quarta-feira, 17 de outubro de 2018

LITERATURA | Visionários de João Pedro Pereira | SAIDA DE EMERGÊNCIA


Dos primeiros computadores às redes sociais:  descubra quem sonhou revolucionar a nossa vida.
Visionarios.jpg
Quem foram os homens e as mulheres que nos últimos cem anos revolucionaram as tecnologias de informação?

Visionários  conta a história de  cientistas, inventores e empresários cuja visão única do mundo mudou a nossa forma de comunicar, comprar, trabalhar e até de viver.

Dos computadores da Segunda Guerra Mundial aos smartphones, da Inteligência Artificial ao turbilhão de likes das redes sociais, o mundo nunca mudou tão depressa e em tão pouco tempo. Por detrás desse turbilhão de imprevisibilidade e crescimento exponencial estão eles, os Visionários.

Uns verdadeiramente visionários e geniais, outros mais oportunistas e astutos, todos nos sentimos fascinados por estas personagens, esquecendo, por vezes, o lado mais negro do mundo que ajudaram a criar


Joao_Pedro_Pereira_@João Cortesão.jpgJoão Pedro Pereira  nasceu no Porto em 1983, cresceu em Santa Maria da Feira e tirou o curso de Jornalismo na Universidade de Coimbra. É jornalista do Público, onde acompanha desde 2007 as transformações trazidas pelas tecnologias de informação. Entre 2014 e 2015 escreveu sobre tecnologia e empreendedorismo para a BBC. Este é o seu primeiro livro.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

LITERATURA | O Candidato do Kremlin de Jason Matthews | LUA DE PAPEL (Tradução de Ricardo Gonçalves)


Nas livrarias a 23 de Outubro

Há 15 anos que os serviços secretos russos trabalham no mais maquiavélico projeto de Vladimir Putin: introduzir um dos seus agentes-duplos na cúpula da CIA. Estão a um passo de o conseguir. Está prestes a ser nomeado um novo diretor, e os americanos estão longe de suspeitar que ele é, na verdade, O Candidato do Kremlin.

Dominika Egorova, porém, suspeita que algo terrível está prestes a acontecer. E sabe que corre o risco de ser desmascarada. Em Langley e no Kremlin as peças de um jogo diabólico começam a ser dispostas no tabuleiro. Enquanto isso, longe dos bastidores, da Turquia ao Sudão, de Moscovo a Washington, operacionais começam uma luta sangrenta para desenterrar uma pista que revele a identidade das “toupeiras”. A russa ou a americana. A primeira a ser descoberta será eliminada, com consequências catastróficas.

O Candidato do Kremlin é o mais arrepiante (e atual) thriller do espião-escritor Jason Matthews.

Obra final da épica (e aclamadíssima) trilogia Red Sparrow, iniciada com Traição e O Palácio da Traição, empurra-nos a um ritmo trepidante para o mais surpreendente e violento dos desfechos.



LITERATURA | Estrela do Norte de D.B. John | ASA (Tradução de John Almeida)


Nas livrarias a 23 de Outubro


Uma jovem americana desaparece de uma praia sul-coreana sem deixar rasto. Anos depois, surgem provas de que poderá ainda estar viva… na Coreia do Norte. A CIA recruta então a sua brilhante irmã gémea, Jenna, para uma missão que mais ninguém ousa aceitar.

Mrs. Moon, uma camponesa norte-coreana, encontra um objeto valioso… e proibido. Graças a ele, inicia um caminho rumo à salvação. Ou à morte.

Numa escola de elite na Suíça, o jovem Kim Jong-un é apresentado aos prazeres da vida ocidental pelo português João Apolinário. Um dia, recebe um telefonema urgente. Algo de estranho se passa no seu país.

O Coronel Cho, um oficial do exército norte-coreano, está prestes a aterrar em Nova Iorque numa viagem de Estado. Tudo o que pensa saber sobre o mundo ocidental vai ser posto em causa mal vislumbra as primeiras luzes da Cidade que Nunca Dorme.

O que têm em comum estas pessoas? São vidas que se vão cruzar para forjar um surpreendente destino comum.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

LITERATURA | Os testamentos traídos de Milan Kundera | DOM QUIXOTE (Tradução de Miguel Serras Pereira)


Nas livrarias a 2 de Outubro


Ensaio escrito como um romance, ao longo das nove partes de Os Testamentos Traídos desfilam e cruzam-se as mesmas personagens: Stravinski e Kafka acompanhados dos seus curiosos amigos, Ansermet e Brod; Hemingway com o seu biógrafo; Janacek com a sua pequena nação; Rabelais com os seus herdeiros, os grandes romancistas. Todos eles são evocados para discutir diversas questões intelectuais do século xx, relacionadas sobretudo com a música e a literatura, assim como os principais temas que preocupam o autor. Kundera é um defensor apaixonado dos direitos morais do artista e do respeito devido a uma obra de arte e aos desejos do seu criador. A traição de ambos – muitas vezes levada a cabo pelos seus defensores mais apaixonados – é uma das ideias-chave deste livro brilhante e original.

Uma homenagem à literatura e à música pela pena de um dos mais celebrados escritores contemporâneos.


