terça-feira, 9 de maio de 2017

ENTREVISTA | Paula Veiga "Leonor de Lencastre, foi uma mulher fabulosa"


Texto e Fotos: Madalena Condado



Paula Veiga falou-me do seu mais recente livro “A Rainha Perfeitíssima”, editado pela Saída de Emergência e inserido na coleção “História Portuguesa em Romances” onde se cobrem quase quatro séculos de história através dos cinco continentes.
Neste seu novo romance ficamos a conhecer D. Leonor de Lencastre em toda a sua plenitude, como mulher, mãe, tia, educadora, regente, benemérita, mecenas e Rainha.

Sabendo que a autora faz sempre uma intensiva investigação para todos os seus processos criativos, fico ansiosamente à espera do que ainda tem guardado “dentro da gaveta”, com a certeza, porém de que será uma nova e fantástica obra, seja ela sobre o império romano ou sobre a segunda Grande Guerra Mundial.

MBC - Rainha Perfeitíssima, para quem ainda não leu o livro o que pode esperar tendo em conta o título? 
PV - O leitor pode esperar uma obra biográfica sobre esta rainha.
D. Leonor enfrentou durante a sua vida algumas tragédias pessoais, sendo confrontada, desde muito nova, com a morte dos irmãos, do pai e de um filho (um nado morto em 1483). Anos mais tarde, morreria o príncipe herdeiro, num acidente suspeito, em 1491.
Após a morte do filho veio a desilusão quando o seu marido, em substituição do seu próprio filho, tentou colocar no trono o seu descendente bastardo, D. Jorge, filho de D. Ana de Mendonça, fidalga de Castela.
A sua vida foi fértil em tragédias e amarguras. Veja-se, por exemplo, as contendas entre o seu marido, D. João II, e a nobreza. As conspirações sucediam-se e culminaram não só na prisão, como posteriormente na execução, do duque de Bragança (seu cunhado) como também na morte do duque de Viseu, D. Diogo (seu irmão), com um punhal no peito, às mãos de El-Rei.
Também a morte do Rei, seu marido, provavelmente envenenado, em 1495, não foi facilmente ultrapassável porque levantaram-se falsas suspeitas contra ela.
É a minha singela homenagem a uma grande mulher. Na minha opinião, a uma mulher Perfeitíssima!

MBC - Porquê esta rainha em particular quando a nossa história está repleta de rainhas com as mesmas qualidades, virtudes, e com tanta intensidade de momentos marcantes durante os seus reinados?
PV - Porque na minha opinião, Leonor de Lencastre, foi uma mulher fabulosa! Provavelmente a monarca mais culta e magnânima que o reino de Portugal alguma vez viu nascer. Era uma rainha que se preocupou com as causas sociais, com os desfavorecidos, com os doentes e criou as Misericórdias que ainda hoje têm um papel activo na nossa sociedade. Criou igualmente vários hospitais e outras construções relevantes, entre os quais destaco: o Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, o Hospital de Todos os Santos, o Convento da Madre de Deus, o Convento da Anunciada, a igreja de Nossa Senhora da Merceana, a Igreja de Santo Elói e o Convento de S. Bento, de Xabregas.
O seu legado. O amor que tinha pelos mais desfavorecidos, o esforço que empreendeu na luta contra a miséria, o empenho com que se dedicou a esta causa tão nobre que foi o princípio orientador da sua acção como rainha.
A Rainha também deu uma notável contribuição à divulgação das artes e das letras, nomeadamente ao ter encomendado e mandado imprimir as obras de Gil Vicente. A título de exemplo, saliento o “Auto da Visitação”, o “Auto da Alma”, “Auto da Barca do Inferno” e a “Auto da Barca do Purgatório”. Divulgou, igualmente, autores estrangeiros, entre os quais posso destacar o livro de Marco Polo; o Livro de Nicolau Veneto; Carta de um Genovês mercador; o livro do “Os actos dos Apóstolos”, o “Bosco Deleitoso”, “O espelho de Cristina”;

MBC - Podemos esperar uma continuação? Possivelmente a vida de outra rainha? Para quando? 
PV - Sim, sem dúvida! Já escrevi mais três Romances Históricos, depois de ter escrito este sobre D. Leonor, mas nenhum deles versa sobre outra rainha. Estas obras estão para apreciação da minha editora e espero que sejam editadas brevemente.


terça-feira, 2 de maio de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "Escrito na Água", de Paula Hawkins | TOPSELLER



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Blogger Literária

Dia 2 de Maio - Lançamento Mundial da Obra


Escrito na Água é o mais recente thriller psicológico de Paula Hawkins, sendo o resultado de um delicado e moroso trabalho de escrita ao longo de três anos, começamos por dizer que o investimento relativamente longo no trabalho de construção da narrativa fica patente na riqueza e no cuidado estilo literário imprimido à obra, a qual, além de narrar uma história carregada de simbolismo, suspense e, não um mas vários mistérios (como a própria autora destacou em missiva dirigida aos leitores iniciais) incita à reflexão acerca de temas bastante caros a Paula Hawkins, designadamente: o lugar das mulheres no mundo, a relação das mulheres entre o seu género, a pouca fiabilidade da memória e o poder da narrativa.

O ponto de partida para a trama é o regresso de Jules (Julia) Abott à localidade onde nasceu - Beckford - na Inglaterra, para se defrontar com a morte da irmã mais velha Nel Abbot, com a qual tinha uma relação conturbada e mal resolvida que nos vai sendo apresentada no decurso da narrativa, a par do mistério principal que se prende com a causa ou as motivações das mortes que ocorrem no rio local, em especial, numa zona conhecida como "O poço das Afogadas". Uma das grandes questões que se levanta é: será a morte de Nel suicídio ou homicídio?

