quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
UM LAÇO REFEITO, de BAILEY HANNAH | TOPSELLER
Em treze anos, Denver conseguiu arranjar maneira de manter afastados os seus demónios pessoais, mas tudo muda com o regresso de Blair, que literalmente o derruba da sua sela. Contudo, para poder sonhar sequer em reconquistá-la, ele terá de provar que é capaz de ser o homem de que ela precisa, o homem que em tempos ela amou.
Dedicada de corpo e alma à assistência à mãe, Blair não parece disponível para reviver a relação complicada que tiveram. E Denver vai precisar de muito mais do que o seu habitual charme de cowboy para a convencer a mudar de ideias e refazer o laço entre eles.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
O MISTERIOSO CASO DA ESCRITORA DESAPARECIDA, de RAGNAR JÓNASSON | TOPSELLER
Numa noite de inverno, a autora bestseller de livros policiais, Elín S. Jónsdóttir, desaparece.Não há quaisquer pistas sobre o seu desaparecimento, e cabe ao jovem inspetor Helgi Reykdal desvendar o caso antes que este chegue às mãos da imprensa.
Ao entrevistar as pessoas que lhe são mais próximas — uma editora, um contabilista, uma juíza reformada — percebe que a vida de Elín não era o que parecia. Na verdade, o seu passado é ainda mais estranho do que a sua ficção.
À medida que o caso da escritora de policiais desaparecida se torna mais misterioso a cada hora que passa, Helgi tem de descobrir os segredos inesperados de uma vida, antes que seja tarde demais…
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
A MIÚDA CERTA, de COLLEEN HOOVER | TOPSELLER
O amor de Layken e Will foi capaz de ultrapassar todos os obstáculos, e o jovem casal começa finalmente a desfrutar da segurança e serenidade da sua união. Mas por mais que esteja a adorar a sua nova vida de casada, Layken sente que ainda existem algumas lacunas por preencher no que respeita à história de uma relação com tantos percalços.Embora Will prefira manter as memórias mais dolorosas no passado, não consegue resistir aos pedidos de Layken e aceita revelar o seu lado da história. Durante a lua de mel, expõe-lhe pela primeira vez os seus pensamentos mais íntimos, partilhando com ela os bons e os maus momentos e confessando-lhe tudo o que sentiu desde o dia em que a conheceu.
Só que Layken não estava preparada para certas revelações, e agora o futuro dos dois depende do modo como irão conseguir lidar com o seu próprio passado.
terça-feira, 26 de março de 2024
DIVULGAÇÃO | TALVEZ AGORA, de COLLEEN HOOVER | TOPSELLER
Poderá a amizade sobrepor-se ao amor?Depois de um início conturbado, Ridge e Sydney procuram aproveitar a tão aguardada liberdade para estarem juntos. No entanto, a relação é continuamente desafiada pela ligação entre Ridge e Maggie, que mantêm uma forte amizade mesmo depois do fim do namoro.
Quando encontra a «lista de coisas para fazer antes de morrer» que iniciou durante a adolescência, Maggie decide viver a vida ao máximo e concretizar aquilo com que sempre sonhou. Apesar de a doença teimar em limitar as suas escolhas, Maggie abraça novas aventuras, entre as quais a possibilidade de se deixar levar novamente pelo amor.
Só que Ridge não consegue esconder a sua preocupação em relação a ela, fazendo surgir algumas inseguranças em Sydney. Mas para conseguir seguir em frente, Sydney terá de aceitar que Maggie fará sempre parte das suas vidas.
sexta-feira, 15 de março de 2024
DIVULGAÇÃO | A ESTRANHA SALLY DIAMOND, de LIZ NUGENT | TOPSELLER
Sally Diamond não consegue perceber porque é que aquilo que fez é assim tão estranho. Ela limitou-se a fazer o que o pai lhe pediu: pô-lo no lixo quando ele morresse.
Habituada a uma vida solitária, Sally vê-se agora no centro das atenções, tanto por parte dos vizinhos, como da polícia e da comunicação social. No meio da confusão gerada em torno do incidente, Sally começa a receber mensagens anónimas de alguém que conhece o seu passado, um passado do qual ela não tem qualquer memória.
