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sábado, 24 de fevereiro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | " A Verdade sobre Lorde Stoneville, de Sabrina Jeffries | TOPSELLER


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária
Foto: Direitos Reservados


A Verdade sobre Lorde Stoneville, é o romance que dá a conhecer ao público Português Sabrina Jeffries, autora bestseller do New York Times que nos brinda com um excelente romance de época com chancela Topseller

A premissa inicial deste romance de época, cuja acção decorre em Inglaterra em 1825, decorre de uma analepse inicial até 1806, contextualizando um trágico acontecimento familiar que irá influenciar de forma decisiva o desenrolar da acção, bem como a evolução, em termos psicológicos, do herói - Oliver Sharpe - Marquês de Stoneville.

Libertino inveterado, evitando constantemente o compromisso, pois sente-se incapaz de ser fiel a uma mulher, Lorde Stoneville é o herdeiro do título nobiliárquico que lhe chegou através do pai, sendo Oliver o resultado de um casamento infeliz que procurou salvar da ruína certa a propriedade de Haltstead Hall, na posse do anterior Marquês, que contraiu matrimónio com a bela e rica filha de comerciantes - Prudence Plumtree - num contrato bastante usual na época, onde alguma da nobreza tradicional britânica estava arruinada, apenas tendo como moeda de troca os seus títulos, que por sua vez, eram vistos como apetecíveis bilhetes para a ascensão social desejada por tantos membros da burguesia, pessoas de origens humildes que enriqueciam em resultado do comércio a que se dedicavam.

Do casamento infeliz do anterior Marquês de Stoneville e da sua esposa Prudence, ambos já falecidos num contexto que gera constantes rumores, dúvidas e mexericos entre a alta sociedade Londrina, nasceram (além de Oliver, o mais velho e herdeiro) outros quatro filhos: Jarret (viciado em jogo), Minerva (escritora de romances góticos, considerados escandalosos à data), Gabriel (viciado em corridas) e Celia (tem uma forte apetência por tiro ao alvo, e encabeça a luta pelos direitos dos trabalhadores infantis, então alvo de dura exploração no Reino Unido). Os Cinco irmãos são conhecidos por "Os demónios de Hallstead Hall", e vivem a expensas da avó, a astuciosa e determinada Hester Plumtree, gerente da cervejaria que herdou do marido, é uma empresária próspera que decide congeminar um plano para levar os netos, todos eles indomáveis e independentes, a constituir família e a continuarem a sua dinastia familiar, fazendo-lhes um ultimato nesse sentido.

O Marquês de Stoneville vê-se, assim, encurralado num beco sem saída, quando a avó tenta manipular os cinco netos, levando-os a casar sob pena de serem despojados da sua vasta fortuna pessoal. Hester, uma mulher muito inteligente, e uma das personagens mais marcantes, de forte personalidade e muito intuitiva, mostra conhecer muito bem a sua prole de netos incorrigíveis - " Encontrara, por fim, uma forma de fazer com que todos lhe obedecessem: usar o afecto que sentiam uns pelos outros, a única constante nas suas vidas."

Oliver Sharpe, Lorde Stoneville, é um homem marcado pelo passado, esconde segredos pesados que cerceiam a sua crença na possibilidade de ser feliz, optando por evitar a vivênvia normal de uma relação amorosa potencialmente bem sucedida no futuro: " (...) Não havia nada por que valesse a pena arriscar a vida, Nem uma mulher, nem a honra e muito menos a reputação." e revelando fortes problemas de auto-estima e sentimentos de culpa que procura exorcizar criando uma "persona" que, afinal, descobrirá não corresponder ao seu verdadeiro "eu".

Por acaso do destino, o Marquês, que encara negativamente a responsabilidade e o dever de decoro e reputação impostos pelo título de nobreza que possui, irá cruzar-se com Maria Butterfield, uma jovem herdeira americana, que com a ajuda do desajeitado e desengonçado primo Freddy, procura o seu noivo desaparecido, com o qual necessita de casar para assumir a titularidade da fortuna deixada por morte do pai, dono de metade de uma poderosa empresa ligada ao sector de transportes marítimos.