Será o rio um local de rituais simbólicos, o sítio onde Nel e outras mulheres ao longo dos séculos, procuraram a morte como libertação de uma vida que não lhes era satisfatória? Ou é o rio um instrumento ideal para punir mulheres consideradas problemáticas ( no sentido em que não se conformam às normas instituídas socialmente?).

Como protagonistas encontramos Jules (irmã da falecida Nel), Lena, a rebelde e inconformada filha adolescente da falecida Nel, Louise Wittaker  (mãe do jovem Josh) que vive a dor inexplicável de ter perdido recentemente a filha Katie (melhor amiga de Lena), a equipa de investigação local que é chamada a averiguar as circunstâncias em que decorreu a morte de Nel ( uma mulher sedutora, um espírito livre, escritora que sempre nutriu uma obsessão pelo rio e pelas mortes por afogamento de várias mulheres que ali foram ocorrendo, e que se encontrava a escrever um livro acerca deste tema que poderia ser incómodo até para si mesma). Existem diversas personagens, e cada uma delas apresenta a sua perspectiva enquanto participante na história, numa narrativa na primeira pessoa que bastante prende o leitor e o transporta para a essência psicológica e densidade das mesmas.

Dividido em quatro partes, o livro vai envolvendo o leitor na história, num clima de suspense permanente até ao climax final, pese embora seja viciante, os temas abordados são tão pertinentes e reais que aconselhamos vivamente uma leitura que diríamos de degustação, sendo difícil resistir à tentação de saborear algumas passagens e de ir fazendo anotações ao longo da leitura. 

Estamos aqui perante mais do que uma simples história de mistério, ou um simples thriller psicológico, estamos sim perante uma obra literária na sua verdadeira essência, com um olhar maduro e ponderado acerca de questões psicológicas, filosóficas e sociológicas, e mais do que a própria história, é este o aspecto que mais nos fascinou nesta leitura.

Em termos psicológicos, somos brindados com a particular dinâmica relacional entre Jules e a sua falecida irmã Nel, a rivalidade entre irmãs, a competição, a luta pelo exercício do poder torna-se evidente aos nossos olhos: "Sempre tive um pouco de medo de ti. Tu Sabias disso, divertias-te com o poder que te dava sobre mim. (...)"

Encontramos momentos de reflexão sociológica e filosófica bastante profundos e actuais: "(...) as histórias dos adultos estavam cheias de crueldades estúpidas: criancinhas recusadas à entrada das escolas porque a sua pele era de uma cor errada; pessoas espancadas ou mortas por adorarem o deus errado.(...)"

Há um aspecto que gostaríamos de destacar, por ter sido esta a nossa leitura da história, o rio assume aqui um papel deveras relevante na economia da narrativa, na medida em que todas as personagens estão directamente ligadas ao mesmo, ou porque este as fascina, ou porque nele perderam pessoas que lhe eram próximas e queridas. O rio transporta na obra um simbolismo marcadamente dialéctico que evoca uma perspectiva filosófica heraclitiana, recordando Heráclito de Efeso:"Não é possível descer duas vezes no mesmo rio; nós próprios somos e não somos." (Fragmento 49, In, No Reino dos Porquês, Filosofia, 10º ano). Ou seja, nada permanece estanque, nem o rio, nem as pessoas à sua volta, e o mundo avança através de uma eterna luta entre contrários, vejamos este excerto de escrito na Água que evidencia esta ideia: "Tive um acesso súbito de clareza: não tinha de ser fixa, podia ser fluída, como o rio.(...)"

Os jogos de poder e de sedução como exercício de poder, a possibilidade de serem criadas falsas memórias, e também sempre muito presente em diversas personagens encontramos uma palavra chave - a culpa, a culpa associada ao passado, às perdas, à forma como são elaboradas e vividas diversas emoções, tudo isto podemos encontrar neste livro, o que revela a maturidade da autora já plenamente plasmada na sua escrita. Muito mais poderíamos dizer, mas receamos cair no risco de spoilers, e por isso, aqui deixamos algumas pistas e a recomendação sem hesitações desta leitura.

A escrita de Paula Hawkins é perfeita, e a sua perspicácia enquanto observadora do mundo que a rodeia é manifestada de forma brilhante em Escrito na Água.


Ficamos bastante expectantes em relação à adaptação cinematográfica do livro.

Ficha Técnica do Livro:


Autora: Paula Hawkins

Edição: 2 de Maio de 2017


Nº de Páginas: 384

Género: Thriller Psicológico

Nota de redacção: o Jornal Nova Gazeta agradece ao blog parceiro Os Livros Nossos e à Topseller o apoio prestado na disponibilização deste artigo de crítica literária, mediante acesso a um exemplar de avanço da obra facultado ao blog.

ARTES | Setúbal celebra a dança com Jovens Coreógrafos


Texto: Isabel de Almeida

Foto: Câmara Municipal de Setúbal | Direitos Reservados

O Dia Mundial da Dança foi celebrado em Setúbal, dando lugar aos mais jovens. O Fórum Municipal Luísa Tody acolheu, no passado Sábado o espectáculo Jovens Coreógrafos, promovido pela Pequena Companhia da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal.

O evento, que se insere no âmbito da Semana da Dança, a ter lugar em Setúbal até 14 de Maio, é o fruto do trabalho de Catarina Correia, Filipa Peraltinha e Letícia Marques, coreógrafas e bailarinas formadas na Academia de Dança Contemporânea de Setúbal (ADCS), e de Inês Pedruco, formada no Conservatório Nacional e que é, actualmente, Professora naquela instituição Setubalense.

Este trabalho tornou possível aos alunos experienciar  diversas linguagens técnicas da dança.

