sábado, 28 de março de 2026

QUEM DIZ E QUEM CALA, de CHIARA VALERIO | DOM QUIXOTE

Scauri, no mar Tirreno, a menos de duas horas de Nápoles e de Roma, é o destino habitual de mais de cem mil veraneantes; mas no inverno é uma aldeia pacata, nem bonita nem feia, onde vive a jovem advogada Lea Russo que, apesar de tudo, talvez preferisse morar num lugar mais sofisticado.

Mesmo assim, a chegada de Vittoria, uma mulher citadina de meia-idade que veio acompanhada de Mara – uma rapariga que não se sabe se é sua filha adotiva, protegida ou amante –, acabou por animar as hostes daquele lugar, sobretudo porque Vittoria é muitíssimo interessante e comunicativa (embora nunca deixe saber mais de si própria do que realmente quer) e por ali prometeu ficar, dado que comprou casa em Scauri. Como seria de esperar, Lea e Vittoria tornam-se, com o tempo, grandes amigas.

Depois de um fim de semana fora, em casa de amigos, a notícia que Lea e o marido recebem no regresso é terrível: Vittoria foi vítima de um estúpido acidente na banheira e morreu. Lea fica incrédula e, quando fala com Mara sobre o assunto, não se convence do que esta lhe conta; e menos convencida fica de que se tratou de um mero acidente quando aparece na aldeia para tratar de testamentos e heranças o distinto marido de Vittoria…


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | CHIARA VALERIO

Chiara Valerio é uma escritora, ensaísta, editora, tradutora e coargumentista cinematográfica italiana que nasceu em Scauri, no ano de 1978, e que atualmente vive em Roma.

É doutorada em Matemática pela Universidade de Nápoles Frederico II, algo que explica o feliz cruzamento entre o universo científico e literário que encontramos em obras como Storia umana della matematica (2016) ou La matematica è politica (2020).
Publicou vários romances, dos quais se destacam Almanacco del giorno prima (2014), que lhe valeu o Premio Fiesole Narrativa Under 40; Così per sempre (2022), distinguido com o Bridge Book Award para ficção escrita em italiano; e este Quem Diz e Quem Cala (2024), finalista do Prémio Strega no ano da sua publicação.
Além de ser editora de ficção italiana na Marsilio Editori, colabora com a estação de rádio Rai Radio 3 e é cronista nos jornais La Repubblica e L’Espresso e na revista Vanity Fair.

quinta-feira, 26 de março de 2026

AUTORES NACIONAIS | JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS


José Carlos de Vasconcelos nasceu em 1940, em Freamunde.

Viveu na Póvoa de Varzim, onde começou muito cedo a colaborar em jornais e a ter intensa atividade cultural e associativa.
Cursou Direito em Coimbra, sendo destacado dirigente estudantil, nomeadamente presidente da assembleia magna da Associação Académica, fundador e presidente do Círculo de Estudos Literários, ator e membro do conselho artístico do TEUC, dirigente do Cineclube e chefe de redação da revista de cultura Vértice.
Já licenciado, foi para a redação do Diário de Lisboa.
Como advogado, foi defensor de presos políticos no Tribunal Plenário, e de escritores, artistas e jornalistas acusados sobretudo de «abuso de liberdade de imprensa».
Fez inúmeras sessões de leitura de poesia, só ou acompanhado por Carlos Paredes, e participou em sessões de Canto Livre, com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais, entre outros.
Após o 25 de Abril esteve na direção do Diário de Notícias e da informação da RTP. Nesta fez, em 1974, com Fernando Assis Pacheco, o primeiro programa literário, Escrever É Lutar, e foi comentador durante muitos anos e membro do seu Conselho de Opinião.
Fundou, com outros profissionais de informação, o semanário O Jornal, grupo Projornal, propriedade dos próprios jornalistas, de que foi diretor editorial/líder, criando outros títulos, entre eles, em 1981, o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, quinzenário único nos países de língua portuguesa, dirigindo-o sempre, desde o início.
A chancela O Jornal editou também livros de importantes escritores portugueses e brasileiros; e a Projornal criou, com um grupo de profissionais de rádio, a TSF/Rádio Jornal.
Igualmente foi fundador, e diretor editorial, da revista Visão.
Presidiu à assembleia e conselho geral do Sindicato dos Jornalistas e à direção e assembleia do Clube de Jornalistas.
Além da sua atividade cívica e política, incluindo ter sido deputado, recebeu numerosos prémios e distinções em Portugal e no Brasil.
Tem editados dez títulos de poesia (o último em 2013), três infantojuvenis, dois de entrevistas, um sobre Lei de Imprensa/Liberdade de Imprensa e outro de textos sobre a Póvoa de Varzim, tendo vários outros livros em preparação.

quarta-feira, 25 de março de 2026

RAPARIGAS MORTAS, de SELVA ALMADA | DOM QUIXOTE

 

«Três adolescentes de província assassinadas nos anos oitenta, três mortes impunes ocorridas quando ainda, no nosso país, desconhecíamos o termo femicídio.»