É deveras interessante e divertido observar a dinâmica entre um nobre Inglês, que renega o peso das suas responsabilidades, mas que intimamente se culpabiliza por não se sentir à altura do papel social que lhe coube em sorte desempenhar, e uma herdeira americana bastante pragmática, desassombrada e frontal, com pouco ou nenhum poder de encaixe para todas as regras e os maneirismos e aparências impostos pelo rígido e hipócrita código social da alta sociedade britânica.

 Vendo-se na contingência de representar o papel de falsa noiva de Stoneville, numa tentativa de contrariar o plano da avó do Marquês, em troca recebendo ajuda para resolver a sua delicada situação pessoal, Maria será uma verdadeira lufada de ar fresco que entra nos bolorentos salões da ancestral residência familiar de Stoneville - Hallstead Hall - (e isto sucederá tanto em sentido literal como simbólico ou figurado).

O confronto cultural entre duas pessoas com educação tão díspar, a personalidade forte e a teimosia inerente ao casal protagonista, e a forte e espontânea química sexual que surge entre ambos ( e que resultará em cenas pejadas de erotismo bastante intensas e devidamente contextualizadas), serão os propulsores ideais do desenvolvimento do enredo e de uma clara evolução psicológica de ambos os protagonistas.

Uma mistura explosiva de drama, mistério, crítica social, paixão, coragem, o poder redemptor do amor, ingredientes que evoluem perante um evidente choque cultural que  levam o leitor a não querer pousar o livro antes de terminar a sua leitura, além de nos deixarem a ansiar pelos próximos romances da série, até porque no final surgem pistas para um novo entendimento de uma situação familiar que parecia já sanada, e os restantes irmãos Sharpe prometem muitas horas de puro entretenimento. Prepare-se, Sabrina Jeffries parece-nos perita em escrever estes  deliciosos guilty pleasures para adeptos do romance de época.

Ficha Técnica do Livro


Autora: Sabrina Jeffries

Edição: Fevereiro de 2018

Editora: Topseller | Grupo 20|20

Nº de Páginas: 352

Género: Romance de época | Inglaterra Século XIX

Classificação Atribuída: 4/5 Estrelas





segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "O Boss", de Vi Keeland | TOPSELLER


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Nova Gazeta


O Boss, de Vi Keeland, é um romance contemporâneo do género erótico, mas no qual a temática do erotismo se vai desenvolvendo de forma muito gradual e insinuante, à medida que a narrativa vai evoluindo. A história desenrola-se num ritmo narrativo bastante cadenciado e equilibrado, sem excessos nem avanços demasiado rápidos, e esta subtileza confere elegância ao livro.

Quando começamos a ler esta obra, o que logo nos conquista é o humor que Vi Keeland soube logo introduzir no capítulo inicial e que vai surgindo um pouco por todo o livro, acabando por alternar com a forte carga dramática que a história também integra.

A acção decorre em Nova Iorque, e a trama está organizada em capítulos breves (o que facilita, dinamiza e torna mais ágil o processo de leitura). Em cada capítulo vamos acompanhando o ponto de vista de cada um dos dois protagonistas: Reese Annesley e Chase Parker, e dados importantes do passado de Chase chegam até ao conhecimento do leitor com recurso a analepses que nos levam a um momento temporal onde recuamos sete anos.

Relativamente às personagens, ambas estão construídas com forte densidade psicológica, e mostram-se inseridas em dinâmicas que correspondem a diversos espaços sociais onde se movimentam: o espaço mais privado ou pessoal, o espaço empresarial ( Parker Industries, uma firma da qual Chase Parker é CEO, e na qual Reese virá a trabalhar), o espaço familiar e das amizades mais próximas ( Sam é a melhor amiga de Chase, e Jules a melhor amiga de Reese).

