domingo, 30 de novembro de 2025

UMA DE NÓS VAI MORRER, de JENEVA ROSE | CHÁ DAS CINCO

Buckhead é um bairro chique com carros de luxo, mansões imponentes e amizades competitivas. Mas o que é aparentemente um bairro tranquilo revela a sua verdadeira natureza quando Shannon, a outrora rainha de Buckhead, é abandonada sem cerimónias por Bryce, o seu marido.
Ao descobrir que foi substituída por uma mulher muito mais nova, jura vingança… Assim que Shannon cai em desgraça, três outras mulheres preparam-se para lutar pelo lugar que ficou vago na liderança do bairro: Crystal, a jovem e inocente substituta de Shannon; Olivia, que esperou durante anos para destronar Shannon; e Jenny, dona do salão mais exclusivo da cidade, onde são revelados todos os segredos e desejos obscuros.
Qual destas mulheres será suficientemente astuta para sobreviver em Buckhead? E quem acabará morta? Diz-se que as amizades podem ser complicadas, mas ninguém imaginou que podiam ser tão letais.

 

sábado, 29 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | PETER FRANKOPAN

Peter Frankopan é professor de História Mundial na Universidade de Oxford, na qual dirige o Centro de Pesquisa Bizantina, e trabalha como investigador na Worcester College.
Lecionou nas principais universidades do mundo, incluindo as universidades de Cambridge, Yale, Harvard e Princeton, a Universidade de Nova Iorque, o King’s College London e o Institute of Historical ResearchAs Rotas da Seda tornou-se um bestseller global, liderando tabelas de vendas em todo o mundo. Foi bestseller n.º 1 do Sunday Times e considerado um dos Livros da Década 2010-2020 pelo Sunday Times. Em 2023, o seu livro A História do Mundo foi nomeado Livro de História do Ano pelo The Times e considerado Livro do Ano pelo Financial TimesGuardianObserverSunday TimesIndependentNew Yorker e Le Point.
 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

AS ROTAS DA SEDA, de PETER FRANKOPAN | CRÍTICA

Aclamado mundialmente, As Rotas da Seda revolucionou conceções antigas sobre a História e os impérios. Radical, épico na sua abrangência e considerado um texto fundamental para a compreensão do renascimento económico e político do Oriente, este livro é uma obra-prima de investigação histórica e teoria política.

Nesta edição comemorativa, Peter Frankopan demonstra quão crucial As Rotas da Seda é para a nossa apreciação da História e para a compreensão do futuro de um mundo cada vez mais internacional. Durante séculos, a fama e a fortuna encontravam-se no Ocidente - no Novo Mundo das Américas. Hoje, é o Oriente que atrai aqueles em busca de riqueza e aventura. Abrangendo toda a Ásia Central e penetrando profundamente na China e na Índia, uma região que outrora ocupou o centro do palco volta a emergir, dominando a política, o comércio e a cultura globais.
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

AUTORES NACIONAIS | RUI PASSOS ROCHA


Rui Passos Rocha é licenciado e Mestre em Ciências da Comunicação, Mestre em Ciência Política e com pós-graduação em Visualização de Informação, trabalhou em comunicação institucional sobre cultura (Casa da América Latina), política e sociedade (Fundação Francisco Manuel dos Santos), e ensino superior (ISCTE-IUL). É marketeer digital em regime independente. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

HISTÓRIAS QUE AS RUAS CONTAM, de RUI PASSOS ROCHA | PLANETA


 
Basta sairmos de casa, darmos uns passos e logo surge uma placa toponímica num suporte de pedra, num muro ou na parede de um prédio. Os nomes das ruas fazem parte do nosso dia a dia, mas será que sabemos a quem se referem e porquê, ou que acontecimentos históricos ali ocorreram?

Os nomes das ruas têm importância - falam da nossa geografia e destacam certos factos ou figuras da nossa História política, militar, religiosa e social. Cada nome de rua guarda histórias antigas e resulta de escolhas políticas que ainda hoje moldam a nossa memória coletiva.

Baseado numa investigação histórica, Rui Passos Rocha convida-nos a viajar pelos largos, travessas, praças e ruas de Portugal. Nesta viagem vamos encontrar muitos nomes alusivos à geografia - a fontes, fauna e flora -, a variados escritores, cientistas, desportistas; exaltam-se políticos, navegantes e militares de outros tempos; celebram-se umas revoluções em detrimento de outras e, claro, não faltam ruas com a palavra Igreja e nomes de santos para todos os gostos. Nossa Senhora é o topónimo feminino mais presente em Portugal, mas as ruas com nomes de mulheres ainda são poucas, assim como as dedicadas às minorias.

