sábado, 18 de julho de 2026

AUTORES NACIONAIS | ANA SARAGOÇA

Ana Saragoça, filha dos anos sessenta, de um pai terno e de uma mãe extremosa que não deixa os créditos por mãos alheias, cresceu, tal como a irmã, limpinha e asseada, bem-educada, bem alimentada e agasalhada e (sempre!) bem comportada, apesar de um forte pendor para a irreverência que se lhe adivinha desde as primeiras linhas deste livro e se aposta que existe naquela cabeça desde os primeiros anos de vida. Terá, pois, dado à mãe fortes razões para coleccionar «pérolas» suficientes para um colar com várias voltas e, agora, passa a herança à filha pré-adolescente e ao filho, já adolescente, com quem vive, em Lisboa. Embora por vezes tenha melhores resultados (como todas as mães sabem) a falar para as paredes, ou para os gatos que completam o agregado familiar...
Para além do currículo materno-filial, é actriz, tradutora e escritora, tendo publicado, em 2012, um dos mais interessantes romances do ano literário: Todos os Dias São Meus. É também dramaturga, com duas peças levadas à cena recentemente, e colaboradora de várias revistas, e nomeadamente de uma que se chama Papel mas só existe on-line (o que pensará disto a mãe dela?).


sexta-feira, 17 de julho de 2026

A TURISTA INVISÍVEL, de ANA SARAGOÇA | CASA DAS LETRAS


 Uma mulher que toda a vida sonhou viajar arrisca-se a fazê-lo finalmente depois dos 50. E descobre-se completamente invisível…


Criada com dificuldades e habituada a férias de campismo, Ana sonhou toda a vida com viagens a sério; mas as ocupações que escolheu, o casamento, os filhos, o trabalho irregular, não lhe facilitaram a vida. Na verdade, foi só depois dos cinquenta que conseguiu respirar fundo, tirar um mês sem facturar, dispor de um pé-de-meia, fazer a mala e arriscar na aventura de um Interrail, tal como os estudantes no fim do Secundário.

Esta é, pois, a história de uma senhora de certa idade que resolveu controlar a ansiedade e os nervos, pôr uma mochila às costas, meter-se em vários comboios e testar as rodas do seu trólei nas lajes da Antiguidade e da modernidade de Itália. Não esperou por ninguém e partiu, ainda que com receio de se fartar de si própria (mesmo que para os outros fosse paradoxalmente quase invisível).

Não orou nem amou, mas comeu, bebeu e olhou com avidez tudo o que lhe apareceu pela frente, coisas e pessoas. Teve contratempos, claro, mas não chorou sobre o leite derramado até porque os aperitivos que experimentou eram bem coloridos e estimulantes. Apaixonou-se todos os dias, e todos os dias se exasperou com paixão. Andou muito. Escreveu muito. Cansou-se muito. e voltaria já amanhã.

Testemunho incrivelmente sincero e genuíno, A Turista Invisível não é só o relato de uma viagem há muito desejada, mas sobretudo uma jornada ao mais fundo de si que um ser humano pode fazer. E, ainda por cima, com um belo cenário.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O JUÍZO DAS MÃOS, de ELIZA CAMPELLO | EDIÇÕES SAÍDA DE EMERGÊNCIA

Lala é uma criança especial. Tem quinze anos, mas, apesar de ter ambos os pais vivos, é órfã. A mãe foi afastada por loucura, o pai devido a intrigas políticas.
Vive com a tia, uma mulher deslumbrante e extremamente poderosa, o que lhe permite crescer rodeada de privilégios e longe do pior que o mundo esconde. Mas Lala é curiosa, quer descobrir o que existe fora dos bairros mais ricos. E tem um segredo: sabe que algo maligno se esconde nas zonas obscuras da cidade. A sua desobediência às regras impostas permite-lhe conhecer alguém com quem nunca se deveria ter cruzado: Bheithir, um clonado, uma espécie de escravo sem direitos. Será esse o lado negro da cidade que ela antecipava?
Será ele uma vítima, um perigo, ou um ser humano como ela? Bheithir sente o mesmo fascínio por ela, e também ele carrega os seus mistérios. Combinados, os segredos que escondem podem tornar-se mortais e uma ameaça para tudo o que conhecem. É por isso que as suas vidas ficam subitamente em risco e um deles terá de se sacrificar pelo outro.

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O ENIGMA DO FORTE, de ISABEL RICARDO | EDIÇÕES SAÍDA DE EMERGÊNCIA

Os AVENTUREIROS rumam ao Alentejo para participar nas Jornadas Juvenis de Orientação Elvas-Chave do Reino. Inesperadamente, no primeiro dia, Bia descobre uma mensagem misteriosa escondida num livro muito antigo: Em Elvas luz o tesouro…
Apesar de excitados com esse achado e a perspetiva de uma caça ao tesouro, terão de a adiar pois, no dia seguinte, começam as jornadas de orientação e vão andar ocupados com o peddy-paper.
É então que surge um casal estranho que parece andar à procura do livro descoberto pelos AVENTUREIROS. E, nem a propósito, Daniel descobre outra mensagem secreta, escrita em tinta invisível, com mais pistas enigmáticas. O que poderá significar uma estrela, um dragão e uma águia? Terá a ver com algum segredo deixado por um oficial da primeira invasão francesa?
A investigação levá-los-á ao fabuloso Forte da Graça e lá viverão momentos emocionantes, com labirintos subterrâneos, salas invisíveis, túneis, alçapões, contraminas, baluartes e muita emoção. Que segredo esconde a fortaleza?