Reese Annesley é uma jovem executiva com formação e experiência na área do marketing, apaixonada pela sua profissão, tem alguma dificuldade em gerir relacionamentos amorosos, não tendo ainda conseguido criar uma relação amorosa duradoura, estável e que lhe permita a realização pessoal a este nível. É independente, trabalhadora, empenhada e, ao nível psicológico apresenta um comportamento que denota alguns traços de natureza obsessiva-compulsiva em relação à sua segurança pessoal, aspecto este que surge enquanto reacção à vivência de uma situação traumática na infância. É emocionalmente insegura, culpabilizando-se inconscientemente pelo seu comportamento obsessivo-compulsivo e pelo evento que o gerou e deixa que isto afecte a sua vida amorosa, pois nunca sentiu que os seus namorados entendessem esta sua preocupação com a segurança, ou que lhe dessem o devido valor, ou seja, nunca se sentiu compreendida plenamente por um parceiro naquilo que assume ser uma imperfeição que transporta consigo.

Por sua vez, Chase Parker é o exemplo de um macho alfa poderoso, sedutor e algo arrogante. É CEO da Parker Industries, uma firma dedicada à cosmética e beleza femininas que desenvolve cientificamente os seus próprios produtos, estudante brilhante, criativo e empreendedor, subiu a pulso nos negócios, por mérito próprio, e mantém um forte vínculo afectivo com a família mais próxima (designadamente, tem uma relação muito cúmplice com a irmã Anna, e com Samantha, a sua melhor amiga desde os tempos da faculdade, uma mulher forte, determinada e perspicaz, que, tal como Anna, assume uma postura cuidadora e protectora em relação a Chase. Bonito, sedutor, espirituoso, envolvente, bem humorado, rico e bem sucedido, à partida estaríamos perante a perfeição personificada, todavia, toda esta imagem de perfeição e força acabam por revelar-se uma máscara que esconde a sua fragilidade emocional. Chase lida com o fantasma de uma perda não superada, quer seguir em frente mas balança perante essa hipótese, deixando-se enredar numa forte pressão psicológica negativa , lutando por elaborar um luto do passado, e por vencer a culpa que, em determinados momentos, o bloqueia e o arrasta para isolamento social, abuso de alcool e desesperança na possibilidade de um futuro.

Chase e Reese vão, obviamente, cair nos braços um do outro, e até que tal aconteça, vamos assistindo a um delicioso e erótico jogo e sedução no escritório da empresa onde ambos trabalham. Porém, nem tudo é perfeito, e ambos são ainda assombrados por ecos traumáticos dos respectivos passados, o que pode deitar a perder um futuro que seria bastante promissor.

É interessante notar que o livro tem tanto de comédia romântica, quanto de drama, e tem dois protagonistas  que não são perfeitos, o que nos faz, desde logo, empatizar com Reese e com Chase. A culpa (em diferentes contextos traumáticos) e a aceitação de imperfeições em si mesmos e nos outros vão ser conceitos chave na evolução dos personagens.

Em suma, estamos perante um romance erótico que nos traz muitos bónus: romantismo, sedução, humor, drama, tensão, culpa, superação e aceitação, e é precisamente esta mistura de ingredientes tão rica que torna este livro muito especial e apaixonante. Vi Keeland é uma aposta ganha em termos editoriais e constitui uma boa escolha para levar de férias. Adorámos e queremos mais livros desta autora!

Ficha Técnica:

Título: O Boss

Autora: Vi Keeland

Editora: Topseller | Grupo 20|20

Edição: Julho de 2017

Nº de Páginas: 320

Género: Romance contemporâneo | erótico

Classificação: 5/5 estrelas



terça-feira, 2 de maio de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "Escrito na Água", de Paula Hawkins | TOPSELLER



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Blogger Literária

Dia 2 de Maio - Lançamento Mundial da Obra


Escrito na Água é o mais recente thriller psicológico de Paula Hawkins, sendo o resultado de um delicado e moroso trabalho de escrita ao longo de três anos, começamos por dizer que o investimento relativamente longo no trabalho de construção da narrativa fica patente na riqueza e no cuidado estilo literário imprimido à obra, a qual, além de narrar uma história carregada de simbolismo, suspense e, não um mas vários mistérios (como a própria autora destacou em missiva dirigida aos leitores iniciais) incita à reflexão acerca de temas bastante caros a Paula Hawkins, designadamente: o lugar das mulheres no mundo, a relação das mulheres entre o seu género, a pouca fiabilidade da memória e o poder da narrativa.

