domingo, 11 de março de 2018

CRÓNICA | Mulheres, essas criaturas quase míticas | CRISTINA DAS NEVES ALEIXO

Esta semana comemorou-se o Dia Internacional da Mulher e com certeza que não poderia deixar este tema em branco.

Tenho ouvido diversas vezes que “O dia da mulher não é só a 8 de Março mas todos os dias”. É claro que concordo em absoluto, por todas as razões que se possam aventar e não só por aquelas que as feministas apregoam – isto daria um outro tema muito interessante -, mas é bom sabermos a razão das coisas existirem: as celebrações do Dia Internacional da Mulher tiveram início em 1909 em contexto de luta das mulheres por melhores condições de vida, de trabalho e pelo direito ao voto. Celebrava-se sem data definida, em Fevereiro ou Março consoante o país. No entanto, foi no dia 8 de Março de 1917 que se realizou uma das mais importantes manifestações de mulheres. No início desse ano, na Rússia, ocorreram uma série de manifestações de trabalhadoras pelo direito a melhores condições de vida, de trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na primeira guerra mundial, que foram selvaticamente reprimidas e anteciparam o início da revolução de 1917. Posteriormente, o movimento internacional socialista instituiu o dia da principal manifestação, 8 de Março, como o Dia Internacional da Mulher. Mais tarde a ONU designou 1975 como o Ano Internacional da Mulher e as Nações Unidas adoptaram o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher, com o objectivo de lembrar todas as conquistas femininas na área política, económica e social, independentemente de quaisquer diferenças, sejam elas económicas, políticas, linguísticas, culturais ou étnicas (info in Wikipédia).

Exponho estes factos de forma muito breve – muito mais há a assinalar - mas, creio, após esta pequena leitura todas e todos estarão a pensar que o Dia Internacional da Mulher deve ser lembrado e comemorado pelos seus reais motivos de existir: a coragem que algumas mulheres tiveram para enfrentar ideais e regimes opressores, em alturas em que isso era completamente impensável e, inclusivamente, pago com a própria integridade física, para hoje termos aquilo que temos. Há ainda muito a fazer mas já percorremos um longo caminho e isso deve ser motivo de orgulho.

Mas não é de história que vos quero falar. Quero, principalmente, enumerar algumas das multifacetadas capacidades das mulheres em geral e que devem ser reconhecidas.

Apelido-as de criaturas quase míticas porque num mundo predominantemente masculino em vivência, sejamos francos, as mulheres são, pelas suas inúmeras características, quase irreais aos olhos dos menos dotados dessas faculdades.

Elas são musas de poetas, pintores, escultores e escritores, convidando à criatividade pelos seus modos delicados e beleza, pela irresistível sedução, a forma enigmática e até a pura inocência. São a cola que une o seio familiar, concertando, promovendo o bom ambiente e funcionamento dos vários elementos. São educadoras e professoras dos filhos, nas matérias escolares e de vida. São amantes dedicadas, procurando sempre satisfazer o seu parceiro, mesmo quando não lhes apetece assim tanto. Amam profunda e apaixonadamente para sempre. São empáticas e verdadeiras companheiras, caminhando ao lado dos que lhes são próximos e queridos; não à frente, nem atrás, mas sim ao lado, dando igualmente o peito às balas em todos os percalços que surjam pois são destemidas e tenazes. São resilientes sem igual, aguentando desgostos profundos e maus tratos, calando frustrações e humilhações em várias áreas, enquanto não deixam de ser mães, filhas, amigas, irmãs e esposas. Abdicam, sem hesitar, das suas necessidades a favor dos que amam. São trabalhadoras incansáveis, fora e dentro de casa, continuando a trabalhar muito depois de todos os outros se retirarem para o descanso. São a executiva dura, exigente e ambiciosa a par da mãe e companheira carinhosa e atenta. São sedutoras e carismáticas inatas - há quem lhes chame feiticeiras dos sentidos -, moldando as situações e os outros aos seus firmes propósitos – o que uma mulher realmente quer consegue. São pacientes e persistentes, aguardando as melhores alturas e não desistindo dos objectivos. São estrategas hábeis, conseguindo facilmente antecipar situações adversas e precavendo-as. São extremamente intuitivas, têm uma sensibilidade apurada do que as rodeia. Carregam nos olhos e na alma todas as emoções conhecidas e não têm pudor em demonstrá-las com verdade. São elas que sopram ao ouvido dos homens o que deve ser feito, quando e como. Influenciam líderes, a paz, a guerra, toda a vida. São o grande precursor da humanidade. E tudo isto – e mais - ao mesmo tempo. Sim, ao mesmo tempo, a todos os minutos das suas vidas. São completas. São elas que detêm o verdadeiro poder e por isso a responsabilidade é enorme.

Usemo-lo bem. Que nunca nos esqueçamos disso.


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