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

O LEGADO, de NORA ROBERTS | CHÁ DAS CINCO


Adrian Rizzo tinha sete anos quando conheceu o pai. Esse foi também o dia em que ele quase a matou — antes de a sua mãe intervir. Para proteger a filha, Lina deixa a criança com os avós no Maryland, onde Adrian passa um verão inesquecível, fazendo novos amigos e vivendo a primeira paixão da juventude.

Uma década depois, Adrian seguiu os passos da mãe e é proprietária da sua própria marca de fitness. Contudo, a relação entre ambas é tensa, e se Lina desvaloriza as ameaças de morte que a filha recebe — afinal, é o preço do sucesso —, Adrian não consegue evitar ficar perturbada.

As ameaças sucedem-se a cada ano, e nem a mudança para o Maryland é capaz de as fazer desaparecer. Pelo contrário, dá-se um escalar na intensidade e os misteriosos poemas anónimos parecem indicar um motivo muito pessoal: a vingança.
Com o reatar da relação com Raylan, a sua antiga paixão da juventude, Adrian agora tem muito mais a perder. Mas será possível conciliar um passado tão negro com um final feliz?

segunda-feira, 13 de julho de 2026

O MATCH PERFEITO | PLANETA

O amor não devia ser previsível, nem cair na monotonia. No entanto, a vida em piloto automático às vezes torna isso difícil. O Match Perfeito é o que precisas para quebrares com a rotina do dia a dia e viveres uma vida a dois recheada de gargalhadas. Acabaram-se as noites passadas no sofá a ver «só mais um episódio» da série do momento. Está na hora de jogar em casal.

As regras são simples: quem resolver primeiro cada desafio ganha… e fica dispensado de limpar a casa de banho ou de tratar da roupa. Têm 80 oportunidades para mostrar a vossa ligação através de enigmas, jogos de memória, desafios mais atrevidos, labirintos e jogos que vos vão pôr à prova, quando e onde quiserem.

Era bonito dizer que aqui não há vencedores nem vencidos, apenas duas pessoas apaixonadas a aprender a gostar ainda mais uma da outra. Mas a verdade é que o amor também se joga… e este livro será o tabuleiro perfeito para o vosso duelo, frente a frente, quer estejam juntos há pouco tempo ou há uma vida inteira.
 

domingo, 12 de julho de 2026

RESENHA – A ÚLTIMA ILUSÃO, de PEDRO MIGUEL RIBEIRO | PENGUIN RANDOM HOUSE

A Última Ilusão, de Pedro Miguel Ribeiro, é um thriller português que combina mistério, ilusionismo e drama psicológico numa narrativa inteligente e envolvente. Partindo de uma premissa intrigante — o desaparecimento de uma pessoa durante o último espetáculo do maior ilusionista da história, em Braga —, o autor constrói uma história que vai muito além de um simples policial.

Um dos grandes méritos do romance é a forma como explora a linha ténue entre a realidade e a ilusão. À medida que o mistério se adensa, o leitor é constantemente levado a questionar aquilo que vê, aquilo em que acredita e as verdadeiras intenções das personagens. O suspense é construído de forma gradual, com revelações bem doseadas que mantêm a curiosidade viva até ao desfecho.

Pedro Miguel Ribeiro apresenta uma escrita fluida e cinematográfica, alternando entre diferentes momentos temporais e cenários de forma natural. A sua experiência como argumentista reflete-se na construção das cenas, que são visualmente marcantes e conferem um ritmo dinâmico à narrativa. A história é enriquecida por referências ao mundo do ilusionismo, sem nunca perder o foco nas emoções humanas e nos conflitos que movem as personagens.

Mais do que um romance de mistério, A Última Ilusão é também uma reflexão sobre as aparências, os segredos e tudo aquilo que permanece por dizer. O autor mostra como as ilusões não existem apenas nos palcos, mas também nas relações humanas, onde a verdade pode ser cuidadosamente escondida por trás de gestos, palavras e escolhas.

No conjunto, A Última Ilusão é uma estreia muito sólida de Pedro Miguel Ribeiro. Com um enredo original, personagens bem construídas e um final surpreendente, o romance destaca-se pela capacidade de prender o leitor do início ao fim, oferecendo uma experiência que mistura entretenimento, suspense e reflexão.

Madalena Condado

 

sábado, 11 de julho de 2026

PAI, ACEITAS O DESAFIO? | PLANETA


Mãe, Aceitas o Desafio? e Pai, Aceitas o Desafio? são livros que nos lembram que a maternidade e a paternidade não são só rotinas e cuidados, são também feitas de gargalhadas, desafios e momentos divertidos em família.

Nestes livros, vais encontrar 80 desafios, entre os quais enigmas, jogos de memória, labirintos e confissões, para mães e filhos e pais e filhos jogarem juntos, em qualquer lugar, num verdadeiro duelo familiar.

As regras são simples: quem ganhar o jogo escolhe o próximo filme, fica dispensado de levar o lixo à rua ou tem direito ao último croquete. Era bonito dizer que aqui não há vencedores nem vencidos, só uma família a passar bons momentos juntos, mas a verdade é que jogar também é desafiar, rir até doer a barriga, entrar em picardias e celebrar cada vitória.