O ponto de partida para a trama é o regresso de Jules (Julia) Abott à localidade onde nasceu - Beckford - na Inglaterra, para se defrontar com a morte da irmã mais velha Nel Abbot, com a qual tinha uma relação conturbada e mal resolvida que nos vai sendo apresentada no decurso da narrativa, a par do mistério principal que se prende com a causa ou as motivações das mortes que ocorrem no rio local, em especial, numa zona conhecida como "O poço das Afogadas". Uma das grandes questões que se levanta é: será a morte de Nel suicídio ou homicídio?

Será o rio um local de rituais simbólicos, o sítio onde Nel e outras mulheres ao longo dos séculos, procuraram a morte como libertação de uma vida que não lhes era satisfatória? Ou é o rio um instrumento ideal para punir mulheres consideradas problemáticas ( no sentido em que não se conformam às normas instituídas socialmente?).

Como protagonistas encontramos Jules (irmã da falecida Nel), Lena, a rebelde e inconformada filha adolescente da falecida Nel, Louise Wittaker  (mãe do jovem Josh) que vive a dor inexplicável de ter perdido recentemente a filha Katie (melhor amiga de Lena), a equipa de investigação local que é chamada a averiguar as circunstâncias em que decorreu a morte de Nel ( uma mulher sedutora, um espírito livre, escritora que sempre nutriu uma obsessão pelo rio e pelas mortes por afogamento de várias mulheres que ali foram ocorrendo, e que se encontrava a escrever um livro acerca deste tema que poderia ser incómodo até para si mesma). Existem diversas personagens, e cada uma delas apresenta a sua perspectiva enquanto participante na história, numa narrativa na primeira pessoa que bastante prende o leitor e o transporta para a essência psicológica e densidade das mesmas.

Dividido em quatro partes, o livro vai envolvendo o leitor na história, num clima de suspense permanente até ao climax final, pese embora seja viciante, os temas abordados são tão pertinentes e reais que aconselhamos vivamente uma leitura que diríamos de degustação, sendo difícil resistir à tentação de saborear algumas passagens e de ir fazendo anotações ao longo da leitura. 

Estamos aqui perante mais do que uma simples história de mistério, ou um simples thriller psicológico, estamos sim perante uma obra literária na sua verdadeira essência, com um olhar maduro e ponderado acerca de questões psicológicas, filosóficas e sociológicas, e mais do que a própria história, é este o aspecto que mais nos fascinou nesta leitura.

Em termos psicológicos, somos brindados com a particular dinâmica relacional entre Jules e a sua falecida irmã Nel, a rivalidade entre irmãs, a competição, a luta pelo exercício do poder torna-se evidente aos nossos olhos: "Sempre tive um pouco de medo de ti. Tu Sabias disso, divertias-te com o poder que te dava sobre mim. (...)"

Encontramos momentos de reflexão sociológica e filosófica bastante profundos e actuais: "(...) as histórias dos adultos estavam cheias de crueldades estúpidas: criancinhas recusadas à entrada das escolas porque a sua pele era de uma cor errada; pessoas espancadas ou mortas por adorarem o deus errado.(...)"

Há um aspecto que gostaríamos de destacar, por ter sido esta a nossa leitura da história, o rio assume aqui um papel deveras relevante na economia da narrativa, na medida em que todas as personagens estão directamente ligadas ao mesmo, ou porque este as fascina, ou porque nele perderam pessoas que lhe eram próximas e queridas. O rio transporta na obra um simbolismo marcadamente dialéctico que evoca uma perspectiva filosófica heraclitiana, recordando Heráclito de Efeso:"Não é possível descer duas vezes no mesmo rio; nós próprios somos e não somos." (Fragmento 49, In, No Reino dos Porquês, Filosofia, 10º ano). Ou seja, nada permanece estanque, nem o rio, nem as pessoas à sua volta, e o mundo avança através de uma eterna luta entre contrários, vejamos este excerto de escrito na Água que evidencia esta ideia: "Tive um acesso súbito de clareza: não tinha de ser fixa, podia ser fluída, como o rio.(...)"