O projecto Jovens Coreógrafos tem como propósito divulgar junto do público trabalhos de antigos alunos do estabelecimento de ensino artístico sadino e de bailarinos e coreógrafos de diferentes pontos do país em início de carreira, dando assim, voz a jovens talentos.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "Escondida em Ti", de Lisa Renee Jones | TopSeller




Isabel de Almeida | Crítica Literária e Jornalista

Escondida em Ti é um romance de suspense erótico que marca a estreia em Portugal de Lisa Renee Jones, uma autora bem conhecida do público Norte-Americano, com presença assídua nos tops do New York Times e USA Today.

Neste romance contemporâneo com cenário na Cidade de São Francisco, encontramos a nossa protagonista Sara McMillan, uma professora de Liceu que leva uma existência pacata, rotineira e low profile, não tendo ainda encontrado uma oportunidade para dar largas à sua paixão pelo mundo da arte. 

De repente, a jovem vê-se envolvida num denso mistério, ao cair na tentação de ler os diários eróticos de uma desconhecida - Rebecca - aos quais acede casualmente através de uma amiga - Ella.

Cada vez mais obcecada pelos relatos escaldantes, profundamente sensuais, mas com o seu quê de obscuro, perigoso e apelativo que encontra nos diários de uma desconhecida, Sara irá defrontar-se com um mundo com que sempre sonhou - o das galerias de arte - e vê-se envolvida numa estranha luta de poder travada entre dois machos-alfa extremamente ricos, poderosos, atraentes e misteriosos - o artista plástico Chris Merit e o Galerista e Leiloeiro Mark Compton (um verdadeiro tubarão no mundo dos negócios com arte e um chefe exigente, controlador e manipulador).

Sara assume o papel de narradora neste romance e revela travar um conflito interno a diversos níveis, desde logo, porque ao racionalizar assume estar obcecada pelos diários de Rebecca, e corre sérios riscos de querer viver a vida desta mulher para si desconhecida, o que poderá corresponder, psicologicamente, a um desejo de mudança, de quebrar rotinas e de transgredir regras, o que lhe permitirá quebrar o circulo vicioso em que se tornou a sua banal existência. Por outro lado, ao travar conhecimento com o sexy artista Chris Merit, com o qual sente uma inevitável empatia, nascendo entre ambos uma atracção física evidente, Sara sente que se há muito que os une, há também um mundo de distância entre ambos: "Nós somos de dois mundos diferentes, eu e este homem. O dele é de sonhos realizados, o meu é de sonhos impossíveis (...) [pág. 48].

Há em Sara toda uma carga psicológica de alguma insegurança, de fuga a algo que a perturba no curso de vida, de evitamento de algo que possa alterar aquelas que são as suas "zonas de conforto", mas a verdade é que, de modo mais ou menos consciente, há alguma ambivalência nestas emoções e mecanismos de defesa, pois há um desejo secreto e temido de ser uma outra pessoa, de assumir uma nova identidade, ou tratar-se-á antes de , afinal, viver em pleno e sem limites, aquela que é a sua verdadeira identidade que tem estado escondida, recalcada e em negação? A autora é exímia ao revelar pistas acerca destes conflitos da protagonista, deixando, todavia, aos leitores a margem para duvidar, questionar, problematizar e fazer a sua própria leitura psicológica desta protagonista. 

Sara consegue racionalizar, por vezes, questões que em si ainda não resolveu: "A perfeição das outras pessoas é uma fachada que criamos quando duvidamos de nós próprios (...) [pág. 56].

Chris é também um protagonista com bastante potencial para desenvolver enquanto personagem, mas talvez por se tratar de uma narrativa de acordo com o ponto de vista de Sara não acedemos ainda, tanto quanto gostaríamos, ao seu verdadeiro eu, mas são-nos disponibilizados bons indícios acerca da sua personalidade, e fica uma certeza, Chris construiu uma imagem pública, uma persona, que pretende proteger a sua privacidade mesmo considerando-se o facto de ser uma figura pública e um artista plástico talentoso e com méritos reconhecidos, que usa a arte para sublimar as suas emoções.

Já Mark Compton surge como o vilão sexy da trama, percebemos que tem muito a esconder, que está habituado a lutas pelo poder e que, normalmente, até poderá ganhá-las, excepto se encontrar um adversário à sua altura, e Chris bem pode ser esse adversário. Estamos sempre à espera de descobrir algo mais sobre o misterioso Mark e é bem certo que este pode surpreender-nos.

O estilo narrativo da autora é muito cuidado, a linguagem é bastante emotiva, reveladora da densidade psicológica de que dotou as suas personagens (com especial destaque para Sara) e a obra doseia na medida certa mistério, conflito interno, sensualidade e emotividade. As descrições com conteúdo sexual explícito que surgem na obra (ora inseridas no âmbito das transcrições dos diários de Rebecca, ora a ocorrer em tempo real no decurso da narrativa) são bastante sensuais e detalhadas, sem todavia serem chocantes, em especial, para os adeptos de literatura erótica contemporânea.

Mas a grande surpresa deste livro é a qualidade verdadeiramente literária e a mestria que a autora revela na sua escrita. O livro está de tal forma bem escrito que as habituais vozes críticas da literatura dita comercial não vão conseguir apontar alguns dos lugares comuns que muitas vezes são atribuídos a este género ainda tão "olhado de lado" em alguns meios culturais nacionais.

É possível encontrar uma escrita de elevadíssima qualidade literária num romance erótico contemporâneo? É sim, se tem dúvidas leia este livro e deixe-se levar sem pudores na sua leitura. Encontramos aqui muito mais do que puro erotismo neste romance erótico. Entretenimento, emoção e reflexão garantidos.