Este livro será o vosso tabuleiro de jogo: uma competição cheia de cumplicidade, tanto para famílias com filhos pequenos ou já adolescentes, quer sejam especialistas em jogos quer estejam só agora a descobrir o quão divertido é jogar em equipa.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

MÃE, ACEITAS O DESAFIO? | PLANETA


Mãe, Aceitas o Desafio? e Pai, Aceitas o Desafio? são livros que nos lembram que a maternidade e a paternidade não são só rotinas e cuidados, são também feitas de gargalhadas, desafios e momentos divertidos em família.

Nestes livros, vais encontrar 80 desafios, entre os quais enigmas, jogos de memória, labirintos e confissões, para mães e filhos e pais e filhos jogarem juntos, em qualquer lugar, num verdadeiro duelo familiar.

As regras são simples: quem ganhar o jogo escolhe o próximo filme, fica dispensado de levar o lixo à rua ou tem direito ao último croquete. Era bonito dizer que aqui não há vencedores nem vencidos, só uma família a passar bons momentos juntos, mas a verdade é que jogar também é desafiar, rir até doer a barriga, entrar em picardias e celebrar cada vitória.

Este livro será o vosso tabuleiro de jogo: uma competição cheia de cumplicidade, tanto para famílias com filhos pequenos ou já adolescentes, quer sejam especialistas em jogos quer estejam só agora a descobrir o quão divertido é jogar em equipa.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

OS INCÊNDIOS FLORESTAIS EM PORTUGAL, de ANTÓNIO BENTO-GONÇALVES | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Portugal apresenta, por ano, extensas áreas ardidas e uma das mais elevadas taxas de ignições a nível mundial, num contexto de acréscimo tendencial do número e da dimensão e capacidade destruidora dos “grandes incêndios”. Num país sem grande cultura de auto-protecção, onde, ao contrário da sabedoria popular, se continua a remediar em vez de prevenir, este livro visa contribuir para a divulgação do conhecimento na área dos incêndios florestais. É um alerta muito claro para um flagelo que, sem clara mudança de paradigma, apenas poderá piorar.

AUTORES INTERNACIONAIS | PHILIP ROTH


Philip Roth nasceu em Newark, Nova Jérsia, a 19 de março de 1933. Segundo filho de americanos de segunda geração, Beth e Herman Roth, Roth cresceu na comunidade predominantemente judia de Weequahic, bairro a que regressaria muitas vezes na sua escrita. Depois de concluir o ensino secundário na Weequahic High School em 1950, frequentou a Universidade Bucknell, na Pensilvânia, e a Universidade de Chicago, onde recebeu uma bolsa de estudos para concluir o seu mestrado em Literatura Inglesa.

Em 1959, Roth publicou Goodbye, Columbus – coletânea que reúne uma novela e cinco contos – obra pela qual recebeu o National Book Award. Dez anos depois, o seu quarto romance, O Complexo de Portnoy, proporcionou a Roth o êxito crítico e comercial, consolidando firmemente a sua reputação como um dos melhores jovens escritores da América. Roth é autor de trinta e um livros, incluindo aqueles que acompanharam os destinos de Nathan Zuckerman e de um narrador imaginário chamado Philip Roth, através dos quais explorou, dando-lhes voz, as complexidades da experiência americana nos séculos XX e XXI.
O duradouro contributo de Roth para a literatura foi amplamente reconhecido ao longo da sua vida, tanto nos Estados Unidos como no estrangeiro. Entre outros galardões, recebeu o Prémio Pulitzer, o International Man Booker Prize, foi por duas vezes o vencedor do National Book Critics Circle Award e do National Book Award, e foi distinguido com a Medalha Nacional das Artes e com a Medalha Nacional de Humanidades pelos Presidentes Clinton e Obama, respetivamente.
Philip Roth morreu a 22 de maio de 2018, com oitenta e cinco anos, tendo cessado seis anos antes a sua carreira de escritor.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O SEIO, de PHILIP ROTH | DOM QUIXOTE

Qual Gregor Samsa do nosso tempo, o professor David Kepesh acorda certa manhã e descobre que sofreu uma mudança radical. Mas, enquanto o protagonista de Kafka tomou a forma de um inseto monstruoso, o narrador da fantasia de Philip Roth transformou-se num seio feminino de setenta quilos.

O que se segue é uma exploração delirantemente divertida, mas também comovente, de todas as implicações da metamorfose de Kepesh. Ousada, herética - tão tetricamente hilariante quanto existencialmente desconcertante - ela recria o absurdo, a banalidade e a maravilhosa vacuidade da experiência humana vivida.
 

terça-feira, 7 de julho de 2026

REVIEW – MASTERS OF STRATEGY, by OLIVIER WIEVIORKA and GENERAL BENOÎT DURIEUX | CRÍTICA


Masters of Strategy by Olivier Wieviorka and General Benoît Durieux is a fascinating exploration of the evolution of strategic thought throughout history, bringing together the ideas of some of the world's most influential military and political strategists. Far more than a book about warfare, it is a thoughtful examination of leadership, decision-making, power, and adaptability, demonstrating how the principles of strategy remain relevant across many aspects of modern life.

The authors present the ideas of renowned thinkers such as Sun Tzu, Thucydides, Niccolò Machiavelli, Carl von Clausewitz, and many others in a clear and accessible way. Rather than simply summarizing their works, they place each strategist within their historical context and examine how their ideas continue to shape politics, diplomacy, international conflict, and even the business world.

One of the book's greatest strengths is its balance between academic rigor and readability. Despite the depth of the topics discussed, the writing remains approachable, making it an engaging read for both specialists and general readers interested in history, international relations, leadership, or strategic thinking.