Os jogos de poder e de sedução como exercício de poder, a possibilidade de serem criadas falsas memórias, e também sempre muito presente em diversas personagens encontramos uma palavra chave - a culpa, a culpa associada ao passado, às perdas, à forma como são elaboradas e vividas diversas emoções, tudo isto podemos encontrar neste livro, o que revela a maturidade da autora já plenamente plasmada na sua escrita. Muito mais poderíamos dizer, mas receamos cair no risco de spoilers, e por isso, aqui deixamos algumas pistas e a recomendação sem hesitações desta leitura.

A escrita de Paula Hawkins é perfeita, e a sua perspicácia enquanto observadora do mundo que a rodeia é manifestada de forma brilhante em Escrito na Água.


Ficamos bastante expectantes em relação à adaptação cinematográfica do livro.

Ficha Técnica do Livro:


Autora: Paula Hawkins

Edição: 2 de Maio de 2017


Nº de Páginas: 384

Género: Thriller Psicológico

Nota de redacção: o Jornal Nova Gazeta agradece ao blog parceiro Os Livros Nossos e à Topseller o apoio prestado na disponibilização deste artigo de crítica literária, mediante acesso a um exemplar de avanço da obra facultado ao blog.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | "Escondida em Ti", de Lisa Renee Jones | TopSeller




Isabel de Almeida | Crítica Literária e Jornalista

Escondida em Ti é um romance de suspense erótico que marca a estreia em Portugal de Lisa Renee Jones, uma autora bem conhecida do público Norte-Americano, com presença assídua nos tops do New York Times e USA Today.

Neste romance contemporâneo com cenário na Cidade de São Francisco, encontramos a nossa protagonista Sara McMillan, uma professora de Liceu que leva uma existência pacata, rotineira e low profile, não tendo ainda encontrado uma oportunidade para dar largas à sua paixão pelo mundo da arte. 

De repente, a jovem vê-se envolvida num denso mistério, ao cair na tentação de ler os diários eróticos de uma desconhecida - Rebecca - aos quais acede casualmente através de uma amiga - Ella.

Cada vez mais obcecada pelos relatos escaldantes, profundamente sensuais, mas com o seu quê de obscuro, perigoso e apelativo que encontra nos diários de uma desconhecida, Sara irá defrontar-se com um mundo com que sempre sonhou - o das galerias de arte - e vê-se envolvida numa estranha luta de poder travada entre dois machos-alfa extremamente ricos, poderosos, atraentes e misteriosos - o artista plástico Chris Merit e o Galerista e Leiloeiro Mark Compton (um verdadeiro tubarão no mundo dos negócios com arte e um chefe exigente, controlador e manipulador).

Sara assume o papel de narradora neste romance e revela travar um conflito interno a diversos níveis, desde logo, porque ao racionalizar assume estar obcecada pelos diários de Rebecca, e corre sérios riscos de querer viver a vida desta mulher para si desconhecida, o que poderá corresponder, psicologicamente, a um desejo de mudança, de quebrar rotinas e de transgredir regras, o que lhe permitirá quebrar o circulo vicioso em que se tornou a sua banal existência. Por outro lado, ao travar conhecimento com o sexy artista Chris Merit, com o qual sente uma inevitável empatia, nascendo entre ambos uma atracção física evidente, Sara sente que se há muito que os une, há também um mundo de distância entre ambos: "Nós somos de dois mundos diferentes, eu e este homem. O dele é de sonhos realizados, o meu é de sonhos impossíveis (...) [pág. 48].

Há em Sara toda uma carga psicológica de alguma insegurança, de fuga a algo que a perturba no curso de vida, de evitamento de algo que possa alterar aquelas que são as suas "zonas de conforto", mas a verdade é que, de modo mais ou menos consciente, há alguma ambivalência nestas emoções e mecanismos de defesa, pois há um desejo secreto e temido de ser uma outra pessoa, de assumir uma nova identidade, ou tratar-se-á antes de , afinal, viver em pleno e sem limites, aquela que é a sua verdadeira identidade que tem estado escondida, recalcada e em negação? A autora é exímia ao revelar pistas acerca destes conflitos da protagonista, deixando, todavia, aos leitores a margem para duvidar, questionar, problematizar e fazer a sua própria leitura psicológica desta protagonista. 

