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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

CRÍTICA LITERÁRIA | "Ainda há sexo na Cidade? ", de Candace Bushnell | Quinta Essência | Grupo LeYa


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

Foto: Grupo LeYa | Direitos Reservados


Ainda há sexo na Cidade? é o mais recente romance de Candace Bushnell, autora Norte Americana que marcou a geração feminina dos anos 90 e seguintes com o livro "O Sexo e a Cidade", que viria a dar origem a uma série de culto com o mesmo nome, protagonizada por Sarah Jessica Parker no Papel de Carrie Bradshaw (uma jornalista que luta para construir a sua vida afectiva eternamente apaixonada por Mr. Big, com muitos encontros e desencontros), sendo inesquecíveis os diálogos e as experiências que Carrie experimenta com as amigas: a ingénua e clássica Charlotte, a destemida Advogada Miranda e a intrépida e pouco ortodoxa Relações Públicas Samantha Jones (que faz da promiscuidade uma afirmação da liberdade feminina com um humor que só Candace consegue conferir à personagem). 

As quatro amigas, saídas da pena de Candace Bushnell surgem  para suscitar a reflexão sobre a condição feminina, o mundo dos relacionamentos amorosos, e de todos os desafios que se colocam às mulheres no quotidiano (com cenário e contexto na classe média alta e classe alta de Manhatan) de uma grande metrópole, onde construir-se como pessoa, tanto ao nível humano como profissional é um desafio constante, chagaria também às salas de cinema, e ainda hoje estas personagens marcam o nosso imaginário de cultura popular, sendo relevantes por terem o raro condão de, com humor, falarem muito a sério sobre problemas sociais.

Neste romance que agora chega às livrarias nacionais com a chancela de qualidade da Quinta Essência, por mérito próprio e sem preconceitos, já uma presença constante no universo feminino, Candace Bushnell não traz de volta as quatro amigas já bem conhecidas dos fãs da série, mas muda de registo para um tom reflexivo e confessional, na medida em que o livro surge apresentado com a própria Candace como narradora participante, já a vivenciar a faixa etária dos 50 anos, convivendo com o seu grupo de amigas, todas deixam a cidade (por diversas contingências dos respectivos cursos de vida) e vão residir na prestigiada zona dos Hamptons, onde se localizam as residências de férias da alta sociedade de Nova Iorque.

Com o toque de humor, e a capacidade acutilante de crítica social feita com uma perfeição cirúrgica que bem caracteriza a sua escrita, notando-se no estilo literário, leve mas bastante rico em objectividade, reflexão, humor, sátira, emotividade e sensibilidade a crescente maturidade alcançada pela autora aqui encontramos algumas respostas possíveis, a que se associam outras tantas dúvidas e questões que ficam no ar acerca das relações afectivas, sociais e familiares da sociedade actual.

O livro, que se lê de um fôlego, deixa-nos a pensar em temas como: o que traz a idade de bom e de mau? Será possível encontrar o amor e a felicidade numa fase mais avançada da vida? Quais os novos padrões e tendências relacionais? O Compromisso ainda faz sentido? O que procuram as mulheres maduras? Como olham os homens para o eterno feminino? Quem social e relacionalmente apenas se preocupa com a aparência descurando a essência humana será na realidade verdadeiramente feliz saltitando entre festas glamorosas com a mais recente conquista pela mão?

Encontramos nesta obra toda uma categorização de novos tipos sociais que se torna fascinante de desvendar e confirmar a sua real existência, sendo relativamente fácil transpor as conclusões do lado de lá do Atlântico para a sociedade Europeia, e mesmo Portuguesa.

De assinalar que há um padrão que se mantém comparando com o primeiro livro da série, a amizade feminina surge como um elemento fulcral na história de vida das personagens, mostrando-se imprescindível para manter o equilíbrio mesmo pelo meio de tempestades, tragédias e reviravoltas com que a vida sempre nos brinda.

Uma escrita fresca, vibrante, de fácil leitura, mas que traça um quadro realista com forte pendor de análise social com olhar crítico, numa curiosa ambiguidade que é própria do estilo da autora, temos em mãos algo que arrisco a caracterizar como: literatura light que faz pensar!

Excelente notícia é saber que os Direitos da obra se mostram já adquiridos com vista a dar corpo a uma adaptação televisiva. Uma excelente forma de celebrar a rentrée literária!

FICHA TÉCNICA:


Autora: Candace Bushnell

Edição: Setembro de 2019


Páginas: 232

Género: Romance Feminino Contemporâneo



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

CRÍTICA LITERÁRIA | " Possessão", de J.R. Ward | Quinta Essência | Grupo LeYa


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

Foto: Grupo LeYa

 Possessão, de J. R. Ward, corresponde ao quinto romance da saga dos Anjos Caídos, onde iremos reencontrar algumas personagens já nossas conhecidas, e descobrir a história ou histórias de novos protagonistas de mais este "episódio", desta deliciosa saga do género fantástico da consagrada autora.

  Tendo por cenário a Cidade Norte-Americana de Caldwell, iremos acompanhar o Anjo Caído Jim Heron em mais um momento decisivo na disputa entre as forças do bem (anjos) e do mal (novamente representadas pela ardilosa e atormentada Devina, um demónio que esconde a sua podridão e feeladade sob a capa de uma mulher bela, sexy e sedutora, mas que ironicamente continua a apresentar características bem humanas, como um distúrbio obsessivo-compulsivo que a leva a sessões de psicoterapia; ou o forte desejo e paixão que inegavelmente acalenta por Jim, o seu eterno adversário), e o Anjo Adrian.

   Este quinto romance da série assume-se como um importante marco na narrativa globalmente considerada desde o início da série, na medida em que tudo parece estar em jogo, mais do que nunca, e se é certo que iremos encontrar os habituais novos protagonistas, sendo um deles a alma que Jim deverá salvar (ou não) da perdição, conseguindo assim mais um ponto a seu favor na sua disputa com Devina, denota-se que a autora volta a conferir um acentuado protagonismo a Jim na economia da narrativa neste episódio, porquanto tudo poderá ser posto em causa, muito por força da luta interna que Jim trava consigo mesmo.

Também Devina, uma das nossas personagens preferidas, muito pela ironia que transporta, e pela sua componente de por em evidência alguns retratos da sociedade moderna, apresenta uma nítida evolução psicológica, deixando-se envolver em emoções que, à partida, lhe seriam estranhas, atenta a sua natureza demoníaca e perversa, sendo esta ambiguidade um dos pontos mais interessantes da construção desta personagem.