"Arranjamos um lugar onde guardar coisas e lidar com elas, caso contrário damos cabo de nós.(...)" [Pág. 207]


Ficha Técnica:

Título: Escondida em Ti


Editora: Topseller Grupo 20|20

Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 320

Classificação: 5|5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Erótico





CINEMANIA | "O Jardim da Esperança", chega aos cinemas dia 20 de Abril


Texto: Isabel de Almeida | Nova Gazeta

Foto: Direitos Reservados NOS Audiovisuais


Se é fã de histórias reais com cenário na Segunda Guerra Mundial, aqui fica uma sugestão cinematográfica que não irá perder. O Jardim da Esperança chega às salas de cinema nacionais no próximo dia 20 de Abril, e promete emocioná-lo.

O Jardim da Esperança narra a história verídica de uma mãe e esposa que, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se  uma heroína para centenas de pessoas.

Na Polónia de 1939, Antonia Zabinska (Jessica Chastain) e o seu marido, Dr. Jan Zabinski (Johan Heldenbergh), gerem o Jardim Zoológico de Varsóvia. 

Quando a Polónia é Invadida pelas tropas de Hiler, Jan e Antonia são forçados a obedecer às ordens de um novo zoologista escolhido  pelo  III Reich, Lutz Heck (Daniel Brühl). Todavia,  o corajoso casal está decidoso a lutar contra o regime, Antonia e Jan começam a colaborar secretamente com a Resistência e põem em acção uma série de planos para resgatarem pessoas do recentemente criado Gueto de Varsóvia,  correndo o risco de perderem as suas próprias vidas e tudo aquilo que construíram juntos. Uma história de coragem, abnegação e sacrifício em tempos de guerra.

Veja o Trailer:


sábado, 15 de abril de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "Um Toque de Perversão", de Jennifer Haymore | Planeta



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária, Jornalista e Blogger


Um toque de perversão, (com o título original - A Hint of Wicked) é um romance de época, cuja acção decorre em Inglaterra no Século XIX, na sequência da Batalha de Waterloo.

Garrett, o Duque de Calton, é dado como desaparecido na referida batalha, e durante sete anos, a Duquesa Sophie e o primo do Duque - Lorde Tristan Westcliff - envidam todos os recursos ao seu dispor para o procurarem, mas sem sucesso.

Entretanto, o destino prega uma cruel partida a este trio aristocrático, e o Duque de Calton regressa passados sete longos anos, vivo, e disposto a retomar a sua vida de volta, assim como o amor de Sophie, a qual, entretanto, reconstruira a sua vida junto de Tristan, que assumira a administração das propriedades Ducais.

Sophie vê-se então dividida entre dois amores, e surge ao longo do livro a questão sempre latente: pode Sophie amar ambos os homens? Como irá ela tomar a mais importante e dolorosa decisão de toda a sua vida? Como se explica o misterioso desaparecimento do Duque de Calton, durante longos anos e tendo sido arduamente procurado pela família que tanto o estimava? Estes são alguns dos dilemas colocados durante a narrativa.

A autora traça um retrato fiel da sociedade Inglesa do Século XIX, com o seu puritanismo por vezes exacerbado, as convenções sociais levadas ao extremo, e uma justiça que compactua com esta visão deveras limitada da moralidade vigente.

Em simultâneo, a autora soube habilmente inserir na obra um toque de sensualidade, em especial, descrevendo de forma explícita, porém elegante, os envolvimentos sexuais que as personagens vão tendo, mas onde o sexo surge envolvido num indiscutível turbilhão emocional, e por isso em nada choca o leitor este aspecto da obra.

No último terço da obra, e à medida que vamos descobrindo as respostas às várias dúvidas colocadas durante a narrativa, surge também um momento de acção, com a perseguição a um criminoso desenvolvida por algumas das personagens, o que, a nosso ver, confere à obra, um carácter de originalidade e também bastante dinamismo.

Atrevido, sem ser excessivo, com boas doses de dilemas e dúvidas que afectam as personagens, romance, paixão, amor, sexo e também aventura.

Em suma, uma leitura que recomendamos aos amantes do romance sensual de época.

Ficha Técnica:


Autora: Jennifer Haymore

Editora: Planeta

Nº de Páginas: 360

Classificação atribuída: 5/5 estrelas

Género: Romance de Época | Romance Sensual

quarta-feira, 12 de abril de 2017

LITERATURA | Alexandra Lucas Coelho é a mais recente autora da Companhia das Letras


Texto: Isabel de Almeida

Foto: José Carlos Carvalho | Direitos Reservados

A Jornalista e Escritora Alexandra Lucas Coelho passará a integrar o Catálogo de Autores da Companhia das Letras, Chancela do Penguin Random House Grupo Editorial. Prevê-se para o início de Junho uma nova edição revista da obra "E a Noite Roda", vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela APE em 2012.

No Outono a Editora promete um lançamento que descreve como : "Uma novidade, a vários níveis, no percurso desta autora."

Desde o início da sua carreira enquanto autora publicada Alexandra Lucas Coelho lançou já oito títulos, entre eles três romances, no espaço de dez anos.

"E a Noite Roda" é a sua obra de estreia na escrita de ficção que surgui na sequência de diversos volumes de Viagem-crónica-reportagem. A Autora era já uma das mais reconhecidas e premiadas jornalistas Portuguesas. Teremos de aguardar pela chegada do Outono que trará novidades na carreira da autora.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

MÚSICA | Carlos Mendes cantou e encantou em Setúbal com "A Festa da Vida"


Texto: Isabel de Almeida

Foto: Câmara Municipal de Setúbal |Direitos Reservados


"A Festa da Vida", espectáculo intimista do músico, compositor e poeta Carlos Mendes realizou-se no passado Sábado em Setúbal, no Fórum Municipal Luísa Tody.

