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domingo, 18 de novembro de 2018

OPINIÃO | É terrorismo senhores...é terrorismo! | CARMEN MATOS e ISABEL DE ALMEIDA


Na sequência das últimas notícias que geraram polémica na nossa sociedade, mais uma polémica, desta feita sobre um grupo de pessoas que, de forma abnegada, movida por amor aos animais e que de mote próprio resolveram tentar equilibrar os pratos da balança no flagelo que existe, bastante enraizado, neste país – os maus tratos aos animais, é de extrema importância que se reflicta sobre este tema.

Na senda de um péssimo jornalismo que já vem sendo apanágio em Portugal, porque caracterizado pelo sensacionalismo barato, descontextualização de factos e parcialidade de juízos, porquanto não se fazendo cumprir o direito de contraditório, e talvez por uma inexistência de mais “desgraças” a expor, eis que se lançam, de forma leviana, suspeitas sobre a IRA – Intervenção e Resgate Animal, grupo este que não existe desde o dia de ontem e que nos últimos dois anos tem lutado, afincadamente, pelo auxílio de animais que se encontram em perigo, vítimas de abandono e maus tratos por parte daqueles que, supostamente, os deviam proteger.

Os elementos deste grupo têm, como qualquer um de nós, as suas vidas pessoais e profissionais, mas que num final de dia de trabalho e em prejuízo do convívio familiar, em determinados casos (previamente avaliados pela gravidade que nele constatem),  se encontram e organizam para serem os salvadores de animais que sofrem e são vítimas das mais atrozes intenções e actuações de seres, que nem sequer deviam ser apelidados de  humanos.

Quem acompanha este grupo de forma próxima, dando-se ao trabalho de  conhecer a sua missão, princípios, solidariedade e actuação, percebe claramente que serão um exemplo entre poucos, tendo tido a coragem e  a capacidade de se organizam de forma a ser “uma frente de combate forte e credível” neste flagelo que em pelo sec XXI ainda acontece, com muito mais incidência do que a desejada.

A expensas próprias dotaram-se de tudo o que fosse preciso para ajudar os animais, leitores de microchip, contactos com veterinários e clínicas, tudo o que fosse possível para que após um resgate se pudesse de forma cabal ajudar os animais, trata-los, alimentá-los, vaciná-los…

Mostraram, de forma inequívoca, que se importam e lançar as mãos à obra é bem mais produtivo do que se lamentar e pedir donativos, que as mais das vezes, não sabemos se chegam aos seus destinatários.

Destarte, é de fundamental importância recordar que nos incêndios que assolaram o país no ano transacto, em especial na tragédia de Pedrogão Grande, a IRA mobilizou equipas de resgate, organizou recolhas de alimentos para animais, providenciou apoio veterinário para os primeiros socorros de animais, ajudou inclusive a reconstruir abrigos que foram destruídos pelo fogo dantesco que existiu.

Outrossim, deve-se ainda relembrar que a IRA sempre colaborou com o SEPNA e até com as entidades policiais em diversos casos de resgate, como se prova quer pela página de facebook que têm e canal  no Youtube, para que de forma transparente mantenham actualizados os seus seguidores.

Não é menos verdade que são dos poucos que em situações de perigosidade têm a coragem de actuar, mesmo quando se trata de ir a acampamentos de pessoas de etnia cigana para resgatar animais deveras maltratados e muitas vezes utilizados como fábricas de produção de crias, sem qualquer apoio ou supervisão veterinários, rastreio de doenças e vacinação; Nestes ambientes hostis, bem sabemos que a actuação das nossas autoridades fica muitas vezes aquém do satisfatório…

Acompanhando de forma muito próxima, pelos meios já identificados, a actuação deste grupo de pessoas que considero de corajosas, destemidas e preocupadas, entendo que deve ser de realçar que a IRA, não aceitando donativos, faz também um excelente trabalho na angariação de fundos para o apoio aos animais vítimas de todos tipo de crueldades, naturais ou provocadas, a saber:  Para Pedrogão, arrecadaram toneladas de alimento para animais, fizeram diversas viagens para o distribuir, conseguiram disponibilizar apoio veterinário; No caso de Monchique arrecadaram 10 000 Euros em 24 horas para ajuda aos animais após os incêndios, e lançaram um projecto – HERCULES- que sem 72h conseguiram arrecadar 12000 Euros de 14000 Euros que precisavam, e felizmente já conseguiram na totalidade.