Ao mesmo tempo que vai descobrindo os horrores da sua infância, Sally começa a explorar o mundo pela primeira vez, fazendo amigos, conquistando a sua independência e percebendo que as pessoas nem sempre dizem o que realmente estão a sentir.
Mas quem é o homem que a observa e lhe escreve do outro lado do mundo?
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
DIVULGAÇÃO | OS SETE MARIDOS DE EVELYN HUGO, de TAYLOR JENKINS REID | TOPSELLER
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Determinada a aproveitar a oportunidade para impulsionar a sua carreira, Monique regista o relato de Evelyn com fascínio e admiração. Da chegada a Hollywood no início da década de 1950 à decisão de abandonar o mundo do espetáculo 30 anos depois, incluindo, claro está, os seus sete casamentos, a vida de Evelyn é repleta de ambição desmedida, amizades improváveis e um grande amor proibido.
À medida que a história de Evelyn se aproxima do final, torna-se claro que a sua vida está ligada à de Monique de uma forma trágica e irreversível.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2024
DIVULGAÇÃO | NO FINAL MORREM OS DOIS, de ADAM SILVERA | TOPSELLER
Sem morte, não há vida. Sem perda, não há amor.
Pouco depois da meia-noite, Mateo e Rufus, dois completos estranhos, recebem a notícia de que vão morrer dentro de 24 horas. Neste último dia que lhes resta, ambos anseiam por fazer um amigo.
A boa notícia é que existe uma aplicação para isso. Chama-se Último Amigo e, através dela, estes dois jovens encontram-se para uma derradeira e intensa aventura: viver toda uma vida num só dia.
Para nos lembrarmos de que todos os dias contam.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | GUERREIRA DOS CÉUS, de ADDIE THORLEY | TOPSELLER
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | A ESPIA REAL, de RHYS BOWEN | TOPSELLER
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | O PACTO, de ELLE KENNEDY | TOPSELLER
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | A ÁRVORE DA DANÇA, de KIRAN MILLWOOD HARGRAVE | TOPSELLER
domingo, 8 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | VERITY, de COLLEEN HOOVER | TOPSELLER
Nota da Autora
Caros leitores,
Nem sei por onde começar.
Estava tão nervosa quando, em 2018, escrevi Verity. Era um afastamento tão grande dos livros que estava habituada a escrever e dos livros que estavam habituados a que eu escrevesse. Estava preparada para uma tiragem muito menor de Verity, por ser tão diferente. A certa altura, convenci-me de que a minha mãe seria a única leitora, mas, mesmo assim, estava a divertir-me tanto a escrever o livro que não consegui parar.
Quando chegou o dia do lançamento, esperava que aqueles que me tinham apoiado anteriormente estivessem receosos de me seguir para um género completamente novo, mas não podia estar mais enganada. Fiquei perplexa com o apoio dos leitores que me têm acompanhado desde o início, tal como estou perplexa com o apoio de todos os novos leitores que apareceram desde então.
Obrigada por estarem aí.
O meu único objetivo nesta carreira de escritora é entreter, mas nunca esperei que os leitores fizessem o mesmo por mim. Todos os vossos debates entre a «Team Manuscrito» e a «Team Carta» me proporcionaram horas de deleite, juntamente com as inteligentes publicações no TikTok inspiradas por Verity, o grupo de discussão sobre o livro e as incríveis composições gráficas que têm partilhado. Não consigo agradecer-vos o suficiente por se converterem a esta história louca e a este elenco de personagens, e por me proporcionarem em troca tanto deleite.
Diverti-me imenso a escrever o capítulo bónus para esta edição especial de Verity. Espero que gostem de o ler.
Obrigada pelo meu trabalho de sonho.
Com afeto,
Colleen Hoover
sábado, 7 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | TORNA-ME TUA, de MELANIE HARLOW | TOPSELLER
Quero comer panquecas ao jantar
Quero ficar presa na tua cabeça
Quero ver um programa de TV contigo e quando estivermos deprimidos podemos vê‑lo na cama
Por isso, por favor, guarda todas as perguntas para o fim e talvez nessa altura eu já seja corajosa o suficiente Bem, talvez eu nunca venha a dizer o que me vai na cabeça Não, não tenho de dizer nada.
Tu di-lo-ás por mim.
Lizzie McAlpine
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | ÁGUAS DE INVERNO, de SUSANNE JANSSON | TOPSELLER
PRÓLOGO
Eram os céus, tantos, tão vastos.
