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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O DIA DOS PRODÍGIOS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

O Dia dos Prodígios, primeiro romance de Lídia Jorge, publicado em 1980, constituiu um importante acontecimento literário. Tendo sido reconhecido de imediato o seu potencial inovador, continua a ser hoje em dia um livro de culto para todos os que se interessam pela mitologia do 25 de Abril.

Trata-se de um longo poema narrativo cuja acção decorre numa aldeia remota do Portugal profundo, visitada pela primeira vez pelos soldados da Revolução, mas os locais, preocupados com a morte de uma serpente, não entendem a mensagem da boa nova.
Sobre a sua forma, tão particular e inovadora, escreveu Pierre Léglise-Costa – «Lídia Jorge foi beber ao passado comum das mulheres mediterrânicas e desta extremidade do mundo ocidental que é a sua terra. Para traduzir os ritos, os gestos, os gritos e a ternura, ela encontrou o tom e as formas das litanias que, particularmente no Sul de Portugal, são a expressão, comum e muito antiga, tanto da vida como da esperança.»

Tão prodigioso quanto o seu título, O Dia dos Prodígios constitui um tesouro literário inestimável.

terça-feira, 5 de maio de 2026

O CÉU CAIRÁ SOBRE NÓS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

Nota do autor
«Encaro o Mundo como um mistério por desvendar. Se escrevo romances é para imaginar que as personagens lançadas num palco, animadas de voz própria, dialogam de tal modo que chegam a conclusões que eu sozinha não alcançaria. Mas com as crónicas é diferente. Eu mesma sou personagem e promovo o inquérito a minhas próprias expensas. Ao publicá-las tenho a ideia de escrever cartas de desafio contra o que a História oculta. E assim, pelos enganos que ela comporta, nada de mais ambicioso e nada de mais humilde do que esta labuta com o tempo que passa e a verdade que voa.»
Lídia Jorge

 

domingo, 19 de abril de 2026

AUTORES NACIONAIS | LÍDIA JORGE

Romancista e contista portuguesa. Nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É professora do ensino secundário e publica regularmente artigos na imprensa. O tema da mulher e da sua solidão é uma preocupação central da obra de Lídia Jorge, como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). O Dia dos Prodigíos (1979), outro romance de relevo, encerra uma grande capacidade inventiva, retratando o marasmo e a desadaptação de uma pequena aldeia algarvia. O Vento Assobiando nas Gruas (2002) é mais um romance da autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes. Este seu livro venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2003.
Venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas 2020.
Venceu o Prémio Pessoa de 2025.
 

sábado, 18 de abril de 2026

O CÉU CAIRÁ SOBRE NÓS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

Nota do autor
«Encaro o Mundo como um mistério por desvendar. Se escrevo romances é para imaginar que as personagens lançadas num palco, animadas de voz própria, dialogam de tal modo que chegam a conclusões que eu sozinha não alcançaria. Mas com as crónicas é diferente. Eu mesma sou personagem e promovo o inquérito a minhas próprias expensas. Ao publicá-las tenho a ideia de escrever cartas de desafio contra o que a História oculta. E assim, pelos enganos que ela comporta, nada de mais ambicioso e nada de mais humilde do que esta labuta com o tempo que passa e a verdade que voa.»
Lídia Jorge

segunda-feira, 6 de maio de 2024

AUTORES NACIONAIS | LÍDIA JORGE

Lídia Jorge estreou-se com a publicação de O Dia dos Prodígios (1980), um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pós-revolução.
Desde então tem publicado obras nas áreas do romance, conto, ensaio, teatro, crónica e poesia.
Os seus textos têm sido adaptados para teatro, televisão e cinema e têm sido distinguidos com os principais prémios literários nacionais, sendo o mais recente o Prémio Eduardo Lourenço (2023).
De entre os seus livros destacam-se A Costa dos Murmúrios, O Vale da Paixão, O Vento Assobiando nas Gruas, Os Memoráveis e Estuário.
Amplamente traduzida e publicada no estrangeiro, entre os prémios internacionais que recebeu contam-se o Prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas de Guadalajara.
Misericórdia (2022), o seu mais recente romance, foi galardoado com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLAB, o Prémio PEN Clube Português de Narrativa, o Prémio Urbano Tavares Rodrigues, o Prémio Literário Fernando Namora/Estoril-Sol e o Prémio Médicis Estrangeiro, atribuído pela primeira vez a um autor de língua portuguesa.
 