LITERATURA | Carga de Vasco Cortese | OFICINA DO LIVRO


Nas livrarias a 23 de Outubro


Viktoriya saiu de Moscovo julgando que ia ser modelo em Londres. Mas desembarca em Portugal e é aprisionada pela máfia russa para ser vendida como prostituta. António é um camionista que, para sustentar a família, colabora com o grupo criminoso. Transporta mulheres enganadas através da Europa e entrega a carga humana a Viktor, o líder do gangue, cujo passado secreto esconde mais do que o tráfico de pessoas a que se dedicou depois de sair da Rússia, durante a Guerra das Máfias, nos anos 90.

Carga é um thriller passado no interior de um Portugal periférico, terra de caciques, polícias corruptos e pastores evangélicos que andam de mão dada com o poder. Mas também atravessa, com um ritmo alucinante, a história da URSS até ao seu desmantelamento, quando as organizações criminosas substituíram a mão de ferro da ditadura.



domingo, 14 de outubro de 2018

LITERATURA | Miguel Torga de Clara Rocha | DOM QUIXOTE


Nas livrarias a 9 de Outubro

Em paralelo com a edição das Obras Completas de Miguel Torga em volumes que reúnem os diários, a poesia, os contos, o teatro, os ensaios, iniciada em 1999 pela Dom Quixote, foi publicada a Fotobiografia do autor de Novos Contos da Montanha e Bichos, escrita pela sua filha, a professora universitária e ensaísta Clara Rocha.

Com prefácio de Manuel Alegre, esta fotobiografia, organizada cronologicamente, reúne quase uma centena de fotos do escritor e documentos vários, desde correspondência enviada e recebida, a manuscritos de poemas e contos, páginas do dossier da PIDE sobre Torga, o seu passaporte quando aos treze anos emigrou para o Brasil (o próprio diz que "um dos seus títulos de glória é ter passado a adolescência no Brasil"), imagens de lugares de que gostava profundamente, etc., etc., num imbricado de textos (do próprio Torga, muitos deles de cariz autobiográfico) e imagens.

A fechar o livro uma série de depoimentos sobre o escritor, de Almeida Santos, António Arnaut, Claire Cayron, Jorge Amado e Mário Soares, e ainda a reprodução de uma carta de Sophia de Mello Breyner.






REFLEXÕES OCASIONAIS - Especial | A Desumanização da Justiça | ISABEL DE ALMEIDA e CARMEN COUTINHO MATOS

   
Em pleno sec XXI, seria de esperar que a sociedade em que vivemos fosse mais plena de humanização de todos os seres que nela habitam e que por ela deambulam.

   Estamos na era da tecnologia, dos acontecimentos relatados ao minuto, tudo é feito à velocidade da luz e os seres humanos, supostamente, estão mais evoluídos que nunca. E diga-se “ supostamente”, pois seria este o resultado expectável de uma evolução tão significativa como a que se tem vindo a constatar.

   Mas, como se vocifera por aí, “não há bela sem senão” e tudo tem o reverso da medalha.
Vivemos tempos em que a “evolução” é inversamente proporcional à humanização em todos os segmentos da sociedade.

   Porquanto, a Justiça que, por inerência e de forma inata, deveria ser sensível ao cidadão, às suas necessidades, à situação que o levou até ao caminho dos tribunais, e certamente não será este um caminho escolhido porque lhe apetece, mostra-se ineficaz para com este.

   O Sistema judicial está hoje mais propenso não para atender aquele direito em questão, mas apenas e só para uma aparente prossecução de Justiça…muitas vezes a aparência de justiça substitui o que deveria ser a verdadeira essência desta mesma Justiça!

   A despersonalização avança em crescendo neste quadrante da sociedade que se quer atento, sensível e preocupado com a violação de direitos do cidadão, até porque, muitas vezes, o cidadão recorre aos tribunais porque um direito, de entre todos os que tem (o presume em fé ser do mesmo detentor legítimo) foi violado, afectado, restringido ou até negado.

   Destarte, o cidadão é encarado no sistema judicial e nos seus diversos agentes de justiça como, apenas e só, um número… na verdade mais um a acrescer a tantos outros. “Não se perde tempo” a ouvir o cidadão, a perceber que aquele caso é “o caso dele” e não apenas mais um caso com que a justiça tem de lidar.

   Com efeito, em cada “caso dele”, há um panóplia de emoções, de incertezas, de dúvidas, de fragilidades que devem e têm de ser atendidas. Ainda que a situação que levou aquele cidadão aos terrenos da justiça seja de diminuta gravidade face a bens jurídicos revestidos de maior protecção legal, para aquele cidadão, esse mesma situação é importante, é lesiva, é de apreciação e valoração fulcral, para que este sinta que ele próprio é importante para a sociedade e que esta cumpre o seu papel de protecção.

   A despersonalização que avança a passos galopantes, fere de forma fatal a confiança que era suposto o cidadão ter na sua justiça e afasta, por medo, insuficiência económica e diminuição de importância do estado emocional do titular desse direito, levando a que se tema esse grande “monstro” que é a justiça.

   Há, por assim dizer, uma aparente perfeição imperfeita na sociedade no que concerne à justiça.

   O Sistema Judicial Português, talvez reflectindo a crise de valores que percorre a nossa sociedade da era da globalização e do uso massivo de novas tecnologias, vem denotando uma crescente desumanização. Cada vez mais, um sistema que se pretende humano, que foi feito “por homens e para os homens” encara, por norma, os seres humanos como meros números que irão constar de  frios relatórios de dados estatísticos.