Histórias que as Ruas Contam, mais do que um guia de curiosidades sobre toponímia, é um retrato real do país que se lê a cada esquina. Um convite para pensar no nosso passado e futuro.
 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

SESSÃO DE APRESENTAÇÃO de FRANCISCO SÁ CARNEIRO: SOLIDÃO E PODER, de MARIA JOÃO AVILLEZ




 

AUTORES INTERNACIONAIS | RAMON GENER

Ramon Gener, nascido em Barcelona, é licenciado em Humanidades e Ciências Empresariais.
Começou a sua formação como músico aos seis anos, estudando piano no Conservatori del Liceu.
Após uma carreira de vários anos como barítono, deixou de cantar e iniciou uma nova etapa dando palestras sobre a história da música clássica, da ópera e da arte.
Realizou diferentes programas de televisão – Òpera en TexansIsto é ÓperaIsto é Arte (RTP2), 200. Una noche en el Prado e Això No És Una Cançó –, que podem ser vistos em muitos países. Na rádio, colabora regularmente com os programas No es un día cualquierae Versió RAC1.
Publicou Se Beethoven pudesse ouvir-me (2017), O amor tornar-te-á imortal (2025) e Beethoven. Un músico sobre un mar de nubes (2020).
História de um piano (Prémio Ramon Llull 2024) é o seu primeiro romance.
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

HISTÓRIA DE UM PIANO, de RAMON GENER | PLANETA

 

O protagonista deste romance encontra o piano de som aveludado que sempre desejou numa pequena loja de um bairro de Barcelona.

Janusz Borowski, um homem misterioso nascido numa floresta no leste da Polónia, alerta-o de que se trata de um instrumento muito especial que exige cuidado. O piano de cauda com o número de série 31887 é um Grotrian-Steinweg, construído em Brunswick, na Alemanha, em 1915.

A descoberta surpreendente de um segredo escondido no seu interior levará o protagonista a iniciar uma longa viagem numa narrativa que atravessa a Europa do século XX.

Ao encontrar num bairro de Barcelona o piano dos seus sonhos, o protagonista não imagina que aquele Grotrian-Steinweg de 1915 guarda um segredo capaz de mudar a sua vida. Entre memórias ocultas e revelações inesperadas, inicia uma viagem que o leva a atravessar a Europa do século XX e a descobrir como a música pode curar feridas profundas.

História de um piano é um romance inesquecível sobre o poder redentor da arte, do amor e da amizade.

Quando a música guarda memórias, cada nota conta uma história.

domingo, 23 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | BOTHAYNA AL-ESSA

Bothayna Al-Essa é uma famosa escritora do Kuwait, autora de mais de uma dezena de romances, além de livros para crianças. É também a fundadora da Takween, uma livraria e editora de vários livros aclamados pela crítica. A Biblioteca do Censor de Livros conquistou o Prémio Sharjah de Criatividade Árabe na categoria de romance, em 2021, e a sua edição em inglês foi finalista do National Book Award para literatura traduzida, em 2024. Al-Essa foi escritora residente no Centro Britânico de Tradução Literária durante o verão de 2023, e recebeu o Prémio Nacional do Kuwait de Incentivo pela sua obra de ficção em 2003 e 2012. É autora de livros sobre escrita e orientou oficinas de escrita em todo o mundo árabe.
 

sábado, 22 de novembro de 2025

A BIBLIOTECA DO CENSOR DE LIVROS, de BOTHAYNA AL-ESSA | DOM QUIXOTE

Uma sátira ousada e fantástica sobre livros proibidos, arquivos secretos e o olho vigilante de um governo omnipresente e todo-poderoso.

Há semanas que o novo censor de livros não tem uma noite de sono tranquilo. Durante o dia ocupa-se a passar a pente fino manuscritos de livros num gabinete governamental, à procura de qualquer pormenor capaz de tornar o livro impróprio para publicação - alusões a homossexualidade, a religiões não aprovadas, qualquer menção sobre a vida antes da Revolução.

