quarta-feira, 21 de outubro de 2026

SOU UMA MULTIDÃO MINÚSCULA, de SUSANA AMARO VELHO | CASA DAS LETRAS

Em 1971, numa aldeia esquecida, Margarida cresce no casarão da colina rodeada por uma felicidade postiça. Há o piano de Elvira, os salões antigos cheios de livros, a presença de Jaime, filho da casa, e os dias longos de uma infância que parece ainda protegida. Mas longe da delicadeza dos gestos e da ordem dos dias, a brutalidade repete-se, aceite como uma fatalidade doméstica. Margarida é empurrada para fora daquela beleza encenada e aprende cedo que crescer é ser expulso da própria infância.

Décadas mais tarde, viúva e mãe de dois filhos, procura equilibrar-se entre três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Mas quando um novo ato de violência ameaça destruir aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar exato que decidira abandonar no passado. Proteger a filha poderá exigir-lhe o impensável.

Cruzando duas histórias de violência atravessadas pela mesma protagonista, Susana Amaro Velho constrói uma narrativa de tensão crescente, onde a estrutura e o jogo de perspetivas desafiam continuamente o leitor, confirmando a sua singularidade na forma como desmonta o rumo dos acontecimentos.

Sou uma Multidão Minúscula é um romance profundamente humano sobre aquilo que herdamos sem escolha, o que tentamos esconder, e a forma como a violência atravessa gerações. Afirma-se como um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso.
 

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