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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

ACTUALIDADE LITERÁRIA | Beco das Almas Perdidas, de William Lindsay Gresham, um noir dos anos 40 agora adaptado ao cinema mas ainda inédito em Portugal | Dom Quixote - Grupo LeYA


 Foto: D.R.


Beco das Almas Perdidas, de William Lindsay Gresham,  começa com a extraordinária descrição de

 um tragabichos – alcoólico e abjeto, alvo do deleitado nojo e escárnio da multidão voyeurista –

 durante a sua atuação numa feira  de província.

O jovem Stan Carlisle também trabalha nessa feira e pergunta a si mesmo como é que um homem pode

descer tão baixo. Nunca na vida, jura ele, lhe há de acontecer tal coisa. E uma vez que, além de

esperteza e ambição, Stan não é desprovido de um vantajoso laivo de falta de compaixão, em breve

começa a dar-se bem. Em palco, ele é o mentalista com uma bonita assistente (que não tarda a tornar-

se a sua atormentada mulher), sendo que depois se converte num consumado espiritista, ao serviço dos

ricos e crédulos nas suas casas bem mobiladas. Parece que o mundo está ao dispor de Stan. Pelo menos por enquanto.


Inédito em Portugal, Beco das Almas Perdidas é um

dos grandes clássicos do noir americano da década

de 1940. Uma obra-prima comparável a romances

como As Vinhas da Ira, de Steinbeck, pela sua

capacidade de traduzir literalmente as sombras da

Grande Depressão.

Nas livrarias a 25 de Janeiro

sábado, 15 de janeiro de 2022

ACTUALIDADE LITERÁRIA | Raul Minh´alma foi o autor mais vendido em Portugal pelo 2º ano Consecutivo | Grupo Presença - Manuscrito


 Texto: Redacção com Grupo Editorial Presença

Foto: D.R.


O Grupo Editorial Presença e a chancela Manuscrito  anunciaram que, pelo segundo ano consecutivo  o autor português mais vendido em Portugal em 2021 foi Raul Minh'alma. 


Os dados são da GfK, e confirmam a preferência dos leitores pelo escritor, que reage à notícia com satisfação: «Faz-me sentir orgulhoso e honrado pelo carinho do público português. Faz-me também olhar para trás e para este percurso de escrita de mais de dez anos e sentir que valeu a pena e que os passos foram dados na direção certa.»

Aos 29 anos, Raul Minh'alma tem surpreendido o mundo com a maturidade emocional que revela nos seus textos e romances, e com as mensagens construtivas que faz questão de partilhar. «Eu acredito que o que trouxe de novo foram livros que combinam histórias de amor com desenvolvimento pessoal na dose certa e num estilo fresco. As pessoas sabem que não são apenas histórias de amor, sabem que elas passam mensagens importantes e que quando pegam num livro meu vão emocionar-se, entreter-se, mas também aprender alguma coisa que lhes será útil. E é isso que talvez faça a diferença na minha escrita.» 


Pelas mensagens que transmitem, os livros de Raul Minh'alma levam, muitas vezes, os leitores a refletir sobre as suas vidas e relacionamentos. Por essa razão, muitas vezes essa reflexão leva a mudanças para melhor. Assumindo que o seu público é maioritariamente feminino, o autor explica que «são pessoas que gostam de uma boa história de amor e que têm curiosidade por temas de desenvolvimento pessoal. Pessoas que querem evoluir enquanto seres humanos. Por conta disso, recebo muitas opiniões sobre o quão importante foram os meus livros em determinada fase na vida dos meus leitores porque, de alguma forma os ajudaram. Muitas, muitas pessoas me confidenciam que os meus livros as ajudaram de alguma forma e esse é o maior elogio e o maior prémio que posso receber.»

Esta é mais uma entre muitas conquistas do escritor que, em 2020, foi o autor (português ou estrangeiro) mais vendido em Portugal. A par disso, o seu livro «Foi sem querer que te quis» foi o mais vendido em Portugal durante o ano de 2019. No que toca ao caminho que tem vindo a percorrer, Raul Minh'alma revela que «foi uma carreira pensada e desenvolvida com cuidado, paciência e trabalho. Procurei sempre aprender com os outros o que fazer e, especialmente, o que não fazer. Encontrar o meu lugar e ser o melhor nesse lugar. Posso ser o mais vendido, mas nunca me sento à sombra do meu sucesso. Agradeço profundamente tudo o que tenho e tudo o que conquistei, mas continuo a encarar cada ano como se começasse do zero e tivesse de conquistar tudo de novo. Como se depois de cada livro ninguém mais soubesse quem sou e tivesse de conquistar todos os leitores de novo. Não dou nada como garantido (até porque nada é). Por isso, o meu futuro será sempre um recomeçar constante. 