Neste formato musical Carlos Mendes teve a oportunidade de levar o público presente a revisitar diversos momentos da sua vasta carreira no mundo da música, onde é presença habitual há já mais de cinquenta anos.

Do alinhamento do concerto constaram êxitos bem conhecidos do músico: "Amélia dos Olhos Doces", "Ruas de Lisboa" e "Festa da Vida", numa actuação onde o passado se cruzou com o presente.

Carlos Mendes actuou na principal sala de espectáculos da cidade sadina fazendo-se acompanhar por mais três músicos, e interpretando versões menos tradicionais de temas da sua autoria, de modo a deixar em evidência a sua versatilidade enquanto cantor e intérprete.

Este espectáculo "A Festa da Vida " surge como culminar das celebrações dos cinquenta anos de carreira de Carlos Mendes que se assinalaram em 2015, tendo diversos temas sido novamente gravados num tom assumidamente mais intimista.

Em 2014 Carlos Mendes viu o seu talento e dedicação à música reconhecidos ao ser-lhe atribuída a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

LIFESTYLE | Sugestões de Fim de Semana

Neste fim de semana aproveite as nossas sugestões:


Onde ir | XV Festival de Sopas e Merendas de Alenquer

Entre os dias 7 e 9 de Abril decorre na Adega Cooperativa da Labrugeira, na Freguesia da Ventosa, Alenquer, o XV Festival de Sopas e Merendas de Alenquer. Um evento onde é possível provar as iguarias e vinhos da região e desfrutar de um programa de entretenimento de cariz popular, onde actuam artistas locais, grupos de Sevilhanas, grupos corais e musicais.
Fique a par do programa visitando a página oficial de Facebook da Adega Cooperativa da Labrugeira



O que ver |  Séries Tv

Se não teve tempo de ver durante a semana a estreia da  5ª temporada da Série Prison Break, aproveite para fazer o update durante o fim de semana através do canal Fox Portugal.



Seguir na Blogosfera | Menina dos Policiais | Blog Literário Especializado

É fã de policiais e thrillers? Então tem de conhecer este blog muito especial. O blog Menina dos Policiais foi fundado em Agosto de 2010 por Vera Brandão, e ali poderá encontrar críticas a diversas obras literárias deste género tão específico e hoje novamente em grande voga. A Vera tem um "fraquinho" pelos policiais nórdicos, mas também se perde em clássicos e vai seguindo atentamente as novidades editoriais neste âmbito. Nós aqui na redacção somos fãs e, sem dúvida, é neste simpático e cuidado blog que ficamos a par  do que vai acontecendo "no mundo do crime". Siga o blogs na plataforma blogger e na respectiva página do Facebook (links abaixo, a seguir ao logotipo).



Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária e Editora de Cultura
Fotos: Direitos Reservados
Trailer: Direitos Reservados Fox  e Youtube

quarta-feira, 5 de abril de 2017

CULTURA | "A Rapariga de Antes" , de JP Delaney chega hoje às livrarias


O livro de que todos falam chega hoje às livrarias e promete dar que falar entre os adeptos do thriller psicológico.

"A Rapariga de Antes", de JP Delaney foi publicado nos Estados Unidos em Janeiro deste ano e tem-se revelado um enorme sucesso editorial, estando já destinado a chegar às salas de cinema numa adaptação a cargo do realizador Ron Howard.

Aclamado pela crítica internacional, foi descrito como "Original e Viciante" pelo The Times tendo merecido do The Washington Post a seguinte menção: " A Rapariga de antes merece o lugar cimeiro nos livros de suspense."

Em Portugal o livro chega pelas mãos da chancela Suma de Letras do Grupo Editorial Penguin Random House.

Veja o booktrailer e prepare-se para desvendar que segredos se escondem por detrás das paredes do Nº 1 de Folgate Street, uma moradia moderna, de traços arquitectónicos minimalistas que faz as delícias de quem procure um refúgio que não promete menos do que a perfeição.





Fonte e créditos Banner, Logotipo e Booktrailer : Suma de Letras - Grupo Editorial Penguin Random House Portugal |Direitos Reservados

Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária

domingo, 2 de abril de 2017

ENTREVISTA | Vanessa Lourenço é a mais recente escritora de Literatura Fantástica onde os Gatos são os heróis


Texto e Foto: Madalena Condado

Quando há um ano atrás a escritora Vanessa Lourenço nos prometeu uma trilogia com gatos, algumas vozes em surdina pareciam desconfiar desta sua intenção. Como seria possível escrever uma estória fantástica cujos personagens fossem gatos e que ao mesmo tempo não fosse um livro para crianças?

Pois desenganem-se os mais céticos, porque não somente os gatos conseguiram provar que estão preparados para enfrentar tudo e todos seguindo os passos da sua criadora, como passado apenas um ano a Vanessa acabou de lançar o segundo volume desta trilogia.

A verdade é que desde a publicação de “A Cria Negra de Felis Mal’Ak”, a Vanessa voltou para nos apresentar “A Batalha de Sekmet” e mais uma vez conseguiu provar que quando se gosta do que se faz e se trabalha muito conseguem alcançar-se todos os objetivos a que nos propomos e os limites deixam de existir.

Mas todas as estórias têm a sua própria história e por detrás destes fantásticos gatos está a sua criadora. A Vanessa escreve sobre aquilo que é, uma apaixonada por livros e por gatos. Esta odisseia a quatro patas começou a crescer na sua cabeça quando teve o infortúnio de ver o seu gato preto morrer atropelado, nesse momento decidiu que a vida dele tinha que ser contada, dai a passá-la para o papel foi logicamente para a Vanessa o passo seguinte. E desta forma para além de o honrar acabou por o imortalizar.