  Os fortes sentimentos que Jim nutre pela jovem Sissy Barton, a qual fez questão de salvar do inferno onde sofria às mãos de Devina (muito embora a jovem, efectivamente, mude de dimensão e tenha de defrontar-se com essa perda da vida terrena e do contacto com familiares e amigos) poderão redundar numa total mudança de rumo na guerra entre os anjos e o demónio, e a autora consegue manter os leitores em permanente tensão quanto a este aspecto fundamental da trama, o que vem conferir à saga um novo colorido dramático.

   A nova heroína do mundo terreno será Caitlyn Douglass, uma artista e professora educada por pais que veem na religião o cerne da conduta a seguir, encontra-se numa fase da sua vida em que que renova a sua imagem, numa tentativa de alterar também o seu percurso pessoal, encontrando-se a recuperar de um desaire amoroso grave, acaba por se ver envolvida num triângulo amoroso - sentindo-se dividida entre dois homens fascinantes por motivos diferentes, mas que levam a jovem a despertar a sua sensualidade e energia sexual, há algum tempo deixadas de parte. Quem irá Cait escolher para parceiro? : o sensual e carismático cantor G.B., ou o tremendamente intenso e arrebatador Duke Phillips? Será a escolha a mais correcta?

Intenso, tremendamente sensual e escaldante, abrindo novos e inesperados rumos na trama, Possessão  é um romance que revela o quão equilibrada e apelativa se mantém esta deliciosa saga fantástica! Ward volta a dar cartas sem desiludir!

FICHA TÉCNICA:


Título: Possessão

Autora: J. R. Ward

Série: Anjos Caídos #5

1ª Edição: Setembro de 2014

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYa

Páginas: 524

Género: Fantasia Urbana

Classificação: 5/5 estrelas


terça-feira, 10 de setembro de 2019

CRÍTICA LITERÁRIA | "Êxtase", de J.R. Ward | Quinta Essência | Grupo LeYA


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

Foto: Grupo LeYa


   Admiradora confessa da obra de J.R. Ward, e seguidora desta série em especial, devo confessar que as minhas expectativas quanto a este romance era bastante elevadas, e a verdade é que She did it again!

   Neste quarto romance da série Anjos Caídos, sob o título Êxtase, com a chancela editorial da Quinta Essência voltamos a encontrar o leque de personagens do mundo sobrenatural já nosso conhecido: os Anjos Jim Heron e Adrian, sempre acompanhados do fiel "Cão", e o sedutor demónio Devina.

   Jim Heron é , tal como o seu amigo Adrian, um anjo bastante sui generis, capaz de voar, materializar-se e desmaterializar-se, tornar-se invisível, usar uma força sobre humana, mas também cair em atitudes bem terrenas e humanas como deixar-se levar pelos instintos mais básicos, como a cólera, a tensão sexual, e a hesitação perante decisões importantes a tomar no decurso da missão que ditará quem será o vencedor de mais uma etapa na luta do bem contra o mal.

   Devina é, também ela, um demónio sui generis, já que está apaixonada pelo inimigo e adversário Jim Heron, e pasme-se, encontra-se a frequentar sessões de terapia cognitivo-comportamental com uma psicóloga, procurando controlar um transtorno obsessivo-compulsivo, e talvez aqui encontremos uma irónica metáfora da autora à velocidade vertiginosa e à ambição desmedida e materialismo da vida moderna.

   Algo está terrivelmente errado quando até as forças do mal têm de recorrer a terapia. Um toque de humor verdadeiramente brilhante da parte da autora, em relação à sempre surpreendente Devina.

   Sem saber ainda qual a sua missão, Jim reencontra alguém que teve um papel deveras preponderante no seu passado, e assistir-se-á à formação de um novo par romântico totalmente inusitado, com um misterioso homem que foge de um cemitério, a ser atropelado por Mels Carmichael, a bela e intrépida jornalista do jornal local, filha de um agente da polícia entretanto falecido, e que ainda não conseguiu completar o processo de luto pela perda do progenitor, e que irá ajudar o misterioso homem a desvendar o seu obscuro passado.

   Num ritmo narrativo bastante acelerado, com  a aventura a espreitar a cada esquina, com descrições de combates terrenos e com criaturas do mundo sobrenatural dignos de figurar num bom filme de acção, somos compelidos a devorar página a página mais este episódio desta fantástica série.

   Vibrante, pleno de emoções fortes, acção,  aventura, perigo, vingança, amor, ódio e as cenas sensuais verdadeiramente escaldantes, Êxtase vai continuar a deixar os leitores presos a esta série, e expectantes por mais páginas desta original e viciante saga do género fantástico.

   Vertiginoso! Um  page turner  incontornável para amantes do género.


FICHA TÉCNICA:


Título: Êxtase 

Autora: J. R. Ward

Série: Anjos Caídos #4

1ª Edição: Agosto de 2013

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYA

Páginas: 468




CRÍTICA LITERÁRIA | "Inveja", de J. R. Ward | Quinta Essência | Grupo LeYa


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

Foto: Grupo LeYa



“Inveja”, de J.R. Ward, corresponde ao terceiro livro da série “Anjos Caídos”. Nesta obra, Jim Heron e os seus fiéis amigos Eddie e Adrian travam mais uma batalha contra as forças do mal , personificadas pelo demónio Devina, disputando ambos os litigantes mais uma alma perdida, e estando ambas as partes a enfrentar as suas inseguranças e receios.

Mais uma vez, a narrativa é dinâmica, ousada, sensual e extremamente envolvente, e cabe assinalar que a autora vem mantendo um claro equilíbrio nos livros da série, em termos de qualidade e fluidez da narrativa.

No que tange às personagens fixas da série (as entidades sobrenaturais), denota-se uma evidente e deveras interessante evolução psicológica nas mesmas, que adquirem uma ainda maior densidade. Jim Heron, o Anjo salvador, revela-se obcecado com Sissy Barten, a jovem virgem sacrificada por Devina, no anterior livro da série “Desejo”,Heron revela um sentimento de posse e protecção de Sissy, mesmo perante o seu já consumado sacrifício por Devina.

Perante a anterior vitória do mal, nas hostes celestiais vivem-se momentos de insegurança e receia-se pela perda de mais um combate e dos guerreiros do bem.  Interessante é acompanhar o conflito entre as personagens Nigel e Collin, que experienciam alguma instabilidade na sua próxima relação amorosa, que vai bem mais além da natureza física.

Adrian e Eddie, os dois inseparáveis parceiros atravessam momentos de profunda desmotivação e receio pelo futuro, correrá esta amizade o risco de se perder?