The organization of the book by individual thinkers makes it easy to follow the development of strategic theory over the centuries, illustrating how concepts of warfare and power have evolved alongside technological advances and changing political landscapes. At the same time, the authors draw meaningful connections between different schools of thought, highlighting both their differences and their enduring relevance.

More than a study of military campaigns, Masters of Strategy encourages readers to reflect on the importance of preparation, anticipation, flexibility, and understanding one's opponent. It convincingly argues that strategy extends far beyond the battlefield, serving as an essential framework for addressing complex challenges in virtually any field.

Overall, Masters of Strategy is an essential read for anyone interested in military history, geopolitics, leadership, or the art of strategic thinking. Combining historical insight with timeless lessons on decision-making and leadership, Olivier Wieviorka and General Benoît Durieux have produced an intellectually stimulating and highly rewarding work.

 Madalena Condado

RESENHA – MESTRES DA ESTRATÉGIA, de OLIVIER WIEVIORKA e GENERAL BENOÎT DURIEUX | CRÍTICA

 

Mestres da Estratégia, de Olivier Wieviorka e do General Benoît Durieux, é uma obra fascinante que percorre a evolução do pensamento estratégico ao longo da História, reunindo as ideias de alguns dos mais influentes estrategas militares e políticos. Muito mais do que um livro sobre guerra, trata-se de uma reflexão sobre liderança, tomada de decisão, poder e adaptação, mostrando como os princípios da estratégia continuam relevantes em diferentes áreas da vida contemporânea.

Os autores apresentam, de forma clara e acessível, o pensamento de figuras incontornáveis como Sun Tzu, Tucídides, Maquiavel, Carl von Clausewitz e outros grandes teóricos da estratégia. Em vez de se limitarem a resumir as suas obras, contextualizam as suas ideias no momento histórico em que surgiram e analisam a forma como continuam a influenciar a política, a diplomacia, os conflitos internacionais e até o mundo empresarial.

Um dos maiores méritos do livro é o equilíbrio entre rigor académico e linguagem acessível. Apesar da profundidade dos temas abordados, a leitura nunca se torna excessivamente técnica, permitindo que tanto especialistas como leitores interessados em História, Relações Internacionais ou liderança possam acompanhar facilmente a exposição dos conceitos.

A organização por pensadores facilita a consulta e permite compreender como o conceito de estratégia foi evoluindo ao longo dos séculos, acompanhando as transformações da guerra, da tecnologia e das estruturas de poder. Ao mesmo tempo, os autores estabelecem pontes entre diferentes correntes de pensamento, evidenciando semelhanças, divergências e a permanente atualidade de muitas dessas ideias.

Mais do que um estudo sobre campanhas militares, Mestres da Estratégia convida o leitor a refletir sobre a importância da preparação, da antecipação, da flexibilidade e da capacidade de compreender o adversário. O livro demonstra que a estratégia não se resume ao campo de batalha, mas constitui uma ferramenta essencial para enfrentar desafios complexos em qualquer contexto.

No conjunto, Mestres da Estratégia é uma leitura indispensável para quem se interessa por História militar, geopolítica, liderança e pensamento estratégico. Com uma abordagem rigorosa, bem estruturada e intelectualmente estimulante, Olivier Wieviorka e o General Benoît Durieux oferecem uma obra que alia conhecimento histórico a reflexões intemporais sobre a arte de decidir e agir.

Madalena Condado


segunda-feira, 6 de julho de 2026

AGUARELA DE PARIS, de JOÃO PINTO COELHO | DOM QUIXOTE

Inverness, 1927.
As Terras Altas da Escócia, refúgio privado do ramo britânico dos Senigallia, a mais influente dinastia de banqueiros judeus da Europa, são o palco da infância de Franca e Giullietta, duas gémeas impossíveis de distinguir e, ainda assim, tão diferentes.

Mas os muros aristocráticos do castelo de família encerram muito mais do que sonhos juvenis. Lá, onde o Diabo pode ser visto pelo menos uma noite por ano e os fantasmas esbofeteiam as criadas no escuro, dá se o maior crime do século, uma tragédia que marcará de maneira impiedosa o destino das raparigas.

O seu grito de emancipação escutar-se-á nos cenários mais improváveis – dos cafés de Montparnasse, onde Giullietta impõe o seu génio artístico junto de pintores que se contarão entre os mais famosos do mundo, até à costa do Estoril, onde Franca apanha sol no Tamariz e se cruza com espiões nas festas exuberantes do Hotel Palácio.

Porém, quando tudo se desmorona, o romance anoitece, quase insuportável de ler perante a mais hedionda das faces do Holocausto, essa que se oculta nos blocos de Auschwitz e Birkenau, pelas mãos de Mengele, o Anjo da Morte, e a sua legião de médicos nazis.
 

domingo, 5 de julho de 2026

REVIEW – THE PERFECT DIVORCE, by JENEVA ROSE | SAÍDA DE EMERGÊNCIA


The Perfect Divorce by Jeneva Rose is a gripping psychological thriller that explores the limits of trust, revenge, and the consequences of long-buried secrets. Packed with unexpected twists, the novel takes readers on a suspenseful journey where nothing is quite as it seems, maintaining tension until the very last page.

The story follows a cast of complex characters whose motives and intentions are gradually revealed. As the plot unfolds, alliances shift, lies come to light, and each new revelation reshapes the reader's understanding of the events. Jeneva Rose masterfully builds suspense by balancing moments of calm with shocking plot twists that make the book difficult to put down.

