sábado, 15 de dezembro de 2018

LANÇAMENTO DO LIVRO "ENTRE MONSTROS E DRAGÕES"

ESTA TARDE E ESTÃO DESDE JÁ TODOS CONVIDADOS


A autora R.C. Vicente e a Chiado Grupo Editorial convidam para o lançamento do livro "Entre Monstros e Dragões" apareçam.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

A autora em ascensão que não pára de nos surpreender com as suas estórias de GATOS





Vanessa Lourenço nasceu em Lisboa, em 1982. Desde sempre os animais e os livros desempenharam um papel importante na sua vida juntamente com as artes. Vive em Portugal com o marido e alguns dos animais que inspiraram os seus livros.

Tornou-se escritora depois da terrível perda de um gato preto que amava muito, o que a levou a começar a escrever para aliviar a dor que sentia, mas rapidamente se apercebeu que esse mesmo gato preto continuava bem vivo nas páginas que compunha. Foi quando decidiu espalhar o legado que o seu amigo felino lhe deixara pelo mundo.






Actualmente, a trabalhar no terceiro livro da fantástica trilogia onde os gatos são as personagens principais de uma aventura inspiradora que mudará para sempre a forma como as pessoas encaram os animais que amam. Tendo já publicados “A Cria Negra de Felis Mal’Ak” e “A Batalha de Sekmet” os seus fiéis leitores nacionais e estrangeiros esperam ansiosamente pelo culminar desta fantástica aventura entabulada a quatro patas. Com a certeza de que a inspiração não ficará por aqui pois estará para sempre ladeada pelo seu Méfis, Félix, a Pantufa e todos os que tiverem a felicidade de se cruzarem no seu caminho.

Mas é do passado Sábado dia 08 de dezembro, que vos quero falar, o dia do lançamento do seu mais recente livro “A vida aos olhos de um Gato” em parceria com o estúdio de tipografia tradicional Quadratim Letterpress.

MBC - De onde surgiu a ideia de fazer um livro como “A vida aos olhos de um Gato” com uma tipografia tradicional?
VL - Eu sigo o projecto Quadratim Letterpress desde o seu início, já que a co-fundadora é uma amiga de longa data. Sempre admirei o trabalho desta equipa, a sua sensibilidade e profissionalismo, bem como a qualidade do seu trabalho. Nesse sentido, esperava secretamente que um dia a oportunidade surgisse. Mas até recentemente, não tinha ido além de uma ideia. Infelizmente (risos) não posso reclamar os créditos da sua concretização, uma vez que este projecto conjunto foi um desafio que me foi colocado, e não o contrário. E aceitei prontamente!

MBC - Fizeste uma edição limitada isso significa que muitos dos teus leitores não terão a oportunidade de adquirir a obra. Pensas fazer uma segunda edição?
VL - Não. Infelizmente, quem quiser adquirir um exemplar desta edição limitada terá mesmo que ser rápido, porque não existirá uma segunda edição deste livro. Os textos foram construídos manualmente (literalmente letra a letra), e por intermédio do recurso a máquinas tipográficas centenárias, o que significa que não existe um ficheiro a que se possa recorrer para voltar a imprimi-los neste formato.








MBC - Em relação aos teus seguidores em língua inglesa terão a oportunidade de ver nascer a mesma obra para eles?
VL - Costuma dizer-se “nunca digas nunca...”, mas neste caso trata-se de um processo demasiado complexo para que neste momento esse seja um objectivo concreto.






MBC - Conta-nos um pouco o que sentiste no passado sábado, no lançamento deste singular livro.
VL - A co-fundadora do Quadratim Letterpress (Vânia Nunes), para além de uma excelente profissional, é também uma amiga de longa data que prezo muito, e uma das poucas pessoas com quem arriscaria avançar com um projecto desta natureza. Penso que partilhar a paixão dela ao longo de todo o processo, foi o melhor de tudo. Ao mesmo tempo, claro, é uma oportunidade extraordinária, poder entregar aos meus leitores o meu trabalho escrito num formato tão fora do comum, tão exclusivo. Chegar ao estúdio, ver o livro pela primeira vez, foi tremendamente emocionante. Poder partilhar com ela esse momento, foi ainda melhor. E ver todas aquelas pessoas chegar, poder partilhar com elas o que é a essência dos meus textos e de todo o processo artesanal que o projecto Quadratim Letterpress tornou realidade... não tem preço.


Depois de ter lido os anteriores livros da autora Vanessa Lourenço enquanto aguardo ansiosamente pelo meu exemplar d’ “A vida aos olhos de um Gato” gostaria de declarar a título pessoal que, quando livros com animais podem representar todos os nossos sentimentos, os nossos medos, os nossos desejos. A Vanessa faz-nos acreditar que tudo o que esperamos pode tornar-se realidade através dos olhos de um gato.





Texto: MBarreto Condado
Fotos: gentilmente cedidas pela autora.


Sessão de Lançamento de Livro

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domingo, 9 de dezembro de 2018

PALAVRAS À SOLTA | Do amor nos tempos modernos | ISABEL DE ALMEIDA



O amor sempre foi tema que ocupou a mente dos apaixonados, dos poetas, dos escritores e pensadores, desde tempos remotos. Muitas obras chave da literatura universal têm por base este sentimento tão complexo, tão difícil de definir e de entender na sua plenitude, e tão fora do alcance de tantos seres humanos.

Amores trágicos como o célebre "Romeu e Julieta" de Shakespeare ou o "Amor de Perdição" do nosso não menos genial Camilo Castelo Branco, amores proibidos como "Madame Bovary" de Gustave Flaubert ou como os nossos fabulosos incestos Queirosianos: quem ainda leu (ou vai ler) o romance entre Carlos Eduardo da Maia e Maria Eduarda?, amores românticos como tão bem os descreveu Júlio Dinis em "Os Fidalgos da Casa Mourisca" ou "Uma Família Inglesa", ou o célebre "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen.

Mais recentemente, e ainda que se queira negar o fenómeno por muitos considerado como literatura comercial ou mesmo "não-literatura", em especial desde a publicação da série erótica "As cinquenta sombras de Grey", a verdade é que, por todo o mundo, e Portugal não vem sendo excepção, tem-se assistido a uma assumida tendência para o consumo de romances eróticos contemporâneos com diversos subgéneros, com autoras com estilos muitos próprios, uns mais banais outros mais densos e menos estereotipados e que têm o mérito de criar hábitos de leitura em quem os não tinha, ou em ajudar a estimular a continuidade desses hábitos numa vida vivida à pressa, em ritmo de corrida!

