terça-feira, 18 de agosto de 2026

CRÍTICA | CÊNTIMOS, de PEPPER WINTERS | ALMA DOS LIVROS


 Cêntimos, de Pepper Winters, é um dark romance elevado ao máximo expoente deste género literário, publicado em Portugal com chancela Alma dos Livros. A obra acompanha Pim, uma jovem estudante de Psicologia raptada e mantida durante dois anos num duro cativeiro onde é exposta a violência extrema e isolamento social, até ao momento em que no seu estranho mundo chega um misterioso desconhecido de seu nome Elder Prest. 

Há livros que utilizam a violência como elemento narrativo , ao passo que outros forçam o leitor a presenciar a violência como elemento chave da existência, digamos que Cêntimos pertence indubitavelmente à segunda categoria. Pepper Winters escreve dentro dos códigos do dark romance, mas fá-lo sem procurar suavizar a brutalidade do universo em que coloca a protagonista. O resultado é uma leitura viciante e profundamente desconfortável, que exige do leitor disponibilidade para enfrentar violência física e psicológica, trauma, isolamento e relações marcadas por uma enorme assimetria de poder.

Pim é uma personagem particularmente inolvidável. Raptada e transformada em prisioneira de um mundo que lhe roubou a liberdade, a voz e a própria perceção de identidade, aprende a sobreviver através de mecanismos de defesa que lhe permitem preservar aquilo que ainda pode considerar seu. A sua resistência não é apresentada como uma força ostensiva ou heroica no sentido convencional. Estamos perante uma resistência silenciosa, construída através da capacidade de suportar, observar, esconder e conservar dentro de si um espaço que o agressor não consegue dominar completamente.

Sob o ponto de vista do perfil psicológico da protagonista feminina, destaca-se a sua invulgar resiliência e o recurso à dissociação como mecanismo de defesa protetor em relação à extrema violência a que se vê sujeita. Pim deixa a sua mente vagar para um plano mental alternativo, afastando-se internamente da experiência imediata quando a realidade se torna insuportável. É esta dissociação que, efetivamente, a ajuda a suportar a dor que lhe é infligida. A mente transforma-se, paradoxalmente, no último reduto de liberdade de uma personagem a quem praticamente todas as formas externas de autonomia foram extirpadas.

Esta dimensão psicológica é uma das mais interessantes do romance, porque permite compreender a sobrevivência de Pim não apenas como uma sucessão de atos de resistência física, mas como um processo interno de preservação do self. A personagem não deixa de sentir a violência; encontra, antes, uma forma de se distanciar dela para conseguir continuar a existir. A dissociação assume, destarte, uma função narrativa que ultrapassa o mero recurso estilístico: torna visível a fragmentação psicológica provocada pelo trauma e a extraordinária capacidade adaptativa de uma mente colocada perante circunstâncias extremas.

É também através deste mecanismo que o romance proporciona ao leitor uma experiência particularmente claustrofóbica. O leitor sabe que Pim está presa, mas percebe progressivamente que a sua prisão não é apenas física. O espaço exterior é controlado por outros; o espaço interior é aquele que ela tenta desesperadamente preservar a todo o custo. A pergunta fundamental deixa então de ser apenas «como conseguirá fugir?» para passar a ser «quanto de si conseguirá preservar?».

O mundo criado por Pepper Winters é hostil, isolado e intencionalmente perturbador. A violência, gráfica ou apenas sugerida, constitui uma presença permanente e não é adequada a todos os leitores. O livro deve, por isso, ser lido tendo em devida conta as advertências de conteúdo e a sensibilidade individual perante temas relacionados com abuso, violência e trauma.

Quando neste contexto isolado surge Elder Prest, esta personagem, o nosso anti-herói confere uma nova e inesperada dinâmica na narrativa. Misterioso, frio e moralmente ambíguo, Elder não corresponde à figura convencional do herói romântico, assumidamente um anti-herói cuja presença acrescenta uma nova aura de mistério e de incerteza à história. Prest assume uma posição ambígua e transporta as suas próprias sombras, denotando-se que terá experienciado também situações extremas, e irá firmar com Pim uma relação que apresenta alguma ambivalência, deixando o leitor curioso perante os futuros desenvolvimentos que esta relação venha a assumir. 

A ligação entre ambos é deveras complexa. Não se trata de um romance convencional entre duas pessoas livres para escolher. A relação nasce dentro de um contexto de violência, vulnerabilidade e desequilíbrio de poder, o que obriga o leitor a questionar continuamente a natureza dos sentimentos que se desenvolvem entre as personagens. É precisamente essa ambiguidade que impede Elder de se tornar uma figura romântica previsível.

A autora constrói-o como uma personagem densa, misteriosa e fascinante, e a sua ligação inesperada com Pim constitui um dos elementos que mais alimentam a curiosidade narrativa. Há nele qualquer coisa de deliberadamente indecifrável, suficientemente forte para sustentar a expectativa relativamente aos títulos seguintes da série.

Se há uma fragilidade estrutural em Cêntimos, ela encontra-se no ritmo. O desenvolvimento inicial é algo desigual e existem momentos em que determinadas pontas da ação e aspetos do percurso de Pim parecem receber menos atenção do que seria desejável. Em contrapartida, o último terço ganha uma intensidade muito superior: a narrativa acelera, as perguntas acumulam-se e a curiosidade do leitor torna-se progressivamente mais difícil de controlar.

