terça-feira, 19 de maio de 2026

O MEU PRIMEIRO APOCALIPSE, de RODRIGO GUEDES DE CARVALHO | DOM QUIXOTE

Portugal, 2066.
Nos céus há mais drones do que pássaros e nas ruas circulam carros sem condutor. A água é racionada e toda a gente tem os olhos tapados com Eyephones.

Filha de um iraniano e uma portuguesa, a jornalista e escritora Laura Ganjavi está a pensar reformar-se quando recebe uma proposta inesperada. Nascida no início do século, Laura assistiu a ciclos políticos cada vez mais curtos. Alternâncias entre extremos de Esquerdas e Direitas, com pouco espaço para moderados. Alianças que se criam e desfazem em poucos anos ou meses, ao ritmo da moderna sociedade apressada.

Uma única figura atravessou décadas intocável. Nunca teve qualquer cargo oficial e, no entanto, foi sempre a sombra de cada novo líder. Uma poderosa ministra da Influência. De impressionante beleza comprada e idade indefinida. Ava Carina, o Anjo Azul. É dela o convite a Laura Ganjavi para integrar uma pequena equipa que resgate a importância que a leitura e a escrita tiveram no passado. Mas a proposta tem condições.

O Meu Primeiro Apocalipse é uma vertigem entre drama e sarcasmo. Somos levados a um admirável novo mundo cheio de velhos vícios. E, em pano de fundo angustiante, o anúncio do iminente fim do planeta. Desta vez, sério e sem solução. Assim sendo: escrever para quê, e para quem?
 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

LANÇAMENTO | VOLTAR ÀS TUAS RAIZES


 

A VINGANÇA SERVE-SE FRIA, de JOE ABERCROMBIE | EDIÇÕES SAÍDA DE EMERGÊNCIA


A guerra pode ser um inferno, mas para Monza Murcatto, conhecida como a Serpente de Talins, a mais famosa e temida mercenária ao serviço do grão-duque de Orso, a guerra também é uma bela forma de fazer dinheiro. Traída, esfaqueada, atirada de uma falésia e deixada como morta, a recompensa de Monza é um corpo quebrado e um desejo ardente de vingança. E agora, qualquer que seja o preço, os sete culpados terão de morrer. Porque a vingança é um prato que se serve frio.

domingo, 17 de maio de 2026

GHOSTING - O CAMINHO PARA O SEXO, de SANDRA SERGEANT | CHÁ DAS CINCO

Na era das conexões instantâneas e dos encontros efémeros, Raquel entrega‑se ao frenético universo das apps — uma loucura eletrizante de mensagens, desejos ardentes e promessas vazias. Entre swipes, conversas picantes e encontros repletos de adrenalina, vive a intensidade da paixão moderna, onde o prazer é urgente e a entrega um jogo perigoso.

Até conhecer Kretcheu. Ele não é apenas mais um perfil: é a tempestade que domina os seus pensamentos, o fogo que a consome sem piedade. Um homem enigmático que a prende numa teia de loucura e obsessão, onde cada toque é um mergulho no abismo da entrega total.

Mas o que começa como um romance avassalador rapidamente se torna um labirinto sombrio de ausência. Kretcheu desaparece sem avisar, deixando um rasto de silêncio que arde na pele. Raquel fica presa entre o desejo e a desilusão, entre o amor que a consome e a verdade que sussurra para ser encarada.

Ghosting é uma viagem crua e implacável pelo desejo, pela obsessão e pela coragem de libertação. Uma história sobre o preço da espera, o poder da escolha e o momento em que a maior paixão se revela: a que se tem por si mesma.

Quando tudo se esconde no silêncio, permanece uma única questão: salvará ela o homem que perdeu, ou a mulher que reencontrou?

 

sábado, 16 de maio de 2026

DEUS DA FÚRIA, de RINA KENT | CHÁ DAS CINCO

Brandon King sempre viveu atormentado pela sua sexualidade. As namoradas não passavam de uma fachada para ocultar a dor e a vergonha pelo passado — até colidir com Nikolai Sokolov, o violento herdeiro da máfia.

Nikolai está obcecado por Brandon, o artista sossegado e irmão gémeo do seu inimigo. Eles não podiam ser mais diferentes, contudo, Nikolai não consegue afastar-se deste menino de ouro que parece ser a única pessoa capaz de acalmar o caos e a euforia que guiam o seu comportamento.