À noite, os seus sonhos povoam-se de personagens dos clássicos da literatura, e os romances que vai surripiando empilham-se na casa que partilha com a mulher e a filha. Ao mesmo tempo que continua a ser atraído pelo canto da sereia das leituras proibidas, mergulha num mundo subterrâneo onde se cruzam combatentes da Resistência, uma livreira clandestina e bibliotecários fora-da-lei que tentam salvar a sua história e cultura.

Face à ameaça que a liberdade de expressão enfrenta globalmente e ao futuro sombrio a que o mundo está praticamente condenado, Bothayna Al-Essa combina a acerada distopia de 1984 e de Fahrenheit 451 com o absurdo descabelado de Alice no País das Maravilhas.

A Biblioteca do Censor de Livros é, ao mesmo tempo, um sinal de alerta e uma declaração de amor pelas histórias e o delicioso ato de nos deixarmos perder nelas.
 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | MARÍA GAINZA

María Gainza nasceu em Buenos Aires. Trabalhou como correspondente do The New York Times em Buenos Aires e da ArtNews. Foi por mais de dez anos colaboradora regular da revista Artforum e do suplemento Radar do jornal Página/12. Orientou cursos de pintura e oficinas de crítica de arte e coeditou a coleção Los Sentidos, da editora Adriano Hidalgo, sobre arte argentina. Em 2011 publicou uma seleção de ensaios e apontamentos intitulada Textos EligidosO Nervo Ótico, o seu primeiro livro de ficção, foi publicado em Portugal pelas Publicações Dom Quixote (2018) e recebeu o aplauso internacional da crítica. Seguiram-se Hotel Melancólico (2019) e Um Punhado de Flechas (2025).
 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

UM PUNHADO DE FLECHAS, de MARÍA GAINZA | DOM QUIXOTE

O realizador Francis Ford Coppola viveu algum tempo em Buenos Aires, enquanto rodava o filme Tetro. E recrutou para o tempo da estadia um tradutor que - ele há coisas - era o marido da autora deste livro. Raramente falava com ela, mas, certa noite, durante um jantar em que ficaram os dois sozinhos à mesa, disse-lhe: «O artista vem ao mundo trazendo uma aljava com um número limitado de flechas douradas. Pode atirar todas as flechas ainda em jovem, já adulto ou mesmo na velhice. Também as pode ir atirando pouco a pouco, espaçadas ao longo dos anos. Isso seria ótimo, mas já sabes que o ótimo é inimigo do bom.»

Além de Coppola, apresenta vários outros artistas e obras de arte através de episódios da vida da escritora. Entre outros, uma aguarela de Cézanne roubada de um museu de Buenos Aires; a casa de um colecionador; um passeio ao redor do Lago Walden, de Thoreau; as pinturas enigmáticas de Bodhi Wind de piscinas californianas, que apareceram no não menos enigmático filme Três Mulheres, de Robert Altman; algumas fotografias resgatadas de uma mala; as aventuras do pintor Francis Hopkinson e do seu assistente Moon, no México, e uma pintura amaldiçoada de Ticiano escondida em Tzintzuntzan…

Num estilo que rompe as fronteiras entre os géneros literários como acontecia com O Nervo Ótico, numa mescla de narrativa, ensaio e livro de arte, María Gainza continua a explorar novas formas de compreender a escrita e a vida e consolida a sua posição como uma das vozes mais estimulantes do cenário literário contemporâneo.
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | JENTE POSTHUMA

Jente Posthuma publicou o seu romance de estreia em 2016, muito bem recebido pela imprensa e nomeado para o Prémio literário Dioraphte e os prémios para Primeiro Romance Hebban e ANV. O romance Aquilo em que Preferia Não Pensar, que foi finalista do Prémio da União Europeia para a Literatura, esteve na shortlist do Booker Prize< Internacional em 2024.
 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

AQUILO EM QUE PREFERIA NÃO PENSAR, de JENTE POSTHUMA | DOM QUIXOTE

Ela coleciona camisolas. Ele tem dois gatos. Ambos adoram Nova Iorque e, aconteça o que acontecer, hão de mudar-se para lá quando fizerem 28 anos. Porém, de repente, ele diz que quer passar algum tempo sozinho. E se uma das metades de um par de gémeos não quiser continuar a viver? E se a outra não conseguir viver sem essa metade? É esta a questão central do presente romance, em que a narradora é a gémea de um rapaz que se suicidou e relembra muitas histórias de infância e também as suas vidas adultas com mágoa, saudade, raiva e insegurança em relação ao futuro.

