sábado, 6 de janeiro de 2018

CRÓNICA | Reflexões Ocasionais - Redes Sociais... que limites? | ISABEL DE ALMEIDA

   As redes sociais foram-se instalando no nosso quotidiano, e actualmente são quase incontornáveis para a grande maioria das pessoas, seja por lazer ou por trabalho, são poderosos instrumentos de comunicação e de divulgação de informação, infelizmente nem sempre bem filtrada e nem sempre credível.

   Banalizou-se o gesto de, antes de deitar e ao acordar, ver o que está no foco de atenção dos imensos súbditos da corte de E-Rei D. Facebook, que entre si esgrimem argumentos (como se de justas medievais se tratassem) opinam com e sem conhecimento de causa sobre as mais diversas temáticas e, tantas vezes partilham com o mundo o que de bom e de menos bom os atormenta.

 Existem, é certo,  diversos perfis de utilizadores. Naturalmente, num universo tão vasto,  alguns zelam pela sua privacidade, só aceitam amigos reais, fechando as portas aos conhecimentos meramente virtuais, e mantêm uma neutralidade helvética quando se  trata de comentar assuntos mais ou menos polémicos.

  O tema dos limites na utilização de redes sociais, mormente, da mais abrangente e com maior amplitude de possibilidades ao nível comunicacional (imagens, música, gifs, gravações de audio e vídeo em directo ou diferido) é vasto e daria para várias crónicas e aturadas reflexões ( e é bem provável que lá voltemos de quando em vez), mas começo hoje por destacar um dos fenómenos que mais tenho observado e a que sou mais sensível (talvez devido ao olhar clínico decorrente da minha formação em Psicologia). Há quem crie uma verdadeira persona ( uma personagem fictícia) nas redes sociais com os mais diversos interesses (tantas vezes obscuros e outros a roçar a patologia do foro mental). Assusta-me a displicência com que se ofende verbalmente pessoas que não conhecemos e sobre as quais não temos o bastante conhecimento de fundo para avaliar muitas das suas opiniões, atitudes ou decisões !

   Banalizou-se o insulto virtual, mas que potencialmente causa danos reais (eventualmente em termos de imagem) e até emocionais  a quem esteja mais fragilizado psicologicamente, por exemplo.

  Nestas últimas eleições autárquicas, que tive a oportunidade de acompanhar de muito perto enquanto jornalista ao nível local, assisti em alguns grupos no Facebook a  ataques pessoais e personalizados que me deixaram absolutamente boquiaberta, pela violência verbal, pela intrusão na esfera pessoal das pessoas visadas, e pelo facto de as pessoas envolvidas chegarem ao ponto de criar perfis falsos para darem livre curso a delírios de intenção persecutória, sempre escudadas na impunidade de estarem escondidas atrás de um ecran de computador, na aparente tranquilidade das suas existências, diabolizando os adversários políticos, alimentando guerras e, quem sabe, aproveitando para trazer um pouco de adrenalina a vidas sociais inexistentes no mundo real, que fazem substituir de forma pouco saudável pelo mundo virtual (porque aí exercem um poder perverso de conseguir ofender, captar a atenção que não alcançam noutras esferas quase sempre a troca da mais absoluta impunidade).

   Também no desporto os ódios clubísticos extremados levam a combates de gladiadores que trocam entre si galhardetes capazes de fazer corar a mais pura donzela, num destrutivo e , afinal, estéril exercício de libertação de testosterona (embora possam existir incidências femininas neste tipo de discurso, são ainda assim menos visíveis em termos de números, mas concedo que o estrogénio também se deixe cair no engodo fácil deste tipo de causas). E aqui, o adepto de futebol que nunca chamou nomes menos próprios (usando um eufemismo em nome da moral e bons costumes) à mãe de um árbitro que atire e primeira pedra!

   Todos os temas que apaixonam levam a excessos, e nunca antes das redes sociais se encontrava um palco tão propício ao insulto gratuito, abusivo e absolutamente impune ( futebol, política, media ou mesmo uma simples democrática diferença de opinião).

   Entre os mais jovens as redes sociais, tantas vezes utilizadas sem a desejável supervisão parental, são também o cenário de exposição arriscada (com reconhecidos riscos para a segurança de crianças e jovens) e de bullying cibernético, mas só este tema dará para uma futura reflexão mais alargada, que prometemos iniciar aqui num futuro próximo.

  Também é comum a divulgação de Fake News nestes mesmos cenários virtuais, mas mais uma vez, deixamos em aberto esta questão para outra oportunidade de análise crítica.

E hoje? Já abriu o seu Facebook? Já escolheu uma foto para partilhar com o mundo via instagram?




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