   Qualquer operador judiciário mais atento, ou dotado de uma maior sensibilidade, se apercebe facilmente desta nova tendência. Pela leitura de muitas peças processuais, despachos, sentenças e acórdãos recentes é possível encontrar, salvo honrosas excepções, uma crescente banalização, uma formatação quase uniforme na forma de abordar certas questões jurídicas, uma quase total cegueira perante o caso concreto e as questões de cariz social ou até mesmo humanitário que este possa conter. 

   Estamos na era da “justiça do copy paste”, e esta é a filha dileta da “justiça dos formulários”, vamos reduzindo ao mínimo o espaço para expor por escrito as questões (aqui se perde logo uma oportunidade para um olhar atento e uma explanação das minudências do caso concreto), simplificam-se (mais no conteúdo do que na forma) as fases processuais, limitam-se as oportunidades de expressão e de exercício completo de defesa das partes. 

   Cuida-se mais da forma do que do conteúdo, uma justiça de Toga, de Beca e de Capa, cheia de temores reverenciais, de devidas vénias, de posturas teatrais sobrepõe-se, infelizmente, aos legítimos direitos dos cidadãos a que se aplica, todo o formalismo cinzento, vazio e antiquado é colocado acima do valor da vida humana, dos meios de subsistência, da qualidade de vida, do futuro e, em última análise, das hipóteses de sustento e subsistência de adultos ou menores que caiam nas malhas do sistema judicial Português (sejam eles autores ou réus, ofendidos ou arguidos, requerentes ou requeridos, aqui pouco importa a qualidade processual, pois que tendemos a esquecer que há um traço transversal a todos eles, e até mesmo a julgadores, magistrados, advogados e funcionários judiciais – todos são, e deveriam ser um primeiro lugar e antes de mais SERES HUMANOS).

   Perdeu-se quase por completo o hábito de “fazer o trabalho de casa”, de estudar os processos e de lhes desvendar o âmago. Recorre-se à pressa, com leveza e por vezes despudor, apenas à internet para enquadrar as questões controvertidas a expor e a decidir. 

   A Doutrina vai ficando esquecida por entre a poeira dos livros dos grandes mestres jurisconsultos de todas as academias do país que são abandonados nas estantes, em troca do clique eficaz, imediato e rápido e moderno (logo, evoluído?!) nas teclas do computador. 

  Ironicamente, a menor qualidade do Sistema Judicial Português é inversamente proporcional aos elevadíssimos custos que o seu uso acarreta para os Cidadãos! E até aqui encontramos mais uma perversão que, mais ainda, afasta a dita Justiça daquela que deveria ser também a sua essência - o acesso livre e facilitado a todos os que dela necessitam!

   É de extrema importância que se proceda a um KINTSUGI ( recuperação dourada) nesta área. Ou seja, aplicando a sabedoria ancestral do Japão, torna se necessário que analogamente se aplique esta técnica, nesta área da justiça; Em vez de deitarmos fora aquilo que está quebrado, devemos, pois, e todos, realçar as fissuras e quebras da justiça utilizando “esmalte com pó de ouro, cuidadosamente aplicado nestas para tornar a peça danificada completa outra vez”, que o mesmo será dizer que devemos atender mais ao cidadão, às suas emoções, as suas necessidades e torna-lo uma pessoa, porque o é, em vez de um número. Assim, realçar-se-ia a imperfeição do sistema mas torná-lo-íamos algo de original e que satisfizesse o fim a que se propõe.

   É urgente ver alterar mentalidades, formas de estar e actuar para que se alcance o propósito último desta área, tão indispensável a uma sociedade que se diga justa, equitativa e equilibrada, que é a Justiça!

   "Eu tenho de estar disposto a dar aquilo que sou, para me tornar naquilo que quero ser."

Albert Einstein



“(…) A decisão do tribunal 
É como a sombra do punhal 
Vamos matar o justo que ali jaz 
Para quem julga tanto faz 
Já que o punhal não mata bem 
A lei matemos também. (…)”

In, O Coro dos Tribunais – José Afonso

LITERATURA ! As coisas da Alma de João de Melo | DOM QUIXOTE

Nas livrarias a 9 de Outubro


As Coisas da Alma – agora profundamente revisto e reescrito com vista ao apuro definitivo da linguagem, uma das preocupações do autor, e aumentado com três novos contos que o complementam – apresenta ao leitor um estilo poético e singular, e um imaginário repleto de personagens sensíveis e violentamente humanas.

Autor de referência deste género literário, os contos de João de Melo são invariavelmente poderosos retratos da condição humana, repletos de sentimentos, desejos, imaginação e mistério.


sábado, 13 de outubro de 2018

LITERATURA | Estranhezas de Maria Teresa Horta | DOM QUIXOTE (Poesia)


Nas livrarias a 23 de Outubro

Sem iludir (como nos demais livros não-temáticos) uma unidade essencial, Estranhezas desdobra-se por sete capítulos que não encobrem uma continuidade quase vital: No Espelho, Paixão, Da Beleza, Alteridades, Tumulto, Ferocidades e À Beira do Abismo.

É que se o eu horteano está bem patente no primeiro, segundo e últimos capítulos, os outros e outras de Alteridades, Tumulto e Ferocidades são magníficos desenhos traçados pela mesma mão que escreveu os primeiros.

