domingo, 12 de abril de 2026
UM CHAPÉU DE LEOPARDO, de ANNE SERRE | DOM QUIXOTE
Aclamado como o romance mais comovente de Anne Serre até ao momento e uma «obra-prima de simplicidade, emoção e elegância», Um Chapéu de Leopardo é a história de uma intensa amizade entre o Narrador e Fanny, sua amiga de infância, que sofre de doença psíquica.Vivendo sempre entre a esperança e o desespero, Fanny deixa transparecer, de forma intermitente, várias facetas da sua personalidade, como a Fanny divertida que um dia roubou um chapéu de leopardo. Porém, essa faceta permanece quase sempre oculta, revelando sobretudo uma Fanny que carrega o peso insuportável da tristeza. É uma pessoa diferente - e essa diferença é aquilo que o Narrador questiona incansavelmente, tal como a autora questiona de forma lúdica a própria forma do romance, levando-nos frequentemente a pensar que o Narrador é, no fundo, o seu alter ego.
Escrito após o suicídio da irmã mais nova de Anne Serre, que tinha uma doença mental, Um Chapéu de Leopardo pode ser lido como a celebração de uma vida tragicamente interrompida ou como uma despedida incrivelmente bela e sensível.
sábado, 11 de abril de 2026
AUTORES INTERNACIONAIS, DAVID UCLÉS
David Uclés (Úbeda, 1990), licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, é, além disso, escritor, músico e desenhador. Publicou os romances A Península das Casas Vazias (2024), Emilio y Octubre (2020) e El llanto del león (2019; Prémio Complutense de Literatura). A Península das Casas Vazias, narrado em tom de realismo mágico, é fruto de quinze anos de trabalho e de uma exaustiva viagem de documentação e memória pela geografia espanhola. Para a sua criação, recebeu as bolsas Leonardo e Montserrat Roig.
Em 2026, recebeu o Prémio Nadal de Romance pela sua obra mais recente, La ciudad de las luces muertas.
Em 2026, recebeu o Prémio Nadal de Romance pela sua obra mais recente, La ciudad de las luces muertas.
sexta-feira, 10 de abril de 2026
A PENÍNSULA DAS CASAS VAZIAS, de DAVID UCLÉS | DOM QUIXOTE
A história de um soldado que retalha a pele para deixar sair a cinza acumulada, de um poeta que cose a sombra de uma menina a seguir a um bombardeamento e de um professor que ensina os seus alunos a fazerem-se de mortos; de um general que dorme junto da mão cortada de uma santa, de um menino cego que recupera a vista durante um apagão e de uma camponesa que pinta de preto todas as árvores do seu quintal; de um fotógrafo estrangeiro que pisa uma mina perto de Brunete e não levanta o pé durante quarenta anos, de um habitante de Guernica que conduz até ao centro de Paris uma furgoneta com os restos fumegantes de um ataque aéreo e de um cão ferido cujo sangue tingirá a última faixa de uma bandeira abandonada em Badajoz.
Estamos, pois, em presença da história total da Guerra Civil espanhola e de uma Ibéria agonizante onde o fantástico escora a crueza do real; onde os anónimos membros de um extenso clã de olivicultores de Jándula cruzam os seus destinos com os de Alberti, Lorca e Unamuno; Rodoreda, Zambrano e Kent; Hemingway, Orwell e Bernanos; Picasso e Mallo; Azaña e Foxá; onde o épico e o costumbrista se entrelaçam para tecer uma portentosa tapeçaria, poética e grotesca, bela e delirante.
quinta-feira, 9 de abril de 2026
NOTAS SOBRE UM NAUFRÁGIO, de DAVIDE ENIA | DOM QUIXOTE
«Este livro é um romance. Conta o que está a acontecer no Mediterrâneo - as travessias, os salvamentos, os desembarques, as mortes - e fala da relação entre mim e o meu pai, abordando ainda a doença do meu tio, seu irmão.» É assim que Davide Enia apresenta Notas Sobre um Naufrágio, um livro que parte da sua experiência em Lampedusa, lugar de um naufrágio simultaneamente individual e coletivo.
