sábado, 25 de janeiro de 2020

FAZER BEM, de Fernando Teixeira















Como em quase tudo na nossa vida, há diferentes maneiras de fazer uma determinada tarefa, umas mais expeditas, outras mais elaboradas. O objectivo é conseguir atingir um certo resultado, a forma como lá se chega é que pode variar de pessoa para pessoa.

O método utilizado pode depender de experiências anteriores, da avaliação que se fez então do caminho percorrido e dos resultados obtidos, da optimização de processos na procura de uma maior eficácia face às dificuldades encontradas… enfim, resumidamente, do saber-fazer de cada um.

Tudo isso depende de uma aprendizagem que se vai fazendo com o tempo. Aprende melhor quem se preocupa em conseguir o melhor resultado, de acordo com os dons, o tempo e as ferramentas de que dispõe. Porém, tem de ter esse espírito, essa vontade.

Sempre ouvi dizer que, normalmente, demora tanto tempo a executar uma tarefa mal como bem. Poderá não ser bem assim, mas estou convicto de que vale a pena demorar mais uns minutos a pensar e a executar bem, do que o contrário. Porque, daí para a frente, o ponto de partida será sempre diferente.

Falo pela minha experiência de projectista de estruturas. Dos projectos mais simples aos mais complexos, sempre me preocupei que todos os cálculos e desenhos fossem executados com a máxima exactidão e correcção. A responsabilidade inerente provocou em mim uma certa obsessão com o perfeccionismo. Sei que qualquer projecto pode ter de sofrer alterações em função da vontade do cliente ou por vicissitudes encontradas em obra. Então, é sempre preferível alterar o que se fez, partindo de uma base correcta, bem-feita, do que pegar num trabalho em que, por facilitismo ou para poupar algum tempo, não se pormenorizou este ou aquele aspecto, se omitiu um ou outro detalhe, mesmo que tal não tivesse grande importância. Partir de uma base errada, ou imprecisa, é trabalhar em algo que está aldrabado, armadilhado, omisso, é um pouco como diz o povo: “Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Para se corrigir depois, será necessário gastar mais tempo e com maiores custos e dispêndio de energia do que se se tivesse feito logo tudo bem. É poupar na farinha, para gastar no farelo…


Por isso, melhor será que aquilo que fazemos nasça bem, para ficar bem. Saibamos ser criteriosos, estudar, planear e executar as nossas tarefas de modo a obter o melhor resultado possível. Não facilitemos, dizendo “está bem assim, não me importo, ninguém vai reparar nisso!”, “podia ter ficado melhor, paciência!”, apenas para não recuar um pouco e gastar mais uns minutos a corrigir o que não ficou tão bem.

Se algo não ficou como gostaríamos numa divisão da nossa casa, sempre que entrarmos nela, os nossos olhos irão teleguiados para esse pormenor que não ficou como devia. Isto é tão válido para as coisas importantes da vida como para as mais comezinhas: do projecto de uma casa ou da remodelação de uma cozinha à arrumação da louça num armário ou na máquina de lavar, da organização de uma empresa à disposição de tudo o que temos na nossa despensa, de um livro que se escreve a um apontamento num memorando. Podemos fazer tudo de muitas maneiras diferentes e podemos fazê-lo da maneira que fica melhor, que nos fará sentir mais realizados, felizes.


Em todas as facetas da nossa existência, podemos optar por seguir critérios de optimização dos procedimentos ou seguir pelo critério do “tanto faz”. Cada um colherá depois o resultado do seu método.


O autor escreve segundo a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

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