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terça-feira, 21 de julho de 2026

JUNTO À GRAND STATION SENTEI-ME E CHOREI, de ELIZABETH SMART | DOM QUIXOTE


Inspirado no intenso caso amoroso da autora com o poeta George Barker, Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei tornou-se um verdadeiro livro de culto e um clássico da literatura.


Um dia, enquanto folheava os livros numa livraria de Londres, Elizabeth Smart deparou-se com um pequeno volume de poesia de George Barker - e, apenas através da palavra escrita, apaixonou-se perdidamente pelo poeta. Após três anos de demanda do seu amado, Lawrence Durrell dá-lhe o endereço de Barker.

Assim começa a lenda do caso amoroso Elizabeth-George que está na base da escrita deste livro - uma das histórias de amor mais extraordinárias, intensas e trágicas do nosso tempo. Elizabeth e Barker tiveram quatro filhos, no entanto, ele permaneceu legalmente casado com a sua mulher, mas isto torna-se irrelevante perante a genialidade com que tão vulgar episódio da vida é contado.

Partindo da sua experiência pessoal, Smart transforma-a em arte, exibindo na sua escrita uma forte intenção estética e um elaborado trabalho de linguagem. a sua prosa poética faz com que este livro notável, publicado originalmente em 1945, seja hoje amplamente reconhecido como um clássico da literatura que mantém toda a sua pungência, beleza e poder.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

RESSUSCITAR MAMUTES, de SILVANA TAVANO | DOM QUIXOTE


«Ressuscitar passados, inventar futuros: ciência e literatura viajam no tempo dos sonhos para chegar ao impossível.»


Vencedor do Prémio Oceanos 2025

O tempo e a memória tecem esta narrativa com os fios delicados da saudade, às vezes com os do arrependimento, em outras tantas com os da consciência tardia do que faz nascer e fortalecer os laços familiares, sobretudo os de uma filha pela mãe que já morreu.

No trajeto entre acontecimentos científicos do presente e projeções esperançosas para o futuro, a narradora deste romance revisita a história da sua família, provavelmente comum a muitos de nós, enfrentando os conflitos, as tensões e os imensos afetos que se estabelecem entre as mulheres de um núcleo familiar em que o pai é uma figura periférica.

O resultado é um romance que reinventa passados e sonha futuros, onde o ficcional, o científico, o fabuloso e o ensaístico se entrelaçam, e onde literatura e memória caminham juntas, traçando rotas para transcender o presente.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O SEIO, de PHILIP ROTH | DOM QUIXOTE

Qual Gregor Samsa do nosso tempo, o professor David Kepesh acorda certa manhã e descobre que sofreu uma mudança radical. Mas, enquanto o protagonista de Kafka tomou a forma de um inseto monstruoso, o narrador da fantasia de Philip Roth transformou-se num seio feminino de setenta quilos.

O que se segue é uma exploração delirantemente divertida, mas também comovente, de todas as implicações da metamorfose de Kepesh. Ousada, herética - tão tetricamente hilariante quanto existencialmente desconcertante - ela recria o absurdo, a banalidade e a maravilhosa vacuidade da experiência humana vivida.
 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

AGUARELA DE PARIS, de JOÃO PINTO COELHO | DOM QUIXOTE

Inverness, 1927.
As Terras Altas da Escócia, refúgio privado do ramo britânico dos Senigallia, a mais influente dinastia de banqueiros judeus da Europa, são o palco da infância de Franca e Giullietta, duas gémeas impossíveis de distinguir e, ainda assim, tão diferentes.

Mas os muros aristocráticos do castelo de família encerram muito mais do que sonhos juvenis. Lá, onde o Diabo pode ser visto pelo menos uma noite por ano e os fantasmas esbofeteiam as criadas no escuro, dá se o maior crime do século, uma tragédia que marcará de maneira impiedosa o destino das raparigas.

O seu grito de emancipação escutar-se-á nos cenários mais improváveis – dos cafés de Montparnasse, onde Giullietta impõe o seu génio artístico junto de pintores que se contarão entre os mais famosos do mundo, até à costa do Estoril, onde Franca apanha sol no Tamariz e se cruza com espiões nas festas exuberantes do Hotel Palácio.