Essa opção acaba por produzir um efeito paradoxal. Alguns elementos permanecem deliberadamente sem resposta, mas o vazio não é forçosamente um defeito. A ausência de explicações sobre a família de Pim, os amigos e os esforços eventualmente realizados para a encontrar é, em si mesma, perturbadora. O leitor é levado a perguntar repetidamente: onde está a família? Onde estão os amigos? O que fizeram para a localizar? A inexistência imediata de respostas reforça a sensação de abandono e isolamento da protagonista.

E é precisamente nesse vazio que o romance encontra uma das suas maiores forças. Pim não está apenas fisicamente afastada do mundo: parece ter sido apagada dele. A sua sobrevivência torna-se, por isso, ainda mais impressionante, porque acontece num contexto em que praticamente nenhuma rede exterior de proteção parece funcionar.

Cêntimos é, em última análise, um livro de violência, mas também um livro sobre sobrevivência. A sua maior força não reside apenas na capacidade de chocar ou perturbar: assenta na construção psicológica de uma protagonista que encontra dentro de si mecanismos para continuar a existir quando tudo à sua volta parece concebido para a destruir.

Não é uma leitura para qualquer leitor, nem pretende sê-lo. É emocionalmente pesada, contém violência física e psicológica e aborda situações potencialmente perturbadoras, pelo que leitores particularmente sensíveis deverão considerar as advertências de conteúdo antes de iniciar a obra.

Mas para quem procura dark romance numa das suas expressões mais intensas, Cêntimos oferece uma experiência narrativa difícil de abandonar. Pepper Winters não apresenta uma história de amor confortável nem personagens facilmente classificáveis entre bons e maus. A obra arrasta o leitor para um território assumidamente desconfortável em termos morais e humanos. 

Pim é, claramente, a personagem que permanece. Não porque seja invulnerável, mas precisamente pelo contrário: porque a sua extraordinária resiliência resulta da vulnerabilidade e da capacidade de encontrar, mesmo no seio da violência extrema, um lugar mental onde ainda consegue ser ela própria.

Elder Prest deixa muitas perguntas sem resposta. Pim deixa uma certeza: uma pessoa pode ser privada de quase tudo e, ainda assim, encontrar dentro da própria mente o último espaço que ninguém conseguiu conquistar, a preservação da sua identidade, da sua essência frágil mas, ainda assim, humana.


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista

Foto: Nova Gazeta - D.R.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ORGULHO E PRECONCEITO, de JANE AUSTEN | PORTO EDITORA

Brilhante e atemporal, Orgulho e Preconceito acompanha Elizabeth Bennet, uma jovem inteligente e sagaz, e o reservado senhor Darcy que, apesar da frieza inicial, esconde sentimentos bem mais profundos.

Desencontros e diálogos afiados aproximam ambos enquanto ela questiona os seus julgamentos e ele luta contra o orgulho que o afasta do amor. A certa altura, a honra da família Bennet é posta em causa, mas um gesto silencioso de Darcy transforma tudo, incluindo os sentimentos de Elizabeth.

Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen usa a sua mestria incomparável para construir um enredo envolvente que alia crítica social, romance e ironia. Esta obra é uma celebração de escolhas feitas com o coração e uma defesa subtil da importância de se ver além das primeiras impressões.


domingo, 16 de agosto de 2026

JUAN CARLOS I RECONCILIAÇÃO - MEMÓRIAS | PLANETA

O rei que quer recuperar a própria história

Há figuras históricas que pertencem ao passado. E há outras que continuam a disputar, muitos anos depois, o modo como serão recordadas. Juan Carlos I pertence claramente à segunda categoria.

Durante quase quatro décadas, o seu nome esteve associado à transformação política de Espanha: à morte de Francisco Franco, à restauração da monarquia, à Transição democrática e à consolidação de um regime que encontrou no rei uma figura de equilíbrio num dos períodos mais delicados da história contemporânea espanhola. Mais tarde, porém, a imagem construída ao longo desses anos começou a degradar-se sob o peso de escândalos, suspeitas financeiras, controvérsias familiares e do crescente afastamento da vida pública. Em 2020, Juan Carlos deixou Espanha e instalou-se em Abu Dhabi.

É a partir desse momento de ruptura que surge Reconciliación.

Mais do que uma autobiografia convencional, o livro pode ser lido como uma tentativa de recuperar o controlo sobre uma narrativa que o antigo rei sente ter deixado de lhe pertencer. A intenção é evidente desde o princípio: Juan Carlos escreve para contrariar aquilo que considera ser uma versão incompleta — ou injusta — da sua história.

E é precisamente aí que reside o principal interesse da obra.

Quem tem autoridade para contar a História? O protagonista que a viveu ou aqueles que, décadas depois, a investigam e interpretam?

No caso de Juan Carlos I, a pergunta ganha particular importância. Não estamos perante um antigo chefe de Estado que ocupou o poder durante alguns anos, mas perante o homem que foi rei de Espanha durante 39 anos e que desempenhou um papel decisivo na passagem do franquismo para a democracia.

As suas memórias percorrem a infância, os anos de formação, a relação com Franco, a chegada ao trono, a Transição, a tentativa de golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981, a relação com a rainha Sofía, os filhos, os episódios familiares e os últimos anos marcados pelo afastamento de Espanha.

É uma narrativa simultaneamente política e pessoal. Mas também é uma narrativa cuidadosamente construída.

É uma obra escrita sem filtros nem tabus aparentes, na qual o rei emérito procura revelar-se sobretudo na sua dimensão humana e não apenas institucional. Fala dos seus sentimentos, das suas relações, das suas escolhas e dos seus erros, procurando mostrar o homem que existia por detrás da coroa.