De um lado, estão os que atravessaram vários países, e depois o mar, para chegarem à Europa em condições inimagináveis - rapazes feridos e nus, raparigas estupradas e grávidas, crianças e adultos que viram morrer familiares durante a travessia. Do outro, homens e mulheres que os ajudam a desembarcar - voluntários, mergulhadores, pessoal médico, a Guarda Costeira… No meio, o autor, para os ouvir a todos e contar sem paninhos quentes o que realmente acontece em terra e no mar e como as palavras são manifestamente insuficientes para compreender os paradoxos do presente.
De um lado, estão os que atravessaram vários países, e depois o mar, para chegarem à Europa em condições inimagináveis - rapazes feridos e nus, raparigas estupradas e grávidas, crianças e adultos que viram morrer familiares durante a travessia. Do outro, homens e mulheres que os ajudam a desembarcar - voluntários, mergulhadores, pessoal médico, a Guarda Costeira… No meio, o autor, para os ouvir a todos e contar sem paninhos quentes o que realmente acontece em terra e no mar e como as palavras são manifestamente insuficientes para compreender os paradoxos do presente.
quarta-feira, 8 de abril de 2026
AUTORES INTERNACIONAIS | DAVIDE ENIA
Davide Enia (Palermo, 1974) é dramaturgo, encenador, ator e romancista, tendo escrito vários livros de ficção e não-ficção e realizado um drama radiofónico. Recebeu os mais importantes prémios de teatro em Itália. Escreveu Notas sobre Um Naufrágio, um texto absolutamente notável e comovente sobre os desembarques de migrantes na ilha de Lampedusa, que venceu o Premio Anima Letteratura 2017, o Premio SuperMondello e Mondello Giovani 2018 e está publicado nas Publicações Dom Quixote. Autorretrato é também uma peça de teatro que estreou em 2025 e conta a sua experiência desde criança com a máfia em Palermo.
terça-feira, 7 de abril de 2026
AUTORRETRATO, de DAVIDE ENIA | DOM QUIXOTE
Ao regressar a casa depois da escola, um menino de oito anos vê a sua primeira vítima assassinada pela máfia, enquanto as bolas dos colegas batem nas persianas fechadas e os cromos de futebol passam de mão em mão. Esses «encontros» acabam por tornar-se quase banais - e é só como adolescente que descobre, em conversa com um colega que foi a Londres, que as mortes da Cosa Nostra são um exclusivo da cidade onde cresceu. Num passeio organizado pelo professor de Religião e Moral, decide então escrever as suas instruções para sobreviver a Palermo e entrega-as ao padre que, pouco depois, acabará morto com um tiro na nuca. No ano em que faz os exames de admissão à universidade, Davide fica sozinho na cidade, e a família, de férias nas Dolomitas, ouve a notícia da bomba que matou o juiz cuja vivenda fica mesmo em frente da sua casa e apanha o maior susto da sua vida.
Davide Enia conta-se a si próprio neste texto belíssimo, que já foi levado à cena no seu país e no qual ele empresta a voz a três investigadores policiais que, como uma obsessão, uma vocação, um dever, lutaram e derrotaram o braço armado da máfia. As suas palavras correm por estas páginas como pelas ruas e vielas de uma cidade tão acostumada ao silêncio quanto ao rugido das bombas e onde o reflexo numa poça de sangue é o seu autorretrato.
Davide Enia conta-se a si próprio neste texto belíssimo, que já foi levado à cena no seu país e no qual ele empresta a voz a três investigadores policiais que, como uma obsessão, uma vocação, um dever, lutaram e derrotaram o braço armado da máfia. As suas palavras correm por estas páginas como pelas ruas e vielas de uma cidade tão acostumada ao silêncio quanto ao rugido das bombas e onde o reflexo numa poça de sangue é o seu autorretrato.
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