quinta-feira, 17 de março de 2016

[Entrevista - Internacional] Entrevista a Daniel Sánchez Pardos – autor do Thriller histórico “O Misterioso Senhor G"

No passado dia 2 de Fevereiro de 2016, tivemos a oportunidade de entrevistar o escritor Catalão Daniel Sánchez Pardos, o qual se deslocou a Portugal para participar em diversas iniciativas do Festival Literário “Correntes d´Escritas”, na Póvoa de Varzim, tendo decorrido também em Lisboa, no Instituto Cervantes, um encontro de autores onde Daniel participou, ainda no âmbito do referido evento literário que tem sede na terra Natal de Eça de Queiróz



Daniel Sánchez Pardos é conhecido do público Português adepto de romances históricos, encontrando-se a sua obra “O Misterioso Senhor G” traduzida para Português e editada pela Planeta. A obra pode ser descrita como um thriller de fundo histórico e conta com a particularidade de, entre as personagens às quais o autor deu vida na Barcelona do Século XIX se encontrar Antonio Gaudi, o celebre e misterioso arquitecto Catalão que é mundialmente conhecido pela sua obra com um estilo próprio e inimitável.

A convite da  Editorial Planeta, entrevistámos o simpático autor, que connosco partilhou aspectos da sua carreira, da sua obra e do processo criativo, tendo também comentado a sua participação no Festival Literário “Correntes d`Escritas”:

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Considerando o teu início de carreira com o Prémio “Tormenta” em Espanha, qual consideras haver sido a sua evolução desde então até chegarmos a este livro em concreto [O Misterioso Senhor G]?

Daniel Sánchez Pardos: Foi uma evolução muito rápida, em poucos anos. Eu escrevo há muitos anos, primeiro escrevia contos. Publicava contos em revistas há alguns anos e comecei a publicar romances em 2010, há apenas seis anos. Mas sim, nos últimos anos, sobretudo, consegui com O Misterioso Senhor G publicar no estrangeiro e foi o grande passo. Há dois ou três anos nem sequer poderia ter imaginado estar agora em Portugal a falar deste livro, ou tê-lo publicado noutros países. Foi uma grande mudança com a qual, há alguns anos, nem sequer teria sonhado.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Qual foi a tua principal motivação para passar dos contos para uma obra de ficção mais alargada?

Daniel Sánchez Pardos: Sinto-me sempre mais confortável com o romance do que com o conto: Imagino que o meu tipo de imaginação, por algum motivo, é mais apropriada para as histórias de ficção mais extensas, para os desenvolvimentos mais afinados. Interessam-me as personagens, que nos romances têm mais a desenvolver, assim como quando escrevia contos tentava escrever romances, o que só consegui quando atingi uma certa idade, é mais difícil conseguir algo que mereça a pena ler. Tendo começado a escrever romances, sinto que é uma zona em que me sinto mais confortável.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Será para dar continuidade?

Daniel Sánchez Pardos: Espero escrever mais livros, que a imaginação não se esgote e que a vontade de trabalhar e de escrever se mantenham. Escrever é um dos meus maiores prazeres, publicar ou não, não me importa, o que é importante para mim é escrever.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: E Barcelona, acredito que tenha sido uma inspiração especial?

Daniel Sánchez Pardos: Foi uma inspiração especial, mas este é o primeiro livro que escrevo sobre Barcelona. Toda a minha vida vivi ali, mas os meus livros anteriores nunca estavam localizados porque sempre senti que precisava de um pouco de distância em relação ao que escrevia para que a imaginação pudesse voar mais livre. Escrevi sobre Barcelona, mas existe uma distância temporal. Este livro é sobre a Barcelona do Século XIX, uma cidade que, por um lado é a minha, por outro é diferente daquela que hoje podemos conhecer quando passeamos pela cidade, isto ajudou-me a redescobrir a minha cidade, podendo também ter a liberdade de a imaginar.

Nova Gazeta/Diário do Distrito: Inspiraste-te directamente na obra visível de Gaudi na Cidade?

