quinta-feira, 13 de julho de 2017

OPINIÃO | ADN | MAFALDA PASCOAL

Toda a escrita, falada ou mantida num computador, é uma forma codificada de linguagem. A linguagem em que o ADN codifica as instruções para o fabrico de proteínas (o código genético), é extraordinariamente simples. Cada filamento de dupla hélice é uma cadeia de subunidades químicas ligadas, sendo a ordem destas subunidades ao longo do filamento de ADN o que constitui o código genético.

O ADN é o arquivo de informação permanente de uma célula e nunca sai do núcleo. A sua função é armazenar com segurança o plano genético e transmiti-lo sem alterações de célula para célula e de geração em geração.

Uma única célula humana contém 4m de ADN (acido desoxirribonucleico), acondicionados dentro de um núcleo com apenas cinco milionésimos de milímetro de diâmetro. Nesta massa de fios emaranhados está contida toda a informação necessária para produzir um ser humano.

O ADN dirige o desenvolvimento e mantém a vida de um organismo dando instruções às células para fabricarem proteínas, as moléculas versáteis de que toda a vida depende.

O ADN da célula é uma grande biblioteca de comandos codificados: as moléculas longas são arrumadas em cromossomas, nos quais os genes estão organizados como contas num colar.

Visto com um microscópio pouco potente, um cromossoma de uma célula em divisão tem uma forma simples de uma cruz1 que sublinha o modo complexo mas elegante como está «empacotado» o ADN. A ampliação de uma pequena secção2 mostra um filamento de cromatina apertadamente enrolado, constituída por ADN intimamente ligado à proteína.

Uma ampliação maior de um segmento de cromatina3 mostra que é uma espiral apertada de cromómeros, subunidades semelhantes a contas, compostas por um grânulo de proteína envolto pela molécula de ADN4. O grânulo de proteína tem uma carga positiva, que lhe permite ligar-se à molécula de ADN de carga negativa5, com a sua estrutura em dupla hélice. É fundamental para a organização da célula que o ADN esteja condensado. Se não o estivesse, a dupla hélice do ADN ocuparia milhares de vezes mais espaço. Ao arrumar o ADN em feixes compactos, a célula consegue manobrá-lo muito melhor, desenrolando algumas partes quando os genes nelas contidos são necessários.

O crescimento de um organismo, o seu aspecto e o seu funcionamento diário são, em última analise, controlados pelos genes, as instruções biológicas codificadas em cada célula do seu corpo. Os genes conseguem fazer isto através do controlo de tipos e quantidades de proteínas produzidas em cada célula do corpo. São as próprias moléculas de proteínas que formam as estruturas e a mecânica do corpo.

O aspecto e o comportamento final de um organismo são determinados simultaneamente pelos seus genes e por uma variedade impossível de conhecer, de influências exteriores, incluindo a quantidade de comida que come, o clima em que vive e se sofreu de alguma doença ou ferimento, durante o desenvolvimento. Mas só as características directamente determinadas pelos genes podem ser herdadas.

As sementes de alguns alguns alimentos transgénicos, são geneticamente modificadas em laboratório para as plantas poderem resistir às pragas de insectos e a grandes quantidades de pesticidas. Por outro lado, podem causar riscos ambientais, na medida em que as ervas daninhas ficam mais resistentes aos herbicidas, os lençóis de água ficam poluídos com produtos tóxicos advindos dessas modificações e o solo vai perdendo a fertilidade, entre outros riscos. Em relação à saúde também não favorece muito, pois alguns destes alimentos contêm genes que são resistentes aos antibióticos, provocam alterações no sistema imunológico e em vários órgãos vitais, também provoca alergias entre outros sintomas. Seria bom que não consumíssemos alimentos transgénicos pois dessa forma ajudávamos a evitar que fossem plantados e ajudávamos a proteger a saúde e o meio ambiente.

Agora uma boa notícia recente, finalmente foi criada a base de dados portuguesa de perfis de ADN para identificação civil criminal. Esperemos que agora seja um pouco mais fácil apanhar os criminosos, pois o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) está agora apto a recolher a informação genética de todos os condenados por crimes com penas de prisão concreta igual ou superior a três anos de prisão. Desta forma será possível fazer identificações de pessoas desaparecidas e recolher amostras de cadáveres, já que acontecia amiúde cadáveres serem enterrados sem ser possível identificá-los, assim, cruzando os perfis genéticos com os pedidos da polícia ou de famílias de desaparecidos poderá haver menos corpos por identificar e menos crimes por resolver especialmente no caso de crimes que tenham deixado vestígios biológicos como sangue ou esperma. Portanto, sendo “um instrumento essencial à investigação criminal, pelo qual nos vínhamos batendo há vários anos", como disse ao jornal o Público o presidente do INML, Duarte Nuno Vieira, aplaude de pé (e nós também) a criação desta base genética.








Mafalda Pascoal 

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