Mas porquê um apanhado de referências literárias tão díspares ao iniciar estas linhas? Porque se assume, desde logo, que cada época literária reflecte naturalmente o espaço psicológico e social de cada tempo da história, porque quem leu os clássicos ainda que possa não estar consciente de tal facto e mesmo que se julgue imune a tais leituras terá de reconhecer que estas povoam o seu imaginário romântico, relacional e mesmo sexual! Quem nunca sonhou com Mr. Darcy, ou com Christian Grey (apenas para frisar duas personagens sintomáticas de visões totalmente opostas em termos de relações afectivas) que atire a primeira pedra...se for capaz!

Mas o que procuram as mulheres modernas e independentes na sua cara-metade hoje em dia?

Bem, já que vamos pensar, sejamos idealistas, afinal o Natal está próximo, e a célebre canção de Mariah Carey ecoa-nos na mente com o refrão: "All I Want for Christmas is you!" 

Pois bem, do que resulta das habituais tertúlias femininas na versão nacional mais próxima possível da série "O Sexo e a Cidade", aqui ficam algumas conclusões básicas e sem pretensões:

O que valorizam as mulheres numa relação amorosa:

- Uma dose de romance qb, que quebre a rotina, fica a dica, adoramos ser raptadas para Paris ou para destinos mais exóticos como Marraquexe (os locais variam mas costumamos dar pistas a seguir pelos detectives mais atentos).

- Adoramos rosas vermelhas, um CD, um livro, um chocolate, uma garrafa de vinho para saborear a dois (os gostos variam, aqui ficam só alguns exemplos ilustrativos, mas fica  dica: investiguem que logo descobrem como surpreender), e acreditem que o esforço compensa!

- Nenhuma mulher fica imune a um elogio sincero (e olhem senhores que temos um sensor especial que distingue os elogios sinceros daqueles que são ditos por "parecer bem").

- É importante que não subestimem ou temam a nossa inteligência e que saibam respeitar o nosso espaço (porque uma relação não pode, nem deve, ter por base a anulação do espaço ou esfera pessoal de cada membro)!

- Uma mensagem escrita, uma foto, um poema, um simples como está a ser o teu dia são boas formas de manter a chama acesa ao longo das monótonas jornadas de trabalho.

- A partilha de interesse por assuntos que estão mais ligados a cada um dos membros do casal, ainda que tal exija um esforço acrescido, estimula o espírito de partilha, de debate, de cumplicidade que devem também nortear um relacionamento!

- Momentos a dois, fugas, feriados, férias isentos de rotina e sem compromissos familiares são bem vindos!

- Gostamos de, idealmente, ter a nosso lado a combinação de um cavalheiro old school com um aventureiro que se atreva a embarcar em planos mais ousados a qualquer momento e sem aviso!

- Aceitar os amigos de cada um e conviver com os vários grupos de quando em vez também fomenta um ambiente relacional harmonioso e revela aceitação dos respectivos mundos que, por vezes, podem ser bem diferentes.

- Adoramos chegar a casa e termos o jantar preparado e a mesa posta, contarmos com a ajuda do parceiro em tarefas domésticas (por norma fastidiosas e morosas) e no apoio e entretenimento dos filhos, não sobrecarregando apenas um dos membros do casal (tantas vezes a mãe) é algo muito apreciado que mantém o equilíbrio de recursos disponíveis e força anímica entre os membros de uma relação, sendo também importante para um salutar desenvolvimento das rotinas familiares.

- Maturidade, estabilidade, espaço mental para uma relação, cedências mútuas, descobertas e aprendizagens permanentes, partilha, envolvimento, romance, aventura, atrevimento, surpresas, mimos são apenas alguns exemplos do amor dos tempos modernos (que nem é assim tão diferente do nosso imaginário intemporal).

Acima de tudo, gostamos de ser surpreendidas pela positiva, e nem é preciso, necessariamente, um anel de diamantes!

Mas afinal, o que é o amor? Para esta pergunta ainda não encontrei uma resposta definitiva, nem eu nem ninguém, mas confesso que me divirto sempre a revisitar os meus autores de eleição, são inspiradores!


"Amo como ama o amor. 
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. 
Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

Fernando Pessoa

Sessão de Lançamento de Livro

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sábado, 8 de dezembro de 2018

ESTA TARDE - Lançamento de Livro da autora Vanessa Lourenço

Apareçam para conversar com a autora que uma vez mais nos mostra como os Gatos são muito mais do que meras companhia.

"Há algumas semanas atrás, a co-fundadora do projecto Quadratim Letterpress (tipografia tradicional) desafiou-me a integrar um projecto muito especial: a criação conjunta de um pequeno livro de textos meus, recorrendo às máquinas centenárias que integram o projecto para o fazer nascer. 
Para resumir a história, assim nasceu "A vida aos olhos de um gato", um pequeno livro de criação artesanal onde os nossos amigos de quatro patas nos falam da vida de todos os dias, emoldurados numa edição limitada muito especial.
Contamos convosco?"

Vanessa Lourenço




sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Lançamento de Livro da autora Vanessa Lourenço

"Há algumas semanas atrás, a co-fundadora do projecto Quadratim Letterpress (tipografia tradicional) desafiou-me a integrar um projecto muito especial: a criação conjunta de um pequeno livro de textos meus, recorrendo às máquinas centenárias que integram o projecto para o fazer nascer. 
Para resumir a história, assim nasceu "A vida aos olhos de um gato", um pequeno livro de criação artesanal onde os nossos amigos de quatro patas nos falam da vida de todos os dias, emoldurados numa edição limitada muito especial.
Contamos convosco?" 

Vanessa Lourenço


Sessão de Lançamento de Livro

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Lançamento de livro da autora VANESSA LOURENÇO

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"Há algumas semanas atrás, a co-fundadora do projecto Quadratim Letterpress (tipografia tradicional) desafiou-me a integrar um projecto muito especial: a criação conjunta de um pequeno livro de textos meus, recorrendo às máquinas centenárias que integram o projecto para o fazer nascer. 
Para resumir a história, assim nasceu "A vida aos olhos de um gato", um pequeno livro de criação artesanal onde os nossos amigos de quatro patas nos falam da vida de todos os dias, emoldurados numa edição limitada muito especial.
Contamos convosco?" 