Os livros de Raul Minh'alma são editados pela chancela Manuscrito (Grupo Editorial Presença) desde 2016: Larga quem não te agarra (2016), Todos os dias são para sempre (2017), Dá-me um dia para mudar a tua vida (2018), Foi sem querer que te quis (2018), Ganhei uma vida quando te perdi (2019), Durante a queda aprendi a voar (2020) e Se me amas não te demores (2021).


terça-feira, 7 de dezembro de 2021

ACTUALIDADE LITERÁRIA | José Carlos Barros venceu o Prémio LeYa 2021 com a obra "As Pessoas Invisíveis" | Grupo LeYa

Texto: Comunicação Grupo LeYa (Comunicado do Júri do Prémio LeYA)

Foto: D.R.


 COMUNICADO DO JÚRI DO PRÉMIO LEYA 2021

Reuniu ontem por videoconferência o Júri do Prémio Leya.

No início da reunião, Lourenço do Rosário fez uma declaração de protesto contra as medidas da União Europeia, no sentido de proibir os voos para Moçambique e outros países da África Austral. Os membros do Júri associaram-se a esta tomada de posição.

Concorreram ao Prémio 732 originais, dos quais foram seleccionados 14 para apreciação do Júri.

O Júri deliberou por unanimidade atribuir o Prémio de 2021 à obra As Pessoas Invisíveis, da autoria de José Carlos Barros.

As Pessoas Invisíveis é uma viagem por vários tempos da história recente de Portugal desde a década de quarenta do século XX narrado a partir de uma personagem ambígua, Xavier, que age como se tivesse um dom ou como se precisasse de acreditar que tivesse um dom.

Dos anos 40 do século XX, com a ambição do ouro, a posição de Salazar face à Guerra, a guerra colonial com todas as questões que hoje levanta, o nascimento e os primeiros anos da democracia.


Em todas essas paisagens e em todos os tempos que o romance toca, a palavra é de quem não a costuma ter. Dramática, velada, fugaz, lapidar, tocada pelo sobrenatural.


Os habitantes do mundo rural ou os negros das colónias. São seres quase diáfanos que sublinham uma sensação de quase perdição que atravessa todo o livro e constitui um dos seus pontos mais magnéticos.


Em As Pessoas Invisíveis, o leitor é convocado para preencher com a sua imaginação o não dito, os silêncios, o invisível. 


De salientar ainda o trabalho de linguagem, o domínio de uma oralidade telúrica a contrastar com a riqueza de vocabulário e de referências histórico-sociais.

Sobre o autor

José Carlos Barros (Boticas, 1963) é licenciado em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora e vive no Algarve, em Vila Nova de Cacela. A sua atividade profissional tem sido exercida nos domínios do ordenamento do território e da conservação da natureza. Foi director do Parque Natural da Ria Formosa. É autor, entre outros, dos livros de poesia Uma Abstracção Inútil, Todos os Náufragos, Teoria do Esquecimento, Pequenas Depressões (com Otília Monteiro Fernandes) e As Leis do Povoamento (editado também em castelhano). Com Sete Epígonos de Tebas venceu o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2009.  Em 2003 estreou-se na prosa com O Dia em Que o Mar Desapareceu. Venceu vários prémios literários (com destaque para o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, que lhe foi atribuído duas vezes) e os seus textos poéticos estão publicados em vários países. O Prazer e o Tédio foi o seu primeiro romance, seguido de Um Amigo Para o Inverno (Casa das Letras, 2013), com o qual foi finalista do Prémio LeYa em 2012. Os seus livros mais recentes (poesia) são os seguintes: O Uso dos Venenos, ed. Língua Morta (2ª edição, 2018), A Educação das Crianças, ed. Do Lado Esquerdo Editora, 2020, Estação – Os Poemas do DN Jovem, 1984-1989, ed. On y Va, 2020, e Penélope Escreve a Ulisses, Edições Caixa Alta, 2021. 

Sobre o júri do Prémio LeYa 2021

O júri da presente edição do Prémio LeYa é formado por Ana Paula Tavares, escritora e poeta angolana, Isabel Lucas, jornalista e crítica literária portuguesa, José Carlos Seabra Pereira, Professor de Literatura Portuguesa na Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, Professor de Letras, fundador e antigo reitor da Universidade Politécnica de Maputo, Manuel Alegre, poeta e escritor (Presidente do Júri), Nuno Júdice, poeta e escritor, e Paulo Werneck, editor, jornalista e tradutor brasileiro.

Sobre o Prémio LeYa 2021

Com o valor de 50 mil euros, o Prémio LeYa é o maior prémio literário para romances inéditos de todo o mundo de língua portuguesa. No seu percurso já premiou e deu a conhecer ao mundo os romances O Rastro do Jaguar, do brasileiro Murilo Carvalho (2008), O Olho de Hertzog, do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho (2009), O Teu Rosto Será o Ultimo, de João Ricardo Pedro (2011), Debaixo de Algum Céu, de Nuno Camarneiro (2012), Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade (2013), O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral (2014), O Coro dos Defuntos, de António Tavares (2015), Os Loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho (2017) e Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, vencedor em 2018 e que viria a ganhar, em 2020, os dois mais importantes prémios literários do Brasil: Jabuti e Oceanos.