One of the novel's greatest strengths is its psychological depth. Rather than presenting clear-cut heroes and villains, Rose creates morally ambiguous characters who constantly challenge the reader's assumptions about whom to trust. This complexity adds richness to the story and makes the conflicts even more compelling.

The writing is sharp, fast-paced, and cinematic, with short chapters that keep the momentum going. While some twists may seem bold, they enhance the atmosphere of uncertainty that defines the best psychological thrillers.

Overall, The Perfect Divorce is a highly recommended read for fans of suspense, deception, and unpredictable storytelling. Jeneva Rose delivers an addictive and intelligent thriller that keeps readers hooked from beginning to end, leaving them to wonder just how far people are willing to go to protect their interests and conceal the truth.

Madalena Condado

RESENHA – O DIVÓRCIO PERFEITO, de JENEVA ROSE | SAÍDA DE EMERGÊNCIA


O Divórcio Perfeito, de Jeneva Rose, é um thriller psicológico envolvente que explora os limites da confiança, da vingança e das consequências dos segredos. Com uma narrativa repleta de reviravoltas, a autora conduz o leitor por uma história em que nada é exatamente o que parece, mantendo a tensão até às últimas páginas.

A trama acompanha personagens complexas, cujas motivações e intenções vão sendo reveladas gradualmente. À medida que o enredo avança, alianças mudam, mentiras vêm à tona e cada nova descoberta altera a perceção do leitor sobre os acontecimentos. Jeneva Rose constrói o suspense de forma eficaz, alternando momentos de aparente tranquilidade com revelações surpreendentes que tornam a leitura difícil de interromper.

Um dos pontos fortes do livro é o desenvolvimento psicológico das personagens. Em vez de apresentar heróis ou vilões claramente definidos, a autora cria figuras moralmente ambíguas, levando o leitor a questionar constantemente em quem pode confiar. Essa complexidade acrescenta profundidade à narrativa e torna os conflitos ainda mais envolventes.

A escrita é fluida, direta e cinematográfica, com capítulos curtos que imprimem um ritmo acelerado. Embora algumas reviravoltas possam parecer ousadas, elas contribuem para a atmosfera de constante incerteza, característica dos melhores thrillers psicológicos.

No conjunto, O Divórcio Perfeito é uma leitura recomendada para quem aprecia histórias cheias de suspense, manipulação e surpresas inesperadas. Jeneva Rose entrega um romance inteligente e viciante, que prende a atenção do início ao fim e deixa o leitor a refletir sobre até ondem inglêse as pessoas são capazes de ir para proteger os seus interesses e esconder a verdade.


Madalena Condado

 

sábado, 4 de julho de 2026


Natalia Litvinova é poeta e editora. Nasceu na Bielorrússia, em 1986, e vive em Buenos Aires desde 1996, onde orienta workshops de poesia. Publicou vários livros, entre os quais Todo ajeno (2013), Siguiente vitalidade (2016), Cesto de trenzas (2018), La nostalgia es un sello ardiente (2020) e Soñka, manos de oro (2022). Os seus trabalhos foram publicados na Alemanha, França, Espanha, Chile, Brasil, Colômbia e Estados Unidos. Pirilampo, vencedor do Prémio Lumen de Romance 2024, é o seu primeiro romance e a estreia da autora em Portugal.

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

PIRILAMPO, de NATALIA LITVINOVA | DOM QUIXOTE


Prémio Lumen de Romance 2024

A narradora desta história nasce a poucos quilómetros de Chernobil, no ano em que a central nuclear explode, e cresce num país atravessado pela confusão e pela miséria. Na terra das crianças radioativas, das colossais frutas da Zona, do céu vermelho e dos homens alcoólicos, doentes ou desorientados, as mulheres resistem fazendo do quotidiano um refúgio: a mãe cujo nascimento não foi registado devido à perseguição de Estaline; a avó sequestrada pelos nazis que regressa no fim da guerra e, acusada de traição, é condenada a três anos de trabalhos forçados, a apanhar turfa nos pântanos; a jovem apaixonada por Maiakovski ou a que pesca com as suas tranças.

De Buenos Aires, para onde emigrou com a família, Natalia Litvinova rompe o silêncio da sua mãe para reconstruir em Pirilampo toda uma linhagem silenciada.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | KATY BIRCHALL

Katy Birchall é autora de bestsellers, conhecida pelo seu humor irresistível e histórias românticas de fazer sonhar. Os seus livros, já traduzidos em vários países, conquistaram leitores de todas as idades pela leveza, charme e personagens inesquecíveis. Vive em Londres com o marido, a filha e o seu cão adotado — a inspiração perfeita para continuar a escrever histórias cheias de encanto e boa disposição.
Katherine Reilly é o pseudónimo de Katy Birchall.
 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A ONDA PERFEITA, de KATHERINE REILLY | PLANETA


Há doze anos, Leo Silva era campeão mundial de surf, até que festas descontroladas e escândalos nos tabloides destruíram a sua carreira. Depois de se retirar de forma súbita e misteriosa, Leo refugiou-se numa pequena vila costeira em Portugal, onde tem vivido longe dos holofotes. Mas, quando é convidado a competir na lendária prova australiana Rip Curl Pro Bells Beach, a notícia do seu regresso agita o mundo do surf.

Entra em cena Iris Gray, uma ambiciosa jornalista desportiva. A sua editora quer transformar Leo e o seu regresso no tema de capa da próxima edição da revista. Só há um problema: Leo é filho de Michelle Martin, uma conhecida estrela de televisão e dona da revista. A carreira de Iris está em jogo, não há margem para erros.

