terça-feira, 24 de abril de 2018

LITERATURA | A Mãe de Pearl S. Buck | EDITORA DOM QUIXOTE - Tradução de Isabel Risques

Nas livrarias a 24 de Abril


Nesta obra, Pearl S. Buck descreve de um modo quase pictórico a vida simples e rude do povo Chinês, numa época que é pouco conhecida. A narrativa vívida e pormenorizada permite que o leitor capte toda a simplicidade e intensidade dos tempos descritos em A Mãe.

Ao penetrar no espírito da camponesa, Pearl S. Buck dá a conhecer os sentimentos mais profundos da mente e do coração de uma mulher e de uma mãe. Fá-lo de uma maneira comovente, enérgica e mesmo violenta. A personagem, sem qualquer dúvida estoica, assume uma grandeza excecional pela forma como encara e ultrapassa os obstáculos que a vida lhe coloca. Uma vida longa, árdua e solitária.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

LITERATURA | A Casa Golden de Salman Rushdie | EDITORA DOM QUIXOTE - Tradução de J. Teixeira de Aguilar

Nas livrarias a 24 de Abril


Quando o poderoso magnata imobiliário Nero Golden imigra para os Estados Unidos em circunstâncias misteriosas, ele e os seus três filhos adultos assumem novas identidades, adotando nomes «romanos» e instalando-se numa grandiosa mansão do centro de Manhattan. Chegados pouco após a tomada de posse de Barack Obama, ele e os filhos, todos excecionais por direito próprio, ocupam rapidamente o seu lugar no topo da sociedade nova-iorquina. A história da família Golden é contada sob a perspetiva de um seu vizinho e confidente, René, um aspirante a cineasta que encontra nos Golden o tema perfeito.

Fazendo apelo à literatura, à cultura pop e ao cinema, Rushdie tece a história do ambiente americano ao longo dos últimos oito anos, tocando todos os pontos: a ascensão do movimento Birther, do Tea Party, do Gamergate e da política de identidade; o efeito de ricochete do politicamente correto; a influência dos filmes de super-heróis e, evidentemente, a eclosão de um vilão ambicioso, desapiedado, narcisista e profundamente conhecedor da comunicação social, que usa maquilhagem e pinta o cabelo.

domingo, 22 de abril de 2018

CRÓNICA | Ser português | CRISTINA DAS NEVES ALEIXO


Viver em Portugal é conviver com a sua gente de sorriso simpático, pronta a ajudar e a aproximar-se sem reservas dos seus interlocutores, sejam eles de que nacionalidade forem – a hospitalidade portuguesa e a facilidade de falar qualquer língua são sobejamente conhecidas - e usufruir de um clima de sonho, sem catástrofes naturais de maior monta, em paisagens desde a neve ao mais fino areal da praia; é desfrutar de uma luz natural, com um brilho raro, muito superior a outros locais do mundo; é degustar uma das melhores cozinhas e néctares e ter a felicidade de caminhar calmamente nas ruas em liberdade e sossego.

Mas ser português tem outro lado, incompreensível para quem preza a justiça e a verdade. Portugal tem um dos salários mínimos mais baixos da Europa, uma carga horária laboral elevada, uma taxa de desemprego insustentável, um serviço de segurança social podre, importa muito mais do que exporta e assiste, impávido, a todo o tipo de corrupção ao mais alto nível. Temos políticos que “desviam” e promovem tudo o que lhes convier, banqueiros coniventes com operações ilícitas na alta finança, juízes que, conscientemente, se demitem das suas reais funções e assumem posturas parciais e tremendamente questionáveis, médicos que rasgam o juramento de Hipócrates e se associam à máquina moedeira das farmacêuticas, entidades que roubam crianças aos seus progenitores e outras que deveriam cuidar delas e dos nossos velhos e os mantêm em vivências completamente inaceitáveis aos padrões humanos, polícias que são condenados por fazerem o seu trabalho, grandes empresários que mais parece quererem destacar o que é feito lá fora do que cá dentro e… nada é feito para travar isto.

Tudo se vai desenrolando, impunemente, mês após mês, ano após ano, década após década, à frente dos nossos olhos, num país que é um dos mais ricos do mundo em recursos naturais. Temos tudo o que é necessário para viver – não é sobreviver – sem praticamente depender de mais ninguém. Temos gás natural, petróleo, minerais diversos, sol em abundância, grandes extensões de solo arável e cultivável, óptimos aquíferos, um oceano rico em peixe, um clima excelente para qualquer tipo de agricultura e grandes mentes. Isto em linhas muito gerais.