Agora, a vida meticulosamente controlada de Brandon está prestes a desmoronar. Será que a obsessão de Nikolai o vai destruir, ou libertar algo muito mais intenso?

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

AUTORES NACIONAIS | DAVID ERLICH

Nascido no bicentenário da Revolução Francesa, David Erlich é um dos intelectuais de Moscavide com maior projeção. Professor de Filosofia no ensino secundário, Mestre em Filosofia e Mestre em Ensino de Filosofia, com referência no Quadro de Mérito da NOVA FCSH, em que cursa atualmente o Doutoramento em Filosofia, na especialidade de História da Filosofia.

Publicou artigos e foi orador em conferências em Portugal, na Polónia e nos Países Baixos. Tem sido convidado a dialogar sobre Filosofia e Educação em vários programas radiofónicos e televisivos, podcasts e palestras.
Poeta com três livros publicados e diversas distinções literárias. Cronista da revista Sábado. Integra o grupo de reflexão «O Futuro Já Começou», que funciona junto do Presidente da República. Já trabalhou como lanterninha, operador de call center, paquete e monitor de campos de férias. Da última vez que verificou, David Erlich vivia na provisória condição de existir. David Erlich considera peculiar este texto estar escrito na terceira pessoa apesar de ter sido ele mesmo quem o redigiu.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

21 LIÇÕES DE FILOSOFIA, de DAVID ERLICH | PLANETA

Demasiadas notificações, pouco silêncio. Demasiado scroll, pouca vida. Este livro não vem ensinar-te a ser brilhante, produtivo ou imbatível. Vem propor-te algo mais audaz: pensar como viver uma vida quase boa.

Em 21 lições claras e próximas do nosso dia a dia, o filósofo e professor David Erlich convida-nos a regressar à pergunta central da filosofia: como viver? De Sócrates a Montaigne, de Platão a Descartes, de Aristóteles a Nietzsche, de Epicuro a Wittgenstein, este livro mostra que a filosofia pode ser muito proveitosa para nos dar conselhos acerca de temas que preocupam qualquer pessoa, como o luto, o amor, a amizade, o cansaço, a solidão, o ócio, a rotina e o sentido da vida.

21 Lições de Filosofia - Para viver uma vida quase boa não promete uma vida perfeita nem soluções milagrosas, mas, sim, uma reflexão acessível e bem-humorada sobre quem somos e como podemos viver com mais lucidez e mais humanidade.
 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

A MIÚDA DO MEU IRMÃO, de RUTE DIAS | CHÁ DAS CINCO

Na ilha, permanece uma família marcada por uma tragédia antiga, com segredos enterrados há demasiado tempo. Dois irmãos gémeos, ligados a Olívia por uma história intensa e impossível de esquecer. Duas formas opostas de amar. Um amor dividido. E uma perda que mudou tudo.

À medida que Olívia tenta reencontrar-se, uma denúncia anónima põe em questão todas as certezas com que viveu nos últimos dez anos. Entre amores não resolvidos, culpas silenciosas e escolhas feitas à pressa, esta é uma história sobre aquilo que nos salva… e sobre aquilo que nos destrói quando a verdade vem à tona.
Mas neste triângulo onde ninguém é inocente, quantos segredos podem permanecer enterrados?

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | TASH AW

Tash Aw nasceu em Taiwan e é autor de cinco romances, três dos quais foram nomeados para o Booker Prize, incluindo este mesmo O Sul.
Foi já galardoado com o Whitbread First Novel Award, o Commonwealth Writers’ Prize e o O. Henry Award.
A sua obra está traduzida para mais de vinte idiomas.

 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O SUL, de TASH AW | DOM QUIXOTE


A aclamada obra de um dos autores mais notáveis da nova geração, três vezes nomeado para o Booker Prize.

Quando o avô de Jay morre, o adolescente viaja com os pais e as duas irmãs até à propriedade que lhes coube em herança. A quinta, porém, está em ruínas, as árvores estão doentes e os campos áridos devido à seca. Ainda assim, o pai obriga-o a trabalhar na terra. A seu lado está Chuan, o filho do caseiro. Ao longo desses dias de verão, na vastidão dos campos e pelas ruas serpenteantes da cidade, a atração entre os rapazes intensifica-se.

No interior da casa decadente, os outros membros da família debatem-se com os seus próprios fantasmas. Os mais jovens sonham com a promessa de liberdade que Singapura oferece. Os mais velhos, tal como a terra que os rodeia, parecem impotentes para resistir às forças - naturais e humanas - que ameaçam tornar o seu modo de vida obsoleto.

