domingo, 22 de setembro de 2019

PALAVRAS AO VENTO, de Anita Dos Santos















Memórias de infância, quem as não tem...

Umas doces, e queridas de relembrar. Outras nem tanto.

Como todos, tenho muitas, de umas e de outras. Gosto mais das primeiras (risos)!

Sempre tive uma imaginação muito viva, era sempre das primeiras a inventar brincadeiras num grupo de amigos da
rua, em que desafiávamos mutuamente, para ver qual inventava a melhor brincadeira.

Meninos e meninas (poucas!), brincávamos na rua sem qualquer receio, com o consentimento da mãe, (o pai, estava
no trabalho durante o dia, e só chegava ao cair da noite), que ditava as regras a serem cumpridas escrupulosamente,
com a reprimenda de que, assim não sendo, iriamos recambiados para casa...

Eu, poucas vezes tinha autorização para ir par a rua brincar, Tinha, no entanto, uma excelente escapatória. Uma
janela baixa, que dava para a rua e que eu amarinhava para fugir e ir ter com os meus amigos.

Brincava por ali perto, com uma orelha dentro de casa, não fosse a minha mãe aparecer, e eu ter de me enfiar dentro
de casa... Nem que tivesse de ser de cabeça...

Joelhos e cotovelos esfolados, eram a ordem do dia. Mas tudo isso fazia parte da brincadeira e ninguém se ralava
com tais trivialidades.

Passávamos horas intermináveis em grandes aventuras, perseguições, ou então em brincadeiras que eram habituais
naquela altura: aos potes, às fitas, mamã dá licença, linda falua, ao eixo, e tantos outros de boa memória.

Já mais crescidos, e a andar na escola, havia uma actividade que nos era muito chegada ao coração, e ao estômago.
Por perto, existia uma fábrica de vários tipos de bolachas. Entre estes, aquele que nos interessava, eram as bolachas
de baunilha..., pois claro...

Combinávamos entre todos, que no determinado dia em que sabíamos que na fábrica faziam venda na porta,
juntávamos os nossos tostões, cada um dava o que tinha, um tinha dois tostões, outro tinha um, outro tinha três...,
juntávamos tudo naquele dia e, rumávamos para a porta da fábrica munidos da nossa fortuna. Lá chegados,
pedíamos a quem nos viesse atender, todo o nosso pecúlio, reunido a grande custo, em aparas, era isso que nós
íamos caçar naquele dia!

Trazíamos de lá uma sacada de aparas de bolacha de baunilha, que continha muitas bolachas inteiras também, já
eramos clientes habituais acarinhados.

Depois, era uma tarde bem passada, numa sombra, a enfiar as mãos no saco à vez, e a encher a barriga de bolachas.
Poucas coisas me souberam tão bem, e ainda hoje me parece que sinto aquele gosto na boca, e aquele cheiro sem
igual.

Lembranças de infância, quem as não tem?

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