sábado, 27 de abril de 2024

AUTORES NACIONAIS | LÍDIA JORGE

Lídia Jorge estreou-se com a publicação de O Dia dos Prodígios (1980), um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pós-revolução.
Desde então tem publicado obras nas áreas do romance, conto, ensaio, teatro, crónica e poesia.
Os seus textos têm sido adaptados para teatro, televisão e cinema e têm sido distinguidos com os principais prémios literários nacionais, sendo o mais recente o Prémio Eduardo Lourenço (2023).
De entre os seus livros destacam-se A Costa dos Murmúrios, O Vale da Paixão, O Vento Assobiando nas Gruas, Os Memoráveis e Estuário.
Amplamente traduzida e publicada no estrangeiro, entre os prémios internacionais que recebeu contam-se o Prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas de Guadalajara.
Misericórdia (2022), o seu mais recente romance, foi galardoado com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLAB, o Prémio PEN Clube Português de Narrativa, o Prémio Urbano Tavares Rodrigues, o Prémio Literário Fernando Namora/Estoril-Sol e o Prémio Médicis Estrangeiro, atribuído pela primeira vez a um autor de língua portuguesa.
 

segunda-feira, 22 de abril de 2024

DIVULGAÇÃO | OS MEMORÁVEIS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

Publicado em Março de 2014, Os Memoráveis tornou-se desde então um texto literário emblemático da Revolução dos Cravos.
É por isso com muito entusiasmo que a Dom Quixote oferece aos leitores esta edição especial, no momento em que se completam dez anos da sua publicação e se comemoram os 50 anos do 25 de Abril.
Como se tivesse sido escrito hoje mesmo, em Os Memoráveis, Lídia Jorge convoca dados que o imaginário vai tecendo à medida que o tempo passa, e reunindo-os inaugura uma mitologia imaginativa poderosa sobre a nossa revolução, sem nunca, no entanto, deformar os dados objectivos, como salientou o historiador Yves Léonard.
Trata-se, assim, de um livro nuclear para se compreender o nosso passado recente e nos preparar para o futuro, enquanto colectivo alargado que só se vê ao espelho verdadeiramente quando se avista a si mesmo transfigurado em invenção. Esse é o poder dos grandes textos literários.
Objecto de várias reedições e traduções para o estrangeiro, Os Memoráveis obteve o Prémio Urbano Tavares Rodrigues na sua edição de 2015.
 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

DIVULGAÇÃO | O CAIS DAS MERENDAS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE


Segundo romance de Lídia Jorge, publicado pela primeira vez em 1982, O Cais das Merendas, vencedor do Prémio Cidade de Lisboa, desenrola-se em torno do tema da identidade no Portugal logo após o 25 de Abril.

Sobre ele escreveu o seguinte Eduardo Lourenço: “O Cais das Merendas não é apenas um dos mais originais romances do pós-25 de Abril. É uma viagem única, uma autêntica radiografia de um mundo – o nosso – colhido ao mesmo tempo na encarnação proliferante do nosso imaginário como retrato da nova quotidianidade nacional e como tempo esperado de todos os cais.”

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

DIVULGAÇÃO | MISERICÓRDIA, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

 

Misericórdia é um dos livros mais audaciosos da literatura portuguesa dos últimos tempos. Como a autora consegue que ele seja ao mesmo tempo brutal e esperançoso, irónico e amável, misto de choro e riso, é uma verdadeira proeza.

Não são necessárias muitas palavras para apresentá-lo – o diário do último ano de vida de uma mulher incorpora no seu relato o fulgor das existências cruzadas num ambiente concentracionário, e transforma-se no testemunho admirável da condição humana.

Isso acontece porque o milagre da literatura está presente.

Nos tempos que correm, depois do enfrentamento global de provas tão decisivas para a Humanidade, esperávamos por um livro assim. Lídia Jorge escreveu-o.


terça-feira, 17 de maio de 2022

DIVULGAÇÃO | O JARDIM SEM LIMITES, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

 

Instalada numa antiga hospedaria de Lisboa, uma romancista observa a vida dos restantes moradores – jovens que vivem em bando, enredados nas malhas do desejo de independência e sede de protagonismo, sendo a figura central Leonardo, o homem-estátua que quer quebrar recordes de quietude, aquele a quem todos os outros admiram e procuram seguir no seu exemplo de superação e resistência.

Romance de matriz urbana, cuja acção decorre em espaços reconhecíveis de Lisboa, como a zona da Baixa e alguns bairros centrais da capital, O Jardim sem Limites, publicado pela primeira vez em 1995, fala-nos sobre jovens do nosso tempo, heróis sem pátria, filhos sem família, mártires sem Deus.

Na verdade, a Casa da Arara, essa espécie de antro de experimentação de viver que o grupo habita, acabará por ser o palco onde a metáfora da dispersão acontece.

Mas este livro não se limita a colocar em acção os caminhos do desencontro.


domingo, 18 de julho de 2021

DIVULGAÇÃO | MARIDO E OUTROS CONTOS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE - GRUPO LEYA

 



Foi com Marido e Outros Contos, em 1997, que Lídia Jorge deu início à sequência dos quatro volumes de contos até agora publicados.