Porém, quando tudo se desmorona, o romance anoitece, quase insuportável de ler perante a mais hedionda das faces do Holocausto, essa que se oculta nos blocos de Auschwitz e Birkenau, pelas mãos de Mengele, o Anjo da Morte, e a sua legião de médicos nazis.
 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

PIRILAMPO, de NATALIA LITVINOVA | DOM QUIXOTE


Prémio Lumen de Romance 2024

A narradora desta história nasce a poucos quilómetros de Chernobil, no ano em que a central nuclear explode, e cresce num país atravessado pela confusão e pela miséria. Na terra das crianças radioativas, das colossais frutas da Zona, do céu vermelho e dos homens alcoólicos, doentes ou desorientados, as mulheres resistem fazendo do quotidiano um refúgio: a mãe cujo nascimento não foi registado devido à perseguição de Estaline; a avó sequestrada pelos nazis que regressa no fim da guerra e, acusada de traição, é condenada a três anos de trabalhos forçados, a apanhar turfa nos pântanos; a jovem apaixonada por Maiakovski ou a que pesca com as suas tranças.

De Buenos Aires, para onde emigrou com a família, Natalia Litvinova rompe o silêncio da sua mãe para reconstruir em Pirilampo toda uma linhagem silenciada.

sábado, 27 de junho de 2026

VÍTIMA, de JORN LIER HORST & THOMAS ENGER | DOM QUIXOTE

Há dois anos, Alexander Blix era o investigador principal num caso de uma pessoa desaparecida em que uma jovem mãe, Elisabeth Eie, tinha sido raptada. O caso chegou a um impasse quando a filha de Blix foi assassinada e ele detido por ter vingado a morte dela. Agora, Blix é de novo um homem livre. E a pessoa que tirou a vida a Elisabeth Eie encontrou-o, deixando provas do homicídio na sua caixa de correio.
A polícia mostra-se relutante em aceitar a ajuda de Blix. Apesar de ele ter sido absolvido do crime que cometeu, a sua carreira nas forças de segurança chegou ao fim. Mas o assassino de Eie continua a conduzi-lo para as suas novas vítimas, enquanto deixa claro que conhece detalhes da vida privada do antigo investigador que este nunca partilhou com ninguém.

Entretanto, Emma Ramm é contactada por uma adolescente cujo padrasto foi detido por suspeita de ter assassinado uma amiga de infância. Mas não existe corpo. Nem outros suspeitos…
Blix e Ramm só podem contar um com o outro, e, quando as impressões digitais de Blix são encontradas num desenho de uma criança no local de um crime, o presente torna-se desconfortavelmente próximo do passado. Um passado no qual uma vítima encontrou a sua própria forma, chocante, de terapia.
E alguém está a observar…
 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A HORA DO LOBO, de JO NESBO | DOM QUIXOTE

Um criminoso de pequena monta é alvejado nas ruas de Minneapolis e todas as evidências apontam para um lobo solitário, um sniper que desapareceu sem deixar rasto.
Quando este ataca de novo, o inconformista detetive Bob Oz é chamado para resolver o caso, pois tudo indica que aquela vítima não será a última.
À medida que o número de corpos aumenta, Oz suspeita de que algo ainda mais sinistro pode estar em jogo. E, quanto mais se aproxima da verdade, mais perturbado fica. Porque este assassino em série lhe faz lembrar alguém perigoso: ele próprio.

A Hora do Lobo é um thriller intenso, repleto de reviravoltas inesperadas, segredos obscuros e com uma tensão pessoal e política crescente que prenderá o leitor até à última página.
 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

ROSSHALDE, de HERMANN HESSE | DOM QUIXOTE


Johann Veraguth é um pintor mundialmente famoso que vive numa propriedade luxuosa, chamada Rosshalde, juntamente com a sua esposa, Adele, e o seu filho mais novo, Pierre.

Apesar do sucesso profissional e da riqueza de que dispõe, a sua vida pessoal, marcada pela frieza emocional, por uma profunda fissura conjugal e por uma má relação com o filho mais velho, Albert, não corre de feição há muito tempo. Por essa razão, Veraguth passa a maior parte do tempo refugiado no seu atelier e nas pinturas que produz, isolado da família, chegando a tornar-se um estranho na sua própria casa.
A visita de um velho amigo, Otto Burkhardt – que questiona o estilo de vida de Johann e o convida a viajar –, acentua ainda mais a crise pessoal em que o artista se encontra.
Dividido entre o seu apego ao filho Pierre, o único elemento que mantém a família unida, e o desejo de partir para alcançar a verdadeira liberdade criativa e pessoal, Veraguth tem de tomar decisões, mesmo quando tudo se começa a desmoronar.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

ESPELHO PARTIDO, de MERCÈ RODOREDA | DOM QUIXOTE

Romance coral que percorre a vida de vários elementos de uma família durante cerca de meio século, este é um caleidoscópio de perspetivas que acompanha o processo de fragmentação de uma dinastia matriarcal fundada no amor, na mentira, em segredos e traições.
Ao longo de três gerações, desde a viragem para o século XX até aos anos imediatamente posteriores à Guerra Civil espanhola, e em torno da figura fabulosa de uma mulher, o leitor observa com uma precisão detalhada a extraordinária transformação da família Valldaura.