Vanessa Lourenço

domingo, 25 de novembro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | A Violência Doméstica - Uma abordagem inicial | ISABEL DE ALMEIDA e CARMEN MATOS


   
A violência doméstica é um flagelo social que afecta todas as comunidades e que constitui uma questão premente em Portugal, onde vem sendo frequente o forte alarme social causado, inclusive pela ocorrência de situações extremas que redundam na morte das vítimas,  o que faz pensar, desde logo, em aspectos que merecem séria ponderação e revisão em termos de apoio geral à vítima de violência doméstica, isto no que diz respeito às respostas em termos jurídico-penais, sociais e psicológicos.

Em traços genéricos, a violência doméstica poderá consistir na prática reiterada ou não de maus-tratos de natureza física, psíquica, verbal, podendo ainda passar por questões como privação da liberdade e ofensas de cariz sexual. Muito embora acabem por merecer maior atenção casos de violência doméstica que decorram no seio de relacionamentos afectivos (mormente, entre membros de casais de namorados, unidos de facto ou unidos por matrimónio), a verdade é que o conceito de vítima é bem mais alargado (considerando-se mesmo o previsto no disposto no artigo 152.º do Código Penal Português), contemplando-se situações como a co-habitação com pessoas que merecem especial tutela (defesa e protecção legal) da lei devido a serem especialmente indefesas por motivos como a idade, deficiência, gravidez ou dependência económica que co-habitem com o agressor.

Em termos legais, mostram-se ainda tipificadas possíveis circunstâncias que agravam a pena a aplicar aos agressores, consoante o resultado da conduta ilícita do agressor, estando ainda previstas limitações possíveis em termos de exercício do poder paternal, bem como de tutela ou curatela.

Muito embora também seja mais comum a circunstância de a vítima se tratar de uma mulher, a verdade é que importa destacar que existem também, naturalmente, vítimas do sexo masculino, cabendo evidenciar que, até por uma questão de mentalidade e de preconceito, acaba por ser mais complexa a detecção, sinalização e acompanhamento de casos de vítimas do sexo masculino, porquanto a mera possibilidade ou suspeita de ocorrência de violência doméstica tendo por vítima um homem é ainda hoje olhada como sinal de fraqueza, indo contra os critérios do "politicamente correcto" em termos de papeis sociais do homem e da mulher. Estamos perante o sério risco de estigma da vítima (independentemente do género da mesma) que pode advir do seu género, da classe social, e do receio e especial gravidade que pode revestir uma situação deste tipo se estivermos perante um caso de dependência económica da vítima perante o agressor.

Encontramos, de um modo geral, na vítima uma pessoa muito fragilizadas, e que sofre duplamente, quer porque se mostra tantas vezes em crescendo a espiral de violência a que está submetida, no seu lar, o que é um contra-senso , na medida e que o lar seria por inerência uma zona de conforto, o "porto de abrigo"; e sofre, igualmente, porque opta , por norma, por um doloroso silêncio, com vergonha de assumir mesmo perante autoridades a dura realidade dos factos, em nome de posições sociais que procura defender, ou por mero pudor ou ainda, quiçá, negação, pois não é fácil expor a intimidade, a vida familiar, aquilo que de mais privado se partilha em ambientes afectivos, e que integra a esfera mais pessoal e íntima de cada ser humano.

É comum que a vítima só procure ajuda junto de  amigos e familiares quando se encontra já numa fase bastante avançada da repetição de comportamentos abusivos por parte do agressor, nomeadamente, quando se começa a aperceber que o risco de perder a vida é real e deveras assustador, tal como quando começa a interiorizar a ideia de que a situação já não tem ponto de retorno possível na medida em que o agressor não irá alterar os seus comportamentos (muito embora faça parte do padrão comportamental habitual de muitos agressores prometer às vítimas que cada vez que incorrem em comportamento abusivo será a última vez que tal sucederá).

O crime de violência doméstica é de tal forma grave e avassalador, sendo ainda transversal a classes sociais, que leva a que a vítima mergulhe num mundo de caos, um verdadeiro inferno Dantesco que, não raras vezes, termina com a morte destas às mãos o seu agressor. Especialmente insidiosa é a violência psicológica, na medida em que, sendo causadora de danos graves e persistentes, é a de mais difícil prova, considerando-se, nomeadamente, uma abordagem jurídica desta temática.

Poder-se-ia dizer que, em muitos destes casos, as vítimas "dormem com o inimigo", em absoluto silêncio face aos demais, dilacerando-lhes as esperanças, os sonhos, as emoções, mantendo-as absolutamente dominadas pelo medo, sequer de respirar, pois, bem sabem que dificilmente alguém as poderá proteger do seu agressor, pois este tem como último objectivo retirar-lhes a liberdade, e, em última análise, a vida!

Todavia, seria de extrema importância que começassem a existir iniciativas tendentes a  transmitir às vítimas que é possível fazer algo de diferente, que é importante investir nelas próprias e que é primordial que aprendam defender-se, em especial quando é consensual que toda a estrutura formal, por assim dizer, de que as mesmas dispõem para dar resposta a esta premente questão se revela manifestamente imperfeita e insuficiente para garantir a sua segurança e integridade físicas.

Trata-se de uma questão que implica uma reflexão profunda e que reclama a atenção de várias áreas do saber, nomeadamente: Direito, Psicologia, Sociologia e Antropologia.


“Todas as pessoas com quem você entra em contacto têm-lhe imposto medo, porque o medo é o oposto da liberdade. Quanto mais medo você tem, menor é a possibilidade de liberdade. Quanto mais medo existe, menor é a possibilidade de rebelião.” 

Osho

domingo, 18 de novembro de 2018

OPINIÃO | É terrorismo senhores...é terrorismo! | CARMEN MATOS e ISABEL DE ALMEIDA


Na sequência das últimas notícias que geraram polémica na nossa sociedade, mais uma polémica, desta feita sobre um grupo de pessoas que, de forma abnegada, movida por amor aos animais e que de mote próprio resolveram tentar equilibrar os pratos da balança no flagelo que existe, bastante enraizado, neste país – os maus tratos aos animais, é de extrema importância que se reflicta sobre este tema.

Na senda de um péssimo jornalismo que já vem sendo apanágio em Portugal, porque caracterizado pelo sensacionalismo barato, descontextualização de factos e parcialidade de juízos, porquanto não se fazendo cumprir o direito de contraditório, e talvez por uma inexistência de mais “desgraças” a expor, eis que se lançam, de forma leviana, suspeitas sobre a IRA – Intervenção e Resgate Animal, grupo este que não existe desde o dia de ontem e que nos últimos dois anos tem lutado, afincadamente, pelo auxílio de animais que se encontram em perigo, vítimas de abandono e maus tratos por parte daqueles que, supostamente, os deviam proteger.