Quando Iris viaja até Portugal, espera descobrir a verdade por trás do passado polémico de Leo. Não contava com a sua teimosia, nem com a química impossível de ignorar que surge entre os dois. Mas ele é o seu entrevistado e o filho da dona da revista... Leo está totalmente fora dos limites.

Com um rival decidido a sabotar o seu regresso e com a competição cada vez mais próxima, será que Leo consegue manter o foco no seu objetivo? E será que Iris consegue separar o trabalho dos seus sentimentos? Ou será que o amor os vai arrastar para o fundo?

terça-feira, 30 de junho de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | SUSAN ABERNETHY

A paixão de Susan Abernethy por História começou há cinquenta anos e levou-a a frequentar uma licenciatura em História na University of North Carolina, em Charlotte. Atualmente, é membro da Rocky Mountain Medieval and Renaissance Association, da Society for Renaissance Studies e da Historical Association.
O seu trabalho foi publicado em vários websites e revistas de temática histórica, incluindo participações especiais em podcasts dedicados à História. O seu blogue, The Freelance History Writer, publica de forma contínua mais de quinhentos artigos históricos desde 2012, com especial foco na história europeia, Tudor, medieval, renascentista, da Idade Moderna e na história das mulheres. Atualmente, encontra-se a trabalhar no seu próximo livro de não-ficção.
 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

CATARINA DE BRAGANÇA, de SUSAN ABERNETHY | PLANETA

Educada na corte portuguesa num ambiente profundamente religioso e recatado, a infanta Catarina de Bragança tornou-se, aos 23 anos, rainha de Inglaterra, num casamento tão grandioso quanto conturbado, marcado pelas infidelidades do marido Carlos II, por ser incapaz de gerar o tão desejado herdeiro e pela luta constante para se afirmar numa corte hostil.

Apelidada como a rainha esquecida, Catarina de Bragança foi muito mais do que apenas a mulher de Carlos II, muito mais do que a rainha que introduziu o chá, a geleia e o uso dos talheres na corte inglesa.

Este livro revela uma Catarina de Bragança mais complexa, determinada e influente do que a História muitas vezes reconheceu e retratou. Entre Portugal e Inglaterra, entre a devoção e a diplomacia, Catarina soube defender os interesses da sua pátria, promover a cultura barroca católica e conquistar um lugar singular no coração da Europa do século XVII.

Mais do que a história da rainha portuguesa de Inglaterra, esta é a história de uma mulher forte e determinada que transformou o seu destino num legado duradouro.
 

domingo, 28 de junho de 2026

REVIEW – EMILY WILDE'S ENCYCLOPAEDIA OF FAERIES

Emily Wilde's Encyclopaedia of Faeries, by Heather Fawcett, is a charming fantasy novel that blends academic rigor with the enchantment of folklore. The story follows Emily Wilde, a brilliant Cambridge professor and the world's leading expert on faeries, who travels to the remote village of Hrafnsvik to complete the first-ever encyclopaedia dedicated to these mysterious beings.

One of the novel's greatest strengths is its protagonist. Emily breaks away from the stereotype of the traditional fantasy heroine: she is exceptionally intelligent, methodical, and deeply passionate about knowledge, yet she struggles with social interactions. Her reserved personality makes her both relatable and compelling, allowing readers to follow her growth not only as a scholar but also as a person.

Another highlight is the dynamic between Emily and Wendell Bambleby, her charismatic academic rival. While Emily embodies logic and discipline, Wendell is charming, witty, and delightfully unpredictable. Their interactions provide humor, tension, and a slow-building connection that enriches the story without overshadowing the main plot.

The world-building is one of the novel's strongest features. Drawing inspiration from European folklore, Heather Fawcett presents faeries that are far removed from the gentle, magical creatures often found in children's stories. They are beautiful yet dangerous, mysterious, and bound by their own ancient rules, creating an atmosphere that is both captivating and unsettling. The journal-style narrative also adds originality, making readers feel as though they are participating in Emily's field research and discoveries.

Although the pacing can be slow at times, particularly because of the detailed descriptions of Emily's research and the local traditions, the story remains engaging thanks to the mysteries surrounding the Hidden Ones and the growing intrigue about Wendell's true identity.

Overall, Emily Wilde's Encyclopaedia of Faeries is a highly recommended read for fans of fantasy, folklore, and slow-burn romance. With memorable characters, rich world-building, and elegant prose, Heather Fawcett delivers an intelligent and enchanting adventure that reminds readers that the greatest mysteries are not always found in magical creatures, but also in learning to understand others—and oneself.

Madalena Condado

RESENHA – ENCICLOPÉDIA DE FADAS DE EMILY WILDE | LEYA

Enciclopédia de Fadas de Emily Wilde, de Heather Fawcett, é uma fantasia encantadora que combina o rigor académico com o fascínio do folclore. A história acompanha Emily Wilde, uma brilhante professora de Cambridge e a maior especialista mundial em fadas, que viaja até à remota aldeia de Hrafnsvik para concluir a primeira enciclopédia dedicada a estas criaturas misteriosas.

O grande destaque do livro é a protagonista. Emily foge ao estereótipo da heroína tradicional: é extremamente inteligente, metódica e apaixonada pelo conhecimento, mas revela grandes dificuldades nas relações sociais. A sua personalidade reservada torna-a uma personagem cativante e genuína, permitindo ao leitor acompanhar a sua evolução tanto no campo da investigação como no plano emocional.