Pela mão de Tash Aw, um dos autores mais aclamados da nova geração, três vezes nomeado para o Booker Prize, O Sul é um romance tenso e melancólico sobre desejo e família, modernidade e tradição.

domingo, 10 de maio de 2026

A META, de KATE STEWART | SAÍDA DE EMERGÊNCIA

Por amor, o perigo vale a pena…

Tobias King viveu a maior parte da sua vida nas sombras. Um ladrão implacável e um vilão escandaloso, ele é o enigmático líder de um grupo criminoso conhecido como a Irmandade dos Corvos. Toda a sua existência foi consumida por um único pensamento: vingar-se do homem que matou os seus pais.
Contudo, conhecer Cecelia Horner transformou a sua vida para sempre. A jovem desenterrou sentimentos ocultos e forçou-o a ceder numa guerra sem vencedores. E quando a Irmandade é devastada pela traição, a relação de ambos é posta à prova de uma forma inimaginável.
O passado não esquece, e os segredos e mentiras que transformaram Tobias no homem e no líder que é também ameaçam destruir qualquer possibilidade de redenção. Cecelia poderá ser a salvação de Tobias, mas a paixão insaciável que os consome poderá ter um custo demasiado elevado…

 

sábado, 9 de maio de 2026

ÈXODO, de KATE STEWART | SAÍDA DE EMERGÊNCIA

Depois do verão mais excitante da sua vida, quando conheceu Sean e Dominic e se envolveu numa relação ousada e perigosa com ambos os jovens, Cecelia está determinada a assumir a sua responsabilidade no caos que deixou para trás. Contudo, Sean e Dominic são membros de um grupo criminoso conhecido como a Irmandade dos Corvos. O seu líder é Tobias King, O Francês, um homem temido e poderoso, que pune a traição de forma implacável e que vê Cecelia como um risco para os seus homens e para a sua missão meticulosamente planeada. Cecelia tem todos os motivos para odiar Tobias, mas existe uma linha ténue entre o amor e o ódio. E depois do tempo que passou em Triple Falls, esta é uma linha que Cecelia está disposta a cruzar… Uma história de amor inesperada, sexy e escaldante, que questiona o que estamos dispostos a fazer por amor.
 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

BANDO, de KATE STEWART | SAÍDA DE EMERGÊNCIA


O acordo é simples: com 19 anos, tudo o que Cecelia tem de fazer é sobreviver um ano na pequena cidade de Tripple Falls, viver na mansão do pai – que durante anos esteve ausente da sua vida – e trabalhar na fábrica dele. Em troca, o pai entregar-lhe-á uma pequena fortuna que permitirá à jovem ajudar a mãe solteira. Contudo, no primeiro dia no seu novo emprego, Cecelia conhece Sean e tudo muda. Ele apresenta-a ao seu círculo de amigos – que inclui o enigmático Dominic –, um estranho grupo que segue as suas próprias regras e tem em comum a tatuagem de um corvo. Cecelia sempre acreditou que as histórias de amor exigiam um sacrifício extraordinário. Dividida nos seus sentimentos entre Sean e Dominic, ela torna-se cúmplice dos seus segredos, determinada a aproveitar o último verão de liberdade, independentemente das consequências. Uma história de amor inesperada, sexy e escaldante, que questiona até aonde estamos dispostos a ir por amor.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

AUTORES NACIONAIS | PAULO MOREIRAS

Paulo Moreiras nasceu em agosto de 1969, na cidade de Lourenço Marques, Moçambique. Em outubro de 1974 aterrou em Portugal. Quis ser desenhador, cientista, inventor, marinheiro, antropólogo. Não foi nada disso. Perdeu-se muitas vezes e achou-se outras tantas. Erra mais do que acerta, mas não deixa de ser feliz por isso. Começou na banda desenhada, navegou pela poesia e desaguou no romance com A Demanda de D. Fuas Bragatela (2002). Seguiram-se Os Dias de Saturno (2009) e O Ouro dos Corcundas (2011). N’O Caminho do Burro (2021) reuniu os seus melhores contos. Também escreve sobre gastronomia, com destaque para Elogio da Ginja (2006) e Pão & Vinho – mil e uma histórias de comer e beber (2014). Gosta do que faz e daquilo que quer fazer.
 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

DO PALITO À PERDIZ, de PAULO MOREIRAS | CASA DAS LETRAS

Sabia que as morcelas são mencionadas nas cantigas medievais portuguesas, tal como as favas, que foram proibidas por Pitágoras aos seus discípulos? Que o escritor Aquilino Ribeiro considerava a perdiz uma das aves mais lindas de Portugal? E que os gregos tinham o hábito de se passearem nas ruas com um palito na boca, como sinal de abastança e mesa farta?