Três assassínios entre centenas que não chegam aos títulos de capa nem atraem as câmaras dos canais de TV de Buenos Aires. Três casos que chegam desordenados: são anunciados na rádio, recordados no jornal de uma cidade, alguém fala deles numa conversa. Três crimes ocorridos no interior da Argentina, enquanto este país festejava o regresso da democracia. Três mortes sem culpados. Convertidos em obsessão com o passar dos anos, estes casos dão lugar a uma investigação atípica e infrutífera. A prosa nítida de Selva Almada plasma em negro o invisível, e as formas quotidianas da violência contra meninas e mulheres passam a integrar uma mesma trama intensa e vívida.

Inscrevendo-se no género romance não ficção, inaugurado por Truman Capote, Raparigas Mortas é uma obra singular. Combinando perceções e lembranças pessoais com a investigação de três femicídios no interior da Argentina durante a década de 80, Selva Almada revela, de modo subtil, a ferocidade do machismo e o desamparo das mulheres pobres, ao mesmo tempo que abre novos rumos à narrativa latino-americana.

terça-feira, 24 de março de 2026

NÃO É UM RIO, de SELVA ALMADA | DOM QUIXOTE


Tão perturbador e intenso como um sonho profético, Não É um Rio é um romance magistral sobre masculinidade, culpa e desejo irreprimível, mas também sobre o amor entre amigos e o amor dos ilhéus pelo seu rio e tudo o que nele vive.

Enero e o Negro vão à pesca com Tilo - o filho adolescente de Eusébio, o amigo que morreu -, regressando à ilha onde costumam ir há anos, apesar da memória de um terrível acidente ali ocorrido. Enquanto bebem, cozinham, falam e dançam, lutam com os fantasmas do passado e do presente, que se confundem no ânimo alterado pelo vinho e pelo torpor.

Uma rede mistura realidade e sonho, factos e conjeturas, ilhéus, água, noite, fogo, peixes, bichos. Os três são intrusos, e este momento íntimo e peculiar coloca-os em desacordo com os habitantes - humanos e não humanos - deste universo natural rodeado de água e regido pelas suas próprias leis. Há perdas, mortes prematuras… Mas há também a vitalidade obstinada da natureza. Quando a floresta se começar a fechar sobre eles, e a violência parecer inevitável, será que outra tragédia está destinada a ocorrer?

Humano, mas ao mesmo tempo animal e vegetal, este romance flui como um rio, uma longa conversa ou o afeto entre seres que se amam: mães, filhos, irmãos, amigos, amantes, afilhados.

Com a sua prosa precisa e económica, e a sua extraordinária sensibilidade, Selva Almada mostra novamente porque é considerada uma das vozes mais originais da atual literatura latino-americana

segunda-feira, 23 de março de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | SELVA ALMADA

Selva Almada (Entre Ríos, Argentina, 1973) é considerada uma das vozes mais originais e poderosas da literatura latino-americana.
Com uma obra traduzida em inúmeras línguas, recebeu rasgados elogios logo com o seu primeiro romance, este mesmo O Vento Que Arrasa (2012), considerado o melhor livro do ano no momento da publicação e vencedor do First Book Award no Festival Internacional do Livro de Edimburgo, em 2019.
Ladrilleros (2013), o seu segundo romance, foi finalista do Prémio Tigre Juan (Espanha), e Raparigas Mortas (2014) foi finalista do Prémio Rodolfo Walsh, da Semana Negra de Gijón (Espanha), para a melhor obra de não ficção de género negro. Não É Um Rio (2020) foi distinguido com o Prémio IILA-Letteratura 2023 (Itália) e foi finalista do IV Prémio Bienal de Romance Mario Vargas Llosa (2021) e do Prémio Fundación Medifé Filba 2021 (Argentina), recebendo ainda uma menção especial no Prémio Nacional de Romance Sara Gallardo 2021 (Argentina); em 2024, foi finalista do Prémio Booker Internacional.
 

domingo, 22 de março de 2026

O VENTO QUE ARRASA, de SELVA ALMADA | DOM QUIXOTE

 

O calor sufoca no monte chaquenho. Choverá? Apeados por uma falha mecânica, o Reverendo Pearson e a sua filha Leni esperam pacientes que o Gringo Brauer e Tapioca – o rapaz que há uns anos foi deixado ao seu cuidado – possam repará-la para seguirem caminho. Nesse cemitério de carros desmantelados e sucata agrícola, os adolescentes passam o tempo e os adultos conversam sobre as suas próprias vidas.
O encontro inesperado mudará todos. Pais dos seus filhos, por sua vez filhos também, os adultos ver-se-ão confrontados com as suas crenças e passados, uma forma de se prepararem para o que há de vir.