É nestas páginas que nos deparamos com alguns dos contos mais difundidos, traduzidos e adaptados da autora, entre eles, A Instrumentalina, A Prova dos Pássaros ou Testemunha. O mais significativo de todos, Marido, que integra várias antologias de contos contemporâneos, sendo um conto sobre a submissão, duro e cruel, é porventura o mais libertador de todos eles e o que melhor defende o dilema das mulheres ocidentais.

Ao lermos ou relermos os contos de Lídia Jorge presentes neste livro é como sentirmos que eles cumprem aquilo que se pede à Literatura – que se levantem do chão, pelo poder da palavra, os que estão destinados a não ser ninguém. Nesse sentido, como a própria autora tantas vez o tem dito, “toda a Arte é uma revolta contra a História”.


terça-feira, 6 de julho de 2021

DIVULGAÇÃO | UNIVERSIDADE DE GENEBRA ANUNCIA CÁTEDRA LÍDIA JORGE

 A escritora Lídia Jorge, cuja obra é publicada pela Dom Quixote, acaba de ver o seu nome associado à criação de uma Cátedra na Universidade de Genebra, na Suíça, que, na sequência de uma parceria estabelecida com o Instituto Camões, presta assim homenagem a “uma das grandes personalidades da literatura contemporânea em língua portuguesa”.

Integrada na Faculdade de Letras da Universidade de Genebra, a Cátedra Lídia Jorge será oficialmente apresentada naquela Universidade com a realização de um colóquio, nos dias 15 e 16 de Setembro, subordinado ao tema “o poder da imagem na obra de Lídia Jorge”, colóquio esse que contará com a participação da autora de Os Memoráveis.

A Cátedra Lídia Jorge tem como objectivo estimular a promoção e divulgação da língua portuguesa e das culturas de expressão portuguesa que o Centre d’Études Lusophones, da Universidade de Genebra, tem vindo a efectuar desde 2008.

Este é mais um justo reconhecimento da importância da obra de Lídia Jorge, expressa em diferentes géneros literários, admirada e premiada internacionalmente, que a Dom Quixote muito se orgulha de publicar.

Acontece tudo isto numa altura, curiosamente, em que a Dom Quixote se prepara para apresentar a 6.ª Edição de Marido e Outros contos, publicado pela primeira vez em 1997, livro que deu início à sequência dos quatro volumes de contos que Lídia Jorge escreveu até ao momento. É nas páginas deste livro que nos deparamos com alguns dos contos mais difundidos, traduzidos e adaptados da autora, entre eles, A Instrumentalina, A Prova dos Pássaros ou Testemunha.

Ao lermos ou relermos os contos de Lídia Jorge é como sentirmos que eles cumprem aquilo que se pede à Literatura - que se levantem do chão, pelo poder da palavra, os que estão destinados a não ser ninguém. Nesse sentido, como a própria autora tantas vezes o tem dito, "toda a Arte é uma revolta contra a História".

Lídia Jorge estreou-se com a publicação de O Dias dos Prodígios, em 1980, um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pós-revolução. Aos seus livros têm sido atribuídos os principais prémios nacionais, alguns deles pelo conjunto da sua obra, como o Prémio da Latinidade, o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores - Millennium BCP ou o Prémio Vergílio Ferreira. No estrangeiro, entre outros, venceu em 2006 a primeira edição do prestigiado prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e, em 2015, o Grande Prémio Luso-Espanhol de Cultura. O seu mais recente romance, Estuário (2018), recebeu o XXIV Grande Prémio de Literatura dst e foi finalista do Prémio Médicis 2019. Em Todos os Sentidos (2020) venceu o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários APE/Câmara Municipal de Loulé.

domingo, 14 de junho de 2020

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA | EM TODOS OS SENTIDOS (CRÓNICAS), de Lídia Jorge - DOM QUIXOTE

Nas livrarias a 16 de Junho


Na introdução que abre este livro, Lídia Jorge define a crónica como uma homenagem ao deus que faz escorregar os grãos de areia, mirando-nos de soslaio. E acrescenta: «Como não podemos vencer o Tempo, escrevemos textos que o desafiam a que chamamos crónicas.»

Em Todos os Sentidos, conjunto de quarenta e uma crónicas que Lídia Jorge leu, ao longo de um ano, aos microfones da Rádio Pública, Antena 2, corresponde a essa definição – são crónicas que encaram de frente a fúria do mundo contemporâneo, interpretando os seus desafios, perigos e simulacros com um olhar crítico acutilante.

Mas a singularidade destas páginas de intervenção provém, sobretudo, do facto de a autora ser capaz de juntar no mesmo palco da reflexão o pensamento crítico sobre a realidade e o discurso subjectivo da memória íntima, com um olhar profundamente sentido. No interior deste livro, há páginas inesquecíveis sobre a vida humana.