Devina, o demónio perverso e traiçoeiro assume afinal, a sua frustração pessoal, perante a sua incapacidade de viver uma vida comum, de amar e ser amada ( o que vê ser desfrutado por tantos mortais) e é a sua “Inveja” que vem dar o título a este romance. Esta personagem acaba por não estar isenta duma certa carga de ironia e reflexão, já que nos mostra que, mesmo o poder quase absoluto, que engloba mesmo a faculdade de interferir e manipular  as vidas alheias , nem sempre redunda na felicidade de quem detém tal poder, o mesmo se dizendo em relação ao materialismo e obsessão pela posse de bens materiais (que no caso de Devina, e considerando a sua natureza sobrenatural, simbolizam as almas que se perderam devido à sua intervenção e interacção com os simples mortais).

É deliciosamente irónica a circunstância de Devina fazer terapia e reflectir gradualmente nas palavras da sua psicóloga.

Quanto ao elenco de personagens humanas, desta vez somos colocados em contacto com o dia-a-dia de uma esquadra de Policia em Caldwell, com a azáfama do trabalho e os dramas internos dos agentes , enquanto seres humanos. Acompanhamos a história de amor que vai nascendo entre Thomas Delvecchio (um detective filho de um serial Killer, que vive atormentado no medo de ser igual ao pai) e Sophia Reilly – uma perfeccionista e cumpridora agente dos Serviços Internos incumbida de averiguar suspeitas surgidas em relação a Delvecchio, no sentido de que este poderia ter agredido quase mortalmente um psicopata Kroner que deixou atrás de si um largo rasto de sangue e a morte de jovens inocentes.

De forma engenhosa e brilhante, Ward articula mais uma vez os dois planos narrativos – a realidade e o mundo sobrenatural - sendo colocadas em interacção as personagens que habitam os dois planos, é curioso assistirmos ao confronto com o mundo sobrenatural levado a cabo pelas  mentes lógicas e objectivas dos elementos da policia de Caldwell.

Mas poderá a força do amor ser bastante para libertar Thomas Delvecchio da perdição, dos fantasmas do seu pai  (a aguardar execução no corredor da morte) e dos intuitos perversos de Devina que o reclama para as suas hostes diabólicas? Poderá Sophia Reilly acreditar na sinceridade de Thomas Delvecchio quando surgirem dados incriminatórios contra este? Quem vencerá este combate eterno, o amor ou as forças do mal?

Viciante, envolvente e sempre surpreendente! 


FICHA TÉCNICA:


Autora: J. R. Ward

Título: “Inveja”

Série: Anjos Caídos #3

1ª Edição: Agosto de 2012

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYa

Páginas: 512



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

CRÍTICA LITERÁRIA | "Desejo", de J. R. Ward | Quinta Essência | Grupo LeYa


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

Foto: Grupo LeYa | Direitos Reservados


Neste segundo livro da saga dos Anjos Caídos, sob o título “Desejo”, de J.R. Ward, continuamos a acompanhar as aventuras e desventuras de Jim Heron, um poderoso e sensual recém nomeado Anjo, sobre o qual subsiste a responsabilidade de juntar pontos a favor do bem, na eterna luta entre as trevas e o paraíso, defrontando o Demónio Devina, num elaborado e violento combate sobrenatural, mas tendo presente a necessidade de resgatar almas perdidas.

Desta feita, encontramos as personagens já nossas conhecidas do primeiro livro "Cobiça", além de Jim, os seus inseparáveis amigos e parceiros Adrian e Eddie, bem como os seus superiores hierárquicos nas hostes angelicais.

Jim Heron vê-se compelido a enfrentar o seu passado, enquanto militar dos Serviços Especiais Norte-Americanos, dos quais foi o único a conseguir sair com autorização do seu superior Mathias, um solitário, cruel, frio e enigmático chefe militar habituado a tudo controlar e a não conhecer quaisquer limites para os seus actos, muitas vezes criminosos, que jutifica em nome do interesse nacional.

Isaac Rothe, um jovem militar, colega de Jim nas Forças Especiais, luta pela sobrevivência, e vai enfrentando os seus fantasmas e remorsos, sendo um alvo a abater, dada a sua qualidade de Desertor daquelas forças militares, onde os homens perdem a sua identidade!

Rothe irá cruzar o seu caminho, mais uma vez, com Jim (agora um Anjo Caído com uma importante missão transcendental e intemporal) e com Grier Childe, Advogada que, apesar da sua elevada condiçãp social, sofre com ocultos segredos de família que envolvem a morte do seu amado irmão Daniel, e que se cruzará com Rothe, ao ser-lhe nomeada Defensora Oficiosa (no âmbito dos serviços pro bono que faz questão de prestar aos mais desfavorecidos).

Uma destas almas destina-se a ser disputada entre Jim Heron e Devina  (o terrivel demónio que sente um irresistível desejo em relação a Jim), o combate será terrível, e nem os imortais estão isentos do sofrimento, nem os mortais estão preparados para enfrentar os seus demónios pessoais que são uma carga deveras dolorosa que acabam por transportar inadvertidamente.

Com uma narrativa dinâmica, envolvente e extremamente sensual, Ward não desaponta os leitores de mais esta saga, e faz com que nos sintamos compelidos a não largar o livro sem que cheguemos à última página, e acabamos inevitavelmente por tomar partidos e por nos apaixonar por personagens que estão longe da perfeição, afinal como qualquer ser humano.

Um turbilhão de acção, sensualidade, suspense e fantasia,servido com imenso glamour à mistura, como já vem sendo habitual na obra desta autora!

Quem irá vencer este combate? Quem perecerá como dano colateral do mesmo?


FICHA TÉCNICA:


Título: "Desejo"

Série: Anjos Caídos #2

Autora: J. R. Ward

1ª Edição:  2011

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYa

Nº de Páginas: 488

Género: Fantasia Urbana

Classificação: 5/5 estrelas





CRÍTICA LITERÁRIA | "Cobiça", de J. R. Ward | QUINTA ESSÊNCIA | GRUPO LEYA


Texto: Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária

Imagem: Grupo Leya | Direitos Reservados

  "Cobiça", o primeiro livro da série dos Anjos Caídos, da autoria de J. R. Ward, insere-se no género fantástico (fantasia urbana) e faz jus ao estilo de escrita bastante dinâmico e envolvente a que esta autora Norte Americana já habituou os seus leitores e fãs que se encontram espalhados por todo o mundo, não sendo Portugal a excepção, sendo também bastante conhecida pela saga de fantasia urbana "Irmandade da Adaga Negra".