Tudo isto sob o signo da asa. Que a capa de Dürer bem afirma, e o poema A Asa, da contracapa, explana, numa poderosa manifestação do talento de Maria Teresa Horta.


CONVITE TEATRO

CONVITE LITERÁRIO

LITERATURA | A última porta antes da noite de António Lobo Antunes | DOM QUIXOTE


Nas livrarias a 16 de Outubro  



Poucos dias depois de ver anunciada a edição de toda a sua obra pela prestigiadíssima colecção francesa Pléiade, a Dom Quixote anuncia a publicação do novo livro de António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite.





sexta-feira, 12 de outubro de 2018

LITERATURA | Amadeo de Souza-Cardoso de Eduardo Viana e Jorge Pinto | DESASSOSSEGO

Centenário da morte de Amadeu Souza-Cardoso


Amadeo de Souza-Cardoso, o segredo mais bem guardado da arte moderna.

Amadeo.jpgAssim pode ser considerado o pintor português, nascido em Manhufe, Amarante, e participante ativo no movimento da vanguarda modernista parisiense. Permanentemente inconformado e dividido entre o provincianismo de Manhufe e o cosmopolitismo de Paris, Amadeo viveu de forma furiosa e em procura constante: de si mesmo e de novas formas de expressão artística. Recusando aderir a qualquer escola, Amadeo rompeu convenções e esteve ao lado de grandes nomes da pintura mundial, de Modigliani, seu grande amigo e parceiro, a Brancusi, passando pelo casal Delaunay. E, apesar disso, o seu nome quase caiu no esquecimento; mas está finalmente a recuperar 
o lugar que é seu por direito.

“Enquanto artista, Amadeo é um caso exemplar da compreensão do local e do cosmopolita, ainda mais na forma como ele consegue, sozinho, realizar o destino moderno do meio cultural ancestral da sua pátria.”Helena de Freitas, curadora da exposição Amadeo de Souza-Cardoso, Grand Palais, Paris.



Desenho
Eduardo Viana nasceu em Oeiras em 1983. É arquiteto de formação, doutorando em Urbanismo e um dos fundadores do partido LIVRE, integrando a sua direção executiva. Autor de ilustrações e cartoons políticos, aventura-se pela primeira vez na banda desenhada com Amadeo, juntando o sonho de desenhar uma história aos quadrados com o gosto pela obra do pintor

Texto
Jorge Pinto nasceu em Amarante em 1987. Engenheiro e atualmente doutorando em Filosofia Política e Social, foi um dos fundadores do partido LIVRE, integrando atualmente a sua direção executiva. É autor de contos, pequenas histórias e teatro. Em março de 2017 venceu uma menção honrosa no concurso Novos Textos, organizado pelo Inatel e Teatro da Trindade, com a peça Uma História Trágico-Marítima. Com Amadeo estreia-se na escrita de argumentos para banda desenhada.


CONVITE TEATRO

CONVITE LITERÁRIO

LITERATURA | Passagem para o Ocidente de Mohsin Hamid | SAÍDA DE EMERGÊNCIA


Passagem_para_Ocidente.jpgNum cenário de guerra, é possível o amor e a esperança. A história do amor furtivo de Nadia e Saeed tem lugar numa cidade não nomeada cheia de postos de controlo e de bombas, um labirinto humano à beira da rutura. Quando a guerra civil rebenta, surgem estranhos rumores sobre a existência de portas clandestinas que levam a outros países. À medida que a violência aumenta, os dois jovens sabem que têm de deixar para trás a vida que sempre conheceram, embarcando numa viagem sem regresso, vertiginosa e cheia de surpresas. Numa mistura singular de realismo e magia, Passagem para o Ocidente é um belíssimo romance sobre refugiados, que nos leva a questionar em que mundo queremos viver.








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MOHSIN HAMID nasceu em Lahore (Paquistão) e viveu em Londres, Nova Iorque e na Califórnia. Os seus livros fazem parte das listas de bestsellers, foram adaptados ao cinema, incluídos nas nomeações para o Man Booker Prize, vencedores ou finalistas de vários prémios e traduzidos para 35 línguas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

LITERATURA | Portuguesas com M grande de Lúcia Vicente e Cátia Vidinhas | Nuvem de Tinta


O que têm em comum a padeira Brites de Almeida, a sufragista Beatriz Ângelo, a atriz Beatriz Costa e a pintora Paula Rego? Além de serem todas mulheres, lutadoras, corajosas, independentes e livres… são Portuguesas com M Grande! 

Todos temos o sonho de mudar o mundo e mudar com ele, de criar futuros e esperança, de ser livres para escolher, transformar, crescer e aprender, de errar e construir um caminho, de viver uma vida em pleno. E hoje todos podemos fazê-lo. Mas para aqui chegar foi necessária a coragem de mulheres sem medo para ir mais longe, como as Portuguesas com M Grande.

Um livro para nunca esquecermos como aqui chegámos e nos lembrarmos de que poderemos ir ainda mais longe.