Os céus acima do mar, como os céus se alteravam.
Alguns céus eram pesados, branco-sujos. Outros, azuis e brilhantes, despreocupados, com finas raias de branco. Alguns eram como papel de seda, meticulosamente dobrado sobre uma cintilação dourada e cativante; outros, de um monótono cinzento de aço; outros, ainda, um abismo que relampejava de fúria.
Os céus e o modo como se erguiam, abobadados, acima das falésias macias, desgastadas durante milénios por glaciares, e assim observavam o mundo inteiro e tudo dominavam.
Como se geravam e dissolviam e regressavam sob uma nova forma, sem que alguma vez se pudesse antecipar qual.
Eram os céus.
E as águas.
E as falésias.
Era tudo.
E as pessoas. As pessoas, aqueles seres minúsculos que tinham construído as suas casas nas massas de terra rasgadas, sulcadas. Para apanharem arenque na devida época, há muito tempo, quando o arenque chegava em cardumes tão grandes como nunca se tinha visto. Nunca tinha visto cardumes assim.
Dizia-se que se podia ir a pé de uma ilha à outra. Que havia mais arenque do que água.
As pessoas viviam naquelas ilhas e navegavam naquelas águas, sob todos aqueles céus. E, em certas ocasiões — não tão raras, de resto —, um corpo caía à água, sob um céu qualquer, caía onde não deveria cair e pronto — as coisas ficavam assim, nada se alterava. Bem, não para as pessoas, claro, mas para as águas e os céus nada mudava.
Talvez se ouvissem gritos, um nome levado pelo vento. Gritos em terra ou num barco à superfície do mar.
Às vezes, no inverno, quando o mar parecia tornar-se mais profundo e escuro, ouvia-se falar de outros gritos. De gritos que vinham do mar, gritos que procuravam terra. Gritos que ludibriavam e atraíam.
Mas talvez não passassem apenas de histórias que as pessoas contavam.
Talvez fosse apenas o vento.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | A RAPARIGA POLACA, de MALKA ADLER | TOPSELLER
Prólogo
O mais difícil foi quando os russos entraram em Cracóvia.
Aconteceu no final da guerra, depois de o Dr. Helmutt Sopp ter saído da casa. Foi viver para onde trabalhava, no hospital de Cracóvia. A mamã disse que era o melhor para o professor, e que os bons velhos tempos dos nazis tinham chegado ao fim, tal como um filme de terror. A mamã dizia que Helmutt Sopp era professor, mas, a julgar pelo seu diploma, era apenas um médico. Psiquiatra e oficial nazi no exército de Hitler, mas não era professor. Constatei-o nas cartas que enviou à mamã depois da guerra, quando vivíamos em Haifa. Nos envelopes, vinha escrito:
dr. helmutt sopp
De resto, ouvia as pessoas a tratá-lo por Herr Doktor quando ainda vivíamos com ele. Para nós, ele era o grande salvador. Era o responsável pela mamã em Cracóvia. Para mim, era alto, bonito e um bom homem.
A mamã foi governanta da família Sopp durante dois anos. Contrataram-na graças a documentos especiais obtidos por Lydia, sua irmã mais velha. A mamã manteve o nome Anna e mudou apenas o apelido para Kwiatkowski, um nome polaco que podia salvar judeus da morte. Graças aos documentos de Lydia e ao facto de a mamã trabalhar para a família Sopp, conseguimos ficar num pequeno quarto onde podíamos viver sem medo do destino cruel que nos espreitava todos os dias, a todas as horas, ano após ano.
Quando soubemos que os russos estavam a aproximar-se de Cracóvia, novas instruções começaram a chegar à casa da família Sopp na cidade. Toni, a mulher de Helmutt, e os seus filhos, Peter e Ammon, partiram para a Alemanha tal como lhes foi dito que fizessem. Nós permanecemos na casa com Helmutt Sopp durante mais uma ou duas semanas, mas logo a seguir, por causa da nova situação, como disse a mamã, Helmutt também saiu de casa e foi viver para o hospital.
Ficámos sozinhos na mansão luxuosa, sem as festas habituais e sem a proteção de Helmutt e Toni Sopp, até que foi anunciado pela rádio que a guerra tinha acabado.