Sara consegue racionalizar, por vezes, questões que em si ainda não resolveu: "A perfeição das outras pessoas é uma fachada que criamos quando duvidamos de nós próprios (...) [pág. 56].

Chris é também um protagonista com bastante potencial para desenvolver enquanto personagem, mas talvez por se tratar de uma narrativa de acordo com o ponto de vista de Sara não acedemos ainda, tanto quanto gostaríamos, ao seu verdadeiro eu, mas são-nos disponibilizados bons indícios acerca da sua personalidade, e fica uma certeza, Chris construiu uma imagem pública, uma persona, que pretende proteger a sua privacidade mesmo considerando-se o facto de ser uma figura pública e um artista plástico talentoso e com méritos reconhecidos, que usa a arte para sublimar as suas emoções.

Já Mark Compton surge como o vilão sexy da trama, percebemos que tem muito a esconder, que está habituado a lutas pelo poder e que, normalmente, até poderá ganhá-las, excepto se encontrar um adversário à sua altura, e Chris bem pode ser esse adversário. Estamos sempre à espera de descobrir algo mais sobre o misterioso Mark e é bem certo que este pode surpreender-nos.

O estilo narrativo da autora é muito cuidado, a linguagem é bastante emotiva, reveladora da densidade psicológica de que dotou as suas personagens (com especial destaque para Sara) e a obra doseia na medida certa mistério, conflito interno, sensualidade e emotividade. As descrições com conteúdo sexual explícito que surgem na obra (ora inseridas no âmbito das transcrições dos diários de Rebecca, ora a ocorrer em tempo real no decurso da narrativa) são bastante sensuais e detalhadas, sem todavia serem chocantes, em especial, para os adeptos de literatura erótica contemporânea.

Mas a grande surpresa deste livro é a qualidade verdadeiramente literária e a mestria que a autora revela na sua escrita. O livro está de tal forma bem escrito que as habituais vozes críticas da literatura dita comercial não vão conseguir apontar alguns dos lugares comuns que muitas vezes são atribuídos a este género ainda tão "olhado de lado" em alguns meios culturais nacionais.

É possível encontrar uma escrita de elevadíssima qualidade literária num romance erótico contemporâneo? É sim, se tem dúvidas leia este livro e deixe-se levar sem pudores na sua leitura. Encontramos aqui muito mais do que puro erotismo neste romance erótico. Entretenimento, emoção e reflexão garantidos.


"Arranjamos um lugar onde guardar coisas e lidar com elas, caso contrário damos cabo de nós.(...)" [Pág. 207]


Ficha Técnica:

Título: Escondida em Ti


Editora: Topseller Grupo 20|20

Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 320

Classificação: 5|5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Erótico





quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CRÍTICA LITERÁRIA | "Morre, Alex Cross", de James Patterson [ Topseller]


Texto: Isabel de Almeida

em colaboração com o blog parceiro Os Livros Nossos

Foto Capa: Direitos Reservados


Crítica Literária |  Classificação ****

Morre, Alex Cross, de James Patterson, traz-nos mais um ritmado romance policial do prestigiado autor Norte-Americano da série do já conhecido detective da Polícia Metropolitana de Washington, com todos os ingredientes que encontramos num bom filme de acção.

Alex Cross vê-se envolvido na investigação do desaparecimento dos filhos do Presidente dos Estados Unidos - Zoe e Ethan Coyle enquanto a capital se vê sob a ameaça de uma misteriosa organização terrorista do Médio Oriente, enquanto as diversas forças de investigação unem esforços e ultrapassam rivalidades para tentar vencer os fortes desafios que se lhes colocam.

O protagonista, Alex Cross, mostra-se envolvido na sua paixão pela investigação policial, enquanto acompanha a elevada tensão das agências de investigação, sendo comum a todos os agentes policiais o medo de chegar demasiado tarde perto dos filhos do Presidente dos Estados Unidos.