Daniel Sánchez Pardos: Sim sim. Gaudi, para todos os que crescemos em Barcelona é uma presença constante nas nossas vidas, crescemos entre os seus edifícios, entre as suas obras. E ademais, Gaudi é um personagem que me atrai muito como pessoa, é um homem muito misterioso, pouco de sabe sobre ele, tinha uma vida muito íntima, não gostava da vida pública, era muito reservado, muito fixado na sua obra. Tinha um sentimento artístico quase religioso, vivia quase completamente para a sua obra, e isso fazia dele um personagem muito interessante, e isto para um novelista é muito interessante porque deixa muito espaço para a imaginação, podemos trabalhar com ele como se fosse uma personagem de ficção, mas com a vantagem de que foi uma pessoa real e que as suas obras existem e podes vê-las quando passeias por Barcelona.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Dirias que há uma mística de Gaudi?

Daniel Sánchez Pardos: Sim, sem dúvida, Gaudi era um místico em si, e à volta de ele também se criou toda uma série de lendas, de mitos, relacionados precisamente com a própria estranheza da sua obra. A sua obra é tão diferente, tão estranha que parece que, para a explicarmos precisamos de algo surreal. Há lendas sobre um Gaudi esotérico, sobre um Gaudi inserido em correntes de pensamento alternativas. As suas obras são tão estranhas que podemos imaginar que quando as criava era um homem com uma mente alterada, pelas formas sinuosas que tinham as suas obras, estas imagens oníricas, tudo isto construiu uma mística que o torna mais um personagem de ficção do que da realidade.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Fazia um exercício de transcendência ou algo assim?

Daniel Sánchez Pardos: Sim sim, sem dúvida, sem dúvida.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Como tem sido a aceitação da obra à volta do mundo? Em 2014, na Feira do Livro de Frankfurt os direitos deste livro em concreto foram expandidos para diversos países, incluindo Portugal, que reacções tens dos leitores destes países?

Daniel Sánchez Pardos: Boas, muito boas. Em Espanha saiu o livro, também já foi publicado em itália, aqui em Portugal, na Dinamarca e na América Latina. Claro que o autor nem sempre recebe muita informação sobre o que vai acontecendo, mas vais acompanhando por internet, e a reacção é boa.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: E a experiência da participação no Festival Correntes d´Escritas? Aqui em Portugal estiveste na Póvoa de Varzim, como foi para ti esta experiência?

Daniel Sánchez Pardos: Foi maravilhoso. Já tinha estado noutros festivais em Espanha, mas era mais breves, de um dia, falavas sobre o teu livro e acerca do tema que te era proposto, demorava poucas horas e voltavas a casa. Aqui foram cinco dias inteiros participando numa localidade que estava focada no festival, tendo contacto directo com vários escritores, que na maioria não conhecia, Portugueses, Latino Americanos, Brasileiros, alguns Espanhóis e foi uma sensação maravilhosa ver uma localidade tão envolvida com a actividade literária, creio que podem estar muito orgulhosos aqui em Portugal.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Gostaste da experiência, repeti-la-ias?

Daniel Sánchez Pardos: Sim, repeti-la-ia.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Que palavras dirias aos leitores Portugueses que queiram ler este livro? Como resumirias o livro em duas ou três palavras, ou numa frase que melhor o pudesse caracterizar?

Daniel Sánchez Pardos: É uma intriga histórica, baseada num personagem real, mas que é tratado como um personagem parcialmente de ficção pelo facto de se tratar de uma época da vida de Gaudi que é pouco conhecida. O objectivo do livro é tentar recriar um momento concreto, que é a Barcelona do Século XIX, recriar uma personalidade tão fascinante como Gaudi, e ao mesmo tempo dar ao leitor um argumento com parte de mistério que se pode sentir até à última página.

Nova Gazeta/Diário do Distrito/Os Livros Nossos: Pensas que alguns dos leitores irá despertar a curiosidade de visitar Barcelona?

Daniel Sánchez Pardos: Esse seria o maior elogio ao livro, que lendo sobre a Barcelona do livro possam sentir-se atraídos pela Barcelona de hoje. Vale a pena ir a Barcelona por qualquer motivo, mas também por causa de Gaudi.

Trabalho realizado em colaboração com o blogue Parceiro Os Livros Nossos
http://www.oslivrosnossos.blogspot.pt e Diário do Distrito

Texto: Isabel de Almeida
Foto: Diário Imagem

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