Lúcia Vicente nasceu em outubro de 1979, à beira da Ria Formosa, em Faro, numa família cheia de mulheres. Foi a primeira desse núcleo a concluir uma licenciatura. Cedo se questionou sobre o papel da mulher na sociedade e por que razão os livros de História nunca mencionavam mulheres. Em 1995, criou, juntamente com um grupo de amigas e amigos, o coletivo feminista MUPI (Mulheres Unidas Pela Igualdade), e dedicou-se ao ativismo feminista enquanto adolescente. Em 1997, foge rumo a Lisboa em busca de uma carreira de atriz e de respostas para as suas perguntas históricas sobre as mulheres. Ingressa, nesse mesmo ano, na Universidade Nova de Lisboa onde se licenciou em História – ramo de investigação com um minor em História Cultural e das Mentalidades. Durante a licenciatura elaborou trabalhos de investigação sobre História das Mulheres, onde acabou por descobrir que, afinal, as caras femininas que fizeram a História são imensas. Ao longo da licenciatura, frequentou diversos cursos e palestras dedicados aos Estudos de Género. Em 2007, ingressa no mestrado de Estudos de Género da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Nunca o terminou. Em sua defesa, alega diferenças ideológicas e de pensamentos históricos, muito divergentes e inultrapassáveis, com a orientadora de curso. Teimava em olhar a História das Mulheres através dos olhos das mulheres, enquanto a norma era olhar-se única e exclusivamente pela lente dos Homens. Um dia, não mais voltou. A ideia de escrever este livro nasceu em 2015, quase ao mesmo tempo que a sua filha, e nunca mais a abandonou. Os livros de princesas sempre lhe causaram uma certa urticária.

Cátia Vidinhas nasceu em 1989, num lugar onde as montanhas são tão altas que facilmente se consegue chegar ao céu. E, provavelmente por isso, sempre quis ter um pedaço dele só para si. Após vários anos a desenhar nas nuvens e a colorir livros de pintar oferecidos pela avó, decide licenciar-se em design gráfico, no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, e depois tirar uma pós-graduação em Design da Imagem na Faculdade de Belas Artes do Porto, e mestrado em Multimedia na Faculdade de Engenharia do Porto. Durante o seu percurso profissional, tem vindo a trabalhar como ilustradora, designer, professora e animadora em filmes de animação. Colabora regularmente com gabinetes de design e agências de publicidade e com o estúdio de animação Bando à Parte, onde trabalhou em vários projetos de animação tais como a premiada curta de animação Água Mole, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires. Enquanto ilustradora, colaborou com autores como Valter Hugo Mãe, Álvaro Magalhães, José Jorge Letria e Adélia Carvalho. É autora das ilustrações de oito livros i n f a n t o - j u v e n i s, entre os quais Figura de Urso (2015), Palavras Bonitas Sobre Contas (2017) ou Infâncias (2017). Os seus livros estão publicados em diversos países, como Espanha, Brasil ou Colômbia. Em 2015, viu o seu trabalho destacado pelo Prémio Nacional de Ilustração com o livro WonderPorto. Em 2017, foi a vez do livro Infâncias, distinguido pelo Golden Pinwheel Young Illustrators Competition e eleito, pela brasileira Fundação Nacional do Livro infantil e Juvenil, o melhor livro na categoria «Literatura em Língua Portuguesa».

CONVITE TEATRO

CONVITE LITERÁRIO

LITERATURA | A Menina que sorria contas de Clemantine Wamariya e Elizabeth Weil | Objectiva

A  MENINA QUE SORRIA CONTAS
de Clemantine Wamariya e Elizabeth Weil
A história de uma menina que sobreviveu ao genocídio do Ruanda


Clemantine Wamariya tinha seis anos quando o destino do seu país deu uma reviravolta dramática: começou a faltar água e electricidade, as lojas fecharam, os pais passaram a falar em sussurros e os vizinhos começaram a desaparecer. Em 1994, ela e a irmã de quinze anos, Claire, não tiveram opção senão fugir ao genocídio do Ruanda, umas das maiores calamidades humanitárias do século XX, em que se calcula terem morrido perto de um milhão de pessoas. Perdidas dos pais, passaram os seis anos seguintes em fuga, atravessando sete países africanos. Sempre com fome, constantemente violentadas e aprisionadas, vítimas da mais desumana crueldade, mas também testemunhas da mais abnegada bondade e dos mais inesperados sorrisos.

Quando Clemantine fez doze anos, chegou finalmente a boa notícia: ela e a irmã receberam o estatuto de refugiadas e partiram para os Estados Unidos da América. Já em Chicago, as vidas de ambas divergiram. Clemantine foi adoptada por uma família que a acolheu com uma generosidade sem reservas. Frequentou escolas privadas, fez parte de claques, formou-se pela famosa universidade de Yale, até ser o que é hoje: activista de direitos humanos, oradora em conferências e nomeada por Barack Obama para o Conselho do Museu em Memória do Holocausto.


Clemantine Wamariya é activista pelos direitos humanos e uma excelente contadora de histórias. Nasceu em Kigali, no Ruanda, e viu-se obrigada a fugir por causa do sangrento conflito no seu país. Clemantine passou a sua infância em migração por sete países africanos. Aos doze anos, foi-lhe concedido o estatuto de refugiada pelos Estados Unidos, país que a viu formar-se em Literatura Comparada pela Universidade de Yale. Vive actualmente em São Francisco.

