segunda-feira, 27 de abril de 2020

MARIA (CONTINUAÇÃO), de Mafalda Pascoal















Os pequeninos estavam todos num montinho, eram tão lindos... ela segurou num, fez-lhe festinhas e ele gostou, pois não fugiu... Maria lembrou-se que tinha que ir áquele sítio lindo... levantou-se e começou a caminhar apressadamente para chegar lá depressa, de repente à sua frente eram só coelhos aos saltos, mais feliz Maria ficou. Assim já não faria o caminho sózinha, pensou para si.
Já faltava pouco para chegar áquele lugar lindo e, Maria reparou que havia mais animais diferentes à sua frente... havia um que era parecido com as cabras que tinha lá em casa e, nas árvores, haviam tantos passarinhos de tantas cores, fazia lembrar o arco-íris com tantas cores lindas e vivas. Assim chegou áquele maravilhoso lugar! Ficou estarrecida e pensou,«se eu conseguir arranjar caminho para chegar à água e aos frutos naquelas árvores, se calhar já cá fico hoje...» olhou para o céu, o sol estava no meio, ainda tinha algum tempo antes que ele se escondesse para resolver se ficava já ou se voltava para a árvore-mãe.
Começou a sua pesquisa, sempre com os animais e aves a acompanhá-la, reparou nos coelhos que dormiram com ela e não estavam todos, especialmente os pequeninos, se calhar tinham ficado com as mães, pois são tão pequeninos que se perderiam, assim como lhe tinha acontecido a ela. Então decidiu que, mesmo que encontrasse caminho e sítio para ficar, regressaria à árvore-mãe para depois trazer todos consigo para aquele sítio maravilhoso, e assim foi. Então procurou, procurou com a ajuda dos animais e aves que, lhe parecia, todos eles se comunicavam entre si e entendiam o que Maria queria fazer... era lindo de se ver, todos em sintonia...
Maria descobriu uma côncavidade na rocha, era um espaço grande, e era parecido com uma divisão e das grandes, da mansão de seu pai, a entrada era mais pequena e entrando ficava maior, o tecto era arredondado, havia saliências no chão encostadas às paredes, para Maria, ali era o mais parecido com uma casa, tinha espaço para si e para os seus novos companheiros e, se chovesse, não lhes choveria em cima.
Embora Maria fosse uma criança de tenra idade, estava por sua conta, tomava decisões consoante as suas necessidades... agora estava um pouco mais confiante pois já tinha companhia. Olhou para o céu, o sol já estava a cair para o outro lado. O que queria dizer que já não lhe restava muito tempo até anoitecer... pensou um pouco, já tinha conseguido uma casa, já tinha mais amigos, iria regressar à árvor-mãe e no dia seguinte viria novamente para novas descobertas. Assim regressou à árvore-mãe, rodeada de animais, que entretanto se comunicaram entre si, vindo todas as espécies em sua direcção visto terem chegado à conclusão de que Maria era inofensiva e tinha o coração puro como o de todos eles.
Chegaram à árvore-mãe e lá estavam os pequeninos todos aninhados com as suas mães, tão lindos...
Já estava a ficar noite e Maria deitou-se no seu leito de ervas, pensou no seu pai, deveria estar muito preocupado sem saber dela... fez beicinho e as lágrimas rolaram pelo seu rosto de menina, os animais aperceberam-se da sua tristeza, chegaram-se mais para ela  e acarinharam-na conforme podiam a sabiam... e assim mais uma noite passou.
Pela manhã, a nossa menina acordou, agora já acorda de uma forma menos angustiada, já tem muitos amigos novos que não a deixam só, e a cada dia que passa aparecem mais. Primeiro apareceram os coelhos, depois as gazelas e muitos passarinhos, a seguir os macaquitos com as suas mães. Um pouco mais distantes, apareciam de vez em quando lobos que não se chegavam muito perto, tal como a mãe urso com a sua cria, estes, por enquanto, só os seguiam muito atrás ou em paralelo mas distantes.
Com todos estes amigos animais, Maria começou nova caminhada até à sua futura casa. Chegou lá e ficou maravilhada, tudo era tão bonito, a água que corria em cascata, sem se ver onde caía ou de onde nascia formava arco-íris, o que fazia daquela paisagem um paraíso.
   (Continua)

A autora escreve segundo a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990. 

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