Essa é uma das principais contradições de Reconciliación: o homem decide finalmente falar quando já não exerce o poder, mas continua a falar como alguém que conhece profundamente o valor político da palavra.

O antigo rei procura apresentar-se antes de mais como homem. Como o filho, o marido, o pai, o amigo, o homem apaixonado, mas também o homem que envelheceu e que olha para trás procurando compreender as escolhas que fez.

A morte do irmão Alfonso, ainda durante a sua juventude, surge como uma das feridas mais profundas da sua vida. Já a relação com Franco constitui uma das questões politicamente mais complexas das memórias. Juan Carlos foi educado dentro do sistema franquista. Foi designado por Franco como seu sucessor a título de rei. E, depois da morte do ditador, tornou-se uma das figuras centrais da transição para um sistema democrático.

É nesta aparente contradição que se encontra uma das partes mais relevantes do livro. Juan Carlos procura explicar como recebeu um poder criado pelo franquismo e como utilizou esse mesmo poder para contribuir para a transformação política de Espanha. A Transição surge, por isso, menos como um processo inevitável do que como uma operação política delicada, marcada por negociações, receios e riscos. Nesta parte, o rei deixa de contar apenas a sua vida e passa a defender uma determinada interpretação do seu reinado.

O título é, por si só, uma declaração de intenções. Mas reconciliação com quem? Com Espanha? Com a família? Com o filho? Com a monarquia? Com a própria História? Ou consigo próprio? Provavelmente, com todos eles.

Juan Carlos escreve a partir de Abu Dhabi, longe do país que governou e afastado da família que durante décadas representou publicamente. A distância geográfica adquire, inevitavelmente, uma dimensão política e simbólica. O homem que durante anos esteve no centro da vida pública espanhola encontra-se agora fora dela. É desse lugar que procura regressar à narrativa nacional. Não necessariamente para recuperar o poder, que já não possui, mas para recuperar a memória do papel que desempenhou.

O leitor sabe, desde o início, que não está perante uma testemunha imparcial. Está perante o protagonista. Essa circunstância não diminui o interesse das memórias. Pelo contrário. Obriga a lê-las com atenção redobrada.

Juan Carlos procura revelar-se na sua dimensão humana e não apenas institucional. Fala de sentimentos, relações, escolhas e erros. A coroa deixa, em vários momentos, de ocupar o centro da narrativa para dar lugar ao homem que existia por detrás dela. Essa dimensão torna-se especialmente evidente quando aborda a família e, sobretudo, a relação com o filho, Filipe VI. O antigo rei não esconde a mágoa perante a forma como o seu afastamento foi conduzido pela família próxima e, em particular, pelo atual monarca. A frieza dessa decisão é sentida pelo homem, embora reconheça que o distanciamento público se tornou necessário para proteger a instituição e preservar o reinado do filho.

É uma das contradições mais fortes do livro: compreender racionalmente uma decisão política não significa necessariamente aceitar emocionalmente as consequências dessa decisão.

Quando a narrativa chega, porém, aos episódios que contribuíram para a queda da sua reputação, o tom torna-se mais cauteloso. As relações extraconjugais são abordadas de forma relativamente breve. As controvérsias financeiras e alguns dos acontecimentos que determinaram a sua saída de Espanha não recebem, pelo menos na perceção de muitos leitores, o mesmo grau de exposição que a dimensão política do reinado.

Uma autobiografia não tem de ser uma confissão integral. Mas um livro intitulado Reconciliación cria uma expectativa particular: a de confronto com o passado, incluindo com aquilo que é menos confortável.

Reconhecer responsabilidades é uma parte essencial de qualquer tentativa de reconciliação. E é precisamente nesse ponto que a obra pode deixar algumas perguntas em aberto. A principal dificuldade de Juan Carlos I parece ser separar o rei do homem. O rei pretende ser avaliado pelo papel histórico que desempenhou. O homem procura ser compreendido pelas circunstâncias, pelas relações e pelas decisões que marcaram a sua vida. Mas as duas dimensões não podem ser completamente separadas.

Reconciliación é, um livro marcado pela melancolia. Juan Carlos escreve quando já não possui o poder que durante décadas definiu a sua existência. Escreve quando o filho ocupa o trono, quando a sua permanência em Espanha se tornou politicamente incómoda e quando a imagem da monarquia já não é aquela que prevaleceu durante os primeiros anos da democracia. Escreve, sobretudo, num momento em que o silêncio deixou de funcionar como mecanismo de proteção.

Mas memória não é sinónimo de verdade absoluta.

Toda a autobiografia é uma construção. Seleciona acontecimentos, organiza lembranças, estabelece causalidades e define aquilo que deve ser contado — e aquilo que pode permanecer fora da narrativa. Juan Carlos I conta a História a partir do fim. É, por isso, mais interessante como documento de memória política e pessoal do que como tentativa definitiva de encerrar a discussão sobre Juan Carlos I.

O antigo rei procura reconciliar-se com Espanha, com a família, com a instituição que representou durante quase quatro décadas e, provavelmente, consigo próprio. Não oferece uma reconciliação concluída. Oferece o testemunho de um homem envelhecido que percebe que já não pode controlar a forma como a História o julgará, mas ainda pode tentar influenciar a forma como será lembrado.

É essa a verdadeira questão que permanece depois da última página.

Reconciliación é uma leitura que recomendo aos leitores interessados em biografias e memórias de figuras historicamente relevantes. Mais do que uma autobiografia pessoal, constitui um documento importante para compreender a história da monarquia espanhola e a perspetiva de um dos seus protagonistas sobre quase quatro décadas de vida política e institucional.

