sábado, 28 de dezembro de 2019

UM NOVO ANO, de Fernando Teixeira















Estamos a chegar ao fim do ano e na eminência de dar início a um outro, por sinal um dia mais longo por ser bissexto. É altura para equacionar como se irá passar deste para o novo ano que aí vem. Mas também é tempo de cada um fazer uma reflexão sobre o ano que termina e equacionar o que deseja para o próximo.

Olhando para trás, parece que tudo passou tão depressa. É como uma espécie de efeito Doppler do tempo. Perspectivando o futuro, especialmente algum momento mais agradável que aguardamos com ansiedade, como umas férias ou uma viagem, temos a impressão de que o tempo anda mais devagar e que o almejado momento nunca mais chega. Ao invés, quando pensamos no passado, ficamos com a ideia de que o tempo voou célere, que nem demos por ele passar e custa-nos a crer que determinados eventos já ocorreram há tanto tempo, parecendo-nos que foi há muito menos. Custa acreditar que a Democracia foi instaurada há mais de quarenta e cinco anos, período superior a metade do tempo de vida da grande maioria das pessoas, que já passaram mais de vinte e um anos desde a EXPO98, ou que há vinte anos, precisamente, andávamos preocupados com as repercussões daquilo a que se chamava o bug do milénio. Afigura-se-nos de que foi há muito menos tempo… A verdade é que, num abrir e fechar de olhos, passaram já vinte anos deste séc. XXI!

Da mesma forma célere, a vida passa pelos nossos progenitores, pelos nossos filhos, por nós. Uns envelhecem mais depressa do que desejaríamos, outros passaram de crianças a adultos num ápice. Parece que os nossos rebentos ainda ontem andavam a aprender a ler e a escrever e hoje já frequentam universidades ou até já se formaram. Ainda ontem viviam sob o nosso tecto e hoje já têm a sua vida organizada, vivem sozinhos noutra casa ou em comunhão com a sua companhia de eleição.

Os anos vão passando por todos nós. O tempo vai transformando as nossas vivências, trazendo alegrias ou tristezas, sucesso ou infortúnio, a ambicionada saúde ou indesejáveis doenças. 2019 chega ao fim e cada um de nós experimentou momentos melhores ou piores durante o seu decurso. Com a passagem do tempo e da idade, também a forma como vemos o que acontece à nossa volta e a forma como reagimos aos mais diversos estímulos e notícias são diferentes.

Foi um sopro. Parece que ainda ouvimos ecos do último réveillon, da festa, do fogo-de-artifício e do toque de copos brindando ao novo ano. Ainda lembramos as passas de uva, os desejos, as promessas. Lembramos especialmente aqueles que festejaram connosco e que já não o podem fazer na próxima Passagem de Ano, o vazio e a falta que nos fazem. Mas andamos já afadigados a programar o próximo réveillon, se ainda não o fizemos, ou pura e simplesmente não temos nenhum programa especial para essa meia-noite, ela sim, especial por ser uma noite de transição de ano no calendário. Quanto mais não seja, talvez uns camarões e uma garrafa de espumante para fazer desse momento uma festa, em casa, com alguns familiares e amigos…

Nesta altura do ano, fazemos votos de que o novo ano traga paz, saúde, sucesso, alegria, dinheiro, a concretização de sonhos e projectos… Desejamo-lo aos outros e esperamos que o mesmo aconteça connosco. Desejamos apenas as coisas boas porque as más, de uma forma ou de outra, não estamos livres delas, fazem parte da nossa natureza e do acaso, ou do azar, e apenas esperamos que não venham bater à nossa porta. Ignoramos as coisas ruins da vida para que não se lembrem de nós. Por isso, nas mensagens e cartões que se enviam a desejar um bom Ano Novo, mais aquelas nos dias de hoje, falamos somente nos aspectos agradáveis da vida.

Com este espírito, desejo a todos os leitores desta crónica um EXCELENTE ANO DE 2020! Que ele seja muito gratificante para todos vós!

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