Tenho a felicidade de conhecer a Vanessa pessoalmente e posso afirmar que o que mais me atrai na sua escrita é aquele poder impar que tem de deixar o leitor ansioso para saber o que acontecerá na página seguinte, os seus livros são na realidade um reflexo de quem é. A única garantia que retiramos da sua escrita é a de que parar de ler não é uma opção, até porque não o conseguimos fazer.

Na “A Batalha de Sekmet” vamos ter o tão merecido desenvolvimento pelo qual ansiávamos desde o primeiro livro. Aqui temos a possibilidade de conhecer as duas faces de uma Deusa trazida diretamente da mitologia egípcia que esconde um grande segredo. Mas a questão que nos mantém presos desde o início é se esta conseguirá destruir aquele grupo tão unido e acabar com uma inteira espécie na Terra.

Serão estes amigos de garras afiadas (quando necessário) e sempre prontos para a acção capazes de lutar com todas as suas forças e coragem, que lhes reconhecemos desde o primeiro volume, esta poderosa força?

Em vez de abrir um pouco mais o véu sobre este grupo felino prefiro convidar-vos a todos a embarcar nesta aventura e a conhecerem melhor a Vanessa através da sua página. Esta é na realidade uma saga que pode ser oferecida sempre, para todas as idades e o melhor é que até a língua deixou de ser uma barreira, afinal a “A Cria de Felis Mal’Ak” já se encontra disponível em inglês.

Utilizando as palavras da própria: “Não quero saber o que pensas, quero saber o que sentes”.

sexta-feira, 31 de março de 2017

LIFESTYLE | Sugestões de Fim de Semana

Sem ideias para ocupar o seu fim de semana?  Aqui ficam algumas sugestões:

Onde Ir:

Na Quinta do Anjo, freguesia do Concelho de Palmela, mais concretamente, na Quinta de S. Gonçalo, realiza-se, entre os dias 31 de Março e 2 de Abril, a 23ª Edição do Festival do Queijo, Pão e Vinho. Uma oportunidade excelente para reencontrar ou desvendar as tradições e os sabores desta região, célebre pelos seus bons vinhos, pelo Queijo de Azeitão e por toda uma vasta gama de iguarias regionais que ali poderá encontrar nos Stands dos Diversos expositores. Um bom programa para uma saída em família.


O que ver | Tv :

Estreia hoje na Netflix a série "Por treze razões", baseada na obra homónima de Jay Asher publicada em Portugal pela Editorial Presença. Veja o trailer e leia o livro.



Seguir na Blogosfera | Os Livros Nossos - Blog Literário

Gosta de livros? Quer seguir a actualidade literária? Então este blogue é para acrescentar na sua lista de sites especializados a seguir. Com cinco anos completados no dia 2 de Março o Blog Os Livros Nossos deixa-o a par das críticas literárias de entre os vários géneros que se publicam em Portugal. Poderá também ler entrevistas a autores nacionais e internacionais e  reportagens de eventos como o encontro anual "Nós e Os Livros", na Feira do Livro de Lisboa bem como lançamentos de Livros. Siga o blog na plataforma blogger e na respectiva página no Facebook (links em baixo, a seguir ao logotipo).




Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária e Editora de Cultura
Fotos: Direitos Reservados
Trailer: Direitos Reservados Netflix e Youtube

sábado, 4 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA | Cristina Aleixo aborda a violência doméstica no livro "Por Amor, Tudo"


Texto e fotos: Madalena Condado

Estive à conversa com a escritora Cristina das Neves Aleixo para a conhecer um pouco melhor e o que a motiva a escrever. “Joaninha e o Jardim encantado” foi o seu primeiro livro, uma estória para crianças publicada em 2015. Já no ano passado lançou o seu segundo livro, “Por Amor, Tudo (?)” onde aborda o tema da violência doméstica.

A impressão com que fiquei da Cristina, foi que, das novas escritoras do panorama nacional português ela é talvez das poucas que consegue escrever sobre tudo não tendo um género que a defina. De uma forma que só ela poderá compreender coloca-se na pele das suas personagens, aprofunda os temas que aborda com intensidade seja através de entrevistas, consulta de documentos e muita imaginação. Acredito que esta sua faceta camaleónica tem tudo para nos continuar a surpreender. Para quem ainda não a conheça deixo aqui algumas das questões que tive a oportunidade de lhe colocar, tendo-lhe pedido posteriormente uma resposta à decisão da semana passada do Colectivo de Juízes da Relação de Évora.
Podem seguir o seu trabalho através da sua página.

Num futuro próximo gostaria de escrever somente dentro de um género literário? Se sim, qual?

Não, não gostaria. Sempre gostei de escrever em vários géneros, desde a prosa à poesia e divirto-me imenso a fazê-lo. Tanto escrevo uma crónica reflexiva como uma série de poemas; uma estória de amor ou uma de violência; um conto cómico ou um juvenil…gosto da liberdade e poder alternar entre géneros literários é quase como que, quando termino uma estória, me descole das personagens em que me embrenhei durante o seu tempo de criação, porque eu vivo-as intensamente e a todos os seus sentidos e, por isso, sinto depois uma necessidade de descansar, de mudar de cenário. Além disso, essa mudança permite, também, a certeza de ter, realmente, acabado aquele trabalho e estar pronta para o próximo e sem a sensação de estar a criar algo que é mais do mesmo.

Qual foi a receção que teve a este seu último livro que trata de um tema tão brutal, mas infelizmente tão atual?