Outro ponto forte é a dinâmica entre Emily e Wendell Bambleby, o seu carismático rival académico. Enquanto Emily representa a lógica e a disciplina, Wendell é espontâneo, encantador e imprevisível. As interações entre ambos proporcionam momentos de humor, tensão e uma crescente cumplicidade que enriquece a narrativa sem ofuscar o enredo principal.

A construção do mundo é um dos maiores méritos da obra. Inspirando-se no folclore europeu, Heather Fawcett apresenta fadas que estão longe da imagem delicada e benevolente dos contos infantis. São seres belos, mas perigosos, misteriosos e regidos por regras próprias, o que cria uma atmosfera envolvente e, por vezes, inquietante. O formato em diário de investigação também contribui para a originalidade da narrativa, fazendo o leitor sentir-se parte da descoberta.

Apesar do ritmo mais lento em alguns momentos, sobretudo devido às descrições detalhadas da pesquisa e das tradições locais, a história mantém o interesse graças ao mistério que envolve as fadas e à curiosidade crescente sobre a verdadeira identidade de Wendell.

No conjunto, Enciclopédia de Fadas de Emily Wilde é uma leitura recomendada para os amantes de fantasia, folclore e romances subtis. Com personagens memoráveis, um universo rico e uma escrita elegante, o livro oferece uma aventura inteligente e encantadora, mostrando que o maior mistério nem sempre está nas criaturas mágicas, mas também na capacidade de compreender os outros e a si próprio.Enciclopédia de Fadas de Emily Wilde, de Heather Fawcett, é uma fantasia encantadora que combina o rigor académico com o fascínio do folclore. A história acompanha Emily Wilde, uma brilhante professora de Cambridge e a maior especialista mundial em fadas, que viaja até à remota aldeia de Hrafnsvik para concluir a primeira enciclopédia dedicada a estas criaturas misteriosas.

O grande destaque do livro é a protagonista. Emily foge ao estereótipo da heroína tradicional: é extremamente inteligente, metódica e apaixonada pelo conhecimento, mas revela grandes dificuldades nas relações sociais. A sua personalidade reservada torna-a uma personagem cativante e genuína, permitindo ao leitor acompanhar a sua evolução tanto no campo da investigação como no plano emocional.

Outro ponto forte é a dinâmica entre Emily e Wendell Bambleby, o seu carismático rival académico. Enquanto Emily representa a lógica e a disciplina, Wendell é espontâneo, encantador e imprevisível. As interações entre ambos proporcionam momentos de humor, tensão e uma crescente cumplicidade que enriquece a narrativa sem ofuscar o enredo principal.

A construção do mundo é um dos maiores méritos da obra. Inspirando-se no folclore europeu, Heather Fawcett apresenta fadas que estão longe da imagem delicada e benevolente dos contos infantis. São seres belos, mas perigosos, misteriosos e regidos por regras próprias, o que cria uma atmosfera envolvente e, por vezes, inquietante. O formato em diário de investigação também contribui para a originalidade da narrativa, fazendo o leitor sentir-se parte da descoberta.

Apesar do ritmo mais lento em alguns momentos, sobretudo devido às descrições detalhadas da pesquisa e das tradições locais, a história mantém o interesse graças ao mistério que envolve as fadas e à curiosidade crescente sobre a verdadeira identidade de Wendell.

No conjunto, Enciclopédia de Fadas de Emily Wilde é uma leitura recomendada para os amantes de fantasia, folclore e romances subtis. Com personagens memoráveis, um universo rico e uma escrita elegante, o livro oferece uma aventura inteligente e encantadora, mostrando que o maior mistério nem sempre está nas criaturas mágicas, mas também na capacidade de compreender os outros e a si próprio.

Madalena Condado

sábado, 27 de junho de 2026

VÍTIMA, de JORN LIER HORST & THOMAS ENGER | DOM QUIXOTE

Há dois anos, Alexander Blix era o investigador principal num caso de uma pessoa desaparecida em que uma jovem mãe, Elisabeth Eie, tinha sido raptada. O caso chegou a um impasse quando a filha de Blix foi assassinada e ele detido por ter vingado a morte dela. Agora, Blix é de novo um homem livre. E a pessoa que tirou a vida a Elisabeth Eie encontrou-o, deixando provas do homicídio na sua caixa de correio.
A polícia mostra-se relutante em aceitar a ajuda de Blix. Apesar de ele ter sido absolvido do crime que cometeu, a sua carreira nas forças de segurança chegou ao fim. Mas o assassino de Eie continua a conduzi-lo para as suas novas vítimas, enquanto deixa claro que conhece detalhes da vida privada do antigo investigador que este nunca partilhou com ninguém.

Entretanto, Emma Ramm é contactada por uma adolescente cujo padrasto foi detido por suspeita de ter assassinado uma amiga de infância. Mas não existe corpo. Nem outros suspeitos…
Blix e Ramm só podem contar um com o outro, e, quando as impressões digitais de Blix são encontradas num desenho de uma criança no local de um crime, o presente torna-se desconfortavelmente próximo do passado. Um passado no qual uma vítima encontrou a sua própria forma, chocante, de terapia.
E alguém está a observar…
 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A HORA DO LOBO, de JO NESBO | DOM QUIXOTE

Um criminoso de pequena monta é alvejado nas ruas de Minneapolis e todas as evidências apontam para um lobo solitário, um sniper que desapareceu sem deixar rasto.
Quando este ataca de novo, o inconformista detetive Bob Oz é chamado para resolver o caso, pois tudo indica que aquela vítima não será a última.
À medida que o número de corpos aumenta, Oz suspeita de que algo ainda mais sinistro pode estar em jogo. E, quanto mais se aproxima da verdade, mais perturbado fica. Porque este assassino em série lhe faz lembrar alguém perigoso: ele próprio.

