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Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.
Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.
O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.
Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.
Carla Pais, nascida em 1979, é natural da freguesia de Regueira de Pontes e reside atualmente em França.
Autora do romance Mea Culpa, finalista do Prémio APE 2018, tem sido premiada nos vários géneros literários, nomeadamente na poesia, onde venceu a primeira edição do prémio de poesia Francisco Rodrigues Lobo com a obra A Instrumentação do Fogo.
O seu romance Um Cão Deitado à Fossa foi galardoado com o prémio Cidade de Almada 2018 e o Prémio SPA para o melhor livro de ficção narrativa 2023. E o mais recente romance, A Sombra das Árvores no Inverno, venceu o Prémio LeYa 2025.

Céline, filha de uma prostituta que acabou esfaqueada no Bois de Boulogne, em Paris, passa a adolescência numa instituição e acaba por juntar-se a um imigrante do Mali, que se orgulha de ter uma farda com boné e tudo, mas é atropelado pelo destino e acusado de um crime que não cometeu.
Aïsha - filha de um sábio que entende a linguagem das pedras e lê nos sinais da natureza o presságio da destruição - vive numa cidade prestes a ser invadida pelos jihadistas e vê-se obrigada a esconder os filhos num abrigo improvisado, enquanto o marido permanece no hospital em ruínas, ajudando a salvar vidas Nadia, que carrega uma pesada culpa desde a infância, enfrenta a dor de ter um filho aliciado por redes extremistas. Desesperada, tenta sobreviver à ausência e encontra forças para acolher duas crianças refugiadas que chegam completamente sós, arrastando com elas o peso da guerra.
As vidas de todas estas personagens entrelaçam-se num percurso de separações, de perdas e de reconstrução possível. A Sombra das Árvores no Inverno - vencedor do Prémio LeYa por unanimidade - é um romance sobre famílias quebradas pela violência e pelo fanatismo, mas também sobre a ternura, o instinto de proteção e a coragem silenciosa capazes de renascer no meio do caos.
Iris Wolff, nascida no período da Cortina de Ferro, na Transilvânia, em 1977, emigrou para a Alemanha em 1985 e mora em Freiburg im Breisgau. É uma escritora premiada cuja obra transporta o leitor para o coração da sua antiga terra natal. O destino dos que ficam e daqueles que escolhem emigrar é o tema constante e poderoso que permeia seus romances.Além de Clareiras (2024, agora editado em Portugal), é ainda autora de outros quatro romances.
Bestseller na Alemanha, a sua obra foi traduzida para diversos idiomas, recebeu ampla aclamação e inúmeros prémios literários, incluindo o Prémio Marie-Luise-Kaschnitz; o Prémio Literário de Solothurn; o Prémio Chamisso de Dresden (2023), para uma obra literária baseada na experiência de um migrante que contribui para o intercâmbio europeu; o Prémio de Literatura da Fundação Konrad Adenauer (2025), que homenageia escritores que dão voz à liberdade; o Prémio Spycher e o Prémio Uwe-Johnson, para obras literárias de destaque; e nomeações para o Prémio do Livro da Baviera e o Prémio do Livro Alemão.
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Na Roménia comunista, com o seu legado multiétnico, cuja diversidade é uma riqueza silenciada, o destino aproxima Lev - um rapaz acamado - de Kato, uma rapariga que gosta de desenhar e veste demasiado cedo o casaco da solidão. Kato vai ajudar Lev com a matéria das aulas, mas o que começa como um gesto imposto pela escola torna-se, para ambos, uma amizade inesperada que devolve a Lev a saúde e oferece a Kato um lugar onde finalmente pode repousar.
Anos depois, já adultos, os caminhos de sempre continuam a chamar por Lev, como um pássaro que não tem coragem de sair da gaiola mesmo com esta aberta, enquanto Kato voou e partiu para o Ocidente, à procura de um horizonte mais vasto. O que os une agora são apenas os postais que ela lhe envia - pequenas janelas para vidas que poderiam ter sido partilhadas. Até ao dia em que chega um postal de Zurique, com uma pergunta simples e desarmante: «Quando vens?» E então reabre-se a porta para o passado, vivo, íntimo, incontornável.
Este é um romance luminoso sobre a forma como duas vidas podem tocar-se e transformar-se para sempre, em que a memória se entrelaça com a História, e cada gesto, cada silêncio e cada paisagem - até cada clareira na floresta - transporta a polifonia de um país e as vidas daqueles que sobreviveram aos regimes e às suas fragilidades com a força dos laços humanos e dos reencontros.