sexta-feira, 14 de julho de 2017

OPINIÃO | Cheiros, sabores e teletransporte | MARGARIDA VERÍSSIMO

Adoro o cheiro a éter! O cheiro a éter conforta-me, transmite-me a sensação de segurança, de bem-estar, de alegria, de me sentir amada. O cheiro a éter transporta-me para outros tempos, faz-me viajar até à infância, quando tudo se curava com um abraço... Com um abraço a cheirar a éter. Adoro pegar em bolinhas de algodão embebidas em éter e sentir o seu aroma, sentir aquela tontura que só um amor tão grande nos faz sentir. Adoro recordar o cheiro da minha mãe quando chegava a casa depois de uma manhã de sábado a trabalhar no posto médico...cheirava a mãe...e a éter!

Como já referi noutro texto os cheiros e aromas têm o poder de nos transportar para situações e lugares vividos. Inspiro, fecho os olhos, e volto a estar lá, no passado, naquele momento.

É incrível como ao sentir o cheiro a terra molhada, que é uma situação bastante comum e recorrente, volto a estar com 4 anos nas férias de verão no quintal da casa dos meus tios e primos onde aprendi a andar de bicicleta. Aquele cheiro a chuva de verão! Páro, fecho os olhos por instantes e por instantes volto a sentir as mesmas sensações e emoções dessas férias, acho que até chego a ouvir as vozes dos meus irmãos e dos 8 primos com quem partilhei tantas aventuras.

Curiosamente também o cheiro ao fumo de fogueira me transporta para esses tempos de verão. Foi uma memória que retive muito tempo, uma vez que vivia na cidade e só no verão, quando íamos para casa dos meus tios, sentia esse aroma. Passados tantos anos, agora a viver na província, sinto esse cheiro muitas vezes…é tão bom recordar!

Mas se há cheiro que me transporta e quase teletransporta para essa casa dos meus tios, em Canas de Senhorim, é o cheiro a fraldas sujas! Tiveram 8 filhos, 4 deles mais novos do que eu. Sempre que para lá íamos nas férias de verão ou a minha tia estava grávida ou havia um bebé novo. Como se pode imaginar, era portanto uma casa onde havia sempre, por essa altura, alguém que usava fraldas. Desta forma, a tão caraterística fragrância a fraldas sujas, tornou-se para mim, um cheiro agradável… ou pelo menos um cheiro que me transporta para recordações muito agradáveis!

Mas também há sabores que têm essa fantástica capacidade de teletransporte. Aquela sopa de sabor único, delicioso, que só a nossa avó conseguia fazer e que por mais que tentemos reproduzir a receita nunca conseguimos igualar. Às vezes lá aparece, como que por magia, alguém que o consegue fazer e então lá vamos numa maravilhosa viagem ao passado. Fechamos os olhos, claro, teletransportamo-nos para outro local, noutro tempo, e somos recebidos pelo olhar carinhoso de quem já não está ente nós.


Mas há um sabor que não me transporta para nenhuma época específica da minha vida…porque é um sabor transversal a toda ela. O sabor a chocolate!















Margarida Veríssimo

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