Tem sido muito boa. As opiniões sobre o que escrevi, como o que escrevi, têm sido extremamente positivas. Inicialmente houve alguma surpresa, pela seriedade do tema, creio, e porque o meu trabalho anterior tinha sido um conto infantil, mas após a leitura da estória os elogios têm-se sucedido e já recebi inclusivamente, mensagens de ex-vítimas de violência doméstica a agradecer-me por ter escrito este livro – este é o meu maior prémio: poder dar voz a quem não o pode fazer e ver o seu genuíno reconhecimento. Depois há os elogios das outras pessoas que dizem ter-se arrepiado – sim, é o termo recorrentemente usado -, ao ler determinadas passagens e que não descansaram enquanto não terminaram o livro, de tal modo estavam enredadas na estória. Isto é fantástico. Não é isto que todos os autores procuram? Arrancar sensações aos leitores? Levá-los lá, sem darem por isso, ao cenário que criaram?

Planos literários para o próximo ano?

Eu estou sempre a escrever qualquer coisa – não dou a conhecer tudo o que escrevo, obviamente; aliás, é mais aí contrário -, tenho necessidade de o fazer e gosto de criar sem grandes planos, sem datas pré-definidas, pelo que ainda não sei. De uma coisa tenho a certeza: se houver, será, novamente, num registo diferente e espero que volte a surpreender e a agradar os leitores.

A Cristina que escreveu sobre a violência doméstica e que teve a oportunidade de conversar com algumas das vítimas. Como interpreta a decisão do colectivo de juízes da relação de Évora?

Não tenho por hábito ajuizar sobre situações de que não disponho todos os elementos, principalmente em questões tão melindrosas como esta. No entanto, não sendo formada em direito e tendo, apenas, os conhecimentos do bom senso comum e mais alguns que adquiri na minha pesquisa para escrever o livro, digo, convictamente, que qualquer acto que resulte no sofrimento físico ou psicológico de outro é violência. Quando isto acontece entre um casal passa a chamar-se de violência doméstica, como forma de facilmente se identificar o tipo de violência em questão, apenas, não é sinónimo, de alguma forma, da ausência dela, logo, é violência, sim, e o agressor deverá ser punido de acordo com os seus actos. No meu livro há uma passagem em que a personagem principal é forçada a ter sexo, de forma violenta sem contemplações para com a sua recusa e sofrimento físico, com o marido: é uma violação. O facto de ser o marido não o isenta de culpa neste sentido, muito pelo contrário, creio. Incluí este aspecto na estória de propósito, pois a grande maioria das pessoas, provavelmente, à luz daquilo que ouvimos dizer muitas vezes, pensará que existe uma obrigação da mulher em satisfazer o seu parceiro sexualmente e que, neste caso, não é violação. Eu quis pôr leitores a pensar sobre isto, até porque isto existe e não é muito falado – fala-se mais das tareias e afins. Voltando à decisão do colectivo de juízes da relação de Évora, creio que todos sabemos que a lei e a sua aplicação têm grandes lacunas, pois vemos isso acontecer quase todos os dias, infelizmente. Por isso é tão importante falar sobre o tema e denunciar imediatamente as situações que existam – e qualquer um o pode fazer pois é um crime público -, de modo a mudar as mentalidades e o sistema. Mais do que criticar devemos ser pró-activos e trabalhar para a mudança.

CRÍTICA LITERÁRIA | " O Carrinho de Linha Azul", de Anne Tyler


Crítica Literária

Texto: Isabel de Almeida 


O Carrinho de Linha Azul, de Anne Tyler, é um romance contemporâneo de cariz assumidamente literário, com uma prosa rica em detalhes descritivos em estilo intimista e levando os leitores a espreitar a narrativa familiar de uma família Norte Americana da Classe Média - os Whitshank.

Abby e Red Whitshank assumem o protagonismo da trama, enquanto Patriarcas do núcleo familiar composto por quatro filhos: Denny, Amanda, Jeannie e Stem, iniciando-se a narração nos anos 90.

Assumindo as rédeas da gestão das dinâmicas familiares e desejando ter uma família perfeita, Abby cria uma imagem mental idealizada da sua prole, tentando, por exemplo, desculpabilizar a ligação distante e ocasional do filho Denny à família. 

Denny  é, sem dúvida, a personagem mais marcante da história já que mantém com os pais e irmãos uma relação ostensivamente disfuncional, revelando-nos falhas na construção da sua identidade em termos psicológicos (nomeadamente, assumindo perante os pais a sua homossexualidade, mas tentando depois ignorar este aspecto, empenhando-se em relações afectivas de curta duração com diversas mulheres) e também deixando aos leitores pistas importantes quanto aos frágeis vínculos afectivos perante os familiares, com os quais nunca chega a identificar-se.

Vamos também acedendo a diversos episódios de anteriores gerações familiares, com recurso a analepses narrativas, técnica  esta que nos demonstra a enorme capacidade criativa de Anne Tyler e a sua mestria. Achámos bastante interessante a perspectiva do narrador não participante que, por vezes, se dirige directamente ao leitor, peculiaridade que mais prende e envolve o leitor no fio que vai sendo desenrolado deste "Carrinho de linha azul" [O título permitiu uma deliciosa tradução literal, nem sempre possível em Português].

O Carrinho de linha azul revela ser uma metáfora perfeita do curso de vida de toda uma família, ou de cada um dos seus membros individualmente considerados, sendo que o fio poderá apresentar mais ou menos nós, consoante os desafios e problemas que possam aparecer na vivência do dia a dia.

Emotivo, engenhoso, envolvente e muitíssimo bem escrito. Uma lufada de ar fresco neste início de ano.