Para quem não sabe, o que será muito normal, pois trata-se de algo inovador, proactivo e muito positivo, logo, não sensacionalista, o projecto HÉRCULES, destina-se à aquisição de uma viatura para transformação, com valências de intervenção, in loco, com a disposição de estrutura hospitalar para fazer face Às necessidades de socorro médico-veterinárias, mormente:

Disponibilização dos primeiros-socorros a animais feridos, vítimas de incêndios ou outras catástrofes, em condições em iluminação, ambiente estéril e material insuficiente; posto de triagem para posterior encaminhamento dos animais feridos para hospitais veterinários locais;

Valências de Posto de Comando das equipas de Intervenção e Resgate: organização e planeamento das acções das equipas do IRA  e voluntários nos locais onde seja implementao o posto comando; acolhimento dos membros das equipas, dotado de estrutura para permanecer no local por vários dias;
Valências de apoio à autoridade veterinária municipal em campanhas CED (cães e gatos): sala de cirurgia para esterilização ao abrigo dos programas municipais CED;

Resposta de apoio à ANPC na vertente veterinária: coordenação voluntários; disponibilização de equipa quipá-veterinária, equipa de intervenção e resgate e toda logística para uma resposta imediata pró-animal;

Sensibilização comunitária: presença de viaturas de campanha de sensibilização para os direitos dos animais, em escolas e/ou eventos inerentes causa animal. 

Ora, isto que aqui se transcreve da própria página do IRA, é acessível a qualquer pessoa que queira, efectivamente saber em concreto qual a missão deste grupo, o que não será obviamente o caso de quem apenas quer denegrir aqueles que têm a ousadia, de fazer diferente, de se importar.

Concluí-se, portanto, que neste país, ser ousado, com o intuito de ajudar e exercendo uma forte componente social  conduz a que a  sua actuação seja  muito mais censurada que a actividades daqueles que através de offshores e jogos políticos e falacciosos desviaram milhões de bancos, votando famílias à pobreza e se tenham por impunes face à sociedade.

Mas na verdade, o que indigna alguns é o facto de, eventualmente, actuarem de capuz… e de supostamente a sua activividade estar a incorrer em tipologias de ilícitos criminais, quando nem sequer se lembram do plasmado no art 32º o Código Penal.

Uma sociedade com dois pesos e duas medidas, de valores invertidos e muitas “virgens ofendidas”.
Eu apoio a IRA  e como tal acredito que fazem a diferença, portanto, resta-me dizer OBRIGADA IRA!

Carmen Matos

______________

Na passada semana, após um serão de trabalho que se adentrou pela noite, uma reportagem no site da TVI24 surgiu no destaque da minha timeline no Facebook, tinha por tema alegadas investigações da Polícia Judiciária ao grupo IRA (Intervenção e Resgate Animal), o qual estaria acusado de Terrorismo e coacção sobre pessoas, através de força armada. 

A aludida peça jornalística continha em destaque vídeos que apresentavam um resumo da peça mais alargada emitida na televisão, com testemunhos de alegadas vítimas da IRA, bem como continha um vídeo humorístico, totalmente decontextualizado (facto este de que só me apercebi mais tarde, quando estranhando a extrema gravidade dos relatos e acusações decidi fazer uma pesquisa e avaliação pessoal e crítica mais alargada da questão).

Confesso que, não estando a par específica e detalhadamente, até agora, da acção deste grupo, inicialmente fiquei chocada, com a dureza dos relatos, com o teor do vídeo que mais tarde vim a saber ser humorístico, fiquei assustada e até chocada.