Elizabeth Weil escreve para o New York Times Magazine, para a revista Outstanding e para a Vogue, entre outras publicações. As suas reportagens valeram-lhe inúmeros prémios.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

LITERATURA | A Ordem do Tempo de Carlo Rovelli | Objectiva

A ORDEM DO TEMPO
de Carlo Rovelli
Autor de Sete Breves Lições de Física


Numa abordagem luminosa e apaixonante, o físico Carlo Rovelli traz-nos um novo entendimento sobre o maior mistério da humanidade. Um mistério que diz respeito a todos nós, porque o experienciamos a todo o momento. O tempo.

O que é o tempo e até que ponto o compreendemos? Temos uma existência no tempo ou o tempo existe dentro de nós? O que significa a ideia do «correr» do tempo? Estará o passado realmente fechado e o futuro tão em aberto como julgamos? E o tempo existe, de facto?

Escrito com a vitalidade poética que imprimira anteriormente a Sete breves lições de física, este é o ensaio científico e filosófico que mudará para sempre a nossa relação com a vida e com o Universo, porque para compreender o tempo precisamos de reflectir sobre nós. Combinando arte, filosofia e ciência, Carlo Rovelli transforma esta missão divulgadora sobre o mistério do tempo no maior dos prazeres, na mais bela das histórias.


Sobre o autor:

Carlo Rovelli é físico teórico e membro do Instituto Universitário de França e da Academia Internacional de Filosofia e das Ciências. Trabalhou em Itália, Estados Unidos e França. Com vários livros publicados na área, Sete Breves Lições de Física trouxe-lhe a merecida admiração de académicos e leigos, conquistando mais de um milhão de leitores à volta do mundo.





LITERATURA | A Distância entre mim e a cerejeira de Paola Peretti | Penguin Random House

Uma história verídica de superação






A história da pequena Mafalda é inspirada na vida da autora deste livro, Paola Peretti que é portadora da Doença de Stargardt, que causa a perda progressiva da visão até à cegueira completa.


A coragem e determinação desta menina iluminam aquilo que já desconfiávamos: que o verdadeiro sentido da vida está dentro de cada um de nós, que somos sempre mais fortes do que aquilo que imaginávamos, e que só com a ajuda de todos podemos ser inteiros, livres e felizes. 





terça-feira, 9 de outubro de 2018

LITERATURA | Frida Kahlo de Maria Hesse | PENGUIN RANDOM HOUSE


À VENDA DIA 16 DE OUTUBRO



Uma bela biografia da pintora mexicana Frida Kahlo ilustrada com as imagens evocativas de Maria Hesse. A vida de Kahlo, desde a sua infância ao acidente traumático que mudaria sua vida e sua arte, seu amor complicado por Diego Rivera e a feroz determinação que a levou a se tornar uma grande artista...














Maria Hesse (1982). Trabalha há três anos com a editora Edelvives na produção de livros didáticos e também realiza trabalhos de ilustração para as revistas Jot Down, Maasui Magazine ou Glamour. Maria publicou as suas obras ilustradas em várias editoriais como "Orgullo y Prejuicio" e "Frida Kahlo. Uma biografia ".

LITERATURA | A Bailarina de Auschwitz de Edith Eger | GRUPO SAÍDA DE EMERGÊNCIA


Bailarina_de_Auschwitz.jpg
Em A Bailarina de Auschwitz, Edith Eger partilha a sua experiência do Holocausto e as histórias extraordinárias das pessoas que ajudou desde essa altura, explica como a mente de muitos de nós se tornou numa prisão e mostra como a liberdade é possível quando nos confrontamos com o nosso sofrimento.


A Bailarina de Auschwitz é um livro transformador, um exame profundo do espírito humano e da nossa capacidade de cura.













Edith_Eger.jpgEdith Eger nasceu na Hungria e era apenas uma adolescente quando foi enviada para Auschwitz, em 1944.

Atualmente tem uma clínica de psicologia em La Jolla, na Califórnia, trabalha na Universidade da Califórnia, em San Diego, e dá palestras regularmente nos Estados Unidos e por todo o mundo. Trabalha igualmente como consultora para o exército e marinha dos EUA, em treino de resistência e tratamento de distúrbio de stresse pós-traumático. Edith Eger foi eleita Professora de Psicologia do Ano (1972), Mulher do Ano em El Paso (1978) e recebeu um Prémio Humanitário do Senado do Estado da Califórnia (1992). 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | " As Irmãs - As irmãs Albright - Série Completa, de Jess Michaels - " Tabu"| QUINTA ESSÊNCIA


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista
Foto: Direitos Reservados | Grupo LeYa


Tabu, de Jess Michaels, corresponde ao terceiro romance da série das irmãs Albright agora integrado na colectânea "As Irmãs", este ano publicada pela Quinta Essência, chancela do Grupo LeYa.

  Tabu é um sensual romance histórico, cuja acção decorre no período da Regência, em Inglaterra [1811-1820], o que se depreende não por referências temporais explícitas, mas através de referências textuais, e ainda pelas descrições de usos e costumes , e das normas sociais tão típicas deste momento histórico que a autora - Jess Michaels - tão sabiamente soube inserir na narrativa.

   A estrutura narrativa é a habitual neste género de romance, encontrando destaque especial os dois protagonistas Nathan Manning [Conde de Blackhearth], um jovem aristocrata Britânico que passou quatro anos em exílio, mais ou menos forçado, na Índia, como forma de tentar exorcizar uma desilusão amorosa provocada pela bela Cassandra Willows, a filha de um simples alfaíte, com a qual manteve um relacionamento amoroso na juventude mais precoce de ambos, mas que acredita tê-lo atraiçoado ao não cumprir uma promessa.

