tarde para dar tudo por tudo para mudar para melhor! Nunca é tarde para arriscar, pois é bem mais pesada a insatisfação, a censura auto-imposta à nossa liberdade pessoal, e o sofrimento psicológico que isso nos pode causar e que tenderá a aumentar e a perturbar a nossa funcionalidade no dia a dia.



"Quando a dor de não estar a viver for maior do que o medo da mudança  a pessoa muda."

Sigmund Freud

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

LITERATURA | A Menina na Floresta de Camilla Läckberg | DOM QUIXOTE (Tradução de Ricardo Gonçalves)

Nas livrarias a 18 de Setembro


Quando Nea, uma menina de quatro anos, desaparece, a comunidade fica em choque. Trinta anos antes, Stella, também de quatro anos, que vivia com os pais na mesma quinta, desaparecera e viria a ser encontrada morta na floresta que rodeia Fjällbacka.

Nessa altura a culpa foi atribuída a duas adolescentes, Marie e Helen, hoje mulheres. Poderá ser um acaso o desaparecimento de Nea ter coincidido com o regresso de Marie, agora uma famosa atriz de cinema, a Fjällbacka para interpretar o papel de Ingrid Bergman?

Patrik Hedström começa a investigar e, como sempre, conta com a ajuda de Erica, que pretende escrever um livro inspirado na morte da pequena Stella. Mas à medida que vão desfiando os intrincados fios da meada, tudo se torna mais confuso. Como se tal não bastasse, têm ainda de lidar com a perturbação que a presença de refugiados sírios causa na pequena comunidade.

Uma sucessão de acontecimentos que abala os habitantes da pacata vila, e acabará por levar o nome de Fjällbacka aos quatro cantos do mundo… sem ser pelas melhores razões.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

LITERATURA | A Persuasão Feminina de Meg Wolitzer | TEOREMA (Tradução de Raquel Dutra Lopes)

Nas livrarias a 11 de Setembro


Jovem, brilhante e ambiciosa, Greer Kadetsky acaba de ser aceite na prestigiada universidade de Yale com uma bolsa de estudo. Para entrar, basta preencher um formulário. Algo que os pais, na sua descontração de hippies da velha guarda, não fazem.
É assim que ela se vê relegada para uma universidade de segunda linha enquanto o namorado, Cory, filho de imigrantes portugueses, concretiza o sonho de ambos e segue para Yale.

Enquanto se debate com a inesperada falta de rumo, Greer conhece a carismática Faith Frank, figura icónica do feminismo americano. Ao assistir a uma palestra de Faith, a chama que Greer temia extinta ilumina-se.

Anos depois, já terminada a faculdade, Cory dedica-se à alta finança enquanto Greer luta pelos seus ideais com fervor.

São percursos distintos que os obrigam a confrontarem-se com a complexidade da vida adulta. Aos poucos, ambos se afastam do futuro que sempre imaginaram para si próprios. E um dia, vão perceber como estão longe daquilo que sonharam ser.

sábado, 8 de setembro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | " As Irmãs - As irmãs Albright - Série Completa, de Jess Michaels - " Emoções Proibidas"| QUINTA ESSÊNCIA


Texto e Foto: Isabel de Almeida |

Crítica Literária | Jornalista


   Emoções Proibidas corresponde ao primeiro romance erótico da Série das Irmãs Albright, da autoria de Jess Michaels, inicialmente publicado em volume autónomo em Junho de 2013, numa edição requintada com um laço de seda vermelho, integra, com mais três romances, a série familiar protagonizada pelas irmãs Albright.

  Tratando-se de romances bastante procurados pelo público feminino que gosta de uma trama erótica com cenário noutras épocas, e atento o facto de já não ser fácil encontrar no mercado alguns dos volumes da série, a Chancela Quinta Essência, do grupo LeYa optou por lançar este ano toda a colectânea num único volume sob o título as irmãs, que numa edição extremamente elegante, permite satisfazer coleccionadores, ou satisfazer as leitoras que tenham em falta algum dos livros da série.

Com vista a dar aos nossos leitores uma crítica detalhada de cada uma das histórias, iremos dividir em quatro artigos esta recensão crítica, sendo cada artigo dedicado a um dos quatro romances.


  Começamos pelo primeiro título - Emoções Proibidas. Trata-se de um romance erótico na sua verdadeira essência, com cenário histórico na Inglaterra do Século XIX, o que contribui para embelezar e enriquecer a trama com os sempre deliciosos detalhes sociais da época em apreço.

   Como protagonista feminina iremos encontrar Miranda Albright, a mais velha das irmãs, que vê a sua família caminhar a passos largos para a ruína financeira, devido às dívidas de jogo, e à vida de excessos levada pelo seu falecido pai. Miranda luta para manter uma gestão racional das finanças familiares, enfrentando a atitude crítica e gastadora da mãe, a arrogante e arrivista Dorthea Albright, ainda habituada à vida luxuosa e acima das reais possibilidades que o falecido marido proporcionava ao clã, à custa de dívidas pesadas.

   Miranda revela uma personalidade forte, decidida e apaixonada, é uma mulher algo independente, que se atreve a, no seu íntimo, ousar vivenciar a sua sensualidade e sexualidade em pleno, sem tabus, embora à luz dos rígidos princípios morais em que foi criada, se sinta por vezes culpada pelos seus desejos e sensações mais secretos.