A Hora do Lobo é um thriller intenso, repleto de reviravoltas inesperadas, segredos obscuros e com uma tensão pessoal e política crescente que prenderá o leitor até à última página.
 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

ROSSHALDE, de HERMANN HESSE | DOM QUIXOTE


Johann Veraguth é um pintor mundialmente famoso que vive numa propriedade luxuosa, chamada Rosshalde, juntamente com a sua esposa, Adele, e o seu filho mais novo, Pierre.

Apesar do sucesso profissional e da riqueza de que dispõe, a sua vida pessoal, marcada pela frieza emocional, por uma profunda fissura conjugal e por uma má relação com o filho mais velho, Albert, não corre de feição há muito tempo. Por essa razão, Veraguth passa a maior parte do tempo refugiado no seu atelier e nas pinturas que produz, isolado da família, chegando a tornar-se um estranho na sua própria casa.
A visita de um velho amigo, Otto Burkhardt – que questiona o estilo de vida de Johann e o convida a viajar –, acentua ainda mais a crise pessoal em que o artista se encontra.
Dividido entre o seu apego ao filho Pierre, o único elemento que mantém a família unida, e o desejo de partir para alcançar a verdadeira liberdade criativa e pessoal, Veraguth tem de tomar decisões, mesmo quando tudo se começa a desmoronar.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

ESPELHO PARTIDO, de MERCÈ RODOREDA | DOM QUIXOTE

Romance coral que percorre a vida de vários elementos de uma família durante cerca de meio século, este é um caleidoscópio de perspetivas que acompanha o processo de fragmentação de uma dinastia matriarcal fundada no amor, na mentira, em segredos e traições.
Ao longo de três gerações, desde a viragem para o século XX até aos anos imediatamente posteriores à Guerra Civil espanhola, e em torno da figura fabulosa de uma mulher, o leitor observa com uma precisão detalhada a extraordinária transformação da família Valldaura.

É através da história desta casa senhorial de Barcelona, das suas intrigas e paixões, e da teia de segredos que molda a vida das personagens, que Rodoreda nos oferece uma obra de grande beleza poética, que é ao mesmo tempo um fresco profundamente trágico, por onde perpassam a decadência, a velhice e a morte – mas também uma grande vontade de viver.
 

terça-feira, 23 de junho de 2026

PIRILAMPO, de NATALIA LITVINOVA | DOM QUIXOTE

A narradora desta história nasce a poucos quilómetros de Chernobil, no ano em que a central nuclear explode, e cresce num país atravessado pela confusão e pela miséria. Na terra das «crianças radioativas», das colossais frutas da Zona, do céu vermelho e dos homens alcoólicos, doentes ou desorientados, as mulheres resistem fazendo do quotidiano um refúgio: a mãe cujo nascimento não foi registado devido à perseguição de Estaline; a avó sequestrada pelos nazis que regressa no fim da guerra e, acusada de traição, é condenada a três anos de trabalhos forçados, a apanhar turfa nos pântanos; a jovem apaixonada por Maiakovski ou a que pesca com as suas tranças.

De Buenos Aires, para onde emigrou com a família, Natalia Litvinova rompe o silêncio da sua mãe para reconstruir em Pirilampo toda uma linhagem silenciada.
 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O SEIO, de PHILIP ROTH | DOM QUIXOTE

Qual Gregor Samsa do nosso tempo, o professor David Kepesh acorda certa manhã e descobre que sofreu uma mudança radical. Mas, enquanto o protagonista de Kafka tomou a forma de um inseto monstruoso, o narrador da fantasia de Philip Roth transformou-se num seio feminino de setenta quilos.
O que se segue é uma exploração delirantemente divertida, mas também comovente, de todas as implicações da metamorfose de Kepesh.

Ousada, herética – tão tetricamente hilariante quanto existencialmente desconcertante – ela recria o absurdo, a banalidade e a maravilhosa vacuidade da experiência humana vivida.
 

domingo, 21 de junho de 2026

AFROCALIPSE, de MÁRIO LÚCIO SOUSA | DOM QUIXOTE

Num país nunca nomeado, mas africano de gema, o ditador aquece o lugar por quase quarenta anos, recusando eleições, neutralizando os concorrentes, enriquecendo para lá do aceitável à custa da miséria do seu povo.
Ora, se este Presidente nos lembra alguém, é porque o romance se inspira assumidamente na insanidade, na cleptocracia e no abuso de personagens reais (e são muitos!) como Kumba Yalá (Guiné Bissau), José Eduardo dos Santos (Angola), Mobutu (Zaire) ou o terrível Bokassa (República Centro-Africana) que se coroou imperador em 1984, retratando também o horror das guerras civis pós-independência e o genocídio do Ruanda, bem como a subserviência do povo, a fome e o desgoverno crasso que enfestam muitos países em África e constituem hoje talvez a principal causa do seu atraso.

Nesta ficção, porém, as mulheres cansam-se do «afrocalipse» vivido há décadas e ajudam a mudar a história. Mas nem é só neste facto que reside a novidade: ela está presente na linguagem inventiva e belíssima com que o autor fala de coisas, afinal, tão feias e também na circunstância de ser o primeiro escritor de África a assacar aos próprios africanos parte da responsabilidade pelas desgraças sociais e pelo descalabro dos Direitos Humanos.