É através da história desta casa senhorial de Barcelona, das suas intrigas e paixões, e da teia de segredos que molda a vida das personagens, que Rodoreda nos oferece uma obra de grande beleza poética, que é ao mesmo tempo um fresco profundamente trágico, por onde perpassam a decadência, a velhice e a morte – mas também uma grande vontade de viver.
 

terça-feira, 23 de junho de 2026

PIRILAMPO, de NATALIA LITVINOVA | DOM QUIXOTE

A narradora desta história nasce a poucos quilómetros de Chernobil, no ano em que a central nuclear explode, e cresce num país atravessado pela confusão e pela miséria. Na terra das «crianças radioativas», das colossais frutas da Zona, do céu vermelho e dos homens alcoólicos, doentes ou desorientados, as mulheres resistem fazendo do quotidiano um refúgio: a mãe cujo nascimento não foi registado devido à perseguição de Estaline; a avó sequestrada pelos nazis que regressa no fim da guerra e, acusada de traição, é condenada a três anos de trabalhos forçados, a apanhar turfa nos pântanos; a jovem apaixonada por Maiakovski ou a que pesca com as suas tranças.

De Buenos Aires, para onde emigrou com a família, Natalia Litvinova rompe o silêncio da sua mãe para reconstruir em Pirilampo toda uma linhagem silenciada.
 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O SEIO, de PHILIP ROTH | DOM QUIXOTE

Qual Gregor Samsa do nosso tempo, o professor David Kepesh acorda certa manhã e descobre que sofreu uma mudança radical. Mas, enquanto o protagonista de Kafka tomou a forma de um inseto monstruoso, o narrador da fantasia de Philip Roth transformou-se num seio feminino de setenta quilos.
O que se segue é uma exploração delirantemente divertida, mas também comovente, de todas as implicações da metamorfose de Kepesh.

Ousada, herética – tão tetricamente hilariante quanto existencialmente desconcertante – ela recria o absurdo, a banalidade e a maravilhosa vacuidade da experiência humana vivida.
 

domingo, 21 de junho de 2026

AFROCALIPSE, de MÁRIO LÚCIO SOUSA | DOM QUIXOTE

Num país nunca nomeado, mas africano de gema, o ditador aquece o lugar por quase quarenta anos, recusando eleições, neutralizando os concorrentes, enriquecendo para lá do aceitável à custa da miséria do seu povo.
Ora, se este Presidente nos lembra alguém, é porque o romance se inspira assumidamente na insanidade, na cleptocracia e no abuso de personagens reais (e são muitos!) como Kumba Yalá (Guiné Bissau), José Eduardo dos Santos (Angola), Mobutu (Zaire) ou o terrível Bokassa (República Centro-Africana) que se coroou imperador em 1984, retratando também o horror das guerras civis pós-independência e o genocídio do Ruanda, bem como a subserviência do povo, a fome e o desgoverno crasso que enfestam muitos países em África e constituem hoje talvez a principal causa do seu atraso.

Nesta ficção, porém, as mulheres cansam-se do «afrocalipse» vivido há décadas e ajudam a mudar a história. Mas nem é só neste facto que reside a novidade: ela está presente na linguagem inventiva e belíssima com que o autor fala de coisas, afinal, tão feias e também na circunstância de ser o primeiro escritor de África a assacar aos próprios africanos parte da responsabilidade pelas desgraças sociais e pelo descalabro dos Direitos Humanos.
 

sábado, 20 de junho de 2026

AGUARELA DE PARIS, de JOÃO PINTO COELHO | DOM QUIXOTE

Inverness, 1927.
As Terras Altas da Escócia, refúgio privado do ramo britânico dos Senigallia, a mais influente dinastia de banqueiros judeus da Europa, são o palco da infância de Franca e Giullietta, duas gémeas impossíveis de distinguir e, ainda assim, tão diferentes.
Mas os muros aristocráticos do castelo de família encerram muito mais do que sonhos juvenis. Lá, onde o Diabo pode ser visto pelo menos uma noite por ano e os fantasmas esbofeteiam as criadas no escuro, dá‑se o maior crime do século, uma tragédia que marcará de maneira impiedosa o destino das raparigas.
O seu grito de emancipação escutar-se-á nos cenários mais improváveis – dos cafés de Montparnasse, onde Giullietta impõe o seu génio artístico junto de pintores que se contarão entre os mais famosos do mundo, até à costa do Estoril, onde Franca apanha sol no Tamariz e se cruza com espiões nas festas exuberantes do Hotel Palácio.