   Assim, quatro anos após a separação e exílio de Nathan na Índia, os dois antigos amantes reencontram-se, por mero acaso, na residência de Lady Bethany Worthington [Tia de Nathan], que é cliente de Cassandra, uma prestigiada modista, bastante requisitada pelas damas da sociedade Londrina.

   Um detalhe curioso, e que confere à trama uma intriga adicional, é a circunstância de Cassandra manter também um rentável negócio paralelo, que corresponde à criação de lingerie ousada e uma vasta gama de brinquedos eróticos, que inflamam as alcovas mais e menos legítimas da Londres da Regência.

  Ao reencontrar Cassandra, e vendo-se dominado por um súbito e pérfido desejo de vingança, Nathan força a jovem a manter com ele diversos encontros de cariz sexual, procurando, por essa via humilhar, dominar e retribuir-lhe a frustração que sofreu no passado interrompido de ambos [ou pelo menos, assim acredita o Conde que são estes os reais intuitos que o movem].

  Mas será Nathan assim tão frio e indiferente, ao nível emocional, e conseguirá manter os seus perversos intentos, quando descobre na ex-amante uma mulher determinada, inteligente, madura e bastante experiente sexualmente?

   E Cassandra, que vive atormentada por segredos do passado, que receia afectem Nathan, será capaz de resistir ao inegável desejo, e a algo bem mais sólido e forte, que nutre pelo homem que mais a marcou e a quem verdadeiramente amou?

   Ao longo da acção, temperada com as suspeitas de amigos de Cassandra - Ellinor Clifford, e Stephen Undercliffe - com a oposição evidente dos país de Nathan, a verdade é que os dois protagonistas envolvem-se em escaldantes encontros sensuais e sexuais.

  E a autora sabe, num estilo que lhe é muito próprio, usar uma linguagem bastante explícita e detalhada sob o ponto de vista sexual, mas que não chocará os apreciadores deste género literário, visto ser evidente o profundo envolvimento físico e também emocional entre  os protagonistas, sendo bastante perceptível a química que os une.

  Cassandra e Nathan irão envolver-se numa sensual disputa pelo poder, entre lençóis, onde se irão revelar ambos deliciosamente vencidos.

  Mas, segredos obscuros e a implacável sociedade da época, assim como a família de Nathan, irão revelar-se fortes oponentes ao futuro do casal, desde logo, porque ambos pertencem a diferentes classes sociais - numa sociedade bastante estratificada, com claros limites de actuação e relacionamento entre classes.

   Sempre presente, encontra-se também o risco de se tornar abertamente do conhecimento público o negócio paralelo de Cassandra Willows, bem como o seu passado como amante de vários homens.

   Ora, quebrar este Tabu é, para o leitor, deixar-se envolver numa saborosa onda de sensualidade, desejo e intriga, plena de mistérios a desvendar.

   Deixe-se levar ao sabor desta maré sensual!

Ficha Técnica da Obra:


Autora: Jess Michaels

Série: As irmãs Albright (agora editada numa colectânea num volume único)


Edição: Março de 2018

Páginas: 752 (obra completa)

Género: Romance erótico de época

Classificação: 5/5 estrelas



domingo, 30 de setembro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS-Especial | O jogo das cadeiras | ISABEL DE ALMEIDA e CARMEN COUTINHO MATOS


Mais uma novidade na rubrica, mensalmente teremos um autor convidado para o desafio de escrever uma reflexão conjunta. Desta feita, a Dra. Carmen Matos aceitou o nosso desafio! Segue-se uma reflexão em parceria!


O JOGO DAS CADEIRAS

Vivemos numa sociedade que se diz moderna mas na verdade oculta em si um lado, profundamente, obscuro, o “lado lunar”, o “dark side” parece começar a fazer parte da maioria da humanidade, a aparência começa a sobrepor-se à essência, nada é certo, tudo é volúvel, mutável, instável e… pouco fiável.

Diante de uma era muito cuidadora e zelosa dos seus direitos são precludidos os seus deveres e assim, sem pudor ou respeito, quer por terceiros ou quer por si próprio, o ser humano enverga e mantém uma máscara, a máscara do “ eu sou”.

Por séculos se viveram tempos falaciosos e difíceis, onde se vivia na base da “lei do mais forte”, do “nacional porreirismo”, do “Olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço!” Todavia, esperava-se que em pleno Século XXI, já se tivesse perdido algum do espírito da época dos Borgia, dos Tudor e de tantos outros exemplos semelhantes que encontramos na história, mas em termos de jogos de bastidores, estratégias, contra-estratégias, intrigas palacianas dignas das melhores cortes Absolutistas o registo retratado em tantas páginas da História Universal parece-nos vivo e de excelente saúde. O amigo de ontem pode revelar-se o inimigo de hoje, mas quem sabe, até, o melhor aliado estratégico de amanhã! Confuso!? Talvez, mas uma realidade irrefutável dos nossos dias! Basta atentarmos, por exemplo, em estranhas alianças na política nacional que conseguiram surpreender pelo inesperado dos resultados…

Impera, sem dó nem piedade, uma época em que a diplomacia, aparente, generalizada se instala sem contudo ser corroída pelos sentimentos mais comezinhos do ser humano, a ganância e o egocentrismo.