Os elementos deste grupo têm, como qualquer um de nós, as suas vidas pessoais e profissionais, mas que num final de dia de trabalho e em prejuízo do convívio familiar, em determinados casos (previamente avaliados pela gravidade que nele constatem),  se encontram e organizam para serem os salvadores de animais que sofrem e são vítimas das mais atrozes intenções e actuações de seres, que nem sequer deviam ser apelidados de  humanos.

Quem acompanha este grupo de forma próxima, dando-se ao trabalho de  conhecer a sua missão, princípios, solidariedade e actuação, percebe claramente que serão um exemplo entre poucos, tendo tido a coragem e  a capacidade de se organizam de forma a ser “uma frente de combate forte e credível” neste flagelo que em pelo sec XXI ainda acontece, com muito mais incidência do que a desejada.

A expensas próprias dotaram-se de tudo o que fosse preciso para ajudar os animais, leitores de microchip, contactos com veterinários e clínicas, tudo o que fosse possível para que após um resgate se pudesse de forma cabal ajudar os animais, trata-los, alimentá-los, vaciná-los…

Mostraram, de forma inequívoca, que se importam e lançar as mãos à obra é bem mais produtivo do que se lamentar e pedir donativos, que as mais das vezes, não sabemos se chegam aos seus destinatários.

Destarte, é de fundamental importância recordar que nos incêndios que assolaram o país no ano transacto, em especial na tragédia de Pedrogão Grande, a IRA mobilizou equipas de resgate, organizou recolhas de alimentos para animais, providenciou apoio veterinário para os primeiros socorros de animais, ajudou inclusive a reconstruir abrigos que foram destruídos pelo fogo dantesco que existiu.

Outrossim, deve-se ainda relembrar que a IRA sempre colaborou com o SEPNA e até com as entidades policiais em diversos casos de resgate, como se prova quer pela página de facebook que têm e canal  no Youtube, para que de forma transparente mantenham actualizados os seus seguidores.

Não é menos verdade que são dos poucos que em situações de perigosidade têm a coragem de actuar, mesmo quando se trata de ir a acampamentos de pessoas de etnia cigana para resgatar animais deveras maltratados e muitas vezes utilizados como fábricas de produção de crias, sem qualquer apoio ou supervisão veterinários, rastreio de doenças e vacinação; Nestes ambientes hostis, bem sabemos que a actuação das nossas autoridades fica muitas vezes aquém do satisfatório…

Acompanhando de forma muito próxima, pelos meios já identificados, a actuação deste grupo de pessoas que considero de corajosas, destemidas e preocupadas, entendo que deve ser de realçar que a IRA, não aceitando donativos, faz também um excelente trabalho na angariação de fundos para o apoio aos animais vítimas de todos tipo de crueldades, naturais ou provocadas, a saber:  Para Pedrogão, arrecadaram toneladas de alimento para animais, fizeram diversas viagens para o distribuir, conseguiram disponibilizar apoio veterinário; No caso de Monchique arrecadaram 10 000 Euros em 24 horas para ajuda aos animais após os incêndios, e lançaram um projecto – HERCULES- que sem 72h conseguiram arrecadar 12000 Euros de 14000 Euros que precisavam, e felizmente já conseguiram na totalidade.

Para quem não sabe, o que será muito normal, pois trata-se de algo inovador, proactivo e muito positivo, logo, não sensacionalista, o projecto HÉRCULES, destina-se à aquisição de uma viatura para transformação, com valências de intervenção, in loco, com a disposição de estrutura hospitalar para fazer face Às necessidades de socorro médico-veterinárias, mormente:

Disponibilização dos primeiros-socorros a animais feridos, vítimas de incêndios ou outras catástrofes, em condições em iluminação, ambiente estéril e material insuficiente; posto de triagem para posterior encaminhamento dos animais feridos para hospitais veterinários locais;

Valências de Posto de Comando das equipas de Intervenção e Resgate: organização e planeamento das acções das equipas do IRA  e voluntários nos locais onde seja implementao o posto comando; acolhimento dos membros das equipas, dotado de estrutura para permanecer no local por vários dias;
Valências de apoio à autoridade veterinária municipal em campanhas CED (cães e gatos): sala de cirurgia para esterilização ao abrigo dos programas municipais CED;

Resposta de apoio à ANPC na vertente veterinária: coordenação voluntários; disponibilização de equipa quipá-veterinária, equipa de intervenção e resgate e toda logística para uma resposta imediata pró-animal;

Sensibilização comunitária: presença de viaturas de campanha de sensibilização para os direitos dos animais, em escolas e/ou eventos inerentes causa animal. 

Ora, isto que aqui se transcreve da própria página do IRA, é acessível a qualquer pessoa que queira, efectivamente saber em concreto qual a missão deste grupo, o que não será obviamente o caso de quem apenas quer denegrir aqueles que têm a ousadia, de fazer diferente, de se importar.

Concluí-se, portanto, que neste país, ser ousado, com o intuito de ajudar e exercendo uma forte componente social  conduz a que a  sua actuação seja  muito mais censurada que a actividades daqueles que através de offshores e jogos políticos e falacciosos desviaram milhões de bancos, votando famílias à pobreza e se tenham por impunes face à sociedade.

Mas na verdade, o que indigna alguns é o facto de, eventualmente, actuarem de capuz… e de supostamente a sua activividade estar a incorrer em tipologias de ilícitos criminais, quando nem sequer se lembram do plasmado no art 32º o Código Penal.

Uma sociedade com dois pesos e duas medidas, de valores invertidos e muitas “virgens ofendidas”.
Eu apoio a IRA  e como tal acredito que fazem a diferença, portanto, resta-me dizer OBRIGADA IRA!

Carmen Matos

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Na passada semana, após um serão de trabalho que se adentrou pela noite, uma reportagem no site da TVI24 surgiu no destaque da minha timeline no Facebook, tinha por tema alegadas investigações da Polícia Judiciária ao grupo IRA (Intervenção e Resgate Animal), o qual estaria acusado de Terrorismo e coacção sobre pessoas, através de força armada. 

A aludida peça jornalística continha em destaque vídeos que apresentavam um resumo da peça mais alargada emitida na televisão, com testemunhos de alegadas vítimas da IRA, bem como continha um vídeo humorístico, totalmente decontextualizado (facto este de que só me apercebi mais tarde, quando estranhando a extrema gravidade dos relatos e acusações decidi fazer uma pesquisa e avaliação pessoal e crítica mais alargada da questão).