Gradualmente, através da página do próprio grupo no Facebook, e pela leitura de posts, vídeos, comentários (onde ficou evidente, mais uma vez, o clima de intranquilidade e polémica existente entre defensores da causa animal anti-tourada e os afficionados, o qual não será de todo alheio à necessidade de atingir na sua honra, bom nome os elementos da IRA), e ainda tendo acompanhado os desmentidos e esclarecimentos, bem como o completo contraditório que desmontou toda a reportage televisiva, comecei a ficar devidamente esclarecida!

Complementando a minha "investigação crítica", por assim dizer, tive ainda oportunidade de trocar impressões e esclarecer cabalmente a acção corajosa e nobre da IRA junto de amigos pessoais que acompanham estas iniciativas continuadas de apoio no terreno à causa animal desde o seu início.

Lamentavelmente, em Portugal, as pequenas "capelinhas de interesses", uma certa mentalidade retrógrada e conformista talvez decorrente da influência da canção nacional  - O Fado - levam a que, sem quaisquer vestígios de pudor, sejam considerados alvos a abater todos aqueles que se destacam pela diferença, que dão mais de si do que o comum dos cidadãos às causas que abraçam, que ousam querer mesmo dar o seu contributo para tornar o mundo ao menos um pouquinho melhor, mais justo e mais correcto.

Creio que, como eu, muitos leitores e usuários das redes sociais possam ter ficado, inicialmente chocados e até assustados, mas considerando que o número de seguidores da página oficial da IRA no Facebook aumentou exponencialmente, tendo em consideração que, entretanto, e num efeito dominó inversamente proporcional a toda a violentíssima publicidade negativa os fundos para o projecto HÉRCULES estão completamente reunidos, diria que "o feitiço se virou contra o feiticeiro"!

Atrevo-me ainda a especular se não poderão existir situações complexas e graves, essas sim a merecer  investigação criminal. de haver a possibilidade de intervenções criminosas a coberto do uso de falsa identidade da IRA, coisa que, infelizmente, bem conhecendo o país onde me coube em sorte nascer e viver, nada me espantaria.

O mundo precisa de pessoas que se destacam pela diferença positiva, por serem capazes de abraçar causas de corpo e alma, aplaudo a coragem da IRA e faço votos para que a justiça seja reposta pelos meios adequados!

Isabel de Almeida

terça-feira, 15 de maio de 2018

OPINIÃO | Advocacia - Amanhã pode ser tarde demais! | JUSTIÇA

   Considerando a premência da questão, por um lado, da apregoada sustentabilidade da CPAS e, por outro, da não menos importante “sustentabilidade existencial” de grande parte da nossa Classe, que com um estoico esforço contribui para a mesma, informamos que se encontram pendentes, tanto quanto é do nosso conhecimento pessoal, três acções judiciais de natureza administrativa, nas quais se discutem questões jurídicas que se prendem com flagrantes e gritantes nulidades e inconstitucionalidades abertamente plasmadas no RCPAS e que se pretende sejam apreciadas, “desta vez, pelos órgãos de soberania materialmente competentes que são os Tribunais Administrativos” e, inclusivamente, que cheguem a ser apreciadas no Tribunal Constitucional, como instância máxima para dirimir em definitivo toda esta temática.

   Tendo em conta o actual “estado da arte”, e perante a posição assumida publicamente pela Ordem dos Advogados de estar solidária com a CPAS, numa visão que reputamos, salvo o devido respeito, de desfasada do tempo e da realidade actual da Advocacia Portuguesa, não conseguimos entender nem aceitar que quem legal e estatutariamente tem o ónus e o dever de representar a nossa Classe não só não o faça como adopte medidas, posturas e atitudes em claro e aberto confronto com aqueles que não só os elegeram como deveriam por si sentir-se representados e ver-se defendidos quer internamente quer junto das mais altas instâncias.