   Já familiarizada com a escrita da autora (pelo menos em dois géneros distintos : fantástico e romance), as aventuras de James (Jim) Henson, um assassino das forças especiais, arrastado como voluntário à força para a missão de Anjo Caído com a árdua tarefa de salvar sete almas a caminho da perdição não só não desapontam, como decorrem sob os nossos olhos a um ritmo verdadeiramente frenético.

A obra apresenta personagens fortes, bem definidas ao nível físico e psicológico, e cada uma delas com os seus "dramas pessoais" sempre muito presentes.

Com a ajuda de dois amigos, Jim irá aceitar o desafio de salvar o milionário Vincent DiPietro (o qual tem um passado algo obscuro, mas é também dotado de uma peculiar característica sobrenatural), ajudando-o a lidar com a pérfida, maquiavélica e bela namorada deste - Devina Avale.

Outra personagem sofrida, e que muito irá surpreender os leitores, é Marie Therese Bordreaux, forçada pelas circunstâncias da sua história de vida, a percorrer caminhos que vão contra os seus princípios e valores mais evidentes, e procurando refúgio na religião, num paradoxo bastante interessante descrito pela autora, que nos narra a luta interna travada por uma personagem extremamente sofrida e marcada pelo passado, que luta pelo bem-estar do seu bem mais precioso – o filho Robbie.

Vale a pena ler e descobrir quem sairá vencedor destes combates entre o bem e o mal.

Um livro de leitura rápida, apesar de ter mais de quinhentas páginas, é um livro que todos os amantes do género irão certamente “devorar”.

Fica despertada a curiosidade para a leitura dos restantes livros da saga, seguindo-se o título "Desejo".

Ward é perita a criar mundos sobrenaturais, e fá-lo de uma forma que nos transporta verdadeiramente para essas novas dimensões alternativas e paralelas à medida que vamos lendo e nos vamos adentrando na trama.

Uma prosa solta, com diálogos que dão uma visão cinematográfica à narrativa e que nos revelam os traços caracterizadores das personagens, sendo estas densas e muito elaboradas a todos os níveis.

Temos um misto de fantasia, acção, erotismo, romance, glamour e também a exaltação dos valores da amizade, entreajuda e altruísmo ( logo, daqui resulta uma nota positiva para a autora) na eterna luta entre as forças do bem e as forças do mal. Um delicioso mundo sobrenatural em Caldwell, Nova Iorque.

FICHA TÉCNICA:

Título: Cobiça 

Série: Anjos Caídos #1

Autora: J. R. Ward

1ª Edição:  2011


Género: Fantasia Urbana

Classificação: 5/5 estrelas


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | " As Irmãs - As irmãs Albright - Série Completa, de Jess Michaels - " Tabu"| QUINTA ESSÊNCIA


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista
Foto: Direitos Reservados | Grupo LeYa


Tabu, de Jess Michaels, corresponde ao terceiro romance da série das irmãs Albright agora integrado na colectânea "As Irmãs", este ano publicada pela Quinta Essência, chancela do Grupo LeYa.

  Tabu é um sensual romance histórico, cuja acção decorre no período da Regência, em Inglaterra [1811-1820], o que se depreende não por referências temporais explícitas, mas através de referências textuais, e ainda pelas descrições de usos e costumes , e das normas sociais tão típicas deste momento histórico que a autora - Jess Michaels - tão sabiamente soube inserir na narrativa.

   A estrutura narrativa é a habitual neste género de romance, encontrando destaque especial os dois protagonistas Nathan Manning [Conde de Blackhearth], um jovem aristocrata Britânico que passou quatro anos em exílio, mais ou menos forçado, na Índia, como forma de tentar exorcizar uma desilusão amorosa provocada pela bela Cassandra Willows, a filha de um simples alfaíte, com a qual manteve um relacionamento amoroso na juventude mais precoce de ambos, mas que acredita tê-lo atraiçoado ao não cumprir uma promessa.

   Assim, quatro anos após a separação e exílio de Nathan na Índia, os dois antigos amantes reencontram-se, por mero acaso, na residência de Lady Bethany Worthington [Tia de Nathan], que é cliente de Cassandra, uma prestigiada modista, bastante requisitada pelas damas da sociedade Londrina.

   Um detalhe curioso, e que confere à trama uma intriga adicional, é a circunstância de Cassandra manter também um rentável negócio paralelo, que corresponde à criação de lingerie ousada e uma vasta gama de brinquedos eróticos, que inflamam as alcovas mais e menos legítimas da Londres da Regência.

  Ao reencontrar Cassandra, e vendo-se dominado por um súbito e pérfido desejo de vingança, Nathan força a jovem a manter com ele diversos encontros de cariz sexual, procurando, por essa via humilhar, dominar e retribuir-lhe a frustração que sofreu no passado interrompido de ambos [ou pelo menos, assim acredita o Conde que são estes os reais intuitos que o movem].

  Mas será Nathan assim tão frio e indiferente, ao nível emocional, e conseguirá manter os seus perversos intentos, quando descobre na ex-amante uma mulher determinada, inteligente, madura e bastante experiente sexualmente?

   E Cassandra, que vive atormentada por segredos do passado, que receia afectem Nathan, será capaz de resistir ao inegável desejo, e a algo bem mais sólido e forte, que nutre pelo homem que mais a marcou e a quem verdadeiramente amou?

   Ao longo da acção, temperada com as suspeitas de amigos de Cassandra - Ellinor Clifford, e Stephen Undercliffe - com a oposição evidente dos país de Nathan, a verdade é que os dois protagonistas envolvem-se em escaldantes encontros sensuais e sexuais.

  E a autora sabe, num estilo que lhe é muito próprio, usar uma linguagem bastante explícita e detalhada sob o ponto de vista sexual, mas que não chocará os apreciadores deste género literário, visto ser evidente o profundo envolvimento físico e também emocional entre  os protagonistas, sendo bastante perceptível a química que os une.

  Cassandra e Nathan irão envolver-se numa sensual disputa pelo poder, entre lençóis, onde se irão revelar ambos deliciosamente vencidos.

  Mas, segredos obscuros e a implacável sociedade da época, assim como a família de Nathan, irão revelar-se fortes oponentes ao futuro do casal, desde logo, porque ambos pertencem a diferentes classes sociais - numa sociedade bastante estratificada, com claros limites de actuação e relacionamento entre classes.

   Sempre presente, encontra-se também o risco de se tornar abertamente do conhecimento público o negócio paralelo de Cassandra Willows, bem como o seu passado como amante de vários homens.

   Ora, quebrar este Tabu é, para o leitor, deixar-se envolver numa saborosa onda de sensualidade, desejo e intriga, plena de mistérios a desvendar.

   Deixe-se levar ao sabor desta maré sensual!