Porém, quando tudo se desmorona, o romance anoitece, quase insuportável de ler perante a mais hedionda das faces do Holocausto, essa que se oculta nos blocos de Auschwitz e Birkenau, pelas mãos de Mengele, o Anjo da Morte, e a sua legião de médicos nazis.
 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

INTERVALO e A MEMÓRIA DOS OUTROS III, de MARCELLO DUARTE MATHIAS | DOM QUIXOTE

Marcello Duarte Mathias junta dois livros num só.
Com o título Intervalo, edita os últimos dois anos, 2024/2025, do seu Diário, que teve início em 1962, sendo este o sétimo e último volume do conjunto.
Publica, igualmente, com o título A Memória dos Outros III, um volume de ensaios e de crónicas, à semelhança do que já fizera com A Memória dos Outros I, em 2001, e com A Memória dos Outros II, em 2017.
 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

LIVRO DE POEMAS, de ANTÓNIO LOBO ANTUNES | DOM QUIXOTE

O presente volume reúne textos escritos por António Lobo Antunes ao longo dos anos. Alguns dos poemas foram musicados e ou cantados por músicos de renome, tais como Carlos do Carmo, Kátia Guerreiro, Cristina Branco ou Vitorino.
Outros foram reunidos em volumes singelos, como Letrinhas de Cantigas (editado na D. Quixote, 2002), Fados: Mulher (D. Quixote, 2017) e Diálogos (na extinta Escritor, 1998), em que António Lobo Antunes escreveu para pinturas de José Luís Tinoco.
O poema de abertura foi gentilmente cedido por António Lobo Antunes para o espectáculo António e Maria, com adaptação de textos de António Lobo Antunes por Rui Cardoso Martins e representação de Maria Rueff, levado à cena no Teatro Meridional entre 2015 e 2017.
Já o soneto No tempo em que de amor viver soía, glosando um poema de Camões, foi apenas divulgado por António Lobo Antunes numa entrevista concedida à imprensa portuguesa em 2017.
A edição deste Livro de Poemas pretende atribuir a todos estes textos uma unidade possível.
 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

PÔR-DO-SOL COM LEÃO DEITADO, de MÁRIO CLÁUDIO | DOM QUIXOTE


Na primeira parte deste livro, encontraremos um escritor que ficou recentemente sem mãe, e que ora partilha com os leitores os seus passeios higiénicos na zona onde vive, oferecendo-nos um retrato sociológico impagável de um certo Porto, ora nos dá a conhecer as quezílias com o seu companheiro de anos, de quem parece diferir em quase tudo, excepto no afecto que os une.

Na segunda parte, pela voz de um dos seus tratadores, acompanharemos a vida de Sofala, um leão capturado em Moçambique ainda jovem, que viajou nos anos trinta até à Invicta para ser orgulhosamente mostrado na Exposição Colonial Portuguesa, após o que foi esquecido numa jaula.

Por fim, virá chamar-nos a figura do escritor António Nobre nos finais do século xix, seja através da história da sua vida narrada por pena alheia, seja através da leitura do próprio diário, a que não escapam os constrangimentos das normas sociais da época, evidentemente castradoras das suas preferências sexuais.

domingo, 14 de junho de 2026

DA MINHA JANELA, de LUÍSA SOBRAL | DOM QUIXOTE


Pequenas histórias que abrem uma janela sobre o quotidiano da autora, tão familiar e reconhecível quanto divertido.

Diz a autora do presente livro que a crónica a conquistou antes de tudo como exercício de escrita, mas que acabou também por moldar a sua forma de olhar para as coisas e de observar o mundo; e que já não sabe se são determinados acontecimentos que a levam a fazer uma crónica, se afinal é ela própria quem provoca situações irregulares para arranjar assunto para escrever.

Neste belíssimo livro a que Luísa Sobral chamou Da Minha Janela, os leitores riem com a sua falta de jeito para armar uma tenda para os filhos brincarem, mas podem também irritar-se com um edredão que escorrega permanentemente para o chão, ficar indignados com o comportamento de um motorista de TVDE e até preocupar-se com a saúde de alguém muito próximo.