De uma maneira aparentemente desprendida mas muito perspicaz, Aquilo em que Preferia Não Pensar conta a história do que acontece quando a pessoa com quem construímos as bases de toda uma vida desaparece subitamente, e as memórias que restam são as de um pai que já era ausente antes de ter morrido e de uma mãe geóloga, fria como uma pedra.

Finalista do Booker Prize Internacional, traduzido em mais de uma dezena de línguas, o romance de Jente Posthuma é uma exploração comovente do luto, contada através de episódios breves e cirúrgicos, impregnados de uma suave melancolia e, o que é surpreendente, de um humor inesperado e corrosivo.

Um livro que se debruça também sobre o facto de a saúde mental depender tantas vezes da vida familiar.
 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

AUTORES NACIONAIS | MÁRIO CLÁUDIO

Escritor português, de nome verdadeiro Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nascido a 6 de novembro de 1941, no Porto. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se diplomou também como bibliotecário-arquivista, e master of Arts em biblioteconomia e Ciências Documentais pelo University College de Londres, revelou-se como poeta com o volume Ciclo de Cypris (1969). Tradutor de autores como William Beckford, Odysseus Elytis, Nikos Gatsos e Virginia Woolf, foi, porém, como ficcionista que mais se afirmou.
Publicou com o nome próprio, uma vez que "Mário Cláudio" é pseudónimo, um Estudo do Analfabetismo em Portugal, obra que reúne a sua tese de mestrado e uma comunicação apresentada no 6.° Encontro de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas Portugueses, em 1978. Colaborador em várias publicações periódicas, como Loreto 13Colóquio/Letras, Diário de LisboaVérticeJornal de Letras Artes e IdeiasO Jornal, entre outros, foi considerado pela crítica, desde a publicação de obras como Um Verão Assim, um autor para quem o verso e a prosa constituem modalidades intercambiáveis, detendo características comuns como a opacidade, a musicalidade e a rutura sintática, subvertendo a linearidade da leitura por uma escrita construída como "labirinto em espiral". A obra de Mário Cláudio apresenta uma faceta de investigador e de bibliófilo que, encontrando continuidade na sua atividade profissional, inscreve eruditamente cada um dos livros numa herança cultural e literária, portuguesa ou universal. Dir-se-ia que a sua escrita, seja romanesca, seja em coletâneas de pequenas narrativas (Itinerários, 1993), funciona como um espelho que devolve a cada período a sua imagem, perspetivada através de um rosto ou de um local, em que o próprio autor se reflete, e isto sem a preocupação de qualquer tipo de realismo, mas num todo difuso e compósito, capaz de evocar o sentido ou o tom de uma época que concorre ainda para formar a época presente.
Mário Cláudio recebeu, em 1985, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores por Amadeo (1984), o primeiro romance de um conjunto posteriormente intitulado Trilogia da Mão (1993), em 2001 recebeu o prémio novela da mesma associação pelo livro A Cidade no Bolso e, em dezembro de 2004, foi distinguido com o Prémio Pessoa. Para além das obras já mencionadas, são também da sua autoria Guilhermina (1986), A Quinta das Virtudes, (1991), Tocata para Dois Clarins (1992), O Pórtico da Glória (1997), Peregrinação de Barnabé das Índias (1998), Ursamaior (2000), Orion (2003), Amadeu (2003), Gémeos (2004) e Triunfo do Amor Português (2004). O autor tem também trabalhos publicados na área da poesia (como Ciclo de Cypris, 1969, Terra Sigillata, de 1982, e Dois Equinócios, de 1996), dos ensaios (Para o Estudo do Alfabetismo e da Relutância à Leitura em Portugal, de 1979, entre outros), do teatro (por exemplo, O Estranho Caso do Trapezista Azul, de 1999) e da literatura juvenil (A Bruxa, o Poeta e o Anjo, de 1996).



 

domingo, 16 de novembro de 2025

CAMILO BROCA, de MÁRIO CLÁUDIO | DOM QUIXOTE

Camilo Castelo Branco é, sem sombra de dúvida, um dos maiores vultos da história da literatura portuguesa. Autor de obras tão emblemáticas como Amor de PerdiçãoMemórias do Cárcere ou A Queda de um Anjo, foi o expoente máximo do Romantismo e o primeiro escritor português a viver exclusivamente da escrita. A sua existência foi bastante atribulada e por vezes escandalosa - aquilo a que poderíamos chamar digna de um romance - mas quase nada sabemos das suas origens: afinal, donde vem Camilo e quem foram os seus antepassados?