Ficha Técnica da Obra:


Autora: Jess Michaels

Série: As irmãs Albright (agora editada numa colectânea num volume único)


Edição: Março de 2018

Páginas: 752 (obra completa)

Género: Romance erótico de época

Classificação: 5/5 estrelas



domingo, 23 de setembro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | "Sedução Perigosa", o segundo livro da colectânea "As irmãs", de Jess Michaels | QUINTA ESSÊNCIA

Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista
Fotos: Direitos Reservados | Grupo LeYa


Sedução Perigosa, de Jess Michaels, é um romance de fundo histórico, cuja acção decorre em Londres em 1919, e que faz parte integrante da série "Irmãs Albright" agora editada pela Quinta Essência sob o título genérico: As Irmãs

  Jess Michaels traz-nos como protagonista Penelope Norman, uma jovem viúva magoada por um casamento por obrigação  e sem amor e que bastante a traumatizou [como era habitual na época histórica em apreço, devido a motivos económicos ou de ascensão na categorial social]. Contida, algo tímida e sem orientação familiar válida, sendo filha da antipática e interesseira Dorthea Albright [Viúva de Thomas Albright], a jovem ver-se-á, de modo algo inadvertido, elevada à categoria de defensora pública da moralidade entre as classes mais altas, uma vez que rejeita em absoluto a libertinagem assumida pelos nobres casados, que ostentam muitas vezes uma sexualidade pouco regrada, desrespeitando as esposas, e mantendo relações extra- conjugais.

  Na medida em que a sua atitude de defesa da moralidade é vista como ameaçadora da submissão desejada pelas famílias de ilustres nobres com tendências libertinas, num clube masculino de Londres, surge um arriscado plano conspiratório que poderá deitar por terra a honra e dignidade de Penelope Norman, pois o atrevido e sedutor Jeremy Vaughn, Duque de Kilgrath, é seleccionado para seduzir e comprometer a dama, de modo a que esta deixe de constituir um obstáculo à conduta licenciosa dos nobres.

   Jeremy aproxima-se da jovem e fá-la crer que pretende mudar a sua conduta habitual de libertino, mas acaba por a iludir de forma contraditória, mostrando-lhe os caminhos da sensualidade e da libertação sexual, que até ali eram encarada pela jovem como algo apenas perverso, errado e condenável perante as rígidas regras da moral vigente em termos públicos.

   Penelope, vai quebrando as defesas, e começa a descobrir em si mesma desejos, sensações e anseios que, até então, recusara a si mesma, e julgara mesmo ser impossível sentir, mas enfrenta uma dura luta interior ao nível psicológico, pois tem dificuldade em conjugar esta descoberta dos sentidos como algo natural e humano, com o seu entendimento bastante rígido dos princípios morais que defende publicamente.

   Gradualmente, Jeremy leva Penelope a visitar locais onde o prazer reina, e assume o papel de um fogoso amante secreto que visita a jovem durante a noite, levando-a a testar os seus limites, com o intuito de a dominar e chantagear ou controlar, a pedido do seu grupo de amigos libertinos.

 Penelope vive dividida entre o prazer físico e sensual que experimenta na presença do seu amante secreto, e o sofrimento psicológico que a dualidade que sente entre o modo como age, e os princípios que defende lhe causará.

 Jeremy, por sua vez, começa a sentir-se incomodado com o desenlace do plano por si concebido, e receia que Penelope esteja a despertar em si emoções que julgava impossível sentir, mas como irá sanar este conflito entre a amizade e lealdade masculinas, e uma proximidade e intimidade com uma mulher que já parecem ir bem além de um jogo de sedução encomendado com intenções obscuras?

 Num ritmo narrativo bastante acertado para a dimensão do romance, com uma linguagem bastante acessível, que não descura o meio social elevado e a época histórica em que a narrativa decorre, a autora consegue manter um clima de conspiração que apenas se resolve no final da trama, prendendo as leitoras à história.

 O romance contém diversas cenas de cariz explícito ao nível sexual, descritas com a sensibilidade, a ousadia e o detalhe a que autora já nos habituou, afirmando-se, de facto, como um dos nomes de relevo neste género literário bastante específico.

Conspiração, tensão, sensualidade ardente e uma heroína e um herói interessantes, que transportam consigo uma história pessoal, e que lutam por ultrapassar conflitos interiores,  estas são apenas algumas das razões que tornam este romance uma excelente escolha de leitura.


Ficha Técnica da Obra:


Autora: Jess Michaels

Série: As irmãs Albright (agora editada numa colectânea num volume único)


Edição: Março de 2018

Páginas: 752 (obra completa)

Género: Romance erótico de época

Classificação: 4/5 estrelas





sábado, 8 de setembro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | " As Irmãs - As irmãs Albright - Série Completa, de Jess Michaels - " Emoções Proibidas"| QUINTA ESSÊNCIA


Texto e Foto: Isabel de Almeida |

Crítica Literária | Jornalista


   Emoções Proibidas corresponde ao primeiro romance erótico da Série das Irmãs Albright, da autoria de Jess Michaels, inicialmente publicado em volume autónomo em Junho de 2013, numa edição requintada com um laço de seda vermelho, integra, com mais três romances, a série familiar protagonizada pelas irmãs Albright.

  Tratando-se de romances bastante procurados pelo público feminino que gosta de uma trama erótica com cenário noutras épocas, e atento o facto de já não ser fácil encontrar no mercado alguns dos volumes da série, a Chancela Quinta Essência, do grupo LeYa optou por lançar este ano toda a colectânea num único volume sob o título as irmãs, que numa edição extremamente elegante, permite satisfazer coleccionadores, ou satisfazer as leitoras que tenham em falta algum dos livros da série.

Com vista a dar aos nossos leitores uma crítica detalhada de cada uma das histórias, iremos dividir em quatro artigos esta recensão crítica, sendo cada artigo dedicado a um dos quatro romances.


  Começamos pelo primeiro título - Emoções Proibidas. Trata-se de um romance erótico na sua verdadeira essência, com cenário histórico na Inglaterra do Século XIX, o que contribui para embelezar e enriquecer a trama com os sempre deliciosos detalhes sociais da época em apreço.

   Como protagonista feminina iremos encontrar Miranda Albright, a mais velha das irmãs, que vê a sua família caminhar a passos largos para a ruína financeira, devido às dívidas de jogo, e à vida de excessos levada pelo seu falecido pai. Miranda luta para manter uma gestão racional das finanças familiares, enfrentando a atitude crítica e gastadora da mãe, a arrogante e arrivista Dorthea Albright, ainda habituada à vida luxuosa e acima das reais possibilidades que o falecido marido proporcionava ao clã, à custa de dívidas pesadas.

