sábado, 16 de setembro de 2017

OPINIÃO | Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns, só uma vez | ANA KANDSMAR

Num só dia, 15 de Setembro de 2017: Muçulmano explode bomba no Metro de Londres; muçulmano ataca duas mulheres com martelo perto de Lyon; muçulmano ataca militares com uma faca em Paris.

Sim, são muçulmanos, E há muçulmanos que festejam esta mortandade, que se regozijam, que brindam, se calhar não com champanhe, (ainda que na intimidade do lar, não faltem muçulmanos que também bebem álcool), mas com chá de menta, talvez. Um dos poucos chás, confesso, que eu bebo com verdadeira satisfação.

Eis então a questão: Os muçulmanos, são todos uns filhos da puta?

Quando leio por aí comentários de gente raivosa a dizer que os muçulmanos não são humanos, são lixo, são animais, são rastejantes...etc, etc.…lembro-me daqueles tempos em que os brancos acreditavam que os pretos não tinham alma, e eram uma espécie de freek show ambulante, cuja serventia não ia além da escravatura.

Não aprendemos nada com a história. Nada! Continua-se a repetir o mesmo processo de ódio a quem é diferente, como se estivéssemos todos numa roda que nunca sai do mesmo lugar. Por esta altura do campeonato já era expectável que se soubessem as diferenças entre religião e raça, entre devoção e fanatismo, entre militância e terrorismo. Não aprendemos nada.

Sou realista quando afirmo que o Ocidente corre o risco enorme de se islamizar, e que se queremos manter os nossos ideais, os ideais porque lutamos desde a Revolução Francesa, Igualdade, Liberdade, Fraternidade, (não necessariamente por esta ordem), devem ser tomadas medidas de contenção, ou melhor, deviam, porque agora já é tarde. Temos mais de 45 milhões de muçulmanos na Europa, boa parte deles, segundas e terceiras gerações, considerados, portanto, nativos nos países onde se fixaram.

A média de natalidade entre as comunidades islâmicas é de 8 filhos por casal, sendo que 1 homem pode ainda ter outras mulheres, contra o filho e meio dos casais europeus. Tudo dito, não é?

Prevê-se que daqui a 20/30 anos, o crescimento de muçulmanos na Europa seja de quase 70% e estes números indicam claramente todas as outras implicações adjacentes: Mais mesquitas; mais tribunais da sharia; mais conversões; mais mesquitas; mais tribunais da sharia; mais representações politicas; mais conversões...mais, mais, mais…só nós, europeus e cristãos ou ateus, ou qualquer outra coisa que não muçulmanos, seremos menos. Isto é realismo. Dizer qualquer coisa que se aproxime sequer do que consta da primeira parte deste texto, é claramente xenofobia. Xenofobia rasca, irracional, nos antípodas da razão e do equilíbrio.

Quem diz que os muçulmanos não são humanos e são lixo, encarnam as tropas das SS que sob o comando de Hitler exterminaram milhões de judeus. O discurso é o mesmo. Exactamente o mesmo. Isto sim, é xenofobia. Há que identificar terroristas, e tratá-los eficaz e adequadamente. Mas esse é um problema que tem de sair da gaveta onde se mete o problema dos números elevados de muçulmanos que se tornarão a maioria na Europa. Se o problema dos terroristas carece de mão pesada por parte da justiça, o das comunidades islâmicas cada vez mais numerosas é de uma complexidade brutal, pois não se podem deportar famílias inteiras, sob pena de se deportar nacionais, e também, de por outro lado, o país de origem dos seus pais ou avós não os aceitar. Também não se pode obrigar as famílias muçulmanas a terem menos filhos e menos ainda instaurar a lei do filho único para casais islâmicos. Pode-se, quando muito, impedir a poligamia que para os valores e leis ocidentais constitui crime, e pode-se também ter um controlo mais eficaz e absoluto sobre a entrada de refugiados, fazendo a triagem entre quem o é de facto e quem quer apenas fazer uso desse estatuto. A julgar pelo número de famílias que nos chegam do Médio Oriente e deixam o país na primeira oportunidade, eu diria que há mais migrantes económicos a entrar na Europa do que refugiados. Quem foge de uma guerra procura paz, quem foge da pobreza procura países prósperos. Não quero com isto dizer que condeno quem procura melhores condições de vida. Não condeno! Mas fugir da pobreza não dá direito ao estatuto de refugiado. Ser migrante é uma coisa, (e temos tantos entre os portugueses) e ser refugiado é outra. Um migrante sai do seu país e sujeita-se às regras de outro, vai para arranjar trabalho, contribui para a economia do país que o recebe. Um refugiado tem a protecção do Estado que o acolhe, recebe subsídios e alojamento sem ter que produzir e participar na economia do país anfitrião.

Muitos se insurgem contra o fecho das fronteiras. Todavia, fechar fronteiras não serve para impedir que as pessoas circulem. Serve é para impedir que as pessoas circulem à vontadinha. Serve, por exemplo, para impedir que os terroristas cometam os seus atentados e passem livremente por entre países, saiam da Europa, indo à sua vidinha em busca de mais treino e mais munições.


Em suma, misturar muçulmanos e terroristas, é o mesmo que misturar míscaros e amanitas. Ambos são cogumelos e todos os cogumelos são comestíveis. Só que alguns, só se comem uma vez.












Ana Kandsmar


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