O presente romance, escrito por um dos admiradores confessos do grande escritor romântico, revisita de forma genial a história dos Brocas, a família de quem Camilo terá herdado não só uma personalidade algo viciosa e doentia, mas sobretudo uma forma exacerbada de amar, que acabaria por marcar tragicamente o seu destino.

Camilo Broca, obra indispensável em qualquer biblioteca, foi aplaudido pelo público e pela crítica e venceu vários prémios literários.

Críticas de imprensa
«Diálogo de gigantes: Camilo por Mário Cláudio.»
Maria Alzira Seixo, JL

 

sábado, 15 de novembro de 2025

AUTORES NACIONAIS | CARLOS CAMPANIÇO

Carlos Campaniço nasceu na aldeia de Safara, no concelho de Moura. Aí viveu até ingressar na universidade, onde cursou Línguas e Literaturas Modernas. É também mestre em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo, tendo obra publicada sobre a matéria.
Profissionalmente, é programador artístico.
Publicou vários romances desde 2007, entre eles: Os Demónios de Álvaro Cobra (Vencedor do Prémio Literário Cidade de Almada), Mal Nascer (Finalista do Prémio LeYa e vencedor do Prémio Mais Literatura promovido pela revista Mais Alentejo), As Viúvas de Dom RufiaVelhos Lobos e agora A Cinco Palmos dos Olhos.

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

A CINCO PALMOS DOS OLHOS, de CARLOS CAMPANIÇO | CASA DAS LETRAS

Pouco depois do 25 de Abril, os trabalhadores rurais do Sul ocupam a terra dos latifundiários para quem trabalharam como escravos ao longo de décadas. Em Aldeia Velha - o lugar onde decorre a acção deste romance - a sociedade depara-se de repente com as mudanças criadas pela Reforma Agrária, mas também com as consequências do fim da Guerra Colonial e as novas liberdades trazidas pela Revolução.

Veremos, por isso, como reagem os que perderam as propriedades (e se insurgem ou resignam com a situação) e os que continuam a trabalhar de sol a sol, embora agora para seu próprio sustento. E também os que, depois de terem lutado anos pela democracia, são agora membros do Partido e ocupam funções de relevo, ou os que acreditaram no mundo perfeito e veem os seus sonhos esfarelar-se todos os dias. Mas há também coisas que nunca mudam, por mais que os tempos tenham mudado: a bisbilhotice, a mentira, a má-língua, a maldade, o sofrimento.

Num romance em que a verdadeira personagem é a própria aldeia - na qual o bulício das vidas individuais funciona como uma espécie de música de fundo - é curiosamente o carteiro - aquele que passa em todas as ruas e portas - o elo de ligação entre o padre, o merceeiro, o médico, a amante, o corno, o ricaço, o presidente da Junta e muitos outros, trazendo-nos a forma como cada um assimila os novos tempos e perspectiva o futuro. Porém, o muito que este homem cala é talvez aquilo que mais importa.

Carlos Campaniço, no seu estilo inconfundível e uma linguagem que é um tremendo veículo sensorial, oferece-nos com A Cinco Palmos dos Olhos mais uma obra profundamente original.
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | J.M. COETZEE

J. M. Coetzee nasceu em 1940, na Cidade do Cabo, estudou na África do Sul e nos Estados Unidos, e vive atualmente na Austrália.
Entre as suas obras destacam-se No Coração desta Terra, À Espera dos Bárbaros (James Tait Black Memorial Prize 1982), A Vida e o Tempo de Michael K (Prémio Booker 1983), Desgraça (Prémio Booker 1999), Diário de Um Mau Ano – um romance em que o autor dividiu a página em três planos narrativos distintos, numa ousada experiência entre a ficção e o ensaio –, Verão (finalista do Prémio Booker 2009), a muito aclamada trilogia de Jesus – A Infância de JesusJesus na Escola e A Morte de Jesus – e O Polaco.
Tendo sido o primeiro escritor a vencer por duas vezes o Prémio Booker, Coetzee viu ainda a sua mestria literária ser reconhecida com a atribuição do Prémio Nobel de Literatura, em 2003.