Um dia — estávamos em fevereiro —, chegaram os senhorios polacos. Foi depois da libertação, quando os russos já tinham ocupado as ruas de Cracóvia, caídos de bêbedos ou a dançar a kazachok1 como loucos. Os senhorios disseram à mamã que aquela casa lhes pertencia e que havia papéis que o comprovavam. Permitiram-nos ficar até ela tratar de todos os preparativos. A mamã agradeceu e avisou-nos com o olhar para irmos para o quarto e que fizéssemos silêncio. Os novos senhorios, um homem, a sua mulher e uma filha mais velha do que eu, ocuparam imediatamente uma ala. Eu, a mamã e o meu irmão, que era um ano e pouco mais novo do que eu, desaparecemos no quarto dos criados que ficava ao lado da cozinha.
Eu tinha 8 anos e dava pela maçaneta da porta, alta e esguia.
O Yashu tinha uns 7 anos, e a mamã, 40, bonita como sempre.
Um dia, ouvi a rapariga polaca perguntar ao pai:
— Como se escreve «alemão», com letra maiúscula ou minúscula?
— Escrevemos todos os povos com letra maiúscula, minha filha — disse ele —, menos os judeus. «Judeu» é com letra minúscula.
— Obrigada, pai — agradeceu a rapariga educadamente, e continuou a escrever no seu caderno.
Lembro-me de perceber naquele momento que todos os povos, sem exceção, eram meus inimigos, mesmo que a guerra tivesse acabado, como apregoavam por toda a parte. Bem, Danusha, voltaste a não valer nada, disse a mim mesma.
Percebi também que havia um mundo de muitas nações e que eu estava do outro lado, onde tinha de me esconder. E, acima de tudo, percebi que eu e a minha mãe nos escrevíamos com letra minúscula, que não contávamos para nada.
Senti-me mal por isso. Desta vez, senti-me absolutamente indigna, e isso entupia-me o nariz e ardia-me na garganta. Nem sequer o espelho que adorava me fazia sentir melhor. Eu era uma criança muito calada e educada, com olhos azuis e cabelo acobreado; tão bonita, ouvia amiúde. Mas sentia-me mal ao lado da rapariga polaca, e não ajudava que, com 6 anos, já conseguisse ler em duas línguas, e não ajudava que Frau von Dorf, a professora de piano em Bad Pyrmont, dissesse que eu era muito musical.
Se bem me lembro, tudo começou na nossa pequena família. Só o papá ficou contente quando nasci, mas ele desapareceu quando fiz 5 anos, e se a mamã dizia que as raparigas não tinham importância, era isso que contava.
Uma boa mãe sonha com um filho primogénito, não com uma filha. Acreditava que teria um filho primogénito parecido com um oficial polaco de posição, digno da sua família de antes da guerra. Disse às irmãs que o primogénito seria muito alto e bonito, não um Hassid, um académico, como o avô. A mamã queria um filho que montasse um cavalo nobre, como aquele que tinha visto no seu sonho, aquele sobre o qual sussurrava com as quatro irmãs na sala de estar. Aharon, o irmão mais novo, desapareceu na guerra. Mas qual era o sexo mais forte naqueles tempos, qual? Os homens esconderam-se ou desapareceram no fumo ou no vento, e as mulheres sobreviveram. Quem derrotou a mamã? Ninguém. Nem a ela, nem às suas quatro irmãs, fortes como o Rochedo de Gibraltar.
Eu era a primogénita de um pai que era um comerciante da Galícia Oriental, não um advogado de Lódz como o marido da minha tia Franca, e neta da avó Rosa, que estava muito mais satisfeita com o advogado de Lódz. A avó Rosa não gostava muito de mim. Senti-o quando a visitei em Cracóvia e brinquei com os meus primos. Senti que eles, os filhos do advogado de Lódz, eram os mais bem-sucedidos.
Quando o senhorio polaco disse à filha que só żyd2 se escrevia com letra minúscula, e que todos os outros povos tinham direito a uma letra maiúscula, percebi imediatamente que, para mim, a guerra não tinha acabado com a entrada dos russos em Cracóvia.
E foi isso que aconteceu.
Nem tudo foi mau durante a guerra.
Talvez fosse por ser pequena, com apenas 2 anos, quando tudo começou.
