domingo, 12 de julho de 2026

RESENHA – A ÚLTIMA ILUSÃO, de PEDRO MIGUEL RIBEIRO | PENGUIN RANDOM HOUSE

A Última Ilusão, de Pedro Miguel Ribeiro, é um thriller português que combina mistério, ilusionismo e drama psicológico numa narrativa inteligente e envolvente. Partindo de uma premissa intrigante — o desaparecimento de uma pessoa durante o último espetáculo do maior ilusionista da história, em Braga —, o autor constrói uma história que vai muito além de um simples policial.

Um dos grandes méritos do romance é a forma como explora a linha ténue entre a realidade e a ilusão. À medida que o mistério se adensa, o leitor é constantemente levado a questionar aquilo que vê, aquilo em que acredita e as verdadeiras intenções das personagens. O suspense é construído de forma gradual, com revelações bem doseadas que mantêm a curiosidade viva até ao desfecho.

Pedro Miguel Ribeiro apresenta uma escrita fluida e cinematográfica, alternando entre diferentes momentos temporais e cenários de forma natural. A sua experiência como argumentista reflete-se na construção das cenas, que são visualmente marcantes e conferem um ritmo dinâmico à narrativa. A história é enriquecida por referências ao mundo do ilusionismo, sem nunca perder o foco nas emoções humanas e nos conflitos que movem as personagens.

Mais do que um romance de mistério, A Última Ilusão é também uma reflexão sobre as aparências, os segredos e tudo aquilo que permanece por dizer. O autor mostra como as ilusões não existem apenas nos palcos, mas também nas relações humanas, onde a verdade pode ser cuidadosamente escondida por trás de gestos, palavras e escolhas.

No conjunto, A Última Ilusão é uma estreia muito sólida de Pedro Miguel Ribeiro. Com um enredo original, personagens bem construídas e um final surpreendente, o romance destaca-se pela capacidade de prender o leitor do início ao fim, oferecendo uma experiência que mistura entretenimento, suspense e reflexão.

Madalena Condado

 

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