
Um clássico da literatura brasileira contemporânea.
Com uma prosa tocante e ao mesmo tempo irreverente, ao relatar o acidente que o deixou tetraplégico, Marcelo Rubens Paiva confere à narrativa a mesma energia com que superou a armadilha do destino.
O romance autobiográfico sobre o acidente que colocou Marcelo Rubens Paiva numa cadeira de rodas quando tinha vinte anos marcou a estreia literária do autor e tornou-se, rapidamente, um sucesso entre o público e a crítica - amplamente traduzido, foi adaptado para teatro e cinema, conquistou prémios como o Jabuti, tornou-se tema de inúmeros trabalhos nas universidades brasileiras e, desde a sua publicação em 1982 até hoje, não tem parado de conquistar gerações de leitores.
Longe de ser o simples testemunho de uma experiência dolorosa, Feliz Ano Velho é o retrato geracional de uma juventude que, no final dos anos 1970, experimentava a abertura do governo militar e o sonho da redemocratização. Durante o período de recuperação, Marcelo conta detalhes da sua infância e da sua juventude, dos seus casos amorosos e da sua carreira musical; fala também da repressão da ditadura militar e da perseguição aos cidadãos que se opusessem ao regime, incluindo a invasão da sua casa por seis militares que levaram o seu pai, o deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, que Marcelo não voltaria a ver e cuja história desenvolve em Ainda estou aqui.
O estilo de Marcelo, revelado num humor despretensioso e ao mesmo tempo mordaz, afasta a narrativa de qualquer pendor para o melodrama ou a autopiedade - pelo contrário, este é um texto de enorme força que, passados mais de quarenta anos, continua atual, vibrante e uma leitura indispensável.
Outubro
traz consigo mais do que noites frias e luas cheias: traz segredos, lendas e
horrores escondidos. Neste livro, cada dia do mês abre as portas a uma nova
história — uma ponte onde os sussurros nunca se calam, um espelho que devora
memórias, um carvalho que sangra nomes esquecidos, um cemitério onde se perde o
último sopro… e muitos outros lugares onde vivos e mortos se confundem. São 31
contos, um para cada noite de outubro, que exploram medos ancestrais, mitos
rurais e assombrações que se entranham na pele. Lê-os à luz do dia… ou
arrisca-te a enfrentá-los na escuridão.
Marcelo Rubens Paiva nasceu em 1959, em São Paulo.
É escritor, dramaturgo e jornalista.
O seu primeiro livro, Feliz ano velho, foi publicado em 1982 e recebeu o Prémio Jabuti de Literatura – Autor Revelação.
A seguir, lançou, entre outros, os romances Blecaute (1986), Não és tu, Brasil (1996), Malu de bicicleta (2003), A segunda vez que te conheci (2008), Do começo ao fim (2022) e, mais recentemente, O novo agora (2025).
Ainda estou aqui (2015), já publicado pela Dom Quixote, foi adaptado ao cinema por Walter Salles em 2024, com Fernanda Torres e Fernanda Montenegro a interpretar Eunice Paiva, em diferentes idades, e Selton Mello no papel de Rubens Paiva, tendo sido um estrondoso sucesso.
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Toscana, Itália, 1937.
O burgo de Pitigliano assenta, como um ninho de águia, no cume de um rochedo; mas nem a cidade, de túneis e catacumbas, escavada nos seus alicerces consegue abafar os segredos à superfície. É no aperto das suas muralhas que Annina Bemporad, uma judia rebelde, se despede da infância quando acorda a meio da noite com o estampido de um tiro. Se os estilhaços da tragédia acabam por atingi-la, será a partir de então que ambicionará os sonhos mais arrojados, seja na companhia de Cosimo – um rapaz disposto a dar a vida por ela –, de Alessia – a colega excêntrica que não parece encontrar um fato à sua medida, ou mesmo do enigmático Peppino, que monta espetáculos com o lixo que apanha nas ruas e a quem basta uma palavra para resgatar Annina aos seus momentos mais duros. Mas, se a beleza da rapariga gera paixões doentias e ódios desmesurados, nada faria supor que pudessem resultar num ato tão tresloucado…
Restam‑lhe, pois, o desejo de vingança e a queda para o fingimento para sobreviver no mundo virado do avesso em que se transformou a Itália de Mussolini, onde as Leis Raciais, que têm por alvo os judeus, anunciam a chegada dos nazis.
Profundamente imaginativo e documentado com rigor, Um Tempo a Fingir é um romance magistral onde desfilam personagens memoráveis e cujo enredo tem a rara qualidade de ser ao mesmo tempo bastante inesperado e completamente verosímil.
Camilo Castelo Branco é, sem sombra de dúvida, um dos maiores vultos da história da literatura portuguesa. Autor de obras tão emblemáticas como Amor de Perdição, Memórias do Cárcere ou A Queda de Um Anjo, foi o expoente máximo do Romantismo e o primeiro escritor português a viver exclusivamente da escrita. A sua existência foi bastante atribulada e por vezes escandalosa – aquilo a que poderíamos chamar «digna de um romance» – mas quase nada sabemos das suas origens: afinal, donde vem Camilo e quem foram os seus antepassados?O presente romance, escrito por um dos admiradores confessos do grande escritor romântico, revisita de forma genial a história dos «Brocas», a família de quem Camilo terá herdado não só uma personalidade algo viciosa e doentia, mas sobretudo uma forma exacerbada de amar, que acabaria por marcar tragicamente o seu destino.
Camilo Broca, obra indispensável em qualquer biblioteca, foi aplaudido pelo público e pela crítica e venceu vários prémios literários.
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Uma combinação fascinante de beleza e horror.
Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano.
Este é um livro admirável sobre sexo e violência - erótico, comovente, incrivelmente corajoso e provocador, original e poético. Segundo Ian McEwan, «um livro sobre loucura e sexo, que merece todo o sucesso que alcançou». Na Coreia do Sul, depois do anúncio do Man Booker International Prize, A Vegetariana vendeu mais de 600 000 exemplares. Aplaudido em todos os países onde está traduzido, é um best-seller internacional.
Um comovente romance sobre o luto, impregnado de um humor inesperado e corrosivo para falar de coisas difíceis.Ela coleciona camisolas. Ele tem dois gatos. Ambos adoram Nova Iorque e, aconteça o que acontecer, hão de mudar-se para lá quando fizerem 28 anos. Porém, de repente, ele diz que quer passar algum tempo sozinho. E se uma das metades de um par de gémeos não quiser continuar a viver? E se a outra não conseguir viver sem essa metade? É esta a questão central do presente romance, em que a narradora é a gémea de um rapaz que se suicidou e relembra muitas histórias de infância e também as suas vidas adultas com mágoa, saudade, raiva e insegurança em relação ao futuro.
De uma maneira aparentemente desprendida mas muito perspicaz, Aquilo em que Preferia Não Pensar conta a história do que acontece quando a pessoa com quem construímos as bases de toda uma vida desaparece subitamente, e as memórias que restam são as de um pai que já era ausente antes de ter morrido e de uma mãe geóloga, fria como uma pedra.
Finalista do Booker Prize Internacional, traduzido em mais de uma dezena de línguas, o romance de Jente Posthuma é uma exploração comovente do luto, contada através de episódios breves e cirúrgicos, impregnados de uma suave melancolia e, o que é surpreendente, de um humor inesperado e corrosivo.
Um livro que se debruça também sobre o facto de a saúde mental depender tantas vezes da vida familiar.