A mesa, de resto, sempre foi ponto de encontro para os portugueses e peça central do seu quotidiano. À mesa estabelecem-se alianças, desenham-se estratégias, desenvolve-se a arte da má-língua. Mas também, curiosamente, se fala muito de comida: O que vai ser o jantar? Quando fazemos um petisco? Vamos comer um leitãozinho? Que tal uma sardinhada?

Do Palito à Perdiz - Sobre a mesa muito se diz é uma obra que reúne mil e uma curiosidades, que vêm a calhar que nem ginjas, sobre coisas que costumam chegar à mesa dos portugueses e que, como a ginjinha, fazem parte da nossa alma e identidade.

Esta é uma viagem à descoberta da nossa gastronomia, na qual a História se cruza com a Tradição, através de manifestações religiosas e culturais, lendas e contos, cantigas populares, adivinhas, provérbios ou superstições, mas também nas páginas dos escritores portugueses, que nunca deixaram de as referir nas suas obras.
 

terça-feira, 5 de maio de 2026

O CÉU CAIRÁ SOBRE NÓS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

Nota do autor
«Encaro o Mundo como um mistério por desvendar. Se escrevo romances é para imaginar que as personagens lançadas num palco, animadas de voz própria, dialogam de tal modo que chegam a conclusões que eu sozinha não alcançaria. Mas com as crónicas é diferente. Eu mesma sou personagem e promovo o inquérito a minhas próprias expensas. Ao publicá-las tenho a ideia de escrever cartas de desafio contra o que a História oculta. E assim, pelos enganos que ela comporta, nada de mais ambicioso e nada de mais humilde do que esta labuta com o tempo que passa e a verdade que voa.»
Lídia Jorge

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

AUTORES NACIONAIS | MANUEL ALBERTO VALENTE


Manuel Alberto Valente (Vila Nova de Gaia, 1945) licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, cidade onde reside, mas acabou por dedicar grande parte da sua vida à actividade editorial.
Como poeta, a sua obra está compilada em Poesia Reunida – O pouco que sobrou de quase nada (Quetzal, 2015).
Traduziu poesia de Juan Vicente Piqueras, Luis García Montero e Yolanda Castaño.
Durante praticamente três anos, entre Fevereiro de 2021 e Dezembro de 2023, publicou na Revista do jornal “Expresso” uma crónica semanal intitulada “O outro lado dos livros”.
Em 2008, foi agraciado pelo Governo Francês com o grau de Cavaleiro das Artes e das Letras e, em 2020, pelo Reino de Espanha com a Ordem de Isabel a Católica.

domingo, 3 de maio de 2026

A SOMBRA DO VENTO, de CARLOS RUIZ ZAFÓN | PLANETA


Num amanhecer de 1945, um rapaz é levado pelo pai a um misterioso lugar escondido no coração da cidade velha: Cemitério dos Livros Esquecidos. Ali, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e que o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura da cidade.

Uma trágica história de amor, cujo eco se projeta através do tempo, um inesquecível relato sobre as sombras do passado e o encanto dos livros.

sábado, 2 de maio de 2026

AQUILO QUE VI NO ESCURO, de MARGARIDA DAVID CARDOSO | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Sabia que a psicose não é um diagnóstico, mas sim um sintoma? Surge quando alguém vê e ouve algo que não existe para os outros, num estado que pode ser estável, intermitente ou único na vida. Estigmatizados e incompreendidos, os episódios psicóticos afetam uma em cada três mil pessoas por ano. Apesar de se associarem à esquizofrenia, integram um espectro mais vasto de doenças mentais.

Este livro retrata vidas marcadas pela psicose, logo, pela perplexidade e pelo estigma. Porque a alteração do entendimento da realidade comum é, sobretudo, uma experiência de solidão extrema. E, até mesmo quando condena alguém a viver numa clínica psiquiátrica dentro de um estabelecimento prisional, significa dor e sofrimento mentais quase inconcebíveis.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

DOUTOR FAUSTO, de THOMAS MANN DOM QUIXOTE

 

O último dos grandes romances de Thomas Mann, autor do muito celebrado A Montanha Mágica.