   Miranda revela uma personalidade forte, decidida e apaixonada, é uma mulher algo independente, que se atreve a, no seu íntimo, ousar vivenciar a sua sensualidade e sexualidade em pleno, sem tabus, embora à luz dos rígidos princípios morais em que foi criada, se sinta por vezes culpada pelos seus desejos e sensações mais secretos.

   Durante anos Miranda teve um passatempo bastante atrevido, espiar os escaldantes encontros amorosos do seu libertino Vizinho - Ethan Hamon, o Conde de Rothschild, habituado a satisfazer um vasto leque de amantes nos campos da propriedade vizinha à da família Albright.

   Entre o receio, o desejo, a excitação e a fantasia, Miranda decide salvar a família da ruína, trocando a sua inocência pelo apoio financeiro às épocas das irmãs Penélope e Beatrice a prestar pelo seu perverso e atraente vizinho, com o qual secretamente fantasiou desde muito jovem.

   Ethan aceita a proposta da jovem, acreditando que vai conseguir subjugar  e dominar Miranda, num complexo jogo erótico, consentido mas arriscado para a jovem dama, que pode deitar a perder , a todo o momento o seu bom nome e o da sua família, num acto de coragem ousada que pode ser tudo ou nada.

    A pretexto de uma ausência legítima, Miranda irá descobrir, na vertente física, todas as sensações e emoções com que sempre fantasiava ao espiar Ethan.

   Com descrições bastante explicitas de cenas de natureza sexual, que abarcam a maior parte das páginas do livro, ainda assim, Jess Michaels sabe permear esta componente com a vertente emocional que começa a despertar entre os dois protagonistas.

    Entretanto, a arriscada combinação de Miranda e Ethan vai mesmo abalar a cumplicidade que esta mantinha com a irmã Penelope, o que poderá deitar a perder o plano de Miranda e a honra da família.
     Ethan é um homem marcado pelo fantasma do pai, que viciado nos prazeres da carne, levava uma vida dissoluta, desrespeitando o casamento com numerosas infidelidades, pelo que nega a si mesmo a hipótese de alcançar a felicidade, rejeitando vínculos emocionais e a hipótese de um casamento por amor que garanta um herdeiro para o título nobiliárquico que possui. 

    Serão Miranda e Ethan fortes o bastante para vencer os obstáculos que lhes cabe enfrentar? Saberão dosear na medida certa o desejo avassalador que os preenche, a paixão que nasce entre ambos e o perigo do julgamento social e familiar?

   Verdadeiramente escaldante, emotivo, com personagens fortes envolvidas em sólidos contextos sociais e familiares, numa linguagem explícita, mas fluído e elegante, é um romance que agradará aos apreciadores do género erótico com fundo histórico, um verdadeiro hino aos cinco sentidos, e que não deixa de lado o romantismo. Jess Michaels sabe como agarrar as leitoras às páginas deste livro!

   Um história viciante, que fará as delícias das fãs do romance sensual de época!

Ficha Técnica da Obra:

Título: As Irmãs

Autora: Jess Michaels

Série: As irmãs Albright (agora editada numa colectânea num volume único)


Edição: Março de 2018

Páginas: 752 (obra completa)

Género: Romance erótico de época

Classificação: 5/5 estrelas



sábado, 17 de fevereiro de 2018

CRÍTICA LITERÁRIA | "Traição", de Aleatha Romig |QUINTA ESSÊNCIA




Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista
Foto: Grupo LeYa | Direitos Reservados


Traição, da autora Norte-Americana Aleatha Romig, chega a Portugal com chancela Quinta Essência sendo o romance que dá início à série "Infidelidades".

Estamos perante ficção romântica com um acentuado cariz de erotismo, e alguma linguagem bastante crua, mas a autora vai bem mais além desta breve caracterização de um romance contemporâneo cujo público alvo é, assumidamente, o feminino.

A protagonista feminina é Alexandria Charles Montague Collins, uma jovem que nasceu no seio da alta sociedade do Sul dos Estados Unidos, é a futura herdeira de uma avultada fortuna familiar e vive um conflito consigo mesma, ao sentir-se presa num meio social onde as aparências contam mais do que as essências, onde muitos segredos obscuros se escondem por entre os corredores e atrás das portas das luxuosas divisões das tradicionais mansões familiares, e onde  o tempo parece ter parado em séculos anteriores, no que diz respeito às práticas sociais, à mentalidade e, o que mais a assusta, no que tange ao papel social com uma visão deveras retrógrada que se espera de uma menina que dará continuidade a uma dinastia familiar do Sul dos Estados Unidos com ideais e códigos de conduta verdadeiramente próprios da aristocracia, mas não no em aspectos positivos.

Tendo acabado a primeira fase da sua graduação em Direito com louvor e distinção, Alexandria sonha vir a tornar-se Advogada, tendo, por mérito próprio, alcançado a oportunidade de prosseguir a sua formação académica superior em Direito na prestigiada Universidade de Stanford.

A narrativa alterna dois momentos essenciais na construção do enredo em termos temporais, ficamos a conhecer as vivências da personagem central feminina na sua mansão familiar, onde sente o peso de um mundo social antiquado com o qual não se identifica e que lhe é mesmo penoso e, alternadamente, recuamos até um passado recente, onde Alexandria passou uma semana de férias com a sua melhor amiga Chelsea.

É interessante notar que, em férias num resort de luxo, num local paradisíaco, Alexandria liberta-se da austeridade e do peso da sua herança familiar, que notamos ser também muito pesada e disfuncional perante a frieza de um padrasto - Alton - que se apresenta como um verdadeiro e inflexível vilão autocrático e paternalista, e a fragilidade e incapacidade de defender a filha que encontramos em Adelaide Montague, uma típica senhora da aristocracia Sulista que se refugia no álcool para se evadir do perverso mundo de aparências, intrigas, segredos e imposições em que se resignou a viver, e que tentará impor à filha da pior forma.

No resort, assumindo uma postura livre, moderna, e, para sua própria surpresa, deveras ousada, Alexandria irá cruzar-se com um elegante, sedutor e atraente desconhecido - Lennox, que se apresentará sob o nome de Nox - e ambos irão envolver-se num sensual jogo de sedução e conquista, vivendo um tórrido e intenso romance que se destina a ter uma duração muito curta - apenas uma semana, ou seja, o período de tempo em que ambos ficam alojados no mesmo hotel.