 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O DOM DAS LÍNGUAS, de J.M. COETZEE e MARIANA DIMÓPULOS | DOM QUIXOTE

Neste diálogo entre um laureado com o prémio Nobel e uma importante tradutora, surgem ideias estimulantes acerca da evolução da língua e o desafio da tradução.

Historicamente falando, a língua foi sempre traiçoeira. Dois dicionários facultam diferentes mapas do universo: qual deles é verdadeiro, ou são ambos falsos? O Dom das Línguas - assumindo a forma de um diálogo entre o romancista J. M. Coetzee e a eminente tradutora Mariana Dimópulos - explora questões que têm constantemente perseguido escritores e tradutores, hoje mais do que nunca.

Entre elas:

Como pode o tradutor libertar significados aprisionados na língua de um texto?
Por que razão a forma masculina é dominante em línguas com género, enquanto o feminino é tratado como um desvio?
Como devemos contrariar a proliferação do monolinguismo?
Deve o tradutor censurar linguagem racista ou misógina?
A matemática diz a verdade acerca de tudo?

Na tradição do inspirador ensaio de Walter Benjamin intitulado A Tarefa do TradutorO Dom das Línguas surge como um trabalho de filosofia aliciante e acessível, lançando luz sobre algumas das mais importantes questões linguísticas e filológicas do nosso tempo.
 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

AUTORES NACIONAIS | PAULO MOREIRAS

Paulo Moreiras nasceu em agosto de 1969, na cidade de Lourenço Marques, Moçambique. Em outubro de 1974 aterrou em Portugal. Quis ser desenhador, cientista, inventor, marinheiro, antropólogo. Não foi nada disso. Perdeu-se muitas vezes e achou-se outras tantas. Erra mais do que acerta, mas não deixa de ser feliz por isso. Começou na banda desenhada, navegou pela poesia e desaguou no romance com A Demanda de D. Fuas Bragatela (2002). Seguiram-se Os Dias de Saturno (2009) e O Ouro dos Corcundas (2011). N’O Caminho do Burro (2021) reuniu os seus melhores contos. Também escreve sobre gastronomia, com destaque para Elogio da Ginja (2006) e Pão & Vinho – mil e uma histórias de comer e beber (2014). Gosta do que faz e daquilo que quer fazer.
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A VIDA AIRADA DE DOM PERDIGOTE, de PAULO MOREIRAS | CASA DAS LETRAS

Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal promove festejos imperdíveis na cidade de Valladolid, sede da Corte e capital do império. E, se para aquele umbigo do mundo - onde desaguam todos os vícios, velhacarias e vilanias - concorrem nobres e ladrões, damas e rameiras, será mais do que certo que, depois de um périplo por Badajoz, Sevilha, Trujillo ou Toledo, siga também para lá Tanganho Perdigão Fogaça, conhecido por Dom Perdigote, a fim de cumprir o seu destino.

Mas nem tudo se apresenta de feição a este espadachim nascido no ano em que morre Camões; claro que, entre as muitas peripécias vividas, encontra o amor da sua vida e conhece o pintor El Greco, o escritor Quevedo e até o autor do Quixote; porém, será envolvido na tentativa de assassinar um dramaturgo que integra a embaixada inglesa, enviada para ratificar a paz entre as duas nações. Quem o irá salvar?

Na senda do seu romance de estreia - A Demanda de Dom Fuas Bragatela, aplaudido entusiasticamente pelo público e pela crítica -, Paulo Moreiras regressa ao género pícaro, em que é mestre, para nos oferecer uma obra-prima de rigor e divertimento que já fazia falta à nossa literatura. Sublime. 

domingo, 9 de novembro de 2025

AUTORES NACIONAIS | RITA FERRO

Rita Ferro nasceu em Lisboa, em 1955.
Estudou Design, especializou-se em Marketing, foi professora de Publicidade e exerceu funções de direção e consultoria em diversas empresas. Iniciou a sua carreira literária em 1990, arriscando um novo tipo de escrita feminina que, tendo obtido um enorme êxito e revolucionado o mercado literário português, conheceu inúmeros seguidores. Criou um estilo e, com ele, um novo género. Distingue-se por uma técnica de narração mordaz e cativante, de grande versatilidade. Ao longo de trinta anos, escreveu romances, cartas, biografias, livros de crónicas, literatura infantil e peças de teatro. Além de jurada literária e de festivais de cinema, é presença regular na imprensa, na rádio e na televisão, e desenvolveu dois cursos inéditos: «Incentivo à Criação» e «Começar a Escrever».
Ao seu romance autobiográfico A Menina É Filha de Quem? (2011) foi atribuído o prémio PEN Clube Português de Narrativa.