Releitura moderna da lenda de Fausto, este é o romance mais enigmático e genial de Thomas Mann: uma poderosa alegoria da ascensão do nazismo na Alemanha e uma meditação sobre a loucura, a ambição e as perigosas atracções do niilismo.

Doutor Fausto apresenta-nos a biografia fictícia de um compositor que, à semelhança de Nietzsche, desafiou a loucura para assumir todo o sofrimento de uma época, e em cuja trajectória se pressente o eco trágico do triunfo e do apocalipse da Alemanha hitleriana. Em troca de vinte e quatro anos de génio musical sem paralelo, o compositor Adrian Leverkühn entrega ao Diabo a sua alma e a capacidade de amar. Torna-se, então, o pináculo da cultura alemã, uma figura brilhante, isolada e ambiciosa, cuja música radicalmente nova abala as estruturas da cena artística da época.

Tendo como pano de fundo a ascensão do Terceiro Reich e a renúncia da Alemanha à sua própria humanidade, a história de Leverkühn é uma profunda reflexão sobre a identidade alemã - tanto nacional como individual - e as terríveis responsabilidades do artista verdadeiramente grandioso.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

DO PALITO À PERDIZ, de PAULO MOREIRAS | CASA DAS LETRAS

 

Sabia que as morcelas são mencionadas nas cantigas medievais portuguesas, tal como as favas, que foram proibidas por Pitágoras aos seus discípulos? Que o escritor Aquilino Ribeiro considerava a perdiz uma das aves mais lindas de Portugal? E que os gregos tinham o hábito de se passearem nas ruas com um palito na boca, como sinal de abastança e mesa farta?

A mesa, de resto, sempre foi ponto de encontro para os portugueses e peça central do seu quotidiano. À mesa estabelecem-se alianças, desenham-se estratégias, desenvolve-se a arte da má-língua. Mas também, curiosamente, se fala muito de comida: O que vai ser o jantar? Quando fazemos um petisco? Vamos comer um leitãozinho? Que tal uma sardinhada?

Do Palito à Perdiz - Sobre a mesa muito se diz é uma obra que reúne mil e uma curiosidades, que vêm a calhar que nem ginjas, sobre coisas que costumam chegar à mesa dos portugueses e que, como a ginjinha, fazem parte da nossa alma e identidade.

Esta é uma viagem à descoberta da nossa gastronomia, na qual a História se cruza com a Tradição, através de manifestações religiosas e culturais, lendas e contos, cantigas populares, adivinhas, provérbios ou superstições, mas também nas páginas dos escritores portugueses, que nunca deixaram de as referir nas suas obras.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O SUL, de TASH AW | DOM QUIXOTE

A aclamada obra de um dos autores mais notáveis da nova geração, três vezes nomeado para o Booker Prize.

Quando o avô de Jay morre, o adolescente viaja com os pais e as duas irmãs até à propriedade que lhes coube em herança. A quinta, porém, está em ruínas, as árvores estão doentes e os campos áridos devido à seca. Ainda assim, o pai obriga-o a trabalhar na terra. A seu lado está Chuan, o filho do caseiro. Ao longo desses dias de verão, na vastidão dos campos e pelas ruas serpenteantes da cidade, a atração entre os rapazes intensifica-se.

No interior da casa decadente, os outros membros da família debatem-se com os seus próprios fantasmas. Os mais jovens sonham com a promessa de liberdade que Singapura oferece. Os mais velhos, tal como a terra que os rodeia, parecem impotentes para resistir às forças - naturais e humanas - que ameaçam tornar o seu modo de vida obsoleto.

Pela mão de Tash Aw, um dos autores mais aclamados da nova geração, três vezes nomeado para o Booker Prize, O Sul é um romance tenso e melancólico sobre desejo e família, modernidade e tradição.
 

terça-feira, 28 de abril de 2026

CAI BOMBA, de GERRIT KOUWENAAR | DOM QUIXOTE

Cai, Bomba! é um romance de formação comovente e incisivo sobre a arrogância da juventude, o desejo de aventura, a perda da inocência e a assustadora realidade da guerra. Inspirado nas suas vivências durante a invasão alemã, Kouwenaar retrata a ocupação dos Países Baixos com uma honestidade pungente, numa obra que foi comparada à de Sartre e de Gide. Um clássico redescoberto e, ao mesmo tempo, uma narrativa empática e assustadoramente atual.