Confesso que, não estando a par específica e detalhadamente, até agora, da acção deste grupo, inicialmente fiquei chocada, com a dureza dos relatos, com o teor do vídeo que mais tarde vim a saber ser humorístico, fiquei assustada e até chocada.

Gradualmente, através da página do próprio grupo no Facebook, e pela leitura de posts, vídeos, comentários (onde ficou evidente, mais uma vez, o clima de intranquilidade e polémica existente entre defensores da causa animal anti-tourada e os afficionados, o qual não será de todo alheio à necessidade de atingir na sua honra, bom nome os elementos da IRA), e ainda tendo acompanhado os desmentidos e esclarecimentos, bem como o completo contraditório que desmontou toda a reportage televisiva, comecei a ficar devidamente esclarecida!

Complementando a minha "investigação crítica", por assim dizer, tive ainda oportunidade de trocar impressões e esclarecer cabalmente a acção corajosa e nobre da IRA junto de amigos pessoais que acompanham estas iniciativas continuadas de apoio no terreno à causa animal desde o seu início.

Lamentavelmente, em Portugal, as pequenas "capelinhas de interesses", uma certa mentalidade retrógrada e conformista talvez decorrente da influência da canção nacional  - O Fado - levam a que, sem quaisquer vestígios de pudor, sejam considerados alvos a abater todos aqueles que se destacam pela diferença, que dão mais de si do que o comum dos cidadãos às causas que abraçam, que ousam querer mesmo dar o seu contributo para tornar o mundo ao menos um pouquinho melhor, mais justo e mais correcto.

Creio que, como eu, muitos leitores e usuários das redes sociais possam ter ficado, inicialmente chocados e até assustados, mas considerando que o número de seguidores da página oficial da IRA no Facebook aumentou exponencialmente, tendo em consideração que, entretanto, e num efeito dominó inversamente proporcional a toda a violentíssima publicidade negativa os fundos para o projecto HÉRCULES estão completamente reunidos, diria que "o feitiço se virou contra o feiticeiro"!

Atrevo-me ainda a especular se não poderão existir situações complexas e graves, essas sim a merecer  investigação criminal. de haver a possibilidade de intervenções criminosas a coberto do uso de falsa identidade da IRA, coisa que, infelizmente, bem conhecendo o país onde me coube em sorte nascer e viver, nada me espantaria.

O mundo precisa de pessoas que se destacam pela diferença positiva, por serem capazes de abraçar causas de corpo e alma, aplaudo a coragem da IRA e faço votos para que a justiça seja reposta pelos meios adequados!

Isabel de Almeida

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

LITERATURA | Uma História Antiga de Jonathan Littell | DOM QUIXOTE - Tradução de João Carlos Alvim

Nas livrarias a 13 de Novembro


Uma História Antiga é um romance que se inspira na novela com o mesmo título que Littell publicou em 2012, em França (Éditions Fata Morgana). Nesta impressionante ficção literária, o autor desenvolveu e prolongou ideias da novela, realizando uma proeza original e provocante.

Um narrador sai de uma piscina, troca de roupa e começa a correr num corredor cinzento. Descobre portas, que se abrem para diferentes territórios (casa, quarto de hotel, estúdio, cidade ou zona selvagem), lugares onde são interpretadas e reinterpretadas as relações humanas mais essenciais (a família, o casal, a solidão, o grupo, a guerra). Esses territórios são percorridos, e a corrida termina. Então, tudo recomeça. De maneira idêntica, mas não completamente, em cada um dos sete capítulos deste romance. Entre as sete variações é organizado um complexo jogo de recorrências (situações, imagens), ecos e dissemelhanças, num carrossel cativante, e tudo menos inofensivo, que institui a mutabilidade como norma. E a própria identidade do narrador vai-se metamorfoseando – por vezes homem, outras vezes mulher… hermafrodita… adulto… criança.

domingo, 11 de novembro de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS – Especial |Qual é o estilo de liderança mais eficaz: Autocrático, democrático, liberal ou visionário?” | ISABEL DE ALMEIDA e CARMEN MATOS


Na política, no âmbito da estratégia militar, no mundo empresarial e até em termos espirituais ou mesmo religiosos, historicamente, vem sendo transversal a actuação de diversos tipos de líderes, com estilos diversos de actuação dentro dos respectivos contextos em que se movem, e com resultados mais ou menos eficientes e mais ou menos bem conseguidos, fruto da sua influência sobre as populações-alvo, chamemos-lhe assim por uma questão de simplificação conceptual e terminológica, cujos destinos cabe orientar e reger, com vista a alcançar um determinado resultado muito preciso.

 A História contemporânea (tendo presente exemplos mais recentes em termos temporais) traz-nos, de imediato à mente, num simples exercício de reflexão, diversos líderes mais ou menos bem-sucedidos e que deixaram o seu cunho pessoal nos meios onde se moveram, de modo positivo ou deveras negativo. Em termos lógicos, racionais e de bom senso, é consensual que Winston Churchill foi um bom líder em termos de condução dos destinos da Inglaterra (e da Europa e do mundo, em última análise, atenta a repercussão de um conflito bélico mundial em várias regiões do mundo), assim como é também consensual (sempre no plano da racionalidade e da lógica, até em termos humanitários) que Hitler foi um líder autocrático, megalómano e irracional, cujos resultados finais da liderança política dos destinos da Alemanha foram dos mais catastróficos e dolorosos para a humanidade.

Lamentavelmente, nos tempos actuais assistimos, num crescendo, ao ressurgir de estilos de liderança que colidem, ou no mínimo, ferem o sentido democrático (na sua génese ao nível meramente teórico, porquanto sabe-se que, na prática, o conceito de democracia sempre esteve eivado de fragilidades desde o início) que seria suposto existir em sociedades e países ditos evoluídos, existindo como que uma obrigação moral de carácter universal (tantas vezes e diariamente violada) de respeitar os mais basilares e essenciais direitos humanos, desde logo, à luz de textos jurídicos de Direito Internacional de que é exemplo a Convenção Europeia dos Direitos do Homem. 

Todavia, ostensivamente, a democracia, que nasceu imperfeita na Grécia Clássica, continua imperfeita mesmo perante os vários séculos de história que separam o seu surgimento da sua vivência nos dias de hoje, e este circunstancialismo é ponto assente!

Sendo certo que na sociedade existem estruturas de consolidação, evolução e funcionamento, é também evidente a necessidade e existência de liderança, nos diferentes planos de actuação e consequentemente é natural, necessário e expectável o aparecimento de líderes.