Simultaneamente, assistimos à entrada em solo Americano do Casal Saudita Al Dossari, operacionais de uma perigosa organização extremista do Médio Oriente cujo objetivo é tirar vidas e lançar sobre Washington um manto de terror e medo extensível a toda a população local, ainda que, para atingir tais metas, tenham de perder as próprias vidas.

Somos novamente transportados para os corredores do poder, ao mais alto nível político, confrontados com a ameaça terrorista que paira sobre os Estados Unidos e tudo o que este pais representa no panorama político e económico global.

Heróis e Vilões desfilam perante os olhos dos leitores com personalidades bem vincadas, revelando inteligência, determinação e empenho nas respectivas causas.

Depois, como que para atenuar a elevada tensão da trama narrativa, voltamos a encontrar o núcleo familiar de Alex Cross, sendo impossível evitar um sorriso carinhoso com as tiradas e ensinamentos sábios da avó Regina (Nana). É fácil empatizar com a união do clã Cross.

Acção, perigo, uma verdadeira corrida contra o tempo, a conciliação possível entre as exigências da vida profissional e pessoal, no ritmo rápido e envolvente a que o autor já, há muito, vem habituando os seus leitores. Entretenimento ao mais alto nível, ideal para quem já é fã, ou para leitores que queiram descobrir Patterson no seu registo muito pessoal e costumeiro, que não desaponta.


Ficha Técnica:

Título: Morre, Alex Cross

Autor: James Patterson

Edição: Outubro de 2016

Editora: Topseller / Grupo 20|20

Nº de Páginas: 352

Género: Policial


Saiba mais detalhes sobre esta e outras obras no site da Topseller, clicando AQUI


Nota de redacção: O exemplar da obra foi gentilmente cedido pelo editor para artigo de crítica literária.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Cultura - Divulgação Literária | "Verdade Escondida", o novo livro de Mary Kubica chega hoje às livrarias [Topseller]


Texto: Isabel de Almeida

Foto da Capa: Topseller - D.R.

Foto da Autora: Topseller - D.R.

Se já conhece esta autora, vai querer ler este livro, que chega hoje às livrarias nacionais, se ainda não conhece, é uma boa oportunidade para ler aquele que promete ser um dos livros de eleição para este Verão, atenção adeptos do Thriller! Uma aposta Topseller

Mary Kubica conquistou os leitores Portugueses com o seu livro de estreia" Não Digas Nada" . Depois de "Vidas Roubadas" e agora com a publicação do seu mais recente livro "Verdade Escondida", Mary Kubica estabelece-se como uma das autoras de referência no thriller psicológico. Verdade Escondida tem sido selecionado como uma das melhores obras para ler no verão por importantes meios estrangeiros de divulgação editorial.

«Um thriller cheio de suspense que deixará o leitor na expetativa até ao final.» Booklist

«Arrebatador e luminoso… sobe a fasquia neste género literário.» LA Times

«Tão arrepiante que deixa a sua marca. Uma leitura extraordinária.» The Sun

[Sinopse da Obra]

Quinn Collins acorda e não encontra a amiga com quem partilha a casa na cidade de Chicago. O quarto dela tem a cama vazia e a janela aberta, e Quinn recorda-se vagamente de ter ouvido um rangido durante a noite. Esther Vaughan desapareceu sem deixar rasto. Entre os pertences da amiga encontra uma carta enigmática, assim como outros objetos que colocam em dúvida se Esther será a pessoa que Quinn julgava ser. 

Entretanto, numa pequena cidade perto de Chicago, uma rapariga misteriosa aparece num café onde um jovem chamado Alex Gallo trabalha. Alex sente-se desde logo atraído por ela, mas acaba por descobrir algo obscuro e sinistro que porá em causa os seus sentimentos. 

Enquanto Quinn continua em busca de respostas para o desaparecimento de Esther, e Alex tenta saber mais sobre a rapariga desconhecida, forma-se um enredo de ilusões que ameaça esconder uma dura e chocante verdade. Quem será aquela estranha rapariga?