Maio de 1940. Karel Ruis, de dezassete anos, dedica-se a devaneios para fugir à monotonia do seu quotidiano. Desde que a guerra assola a Europa, parece desejar o bombardeamento do seu país - para ele, qualquer coisa é melhor do que a existência estagnada dos pais. O seu desejo cumpre-se de forma brutal quando as tropas de Hitler invadem os Países Baixos, fazendo a guerra irromper no seu quotidiano e mudando violentamente a sua existência jovem e protegida.

Depois de sobreviver a um ataque aéreo e completar uma missão secreta (a entrega de uma carta à amante judia do seu tio), Karel apaixona-se (pela filha dessa mulher). Mas a alegria desse amor é breve - perante o avanço nazi, mãe e filha veem-se forçadas a fugir - e o futuro parece reservar-lhe apenas perdas e solidão. O que começa como um relato de aventuras, transforma-se num livro antibélico inesquecível, onde o autor capta de forma brilhante os anseios ingénuos do seu jovem protagonista e mostra o que acontece quando um rapaz de dezassete anos é lançado para a cruel maturidade em poucos dias.
 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

FAZER DE ESTÁTUA, de GÜNTER GRASS | DOM QUIXOTE


Quando um dia perguntaram a Umberto Eco que figura histórica feminina, do mundo da arte, ele escolheria, se pudesse, para jantar com ele, o escritor respondeu: Uta de Naumburgo. O mesmo se passa com o narrador desta história. No final da década de 1980, encontrando-se em viagem pela República Democrática Alemã, onde apresentava a sua obra mais recente, o narrador depara, na catedral de Naumburgo, com a mulher mais bela da Idade Média, uma das doze estátuas que representam os fundadores daquela igreja. E como tudo é possível numa folha de papel, convida todos os modelos para um almoço no seu jardim - todas as personagens que um dia haviam inspirado o mestre artesão do século XIII a criar aquelas esculturas tão próximas dos originais.

Pois bem, é durante esse repasto que o narrador se deixa encantar pela filha de certo ourives, precisamente a rapariga que servira de modelo à figura de Uta. A mesma jovem que, num ousado salto cronológico, ganha agora vida, no momento presente, fazendo de estátua nas praças de Colónia, Milão ou Frankfurt. O narrador fica tão obcecado pela jovem que a procura por toda a parte, satisfazendo-lhe até, por fim, um pedido com desfecho fatídico.

Concebida inicialmente para integrar um dos capítulos de Descascando a Cebola, esta narrativa foi descoberta há pouco tempo por Hilke Ohsoling, colaboradora de longa data de Günter Grass. O texto encontrava-se entre os materiais arquivados, não numa gaveta qualquer, esquecida e empoeirada. Já havia, porém, indícios da existência de Fazer de Estátua, referências encontradas em manuscritos do arquivo, em projetos de trabalho ou litografias, num conjunto de esculturas presente na oficina de trabalho de Grass.

Uma narrativa de grande subtileza, até agora desconhecida do público-leitor.

domingo, 26 de abril de 2026

O NOVO AGORA, de MARCELO RUBENS PAIVA | DOM QUIXOTE

A brilhante continuação de Feliz Ano Velho e Ainda Estou Aqui onde o autor constrói uma narrativa envolvente e íntima sobre a paternidade, ao mesmo tempo que recria um momento desafiador da história recente do Brasil.

Escritor, pai depois dos cinquenta anos, cadeirante e considerado inimigo pelo governo de Bolsonaro: assim se descreve Marcelo Rubens Paiva neste livro franco e emotivo, sequência autobiográfica de Feliz Ano Velho e Ainda Estou Aqui.

Nas obras anteriores, o autor fala sobre o acidente que o deixou numa cadeira de rodas aos vinte anos, o desaparecimento do pai, Rubens, durante a ditadura militar, e a luta da mãe, Eunice, para cuidar sozinha dos cinco filhos, se tornar uma defensora dos direitos indígenas e, por fim, enfrentar o Alzheimer.

Desta vez, em O Novo Agora, é o próprio Marcelo quem está no papel de pai. Às vezes bem-humorado, outras melancólico, Marcelo mergulha nas agruras da paternidade, ao mesmo tempo que recorda períodos especialmente duros do país: primeiro, a guinada política à direita que atinge em cheio a sua família e os artistas brasileiros. Depois, a pandemia. E, no meio de tudo isto, a lenta fragmentação do seu casamento.