A liderança é, tão somente, a arte de comandar pessoas, potenciando seguidores e influenciando de forma positiva quer mentalidades, quer comportamentos, podendo ser informal, porquanto surge de forma natural, ou formal, porque determinado líder foi eleito numa estrutura ou organização e passa, assim, a assumir um cargo ou autoridade específica.

A pessoa que se destaca em determinado contexto e que consegue aglutinar um grupo e unir esses mesmos elementos, torna-se um líder, sendo tal qualificação potenciada pela existência de carisma, paciência, respeito, disciplina e capacidade de influenciar os subordinados, estando estas características subjacentes ao perfil de líder, idealmente considerado em termos teóricos.

Efectivamente, a liderança encontra-se em todos os momentos e situações, tanto de âmbito pessoal (grupos de amigos, família, escola) como em âmbito organizacional (trabalho).

Destarte, a panóplia de tipos de liderança é diversa e entre estes tipos poderemos encontrar a autocrática (identificada stritu sensu pelo autoritarismo, pela falta de escuta activa e desmotivação), democrática (liderança participativa com debate pré-decisões) e liberal (as decisões são delegadas e a participação do líder é limitada, existindo mesmo o risco da parte deste, de um quase total alheamento quanto do desempenho daquelas que seriam as suas funções, o que pode redundar numa situação verdadeiramente anárquica, correspondente à ausência de liderança).

Não obstante a existência de diferentes tipos de liderança, depara-mo-nos também com tipos diferentes de líderes, como sendo: o autoritário (cuja opinião prevalece sobre tudo e todos, sendo pois, dominador e como tal assemelhando-se mais a um chefe que líder); visionário (possui senso de oportunidade e optimismo no exercício das funções que lhe estão confiadas, sendo empreendedor e com predisposição para correr riscos); liberal (deixa os colaboradores exercerem as funções e tomarem as próprias decisões); democrático (encoraja à participação de todos, preocupando-se com o trabalho e com o grupo como um todo); motivador (capaz de unir pessoas, propósitos e objectivos com o seu exemplo); líder coach (estimula novas habilidades e potencia as melhores aptidões e competências de cada colaborador); técnica (é respeitado por ser aquele que detém o maior conhecimento, capacidade e aptidão sobre determinado assunto).

Outrossim, é de salientar que existem princípios-chave que podem indiciar a existência de líderes de excepção, cite-se, a título de exemplo, alguns destes princípios de actuação: capacidade de saber criticar construtivamente, de reconhecer os seus próprios erros perante a equipa, sugerir ao invés de ordenar, elogiar os pontos fortes, esperar e fomentar a excelência, tornar os desafios mais fáceis, fomentar a satisfação dos seus colaboradores na realização do seu trabalho, e envolver os colaboradores numa verdadeira missão comum em prol de um objectivo que é também bem visto e desejado por toda a equipa.

Não menos importante é assinalar que, pese embora existam líderes natos, que apresentam diversas qualidades inerentes à sua personalidade, tais como: extroversão, empatia e um alto grau de inteligência social, assertividade, espírito de equipa, inteligência emocional, capacidade de pensar “fora da caixa” e de estimular estas mesmas características na respectiva equipa, também não é menos verdade que este tipo de capacidades podem ser potenciadas e exercitadas com o apoio de especialistas em diversas áreas de conhecimento (é hoje comum e de reconhecido mérito e elevada valia o recurso crescente a acções de formação e prática de coaching em diversos âmbitos, e tal aplica-se tanto em contextos organizacionais, quanto ao nível de programas de desenvolvimento pessoal que procuram dotar os indivíduos de uma necessária polivalência tendo por base um inicial auto-conhecimento).

De lamentar, contudo, que nos tempos que correm os exemplos de liderança autocrática proliferam e começam a dominar cargos de elevada importância social, económica e política, sendo de destacar que, apesar de o mundo se encontrar em “suposta” evolução, se assiste a uma involução a este nível que poderá vir a ter gravosas repercussões em diversos planos.

São diversos os exemplos de líderes que representam países com elevado peso mundial e que se pautam por uma gritante falta de democracia, impondo ideias, valores e regras altamente atentatórias dos direitos dos cidadãos, e chegando mesmo a banalizar esta postura, que começa a ser vista como normativa por muitos cidadãos, iludidos pelo populismo fácil.

Numa época em que o descrédito se generalizou, por exemplo, no poder político, a nível mundial, aumenta o aparecimento de líderes autocráticos, pois as suas opiniões prevalecem em todas as situações, tomando só para si as decisões e não promovendo a participação de outros.

Constatamos esta realidade relativamente a situações mais triviais, quanto no que diz respeito  às questões mais complexas, desde o funcionário mais relapso da hierarquia ao mais elevado, pois, na realidade, este tipo de liderança deriva de forma muito instintiva da natureza da pessoa.

Passar de uma posição do “quero, posso e mando” a uma situação de auscultação de terceiros para decisões ponderadas e aglomeradoras é um exercício que exige empenho, vontade, tempo, inteligência emocional e social e uma mentalidade flexível, não egocêntrica nem pautada por traços narcísicos. 

Quando as evidências apontam no sentido de uma crescente onda de desequilíbrio em termos de saúde mental, torna-se, por vezes, algo assustador pensar na séria probabilidade de a ratio de líderes passíveis de alcançar resultados positivos ser inferior às reais necessidades da sociedade hodierna, o que coloca em perigo, em última análise, a própria evolução futura da humanidade, numa visão que assumimos como catastrofista, mas que não deixa de ter por base diversos exemplos bastante realistas a que diariamente assistimos no mundo!

“As qualidades desaparecem sob as críticas, mas florescem sob encorajamento”

Dale Carnegie


“Um líder é alguém que sabe o que quer alcançar e consegue comunicá-lo”

Margaret Tatcher

LITERATURA | O Fim do Fim da Terra de Jonathan Franzen | DOM QUIXOTE (Ensaios) - Tradução de Francisco Agarez

Nas livrarias a 13 de Novembro
Publicação em simultâneo com a edição americana.