Socializamos com o outro sempre tendo por base o que se pode alcançar ou ganhar com tal “amizade” ou aliança, de tão enraizada que está na nossa mente a ideia de que nada tem de mal que possam advir proveitos daquela particular situação, sem que tal seja passível de beliscar a nossa honra, carácter ou fortaleza de espírito. Ser egoísta, oportunista, intelectualmente desonesto ou mesmo egocêntrico ou até narcísico é encarado como banal, aceitável e, pasme-se, natural!

Nos mais variados contextos: escolares, académicos, profissionais, políticos, económicos os valores tradicionais vêm sendo perdidos, a competitividade sobrepõe-se à consciência e à honestidade, os interesses pessoais e os egos inflamados mostram-se hierarquizados em escala superior aos interesses coletivos!

A mentalidade que impera, hoje ainda, procede a uma análise da realidade circundante em termos de “ganhos versus perdas”, de aproveitamento do mais forte pelo mais fraco, de maldade disfarçada de simpatia, cada vez mais,  nos cruzamos com os chamados “lobos com pele de cordeiro”.

Na era em que o “parecer” é sobejamente mais importante do que o “ser” eis que se vive, quotidianamente, no jogo das cadeiras. Sorrisos, simpatias, diplomacia, gentileza,  são as palavras de ordem, enquanto se escondem  nas sombras os instintos mais básicos e obscuros, onde se exploram fragilidades alheias para, quando o momento for conveniente, se desferir o golpe fatal no inimigo!

Se porventura hoje nos podemos encontrar numa posição de grande destaque no que tange a determinados contextos, ou perante algumas pessoas, sabemos de antemão que amanhã poderemos já ter perdido essa mesma posição em termos de relevo ou apreço, apenas e só porque em algum momento, ainda que fugaz, algo dissemos, fizemos ou não fizemos que nos levou a perder o valor, a ser olhados como inconvenientes, incómodos, o que quer dizer que na verdade perdemos a cadeira, ou até mesmo que esta nos foi retirada. Em suma, é fácil “passar de bestial a besta” em pouco tempo.
Embora sabendo que nada é imutável e que a vida em si significa movimento, é-nos ainda pouco percetível a fluidez com que todas as relações, sejam elas profissionais, de amizade, amorosas, de circunstância, com muita durabilidade ou pouca, se transformam, terminam, começam ou mantêm.

Política é a palavra de ordem! Este conceito que era tão circunscrito, adapta-se hoje em dia por interpretações, abusivamente extensivas, a toda a nossa vida e a todos os nossos círculos de atuação.
Ocorre-nos um exemplo histórico fascinante, mas com o seu quê de aterrador, Sebastião de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras, Ministro de D. José, delineou um plano com vista a destruir a família Távora, uma das casas nobres mais poderosas de Portugal, porque o fez? Porque a família Távora era ostensivamente crítica à sua política, à sua forte influência sobre o Monarca e porque em termos de egos, a diferença de classes era, ao que parece, fonte de exaltadas críticas e até humilhações, pois a família Távora considerava Sebastião José inferior socialmente, por ser membro da baixa nobreza, algo que também poderá ainda mais ter alimentado o espírito persecutório de um homem, frio, sagaz, mas também muito racional e pragmático! Às vezes, em certos jogos políticos não há, propriamente, uniformidade no papel de vilões e vítimas, embora seja certo que o mais forte vencerá a dado ponto desta alternância de papeis sociais!

A determinação do cidadão comum em se transformar num ser socialmente aceite pode tentar algumas almas a incorrer no pecado de alpinismo social, isto  é algo que ainda hoje, ou não, nos escapa aos radares intuitivos com que vivemos, não descartando, obviamente, aqueles que por motivos diversos já conseguiram alcançar um estado em que tais comportamentos são detetados à distância.

Proferem-se chavões comuns e afirmações de perpetuidade são proferidas sem qualquer pudor, pois são um meio para atingir um fim e obviamente, hoje, o fim justifica-se a si mesmo.

Neste turbilhão de acontecimentos e em estrita observância à máxima” nada se perde, tudo se transforma”, percebe-se claramente que existimos e sobrevivemos numa era em que, gradualmente, embora cada vez mais aceleradamente, estamos sozinhos e ninguém nos vem salvar.

A distorção de valores é avassaladora e inquietante, o próprio relacionamento social é oco, as alianças são estrategicamente delimitadas no tempo e a abertura ou disponibilidade e solidariedade pode mesmo vir a revelar-se, apenas e só, um ato de instrumentalização momentânea por motivos egoístas e convenientes a interesses ou agendas pessoais, rapidamente é substituível.

Bem sabendo que tais factos não se de agora e se perpetuam no tempo desde que o ser humano é quem é, tal não é justificável face à enorme evolução que temos assistido.

O mundo evoluí, a globalização instala-se, tudo se torna mais rápido, tudo se torna mais acessível, a informação brota em catadupa mas, na verdade, o ser humano, na sua essência mais primitiva, permanece em estado latente de evolução. 


"A Auto-consciência substituiu a consciência de classe, a consciência narcísica substitui a consciência política."

Gilles Lipovetsky, In "A Era do Vazio" (1983)