A decisão sobre o lugar que essa história merece ocupar cabe agora ao leitor — e, em última instância, à própria História.


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

sábado, 15 de agosto de 2026

JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA, de AFONSO CRUZ | ALFAGUARA

Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma história comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida: o amor, o sacrifício, e a cerveja.
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

BEAR TOWN, de FREDRIK BACKMAN | PORTO EDITORA

As pessoas dizem que Björnstad, a Cidade do Urso, está acabada. A pequena localidade aninhada nas profundezas da floresta tem vindo lentamente a perder terreno para as árvores, sempre invasoras. Mas junto ao lago existe um velho rinque, construído há gerações pelos trabalhadores que fundaram a cidade. E esse rinque é o motivo pelo qual as pessoas acreditam que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje. A equipa de juniores de hóquei no gelo está prestes a competir nas meias-finais nacionais e tem realmente hipóteses de vencer. Todas as esperanças e sonhos deste lugar repousam agora sobre os ombros de uma mão-cheia de rapazes adolescentes.

Mas ser o responsável pelas ambições da povoação inteira é um fardo pesado, e o jogo das meias-finais torna-se o catalisador de um ato violento, que traumatizará uma rapariga e deixará Björnstad em pé de guerra. São feitas acusações que, como uma pedrada no charco, percorrem a cidade, afetando todos.

Beartown explora os grandes desejos que unem uma comunidade pequena, os segredos que a separam e a coragem necessária para um indivíduo lutar contra a corrente.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

QUANDO ÉRAMOS ÓRFÃOS, de KAZUO ISHIGURO | GRADIVA

Anos 30. Christopher Banks tornou-se o detective mais famoso do país, os seus casos são o tema das conversas da sociedade londrina. No entanto, um crime não solucionado nunca deixou de o atormentar: o desaparecimento misterioso dos pais, na Velha Xangai, quando ele era rapazinho.

Agora, com o mundo a precipitar-se para a guerra total, Banks dá-se conta de que chegou o momento de regressar à cidade da sua infância e deslindar, finalmente, o mistério, cuja solução evitaria a catástrofe iminente. 

Passando-se entre as cidades de Londres e Xangai dos anos entre as duas guerras, Quando Éramos Órfãos é uma história de recordações, intriga e necessidade de regressar, de uma visão infantil do mundo que o domina, moldando indelevelmente e distorcendo a vida dos personagens. 

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O PAÍS DOS OUTROS, de LEILA SLIMANI | ALFAGUARA

Da aclamada autora franco marroquina Leïla Slimani, uma atmosférica e inquietante saga familiar que põe em relevo uma mulher enredada entre duas culturas, dividida entre a dedicação à família e o amor à liberdade com que cresceu.

Em 1944, Mathilde, uma jovem alsaciana, apaixona-se por Amine, um oficial marroquino que combate no exército francês durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada a guerra, o casal muda-se para Marrocos e instala-se perto de Meknés. Amine dedica-se a recuperar a quinta herdada do pai, tentando arrancar frutos de uma terra pedregosa e estéril.

Enquanto isso, Mathilde começa a sentir o jugo dos costumes conservadores do novo país, tão sufocante quanto o seu clima. Nem a maternidade apaga a solidão que sente no campo, longe de tudo, num lugar que não é o seu e a verá sempre como estrangeira.
 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

ACADEMIA ARCANA, de ELISE KOVA | EDIÇÕES SAÍDA DE EMERGÊNCIA

Desde a morte da mãe, Clara tem sobrevivido pintando ilegalmente cartas de tarot. No entanto, depois de um trabalho que corre mal, ela é sentenciada a uma vida na prisão e enviada para a masmorra de Halazar. A sua morte parece certa — até que o príncipe Kaelis, o temido diretor da Academia Arcana, uma escola de elite, lhe propõe um acordo: Clara usará o seu poder raro para o ajudar a roubar uma poderosa carta de tarot que tem o poder de transformar o mundo. Para esconder a identidade de Clara, o príncipe apresenta‑a como uma nova aluna da escola de tarot — e como a sua futura noiva.

Clara rapidamente se apercebe de que, por detrás da fachada gélida de Kaelis, se escondem segredos profundos e afetos inesperados. Mas igualmente motivos ocultos. Poderá ela confiar no príncipe? E será que o quer fazer? Afinal, ela está a arriscar a vida pelos objetivos de um homem que não conhece. E depois há os planos da própria Clara…

Misterioso, emocionante e surpreendente, Academia Arcana combina um enredo brilhante com personagens ambíguas por quem os leitores se vão apaixonar.

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

KANE E ABEL, de JEFFREY ARCHER | BERTRAND EDITORA


Dois homens, William Kane e Abel Rosnovski, nascidos no mesmo dia em lados opostos do mundo, no início do séc. xx, veem-se unidos por um sonho comum e pelo destino.
Kane, filho de um influente banqueiro de Boston, desde a hora em que nasceu foi apontado para liderar o império do pai de que é herdeiro. Assume a presidência do banco e luta com todas as suas forças para o tornar uma das mais importantes instituições financeiras do país.

Abel nasceu na Polónia e, porque a mãe morreu durante o parto, é adotado por uma família pobre. Sobrevivendo às dificuldades da infância e aos horrores da Primeira Grande Guerra, Abel imigra para os Estados Unidos, onde acaba por se tornar proprietário de uma poderosa rede hoteleira.

