segunda-feira, 27 de novembro de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | " Anna e o Beijo Francês", de Stephanie Perkins | QUINTA ESSÊNCIA


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista

Foto: Direitos Reservados | Grupo LeYa


   Anna e o Beijo Francês é, sem margem para dúvida, um divertido e refrescante romance destinado ao público mais jovem, que inserimos sem receio no género Young Adult, mas que promete também bons momento de entretenimento aos apreciadores de histórias românticas.

   Como protagonista desta narrativa temos Anna Oliphant, uma jovem Norte-Americana, filha de pais separados, é enviada para Paris, onde irá estudar num exclusivo colégio destinado a filhos das classes endinheiradas dos Estados Unidos, pelo seu pretensioso pai, um escritor de sucesso, admirado pelas massas e que é um produto da máquina de marketing editorial que o dominou, nas palavras de Anna:"Foi por altura do divórcio que todos os vestígios de decência despareceram e o seu sonho de ser o próximo grande escritor do Sul foi trocado pelo de ser o próximo escritor publicado. Então começou a escrever aqueles romances passados em pequenas povoações da Georgia sobre pessoas com Bons Valores Americanos que se Apaixonam e a seguir Contraem Doenças Fatais e Morrem."

   Triste por deixar para trás a mãe e o pequeno irmão Sean, a melhor amiga Bridgette, e Toph, o candidato a namorado, a jovem começa por enfrentar um duro choque cultural, ao viver em Paris, sem dominar a língua Francesa, nem os costumes e tradições daquele pais Europeu, tão distante do seu em todos os sentidos.

  Mas é em Paris, no novo e selectivo colégio, que rapidamente faz um novo grupo de amigos: Meredith, Josh e Rashmi [um casal de namorados a atravessar alguma turbulência na relação] e Étienne St. Clair, por quem Anna começa a sentir algo mais do que amizade, desenvolvendo ambos uma relação muito cúmplice, apesar de este estar comprometido com Ellie, aluna de artes, que já terminou os estudos no colégio, estando na Universidade, e que deixou de manter contacto com os restantes amigos do grupo, quando havia sido a melhor amiga de Rashmi, até ao momento em que ambas frequentavam o ensino secundário.

   Inicialmente, Anna vai recebendo emails e chamadas telefónicas dos amigos que deixou nos Estados Unidos, mas alguma distância também afectiva irá alterar os dados destas amizades.

   Anna vai descobrindo uma nova cultura, novas amizades, e dá largas à sua grande Paixão - o cinema - tornando-se frequentadora habitual dos intimistas e pequenos cinemas locais, tendo muitas vezes por companhia Étienne, um jovem extremamente culto [adepto de história e de leitura]. Um detalhe bastante interessante em relação à nossa protagonista, é o facto de esta pretender ser crítica de cinema conceituada, tendo já uma considerável cultura cinematográfica, atenta a sua idade.

   A narrativa vai decorrendo com várias peripécias e twists até ao final, com o delicioso complemento da descoberta da cidade por Anna, que acabará por se tornar, de algum modo, uma Parisiense por paixão,  e a autora é perita em descrever ao detalhe a evolução emocional das personagens, a rebeldia própria da sua faixa etária no cenário mágico de Paris, permitindo ao leitor apaixonar-se também por estes espaços tão especiais, carregados de história e imensamente românticos.

  Étienne St. Clair é também uma personagem bastante densa e bem construída, nele encontramos um jovem inserido numa família disfuncional, com um pai egocêntrico e dominador, que controla todos os detalhes da vida do filho e da própria ex-mulher, o que leva a que Étienne e a mãe nem sequer consigam ver-se o quanto desejariam, mesmo em situações de crise em que seria especialmente desejável tal contacto. Vive uma relação de puro comodismo com Ellie, mas receia quebrar esta estabilidade aparente!

   Num turbilhão de dúvidas, emoções à flor da pele, e num momento em que se desenham no horizonte as linhas do seu futuro, saberá Anna tomar as decisões mais adequadas em direcção à sua felicidade? E Étienne, estará disposto a arriscar e a enfrentar o pai e a eterna namorada Ellie, em busca de uma vivência mais desinibida?

   Rebeldia, sentido crítico, romance, mágoas, esperanças, sonhos e ternura, são as palavras que descrevem o quotidiano das várias personagens desta história bem contada e que se lê rapidamente. Uma boa aposta para o público mais jovem, e que bem pode ajudar a desenvolver hábitos de leitura, pela fluidez da escrita e pelo ritmo sempre equilibrado da mesma.

Adorei e recomendo!

Ficha Técnica:


Autora: Stephanie Perkins

Editora: Quinta Essência |  Grupo LeYa

Ano de Edição: 2015

Nº de Páginas: 288

Classificação: 4/5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Young Adult


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