Num país nunca nomeado, mas africano de gema, o ditador aquece o lugar por quase quarenta anos, recusando eleições, neutralizando os concorrentes, enriquecendo para lá do aceitável à custa da miséria do seu povo.
Ora, se este Presidente nos lembra alguém, é porque o romance se inspira assumidamente na insanidade, na cleptocracia e no abuso de personagens reais (e são muitos!) como Kumba Yalá (Guiné Bissau), José Eduardo dos Santos (Angola), Mobutu (Zaire) ou o terrível Bokassa (República Centro-Africana) que se coroou imperador em 1984, retratando também o horror das guerras civis pós-independência e o genocídio do Ruanda, bem como a subserviência do povo, a fome e o desgoverno crasso que enfestam muitos países em África e constituem hoje talvez a principal causa do seu atraso.
Nesta ficção, porém, as mulheres cansam-se do «afrocalipse» vivido há décadas e ajudam a mudar a história. Mas nem é só neste facto que reside a novidade: ela está presente na linguagem inventiva e belíssima com que o autor fala de coisas, afinal, tão feias e também na circunstância de ser o primeiro escritor de África a assacar aos próprios africanos parte da responsabilidade pelas desgraças sociais e pelo descalabro dos Direitos Humanos.
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domingo, 21 de junho de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
sexta-feira, 3 de maio de 2024
DIVULGAÇÃO | O LIVRO QUE ME ESCOLHEU, de MÁRIO LÚCIO SOUSA | DOM QUIXOTE
Um maravilhoso elogio à solidariedade e à leitura.
Diagnosticado com uma doença cardíaca grave, um jovem decide escrever o Livro da sua vida – e escrevê-lo literalmente com o coração.
Sempre ao lado da mulher, leva trinta anos para completar a empreitada, passando fome e privações e vivendo a crédito, esperando pagar as dívidas quando o Livro for publicado.
Assim que o termina, manda as folhas dactilografadas ao seu editor, mas este nunca as recebe. O desespero leva o casal e os amigos e vizinhos a uma busca desesperada em todas as estações de Correios do mundo, até que o editor dá a entender que finalmente recebeu o livro. Só que não era o Livro…
Então, começam a chover livros assinados com o nome do escritor, e o povo começa a ler desenfreadamente, tornando a leitura um fenómeno à escala global.
«É uma injustiça ler em três horas o que tanto tempo se levou a criar. O Livro tem magia e vida dentro, é um passeio pelo melhor que somos, um derrame de imaginação e de amor pela leitura, os leitores, os escritores, teu povo e toda nossa gente. Tem momentos de grande beleza poética, e mais, tem uma poética sustentada que não se perde nem quando acelera, às vezes com força demasiada. Gosto das imagens, tantas, por exemplo, que o mundo é uma biblioteca, que os livros podem ser deixados junto a jarras de água nas janelas das casas, e que o som da palavra cria caramelos na boca. E gosto do amor entre as personagens, a vida que contas e as incógnitas que não revelas. Gabo e Mercedes estão presentes, sem necessidade de nomes, a Academia Nobel se torna onírica e o José português descobre, ou não, bibliotecas universais. É uma novela estupenda, para ser repartida pelo mundo.»
Fragmentos de uma carta de Pilar del Río ao autor
quarta-feira, 1 de maio de 2024
AUTORES INTERNACIONAIS | MÁRIO LÚCIO SOUSA
Mário Lúcio Sousa nasceu em 1964, no Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Licenciou-se em Direito na Universidade de Havana.
Foi deputado ao Parlamento e Ministro da Cultura e Artes de Cabo Verde.
É uma das figuras mais reconhecidas da cena literária e musical cabo-verdiana e o escritor mais premiado no seu país, considerado o criador de uma nova linguagem que resgata o português arcaico para a língua crioula.
É autor de vários livros de poesia, ficção, ensaio e teatro e publicou na Dom Quixote os romances O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010), Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro e A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023 e escolhido para o Plano Nacional de Leitura em Portugal). Gravou mais de dez álbuns musicais e recebeu vários prémios e condecorações.
sábado, 20 de abril de 2024
AUTORES INTERNACIONAIS | MÁRIO LÚCIO SOUSA
Mário Lúcio Sousa nasceu em 1964, no Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde.
Licenciou-se em Direito na Universidade de Havana.
Foi deputado ao Parlamento e Ministro da Cultura e Artes de Cabo Verde.
É uma das figuras mais reconhecidas da cena literária e musical cabo-verdiana e o escritor mais premiado no seu país, considerado o criador de uma nova linguagem que resgata o português arcaico para a língua crioula.
É autor de vários livros de poesia, ficção, ensaio e teatro e publicou nesta chancela os romances O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010); Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro e A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023 e escolhido para o Plano Nacional de Leitura em Portugal).
Gravou mais de dez álbuns musicais e recebeu vários prémios e condecorações.
terça-feira, 9 de abril de 2024
DIVULGAÇÃO | O LIVRO QUE ME ESCREVEU, de MÁRIO LÚCIO SOUSA | DOM QUIXOTE
Diagnosticado com uma doença cardíaca grave, um jovem decide escrever o Livro da sua vida – e escrevê-lo literalmente com o coração.
Sempre ao lado da mulher, leva trinta anos para completar a empreitada, passando fome e privações e vivendo a crédito, esperando pagar as dívidas quando o Livro for publicado.
Assim que o termina, manda as folhas dactilografadas ao seu editor, mas este nunca as recebe. O desespero leva o casal e os amigos e vizinhos a uma busca desesperada em todas as estações de Correios do mundo, até que o editor dá a entender que finalmente recebeu o livro. Só que não era o Livro… Então, começam a chover livros assinados com o nome do escritor, e o povo começa a ler desenfreadamente, tornando a leitura um fenómeno à escala global.
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