Durante mais de 60 anos, acompanhamos o percurso surpreendente destes dois homens ambiciosos, poderosos e implacáveis, sempre marcado por uma luta sem tréguas e alimentado por um ódio desmedido, num romance onde também se traça o panorama histórico das principais transformações da sociedade, dos costumes e da política do século xx. 

domingo, 9 de agosto de 2026

CAFFÉ UTRAVADINHAS, de MBARRETO CONDADO | CHIADO BOOKS


Caffé Utravadinhas — Por detrás do Balcão é uma narrativa mordaz e profundamente humana sobre oito anos vividos num café de bairro em Lisboa. Entre clientes excêntricos, vizinhos hostis, burocracias absurdas e raros gestos de solidariedade, o balcão transforma-se num observatório privilegiado da condição humana. Com humor ácido e escrita afiada, o livro expõe absurdos normalizados, desigualdades silenciosas e o desgaste invisível de “aguentar”.

Mais do que um retrato do atendimento ao público, Caffé Utravadinhas é uma reflexão sobre dignidade, limites e o momento em que desistir deixa de ser fracasso para se tornar sobrevivência.

sábado, 8 de agosto de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | REBECCA YARROS

Rebecca Yarros alcançou o primeiro lugar das listas dos mais vendidos do The New York Times, USA Today e The Wall Street Journal e é autora bestseller de mais de vinte romances, incluindo Quarta Asa e In the Likely Event. Foi distinguida com o British Book Award para Livro do Ano e com o Alex Award da American Library Association. Admira os heróis militares e é casada, há mais de vinte anos, com o seu. Mãe de seis filhos, quando não está a escrever é provável encontrá-la num rinque de hóquei ou a aproveitar para tocar guitarra. Vive com a família no Colorado, acompanhada pelos seus teimosos bulldogs ingleses, duas chinchilas irrequietas e dois gatos que mandam em todos.
Depois de ter acolhido e, mais tarde, adotado o seu filho mais novo, Rebecca dedica-se com paixão a apoiar crianças integradas no sistema de acolhimento familiar através da One October, a organização sem fins lucrativos que cofundou com o marido em 2019. Para saberes mais sobre a missão da organização de melhorar a vida de crianças em acolhimento, visita oneoctober.org.
Para acompanhares os lançamentos mais recentes de Rebecca e conheceres os seus próximos romances, visita RebeccaYarros.com.

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CHAMA DE FERRO, de REBECCA YARROS | PLANETA


«O primeiro ano é quando alguns de nós perdem a vida. O segundo ano é quando os que sobrevivem perdem a humanidade.»

Xaden Riorson

Todos esperavam que Violet Sorrengail morresse durante o seu primeiro ano na Escola de Guerra de Basgiath - Violet inclusive. Mas a Debulha foi apenas a primeira prova impossível, destinada a eliminar os fracos, os indignos e os infortunados.

Agora, começa o verdadeiro treino. E Violet já só pensa em como conseguirá superá-lo. Não é só por ser extenuante e brutal, concebido para levar ao limite a capacidade de resistência à dor dos cavaleiros, mas também por causa do novo vice-comandante, que tomou como sua missão pessoal mostrar a Violet o quão impotente e débil ela é - a menos que traia o homem que ama.

Apesar do seu corpo fraco e frágil, Violet possui uma mente engenhosa e uma vontade de ferro. E a liderança está a esquecer-se da lição mais importante que Basgiath ensinou a Violet: os cavaleiros de dragões fazem as suas próprias regras.

Contudo, este ano, a determinação em sobreviver poderá não ser suficiente. Violet descobre o segredo escondido há séculos entre os muros da Escola. E nada, nem sequer o fogo dos dragões, pode ser suficiente para os salvar.

Depois do sucesso de Quarta Asa, o fenómeno internacional de que todos falam está de volta.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

TEMPESTADE DE ÓNIX, de REBECCA YARROS | PLANETA


Depois de quase dezoito meses na Escola de Guerra de Basgiath, Violet Sorrengail sabe que não há mais tempo para lições. Não há mais tempo para incertezas.

A derradeira batalha começou e, com os inimigos poderosos a aproximarem-se dos muros de Basgiath e dentro das suas fileiras, é impossível saber em quem confiar.

Agora, Violet tem de viajar para além das fracas guarnições de Aretia e procurar aliados em terras desconhecidas que lutem por Navarre. A viagem testará cada pedaço da sua inteligência, sorte e força, mas Violet faz o que for preciso para salvar o que mais ama - os seus dragões, a sua família, o seu lar e ele. Mesmo que isso signifique guardar um segredo tão grande, capaz de destruir tudo.

Eles precisam de um exército. Precisam de poder. Precisam de magia. E precisam da única coisa que só Violet pode encontrar: a verdade. Mas uma tempestade está a chegar... e nem todos conseguirão sobreviver à sua fúria.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

QUARTA ASA, de REBECCA YARROS | PLANETA


Entra no mundo brutal, mágico e envolvente de uma escola de elite para cavaleiros de dragões.

Violet Sorrengail, de vinte anos, deveria ter entrado no Quadrante dos Copistas e viver uma vida tranquila entre livros e história.

Contudo, a general comandante, que também é a sua mãe, ordenou-lhe que se juntasse às centenas de candidatos que se esforçam por se tornarem elite de Navarre: os cavaleiros de dragões. Mas quando és mais pequena do que todos os outros e o teu corpo é frágil, a morte está apenas a um batimento cardíaco de distância… porque os dragões não se ligam a humanos «frágeis». Eles reduzem-nos a cinzas.