[Sobre a Autora]



Vive nos arredores de Chicago com o marido e os dois filhos e gosta de fotografia, de jardinagem e de cuidar de animais abandonados num abrigo local. É autora de três bestsellers, Não Digas Nada, Vidas Roubadas e Verdade Escondida (publicados pela Topseller). O primeiro valeu-lhe uma nomeação para o Strand Magazine Critics Award como Melhor Romance de Estreia, e outra para o Goodreads Choice Award na categoria de novos autores de thriller e mistério de 2014.

Visite o Site da autora AQUI






quinta-feira, 9 de junho de 2016

[Cultura - Crítica Literária] " A Vingança dos Tudor", de C. W. Gortner

Crítica Literária

Texto: Isabel de Almeida/Nova Gazeta/Os Livros Nossos

A Vingança dos Tudor, de C. W. Gortner, é um romance histórico cuja acção decorre em 1558, durante os preliminares do Reinado de Isabel I [filha de Henrique VIII e Ana Bolena], onde voltamos a encontrar Brendan Prescott, o fiel espião ao serviço de Isabel, que é retirado do exílio forçado em Basileia por exigência real, tendo por incumbência descobrir o paradeiro da Aia preferida da Rainha - Lady Parry.

De volta à Corte, Brendan reencontra o seu amor perdido - Kate Stafford, Aia da rainha - e um dos seus mais ferverosos inimigos - Robert Dudley, um nobre com uma relação algo ambígua mas muito próxima de Isabel I, que não esqueceu a intervenção de Brendan contra a ambição da família Dudley, no passado.

O leitor vê-se mergulhado no clima de intriga, alta tensão, perigo e traição da Corte Tudor, sendo o autor exímio em manter o suspense e o mistério ao virar de cada página.

A narrativa apresenta desta feita dois grandes momentos narrativos, um em Londres, na residência Real de whitehall e na taberna de Shelton [o pai de Brendan] e um segundo momento que decorre numa remota zona rural de Inglaterra - Whitern Sea, na decrépita mansão de Lorde e Lady Vaughan, denominada  Vaughan Hall, onde o nosso herói porá a prova os seus dotes de detective, procurando desvendar o mistério que envolve o desaparecimento da Aia da Rainha, Lady Parry [Tia de Lorde Vaughan].

O livro é rico em contrastes sociais que bastante enriquecem a trama. Em Londres, encontramos o ambiente luxuoso da Corte Isabelina, com todo o fausto e futilidade dos cortesãos interessados em bajular e agradar à futura rainha; mas longe de Whitehall, nos arredores lamaçentos da cidade, encontramos a Taberna de Sheldon e da mulher Nan, num meio onde vivem as camadas mais pobres da sociedade, onde é visível o abuso de álcool, a prostituição e a luta diária pela sobrevivência.

Por sua vez, em Vaughan Hall encontramos uma família nobre que atravessa dificuldades financeiras, que sofreu a recente perda do seu jovem herdeiro, vítima de febres, e que esconde obscuros segredos, onde nada nem ninguém é, afinal, o que pareceria ser, numa primeira análise.

Facilmente sentimos empatia por Raff, o jovem e maltratado criado da família Vaughan, uma criança especial, que vive num mundo de fantasia, como escape para a dura realidade em que lhe cabe viver.

Um romance histórico bastante rico, onde não faltam segredos, vingança, acção, perigo, e a inteligência de Brendan, como a sua maior aliada para solucionar o enigma que lhe coube em sorte, em mais uma prova da sua devoção a Isabel I.

Também um tom romântico fica assumido na questão: será a lealdade de Brendan à rainha conciliável com o seu amor por Kate? Como distinguir entre aliados e inimigos?  Esta e outras questões estão apenas à distância das páginas deste livro de leitura deveras envolvente.

Ficha Técnica:



Autor: C. W. Gortner


Edição: Fevereiro de 2016


Editora: TOPSELLER [Grupo 20/20]


Páginas: 304

Classificação atribuída no GoodReads/Blogue Os Livros Nossos : 5/5 


Género: Romance Histórico/Dinastia Tudor


Nota de redacção: O exemplar da obra foi gentilmente cedido pelo editor para artigo de crítica literária.