Ficha Técnica:



Autor: Anne Tyler


Edição: Janeiro de 2017




Páginas: 376

Classificação atribuída no GoodReads/Blogue Os Livros Nossos : 4/5 


Género: Romance Contemporâneo


Nota de redacção: O exemplar da obra foi gentilmente cedido pelo editor para artigo de crítica literária.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ENTREVISTA |Nuno Nepomuceno fala sobre "A Célula Adormecida", o seu mais recente livro


Texto e Fotos: Madalena Condado com Nova Gazeta & Diário do Distrito | Direitos Reservados


A 30 de Novembro de 2016, na FNAC Colombo, em Lisboa, o escritor de thrillers Nuno Nepomuceno apresentou o seu mais recente livro “A Célula Adormecida”. Neste seu último trabalho tratam-se assuntos tão atuais como religião e terrorismo.

Para quem já leu as anteriores obras do Nuno sabe que o talento está todo lá, não deixará, contudo, de ser surpreendido pelos locais, as situações, mas principalmente pela transformação que se nota na sua escrita mais fluída, consistente e viciante. Na obra “A Célula Adormecida” consegue sentir-se um grandioso enriquecimento de conteúdos na sua abordagem a temas tão polémicos que nos entram em casa diariamente através da televisão. 

Neste dia tão importante para o Nuno estavam sentados à sua mesa as pessoas que, de alguma forma , contribuíram para este seu novo sucesso:Fernando Gabriel Silva (o seu Editor na TopBooks), o Sheikh Munir (Imã da Mesquita Central de Lisboa) e Luís Pinto (blog Ler Y Criticar).

Lembro-me de uma das frases ditas pelo seu editor que me marcou particularmente e que passo a citar: “Todos os editores tentam encontrar o seu escritor e eu tive o privilégio de o encontrar no Nuno”. Mas se é verdade que escrever requer muita paixão, e principalmente talento, tudo qualidades que o Nuno tem na medida certa, também é certo que por detrás de um grande escritor tem que existir um editor que acredite nesse trabalho e ajude na promoção do mesmo.

“A Célula Adormecida” é um thriller psicológico onde o suspense impera, trata de um tema atual e controverso sempre contextualizado com factos. Acredito que foi necessária muita pesquisa para se documentar, passo importante para conseguir manter o leitor preso à sua leitura do início ao fim. Consegue uma vez mais, como lhe é típico, dizer muito com poucas palavras, mas, mais importante ainda,  leva-nos a questionar, a cada folhear de página, sobre tudo o que não compreendemos e temos medo na religião e no terrorismo. 

O Sheikh Munir começou por nos cumprimentar a todos com uma bênção Salaam Aleikum (a paz esteja convosco), explicou o fascínio que o interesse do Nuno lhe tinha despertado, principalmente quando percebeu que a estória do livro seria passada durante os 30 dias do Ramadão. Aproveitou para esclarecer o significado desses dias: os 10 primeiros sendo os dias de misericórdia, os 10 posteriores de perdão sendo que os últimos 10, os dias em que pedimos salvação. Confessou ainda que tinham sido a persistência, curiosidade e conhecimentos do Nuno sobre os assuntos abordados o impulso  de que necessitara e o levara a acreditar que os temas falados neste livro, através da sua visão, tinham tudo para correr bem.

O Nuno confessou que o seu género de escrita favorito é a espionagem, mas que com este seu último livro quis dar um passo em frente chegar a mais pessoas não somente para as entreter, mas também para transmitir uma mensagem. Em “A Célula Adormecida” tenta desmistificar o Islão, a comunidade muçulmana em particular, ao mesmo tempo que aborda temas como a xenofobia, racismo, expressão social, consegue colocar-nos a pensar na forma como cada um de nós tende a julgar as outras pessoas.


Mas, para que fiquem a conhecer o autor ainda um pouco melhor, coloquei-lhe três questões, e, desde já, aconselho a que sigam o Nuno através das suas páginas (site e redes sociais) e, quem sabe, se aparecerem numa próxima apresentação para trocarem dois dedos de conversa. É garantido que vão gostar.

Entrevista Breve:

Como se descreveria?

Chamo-me Nuno, tenho 38 anos, escrevo profissionalmente há 4, gosto de cinema, fazer BTT, passear com o meu cão, ler e escrever.

Dá muito valor à investigação e às suas fontes antes de começar um livro ou foi somente para a escrita da "Célula Adormecida"?

A investigação é uma parte muito importante do meu processo criativo e que me acompanha desde o meu primeiro livro. Não consigo iniciar um manuscrito completamente do zero. Preciso sempre de estudar e saber mais, de me preparar corretamente para o que vou enfrentar a seguir, e só depois disso é que surgem as ideias, que me sinto seguro em relação ao rumo escolhido. Escrevo thrillers, mas não me considero extremamente comercial. Julgo que ofereço conteúdo. Os meus livros não são uma sucessão de twists com vista a manter o leitor agarrado, mas sim histórias ricas em intriga de forma a apaixoná-lo. E tal só se consegue se estivermos convenientemente preparados. Por exemplo, em "A Célula Adormecida", o tempo que despendi em pesquisa ultrapassou o da redação do livro.

Não tem medo que o tema que aborda no seu último livro se possa vir a tornar uma realidade no nosso país? Que de alguma forma esteja a dar algumas "ideias" de como o fazer e onde?

Há sempre esse risco, mas não creio que o livro incite à violência. Esse teria sido o caminho mais fácil — aproveitar as controvérsias que rodeiam o Islão e explorar a parte mais negativa do extremismo. O que procurei fazer com A Célula Adormecida foi introduzir uma abordagem inovadora não só ao nível do tema do livro, como da religião muçulmana em si. Quem o ler irá encontrar uma obra bem diferente do que o título sugere. A mensagem final que transmite é de paz, esperança.