Quando tinha 3, 4 e 5 anos, e mais tarde também, houve momentos bons. A mamã costumava cantar árias e trechos de ópera logo de manhã, e eu implorava sempre por mais. Não queria que aquelas melodias tivessem fim. Viajámos entre cidades, conhecemos boas pessoas e não nos esqueçamos do jardim tirolês desenhado nos sofás no meio da sala de estar daquele monstro, Josef Wirth.
Houve o bonito Helmutt Sopp, a divertida Toni, vestidos limpos para usar e fitas no cabelo a condizer. Na casa grande da família Sopp havia boa comida, o cheiro das especiarias na cozinha, e «Frau Anna, es schmeckt gut — delicioso». Houve os rapazes simpáticos, Peter e Ammon, uma vitrola na sala de estar e uma pilha de discos; houve pãezinhos frescos, bolos maravilhosos e gelados, como nos filmes. Houve o jornal Die Zeitung. Aprendi a ler sozinha, e houve livros lindos e convidados importantes em mesas elegantes. Houve bebidas, iguarias e muitas gargalhadas. Houve também um licor invulgar, uma especialidade da mamã, e cantorias maravilhosas dos homens, Oh, Wisła, Wisła. A mamã corava.
— Sabia que o apelido Kwiatkowski significa flores em alemão? — diziam-lhe, e ela ficava orgulhosa do seu apelido novo.
No pequeno quarto, contíguo à cozinha, havia uma janela com vista para o pátio, onde estava uma árvore lilás com ramos carregados de flores cujo aroma me prendia à janela horas a fio.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
DIVULGAÇÃO | A LISTA DE LEITURA, de SARA NICHA ADAMS | TOPSELLER
Prólogo
A Lista de Leitura
2017
As portas são novas: abrem-se automaticamente. São elegantes. Aí está uma coisa que mudou desde a última vez que Aidan ali esteve. A primeira coisa em que ele repara são as filas esparsas de livros — quando era mais novo, mais pequeno, as prateleiras pareciam não ter fim, cheias de livros de todas as formas e tamanhos. Mesmo quando ali trabalhou, numas férias de verão durante a sua adolescência, aquele espaço era um santuário para ele e, embora nunca o tivesse admitido aos amigos, adorava perder-se entre as pilhas e pilhas de dicionários, enciclopédias e outras obras de referência. Talvez esteja apenas a olhar para o passado através de lentes cor-de-rosa, imaginando algum tipo de país dos livros, maravilhoso e mágico, que nunca existiu realmente. Agora, porém, com 22 anos, já não é um rapaz, mas sim um homem, e ali está ele novamente à procura de um lugar para se esconder — do mundo, dos amigos, da família.
O bibliotecário levanta os olhos por breves instantes quando ele entra pelas portas e sorri. Aidan é saudado pelo silêncio. Nas suas memórias, aquele lugar nunca era silencioso. Obviamente, isto é uma biblioteca… por isso, sempre foi um local tranquilo, mas também havia aquele ruído surdo — de pessoas a remexerem-se, de crianças a sussurrarem às mães, de pessoas a virarem páginas, a moverem cadeiras, a abanarem-se, a tossicarem e a fungarem. Hoje, mal se ouve um som. Alguém a escrever uma mensagem de texto no telemóvel. O bibliotecário a bater nas teclas daquele teclado velho e desajeitado. Mais nada. Há pouco tempo, vira alguns cartazes onde se lia que era preciso salvar as bibliotecas de Brent afixados em quadros comunitários: no supermercado Tesco, no ginásio, até mesmo colados perto da estação de metro, a anunciar vendas de bolos para angariar verbas, clubes de tricô na biblioteca, protestos passivos, petições. Mas nunca lhe passou pela cabeça que a Biblioteca de Harrow Road precisasse de ser salva. Na sua mente, é popular, acarinhada, mas agora que ali está, o seu coração começa a cair-lhe aos pés… talvez a Biblioteca de Harrow Road seja a próxima a desaparecer.
Vagueia até às prateleiras da ficção, à secção dos policiais e thrillers e passa os dedos pelas lombadas, aterrando em Black Water Rising, de Attica Locke. Já leu aquele livro há alguns anos. Talvez até mais de uma vez. Quando começa a virar as páginas, à procura de um escape, é invadido pelas memórias… da Houston de Attica Locke, a cidade viva, vibrante, escura, cheia de contradições e contrastes. Hoje, ele precisa desse tipo de familiaridade, precisa de regressar a um mundo onde há sustos, voltas e reviravoltas, mas um mundo onde ele sabe como tudo vai acabar.
