terça-feira, 5 de maio de 2026

O CÉU CAIRÁ SOBRE NÓS, de LÍDIA JORGE | DOM QUIXOTE

Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

Nota do autor
«Encaro o Mundo como um mistério por desvendar. Se escrevo romances é para imaginar que as personagens lançadas num palco, animadas de voz própria, dialogam de tal modo que chegam a conclusões que eu sozinha não alcançaria. Mas com as crónicas é diferente. Eu mesma sou personagem e promovo o inquérito a minhas próprias expensas. Ao publicá-las tenho a ideia de escrever cartas de desafio contra o que a História oculta. E assim, pelos enganos que ela comporta, nada de mais ambicioso e nada de mais humilde do que esta labuta com o tempo que passa e a verdade que voa.»
Lídia Jorge

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

AUTORES NACIONAIS | MANUEL ALBERTO VALENTE


Manuel Alberto Valente (Vila Nova de Gaia, 1945) licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, cidade onde reside, mas acabou por dedicar grande parte da sua vida à actividade editorial.
Como poeta, a sua obra está compilada em Poesia Reunida – O pouco que sobrou de quase nada (Quetzal, 2015).
Traduziu poesia de Juan Vicente Piqueras, Luis García Montero e Yolanda Castaño.
Durante praticamente três anos, entre Fevereiro de 2021 e Dezembro de 2023, publicou na Revista do jornal “Expresso” uma crónica semanal intitulada “O outro lado dos livros”.
Em 2008, foi agraciado pelo Governo Francês com o grau de Cavaleiro das Artes e das Letras e, em 2020, pelo Reino de Espanha com a Ordem de Isabel a Católica.

domingo, 3 de maio de 2026

A SOMBRA DO VENTO, de CARLOS RUIZ ZAFÓN | PLANETA


Num amanhecer de 1945, um rapaz é levado pelo pai a um misterioso lugar escondido no coração da cidade velha: Cemitério dos Livros Esquecidos. Ali, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e que o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura da cidade.

Uma trágica história de amor, cujo eco se projeta através do tempo, um inesquecível relato sobre as sombras do passado e o encanto dos livros.

sábado, 2 de maio de 2026

AQUILO QUE VI NO ESCURO, de MARGARIDA DAVID CARDOSO | FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS


Sabia que a psicose não é um diagnóstico, mas sim um sintoma? Surge quando alguém vê e ouve algo que não existe para os outros, num estado que pode ser estável, intermitente ou único na vida. Estigmatizados e incompreendidos, os episódios psicóticos afetam uma em cada três mil pessoas por ano. Apesar de se associarem à esquizofrenia, integram um espectro mais vasto de doenças mentais.

Este livro retrata vidas marcadas pela psicose, logo, pela perplexidade e pelo estigma. Porque a alteração do entendimento da realidade comum é, sobretudo, uma experiência de solidão extrema. E, até mesmo quando condena alguém a viver numa clínica psiquiátrica dentro de um estabelecimento prisional, significa dor e sofrimento mentais quase inconcebíveis.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

DOUTOR FAUSTO, de THOMAS MANN DOM QUIXOTE

 

O último dos grandes romances de Thomas Mann, autor do muito celebrado A Montanha Mágica.

Releitura moderna da lenda de Fausto, este é o romance mais enigmático e genial de Thomas Mann: uma poderosa alegoria da ascensão do nazismo na Alemanha e uma meditação sobre a loucura, a ambição e as perigosas atracções do niilismo.

Doutor Fausto apresenta-nos a biografia fictícia de um compositor que, à semelhança de Nietzsche, desafiou a loucura para assumir todo o sofrimento de uma época, e em cuja trajectória se pressente o eco trágico do triunfo e do apocalipse da Alemanha hitleriana. Em troca de vinte e quatro anos de génio musical sem paralelo, o compositor Adrian Leverkühn entrega ao Diabo a sua alma e a capacidade de amar. Torna-se, então, o pináculo da cultura alemã, uma figura brilhante, isolada e ambiciosa, cuja música radicalmente nova abala as estruturas da cena artística da época.

Tendo como pano de fundo a ascensão do Terceiro Reich e a renúncia da Alemanha à sua própria humanidade, a história de Leverkühn é uma profunda reflexão sobre a identidade alemã - tanto nacional como individual - e as terríveis responsabilidades do artista verdadeiramente grandioso.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

DO PALITO À PERDIZ, de PAULO MOREIRAS | CASA DAS LETRAS

 

Sabia que as morcelas são mencionadas nas cantigas medievais portuguesas, tal como as favas, que foram proibidas por Pitágoras aos seus discípulos? Que o escritor Aquilino Ribeiro considerava a perdiz uma das aves mais lindas de Portugal? E que os gregos tinham o hábito de se passearem nas ruas com um palito na boca, como sinal de abastança e mesa farta?

A mesa, de resto, sempre foi ponto de encontro para os portugueses e peça central do seu quotidiano. À mesa estabelecem-se alianças, desenham-se estratégias, desenvolve-se a arte da má-língua. Mas também, curiosamente, se fala muito de comida: O que vai ser o jantar? Quando fazemos um petisco? Vamos comer um leitãozinho? Que tal uma sardinhada?

Do Palito à Perdiz - Sobre a mesa muito se diz é uma obra que reúne mil e uma curiosidades, que vêm a calhar que nem ginjas, sobre coisas que costumam chegar à mesa dos portugueses e que, como a ginjinha, fazem parte da nossa alma e identidade.

Esta é uma viagem à descoberta da nossa gastronomia, na qual a História se cruza com a Tradição, através de manifestações religiosas e culturais, lendas e contos, cantigas populares, adivinhas, provérbios ou superstições, mas também nas páginas dos escritores portugueses, que nunca deixaram de as referir nas suas obras.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O SUL, de TASH AW | DOM QUIXOTE

A aclamada obra de um dos autores mais notáveis da nova geração, três vezes nomeado para o Booker Prize.

Quando o avô de Jay morre, o adolescente viaja com os pais e as duas irmãs até à propriedade que lhes coube em herança. A quinta, porém, está em ruínas, as árvores estão doentes e os campos áridos devido à seca. Ainda assim, o pai obriga-o a trabalhar na terra. A seu lado está Chuan, o filho do caseiro. Ao longo desses dias de verão, na vastidão dos campos e pelas ruas serpenteantes da cidade, a atração entre os rapazes intensifica-se.

No interior da casa decadente, os outros membros da família debatem-se com os seus próprios fantasmas. Os mais jovens sonham com a promessa de liberdade que Singapura oferece. Os mais velhos, tal como a terra que os rodeia, parecem impotentes para resistir às forças - naturais e humanas - que ameaçam tornar o seu modo de vida obsoleto.

Pela mão de Tash Aw, um dos autores mais aclamados da nova geração, três vezes nomeado para o Booker Prize, O Sul é um romance tenso e melancólico sobre desejo e família, modernidade e tradição.