Porque razão preferimos usar-nos do que é dos outros em vez do que é nosso? Porque não aproveitamos os recursos e as boas capacidades que temos – porque as temos, sim! - para criar emprego sustentável, para fazer crescer o país, para repor a justiça social, ao invés de apostarmos naquilo que os outros produzem? A relação entre os recursos naturais e o poder mundial é bem conhecida e nós temo-los de sobra. Porque continuamos a encolher os ombros à miséria de sistema em que vivemos? A resposta, creio, está nos nossos “brandos costumes”, como é hábito ouvir-se dizer. Aceitamos tudo o que nos é feito, mesmo que nos faça muito mal. Somos um povo permissivo, de conversa de café. Ali despojamos a corrupção e a injustiça de tudo e mais alguma coisa, somos super-heróis que se batem estoicamente pelo justo e pela igualdade de peito feito, mas depois, de volta à realidade diária, baixamos a cabeça e os braços e pensamos que melhores dias virão. Têm que vir, pois claro.

A pensar morreu um burro – ditado popular.

LITERATURA | A Trança de Inês de Rosa Lobato de Faria | EDITORA ASA

Nas livrarias a 24 de Abril



Três tempos, três mundos, três destinos, um único amor. Universal e sem tempo nem medida, relembrando-nos que o amor e o ódio andam lado a lado e acontecem em todas as épocas.

Pedro é, no presente, um empresário de sucesso que se perde de amores por Inês. Mas este é um amor condenado à tragédia e à loucura. A sua história confunde-se com a de Pedro Rey, no século xxii, apaixonado também por uma Inês de entrançados cabelos loiros num futuro que os afasta por pertencerem a estratos diferentes da sociedade. E ainda com a lenda de D. Pedro que, no século xiv, tenta contra tudo e contra todos fazer valer o seu amor por Inês de Castro.

Baseado no mito de Pedro e Inês (mais na lenda do que na História), este é um romance sobre a intemporalidade da paixão, onde se abordam também alguns mistérios da existência.

Um romance que deu origem ao filme Pedro e Inês, realizado por António Ferreira e protagonizado por dois actores bem conhecidos do público português.

sábado, 21 de abril de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | Os media e o segredo de justiça - ligações perigosas? | ISABEL DE ALMEIDA

Portugal vem nos últimos anos sendo abalado por constantes mega-processos judiciais que alcançam um tão elevado nível de mediatismo que, por vezes, paramos para nos questionar se estamos a assistir à realidade a desfilar perante os nossos olhos ou a um qualquer filme de Hollywood!

Em abono da verdade, e com a vantagem do duplo crivo do jornalismo e da advocacia, já assisti, em ambos os lados da barricada, a muitas realidades dignas de suplantar a melhor ficção, mas cabe reflectir acerca dos limites impostos à imprensa na cobertura dos casos ditos mediáticos, na forma como esses limites, ao serem ultrapassados, podem prejudicar ou beneficiar arguidos.

 Tendo presente que o nosso sistema penal tem por base o princípio da presunção de inocência, de acordo com o qual, qualquer arguido é inocente até que, em sede de audiência de discussão e julgamento possa ser provada a sua culpabilidade, e, em caso de dúvidas fundadas acerca da prática de determinado ilícito por um qualquer agente, deverá ter-se em linha de conta um outro importante princípio designado in dubio pro reo - de acordo com o qual, se dúvidas fortes surgirem da produção de prova, deverá o julgador decidir a favor do réu/arguido, absolvendo-o, na medida em que se considera menos gravoso deixar um culpado impune, do que permitir que  um inocente fique  enleado nas malhas da justiça a cumprir pena por um crime que não cometeu.

Da minha experiência como advogada, começo já por referir que, pese embora tenhamos um limite  máximo de pena relativamente brando, se comparado com outros países (a pena máxima em Portugal é de 25 anos, não sendo viável fazer subir este período de tempo em cúmulo jurídico, ainda que a mesma pessoa, no limite, cometa vários homicídios de forma intencional e sem qualquer justificação que não seja a pura vontade de tirar a vida a outros seres humanos), a meu ver, podemos retirar algumas conclusões baseadas na experiência pessoal e no nosso sentido crítico ao olhar o mundo:

 1ª) qualquer cidadão Português, com culpa ou sem ela, pode ser arguido em processo crime (e mesmo que o final redunde em absolvição, haverá sempre um estigma social negativo associado à condição de arguido, em especial, se estivermos perante crimes mais condenados pela sociedade civil, de que é exemplo a pedofilia ou  a violência doméstica); 