Ele precisa de saber de que forma alguma coisa vai acabar.
A mesa em que se aninhava quando era pequeno já não existe, o espaço foi todo reorganizado. Nada se vai manter igual só para lhe agradar, não aqui, não na sua vida. Este é outro verão mau. Porém, à medida que as palavras da história o invadem, ele traça as frases com os dedos, tentando recriar aquela sensação de ter os pés assentes na terra, de estar enraizado num sítio, de ser apenas um corpo, a ler palavras, permitindo que a sua mente vagueie por outras paragens. Consegue sentir a história a assumir o controlo da sua mente, a puxá-lo para longe. Os seus próprios pensamentos, as suas preocupações, aquela voz, começam a zumbir no fundo da sua mente e acabam por se tornar apenas ruído branco.
Quando era mais novo, a mãe levava-o ali com a irmã mais nova, Aleisha, que estava sempre mais interessada em brincar e dava pontapés e fazia barulho, pelo que Leilah tinha de a levar para a rua. Aidan nunca dispunha de mais do que alguns minutos sozinho, mas esses poucos minutos acalmavam-no, abrandavam o ritmo frenético dos seus pensamentos, ajudavam-no a respirar, a escapar… àquilo de que mais precisasse naquele momento.
Um sonoro Bam! alerta-o para a presença de alguém ao seu lado. Evita o olhar dessa pessoa, mantendo os olhos cravados na página, já que não quer, por enquanto, permitir que alguém quebre o seu feitiço. Pelo canto do olho, vê um grande monte de livros empilhados. Uma barricada.
Ouve o barulho de uma cadeira a raspar no chão e pedaços de papel a serem retirados de dentro de uma mala, recibos amachucados, um talão da biblioteca, o verso de umas palavras cruzadas, deixando uma nuvem branca e amarrotada em cima da mesa ao seu lado.
Ele esforça-se por acalmar a respiração enquanto a pessoa ao seu lado começa a murmurar de forma quase inaudível. Não consegue perceber se se trata de uma canção, uma melodia ou um completo disparate. Vê uma caneta posicionada em cima do primeiro pedaço de papel; depois, segue os rabiscos rítmicos de uma esferográfica.
Aidan não tira os olhos da página, passando por cima das palavras do livro, acolhendo-as, tentando invocar a sensação que tivera da última vez que lera aquelas palavras por aquela ordem.
Durante alguns minutos, Aidan permite que a sua concentração entre e saia das páginas do livro, da biblioteca, e que depois avance para a estrada, viajando até Wembley. Pergunta-se como estará a sua mãe naquele momento. Teria Aleisha reparado que ele desapareceu? Puxa a sua mente de volta à sala, de volta à biblioteca, à pessoa sentada ao seu lado, rabiscando como se a sua vida dependesse disso.
Então, de repente, a pessoa ao seu lado levanta-se abruptamente, deixando um monte de pequenos pedaços de papel dobrados a poluírem a mesa. Ele observa, pelo canto do olho, os pedaços de papel a serem organizados numa fila, como se em câmara lenta, e um dedo a batucar em cada um deles à vez… a contar um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito… Depois, os pedaços de papel são todos enfiados dentro do primeiro livro da pilha — ele vê agora que é Mataram a Cotovia.
As mãos da pessoa ao seu lado ficam pousadas na capa do livro por breves instantes. Aidan percebe que não vira a sua página há já algum tempo. Pergunta-se se a pessoa percebe que ele está a observá-la. Pergunta-se porque é que o faz, na verdade. Então, logo de seguida, os braços da pessoa, embrulhados numa camisola preta de malha grossa, estendem-se para a frente e puxam os livros para si. Com um gemido baixinho, a pilha de livros desaparece da sua visão periférica e ele ouve sapatos a raspar na carpete gasta da biblioteca, a moverem-se em direção à receção. Finalmente, a sua mente pode regressar à história.