Um conjunto de ensaios e discursos escritos na sua maioria nos últimos cinco anos. Nesta obra, Jonathan Franzen regressa com uma energia renovada aos temas que há muito o preocupam. Seja explorando o seu complexo relacionamento com o tio, recordando a sua vida de jovem adulto em Nova Iorque ou proporcionando-nos uma perspetiva esclarecedora da crise das aves marinhas à escala mundial, estes textos contêm toda a inteligência e realismo desencantado que nos habituámos a encontrar em Franzen. No seu conjunto, desenham a evolução de um pensamento original e maduro em luta consigo próprio, com a literatura e com algumas das questões mais importantes dos nossos dias, que o atual ambiente político torna ainda mais prementes, tais como as alterações climáticas e as promessas e armadilhas das redes sociais, da tecnologia e do consumismo.

Mais do que um astuto cronista, Franzen é um guia que nos mostra onde as instituições e ferramentas que construímos nos podem levar no futuro – e os perigos que nos esperam ao longo do caminho.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

LITERATURA | José e os Seus Irmãos I - As Histórias de Jaacob de Thomas Mann | DOM QUIXOTE - Tradução de Gilda Lopes Encarnação

Nas livrarias a 13 de Novembro


Thomas Mann considerou esta monumental narrativa da história bíblica de José como a sua magnum opus. Concebeu-a em quatro partes – As Histórias de Jaacob, O Jovem José, José no Egito e José, o Provedor – como uma narrativa unificada, um “romance mitológico” da queda de José na escravidão e da sua ascensão a senhor do Egito. Baseado num profundo estudo da História, e utilizando detalhes pródigos e convincentes, Mann evoca o mundo mítico dos patriarcas e dos faraós, as antigas civilizações do Egito, da Mesopotâmia e da Palestina – com as suas divindades e rituais religiosos –, e a força universal do amor humano em toda a sua beleza, desespero, absurdo e dor. O resultado é uma brilhante amálgama de ironia, humor, emoção, perceção psicológica e grandeza épica.

Pela primeira vez traduzido directamente do alemão, e respeitando as opções de Thomas Mann – como se pode constatar na grafia do nome Jaacob –, esta tradução revela a exuberante polifonia de antigas e modernas vozes do romance de Mann, uma música rica que é, ao mesmo tempo, elegante, rude e sublime.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

À conversa com a escritora ROBIN HOBB


Margaret Astrid Lindholm Ogden nasceu na Califórnia em 1952, utiliza o pseudónimo Robin Hobb o mesmo que lhe viria a abrir as portas do mundo editorial com estonteantes vendas e projecção internacional.
Era muito nova quando se mudou com a família da Califórnia para o Alasca mas como o mundo da ficção se mistura com a realidade na sua nova casa ganhou um novo companheiro de aventuras, Bruno, um hibrido de cão e lobo com o qual se sentia segura o suficiente para se embrenhar pela densa floresta que rodeava a casa deixando a imaginação guiá-la.
No início da sua carreira escrevia para jornais locais, revistas juvenis, e em 1981 foi premiada pelo Conselho Estadual do Alasca pelo seu conto “A Caça Furtiva”, em 1983 escreveu o seu primeiro romance. foi nomeada para os prémios Hugo e Nébula e foi vencedora do prémio Asimov.
Mais tarde casou-se com um pescador e mudou-se para a ilha de Kodiak, foi através do marido que aprendeu a amar tudo o que dizia respeito ao mar.
Tem quatro filhos e netos e vive actualmente no estado de Washinghton.
Somente em 1995, após conversa com o seu agente decidiu criar um nome que se adequasse ao seu novo estilo de escrita com a publicação de “O aprendiz de assassino” Robin Hobb era finalmente catapultada para a fama e sucesso.
De ressalvar ainda como surge a série de fantasia mais popular de Robin Hobb, de acordo com a própria tudo começou com a descoberta de um pedaço de papel que conservava guardado no fundo de uma gaveta e que dizia simplesmente: “E se a magia fosse viciante? E se esse vicio fosse completamente destrutivo?”.
Os seus livros estão traduzidos em mais de vinte línguas, ganhou diversos prémios através da Europa como o Prémio da Fantasia do Elfo na Holanda, o Prémio Imaginales pelo trabalho traduzido em França e mais perto de casa ganhou o Prémio Endeavor por trabalhos publicados no Noroeste do Pacífico, venceu ainda este ano o prémio Gemmel em Inglaterra para melhor romance com o livro Assassin’s Fate, o último livro da série do Assassino e o Bobo. O livro será publicado brevemente em Portugal em dois volumes, “A Viagem do Assassino” e “O Destino do Assassino”.
E mais recente ganhou o Prémio Israeli Geffen para o melhor romance de fantasia com o livro “O Assassino do Bobo”, o seu trabalho continua a ser nomeado para os prémios Hugo, Locus e Nebula.
Robin continua a escrever pequenas estórias de ficção como Megan Lindholm.
A verdade é que sempre soube que queria escrever.


MBC – Como prefere ser conhecida por Margaret, Megan ou Robbin?
RH - Sou definitivamente Robin.

MBC – É a primeira vez que visita Portugal?
RH – Sim é a minha primeira vez.

MBC – Foi difícil conciliar a sua paixão pela escrita com o seu dia a dia de profissional, mulher, mãe, dona de casa?
RH - É um acto de equilíbrio. Acho que é importante que as pessoas percebam que as crianças vêm sempre em primeiro lugar, primeiro sou mãe e só depois tenho um trabalho e algo de que gosto muito. Quando comecei a escrever tinha filhos pequenos e rapidamente percebi que não podia ter um sistema para escrever peguei sempre em todos os pequenos momentos livres que conseguia durante o dia quando dormiam, brincavam, viam televisão, sentava-me na mesa enquanto os observava e escrevia. Devo confessar que a minha casa nunca estava limpa como gostaria, que a minha relva ficava muitas vezes por cortar porque a verdade é que quando a oportunidade para escrever aparecia eu aproveitava-a.

MBC – Confesso que fiquei apaixonada quando tomei conhecimento da sua relação com o cão Lobo Bruno, pode fala-nos um pouco sobre esse tempo?
RH - Quando nos mudámos para o Alasca existia um cão no nosso bairro, e quando digo bairro refiro-me às casas estarem afastadas por hectares umas das outras, uma das coisas que dizemos no Alasca é que se à noite conseguires ver as luzes do vizinho está na hora de mudares. Víamos o Bruno como um rafeiro e a história que se contava sobre ele é que tinha sido criado como animal de estimação de alguém, mas que, entretanto, tinha sido amarrado e fugira. Quando o vimos pela primeira vez coxeava, mas vinha até à nossa casa e começámos a alimentá-lo. O meu pai conseguiu fazer com que confiasse nele o suficiente para se aproximar e tirar-lhe o espinho que o feria depois de o tratarmos gradualmente começou a ficar na nossa casa e tornou-se parte da nossa família. Os vizinhos contaram-nos que devia ser uma mistura de cão pastor branco e de Lobo, era um cão enorme e esteve connosco durante muitos anos. Eu estava muito habituada a viver perto de florestas, mas com este cão percorria a floresta encostada à minha casa durante horas sabendo que ele garantia o meu regresso em segurança.

