sábado, 5 de maio de 2018

REFLEXÕES OCASIONAIS | "Tudo bons rapazes" ...ou " Alguns são mais iguais do que outros"

Facilmente concluímos que o mundo está louco quando olhamos à nossa volta, no cenário internacional a Academia Nobel parece ter subvertido o simbolismo do Prémio Nobel da Paz, pois Mr. Trump é, para mim pelo menos, a antítese da paz, da estabilidade, do consenso, da não discriminação, da harmonia mundial. Juro que quando li o nome de Mr. Trump indicado para Prémio Nobel da Paz perguntei a mim mesma se não estaria a ler uma Fake New que bem poderia ser uma piada do dia 1 de Abril.

Mas no nosso pequeno rectângulo banhado pelo mar diria que as águas têm estado algo agitadas. É um fenómeno curioso observar as movimentações da nossa "exemplar" democracia, onde, tal como no futebol, pairam sombras de cumplicidades escondidas, "amigos" convenientes num momento e descartáveis noutro, entradas e saídas, "passes" com valores exorbitantes, amigos daqueles que todos nós queríamos ter, com direito a pensão de alimentos/ "empréstimos" sem prazos de amortização, e onde até foram garantidos animados passeios e estudos sur le ciel de Paris.

Tem tanto de interessante, quanto de assustador, olhar para as redes de interesses que ligam política, banca e justiça, tudo bons rapazes, sempre destemidos, despreocupados, acima de qualquer suspeita e crentes na inocência dos seus pares.

Porém, não há bela sem senão, e um dia o verniz acaba mesmo por estalar, e esta semana estalou...e, como diz uma querida amiga e colega minha "o país acordou com um amuo!"

Quando um político passa, abruptamente, da condição de bestial a besta naquele que era o seu partido, após uma tão complexa investigação, detenções, escutas, suspeitas e um processo criminal ainda em curso com laivos de filme americano, onde o protagonista é narcísico, centrado em si mesmo, arrogante e, diria mesmo, pouco respeitoso perante figuras revestidas de autoridade pelas funções que desempenham enquanto representantes do poder judicial ficamos a pensar em que espécie de pais dito Europeu vivemos nós ?! 

Que dizer de uma nação que já foi grande e que agora é palco constante de intrigas palacianas, de realidades paralelas que vão decorrendo "por debaixo do pano" nas quais os interesses pessoais ou de algumas elites se sobrepõem ostensivamente ao interesse público?

O poder (político ou outro) é algo perigoso, pode embriagar, fazer perder o chão, nem todas as pessoas nasceram com o dom de exercer o poder de forma desinteressada, pode criar em quem o exerce a ilusão de que é infinito, sem limites, sem contestação, sem lugar a exageros porque, numa visão algo própria do absolutismo personificado pelo Rei Sol Luís XIV de França, tudo é válido se o poder for de origem divina, se o soberano (ainda que por soberanos estejamos a considerar lobos com pele de cordeiro, ou seja, "democratas absolutistas") for perfeito, infalível e líder naturalmente incontestável! 

Que ninguém se atreva a criticar ou questionar sempre que um líder for um "Grande Líder"!

Um dos grandes problemas da política, do exercício cego do poder, da protecção de interesses próprios em detrimento de interesses colectivos, da injustiça causada pela viciação dos sistemas políticos,  fica, a meu ver, resumida na perfeição naquela que é uma das mais célebres tiradas da fabulosa e inteligente fábula de George Orwell cujo nome original é "Animal Farm"  (obra que vem sendo traduzida em Portugal sob dois títulos: "O Triunfo dos Porcos" ou, mais recentemente. "A Quinta dos Animais":

"Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que outros."

George Orwell, In "O Triunfo dos Porcos"


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