   Ora, constatando-se actualmente o mais completo descrédito ao qual é votada a Ordem dos Advogados, como se pode verificar pela ausência de qualquer consulta sobre temáticas tão preponderantes para a Advocacia Portuguesa como a prevista nova Reforma do Mapa Judiciário, o que poderá indiciar também a falta de representatividade e a notória falta de legitimidade de toda a Direcção da Ordem dos Advogados, aqui deixamos nota de que todas as medidas de protesto, debate e promoção de mudança, nomeadamente as que passem pela via judicial, incumbem tão só e apenas a cada um de nós Advogados, em sã consciência e casuisticamente, pensar na nossa própria sustentabilidade enquanto profissionais liberais (mormente quem trabalha em prática isolada e sem rendimentos certos) e, em conformidade, decidir, promover ou aderir a medidas que julguemos adequadas para alcançar soluções justas, equitativas e que verdadeiramente permitam sanar esta questão, antes que seja tarde demais e que se assista a uma “fuga em massa” de profissionais do foro.
Necessariamente, esta “fuga em massa” irá fragilizar ainda mais um sistema previdencial já de si débil e que tem por sustentáculo a solidariedade intergeracional, pois levará a um estreitamento da base da pirâmide geracional e à sua evidente asfixia.

   Cabe-nos, pois, a nós, sozinhos institucionalmente, decidir o que fazer, sendo certo que se nada for feito de forma concertada, todo este processo culminará na pior das soluções, a qual passa pelo cenário dramático, mas deveras realista, da fuga em massa e da total insustentabilidade da CPAS e, em simultâneo, ainda mais gravoso, problemas acrescidos do foro social, com a queda de projectos pessoais de vida de diversos Colegas, tantos e tantos deles com famílias a cargo, que diligenciam diariamente o respectivo sustento. 

   Por fim, importa levar em linha de conta, na decisão isenta e consciente de cada Colega, que a nós Advogados não é reconhecida a possibilidade de assistência condigna na doença, de escalão de refúgio perante adversidade por doença ou crise financeira, de baixa médica por doença, bem como frágeis apoios na maternidade/parentalidade.

   Os dados estão lançados! 

   Aproveitando a consciencialização mais generalizada para estas questões, que têm vindo a lume no corrente ano, especialmente as ocorrências desta última semana no seio do Conselho Geral da OA, todo este contexto tem permitido “tomar o pulso” às instituições que nos representam e que se escudam numa atitude de negação e autismo perante realidades incontornáveis, o que iremos decidir? 
Como nos iremos concertar e agir em grupo, dentro da legalidade, obviamente, para defender os nossos legítimos direitos e interesses?

   Pelo que uma só certeza temos: é impensável esperar pelas próximas eleições para decidir quem irá assumir o nosso destino, pelo que se apela a todos os Colegas para uma mobilização geral no sentido de por cobro a esta nefasta situação o mais rapidamente possível!

Amanhã pode ser tarde demais!

domingo, 19 de novembro de 2017

OPINIÃO | "Planeta Terra" | MAFALDA PASCOAL

Era uma vez um planeta muito colorido...

Lá dentro tem muita água, muito gelo, solo firme, vegetação, muitas cavernas e tuneis, pirâmides, vulcões, desertos de areia, areias movediças, muitos animais, muitos insectos, muitas aves, muitos repteis, muitos peixes, muitos seres humanos...

Onde existe água, lá dentro tem muitas qualidades de peixe e não só, ainda estão por descobrir muitas muitas coisas nos lugares mais reconditos do oceano...

Onde existe gelo, muita coisa por descobrir ainda existe, cidades e civilizações congeladas e alguns animais que desconhecemos...

Onde existe solo firme também tem coisas suterradas que desconhecemos, até porque este solo firme, já não está tão firme assim...