sábado, 8 de novembro de 2025

O SURPREENDENTE SILÊNCIO DOS HOMENS, de RITA FERRO | DOM QUIXOTE

«Cuidado, está ali um homem...» - a cautela começa na infância, preparando as meninas para a imprevisibilidade dos homens e, ao mesmo tempo, para o amor e a vida a dois. Mas como se pode crescer amando-os, desejando-os e temendo-os? Como se distingue, a tempo, quem nos beija de quem nos faz mal?

Um medo hereditário, passado de avós para filhas e para netas que, parecendo exuberante, se fundamenta: entre a população mundial, 95% dos homicídios, do espancamento de mulheres e dos assaltos sexuais são executados por homens.

Maria da Graça, filha única de inexplicável beleza, cresce alarmada com esta ameaça, mas vence o medo para abrir todas as portas. Em casa, é envolvida pelos seus numa teia opressiva de segredos que vai descerrando aos poucos e dá razão a quem a preparou para o pior.

O Surpreendente Silêncio dos Homens é um grito de alerta ante a escalada mundial da brutalidade contra as mulheres e um romance emocionante sobre o papel redentor, sempre desdenhado, que elas desempenham no equilíbrio da humanidade, escrito por quem há muito reflecte sobre os labirintos da natureza feminina, para lá da poesia e dos lugares-comuns do amor e da paixão.
 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | JOANNA ELMY

Joanna Elmy (n. 1995) é escritora e jornalista. Nasceu em Sófia, na Bulgária, viveu em França, nos Países Baixos e nos EUA. É detentora de dois bacharelatos – em Inglês e em Relações Internacionais, pela Sorbonne – e de um mestrado em Comunicação Política, pela Universidade de Amesterdão. Os seus trabalhos jornalísticos foram publicados em revistas alemãs e neerlandesas e é também crítica literária. Foi bolseira dos Seminários de Ficção de Sozopol, organizados pela Fundação Elizabeth Kostova, na Bulgária, e recebeu a bolsa Per Espera ad Astra em Literatura. Com o seu romance de estreia, ganhou em 2022 o Prémio Nacional de Primeira Obra na Bulgária. Feitas de Culpa foi ainda nomeado para diversos prémios literários de prestígio e já teve várias reedições. Atualmente, a autora trabalha no seu segundo romance.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

FEITAS DE CULPA, de JOANNA ELMY | DOM QUIXOTE

Yana, uma estudante búlgara recém-chegada a uma pequena cidade americana, assiste a um acidente de viação entre um carro e uma bicicleta. A condutora da bicicleta é também uma estudante Europa de Leste que morre no local. Porém, essa morte é irrelevante para as autoridades e imediatamente esquecida, mas, para Yana, é o catalisador que a desperta para a sua condição de imigrante.

Nos EUA, onde permanece depois dos estudos, Yana percebe que o Sonho Americano não passa de uma ilusão e começa então a relacionar a sua vida precária com as da mãe e da avó, antes e depois da era do Comunismo.

Quando a avó está a morrer, Yana e a mãe regressam à Bulgária para se encontrarem finalmente como três adultas iguais; e é nesse momento que partilham o sentimento de culpa pelo facto de a liberdade que sempre buscaram ter significado inevitavelmente o sofrimento da geração anterior.

Narrado a partir do ponto de vista de três mulheres de gerações diferentes assombradas pela violência, pelo vício e pela impossibilidade de encontrar um lugar a que possam chamar seu, esta é uma história que coincide com a história contemporânea da Europa de Leste - da ditadura totalitária do regime comunista pós-1944 ao período de transição democrática da década de 1990 e à imigração para o Ocidente - e a da forma como os países desenvolvidos recebem os que os escolhem para viver.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | BRITTLESTAR