A escrita avança e recua no tempo, retoma memórias de infância e relatos dos pais, incluindo cartas de Eunice, e, aos poucos, constrói um retrato complexo de uma família que atravessa crises de diferentes níveis, incerta quanto ao futuro, mas que, aos poucos, aprende a sobreviver… e a sair do outro lado refeita.
 

sábado, 25 de abril de 2026

AUTORES NACIONAIS | MANUEL ALBERTO VALENTE

Manuel Alberto Valente (Vila Nova de Gaia, 1945) licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, cidade onde reside, mas acabou por dedicar grande parte da sua vida à atividade editorial. Como poeta, a sua obra está compilada em Poesia Reunida – O pouco que sobrou de quase nada (Quetzal, 2015).
Traduziu poesia de Juan Vicente Piqueras, Luis García Montero e Yolanda Castaño. Organizou a antologia Poesia, Substantivo Feminino – 25 poetas nascidas depois do 25 de Abril (Dom Quixote, 2025). Em 2008, foi agraciado pelo Governo Francês com o grau de Cavaleiro das Artes e das Letras e, em 2020, pelo Reino de Espanha com a Ordem de Isabel a Católica.
 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

60 ANOS DE POESIA, de MANUEL ALBERTO VALENTE | DOM QUIXOTE

Uma antologia que reúne um poema de cada um dos poetas publicados na Dom Quixote ao longo dos seus 60 anos de livros.

Projectada no âmbito das comemorações do 60.º aniversário das Publicações Dom Quixote, a presente antologia não pretende ser outra coisa senão a demonstração viva de como, desde a sua fundação por Snu Abecassis, em 1965, até ao presente, a Editora tem permanentemente demonstrado um empenhamento sério na divulgação da poesia.

No tempo de Snu (com a ajuda invisível de Fernando Assis Pacheco), os Cadernos de Poesia marcaram uma época da edição portuguesa, tendo neles sido publicados poetas como Carlos de Oliveira, Alexandre O’Neill, Armando Silva Carvalho, David Mourão-Ferreira, Ruy Belo, Egito Gonçalves, Natália Correia, António Ramos Rosa, Sophia de Mello Breyner, Maria Teresa Horta, Herberto Helder, Gastão Cruz ou Nuno Júdice, com a particularidade de este último, com A Noção de Poema, ter aí feito a sua estreia poética.

Mas mesmo depois, ao longo das sucessivas alterações de propriedade, nunca a Dom Quixote deixou de parte a poesia; pelo contrário, foi sempre enriquecendo o seu catálogo, que conta hoje, além de alguns clássicos, com «autores residentes» como Manuel Alegre, Fernando Pinto do Amaral ou Nuno Júdice.

E com o nome deste último criou, em 2025, um Prémio de Poesia que homenageia um poeta que nasceu na casa e que, muitos anos depois, fez dela o seu definitivo porto de abrigo.
 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

AUTORES NACIONAIS | NUNO JÚDICE


Nuno Júdice (1949-2024) nasceu no Algarve. Professor universitário, assumiu em 2009 a direção da revista Colóquio-Letras da Fundação Calouste Gulbenkian. Publicou o primeiro livro em 1972 e foi um dos mais importantes nomes da poesia contemporânea. Recebeu os mais importantes prémios de literários nacionais e internacionais, entre os quais: Pen Clube (1985), Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus (1990), da Associação Portuguesa de Escritores (1995), Bordalo da Casa da Imprensa (1999), Cesário Verde e Ana Hatherly (2003) e Fernando Namora (2004). Em 2013, foi distinguido com o XXII Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana (Espanha); em 2014, com o Prémio de Poesia Poetas del Mundo Latino Víctor Sandoval (México); em 2015, com o Prémio Argana de Poesia, da Maison de la Poésie de Marrocos e o Prémio Literário Fundação Inês de Castro – Tributo de Consagração; e, em 2016, com o El Ojo Crítico Iberoamericano de Radio Nacional de Espanha.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

PRIMEIRO POEMA, de NUNO JÚDICE | DOM QUIXOTE

O último livro de Nuno Júdice, o que o poeta tinha preparado para publicação no ano em que nos deixou.

Conforme nos conta Manuela Júdice na introdução deste livro, Nuno Júdice morre em Março de 2024 deixando três pastas com poemas para o livro que dizia estar preparando. Saem dessas pastas os poemas para este livro, Primeiro Poema, o título que ele revelara ao Ricardo Marques.