   Durante anos Miranda teve um passatempo bastante atrevido, espiar os escaldantes encontros amorosos do seu libertino Vizinho - Ethan Hamon, o Conde de Rothschild, habituado a satisfazer um vasto leque de amantes nos campos da propriedade vizinha à da família Albright.

   Entre o receio, o desejo, a excitação e a fantasia, Miranda decide salvar a família da ruína, trocando a sua inocência pelo apoio financeiro às épocas das irmãs Penélope e Beatrice a prestar pelo seu perverso e atraente vizinho, com o qual secretamente fantasiou desde muito jovem.

   Ethan aceita a proposta da jovem, acreditando que vai conseguir subjugar  e dominar Miranda, num complexo jogo erótico, consentido mas arriscado para a jovem dama, que pode deitar a perder , a todo o momento o seu bom nome e o da sua família, num acto de coragem ousada que pode ser tudo ou nada.

    A pretexto de uma ausência legítima, Miranda irá descobrir, na vertente física, todas as sensações e emoções com que sempre fantasiava ao espiar Ethan.

   Com descrições bastante explicitas de cenas de natureza sexual, que abarcam a maior parte das páginas do livro, ainda assim, Jess Michaels sabe permear esta componente com a vertente emocional que começa a despertar entre os dois protagonistas.

    Entretanto, a arriscada combinação de Miranda e Ethan vai mesmo abalar a cumplicidade que esta mantinha com a irmã Penelope, o que poderá deitar a perder o plano de Miranda e a honra da família.
     Ethan é um homem marcado pelo fantasma do pai, que viciado nos prazeres da carne, levava uma vida dissoluta, desrespeitando o casamento com numerosas infidelidades, pelo que nega a si mesmo a hipótese de alcançar a felicidade, rejeitando vínculos emocionais e a hipótese de um casamento por amor que garanta um herdeiro para o título nobiliárquico que possui. 

    Serão Miranda e Ethan fortes o bastante para vencer os obstáculos que lhes cabe enfrentar? Saberão dosear na medida certa o desejo avassalador que os preenche, a paixão que nasce entre ambos e o perigo do julgamento social e familiar?

   Verdadeiramente escaldante, emotivo, com personagens fortes envolvidas em sólidos contextos sociais e familiares, numa linguagem explícita, mas fluído e elegante, é um romance que agradará aos apreciadores do género erótico com fundo histórico, um verdadeiro hino aos cinco sentidos, e que não deixa de lado o romantismo. Jess Michaels sabe como agarrar as leitoras às páginas deste livro!

   Um história viciante, que fará as delícias das fãs do romance sensual de época!

Ficha Técnica da Obra:

Título: As Irmãs

Autora: Jess Michaels

Série: As irmãs Albright (agora editada numa colectânea num volume único)


Edição: Março de 2018

Páginas: 752 (obra completa)

Género: Romance erótico de época

Classificação: 5/5 estrelas



terça-feira, 4 de setembro de 2018

LITERATURA | Se esta rua falasse de JAMES BALDWIN | ALFAGUARA

CHEGA HOJE ÀS LIVRARIAS


Sobre o livro:

Se esta rua falasse, esta seria a história que contaria: Tish, 19 anos, apaixona-se por Fonny, que conhece desde criança. Fazem juras de amor e conjuram sonhos para a vida a dois. Mas Fonny é atirado para a prisão, falsamente acusado de um crime horrível. Quando Tish descobre que está grávida de Fonny, as duas famílias lutam por encontrar provas que ilibem o rapaz do crime que não cometeu. Separados por uma fria parede de vidro, Tish e Fonny esperam e desesperam, transportados dia após dia após dia por um amor que procura transcender a desesperança, a injustiça, o racismo, o ódio. Entre o pulsante bairro de Harlem, onde Fonny sonha tornar-se escultor, e a ilha de Porto Rico, onde talvez se encontre a prova da sua inocência, desenrola-se uma corrida contra o tempo, pautada pelo crescimento da barriga de Tish.

Sensual, violento e profundamente comovente, este romance é uma bela canção de blues, de toada doce-amarga, com notas de raiva e ainda assim cheia de esperança. Publicado pela primeira vez em 1974, Se esta rua falasse é o quinto romance de James Baldwin, um dos nomes maiores da literatura americana do século XX e uma das vozes mais influentes do activismo pelos direitos civis. Um romance-manifesto contra a injustiça da justiça e uma história de amor intemporal, é hoje tão pertinente e tão comovente quanto no dia da sua publicação.

Sobre o autor:

James Baldwin nasceu em Nova Iorque em 1924, no bairro de Harlem, onde cresceu e estudou. Partiu para França em 1948, fugindo ao racismo e homofobia do seu país de nascimento. Em 1953 publicou o primeiro romance, Go tell it on the mountain (Alfaguara, 2019), que foi recebido com excelentes críticas. Entre as suas obras mais importantes encontram-se Giovanni’s Room, The fire next time, Going to meet the man, Notes of a native son e Another country. Destacou-se desde cedo como romancista, ensaísta, poeta e dramaturgo, mas a par disso notabilizou-se como uma das vozes mais influentes do movimento de direitos civis. Foi o primeiro artista afro-americano a aparecer na capa da revista Time. Em 2017, trinta anos após a sua morte, voltou ao palco graças a um documentário baseado na sua obra: I am not your negro.