Estes textos fazem-nos pensar sobre o dia a dia de uma maneira mais profunda e mais estruturada e, de repente, é como se a janela da autora fosse, afinal, também a da nossa casa.

sábado, 13 de junho de 2026

O ÚLTIMO INSTANTE, de SALMAN RUSHDIE | DOM QUIXOTE

Uma fascinante exploração da vida, da morte e do que vem à tona no proverbial último instante da vida.

Rushdie concentra a sua extraordinária imaginação no último ato da vida com um quinteto de histórias que abrangem os três países nos quais exerceu o seu ofício - Índia, Inglaterra e Estados Unidos da América - e apresentam um elenco de personagens inesquecível.

No Sul mostra-nos um par de velhos conflituosos - Júnior e Sénior - e a sua tragédia privada num momento de calamidade nacional. Em A Música de Kahani, uma música-prodígio oriunda dos arrabaldes de Mumbai retratados em Os Filhos da Meia-noite utiliza os seus dotes mágicos para causar a ruína da família rica do marido. Em Atrasado, o fantasma de um académico de Cambridge recruta a ajuda de uma aluna solitária para exercer vingança sobre a pessoa que o atormentou durante a vida. Oklahoma mergulha um jovem escritor numa teia de enganos e mentiras ao procurar descobrir se o seu mentor se matou ou simulou a sua própria morte. Finalmente, O Velho da Praça é uma vigorosa parábola bem atual sobre a liberdade de expressão.

Será que nos adaptamos à morte, ou insurgimo-nos contra ela? Vivemos o nosso último instante serenamente ou com raiva? E como podemos atingir a realização nas nossas vidas se não conhecemos o final das nossas próprias histórias?

O Último Instante reflete sobre a vida e a morte, o legado e a identidade, com a visão penetrante e a ilimitada imaginação que fizeram de Salman Rushdie um dos mais aclamados escritores do nosso tempo.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A MULHER SINGULAR E A CIDADE, de VIVIAN GORNICK | DOM QUIXOTE

Provocador e profundamente tocante, um livro que é uma ode à amizade, ao amor e à vida urbana.

Finalista do National Book Critics Circle Award, na categoria de Autobiografia.

Tendo como cenário Nova Iorque, A Mulher Singular e a Cidade explora os ritmos, os encontros fortuitos e as relações em constante mutação, tudo aquilo que moldou a sensibilidade de uma mulher ferozmente independente que deu corpo aos seus conflitos, não às suas fantasias, numa cidade que fez o mesmo.

A percorrer ininterruptamente o livro está a relação agitada de mais de vinte anos de Vivian Gornick com o seu melhor amigo Leonard, um homossexual sofisticado no que à sua infelicidade diz respeito, cuja amizade «lançou mais luz sobre a natureza misteriosa das relações humanas comuns do que qualquer outra forma de intimidade» por ela conhecida.

A relação entre Vivian e Leonard atua como um coro grego em relação à ação principal - o contacto contínuo da narradora com merceeiros, indigentes e porteiros, passageiros de autocarro, travestis e numerosos conhecidos. em Leonard, ela vê-se refletida sem artifícios; na rua, extrai sentido do que vê.

Nestas memórias, redigidas sob a forma de uma colagem narrativa que inclui excertos meditativos sobre o que constitui uma feminista moderna, o papel do flâneur na literatura urbana e a evolução da amizade ao longo dos últimos dois séculos, é-nos dada a ver a relação fecunda de Vivian Gornick com a cidade por excelência.
 

domingo, 31 de maio de 2026

FANTASMAS, de SIRI HUSTVEDT | DOM QUIXOTE

Relato biográfico de Siri Hustvedt, inclui o esboço da última obra de Paul Auster.

Fantasmas é a obra mais pessoal de Siri Hustvedt até à data, uma reflexão sobre os mais de quarenta anos que passou com o marido - o escritor, poeta e cineasta Paul Auster -, desde o encontro de ambos na Nova Iorque dos anos 1980 até à morte dele, em 2024.

Siri Hustvedt partilha entradas de diário, notas e cartas de amor trocadas ao longo das décadas, bem como o último livro de Paul Auster - o inacabado Cartas a Miles - dedicado ao neto, nascido a 1 de janeiro de 2024. 

Parte livro de memórias, parte investigação filosófica, Fantasmas explora a intimidade de uma vida partilhada, os rituais do luto, o poder da linguagem e a própria natureza humana. É uma reflexão profunda sobre o que deixamos para trás e os fantasmas que habitam em nós - mesmo quando seguimos em frente.