O trabalho de completar o livro incompleto foi feito pelo Ricardo Marques, estudioso da obra do poeta e seu amigo, e por Manuela Júdice, a sua mulher de toda a vida. E, neste Primeiro Poema, voltamos a ouvir a voz de Nuno Júdice, os seus temas, a sua poesia.
 

terça-feira, 21 de abril de 2026

AUTORES NACIONAIS | ANTÓNIO TAVARES


António Tavares nasceu no Lobito, Angola, em 1960. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e é pós-graduado em Direito da Comunicação pela mesma universidade. Foi jornalista e autarca e atualmente é professor. Escreveu peças de teatro e ensaios. Como romancista, foi finalista do Prémio LeYa e do Prémio Literário Fernando Namora com As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, venceu o Prémio LeYa em 2015 com O Coro dos Defuntos, o seu romance Todos os Dias Morrem Deuses recebeu uma menção honrosa no Prémio Literário Alves Redol e publicou ainda o romance Homens de Pó.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A ARTE PENDULAR DO BALOIÇO, de ANTÓNIO TAVARES | DOM QUIXOTE


No final de 1980, em vésperas de eleições presidenciais, uma avioneta cai em Camarate logo após levantar voo. Nela seguiam, entre outros, o chefe do governo de Portugal e o seu ministro da Defesa, que morrem carbonizados. Com dez comissões parlamentares de inquérito, ainda hoje, volvidas mais de quatro décadas, não se sabe se foi acidente ou atentado, e ninguém foi a julgamento.

Na mesma altura, um grupo de revolucionários radicais cria uma organização terrorista conhecida por FP-25, cuja missão é matar os inimigos do povo. Setenta e três réus são julgados, mas apenas uns trinta condenados e - entre amnistias e prescrições - poucos cumprem prisão efectiva.

Entretanto, numa aldeia às portas de Lisboa onde não se deixa que nasça nem mais uma criança, uma rapariga morrerá misteriosamente pouco depois de dar à luz. A menina recém-nascida acabará ao colo do mecânico da avioneta acidentada; e o seu pai biológico - amigo do polícia que investiga os casos descritos - procurará durante muitos anos essa filha que passará boa parte da infância em cima de um baloiço.

Estas são as pontas que nunca se atam verdadeiramente em A Arte Pendular do Baloiço, um romance absolutamente fascinante no qual se afirma, não sem alguma razão, que em Portugal nunca há culpados.

domingo, 19 de abril de 2026

AUTORES NACIONAIS | LÍDIA JORGE

Romancista e contista portuguesa. Nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É professora do ensino secundário e publica regularmente artigos na imprensa. O tema da mulher e da sua solidão é uma preocupação central da obra de Lídia Jorge, como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). O Dia dos Prodigíos (1979), outro romance de relevo, encerra uma grande capacidade inventiva, retratando o marasmo e a desadaptação de uma pequena aldeia algarvia. O Vento Assobiando nas Gruas (2002) é mais um romance da autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes. Este seu livro venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2003.
Venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas 2020.
Venceu o Prémio Pessoa de 2025.
 

sábado, 18 de abril de 2026

O CÉU CAIRÁ SOBRE NÓS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

Nota do autor
«Encaro o Mundo como um mistério por desvendar. Se escrevo romances é para imaginar que as personagens lançadas num palco, animadas de voz própria, dialogam de tal modo que chegam a conclusões que eu sozinha não alcançaria. Mas com as crónicas é diferente. Eu mesma sou personagem e promovo o inquérito a minhas próprias expensas. Ao publicá-las tenho a ideia de escrever cartas de desafio contra o que a História oculta. E assim, pelos enganos que ela comporta, nada de mais ambicioso e nada de mais humilde do que esta labuta com o tempo que passa e a verdade que voa.»
Lídia Jorge

sexta-feira, 17 de abril de 2026

AUTORES NACIONAIS | CARLA PAIS

Carla Pais, nascida em 1979, é natural da freguesia de Regueira de Pontes e reside atualmente em França.
Autora do romance Mea Culpa, finalista do Prémio APE 2018, tem sido premiada nos vários géneros literários, nomeadamente na poesia, onde venceu a primeira edição do prémio de poesia Francisco Rodrigues Lobo com a obra A Instrumentação do Fogo.
O seu romance Um Cão Deitado à Fossa foi galardoado com o prémio Cidade de Almada 2018 e o Prémio SPA para o melhor livro de ficção narrativa 2023. E o mais recente romance, A Sombra das Árvores no Inverno, venceu o Prémio LeYa 2025.