Um dos detalhes mais interessantes é o facto de Alexandria encontrar um alter ego para si mesma, durante as suas curtas férias, utilizando o nome de Charli, e será sob esta nova identidade, que muito simboliza a sua revolta contra as imposições e a teia de ilusão e aparência que caracteriza o meio onde foi criada, e que muito irá ainda surpreendê-la pela negativa.

A leitura deste romance constituiu uma agradável surpresa, pela densidade psicológica evidente das personagens, nem sempre presente neste género literário considerado mais comercial, pela excelente caracterização social do mundo das aparências da alta sociedade do Sul dos Estados Unidos, pela intensidade da intriga, e pelos surpreendentes twists com que a autora nos brinda no final deste primeiro romance, sendo ainda de destacar a existência de um inteligente cliffhanger que deixará as leitoras ansiosas por retomar o curso da trama nos livros que se seguirão. 

Uma leitura rápida, mas intensa, carregada de intriga, erotismo e muitos segredos revelados e a revelar. Nasceu uma nova estrela no panorama da ficção feminina contemporânea ao dispor das leitoras Portuguesas, e o seu nome é Aleatha Roming!

"Não importava que estivéssemos no século vinte e um - Não para os aristocratas. Este era e seria sempre o mundo onde as aparências eram essenciais. Os Segredos que ensombravam os corredores e as ombreiras das portas ficaram silenciados para sempre."

Ficha Técnica do Livro:

Título: Traição

Autora: Aleatha Roming

Série: Infidelidades #1

Edição: Janeiro de 2018

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYa

Páginas: 280

Género: romance feminino contemporâneo

Classificação Atribuída: 5/5 Estrelas



terça-feira, 28 de novembro de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA | " Anna e o Beijo Francês", de Stephanie Perkins | QUINTA ESSÊNCIA


Texto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista

Foto: Direitos Reservados | Grupo LeYa


   Anna e o Beijo Francês é, sem margem para dúvida, um divertido e refrescante romance destinado ao público mais jovem, que inserimos sem receio no género Young Adult, mas que promete também bons momento de entretenimento aos apreciadores de histórias românticas.

   Como protagonista desta narrativa temos Anna Oliphant, uma jovem Norte-Americana, filha de pais separados, é enviada para Paris, onde irá estudar num exclusivo colégio destinado a filhos das classes endinheiradas dos Estados Unidos, pelo seu pretensioso pai, um escritor de sucesso, admirado pelas massas e que é um produto da máquina de marketing editorial que o dominou, nas palavras de Anna:"Foi por altura do divórcio que todos os vestígios de decência despareceram e o seu sonho de ser o próximo grande escritor do Sul foi trocado pelo de ser o próximo escritor publicado. Então começou a escrever aqueles romances passados em pequenas povoações da Georgia sobre pessoas com Bons Valores Americanos que se Apaixonam e a seguir Contraem Doenças Fatais e Morrem."

   Triste por deixar para trás a mãe e o pequeno irmão Sean, a melhor amiga Bridgette, e Toph, o candidato a namorado, a jovem começa por enfrentar um duro choque cultural, ao viver em Paris, sem dominar a língua Francesa, nem os costumes e tradições daquele pais Europeu, tão distante do seu em todos os sentidos.

  Mas é em Paris, no novo e selectivo colégio, que rapidamente faz um novo grupo de amigos: Meredith, Josh e Rashmi [um casal de namorados a atravessar alguma turbulência na relação] e Étienne St. Clair, por quem Anna começa a sentir algo mais do que amizade, desenvolvendo ambos uma relação muito cúmplice, apesar de este estar comprometido com Ellie, aluna de artes, que já terminou os estudos no colégio, estando na Universidade, e que deixou de manter contacto com os restantes amigos do grupo, quando havia sido a melhor amiga de Rashmi, até ao momento em que ambas frequentavam o ensino secundário.

   Inicialmente, Anna vai recebendo emails e chamadas telefónicas dos amigos que deixou nos Estados Unidos, mas alguma distância também afectiva irá alterar os dados destas amizades.

   Anna vai descobrindo uma nova cultura, novas amizades, e dá largas à sua grande Paixão - o cinema - tornando-se frequentadora habitual dos intimistas e pequenos cinemas locais, tendo muitas vezes por companhia Étienne, um jovem extremamente culto [adepto de história e de leitura]. Um detalhe bastante interessante em relação à nossa protagonista, é o facto de esta pretender ser crítica de cinema conceituada, tendo já uma considerável cultura cinematográfica, atenta a sua idade.

   A narrativa vai decorrendo com várias peripécias e twists até ao final, com o delicioso complemento da descoberta da cidade por Anna, que acabará por se tornar, de algum modo, uma Parisiense por paixão,  e a autora é perita em descrever ao detalhe a evolução emocional das personagens, a rebeldia própria da sua faixa etária no cenário mágico de Paris, permitindo ao leitor apaixonar-se também por estes espaços tão especiais, carregados de história e imensamente românticos.

  Étienne St. Clair é também uma personagem bastante densa e bem construída, nele encontramos um jovem inserido numa família disfuncional, com um pai egocêntrico e dominador, que controla todos os detalhes da vida do filho e da própria ex-mulher, o que leva a que Étienne e a mãe nem sequer consigam ver-se o quanto desejariam, mesmo em situações de crise em que seria especialmente desejável tal contacto. Vive uma relação de puro comodismo com Ellie, mas receia quebrar esta estabilidade aparente!

   Num turbilhão de dúvidas, emoções à flor da pele, e num momento em que se desenham no horizonte as linhas do seu futuro, saberá Anna tomar as decisões mais adequadas em direcção à sua felicidade? E Étienne, estará disposto a arriscar e a enfrentar o pai e a eterna namorada Ellie, em busca de uma vivência mais desinibida?

   Rebeldia, sentido crítico, romance, mágoas, esperanças, sonhos e ternura, são as palavras que descrevem o quotidiano das várias personagens desta história bem contada e que se lê rapidamente. Uma boa aposta para o público mais jovem, e que bem pode ajudar a desenvolver hábitos de leitura, pela fluidez da escrita e pelo ritmo sempre equilibrado da mesma.

Adorei e recomendo!

Ficha Técnica:


Autora: Stephanie Perkins

Editora: Quinta Essência |  Grupo LeYa

Ano de Edição: 2015

Nº de Páginas: 288

Classificação: 4/5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Young Adult


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terça-feira, 22 de março de 2016

[Os Livros Nossos - Crítica Literária] “Duas Irmãs e um Duque”, de Eloisa James [Quinta Essência/LeYa]



Duas Irmãs e um Duque correspondeu à nossa estreia com a autora Eloisa James, e foi uma agradável surpresa descobrir mais uma variante na ficção histórica ou de época, com cenário na Inglaterra do Século XIX, sendo este assumidamente um dos nossos géneros literários de eleição


A narrativa tem início em Março de 1812, em Mayfair, Londres, na residência da família Lytton, uma família abastada, aparentada com a aristocracia, mas destituída de título nobiliárquico, e que investiu grande parte dos respectivos recursos financeiros na "Duquesificação" [termo usado pela autora no romance, e que achámos verdadeiramente genial] das duas filhas gémeas  - Olivia e Georgiana Mayfield Lytton.