Onde existe muita vegetação, estão escondidas entradas para grutas, cavernas ou simplesmente estão um conjunto de arvores centenárias que, cada vez são menos devido aos fogos...
Onde existem muitas cavernas e tuneis, estes últimos feitos plo homem ou pla natureza, também não se conhecem na sua totalidade e também lá existem coisas que desconhecemos, talvez ovnis ou outros artefactos estranhos para a nossa percepção presente...

Onde existem pirâmides, esses monumentos que tanto intrigam o ser humano, também lá dentro estão fenómenos inalcansáveis para nós, em algumas pirâmides estão guardados objectos que a nossa presente inteligência não poderia deparar-se com tamanha evolução, dado que, enquanto tivermos em mente fabricar uma arma mais mortífera que a do vizinho, não podemos ter em mãos algo tão potente assim...

Ainda assim me pergunto porque existe tanta ambição em descobrir fora do planeta! Tantos biliões a serem gastos...quando cá dentro existe uma infinidade a ser explorado e descoberto...uma infinidade de pessoas a morrer de fome e de sede...uma infinidade de velhos sem família e sem condições de sobrevivência...uma infinidade de crianças sem família e a aguardar por um lar de acolhimento... 
E em última análise, uma infinidade de animais há espera de um lar...

Claro que o ser humano nada vai mudar...mas a natureza?! Ah a natureza...essa tudo vai mudar e assim como nós não temos tido dó em fazer o que nos dá na real gana, porque o que nos interessa são os dividendos  que podemos tirar  de toda a exploração da natureza deste planeta, agora vai ser a natureza a reabilitar-se, a reorganizar-se, a reenergizar-se e não vai ter dó de nós...

Assim como quando temos que mudar algo em nós e não temos coragem de o fazer, vem a vida e muda o que deve ser mudado e dessa forma faz-nos doer mais, assim fará a natureza, já que a humanidade não tem coragem de se unir e fazer algo para poupar o planeta, a natureza irá fazê-lo por nós...e vai doer muuuito...      


Mafalda Pascoal | Poetisa | Colunista Nova Gazeta


sábado, 18 de novembro de 2017

OPINIÃO | " Sexy-Fresh-Pop" | ANA KANDSMAR

Se eu mandasse em Portugal, a ASAE deixava de fiscalizar casas de pasto e os respetivos prostíbulos anexos. Deixava de implicar com madeiras emporcalhadas e cagava na cena dos PPL-PPP-PPC (pia-para-legumes; pia-para-peixe e o resto já sabem). 

A ASAE para já, mudava logo de nome porque eu não o entendo na sua totalidade: “Autoridade de Segurança Alimentar e Económica” -eu entendo o que seja segurança alimentar, afinal temos de estar atentos ao que metemos na boca, na medida do possível. Mas segurança económica? São poucos os que podem dizer “sinto-me seguro economicamente”. E esta (in)segurança nada parece ter a ver com a ASAE.

Mas, como dizia, a ASAE transmutar-se-ia para a Autoridade de Segurança Auditiva e Económica (afinal não interessa se uma pessoa entende ou não o termo, acabo de aprender que o que importa é soar bem) e passava a fiscalizar locais de diversão diurna de entrada livre, como a Stradivarius ou a Bershka. Licença comercial só após o emudecer de uma Rihanna esganiçada em alto volume de som. Logo teríamos uma larga massa de adolescentes em crise existencial. Eu tenho uma filha adolescente. Sei bem do que falo e arrisco aqui algumas razões:

a. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude a esquecer a falta de dinheiro para comprar metade da loja.

b. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude as adolescentes a sentirem-se sexy-fresh-pop ao espelho com os trapinhos igualmente sexy-fresh-pop (é todo um universo…)

c. talvez uma toada sexy-fresh-pop deixe os funcionários sem qualquer capacidade para pensar  na miséria do salário que ganham e consequente merda de vida que levam.

d. talvez uma toada sexy-fresh-pop abafe os comentários das fêmeas mais ranhosas (“o cu dela não cabe ali…” ou “que mau gosto, a pindérica!”