Num cenário com mais cadetes do que dragões, muitos matariam Violet para aumentar as suas hipóteses de sucesso. Outros matariam apenas por ela ser filha de quem é - tal como Xaden Riorson, o líder mais poderoso e implacável do Quadrante dos Cavaleiros.

Para sobreviver, Violet vai precisar de usar toda a sua inteligência. No entanto, a cada dia que passa, a guerra lá fora torna-se mais mortífera, as proteções do reino estão a falhar e o número de mortos continua a aumentar. E Violet começa a suspeitar que a liderança está a esconder um segredo terrível.

Amigos, inimigos, amantes. Todos na Escola de Guerra Basgiath têm um objetivo - porque, quando se entra, só há duas maneiras de sair: concluir as provas ou morrer.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

AUTORES INTERNACIONAIS | ALBERTO ANGELA

Alberto Angela é paleontólogo, naturalista, divulgador científico e escritor. Depois de concluir os seus estudos avançados em Harvard, na Columbia University e na UCLA, passou mais de dez anos a realizar escavações e investigações sobre as origens do Homem em Itália, África e Ásia. Considerado um dos maiores especialistas na divulgação científica e histórica, é autor e apresentador de numerosos programas de sucesso transmitidos pela RAI (Radiotelevisione Italiana). Jornalista profissional, colaborou com prestigiados jornais e revistas e é autor de muitos livros sobre história, arte e ciência, traduzidos em todo o mundo.
 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

CÉSAR: A CONQUISTA DA ETERNIDADE, de ALBERTO ANGELA | CRÍTICA

Estamos em 58 a. C. a Gália é uma terra distante, habitada por povos belicosos, nunca dominados, que já infligiram dolorosas derrotas aos romanos. Mas é também uma terra rica e próspera. Júlio César quer conquistá-la, para si e para Roma, e para isso está disposto a enfrentar qualquer adversidade: marchas extenuantes na neve e batalhas sangrentas, intrigas palacianas e traições, pontes para construir e frotas para criar do zero, florestas que dizem ser assombradas e santuários com esqueletos decapitados.

Será uma viagem marcada por aventuras e descobertas, conduzida por César com a coragem e a curiosidade de Ulisses. Mas será também uma viagem interior, ao lado de um homem implacável e genial, carismático e incansável, embora não isento de dúvidas e medos profundos. Um comandante com os seus lados sombrios e violentos, mas também um pensador refinado e um grande escritor, que ama apaixonadamente, trai e é traído; que é noivo, marido, pai, amante, viúvo, heterossexual, bissexual…

Como pano de fundo da narrativa, completando o vasto fresco desta época crucial para o destino de Roma e da Europa, surgem Cícero e Catulo, Cleópatra e Marco António, Marco Licínio Crasso e Pompeu, Calpúrnia, a doce esposa de César, e Júlia, a sua amada filha.

Alberto Angela conduz-nos numa aventura sem igual, nesta obra única e grandiosa que ganha vida através das reconstruções dos rostos, das cenas de batalha e da vida quotidiana, realizadas com o apoio da inteligência artificial.
 

domingo, 2 de agosto de 2026

A ENERGIA EM PORTUGAL, de JORGE VASCONCELOS | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS

O presente ensaio propõe-nos um passeio pela energia, percorrendo certos conceitos, números e realidades de forma não convencional, guiados por um fio condutor subterrâneo, quase invisível, de temas e associações de informações dispersas. Para que, ao virarmos a última página, possamos ver a energia à luz dos desafios da atual e urgente transição energética.
 

sábado, 1 de agosto de 2026

O LIXO EM PORTUGAL, de ANDREIA BARBOSA | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Problema ambiental, desafio técnico ou riqueza potencial, as advertências de que há que reduzir o lixo, reutilizá-lo e reciclá-lo não vão ao fundo da questão. Este livro parte da história para uma radiografia atual da produção nacional e economia do lixo, das instituições e processos que o gerem e, perante a crise ecológica, das transformações que se anunciam. 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

ÁGUA EM PORTUGAL, de RODRIGO PROENÇA DE OLIVEIRA | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS

Este ensaio analisa a gestão dos recursos hídricos em Portugal Continental. Apesar de a disponibilidade per capita ser confortável, a irregularidade temporal e a assimetria espacial provocam situações de escassez. É urgente identificar as políticas públicas mais adequadas, porque a discussão sobre a gestão da água determina o modelo económico que pretendemos para Portugal.
 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

ECONOMIA AZUL, de DUARTE BUÉ ALVES | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Do ponto de vista económico, o mar acontece todos os dias em Portugal: hoje existe um conjunto de atividades marítimas robusto, dinâmico e inovador, com vocação exportadora, que contribui de modo significativo para o PIB e que emprega dezenas de milhares de pessoas. Este livro apresenta uma radiografia da economia azul e compara a situação nacional com a de outros países. Aponta o que temos de melhor dentro de portas e se tornou referência lá fora. Identifica as ameaças e tenta explicar os desafios, como o conhecimento e a sustentabilidade, ao mesmo tempo que propõe uma política do mar para a próxima década.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A QUALIDADE DO AR EM PORTUGAL, de FRANCISCO FERREIRA | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Em Portugal, apesar da clara redução da poluição do ar de origem industrial, registam-se milhares de mortes prematuras por ano associadas à exposição a poluentes existentes em elevadas concentrações, bem acima do recomendado, sobretudo nos centros urbanos, junto a zonas de tráfego rodoviário intenso. Quando poluído, o ar é o nosso maior inimigo ambiental e dos ecossistemas. É urgente tornarmo-lo mais limpo. Este ensaio identifica os principais poluentes atmosféricos e sugere como podemos agir contra eles.

