Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Taborda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Taborda. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de julho de 2016

[Espaço Psy] A psicologia importa, porque os seus filhos importam





Texto: Pedro Taborda

Mestre em Psicologia Educacional e da Orientação pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.


Quem é que nunca achou que no fundo, no fundo, o que aquela criança precisava era de ter regras como antigamente, sem as modernices de hoje em dia, dos psicólogos? Quem nunca achou que os seus filhos estavam perfeitamente saudáveis e não precisavam nada, mesmo nada, de ir ter com um psicólogo?

Muita gente poderia perfeitamente responder a estas duas questões de forma afirmativa. O que é preocupante. ~

Muito antes de a ciência se fazer ciência temos procurado respostas para muitas das questões que surgem nas nossas mentes e foi essa curiosidade que nos levou a encontrar respostas, a debater problemas e, concretamente no caso da psicologia, propor formas de intervir de uma maneira tão eficaz quanto possível junto de quem nos procura. 
Ora, na psicologia educacional não é diferente.

Apesar de estarmos mais cientes das intervenções mais eficazes, estamos ainda longe de ter uma maioria das pessoas a acreditar que a psicologia pode ser uma mais valia na melhoria de resultados escolares, de promover um clima e uma cultura escolar seguras e que permitam um desenvolvimento maior. Ou até de reconhecer na psicologia uma capacidade de promover estilos de vida saudáveis.

O trabalho de cada um dos psicólogos é fundamental para este trabalho. E deve ter tanto de diário como de rigor.

Uma dos grandes aliados que a psicologia tem ao seu dispor são os psicólogos educacionais, especialmente os que de forma mais discreta ou mais proativa convivem com os alunos e professores nos vários agrupamentos pelo nosso país. Poderíamos debater se a atual oferta de psicólogos em contexto educativo é suficiente ou não. Mas mantenhamos o foco naquilo que é o seu trabalho.
Donos de uma formação exigente e que se quer contínua ao longo da vida, os profissionais da psicologia da educação, são muitas vezes os soldados da linha da frente na intervenção junto dos alunos que ora chegam aos seus gabinetes, ou são encaminhados por sugestão dos encarregados de educação ou dos professores. E é aí que a psicologia começa a mostrar o que vale. 


Desde ao (aparentemente) mais simples dos problemas aos desafios mas complicados, os psicólogos podem ser uma mais valia em criar entre educadores e educandos uma relação mais profícua e estável para que no futuro se diminuam comportamentos danosos, se promova o sucesso escolar ou até se atinga um potencial de desenvolvimento escolar e pessoal maior. 
Estamos longe de ter os educadores a acreditar em pleno que a psicologia pode ser a resposta. Mas estamos cada vez mais seguros de que somos um contributo valioso. 


Em resposta ao que sugeri acima: muitas vezes (senão quase sempre) uma compreensão mais detalhada do que temos diante de nós é mais valiosa do que um castigo que na altura parece tão promissor. 

domingo, 17 de abril de 2016

[Espaço Psy] Porquê a importância do ensino artístico nas escolas?

                                                      Texto: Pedro Taborda

Mestre em Psicologia Educacional e da Orientação pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.


O papel do ensino artístico tem sido debatido, ainda que em surdina, em Portugal ao longo do tempo. Com os diversos governos e políticas implementadas temos vindo a observar uma oscilação na postura adotada face ao ensino artístico. 

Do ponto de vista da psicologia importa salientar que vários autores sublinham a importância do papel que a aprendizagem da arte pode ter no desenvolvimento dos alunos. 

É também relevante afirmar que o desenvolvimento cognitivo é importante, mas não é só a partir dele que se potencializa a formação de jovens e adultos capazes de enfrentar os problemas que os esperam. 

De acordo com as várias contribuições científicas que têm sido feitas  podemos dizer que a aprendizagem da arte tem demonstrado ser uma forte aliada no desenvolvimento de aspetos como a perceção visual, da empatia e da formação de indivíduos com maior sentido crítico. Isto é, incluir a formação artística,  atenta à evolução dos alunos e com um crescente grau de exigência é contribuir para uma cultura educacional focada na formação completa dos jovens. 

E é pertinente dizer que criar um sistema de ensino (desde o básico ao secundário) com uma forte componente artística presente e creditada é criar condições para uma formação mais completa, mais envolvente e mais capaz. 

Ao longo do tempo as políticas educativas têm sido alvo de um debate, na sua essência, ideológico e politizado. Ideológico porque muitas vezes assistimos a um debate de confronto entre a tradicional visão da esquerda e da direita; politizado porque olha a dogmas partidários e ideias pré-concebidas. O bom é que a cultura e o ensino não são nem da direita nem da esquerda. Afirmar que algo é mais do um do que outro seria cair em ditadura educativa e ideológica. 

Questões políticas à parte a única linha orientadora que devemos seguir é esta e apenas esta: dados que sustentam as teorias educativas mais relevantes. E dados não só estatístiscos mas empíricos, que nos permitam ajustar as nossas regulamentações educacionais num principio de rigor e necessidade.

Sabemos que muitas vezes, por questões de contenção orçamental, existem áreas que sofrem cortes e reestruturações. E muito recentemente temos ouvido dizer que a política é a arte do possível. Mas antes de analisarmos se estas posturas são de facto as mais corretas convém termos em mente o papel que o sistema educativo deve ter nos dias de hoje. 

Sem dúvida que ninguém ousaria afirmar que a política educativa deve ser delegada para um lugar menor em qualquer governo, instituição ou até país. Mas, de facto, observamos que certas valências do ensino acabam por o ser. E a educação artística é exemplo disso. 


Tendo em conta as vantagens de uma educação artística mais frequente e de uma cultura e clima escolares, porque continuamos nós a achar que falamos de uma área curricular menor? 

pedromtaborda@gmail.com