2ª) visto não existir algo a que se chama perfeição, é perfeitamente possível que um inocente se veja condenado em Portugal;

 3ª) Last but not least, é também perfeitamente possível que um culpado seja absolvido (e que atire a primeira pedra qualquer advogado que, tendo a si mesmo confiada a defesa de um arguido, não sinta que cumpriu a sua missão de defensor cabalmente, ao conseguir uma absolvição ou uma pena reduzida ou suspensa);

4ª) Em muitos aspectos, a forma sobrepõe-se ao conteúdo, e os nossos tribunais estão ainda muito formatados para uma certa ritualização que, tantas e tantas vezes, faz perder o foco naquilo que seria o essencial, ou seja, apurar a verdade dos factos, alcançar uma decisão equilibrada e justa!

5ª) Mais recentemente, denota-se uma tendência para o que designo como "justiça feita à pressa", sem rigor, sem cuidado, sem o clássico gosto pelo uso da palavra como arma que deve ser rainha na prática forense, perdeu-se muito do fulgor da escrita jurídica, muito embora esta ainda contemple uma linguagem muito própria e de difícil alcance para quem com a mesma não esteja familiarizado.

Logo, quando estamos perante um qualquer caso mediático, é relativamente fácil verificarmos que o segredo de justiça fica perdido algures na teia de interesses e nas ligações perigosas que envolvem o meio judicial e os media (quem e como se viola diariamente o segredo de justiça?), é tanto assim que já começa a ser brincadeira habitual entre advogados comentar se a instância superior com competência para reapreciar um processo judicial será um tribunal ou certos órgãos de comunicação social cujo nome vou abster-me de citar, mas que são conhecidos e lidos por uma vasta maioria, até por muitas pessoas que são capazes de jurar a pés juntos que não lêem tal tipo de imprensa (ai a hipocrisia politicamente correcta fica bem, mas não convence meus senhores!)

Compreendo que possa ser prejudicial à defesa dos arguidos envolvidos em processos crime complexos a mediatização excessiva e até abusiva de tais casos, mas, por outro lado, não posso deixar de reconhecer a importância que tem para que saibamos em que país vivemos, tomar conhecimento de assuntos que, em última análise são "do interesse do público", mas também "do interesse público", ou seja, ao cidadão comum é legítimo interessar-se por notícias deste teor, mas também é do interesse público que a imprensa dê a conhecer o que de errado se passa neste cantinho à beira mar plantado, que já teve mais moral, bons costumes e valores do que hoje em dia, convenhamos...

Considerando as duas perspectivas, entendo perfeitamente que em termos editoriais seja necessário, muitas vezes em clima de forte pressão, arriscar uma decisão de publicar ou transmitir algo que está algures na linha que separa o "interesse do público" e o "interesse público", e que poderá valer a pena arcar com as consequências (até legais em última análise) de avançar com determinada notícia (recordo em especial uma situação limite vivida há cerca de pouco mais de um ano, quando estando no exercício de funções de directora de um jornal, toda a redacção se manteve reunida em forte tensão, até de madrugada, para decidir se deveria ou não ser publicada uma notícia polémica cujas fontes teriam de ficar protegidas pelo anonimato, acontecesse o que pudesse acontecer).

Todavia, também percebo que a publicação de notícias, ou a divulgação de gravações em video e audio de actos processuais (como publicamente sucedeu recentemente) possa incomodar os responsáveis pela defesa de determinado arguido, possa incomodar algum público anónimo que sinta assim algo fragilizado o sistema judicial Português.

A grande questão é: onde estão os limites? qual o ponto de equilíbrio? até onde é legitimo arriscar? que consequências podem advir desse risco de ultrapassar limites? Infelizmente, não há uma resposta dotada de exactidão matemática para nenhuma destas questões, não existem receitas milagrosas que permitam alcançar a perfeição e a justiça para todas as partes envolvidas, resta a cada um de nós ouvir o que nos dizem as vozes da intuição e da consciência e decidir conforme acharmos mais conveniente, em cada caso, sem certeza de termos tomado a opção mais correcta! É, reconhecidamente, terreno pantanoso este do equilíbrio entre a acção dos media e o segredo de justiça, ou mais amplamente, a ligação entre os media e o sistema penal Português.