terça-feira, 28 de julho de 2026

OCEANO DE PLÁSTICO, de PAULA SOBRAL | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Este livro aborda a poluição por plásticos no Oceano global, tendo em conta as suas origens diversificadas, o modo como é transportado e como se distribui. Realça os seus inúmeros impactos, quer económicos quer ecológicos e também na saúde humana, e a preocupação que existe em criar soluções para prevenir e minimizar o problema, a partir de uma visão comum que possa unir os diversos sectores na criação conjunta e concertada de soluções.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

RISCOS GLOBAIS E BIODIVERSIDADE, de MARIA AMÉLIA MARTINS-LOUÇÃO | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS

Este ensaio defende que a perda de biodiversidade é ainda mais alarmante do que as alterações climáticas. Relembra e relaciona alguns conceitos sobre o metabolismo energético e as mudanças no clima, a escassez de reservas e o excesso populacional. É uma chamada de atenção sobre a urgência em olhar a biodiversidade como medida de travagem dos riscos planetários que o Homem induziu ao longo da sua evolução.
 

domingo, 26 de julho de 2026

RESENHA | SEM TRÉGUAS, de STEPHEN KING | BERTRAND

Sem Tréguas, de Stephen King, é uma obra que reúne histórias marcadas pelo suspense, pela tensão psicológica e por personagens que enfrentam situações extremas. Como em muitos dos seus livros, o autor explora os medos humanos e mostra como pessoas comuns podem ser levadas ao limite diante de acontecimentos inesperados.

A narrativa apresenta personagens bem construídos e conflitos intensos, mantendo o leitor envolvido do início ao fim. Stephen King utiliza uma escrita fluida e detalhada, criando cenas de grande impacto e uma atmosfera de constante inquietação. O suspense cresce gradualmente, alternando momentos de ação com reflexões sobre culpa, medo, coragem e sobrevivência.

Um dos pontos fortes da obra é a capacidade do autor de transformar situações aparentemente comuns em experiências assustadoras e emocionantes. Em vez de depender apenas de elementos sobrenaturais, King investe no terror psicológico, explorando as emoções e as fragilidades dos personagens. Isso torna a leitura envolvente e faz com que o leitor se identifique com os conflitos apresentados.

A linguagem é acessível e dinâmica, o que facilita a leitura mesmo para quem ainda não conhece as obras do autor. Além disso, o ritmo da narrativa mantém o interesse ao longo de todo o livro, com reviravoltas que surpreendem e aumentam a tensão.

Em conclusão, Sem Tréguas é uma leitura recomendada para os fãs de suspense e terror psicológico. A obra demonstra mais uma vez o talento de Stephen King para criar histórias intensas, personagens memoráveis e situações que prendem a atenção do leitor até a última página.

 

Madalena Condado



 

sábado, 25 de julho de 2026

AMBIENTE EM PORTUGAL, de SOFIA GUEDES VAZ | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS

O ambiente é uma área que nos convoca a todos colocando-nos perante dilemas difíceis, com forças antagónicas a puxarem-nos para lados opostos. Este livro aborda a história, problemas, desafios e possíveis caminhos para uma sociedade mais sustentável. Percorre os tópicos mais marcantes deste tema que afeta, por vezes mais do que queremos admitir, a nossa vida, a dos nossos filhos e a do planeta em que vivemos.



 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, de FILIPE DUARTE SANTOS | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Neste ensaio, súmula do conhecimento científico atual sobre as alterações climáticas, elas são explicadas de forma simples, mas rigorosa, esclarecendo-se noções básicas de meteorologia, climatologia e balanço energético na atmosfera. Mostra ainda que resultam sobretudo da dependência global dos combustíveis fósseis, cujo agravamento gera um risco crescente. 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A BARATA GIGI NA RUA DO BENFORMOSO, de TIAGO SALAZAR & FÁTIMA MATEUS | OFICINA DO LIVRO

Um livro que diverte, ensina e, acima de tudo, aproxima, ao mostrar que a convivência com a diferença é não só possível, mas essencial para compreendermos melhor o mundo à nossa volta.

Na Rua do Benformoso há pessoas de todas as nacionalidades. Que o diga a Gigi, uma fala-barata que se mudou para lá há pouco tempo e que se farta de aprender coisas sobre o mundo todo.
 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

SEM FRONTEIRAS, de JORN LIER HORST | DOM QUIXOTE

Quando o corpo de uma turista australiana é encontrado em Espanha, forma-se um grupo online de detetives amadores de todo o mundo que tenta resolver o mistério da sua morte. Nesta página de crowdsolving, a figura mais ativa é Astri, uma jovem norueguesa cuja busca incansável a deixa mais perto de solucionar o caso do que qualquer outra pessoa. Mas, quando se prepara para desvendar publicamente o mistério, Astri desaparece da Internet. E ninguém do grupo teve mais notícias dela desde então.
Entretanto, perto de Manvik, na Noruega, uma carrinha espanhola abandonada à beira da estrada desaparece lentamente sob uma queda de neve que parece não ter fim. No seu interior, aguarda a resposta para um complexo mistério que ainda está por resolver. Vendo-se envolvido num caso que atravessa fronteiras, William Wisting terá de colaborar com as entidades espanholas ao mesmo tempo que mergulha num fascinante mundo de investigadores nada convencionais, cujas ligações são tão vagas e variadas quanto as suas aptidões.