MBC – As paisagens do Alasca têm alguma influência em tudo o que escreve?
RH – Nem por isso. Desde que me lembro que sempre quis ser escritora. Na minha adolescência escrevia vários inícios de estórias, mas nunca me conseguia comprometer com um final, porém estava sempre a escrever. Desse tempo guardei somente alguns rascunhos e alguns diários que já nem existem.

MBC – O seu marido é o seu maior crítico?
RH - O meu marido não lê nada do que escrevo e o motivo para isso é que no inicio da minha carreira estava a escrever sobre uma personagem que ia morrer de uma maneira suja, ele leu as primeiras páginas e disse-me que a personagem que estava a descrever era muito parecida com uma pessoa nossa conhecida, o Bruce, depois de pensar confirmei que tinha razão era realmente parecida foi quando o meu marido me disse que não ia continuar a ler a estória porque não achava bem que eu matasse os amigos. O que percebi foi que o meu marido conhece-me tão bem que não estava a ler o que escrevia, mas que me lia a mim. É por esse motivo que penso que se queres ser um escritor deves ter alguém que leia e critique a tua estória, alguém que não te conheça porque se estás a escrever e descreves locais como o cinema ou a casa de waffles do outro lado da rua e por aí em diante os teus conhecidos reconhecem de imediato os locais aos quais te referes. Por esse motivo é melhor distanciarmo-nos e termos alguém de fora a criticar-nos e aconselhar-nos.

MBC – E os seus filhos e netos serão eles os seus maiores fans e críticos?
RH – A verdade é que alguns deles leram, outros não, uns vieram a tornar-se fervorosos leitores enquanto que os outros preferem documentários.

MBC - Baseia os seus personagens na sua família, em conhecidos?
RH - Nunca o faço deliberadamente, não tenho por hábito colocar pessoas que conheço nos meus livros possivelmente somente algumas das suas características que me prendam a atenção, como certa pessoa anda, pega na caneca do café, como fuma um cigarro, como se veste. Por exemplo não podemos tirar uma mulher moderna e colocá-la num mundo de fantasia, ela tem ideias, consciência de que é dona do seu próprio espaço, teria que existir uma razão para o fazermos.  

MBC - O que sentiu quando percebeu que a aceitação dos seus livros era maior quando
se apresentava como Robin Hobb, quando na realidade continuava a ser a Megan?
RH - Comecei a escrever com o diminutivo do meu nome de solteira, Megan Lindholm quando escrevia histórias para crianças, fantasia e ficção científica. Escrevia em todos os géneros da fantasia mas os leitores gostam de saber o que leem, se for conhecida por escrever westerns e depois escrevo um romance que se passa em Nova Iorque com o mesmo nome de autor o leitor que me siga não irá ficar satisfeito se comprar um dos meus livros a pensar que é um western e sai-lhe algo completamente diferente ou vice-versa. Por isso quando tanto eu como o meu agente nos apercebemos que queria escrever fantasia épica e sempre mais do que um livro dentro do mesmo género disse-me que precisávamos de separar a escrita e aconselhou-me a pensar num nome diferente, divertimo-nos imenso a ler o nome escolhido. Além de que é uma forma de escrita totalmente diferente da de Megan que é muito mais cínica e não explica detalhadamente as situações nem é tão emocional por isso é um estilo de escrita diferente e ainda hoje quando tenho uma nova ideia sobre o que quero escrever sei automaticamente se é para ser escrito pela Megan ou pela Robin. Quando adoptei este nome não dei muitas entrevistas, nem anunciei a mudança, não foi tanto para tentar parecer que era um homem que escrevia foi mais para baixar a pressão de descrença que pudesse surgir. Quando escrevi a trilogia Farseer escrevi como a personagem principal que era um homem porque quis facilitar a entrada na estória tornando-a mais fácil para o leitor.

MBC – Consta que descobriu um pedaço de papel que conservava guardado no fundo de uma gaveta e que esse foi o incentivo necessário para começar a escrever a Trilogia Farseer.
RH - É verdade, era um envelope rasgado ao meio que guardava na gaveta porque nunca fui suficientemente organizada para ter pequenos livros de anotações isto aconteceu no inicio da minha carreira quando ainda escrevia como Megan, aconteceu quando atingi um ponto difícil no livro que estava a escrever e de repente tens outra ideia que é mais bonita, mais brilhante e muito mais fácil de escrever, ou uma ideia que não se adequa ao que está a escrever presentemente a frase era: “E se a magia fosse viciante? E se esse vicio fosse completamente destrutivo?”. Nesse momento soube que tinha que tirar a frase da minha mente e acabar a estória na qual estava a trabalhar na altura. Por isso voltei a guardar o envelope rasgado dentro da gaveta onde mantinha uma série de outros papeis, e ali ficou durante mais um tempo.

MBC - Ainda tem essa secretária?
RH – Não, essa secretária há muito que desapareceu bem como a casa. Mas só Deus sabe o que guardo no meu escritório.

MBC – O desenho detalhado das casas, dos mapas partiram de si ou foram sugeridos?
RH - Não faço mapas porque infelizmente tenho uma noção muito má das distâncias, neste momento não conseguiria dizer a distância que nos separa por esse motivo sou terrível a desenhar mapas. Cada tradução tem as suas próprias opções artísticas para as capas, os mapas do terreno, o detalhe das casas.  O que acontece é que normalmente envio para o meu editor rabiscos de um mapa no qual se baseiam. Se virem os primeiros livros do aprendiz de assassino podem repara que o mapa na edição inglesa é totalmente diferente do mapa na edição americana.

MBC - O festival Bang é anual e consegue colmatar a curiosidade que os leitores de literatura fantástica têm sobre quem escreve os livros que os transportam para lá da imaginação por esse motivo qual espera ser a sua recepção de boas-vindas amanhã no Festival Bang?
RH - Todos os festivais são diferentes costumo ir aos Comic Con nos Estados Unidos e é sempre diferente por isso terei que esperar para ver.

MBC - Quer deixar uma mensagem aos leitores portugueses?
RH - Muito obrigada pelo vosso apoio.


Texto: MBarreto Condado
Fotos: Mário Ramires