Também não tenhamos ilusões, muitas decisões editoriais podem ser tomadas de forma oportunista, com o mero fito de aumentar audiências, em especial, em termos televisivos, quase podemos afirmar que "se não passou na televisão é porque não aconteceu, ou não foi assim como contam". Devo ainda referir que é bastante usual encontrarmos erros graves em termos de conceitos ou regimes jurídicos em muitos artigos de imprensa, erros estes que têm o perigoso poder de desinformar, ao invés de informar o público ( como seria desejável), pelo que considero que a imprensa deveria apostar em fazer o chamado "trabalho de casa" quando publica peças que envolvem temáticas jurídicas ( criminais ou outras) e nem sempre há este cuidado, também porque nas redacções, à semelhança do que vai acontecendo nos nossos tribunais, o rigor técnico fica muitas vezes arredado destas lides.

Uma boa pista quanto à conduta a seguir, considerando os diversos ângulos da questão, na minha opinião, seria a humildade de reconhecer de que nem sempre se ganha, nem sempre se perde e de que nem sempre se acerta nem sempre se erra numa dada decisão ou opção tomada!

Como defendia Sócrates (o filósofo Grego...) resta-me concluir que "Só sei que nada sei!", mas sempre haverá quem se julgue dono da verdade e dotado de uma arrogância própria dos Sofistas!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

LITERATURA | Autobiografias Alheias de Antonio Tabucchi | EDITORA DOM QUIXOTE - Tradução de Pedro Tamen, Clelia Betteni e Susana Mateus

Nas livrarias a 10 de Abril



Um livro cativante, aparentemente feito de subtis reflexões sobre a própria obra (Requiem, O Fio do Horizonte, Mulher de Porto Pim, Afirma Pereira, Está a Fazer-se Cada Vez Mais Tarde), mas em que se encontra uma forte continuidade com alguns dos principais temas tabucchianos: a frágil distinção entre realidade e ficção, a relação «pirandelliana» com as personagens das suas narrativas, a ausência de barreiras temporais e, por fim, a relação com o universo da fotografia. Um livro empolgante para os leitores mais experientes, um testemunho fundamental para os estudiosos da obra de Tabucchi e, ao mesmo tempo, um livro capaz de conduzir o leitor mais curioso para o âmago do universo literário do mais português dos escritores italianos.



quarta-feira, 18 de abril de 2018

CINEMA | ATÉ NOS VERMOS LÁ EM CIMA

ESTREIA 19 DE ABRIL

Filme premiado do cinema - e da literatura - francesa estreia em Portugal




ATÉ NOS VERMOS LÁ EM CIMA, filme realizado por Albert Dupontel conta a história de Edouard (Nahuel Pérez Biscayart) (120 batimentos por minuto) e de  Albert (Albert Dupontel), dois ex-combatentes da primeira guerra mundial, com muito pouco em comum, a não ser o ódio ao Tenente Pradelle (Laurent Lafitte) (Ela) que tentam sobreviver na Paris dos anos 20, marcada pela Guerra.

Vencedor de 5 Césares nas categorias de Melhor Realização, Melhor Adaptação, Melhor Figurino, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte, ATÉ NOS VERMOS LÁ EM CIMA é um drama cheio de emoção, beleza e humanidade, que conta uma história de amizade onde o bizarro e o sonho andam de mãos dadas.

Baseado no romance de Pierre Lemaitre, Prémio Goncourt 2013, o filme recorre à fantasia como recurso contra os traumas de infância e da guerra, com uma sensibilidade única e encantadora, tendo recebido uma excelente receção por parte da crítica.


Sinopse
Em novembro de 1918, antes do Armistício, o talentoso artista Edouard Pericout (Nahuel Pérez Biscayart) salva a vida de Albert Maillard (Albert Dupontel). Os dois homens não têm nada em comum para além das suas experiências na guerra e o seu ódio pelo Tenente Pradelle (Laurent Lafitte).
Uma ordem de Pradelle para um derradeiro e insensato ataque acaba por resultar na destruição das vidas de Edouard e Albert. Isto leva a que os três homens tenham de criar novas estratégias para a sua sobrevivência, sempre unidos pela tragédia do campo de batalha.
Enquanto Pradelle ganha a sua fortuna com os que perderam a vida, Albert e Edouard, ambos condenados a viver no rescaldo da 1ª Guerra Mundial, vão planear o seu próprio esquema de proporções monumentais.
Inspirado no romance homónimo de Pierre Lemaitre, vencedor do Prémio Goncourt.

Prémios César 2018
Melhor realização: Albert Dupontel
Melhor Adaptação: ALBERT DUPONTEL, PIERRE LEMAITRE
Melhor Figurino: Mimi Lempicka
Melhor Fotografia: Vincent Mathias
Melhor Direção de Arte: Pierre Queffelean