Brittlestar, também conhecido como Stewart Reynolds, é uma personalidade das redes sociais e autoproclamado especialista em fazer as pessoas rir dos absurdos da vida. É categoricamente contra o fascismo (uma posição ousada, ele sabe) e já viu Os Salteadores da Arca Perdida do início ao fim mais vezes do que é socialmente aceitável mencionar.
Quando não está a criar conteúdo, é provável estar a perguntar-se porque acham as pessoas que o sarcasmo é uma falha na personalidade.
Siga @brittlestar para humor, sabedoria e lembretes ocasionais para ter cuidado com pedregulhos rolantes – tanto literais quanto metafóricos.
 

terça-feira, 4 de novembro de 2025

APRENDER COM OS GATOS A COMBATER O FASCISMO, de STEWART "BRITTLESTAR" REYNOLDS | PLANETA

Gatos, os mestres da dissimulação, do atrevimento e do caos organizado, andam há séculos a dar-nos lições de sobrevivência. Eles é que nunca foram muito explícitos. Até agora.

Com humor, observações aguçadas e cheio de garra, este livro apresenta onze estratégias felinas fundamentais para resistir ao controlo e recuperar o poder.

Desde aprender a manter-te ágil e imprevisível até a exigir o que precisas com a confiança de um gato esfomeado, cada capítulo contém lições tão subversivas quanto práticas. Quer estejas a enfrentar um sistema que vive de controlo ou a tentar compreender o mundo caótico em que vivemos, estas lições dão-te as ferramentas — e a atitude certa — para enfrentares tudo com bigodes em riste.

Os gatos não pedem permissão. Tu também não devias fazê-lo.
 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

OS ROMANOV, de SIMON SEBAG MONTEFIORE | CRÍTICA

Os Romanov governaram a Rússia como czares e imperadores durante trezentos anos. Através da força implacável das suas personalidades, esta família de autocratas peculiares, mas brilhantes, transformou um reino fraco e arruinado pela guerra civil num império que dominou a Europa.

Pedro, o Grande, tirano bêbedo e assassino, e Catarina, a Grande, a apaixonada princesa alemã que destronou o próprio marido para se tornar a estadista mais notável de uma época de ouro, foram os dois maiores governantes da Rússia. Isabel, que tinha tanto de promíscua como de glamorosa, continuou a ascensão da Rússia como potência europeia; mais tarde, Pedro III e Paulo I, impotentes e desequilibrados, foram assassinados. Nicolau I censurou Pushkin e travou a Guerra da Crimeia com a Grã-Bretanha.

Finalmente, Nicolau II e Alexandra, apesar do seu casamento feliz e da tragédia do seu filho hemofílico, revelaram-se demasiado ineptos para salvar a Rússia da Grande Guerra e da Revolução.

Esta é a história de como a Rússia se tornou o país que conhecemos atualmente.

Simon Sebag Montefiore, autor best-seller de Jerusalém e O Mundo, mostra que o império dos autocratas e os seus pequenos grupos sempre dominaram a história da Rússia, desde o primeiro czar Romanov em 1613, passando pela magnificência de Pedro e Catarina e o declínio de Nicolau II, até aos czares vermelhos - Lenine e Estaline no século XX - e à presidência autoritária de Putin no século XXI.



 

domingo, 2 de novembro de 2025

O SEXTO SENTIDO, de JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS | PLANETA

Um homem cai do décimo andar de um hotel em Lisboa. A polícia identifica-o: Kurt Weilmann.

Nos momentos finais de vida, balbucia palavras misteriosas: «UNIO MYSTICA... MISTERIUM TREMENDUM».

Acidente, suicídio ou homicídio? A Judiciária encontra no quarto de Weilmann uma derradeira mensagem com um nome: Tomás Noronha.

O historiador é convocado para esclarecer o seu envolvimento naquela morte. Durante o inquérito, a CIA avisa Tomás: a sua vida corre perigo. Quem atirou Weilmann do décimo andar também o quer matar. Para se salvar, terá de desvendar o mistério daquela morte.

Assim começa uma busca que irá conduzir Tomás Noronha aos segredos que envolvem uma classe de substâncias terapêuticas com propriedades milagrosas. Chamam-lhes enteógenos, expressão grega para… O DIVINO DENTRO DE NÓS.

Baseado em descobertas científicas que estão a ser estudadas pelas maiores instituições do mundo, desde Harvard até ao Centro Champalimaud, O Sexto Sentido mostra-nos o que os enteógenos começaram a revelar sobre os maiores enigmas do Universo — incluindo o mistério da morte e o sentido da vida.