Mas num caso perigoso onde nada é o que parece, estes detetives virtuais podem ser a melhor hipótese que ele tem para resolver o mistério – antes que outra vítima seja encontrada…
 

terça-feira, 21 de julho de 2026

JUNTO À GRAND STATION SENTEI-ME E CHOREI, de ELIZABETH SMART | DOM QUIXOTE


Inspirado no intenso caso amoroso da autora com o poeta George Barker, Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei tornou-se um verdadeiro livro de culto e um clássico da literatura.


Um dia, enquanto folheava os livros numa livraria de Londres, Elizabeth Smart deparou-se com um pequeno volume de poesia de George Barker - e, apenas através da palavra escrita, apaixonou-se perdidamente pelo poeta. Após três anos de demanda do seu amado, Lawrence Durrell dá-lhe o endereço de Barker.

Assim começa a lenda do caso amoroso Elizabeth-George que está na base da escrita deste livro - uma das histórias de amor mais extraordinárias, intensas e trágicas do nosso tempo. Elizabeth e Barker tiveram quatro filhos, no entanto, ele permaneceu legalmente casado com a sua mulher, mas isto torna-se irrelevante perante a genialidade com que tão vulgar episódio da vida é contado.

Partindo da sua experiência pessoal, Smart transforma-a em arte, exibindo na sua escrita uma forte intenção estética e um elaborado trabalho de linguagem. a sua prosa poética faz com que este livro notável, publicado originalmente em 1945, seja hoje amplamente reconhecido como um clássico da literatura que mantém toda a sua pungência, beleza e poder.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

RESSUSCITAR MAMUTES, de SILVANA TAVANO | DOM QUIXOTE


«Ressuscitar passados, inventar futuros: ciência e literatura viajam no tempo dos sonhos para chegar ao impossível.»


Vencedor do Prémio Oceanos 2025

O tempo e a memória tecem esta narrativa com os fios delicados da saudade, às vezes com os do arrependimento, em outras tantas com os da consciência tardia do que faz nascer e fortalecer os laços familiares, sobretudo os de uma filha pela mãe que já morreu.

No trajeto entre acontecimentos científicos do presente e projeções esperançosas para o futuro, a narradora deste romance revisita a história da sua família, provavelmente comum a muitos de nós, enfrentando os conflitos, as tensões e os imensos afetos que se estabelecem entre as mulheres de um núcleo familiar em que o pai é uma figura periférica.

O resultado é um romance que reinventa passados e sonha futuros, onde o ficcional, o científico, o fabuloso e o ensaístico se entrelaçam, e onde literatura e memória caminham juntas, traçando rotas para transcender o presente.

domingo, 19 de julho de 2026

RESENHA | A HORA DO VAMPIRO, STEPHEN KING | BERTRAND

A Hora do Vampiro é um dos romances mais marcantes de Stephen King e uma das obras mais importantes da literatura de terror contemporânea. Publicado originalmente em 1975, o livro reinventa o mito clássico dos vampiros ao transportá-lo para uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde o mal se espalha de forma lenta e silenciosa.

O protagonista, Ben Mears, retorna à cidade de Jerusalem's Lot para escrever um livro e enfrentar lembranças traumáticas da infância. No entanto, acontecimentos misteriosos começam a transformar a rotina da cidade em um verdadeiro pesadelo. Aos poucos, desaparecimentos, mortes e comportamentos estranhos revelam a presença de uma força maligna que ameaça todos os habitantes.

Stephen King constrói a narrativa de forma envolvente, desenvolvendo cuidadosamente os personagens e criando uma atmosfera de suspense crescente. O autor mostra que o verdadeiro terror não está apenas nos vampiros, mas também nos medos, nas fraquezas e nos segredos das pessoas. Essa combinação faz com que a história seja muito mais do que um simples romance de horror.

A linguagem é acessível e rica em detalhes, permitindo que o leitor imagine cada cenário e sinta a tensão presente em toda a obra. Embora o início seja mais lento devido à apresentação dos personagens e da cidade, a narrativa ganha intensidade e mantém o interesse até o desfecho.

Em conclusão, A Hora do Vampiro é uma excelente leitura para quem aprecia histórias de suspense, terror e mistério. O livro confirma o talento de Stephen King em criar personagens memoráveis e histórias que permanecem na memória do leitor. É uma obra recomendada tanto para fãs do gênero quanto para quem deseja conhecer um dos maiores clássicos da literatura de terror.

 

Madalena Condado

 

sábado, 18 de julho de 2026

AUTORES NACIONAIS | ANA SARAGOÇA

Ana Saragoça, filha dos anos sessenta, de um pai terno e de uma mãe extremosa que não deixa os créditos por mãos alheias, cresceu, tal como a irmã, limpinha e asseada, bem-educada, bem alimentada e agasalhada e (sempre!) bem comportada, apesar de um forte pendor para a irreverência que se lhe adivinha desde as primeiras linhas deste livro e se aposta que existe naquela cabeça desde os primeiros anos de vida. Terá, pois, dado à mãe fortes razões para coleccionar «pérolas» suficientes para um colar com várias voltas e, agora, passa a herança à filha pré-adolescente e ao filho, já adolescente, com quem vive, em Lisboa. Embora por vezes tenha melhores resultados (como todas as mães sabem) a falar para as paredes, ou para os gatos que completam o agregado familiar...
Para além do currículo materno-filial, é actriz, tradutora e escritora, tendo publicado, em 2012, um dos mais interessantes romances do ano literário: Todos os Dias São Meus. É também dramaturga, com duas peças levadas à cena recentemente, e colaboradora de várias revistas, e nomeadamente de uma que se chama Papel mas só existe on-line (o que pensará disto a mãe dela?).