Quando, por fim, se levanta da cadeira, a luz do final do dia já entra pela janela e a biblioteca está tal e qual como ele se lembrava: mágica. Parece um milagre, mas ele nunca acreditou nessas coisas. O sol projeta sombras alongadas na biblioteca desalinhada, banhando tudo num âmbar quente — parece que foi esculpido em ouro. Arruma a cadeira, levantando-a para não fazer barulho — embora já quase não se encontre ninguém que ele possa perturbar.
Então, vê um pedaço de papel solitário dobrado na mesa ao seu lado — as palavras cruzadas.
Vira a cabeça para a esquerda, para a direita e, lentamente, espreita por cima do ombro. Ninguém o está a observar. O seu braço estica-se, puxando o papel para si e, depois, desenrola-o — uma dobra de cada vez. Os seus dedos tratam o papel, pouco mais grosso do que uma mortalha, com delicadeza. Não o quer rasgar. Pensa na pessoa que ali esteve, que se manteve no anonimato, a escrever, a rabiscar, concentrada.
Quando desdobrou a última prega, o mistério foi subitamente revelado. A letra é elegante, ondulada, quente e convidativa.
Só para o caso de precisares: Mataram a Cotovia; Rebecca; O Menino de Cabul; A Vida de Pi; Orgulho e Preconceito; Mulherzinhas; Beloved; Um Bom Partido.
Mataram a Cotovia — o primeiro livro do monte enorme. O seu olhar percorre a lista toda. Não significa nada para ele — apenas palavras rabiscadas em pedaços de papel. Contudo, por breves instantes, ele pensa em levar a lista com ele, enfiando-a no bolso. Mas detém-se. Aquele pequeno pedaço de papel, tão bem dobrado, nada mais é do que a lista de leitura de um estranho. Para que é que ele precisa de uma coisa dessas?
Em vez de a guardar para si, volta a pô-la em cima da mesa e decide arrumar o seu livro, agradecendo secretamente a Attica Locke, e volta a colocá-lo na prateleira dos policiais e thrillers, para que outra pessoa o aprecie. Sai da biblioteca, as portas fecham-se automaticamente atrás dele. Volta-se uma vez mais e consegue ver o bilhete pousado exatamente onde o deixou. As sombras da biblioteca fecham-se atrás de si; os livros lidos e não lidos formam uma barreira entre ele e a lista. À medida que se afasta da biblioteca, sente a paz e o silêncio a afastarem-se dele, enquanto se dirige para as luzes e para os sons da cidade a que chama casa.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
DIVULGAÇÃO | CEM ANOS DE PERDÃO, de JOÃO TORDO | TOPSELLER
Na pequena e remota ilha de St Dismas, ao largo da Inglaterra, um crime violentíssimo entre irmãos choca a comunidade, trazendo à superfície o mal-estar entre os ilhéus e os Filhos de Dismas, uma seita religiosa que perdura há séculos. A Polícia local vê-se a braços com um caso que parece impossível de resolver, com a investigação travada pelo obscuro fanatismo dos crentes.
Max Loar, o homicida confesso, acaba na prisão de Brixton, enquanto ondas de choque repercutem na imprensa do Reino Unido perante a brutalidade do crime. É na cadeia que conhece Cícero, que está preso por homicídio. Apesar dos esforços de Cícero para compreender o rapaz, as coisas acabam mal. Pouco depois, recebe a visita de Pilar Benamor, a jovem ex-subcomissária da PSP que, desde a violenta resolução do caso Drexler em ÁGUAS PASSADAS, desapareceu do mundo. No reencontro com o velho amigo, Pilar recebe a resposta aos seus sonhos premonitórios e não resiste a mergulhar de cabeça na história dos irmãos Loar.
Rumando à ilha — um lugar enigmático, pleno de forças malignas —, Pilar une forças com o sargento Noah contra o inquietante padre Prudence, que lidera os dismáticos, numa investigação aos meandros do fanatismo, do poder e das pulsões mais sombrias do ser humano.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2022
DIVULGAÇÃO | ERA UMA VEZ UMA NOITE DE INVERNO, de TESSA DARE | TOPSELLER
terça-feira, 27 de dezembro de 2022
DIVULGAÇÃO | TEMPESTADE, de RAGNAR JONASSON | TOPSELLER
segunda-feira, 26 de dezembro de 2022
DIVULGAÇÃO | VERITY, de COLLEEN HOOVER | TOPSELLER
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