Fortes neuras e stresses domésticos fazem parte das rotinas dos progenitores atuais. Mais uma vez, sim, eu sei bem do que falo. Se pensarmos em pequena escala, mesmo em pequena escala vamos dar ao fim do mundo! Ora vejamos:

100 adolescentes ficam histéricas porque a Pull está em total silêncio. Cada uma delas fica frustrada porque esteve atenta o suficiente para ler as etiquetas dos preços. Depois de toda a tensão para largar o molho infindo de roupa que quase lhe despenca o braço e escolher apenas uma peça, apercebe-se que terá de fazer uma cirurgia para ter mamas. Sai do vestiário e ouve uns risinhos trocistas que põem fim à amizade de semanas e semanas! (nestas idades a intensidade das coisas não está mesmo no tempo que elas duram). Continuando… Estas 100 adolescentes seguem em fúria para casa, depois de com os nervos, terem partido duas ou três unhas de gel. Uma desgraça!

Já estão a ver o filme – mães em pânico, pais que não cedem ao diálogo, tias que põem água na fervura, uma tensão de morte durante dias até que, 100 adolescentes resolvem deprimir…automutilam-se, fazem greve de fome, ameaçam fugir de casa… é uma bola de neve. Se isto ocorre em dezembro, (está quase aí) época da febre das comprinhas para o Natal, o vestidinho curto (muito curto) cheio de lantejoulas para o réveillon mais “In”de todo o sempre (para os pirralhos tudo tem que ser o best do the best), numa discoteca supermega bem frequentada pelos magníficos sexy-fresh-pop do Love on Top… imaginem…! É o estado de sítio para um número considerável de famílias e um acréscimo exponencial de clientes na psiquiatria! De modos que a minha teoria bate certo. A música imprópria para consumo nos estabelecimentos comerciais tem tudo a ver com o lado ordeiro de um povo. Tenho dito.

Ana Kandsmar - Escritora | Colunista Nova Gazeta


sexta-feira, 8 de abril de 2016

[Cultura - Evento Literário & Opinião] Embaixador Carlos Fernandes lança livro que contesta o acordo Ortográfico de 1990


A obra do Embaixador Carlos Fernandes [Foto Guerra & Paz Editores]

Ontem, na Bertrand do Picoas Plaza, em Lisboa, foi apresentado o livro do embaixador Carlos Fernandes, "O Acordo Ortográfico de 1990 não está em vigor" da editora Guerra e Paz, sobre a inconstitucionalidade deste acordo que nunca foi sancionado por decreto-lei ao contrário do que se passou com a Convenção de 1945 e o aditamento de 1973.

Estavam pouco mais de 30 pessoas na sala, como se pode verificar pelas fotos publicadas, houve intervenções do próprio autor, de Nuno Pacheco e de Ivo Barroso e algum diálogo.

É deveras lamentável que um assunto destes que interfere violentamente com a nossa Cultura, a nossa Civilização, a nossa raiz latina, mereça tão pouca atenção da parte de um público que, nas redes sociais, se afirma como sendo totalmente contra mas depois não aparece nos locais e manifestações públicas.

Se queremos alterar este ( des)acordo ilegal, temos de manifestar a nossa presença, fazendo- nos ouvir junto de quem o pode alterar.

Em conversas de café, em reuniões só para amigos e em manifestações só com meia dúzia de pessoas, não o conseguimos.


Por mim falo. Não pude estar presente por motivos familiares mas o meu Marido representou- nos aos dois, indo e comprando o livro.

O livro tem muito interesse porque recorre a toda a legislação e a todas as " Prepotências do Governo de José Sócrates e do Presidente Cavaco Silva", como o autor refere no próprio título do livro.
A ler com atenção.


Texto: Maria Delfina Vasconcelos 

Fotos: Editora Guerra e Paz [Direitos Reservados]

A Nova Gazeta agradece à Dra. Maria Delfina Vasconcelos e ao Dr. José Luís Vasconcellos a gentileza de toda a colaboração prestada com a escrita deste artigo.