As Gémeas, bastante cúmplices entre si, foram criadas com o intuito de serem o exemplo máximo da virtude, educação, contenção emocional e cumprimento rigoroso dos preceitos sociais bastante rígidos da aristocracia Britânica, sendo ambicionada claramente uma ascensão na escala social.

Olívia, a irmã mais velha (alguns minutos), está prometida desde tenra idade ao herdeiro do Duque de Canterwick - Rupert Forrest G. Blakemore - um rapaz mais jovem do que Olívia e que apresenta uma perturbação ao nível intelectual, pese embora seja uma alma sensível e doce, porém, muito simples e incapaz de raciocínios mais elaborados. O pai de Olívia foi colega de estudos e é amigo do Duque de Canterwick, e ambos fizeram um pacto de fazer casar um das filhas de Mr. Lytton com o herdeiro do Duque.

Georgiana, a irmã mais nova, receberá um dote, após o casamento da irmã, que lhe permitirá, posteriormente ser elegível para ascender também na escala social, contraindo matrimónio.

As duas irmãs são o oposto uma da outra. Olívia, a futura Duquesa, é divertida, pouco dada a cumprir à risca as apertadas regras sociais que a mãe ensinou, assumindo uma postura mais informal (excessivamente para os preceitos da época), expressando emoções, e preferindo brincar com rimas, trocadilhos e poemas alguns até algo brejeiros, sendo bastante sarcástica e crítica em relação à aristocracia sua contemporânea, o que causa desgosto à sua severa e ambiciosa mãe. A mãe da jovem chega mesmo a criticar a figura mais redonda da mesma, levando a filha a sentir-se por vezes desanimada e com a auto-estima algo abalada pelo facto de ter curvas e  a sua estrutura corporal não ser considerada a mais desejada para os padrões da época, que evidenciavam a extrema magreza com ideal de beleza para as damas da alta sociedade. Olivia é dona de uma personalidade bem vincada e é bastante efusiva e brincalhona.

Por sua vez, Georgiana Lytton, é, ironicamente, uma jovem que apresenta a personalidade contida em público, e interiorizou na perfeição os ensinamentos dados pela mãe, estando, de longe, mais apta a assumir a posição de Duquesa, por comparação com a mais extravagante irmã. Também a figura da jovem, em termos físicos, é consentânea com o ideal de beleza defendido.

As jovens são cúmplices, trocam confidências e desabafos entre si, e têm uma boa relação, apesar de todas as diferenças que as caracterizam.

Subitamente, o prometido de Olivia decide partir para a Guerra com a França, para alcançar honra militar antes que ambos se casem, o que vem adiar ou até mesmo, quem sabe, deitar por terra os planos de casamento e a "Duquesificação" de Olivia, pois existe o sério risco de Rupert não sobreviver.

Georgiana é convidada para passar alguns dias em Littlebourne, em Kent, a residência do viúvo Duque de Sconce - Tarquin Brook-Chatfield - onde será submetida a alguns testes de conduta social, para aferir da sua elegibilidade para ser a segunda esposa do Duque, tendo de passar pelo apertado crivo da avaliação dura de Amaryllis - a mãe do Duque. Assim, Georgiana parte para a residência do Duque de Sconce, na companhia da irmã Olivia, e de uma tia do Duque - Lady Cecilia.
  
E estão lançados os dados para uma série de deliciosos diálogos, entre os convivas, o Duque e as duas irmãs.

Quin - Duque de Sconce, é um homem marcado pelo passado, por alguns eventos trágicos, e pela crença errada, incutida pela mãe, de que o amor é algo negativo e destrutivo. É contido, rígido, mas irá evoluir e mostrar o carácter apaixonado e reconciliar-se com o passado e consigo próprio.

Uma personagem também habilmente construída é Rupert, o herdeiro do Duque de Canterwick, que vai surpreender os leitores, e que é inspirada numa fascinante personagem do cinema contemporâneo.

O ritmo narrativo, inicialmente algo mais rotineiro, quando a acção decorre na residência da família Lytton, começa a acelerar quando o cenário social e espacial muda para a residência de Quin - Duque de Sconce.

Uma das características mais bem conseguidas, originais e especiais deste romance são as inúmeras graças, trocadilhos e poemas, com tiradas verdadeiramente hilariantes, muitas vezes da parte de Olivia, secundada por um primo do Duque - Justin - filho de mãe Francesa, também ele mais exuberante socialmente. Estes trocadilhos, segundos sentidos e humor evidente, redundam também, quase sempre, numa mordaz crítica social aos maneirismos da época, à excessiva rigidez, e à frieza e hipocrisia que caracterizavam a vivência das classes mais altas da sociedade, onde o parecer deveria muitas vezes suplantar o ser, em nome de uma apregoada dignidade que era mesmo artificialmente construída. E aqui o livro pode sempre ter duas leituras, o humor que nos diverte, e o foco na crítica social que nos faz pensar criticamente.

As personagens estão muito bem elaboradas, são densas ao nível psicológico, e é evidente a arte de Eloisa James ao brincar com as palavras, e o quão bem a autora se sai deste desafio literário.

A história corresponde a um reconto do clássico conto de Hans Christian Andersen "A Princesa e a Ervilha", mas existem inúmeras outras inspirações literárias, cuja explicitação a autora resume numa nota final que adicionou ao romance, e que mais ainda nos faz aumentar a admiração pelo trabalho desenvolvido.

Também não ficam de fora momentos de tensão, aventura e perigo, e um muito inesperado twist final.

Uma brilhante mistura de humor, amor, sensualidade, sátira social, cultura literária clássica (a servir de mote e inspiração) e cultura cinematográfica contemporânea (a inspirar uma personagem em especial) mas respeitando sempre os detalhes históricos do tempo da narrativa.

Estamos perante uma leitura agradável, divertida e inteligente! Mais uma autora de excelência, e que sabe conferir um estilo muito pessoal à sua escrita.

Esta e outras críticas literárias disponíveis no blogue parceiro http://www.oslivrosnossos.blogspot.pt

Artigo publicado ao abrigo de parceria com Diário do Distrito e Os Livros Nossos